N/A: Pessoal, eu tentei de todos os modos terminar o capítulo, mas as provas e trabalhos da faculdade mais obrigações do emprego e do voluntariado fizeram dessa missão uma missão impossível. Estou viajando hoje e só voldo para casa em duas semanas. Não terei como escrever nesse meio tempo. Então decidi dividir o cap em dois. Isso significa que esse cap é na vdd metade do que eu tinha me proposto a escrever e tem cenas faltando, é tipo parte I do cap 16, são apenas três cenas, mas acho que vocês vão curtir do mesmo modo. Como não quis deixar vocês esperando mais um mês para ter a atualização, aqui estão as 3 cenas que consegui escrever nesse meio tempo. Espero que vocês curtam! Muito amor e muitos agradecimentos aos reviews, foi impossível responder a todos eles nesse mar de trabalheira, mas eu amo muito vocês e tô muito agradecida por terem aceitado ShikaNeji de braços abertos! Para quem tinha alguma dúvida, esse é meu casal favorito de Naruto, eu amo muito eles, e estou muito grata pela recepção calorosa dessa interação. Vocês são umas lindas! :*


Love Shuffle

Capítulo 16 – Hold on


H

Kakashi sentiu a voz vibrar pelo intercomunicador do celular, mas continuou do mesmo jeito. Em algum momento ela escutaria a mensagem.

- Nós éramos jovens e apaixonados e começamos a namorar no segundo colegial. Ela era a garota mais interessante que eu já tinha conhecido, era como se algo nela fosse absurdamente irreverente. Rin era segura de si e séria, ela sabia o que queria e sempre ia atrás de seus sonhos – as memórias evocaram cenas em sua cabeça que ele nem se lembrava: Rin no pátio do colégio, rindo e contando sobre alguma coisa que lera em uma revista, enquanto Obito revirava os olhos e enchia seu hotdog de ketchup – Nós éramos muito amigos, andávamos sempre em três: Rin, eu e Obito, meu melhor amigo.

Sua voz agarrou no fundo da garganta e ele se perguntou se estava mesmo fazendo o certo em contar aquilo para ela. Se era o momento, se era positivo falarem sobre aquilo.

- Obito também gostava dela, mas ele era discreto, e nós não falávamos muito sobre isso. Existia um subentendido de que Rin gostava de mim e eu também gostava dela, então nos mantínhamos em silêncio sobre o possível sofrimento dele. Era estranho, mas era necessário. Até que o terceiro ano chegou e, na metade do ano, Obito sofreu um acidente de carro.

Uma dor aguda escorreu pelo seu peito, como se reviver aquele dia, aquele susto, o pânico e o medo de perder seu melhor amigo voltassem com força.

- Ele ficou entre a vida e a morte por dias, e todos nós perdemos o chão. Era absurdo saber que a morte estava tão próxima de nós, tão palpável... E...

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele suspirou dolorido.

- Desculpe – murmurou, sentindo a voz embargar demais sem conseguir continuar por um momento – Ele morreu aos 17 anos, e a última coisa que ele disse quando o visitei no hospital foi que eu e Rin éramos as coisas mais importantes de sua vida. Que eu devia cuidar dela, garantir que ela fosse feliz.

Kakashi não aguentou mais, as lágrimas escorreram por seu rosto em silêncio e apenas a sua respiração profunda e acelerada ficou gravada na mensagem.

- Era um peso muito grande para mim. Eu sabia que não a faria feliz porque... por que eu estava tão quebrado e inseguro que nem sabia como ser feliz. Depois disso, eu não consegui mais estar com ela. Eu me afastei, eu mudei muito, eu a fiz chorar e, no fim do ano, Rin entrou numa boa faculdade fora de Konoha e nós paramos de nos ver durante anos.

Houve uma pausa considerável.

- O bip vai me cortar logo, mas saiba, que você não é a única pessoa rota que não consegue se relacionar de maneira saudável – ele sorriu entristecido – Você não está sozinha nessa, Sakura-

O bip o cortou e ele desligou o celular.

O

O som de armários abrindo e fechando apareceu no meio de uma nuvem de sonhos e sono, seguido pelo barulho de água e uma porta sendo trancada. Ele se remexeu na cama, envolvendo o corpo ao seu lado com mais possessividade e escondendo o rosto contra os cabelos espessos.

Neji respirou profundamente, seus sentidos sendo despertados pouco a pouco pelos barulhos que vinham do banheiro e pelas sensações de seu próprio corpo ao acordar grudado a outro corpo.

Um corpo masculino.

O cheiro de Shikamaru o envolveu, como uma névoa espessa que o transmitia tantas lembranças de épocas passadas, confusas e doloridas.

O cheiro de acordar contra o corpo de um homem, misturado com sexo e cigarro. Uma imagem intensa e antiga, arrasadora. A mesma sensação que o perseguira durante anos, como um fantasma do passado, como uma assombração real demais.

Neji soltou o corpo junto ao seu e se virou na cama, abrindo os olhos devagar e encarando o teto aos poucos. E as imagens da noite anterior caíram sobre si como uma cascata, como uma ressaca pesada demais para conseguir lidar.

Sua cabeça girou, na pior das piruetas possíveis.

A culpabilidade o invadiu como um balde de água fria.

Ele sabia muito bem que poderia ter evitado cada um dos passos da noite anterior, os beijos, os toques, as ejaculações que cortaram seu corpo como uma dor profunda. Como uma ferida aberta que ainda sangrava.

- Hhn...

Shikamaru revirou na cama e enfiou o rosto entre o ombro de Neji e o travesseiro.

Temari estava tomando banho, e eles estavam jogados na cama como dois náufragos após um naufrágio. Acabados e rendidos.

Mas Neji não queria se render, ele precisava lutar, precisava se levantar e fingir que aquilo nunca acontecera.

Ou não haveria volta atrás.

E ele precisava voltar atrás.

Aquilo não deveria ter acontecido.

Sua mão livre buscou o celular sobre a mesa de cabeceira e ele viu a hora, 7h51. Ele ia chegar atrasado no trabalho.

Ele se sentia tão cansado...

Tão derrotado e satisfeito que era vergonhoso.

Pior que assumir que fora a coisa mais certa que fizera nos últimos anos. Tocar outro homem. Estimulá-lo, dar-lhe prazer e se deixar gozar com os toques simples e inexperientes de outro homem.

Quase como um adolescente.

Inconsequente, indolente, livre...

Seu corpo gelou e a culpa o invadiu como uma onda gélida de dor e prazer.

Ele tinha recaído. Profunda e cegamente como um moleque apaixonado faria.

Ele precisava sair dali.

Seu corpo se moveu, suavemente para não acordar o outro, e se desvencilhou de Shikamaru com calma, com uma frieza calculista de quem prepara sua fuga.

Se sentou de leve na cama, sentindo a cabeça doer, o cansaço e a embriaguez resvalando de seu corpo como um peso morto.

Apertou o celular em seus dedos e se levantou. Seu corpo parecia pesar o triplo do que realmente pesava, mas uma sensação flutuante tomou conta de sua mente, um alivio profundo e gentil no meio de tanta amargura.

Seu inconsciente regozijava, mas seu consciente o culpava amargamente, e ele sabia ser o pior dos carrascos.

Passou as mãos pelos cabelos embaraçados e engoliu um xingamento.

Ele ia chegar muito tarde.

Ele precisava tomar banho e arranjar uma roupa descente para ir ao trabalho. Mas passar em casa o faria chegar pelo menos duas horas atrasado.

Respirou fundo, buscando soluções mais práticas. Ele podia avisar a secretária sobre o atraso e fingir que não tinha acordado bem, isso explicaria a dor de cabeça da ressaca e transmitiria a ideia de um possível resfriado...

Merda.

Tudo soava tão obvio.

Mas não era obvio.

Era obvio apenas para ele.

O homem se virou para a cama e viu o corpo de Shikamru se remexer, o lençol caindo de seu quadril e o expondo para sua vista, ávida e atenta.

Os sons do banheiro alertavam que Temari ainda demoraria um pouco. Dava para ele sair sem que nenhum dos dois o visse.

Seria a melhor escapatória...

Mas ele realmente queria escapar?

Fechou os olhos com raiva e ansiedade, seus sentimentos confusos no peito como um quebra-cabeças.

Era melhor dar o fora dali.

Abriu os olhos e se deparou com um par de olhos negros o encarando.

Seu peito apertou e pedras de gelo assentaram em seu estômago.

Ele tinha sido pego em flagrante.

- Hey – Shikamaru murmurou, sua voz rouca e sonolenta, um sorriso frouxo nascendo em seus lábios e desabando qualquer defesa que Neji estava construindo para dar o fora dali.

Shikamaru se espreguiçou devagar, preguiçosamente, os olhos fechados e o corpo nu extremamente exposto, estirando os músculos e tendões bem diante dele, quase convidativo, quase um pecado...

Ele parecia tão confortável com a situação que Neji se questionou se aquela tinha sido realmente a primeira experiência homossexual de Shikamaru. Talvez o passado revelasse muito mais do que o Hyuuga imaginava.

- Que horas são?

- Quase oito – respondeu automaticamente, umedecendo os lábios na tentativa de firmar os pés no chão.

O Nara fez uma careta e se sentou. Seus cabelos formavam uma moldura agressiva ao redor de seu rosto, revoltos. Passou as mãos pela face, afastando os respingos de sono, e amarrou os cabelos com o elástico preto de seu pulso.

- Você parece um pouco perturbado – Shikamaru falou, se levantando e ficando frente a frente com Neji.

Seus corpos espelhavam suas posturas, ambos nus, ambos sonolentos, ambos cansados, com cabelos bagunçados.

Os olhos de Shikamaru pareciam buracos negros e Neji se deixou mergulhar por um breve momento, se perdendo na sensação agradável de compartilhar um olhar honesto, despido de qualquer tipo de mentira ou máscara.

Aqueles olhos negros diziam "Calma".

E Neji se permitiu sentir calma por alguns segundos.

A calma desapareceu quando a mão esquerda de Shikamaru pousou em seu ombro, pois seus batimentos aceleraram de maneira indecente com o simples toque. O Nara percebeu a tensão dos músculos sob seus dedos e sorriu suavemente, deixando de encarar os olhos claros e passando a olhar o corpo nu de Neji.

Seus dedos apertaram a pele e os músculos sob suas digitais e ele deslizou a mão pelo ombro do homem até que perdessem o contato.

- Por que você não toma um banho, enquanto eu faço café? – propôs o Nara, sua voz soando um pouco mais normal agora que ele parecia completamente acordado – Você tem roupas no trabalho? Eu posso te emprestar algo, mas não acho que minhas camisas te sirvam...

Um sorriso levemente malicioso tomou os lábios de Shikamaru enquanto ele checava a largura dos ombros do Hyuuga, e Neji precisou controlar o impulso para não beijá-lo bem ali, e devorar aquela boca como fizera na noite anterior.

- Eu tenho – ele afirmou e viu o Nara concordar com a cabeça.

- Eu vou separar uma roupa pra você, então.

Neji agradeceu e deu um passo para trás, mas Shikamaru deu um passo para frente e eles acabaram perto demais.

Ambos sorriram com aquilo, e o Nara passou as mãos pelo rosto num jeito meio ansioso que fez Neji se perguntar se ele também estava se sentindo um pouco fora de lugar, embora parecesse relaxado e amigável.

- A Temari já deve estar terminando – alertou, dando a brecha para Neji sair dali.

Mas ele não saiu e Shikamaru o olhou nos olhos outra vez, levemente curioso.

Neji percebia claramente o que Shikamaru estava fazendo. Ele tinha percebido sua agitação e seu nervosismo e estava tentando facilitar sua vida o máximo possível. Era como se dissesse "Se você precisa de espaço, eu te darei esse espaço".

Há anos ninguém lhe oferecia algo assim, de maneira tão simples e sem questionamentos. Uma proposta agradável de saída pela tangente que nem ele podia imaginar.

- Obrigado – o Hyuuga disse, sentindo-se absurdamente exposto.

Shikamaru sabia agora o que ele escondia. Esse leão faminto que vivia sob sua pele, espreitando por possíveis fugas como a de ontem à noite.

Ontem à noite...

Aquilo não tinha sido uma fuga, aquilo tinha sido uma completa rebelião.

Shikamaru sorriu abertamente, o canto de seus olhos se enrugando de leve e ele coçou a nuca um pouco sem jeito. De uma maneira tão jovial que Neji achou que estava vendo uma versão infinitamente mais jovem e menos entediada do Nara.

- Não há de que – Shikamaru respondeu, por fim – Vou deixar a roupa em cima da cama.

Eles se afastaram, nas direções corretas desta vez.

L

Sakura encarou o celular atônita, seu coração batia tão rápido que ela não fazia ideia como lidar com aquilo. Tudo o que queria era correr até o apartamento de Kakashi e ver se estava tudo bem, e até se desculpar por ter pedido tantas vezes para que ele lhe contasse sobre aspectos pessoais de sua vida. Mas, naquele momento, ela simplesmente se sentia tão próxima dele. Como se pudesse ver sua dor e tocar suas feridas.

Ele estava tão à mostra.

Aquilo era tão íntimo.

Ela decidiu escutar a próxima mensagem antes de ligar para ele e ver como ele estava.

"Você tem mais duas mensagens na tua caixa de recados, digite 1 para ouvir a-"

1

- Eu, hnm, senti que era melhor deixar outro recado – a voz rouca de Kakashi a inundou e seu coração esquentou rapidamente, ele parecia melhor, sua voz estava áspera como se tivesse chorado, mas ele estava ali, falando com ela outra vez – São temas que eu não falo há muito tempo... Eles evocam lembranças desagradáveis, mas... Mas eu quis que você soubesse, que eu confio em você assim como você confiou em mim.

Os olhos dela arderam, de cansaço, emoção e uma pontada de tristeza.

- Rin se casou há muitos anos atrás, ela mora fora de Konoha, ela tem filhos e... – ele parou de falar e Sakura começou a entender o que havia acontecido.

- Não – a voz escapou de seus lábios, ele não precisava falar, ela não queria que ele se expusesse dessa maneira, ele não precisava.

- Ela veio visitar os pais e nós... bem, você viu. Nós nos encontramos algumas vezes. Rá. – uma risada amargurada escapou dele com força, com vergonha, como se pedisse desculpas para ela por ter feito algo assim – Foi mais forte que eu, que ela e nós... Ah, - um suspiro pesado cortou a linha e a atingiu com força – Nós tivemos um caso durante os últimos dias.

De repente ela podia vê-lo, passando as mãos pelo rosto e se sentindo exposto e vulnerável, nu aos olhos dela como nunca, jamais, o vira antes. Nem quando o professor Asuma faleceu há tanto tempo.

- E esta noite, nós conversamos depois de escutar teu recado. Ela disse que você parecia uma pessoa legal – ele riu sem graça e ela se arrepiou – Você é uma pessoa legal, Sakura – ela sentiu o rosto esquentar de repente – Por isso eu estou te contando isso, porque você não tem nada de errado. Todos nós temos muitas coisas para se envergonhar, muitas coisas que detestamos de nós mesmos, e não há nada de errado nisso.

Ela sentiu as lágrimas escorrerem em seu rosto e o escutou suspirar.

- Eu e Rin terminamos ontem... Eu consegui parar esse monstro que... me devorava por dentro e me arrastava até ela... Então você também vai conseguir parar o seu próprio monstro, e ele não vai mais te devorar, Sakura. Não vai... - houve uma pausa longa, e ela só escutava a respiração pesada dele, sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto livremente.

Ela ia conseguir. Kakashi confiava nela.

- Eu espero que você tenha um bom dia. Tchau, Sakura.

A mensagem acabou e Sakura suspirou, largada no sofá do apartamento. Parecia que um terremoto tinha feito a casa desabar sobre ela, mas era uma destruição positiva. Aquele tipo de destruição que te instiga a continuar, a se levantar e reconstruir os pedaços, um por um, com força e foco. Com determinação.

"Você tem uma última mensagem, digite 1 para ouvir-"

1

- Sakura, - a voz a preencheu de uma maneira assustadora, o tom melodioso daquela voz que a assombrava dia e noite, dizendo seu nome com tal sofrimento que ela não conseguiu controlar o tremor firme de seus dedos.

- Sasuke...

- Você não vai me atender e eu não vou parar de ligar – ele parecia irritado, atordoado, sua voz estava mais agressiva e dolorida que nunca – Pare de fugir de mim! Eu sei que você não confia em mim, e tem todo direito. Você está certa. – Sasuke soou derrotado, mas incrivelmente firme – Mas eu preciso falar com você. Você precisa me escutar. Nós temos que resolver isso. Sem mais jogos, sem mais manipulações, eu não aguento mais isso. Eu preciso que você entenda.

Ele pausou e suspirou de um jeito que o coração de Sakura pareceu desabar em queda livre.

- Sasuke... – seus olhos se fecharam com força. A vontade de correr na direção dele e abraça-lo e tê-lo perto de si, tudo aquilo voltando como ondas remotas e imensas.

- Me ligue quando se sentir preparada. Ou eu vou ter que ir atrás de você.

A linha cortou e Sakura largou o celular no sofá. Seu rosto estava lívido e um medo crescente nasceu em seu peito.

Havia algo de muito errado na voz de Sasuke, algo muito ruim estava acontecendo e ela não sabia se conseguiria lidar com aquilo.

Pelo menos, ainda não.

D


N/A.: hehe, espero que tenham curtido esse pedacinho minúsculo de mais um cap de Love Sha! vou ficar aguardando seus feedbacks! :3 Se cuidem, e até breve! :***

#kakasaku #shikaneji #sasukecomoassim?

love, tai.