N/A: Beeeem, então, chegou o cap 15. ALERTA: cenas homossexuais e a melhor lemon/NC que eu já escrevi na vida :D Preparem-se ^^


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Love Shuffle

Capítulo 15 – Hunger

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NejiTema | NaruSaku | ShikaIno | GenHina


H

Kakashi lavou os pratos e taças de vinho depois de escutar a mensagem de Sakura pela segunda vez. Sua mente estava agitada, seus pensamentos corriam uma e outra vez pela conversa com Rin, relembrando cada palavra que os levara ao final de um relacionamento que sequer deveria ter começado.

Ele se sentia drenado pelas emoções.

Não estava acostumado com aquilo, com a pressão pungente em seu peito, o frio estranho na barriga, a mistura de culpa e perda.

De todos os momentos que passaram juntos, desde a adolescência até agora, era impossível pensar que algo de tudo aquilo teria salvação.

Era um fim óbvio para um relacionamento que nunca deveria ter recomeçado.

Esfregou as mãos pelo rosto, andou até o quarto.

Tentar dormir não era uma opção, já que o sono parecia ter desaparecido de seu corpo. A ideia de fechar os olhos e se entregar a um estado de vulnerabilidade lhe fazia se lembrar da adolescência, das noites mal dormidas por causa de pesadelos.

Muitos fantasmas dentro dos armários, debaixo da cama, em sua cabeça...

Ele suspirou pesaroso, piscando algumas vezes até que a lembrança se perdesse na agitação de mente e fosse ofuscada por memórias mais próximas.

Como a porta se fechando assim que Rin saiu.

Como a mensagem de Sakura e sua voz insegura.

Como as redações que corrigira durante a tarde.

Sentou-se na cadeira da escrivaninha próxima à janela, agarrando-se na lembrança próxima e segura de revisar se todas as redações estavam devidamente corrigidas.

O trabalho estava devidamente feito e ele sabia disso. Mesmo assim, releu uma parte ou outra das redações mais promissoras.

Uma das alunas tinha citado uma frase de Os Sofrimentos do Jovem Werther, aquilo o tinha pego de surpresa; ele sequer sabia que ela gostava de literatura ou escrita. A garota era nova em Konoha e não falava muito nas aulas, mas pelo jeito se interessava por redações de tema livre.

Seu dedo correu pelo papel, sentindo as marcas da tinta da caneta carregadas. Ela escrevia com força, com paixão. Ávida por aquelas palavras como ele havia sido um dia. Ávido pelo que a leitura e a escrita poderiam lhe trazer, pelo favor que elas lhe faziam ao distanciá-lo de tantas perdas e tantos danos.

"Assim prossigo eu, vacilante e o coração opresso, entre o céu e a terra com as suas forças sempre ativas, e nada mais vejo senão um monstro que devora eternamente todas as coisas, fazendo-as depois reaparecerem, para de novo devorá-las."

Tinha força, sangue e coração. Tinha uma sensação oblíqua de amor juvenil, de paixão devassadora. Ele sentia no fundo da garganta o gosto ácido, quente e dolorido das palavras de Goethe, quase como se fossem suas...

A dor estranha de se identificar com aquelas palavras, com o fato de sentir-se um monstro que devora algo, o regurgita e depois volta a devorá-lo. Quase como Rin...

Um sorriso cansado cruzou seus lábios e ele guardou a redação com carinho em uma das pastas de trabalho, pensando que deveria conversar depois com essa aluna. Gostaria de entender mais sobre seus interesses literários, sem falar que ela escrevia bem.

Afastou a pasta, colocando-a numa pequena pilha à esquerda e liberando a mesa.

Quando empilhou a última folha ao lado, um rosto no canto esquerdo da mesa chamou sua atenção. Sakura o olhava profundamente, com sua blusa preta e o céu em chamas atrás de si, e seu sorriso parecia tão honesto...

Se perguntou quando foi que Sakura caiu naquele buraco negro e nunca mais saiu de lá. O amor não deveria machucar tanto, mas pelo jeito o amor machucava a todos em diferentes níveis, como o monstro de Goethe que devora e regurgita e volta a devorar.

Sakura era uma vítima daquele amor que fere e não perdoa. Ela era mais uma que, como ele, não sabia parar. Mas ele tinha parado. Ele tinha dito não, ele tinha conseguido fechar a porta para um amor do passado que não poderia voltar atrás.

Kakashi se levantou e andou até a sala. Olhou para o relógio que marcava pouco mais da meia noite e se sentou no sofá, pegando o celular com pesar e digitando o número do celular dela.

Ainda era hora de plantão e o celular continuava desligado.

"Você ligou para Haruno Sakura, neste momento não posso atender, retorno mais tarde!"

A voz dela soou alegre. Depois do bip, Kakashi suspirou e umedeceu os lábios com pressa.

- Sakura, boa noite, eu acho que você vai ver esse recado só de manhã, então talvez eu deva dizer bom dia.

Ele riu de si mesmo, era ridículo falar com uma caixa eletrônica, mas talvez realmente fosse terapêutico...

- Obrigado por ter me deixado uma mensagem, foi ótimo escutar tua voz. É bom saber que você me ligou quando precisou, sinto muito por não ter atendido. – ele parou com pesar e achou que ser honesto naquele momento poderia ajudar não só a si mesmo, mas também à ela – Essa noite foi difícil para mim também.

Kakashi se remexeu no sofá, segurando o celular firmemente contra a orelha.

- Há algum tempo eu te disse que no futuro conversaríamos sobre minha vida amorosa – ele riu rouco, envergonhado – e eu te contaria quem é Nohara Rin. Pois é, acho que chegou o momento.

Ele respirou fundo e fechou os olhos.

- Tudo começou há muito tempo, quando estávamos no colegial...

U

Shikamaru sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo ao sair do elevador.

Era meia noite e meia e o corredor estava silencioso. Seus dedos pescaram a chave de casa no bolso de trás da calça e ele andou calmamente até à porta. Os passos eram meramente uma tentativa inútil de acalmar mente e corpo.

Fechou os olhos e se perguntou uma última vez se aquilo era mesmo o que queria.

Sem pensar mais do que meio segundo, o homem enfiou a chave na fechadura e a rodou rapidamente, girando a maçaneta num movimento fluído e determinado.

A sala estava iluminada e, ao entrar, Shikamaru sentiu o corpo todo arder.

Seus olhos recaíram sobre as figuras sentadas no sofá e-

- Shikamaru! – a voz de Temari cortou o ar, meio assustada e surpresa.

Um misto de emoções na voz dela que Shikamaru não teve nem tempo de começar a decifrar, pois seus olhos se dedicaram a engolir aquela cena e gravá-la na retina.

Neji estava sentado no meio do sofá, a cabeça caía contra o encosto e seus cabelos escorriam como uma cascata de nanquim pela parte de trás do sofá. Seus olhos claros e frios se fixaram na figura de Shikamaru num misto de raiva e curiosidade.

Shikamaru gastou alguns segundos processando a expressão do Hyuuga e memorizando as diversas tonalidades de suas íris. Um caleidoscópio de emoções selvagens e profundas, como um quadro em tons pastéis que desbravavam sensações obscuras em cores claras e translúcidas.

O ar saiu de seus pulmões num ritmo acelerado e o Nara simplesmente trancou a porta atrás de si, voltando a encarar a namorada alguns segundos depois.

Temari estava sentada no colo do Hyuuga, seu torso nu, suas mãos agarradas aos ombros do homem, seus seios despontando deliciosamente a vista.

Shikamaru não escondeu um sorriso matreiro de lado.

- O que você está fazendo aqui? – ela perguntou, cruzando os braços sobre os seios, irritada.

Temari não era tímida e não estava realmente ofendida, mas ela detestava quando as coisas aconteciam de maneira inesperada e aqui estava ele onde não deveria estar. Ela gostava de estar no controle das situações, e saber que Shikamaru a tinha ludibriado e movido as peças no tabuleiro sem antes partilhar de seu plano com ela lhe fazia se sentir, de algum modo, traída.

- Não vou atrapalhar – ele disse, largando o capacete da moto sobre a mesa de entrada.

Seus cabelos estavam ainda presos no rabo de cavalo, que agora parecia frouxo e deixava os fios escaparem revoltos. Shikamaru deu a volta e os olhou de novo.

- Eu vou pegar uma cerveja e desaparecer no escritório – ele começou a andar para a cozinha, mas reparou pelo canto do olho que Neji ainda vestia as calças sociais chumbo e que o vestido de Temari estava preso em seus quadris.

Sua voz saiu muitos graus mais rouca do que o normal e ele sorriu sozinho. Nenhum dos outros dois ia deixar passar essa percepção, mas que se danasse.

- Finjam que eu não estou aqui - sugeriu, sentindo o peito apertar como se dedos envolvessem seu coração e descontrolassem seus batimentos.

O ar na sala de estar estava elétrico, uma tensão pulgente, quase violenta o envolvia por todos os lados, como a sensação sorrateira de ser cercado por sombras. Era perigoso e envolvente, como o segundo antes de um disparo, como o segundo que precede uma ruptura.

Entrou na cozinha, abriu a geladeira e pegou uma longneck. Seu coração estava acelerado, e sua respiração fazia um trabalho muito mal feito em tentar não soar tão acelerada quanto seu coração, mas a adrenalina era tanta e tão entorpecente que ele não ligou.

Hyuuga Neji era um lutador, sempre havia sido. Ele sabia de artes marciais e treinava com um antigo grupo de amigos da época do colégio. Shikamaru se lembrava muito bem daquelas informações. Se lembrava de como as meninas suspiravam pelo Hyuuga quando ele ainda era o presidente do grêmio estudantil e ganhava todas as competições municipais de Karatê, Aikidô e Kendo...

A ideia de despertar a ira daquele homem, fazia com que todo seu corpo se acendesse num frenesi absurdo, como deixar a mão repousar tempo demais sobre a chama de uma vela, ou olhar muito tempo para o sol. Era quente, febril, quase doloroso.

Poderia deixar marcas. Cicatrizes.

Shikamaru saiu pela porta da cozinha e vislumbrou o exato momento em que os olhos claros de Neji se pregaram contra ele num movimento que não tinha intenção de ser desprevinido.

Era um aviso.

Era um sinal.

Viu Neji descer as mãos pelas costas de Temari.

Ela ainda parecia irritada com Shikamaru, mas o Hyuuga fez questão de manuseá-la de tal maneira que os braços cruzados dela não duraram por mais tempo, e sua cabeça tombou para o lado com as carícias, deixando-se levar um pouco mais sob as carícias do Hyuuga.

Neji era bom. Ele não deixava sombra de dúvidas.

O Hyuuga tinha aceitado o desafio que Shikamaru tão obviamente lhe apresentara.

Ele não ia parar.

Observou o Hyuuga encaixar o rosto na curva do pescoço de Temari e sugar com força, gerando uma onda gelatinosa de tesão no baixo ventre de Shikamaru, como se derretesse por dentro.

Os olhos claros se abriram outra vez e Neji encarou Shikamaru, enquanto espalhava beijos e mordidas pelo pescoço esbelto de Temari.

O Nara respirou fundo e abriu a cerveja com calma, tentando transparecer uma sobriedade que não sentia. Neji continuou olhando-o, descendo as mãos pela curva do quadril de Temari e as escondendo debaixo de seu vestido.

Shikamaru sorriu para o outro homem e rodeou o sofá, acabando com o contato visual, se obrigando a traçar o plano mais correto para aquele momento e fingir uma indiferença que não existia. Temari suspirou baixo e levantou o rosto para ver o namorado passar à sua frente.

Ela parecia relutante, mas ele percebia como sua mente corria tão rápido quanto a dele naquele momento. Ela estava tentando entender e aceitar o que estava percebendo.

Os mecanismos de sua mente estavam trabalhando rápido para digerir a proposta silenciosa que o namorado lhe oferecia quase inocentemente.

Ele era a mastermind através do véu. O mentor, o estrategista daquela situação tão inusitada. Temari estava certa de que tinha planejado tudo em menos tempo do que qualquer outra pessoa teria feito.

Um crime perfeito, para saciar uma voracidade que ela percebia oculta debaixo das retinas dele desde o primeiro momento que ele a imaginara nos braços de Hyuuga Neji.

Shikamaru seguiu para o corredor, no exato momento em que Temari deixou um gemido alto escapar por entre seus lábios, um misto de tesão ao constatar o plano dele e resposta as mãos hábeis de Neji. Foi um som alto e trêmulo que quase paralisou Shikamaru sob o batente do corredor, mas o homem se forçou a dar mais um passo-

- Nara, - a voz profunda e áspera de Neji o chamou, num tom que Shikamaru obviamente desconhecia, mas poderia se acostumar com rapidez e interesse.

O Nara virou o rosto sobre o ombro e seus olhos negros se chocaram com a tempestade de raios dentro dos orbes claros de Hyuuga Neji. Ele tinha uma mão agarrada aos cabelos claros e revoltos de Temari, e a outra acariciava a coxa dela com sensualidade.

- Já que você está aqui...

Um sorriso malicioso nasceu nos lábios de Neji, e seus olhos disseram a Shikamaru que ele não enganaria ninguém, muito menos o prodígio dos Hyuuga.

Se Shikamaru achava que estava alguns passos à frente, Neji estava além.

- Por que você não puxa uma cadeira?

O tom erótico que resvalou daquelas palavras rolou pelas costas de Shikamaru e se instalou em sua última vértebra, numa sensação borbulhante de luxúria e tentação.

Era um convite irresistível, e quem era ele para dizer não a algo que ele mesmo tinha plantado com tamanha perspicácia?

N

Naruto se afundou na cama, puxando as cobertas sobre seu rosto e escondendo-se na escuridão agradável que a manta lhe fornecia.

Seu corpo se sentia extremamente cansado, mas a noite tinha transcorrido cheia de ideias agitadas em sua mente. Nada o fazia se acalmar ou relaxar.

Não.

Este dia estava sendo infernal e nada tinha saído como esperado.

Nem com Hinata, nem com ele mesmo e muito menos com Sasuke.

A imagem se repetia em sua mente inúmeras vezes: Sasuke dando-lhe as costas, respeitando aquele momento de compreensão e oferecendo espaço para absorver tudo com calma.

Mas não havia calma em sua mente, ou em seu corpo, ou em seus pensamentos. Havia uma sensação dura e incômoda em seu estômago e uma vontade estranha de se esconder do mundo, desaparecer da face da Terra.

Ele ainda não conseguia pronunciar a constatação em voz alta. Sequer conseguia formular uma frase em sua cabeça sem sentir a ansiedade lhe atacar com força e lhe fazer se sentir sozinho, perdido e ainda mais agitado.

- Argh...

Afastou a coberta e respirou fundo, encarando o teto levemente iluminado pela luz dos postes da rua que entrava sorrateira pelas brechas da cortina.

Precisava conseguir algum tipo de alívio ou fuga. Talvez devesse viajar, pedir uns dias de férias, isso com certeza ajudaria... Mas logo seria o evento com as crianças de rua e ele precisava estar lá.

E Sasuke também estaria lá. E como Naruto conseguiria olhar para ele sem pensar que-

- Droga! Droga! Droga! Argh!

Ele socou o colchão algumas vezes e se deixou relaxar mais uma vez, sentindo-se um pouco mais calmo depois da explosão rápida de adrenalina.

Tinha tomado um comprimido para dormir, que Sakura tinha lhe dado há algum tempo, isso deveria ser suficiente para apagá-lo a qualquer momento. E que fosse rápido...

Amanhã seria um dia tranquilo.

Ele iria trabalhar, terminaria de organizar as atividades para as crianças, depois comeria no Ichiraku, passaria na loja de tintas para confirmar a entrega e iria para o apartamento de Ino receber a remessa juntos e distribuir as latas de tinta de acordo com a cor que pintariam cada lugar.

A ideia de se debruçar em um trabalho braçal o aliviava imensamente.

Ele precisava dormir, apagar, desligar a mente...

Precisava se esquecer que o dia de hoje tinha acontecido.

Fechou os olhos outra vez e um par de olhos o encararam de volta. Profundos, atentos, amáveis.

Dois faróis claros na escuridão, duas luzes que o guiariam – ou pelo menos foi o que ele sempre pensou... Que o guiariam para um lugar melhor...

Olhos cor de lavanda, serenos e tímidos. Era como se estivessem bem diante de si, e eles evocavam uma tranquilidade e segurança tão profunda que Naruto sentiu o corpo ir amolecendo devagar. Acalmando sua respiração e os batimentos cardíacos, levando-o a um estado sonolento.

A sensação o envolveu aos poucos, fazendo com que sua mente aquietasse e seus olhos pesassem ainda mais, sentindo a escuridão do sono o conduzir a sonhos que não se recordaria ao acordar.

Seu peito apertou um pouco mais, enquanto a imagem de Hinata ia aos poucos apagando em sua mente, deixando apenas um buraco vazio e uma sensação estranha de solidão e acalmia.

Aquela mistura estranha foi lhe ninando, cada vez mais profundamente, fazendo-o observar rostos conhecidos na tela mental. Sakura, Sasuke, Kakashi-sensei, Ino...

Aquelas pessoas pareciam lhe sorrir e lhe cuidar e ele, levemente, se deixou carregar pelas expressões tranquilas e conhecidas, sentindo o peito parar de apertar e o remédio começar a diluir em suas veias, em seus músculos... Agradável, quente, sonolento, relaxante...

G

Genma a observou cambalear e suas mãos a seguraram firmes no lugar.

Hinata sorriu apologética e entorpecida, suas mãos delicadas segurando no couro da jaqueta que ele usava, mantendo-se de pé. A textura era áspera e deliciosa ao tato, contra suas digitais acostumadas com texturas agradáveis e caras.

Ela tinha deixado o copo com conhaque sobre um dos móveis da antessala e quase ressentiu o fato de ter bebido tanto. Mas ela precisava se sentir anestesiada, pelo menos por alguns momentos.

O homem analisou com calma as feições dela, tentando entender o que estavam fazendo ali, naquele quarto de hotel terrivelmente caro. Ele percebia que ela não estava bem, oras, ela não estava bem desde antes dele chegar.

Sua ligação o alertara sobre possíveis problemas, mas ele tinha ido assim que ela o chamara, pedindo por favor para a encontrar no quarto 253 do hotel mais caro de Konoha, sem dizer muito mais do que aquilo.

Seus dedos ásperos afastaram os cabelos longos do rosto corado e febril dela, e a mulher fechou os olhos com a sensação, um suspiro suave escapando por entre seus lábios.

Ela era linda. Linda de uma maneira clássica, inocente, quase como uma boneca de porcelana, mas mais atraente. Ela era a grande charada daquele jogo e Genma tentava com todas as suas forças resistir à curiosidade mórbida de entende-la.

- Acho que você bebeu demais.

- Sim... – ela sussurrou, com os olhos ainda fechados e o rosto inclinado contra o toque quente da mão dele – Eu precisava da distração.

- Por que? – Genma perguntou suavemente, seu polegar acariciando a pele pálida e perfeita de sua bochecha.

- Para esquecer.

Os olhos cristalinos se abriram e o encararam de volta.

- Obrigada por ter vindo.

- Obrigada por ter me chamado.

Ele sorriu, aquela aura atraente e convidativa a envolvendo do jeito que ele sabia que envolveria. Hinata corou ainda mais, mas não moveu nem um milímetro para fugir da sensação.

Genma se perguntou mais uma vez o que estava fazendo ali, o que ela queria dele. Em partes a resposta era óbvia, mas algo se perdia em seu raciocínio e não encaixava na personalidade que ele conhecia dela até agora.

- Você gosta de coisas frágeis?

A pergunta dela soou baixa e fraca, mas ele ouviu claramente.

- Frágeis?

- Coisas que podem se romper com o toque.

A explicação o fez suspirar e uma preocupação quente se instalou em seu corpo.

Ele não fazia ideia do que tinha acontecido, mas certamente não era nada bom.

- Eu não gosto de romper coisas – ele murmurou de volta e sorriu de leve, sentindo as mãos dela subirem por seus braços e se agarrarem com força em seus ombros.

- Você sabe colar restos?

- Quando falamos de pessoas, não existem restos, Hinata – Genma firmou a mão nas costelas dela e pressionou os dedos contra a maçã do rosto.

- Pedaços, então?

- Partes.

Ela concordou, seus olhos injetados correram pelo quarto atrás dele, vislumbrando a cama, um par idêntico de criados mudos e uma poltrona vintage caríssima.

- Minhas partes estão espalhadas por todos os lados, mas não parecem querer se juntar. Elas parecem querer se perder numa multidão de medos e sensações.

- Por quê?

Hinata refletiu sobre a pergunta e seus olhos voltaram aos orbes cor de âmbar. Ela parecia perdida, como se algo sem seu interior tivesse se deslocado para algum lugar que ela não alcançava ver.

- Parece que tudo que fiz foi o que era esperado de mim. Como se eu não tivesse vontade própria ou vida – ela falou de pressa e seus olhos pareciam confusos e doloridos – Uma vida que eu nunca governei, sempre foi governada.

Genma sentiu uma dor aguda no meio do peito e uma pena incrível.

- Eu gostaria de fazer algo inesperado. Algo apenas meu, decidido por minhas próprias mãos e mente.

- Dizer não a Naruto foi inesperado.

- Dizer não a Naruto foi um passo fora da linha, não foi completamente decidido por mim, mas por um impulso inconsciente de mudança.

- E isto está sendo decidido por você, neste exato momento?

As mãos dela pressionaram com mais força em seus ombros e seus olhos claros se focaram nos lábios dele com intensão e curiosidade.

- Não. Isto é mais um passo fora da linha.

- É o teu inconsciente buscando mais mudanças?

- Não. É meu inconsciente pedindo ajuda.

Seus olhos se encontraram mais uma vez. Hinata estava apavorada e ele podia ver aquilo no cristalino de seus olhos, como uma criança que berra por atenção e cuidados.

Ela tinha sido rota ao longo de toda uma vida, e ela precisava de ajuda para recompor suas partes e começar de novo.

O que quer que fosse que tinha acontecido hoje, havia estilhaçado o que sobrava intacto.

- O que você quer, Hinata? – ele perguntou com ternura e os olhos dela sorriram pela primeira vez para ele, agradecidos pela mão que ele lhe estendia.

- Eu quero que me beije – ela sorriu devagar, ébria e visivelmente entorpecida – Quero que colete minhas partes.

A resposta dele foi rápida, juntando seus lábios com uma ternura e cuidado que sequer Genma conhecia.

E

Havia desespero e tesão nos gemidos baixos de Temari, no modo como ela pressionava o quadril nu contra Neji, fazendo-o desaparecer dentro de si numa imagem selvagem e sexual que Shikamaru jamais vira antes.

Uma coisa era transar com Temari, senti-la por dentro e viver o descontrole com ela. Outra coisa era vê-la engolir Neji com cada centímetro de seu corpo. Despejando gemidos na boca dele, rolando suas línguas no mesmo ritmo desesperado que ela rolava seu quadril.

A tensão inicial tinha se dissipado há tempos. Neji, com sua voz áspera e rouca, dissera a Shikamaru que se sentisse a vontade, ao mesmo tempo em que penetrava Temari pela primeira vez na noite, erguendo os quadris num ato brusco que lhe arrancara um gemido alto e dolorido, fazendo o homem rosnar como um animal selvagem.

Shikamaru se surpreendeu com os comandos que se seguiram. Sua mente estava turva e seus dedos tremiam ao redor do cigarro enquanto Neji comandava seus atos com frases curtas, tão firmes quanto suas estocadas.

Abra a calça. Toque-se. Olha pra mim. Aproveite.

Um torpor febril o envolvera desde os primeiros momentos, sentindo seu corpo responder ávido demais àqueles comandos, tão desesperado quanto os dois corpos que se envolviam e gemiam entorpecidos.

Uma fricção tão densa que condensava todo o ar da sala e o envolvia como uma mão firme, fazendo com que sua própria mão se movesse mais rápido, mais forte, com mais virilidade.

Você gosta do que vê?

Shikamaru tinha gemido alto com a pergunta, dessa vez era a voz de Temari que o chamava, o incitava ao prazer.

Sua mente não tinha nem uma brecha de claridade e a tempestade parecia jorrar dentro de seu corpo como ondas magnéticas de força sobrenatural. Afogando-o num misto de prazer e loucura que jamais tinha apreciado antes.

Sua respiração ofegante soava alta e se misturava aos rosnados baixos de Neji e os gemidos trêmulos de Temari.

A mulher virou o rosto, enquanto Neji lhe sugava um mamilo com uma força brutal que, desta vez, com certeza deixaria marcas. A ideia fez Shikamaru morder o lábio com força, empurrando as calças para fora de seus calcanhares e abrindo mais as pernas, tocando-se com firmeza ao mesmo ritmo que eles se consumiam.

Numa chama ardente e insana.

- Vem aqui – Temari pediu, seus olhos nublados de prazer e sua voz inundada de tesão, sua mão estendida para ele numa súplica inegável.

Pequenas explosões dançaram em sua mente com o pedido promíscuo. Cenas e imagens obscenas nasceram arbitrárias no fundo de sua retina, como uma promessa chamativa de fantasias antigas.

Shikamaru se moveu como um tigre, levantando-se, arrancando a camiseta pela cabeça num puxão rápido e fazendo com que seus cabelos caíssem livremente por seus ombros.

Ele andou até ela, glorioso em sua nudez, sentindo os olhos atentos do Hyuuga analisarem todo seu corpo num milésimo de segundo.

Shikamaru sentiu seu sexo pressionar contra as costas de Temari, deixando um rastro úmido em sua pele. O cheiro de sexo o envolveu ainda mais e ele enfiou os dedos nos cabelos espessos dela, sentindo-se sem ar, sem saída, sentindo-se iluminado na escuridão que possuía sua mente.

Seus lábios se chocaram e Temari riu em meio ao beijo, sugando sua língua com força e o fazendo tremer. Duas mãos o puxaram pelas coxas, fazendo-o subir no sofá atrás de Temari, prendendo-o contra a espinha dela e gerando uma onda quente de prazer com a fricção.

As mãos o guiaram mais para frente, agora apertando suas nádegas com força e lhe fazendo ajeitar os joelhos atrás dos de Temari, ao redor das pernas nuas e musculosas de Neji.

Os dedos firmes em sua pele o forçaram a se mover, rodando seu quadril e friccionando contra as costas dela, enquanto lhe beijava o pescoço suado, sentindo o gosto de suor e perfume.

Havia algo de muito ousado em sentir as mãos firmes de um homem manipulando seu corpo daquela maneira. Algo de muito sensual em deixá-lo fazer aquilo, em se deixar levar apenas pelo apelo sexual de toda aquela situação.

Se permitir sentir e viver sua sexualidade sem barreiras, apenas uma explosão magnífica de sensações e desejos.

O braço de Temari envolveu seu torso, puxando-o contra si, fazendo-a tombar o corpo mais para frente, rompendo o beijo e pendendo a cabeça contra o ombro de Neji, desiquilibrando Shikamaru.

Ele precisou se agarrar no encosto do sofá e as mãos do Hyuuga o agarraram com mais força, seus dedos apertando os músculos torneados das nádegas de Shikamaru e o mantendo estável.

O Nara gemeu com a sensação angustiante de estar completamente preso entre as costas de Temari e as mãos de Neji. Levantou o rosto, afobado, estocando contra as costas suadas dela e sentindo o prazer escorrer pelo seu corpo como lava, fervilhando de tesão.

Seus olhos negros encararam os olhos claros de Neji. Uma guerra silenciosa de cores e pedidos silenciosos.

Seus rostos estavam tão próximos que ele sentiu o hálito do Hyuuga contra sua bochecha. As feições aristocráticas de Neji se transformaram num misto de prazer e dor, os dentes cravaram contra o lábio inferior ao mesmo tempo em que suas mãos forçaram o corpo de Shikamaru num movimento circular estonteante que lhe tirou o ar dos pulmões e lhe impeliram a abrir os lábios num xingamento mudo.

Neji rosnou baixo e seus quadris subiram numa série de movimentos desconexos e firmes, estocando contra Temari num frenesi louco. Seus cabelos estavam bagunçados e alguns fios grudavam na pele pálida e suada enquanto seus olhos permaneciam firmes nos de Shikamaru.

O Nara se sentiu sugado pelo desespero daquele olhar, pela selvageria que aquele olhar prometia, e o abismo se abriu sob ele, sem volta.

Shikamaru rodeou o corpo da namorada e afundou uma mão entre as pernas dela, seus dedos roçando de leve contra Neji e arrancando um olhar desesperado do Hyuuga. Shikamaru rolou os dedos sobre Temari, acariciando-a e gerando um estímulo extra, fazendo-a jogar a cabeça para trás contra o ombro dele e tremer de prazer. Seu corpo se movendo desesperadamente contra os dedos dele, descendo os quadris com violência sobre Neji.

Os lábios do Hyuuga se partiram num gemido rouco, anunciando o quão próximo do ápice ele estava e a sensação envolveu Shikamaru, quebrando qualquer última barreira que o paralisava e guiando-se cegamente à ação.

A mão livre de Shikamaru se agarrarou aos cabelos longos e desgrenhados do Hyuuga, com força, numa espécie de dominância consentida que fez Neji estremecer contra o sofá, preso numa sensação delirante que há tempos não sentia.

Shikamaru puxou com força as madeixas, controlando o movimento e trazendo os lábios inchados do Hyuuga para si, misturando seus hálitos numa sensação tão ardente que ele achou que não aguentaria.

Seus lábios se chocaram com brusquidão, numa violência mútua, e suas línguas se tocaram com sofreguidão, com gosto de cigarro e cerveja e desejo. O beijo era áspero e masculino como Shikamaru jamais provara antes.

Neji agarrou uma mão na nuca de Shikamaru, forçando o beijo a ficar ainda mais profundo e ambos gemeram juntos, suas línguas guerreando silenciosamente por dominância e vitória em uma batalha já há tempos perdida.

Shikamaru mordeu o lábio inferior do Hyuuga com força, sentindo o gosto de Neji em sua língua, sentindo seu cheiro o rodear e seus dedos puxarem o cabelo de sua nuca. Ambos se moveram em sincronia, forçando seus corpos contra Temari, que gemia e agora se dedicava a chupava o pescoço de Neji.

Eles precisaram se afastar para respirar e Temari começou a tremer, apertando as costas de Shikamaru e chamando seu nome baixinho enquanto um orgasmo poderoso a assolava como um terremoto, fazendo-a rebolar com desenvoltura no colo de Neji, lançando-o ao mesmo abismo enlouquecido que ela.

- Ah!

Neji gemeu contra os lábios de Shikamaru enquanto gozava com força, seus dedos se agarrando à sua nádega e aos cabelos espessos do Nara, que fez questão de engolir cada lamúria e rosnado que o Hyuuga lhe ofereceu, tocando com a ponta da língua os lábios úmidos e trêmulos, tão entorpecido quanto ele.

- Meu deus... – Temari murmurou, forçando-os a se separarem para que ela pudesse se levantar trêmula e se jogar no sofá suada e cansada.

O Hyuuga abriu os olhos languidamente, assistindo Shikamaru tentar se levantar devagar, os joelhos fracos e os dedos trêmulos, descendo até seu sexo, em busca de alívio para todo aquele desejo absurdo que ainda palpitava por todo seu corpo.

Mas Neji o puxou de volta para seu colo, sem deixá-lo se levantar, e suas bocas se tocaram agora livremente. Seus peitos encostaram gerando uma sensação deliciosa de descoberta que fez Shikamaru gemer rouco contra os lábios do outro.

As mãos do Hyuuga passearam por seu corpo sem reservas, desbravando e excitando por onde passava, apertando o corpo de Shikamaru contra o seu. Sentindo os braços dele envolverem seu pescoço e seu quadril estocar contra sua barriga.

Neji sorriu em meio ao beijo. Fazia anos que ele não sentia aquilo, a libertação louca de ter outro homem em seus braços, contra seu corpo, contra sua língua. Ele desceu os beijos pelo pescoço levemente bronzeado de Shikamaru e espalhou lambidas e chupões por onde passava; ele queria marcar aquele corpo, ele queria deixar rastros que demorariam a desaparecer, ele queria habitar aquela pele e mergulhar sob sua epiderme com a sensação devastadora de libertar o monstro que vive dentro de si.

Shikamaru deixou a cabeça pender e fechou os olhos, sentindo os dentes de Neji contra sua clavícula, sentindo o braço dele rodear sua cintura e o segurar firmemente como nunca ninguém jamais o segurara. Os dedos longos e finos de Neji o rodearam e Shikamaru rosnou deliciado com a fricção de suas peles. Se deixando levar pela sensação inovadora de ser possuído por um demônio mais forte que ele, mais influente e mais perigoso que seu mais obscuro pesadelo.

O Nara reagiu aos toques firmes de Neji, estocando descontrolado contra a mão do Hyuuga e sentindo os dedos delinearem seu sexo com perspicácia e apertarem a glande de leve para depois descer e subir a mão rapidamente num ritmo alucinado que Shikamaru não aguentaria por muito mais tempo.

Abriu os olhos, com a respiração ofegante, e Neji levantou o rosto, largando a clavícula marcada e chupando seus lábios com força, arrancando um gemido dolorido de Shikamaru e movimentos erráticos de seu quadril.

Céus, ele estava tão perto... Tão perto...

Neji lambeu seu queixo e seus lábios de uma maneira tão baixa e pouco controlada que Shikamaru gemeu alto e sentiu como o orgasmo escalava por cada centímetro de seu ventre ao ver Hyuuga Neji perder qualquer fio de decência que lhe sobrava, se descontrolando e o lambendo daquele jeito quase sujo. Era delicioso, era obsceno, era um torpor quase frenético.

- Agora, Nara – Neji comandou rouco contra seus lábios.

- Oh!

E Shikamaru gozou, longo e gostoso na mão de Neji, enquanto o homem devorava seus lábios mais uma vez, enfiando a língua fundo em sua boca, trabalhando seus dedos até a última gota de gozo escapar do corpo magro de Shikamaru, segurando-o firmemente pelas costas enquanto ele esmorecia.

Shikamaru tremeu e se soltou no colo de Neji, perdendo as forças das pernas, se deixando ser beijado por mais tempo e beijando de volta, com as mãos agarradas aos cabelos longos e suados do Hyuuga, sentindo a mão úmida de Neji acariciar sua coxa em movimentos circulares e calmantes.

Havia algo delicioso e proibido em tudo aquilo, e nenhum dos dois queria parar o beijo, ou as carícias. Mas o ar faltou e eles separaram os lábios, relutantes, encostando suas testas e permanecendo ofegantes, seus corpos manchados de saliva, suor e sêmen.

- Isso foi, definitivamente, a coisa mais sexy que eu já vi em toda a minha vida – Temari disse divertida, postando as mãos sob a cabeça para se acomodar melhor.

Neji deixou um fio de risada escapar pelo nariz e Shikamaru revirou os olhos, levantando-se devagar e constatando o estado deplorável em que estavam. Temari estava largada no assento ao lado de Neji, as pernas abertas e o rosto corado, seus cabelos se espalhavam por todas as partes e ela parecia absurdamente satisfeita.

Ele sorriu vencido e encarou o Hyuuga, que parecia agora extremamente relaxado no sofá, quase sonolento, olhando-o de volta com certa curiosidade.

- Acho que a gente precisa de um banho – concluiu, acendendo um cigarro e andando devagar para o corredor que os levaria até a suíte.

R


N/A: heheheheeheeeee muitos dados rolando ao mesmo tempo, meldels-

Pois, para quem ainda se perguntava qual era meu casal favorito em Naruto, aí tão eles: ShikaNeji :3 Eu espero de todo o coração que vocês não desistam da fic pq temos um involvimento yaoi aqui no meio, afinal século XXI, né moçada. :D

Bem, muitos dados estão rolando agora. Eu adorei escrever esse cap, e já tenho partes do 16 prontas, então to torcendo para vocês se sentirem inclinadas a deixar uns reviews me contando como foi para vocês ler esse capítulo e vivenciar todas essas descobertas, pq esse cap para mim foi um sonho transformado em realidade. Por isso toda e qualquer reação seria preciosa para mim.

Pessoal do facebook: obrigada por acompanharem e me estimularem sempre, amo mto vcs! (para quem quiser me add: Tai Bécquer)

MUCH LOVE, TAI :**