N/A: demorou pra caralho, mas saiu. e tem recompensinhas :3

Querida leitora anônima que disse que a fic tava ajudando a perceber que precisava de respostas para dar um ponto final numa relação que ficou mal resolvida, queria dizer que eu me importo muito contigo e com como a fic impacta a vida de todas as minhas leitoras, é muito lindo para mim saber que minhas palavras te alcançaram e ajudaram de algum modo. Força aí, minha linda, eu queria ter te respondido antes, mas como vc não estava logada não consegui. Muito amor para ti e para td mundo que conseguiu tirar alguma aprendizagem dos capítulos e levar para a vida de vocês. Esse tipo de feedback só me traz mais certeza de que escrever pode mudar vidas e tocar corações. beijocas e boa leitura!

edit.: tinha uns errinhos que passaram na minha revisão, mas agora já foram ajeitados com a ajuda da Jay :3


Love Shuffle

Capítulo 21 – Night Club


Sakura entrou na lanchonete apressada. Quando se deu conta, já tinha perdido a hora e estava bastante atrasada para o almoço com Kakashi.

- Sinto muito – suspirou, sentando na cadeira na frente da do ex-professor com um sorriso sincero.

- Não tem problema, me deu tempo para passear com Pakkun antes de sair – ele falou, tomando um gole da cerveja que já estava quase no fim – você está bem? Pareceu um pouco estranha no telefone antes...

- Ah... – ela suspirou pesadamente e empurrou os cabelos para longe dos olhos - Eu tive uma noite difícil.

Kakashi arqueou uma sobrancelha e aguardou.

- Sasuke me visitou ontem...

- Sim? – perguntou interessado e apoiou os cotovelos na mesa, se aproximando.

- Er... Nós... Bem, nós conversamos, hm... Digamos que nós resolvemos as coisas.

- Resolveram? – as sobrancelhas dele franziram numa expressão entre confusa e alerta e ela sorriu.

- É.

- Vocês estão juntos? – ele perguntou grave, desgosto estampado na voz e ela negou rapidamente com a cabeça.

- Não! – riu-se, sentindo-se estranha com a pergunta direta – Pelo jeito Sasuke está apaixonado por outra pessoa há muito tempo...

Kakashi fez que sim com a cabeça e levantou a mão, chamando a atenção da garçonete. Eles fizeram seus pedidos de almoço e pediram mais cervejas.

- E como você está se sentindo com isso?

Sakura deu de ombros, mas um sorriso estranho nasceu em seus lábios.

- Liberada. Livre...

Kakahsi riu.

- Que bom.

- Agora vou precisar suas indicações de amigos solteiros e maduros disponíveis.

- Humpf! – Kakashi fez uma careta e terminou de beber a cerveja – Eu já disse que não vou fazer isso.

- Mas agora eu preciso aproveitar essa liberdade que tô sentindo... Não seria nada mau se você me apresentasse para alguns amigos interessantes.

- Eu não tenho amigos interessantes...

- Genma é extremamente interessante.

- Argh... – ele deu de ombros e olhou pela janela com cara de poucos amigos, seus ombros fortes se movendo sob a camiseta cinza, fazendo Sakura observar o movimento dos músculos com atenção – Se interessante é o que você pensa de Genma, então pode ser que eu tenha outros amigos sacanas e babacas para lhe apresentar.

Ela gargalhou.

O som agradável que ele não escutava há bastante tempo lhe fez encarar a ex-aluna e sorrir observando sua expressão contente. Seus cabelos rosados escapando detrás de uma das orelhas e contornando seu rosto delicado.

- Eu quero um pouco de aventura na vida... – ela murmurou, depois apoiou o rosto em uma mão e o olhou curiosa – E você, Kakashi, quer que eu lhe apresente alguma amiga interessante.

- Definitivamente não.

- Por quê? – reclamou.

Os pratos chegaram e eles aguardaram a garçonete os deixar a sós novamente.

- Porque suas amigas foram minhas alunas, e eu não saio com ex-alunas.

- Isso é meio besta.

As sobrancelhas dele se ergueram surpresas e ele deu um longo gole na bebida.

- Quero dizer, claro, deve ser meio estranho para você. Mas nós crescemos, sensei, e nos tornamos mulheres... É estranho pensar que você não conseguiria entender isso.

- Eu entendo isso – ele respondeu, enfiando uma batata frita na boca em seguida.

- Atração não é uma linha reta. É algo tênue, tortuoso às vezes. Você não decide por quem se atrai, você simplesmente se atrai.

- Bem, isso é verdade, mas eu prefiro me manter distante das minhas ex-alunas – concedeu.

- Você não está distante de mim – ela rebateu, molhando uma batata no ketchup.

- Você está dando em cima de mim? – perguntou ele bruscamente e ela engasgou.

- N-não!

- Então não vejo problemas.

- Isso não quer dizer que você não poderia se sentir atraído por mim, certo?

- Sakura, você não está fazendo nenhum sentido.

Ela riu.

- Depois da conversa com Sasuke, eu acho que nada na minha vida faz muito sentido...

- Por que diz isso?

- Porque eu nunca imaginei que Sasuke estivesse apaixonado por Na-

Ela fechou os lábios de pressa e espalmou a mão contra a testa.

- Eu não deveria estar falando sobre isso.

- Então ele lhe falou tudo...

Kakashi se apoiou no recosto da cadeira com pesar e cruzou os braços. Sakura arregalou os olhos para ele e sentiu-se perdida.

Meu deus.

- Você sabia?

- Nós conversamos há alguns dias, e, bem, Sasuke me falou.

Ele fechou os olhos e suspirou.

- Ele disse que conversaria com você, e não me pareceu certo lhe contar algo tão íntimo... Era direito dele lhe explicar tudo.

- Oh meu deus, você sabe – Sakura escondeu o rosto nas palmas das mãos e ouviu o barulho agradável de conversas e talheres a rodear.

Seu rosto corou e ela se sentiu estranhamente perdida. Nada daquilo fazia o menor sentido. Nada desculpava o que Sasuke tinha feito com ela ao longo de todos aqueles anos. Mas, quando as pessoas começassem a descobrir sobre o segredo dele... Bem, isso seria difícil para Sasuke, ela não gostaria de ser ele naquele momento.

- Eu não sou ninguém para julgar a sexualidade dos outros, Sakura, na verdade eu não dou a mínima. Mas o que ele fez com você... Isso não tem desculpa.

- Eu sei – ela falou contra as mãos, sua voz saindo abafada.

Suspirou, passando as mãos pesadamente pelo rosto e levantou o olhar.

- Obrigada.

Ele continuou comendo e o celular de Sakura começou a tocar. Ela se desculpou e atendeu rapidamente para falar com Ino. Elas conversaram brevemente e se despediram com a promessa de se ver em breve.

- Sensei, o que você vai fazer hoje?

- Eh?

- Nós vamos ao The Catch, Genma também vai, porque você não vem com a gente?

- Ah, eu tenho planos...

Ela sorriu maliciosa, a tensão de antes se dissipando.

- Quem é a sortuda?

- O sortudo – ele corrigiu e Sakura arregalou os olhos.

- Eu... oh céus... eu achei que você e Rin... você também-

Kakashi estava tentando conter um sorriso que insistia em aflorar em seus lábios, observando a mistura de emoções que estampavam no rosto levemente corado de Sakura. Ele estava realmente se divertindo com a careta, depois o riso frouxo e envergonhado-

- Não Sakura, eu não gosto de homens.

Ela corou absurdamente. Aquelas palavras realmente pareciam muito interessantes saindo da boca dele. Sakura reparou que ele tinha cortado os cabelos e que a veia no pescoço dele pulava com a pressão sanguínea e ela se perguntou desde quando reparava naquele tipo de coisa.

- Certo – murmurou incerta.

- Eu vou tomar cerveja com Sasuke, já tínhamos combinado.

- Ah.

- Eu não vou comentar nada, fique tranquila.

- Obrigada.

Eles continuaram comendo. Depois conversaram sobre a escola e o hospital. Durante a sobremesa conversaram sobre alguns livros que ambos tinham lido. Conversar com Kakashi era sempre fácil, ela não se sentia pressionada a ser nada mais do que ela mesma, isso fazia com que brincasse e comentasse o que quer que lhe aparecesse pela cabeça.

Era libertador.

- Ne, Kakashi, porque você não passa na The Catch depois de tomar suas cervejas com Sasuke? – propôs, enquanto cada um pagava sua conta – Acho que seria divertido, o que você acha?

- Ah, eu não tenho mais idade para balada, Sakura.

Ela riu, guardando o cartão de crédito na carteira.

- Não diga isso, é uma grande mentira.

- Ah é? E por que seria uma mentira?

- Porque ninguém é velho demais para se divertir!

Ela sorriu alegre e ele revirou os olhos.

Era incrível ver Sakura de tão bom humor, mesmo com as emoções ainda à flor da pele. Ela não parecia entristecida ou prestes a chorar a qualquer momento como havia se acostumado nos últimos tempos. Estava leve e jovial.

Com um pensamento inconsciente surgindo de repente na mente, ele sentiu um leve pesar, afinal, ela não precisaria mais de mensagens na caixa eletrônica.

C

A balada estava cheia, abarrotada de corpos suados e ébrios. Eles tinham chegado havia uma hora e Naruto, Sakura e Ino já estavam no quinto shot de tequila, supervisionados por Neji que fazia cara de poucos amigos cada vez que eles gritavam "mais um!" a plenos pulmões.

Naruto tinha decidido que precisavam encher a cara e Sakura concordou prontamente. O vestido curto e verde abraçando seu corpo em todas as curvas certas, deixando muito pouco para a imaginação.

Um carinha tinha tentado flertar com ela, mas Naruto colocara um braço protetivo ao redor de sua cintura, puxando-a para o bar, fazendo-a rir e reclamar. E, na barra do bar, uma Ino extremamente bem vestida os esperava com a primeira fileira de shots da noite.

E o tempo passou voando, com a conversa os risos e as brincadeiras rolando como se fossem adolescentes febris e felizes.

Nenhum deles se lembrava de se sentir assim há algum tempo...

Depois da terceira rodada de shots, Naruto tinha murmurado no ouvido de Sakura que Sasuke falara com ele, sobre tudo. Eles se encararam apreensivos e ambos não souberam como reagir exatamente naquele momento. Eles beberam rapidamente e aguardaram o que quer que fosse por algum tempo, a música os envolvendo e mudando um pouco a atmosfera de extremamente felizes para extremamente contemplativos, como se um shot de tequila fosse a coisa mais interessante do universo.

- Eu sinto muito, Sakura – o loiro acabou falando, com pesar.

- Você não tem culpa de nada, Naruto! – ela resmungou, preparando o sal nas costas da mão e se dirigiu para o quarto shot da noite – Sua única culpa é ser gostoso demais – a mulher piscou para ele e Naruto riu aliviado, a sensação estranha dissipando instantaneamente.

- Você quer tirar um pedaço? – sugeriu com voz de flerte.

A essa altura do campeonato, qualquer mulher lhe agarrando seria sensacional, Naruto só queria esquecer da sensação estranha de que seu melhor amigo de infância era apaixonado por ele há anos. Céus!

Ele queria se esquecer daquilo e se sentir normal. Se é que alguma vez na vida conseguiria se sentir assim.

- HAÁ! – Sakura riu, jogando as madeixas rosa para trás e dando um soquinho no ombro de Naruto – A última vez que a gente tentou fazer isso, Naruto, a gente acabou morrendo de rir, quase nus um em cima do outro, parecendo dois babacas!

- Ei! Eu me lembro disso! – disse Ino, chegando da pista de dança – Foi ridículo!

- Você está linda demais, Ino – Sakura falou bêbada, observando a calça de couro justa e a blusa dourada, não tinha certeza se já tinha comentado sobre o vestuário da loira naquela noite, possivelmente sim, mas começava a ficar muito difícil pensar com tanto teor alcoólico nas veias.

Ino brilhava com as luzes e ela sorriu radiante.

- Pronta para caçar! – brincou, piscando maliciosa para os amigos.

A noite seguiu agitada. Shikamaru e Temari chegaram pouco tempo depois. Explicando que Temari precisou fazer as malas antes de virem.

Conversaram um pouco sobre a viagem urgente, sem falar o motivo, já que era um tema sigiloso. Temari drenou uma dose dupla de whiskey sob o olhar deliciado e tempestuoso de Neji, e retribuiu com sorrisinhos indecentes que o fizeram rir abertamente.

As rodadas de tequila desceram uma atrás da outra. Enquanto Neji e Temari bebiam whiskey sem gelo com vigor e Shikamaru bebericava sua cerveja preguiçosamente.

Naruto pensou que conseguiria esquecer o estresse a esse ritmo. Ele precisava simplesmente encher a cara. Parecia que todos hoje queriam se debulhar em álcool e ele se perguntava porque Temari parecia decidida a não deixar uma única gota de whisky sobrar no copo, ou porque Neji continuava incentivando aquilo sob um olhar quase cúmplice de Shikamaru.

Ele também pensou que não estava entendendo mais nada, e que aquele jogo estava afetando a vida de todos eles, sem ter certeza se aquilo era para bem ou para mal. Tudo o que ele queria aquela noite era se esquecer da sensação estranha da confissão de Sasuke, não por desgosto, nojo ou outra coisa do gênero, mas principalmente porque algo dentro de si se perguntava "E se..." e Naruto não estava preparado para lidar com aquele tipo de conflito interno.

Sua sexualidade sempre fora algo muito simples e bem resolvido. Ele gostaa de mulheres, de peito, de curvas e suavidade... Mas aquela estranha sensação que se alastrara durante a tarde ao tentar pensar em Sasuke de um jeito mais íntimo estava o irritando profundamente e eriçando os pelinhos do pescoço com um suor gelado e assustador.

Por isso, hoje ele decididamente estava pensando em levar alguma garota pra cama, só para ter certeza de que estava tudo bem, como há muito tempo não fazia.

Ele se lembrou num flash distante da última vez que transara com Hinata, de seu corpo delicado, e seu olhar vagou da barra do bar até onde ela estava sentada.

Hinata e Genma conversavam animados no canto do balcão e Naruto sentiu algo estranho no peito ao observá-los tão próximos. Uma mistura de inveja, raiva e dor se espalhou pelo seu corpo em ondas nervosas. Ele estava distraído quando Ino se apoiou contra o corpo dele e beijou sua bochecha, chamando sua atenção.

Naruto virou com pressa para ver quem era e seus lábios se esbarraram de leve, sem querer. Dois pares de olhos azuis se encontraram e, por um segundo, o loiro sentiu um desejo estranho o invadir convidativo pela proximidade, o cheiro maravilhoso dela se misturando com o hálito quente de limão e tequila.

Ele olhou os lábios dela, sentindo-se levemente bêbado e intoxicado, umedeceu o lábio num movimento rápido e mordeu de leve a ponta da língua. Ino encarou a boca dele, observando o movimento com interesse.

Genma riu longe, fazendo a loira dar um passo atrás com pressa.

- Você tá bem? – ela perguntou atenciosa e o loiro concordou com a cabeça, desviando o olhar de volta para Hinata e Genma, que conversavam absortos no outro canto do bar – Quer dançar?

Ino lhe estendeu um shot novo de tequila e eles viraram os copinhos sentindo a garganta rasgar com a sensação ardente e inebriante do álcool.

Ele riu, vendo no canto da sua visão periférica Sakura se misturar entre os corpos que se moviam quentes e animados na pista de dança.

- Dançar seria uma boa.

E eles dançaram.

Naruto sentiu o corpo preso entre as duas amigas e riu, lembrando-se da sensação deliciosa de quando eram adolescentes e indecentes e tão cheios de vida. Seus olhos se fecharam, a batida da música envolvendo seus sentidos, enquanto as meninas se mexiam contra seu corpo. Ele se perguntou há quanto tempo não se deixava levar com uma mulher?

Desde aquele beijo estranho com Temari em seu apartamento, ele tinha tentado se lembrar como era, enlaçar a cintura de uma mulher que não fosse Hinata, passear os dedos por seu corpo, beijar seus lábios e morder seu pescoço...

Ino girou o corpo, apertando as costas contra o peito dele e dançando agitada, as mãos de Sakura apertaram sua cintura e Naruto passeou os dedos contra os quadris de Ino, puxando-a mais para si, sentindo-a pressionar os quadris contra os dele, provocante, convidativa, solta pelo álcool e pelo ambiente.

- Kakashi tá na porta! – Sakura exclamou, levantando o celular para que eles vissem a mensagem na tela pequena – Vou encontrar ele, já volto! – ela berrou, competindo com a música e Naruto concordou com a cabeça, vendo-a quase tropeçar ao andar na direção da entrada.

Mas a atenção de todo seu corpo estava em outro lugar. Sua atenção estava na pressão deliciosa que Ino exercia, exatamente contra sua virilha, nos dedos finos agarrando seus cabelos, enquanto as costas dela arqueavam com a música.

- Ino... – ele suspirou, o perfume de seus cabelos platinados invadindo-o.

- Hm?

Naruto espalmou uma mão contra a barriga lisa dela, sob a blusa dourada, sentindo o calor da pele sob seus dedos.

- Melhor parar com isso... – ele alertou, mas não havia verdade em suas palavras.

Suas palavras diziam: continua, continua assim.

Ela riu e jogou a cabeça para trás, quase se desequilibrando e apoiou a cabeça no ombro dele, virando o rosto e encostando os lábios no pescoço suado do loiro, a risada dela repercutiu contra a pele dele e Naruto estremeceu.

As luzes piscaram, como se apagassem e acendessem, e a música sensual escorreu por todas suas células. Céus, ele estava bêbado, ele estava perdendo qualquer resquício de compostura que tinha...

Escorreu uma mão pelas costelas dela, a outra descendo para acariciar uma coxa com a textura maravilhosa do couro. Naruto prendeu a respiração.

- Ino...

Os lábios dela tocaram o lóbulo de sua orelha, úmidos, provocativos...

- O que você acha de fazermos uma loucura, Naruto? – ela perguntou, a voz soando sexy e amarga ao mesmo tempo.

Naruto respirou fundo, os dedos apertando a coxa dela com tesão e seu corpo respondendo intensamente aos estímulos. Oh!, ele estava ficando excitado, e com a pressão dela contra sua virilha, estava ficando impossível de evitar uma ereção, ela não ia demorar a perceber.

- Ino... – ele alertou mais uma vez, respirando o cheiro delicioso dos cabelos dela.

Ino certamente também estava chateada por ter visto Genma com Hinata, por mais que tivessem terminado...

A loira agarrou um lado da cintura dele e o pressionou mais contra si, rolando os quadris com movimentos circulares e excitantes... Ahn!

- Hmm...?

- Por que você não se deixa levar, Naruto? – ela perguntou, a voz escorrendo contra a orelha dele, embriagada, solta e deliciosa, e então sua língua lambeu o ponto abaixo do lóbulo de sua orelha, roubando um suspiro rouco de Naruto.

E ele se deixou levar como não fazia há anos.

O estresse dos últimos dias – e da manhã junto com Sasuke e das ideias loucas que lhe atordoaram durante a tarde – se dissipando um a um assim que seu cérebro decidiu parar de pensar e simplesmente começou a agir.

Seus dedos agarraram firmes contra a coxa dela, e a outra mão subiu mais sob a blusa de cachemira dourada, descobrindo enlouquecido que Ino não estava usando sutiã. Naruto escorreu suas digitais sobre um mamilo enrijecido e gemeu. Sua ereção ficando absurdamente dolorosa dentro da calça jeans, sem volta atrás, sem desculpas, sem maneira de esconder.

Não dava mais para evitar. Não tinha como parar...

Ele virou o rosto devagar, seus lábios encontrando os de Ino num segundo lento e gostoso.

Naruto mordeu o lábio dela antes de deslizar a língua dentro de sua boca, engolindo um suspiro alto, movendo os quadris contra a curva deliciosa das nádegas dela e beijando sua boca com desespero.

Ino derreteu sob seus dedos. Prazer se acumulando entre suas pernas num segundo frenético, enquanto suas línguas se encontravam e se conheciam. Ela agarrou os cabelos dele com força com uma mão e tomou conta do beijo, enfiando a língua na boca quente dele de maneira provocativa e ondulando as costas contra seu corpo firme.

O mundo desapareceu ao redor deles. Eram apenas luzes e música e corpos, mas eles estavam submersos em desejo e tesão.

Naruto apertou os dedos contra o seio dela, deliciado com a sensação maravilhosa de pele contra pele e Ino gemeu no beijo, mordendo sua língua e sugando seu lábio com força, antes de insinuar suas nádegas contra a óbvia ereção dele e fazer um som apreciativo no fundo da garganta.

Ele apertou a coxa dela com mais força, aumentando a fricção maravilhosa entre seus corpos e precisou quebrar o beijo. Respirando profundamente e tirando a mão de dentro da blusa dela para segurar seu pescoço magro e suado, espalhando beijos pelo rosto dela até sua orelha.

- Ino... – ele suspirou, sentindo-a roçar contra ele deliciosamente – Ou você para agora, ou eu não vou conseguir parar... – ele alertou, a respiração agitada acariciando a pele quente.

A loira mordeu o lábio, sentindo a voz dele gerar sensações trêmulas por todo seu corpo. Mas Ino não queria parar, na verdade, há muito tempo ela não desejava um homem que não fosse Genma daquele jeito avassalador.

O tesão estava explodindo em suas veias com um borbulhão de sensações deliciosas e a loira não pensava em outra coisa do que agarrar Naruto durante o resto da noite. Contra a parede, contra o chão, contra a cama...

Ela sentiu os dedos dele apertarem mais seu pescoço e sorriu maliciosa e divertida, fechando os olhos para apreciar mais a sensação firme de submissão nascer visceral de dentro de seu peito.

Ino traçou os dedos pelo antebraço musculoso dele, até ficarem também sobre a mão dele em sua coxa e entrelaçou seus dedos. Ela se deixou pensar por um segundo, buscando motivos para parar, mas sinceramente, ela duvidava que uma noite de sexo com Naruto fosse atrapalhar a amizade deles, principalmente porque a química entre eles estava visível e seria pior saber que ela existia e não agir de acordo com o que seus corpos pediam, do que ser honesta com seu corpo e seu amigo.

Ela moveu a mão firme dele, arrastando-a por sua perna fina, sentindo-o delinear seus contornos... A música explodiu e as luzes piscaram coloridas e ela lambeu os lábios sentindo-se sacana.

Ah, Naruto.

Então dirigiu a mão dele, colocando-a entre suas pernas e pressionando com um gemido sensual.

- Não ouse parar. – ela falou, fervente contra a boca dele, obrigando-o a sentir cada palavra contra seus lábios inchados.

Naruto apertou os dedos contra o vale quente entre suas pernas, arrancando um gemido deliciado da loira, lambendo seus lábios já sem batom e friccionando o quadril contra ela de maneira indecente, no mesmo ritmo obsceno da música.

Ele lambeu o maxilar de Ino, sentindo a jugular palpitar sob a palma de sua mão e o sexo dela latejar contra seus dedos.

- Eu vou tirar você daqui... – ele murmurou contra a orelha delicada, lambendo lentamente – Eu vou arrancar sua roupa...

As mãos de Ino o soltaram e ela se virou nos braços de Naruto, envolvendo seu pescoço nos braços cobertos de tecido dourado e devorou sua boca, sem lhe deixar dizer mais nenhuma palavra.

Os dedos do loiro desapareceram nos fios longos e platinados, e ele os puxou com força, sugando com força o lábio inferior dela.

- A-ah... – a voz rouca dela escapou.

Ele riu, tomando o rosto dela em suas mãos e olhando-a nos olhos com uma paixão transbordante que há muito tempo não sentia.

- O que você quer, Ino? – ele perguntou, intoxicado pelo desejo, sentindo cada célula de seu corpo vibrar de tesão.

- Me fode – ela falou, seus olhos descendo até os lábios dele, Ino mordeu os seus instintivamente, então o olhou nos olhos outra vez, sentindo-se encharcar de tesão – Me devora.

Ele puxou o ar com força, o coração disparando desesperado dentro do peito.

Naruto passou o dedão contra os lábios dela asperamente e riu embriagado de tesão e álcool.

Por deus, há quanto tempo não se sentia assim? Ele beijou seus lábios desesperadamente, antes de entrelaçar seus dedos e puxá-la na direção da saída sem olhar para trás.

L

- Meu deus! – Temari suspirou, virando metade do conteúdo do copo de uma só vez.

- Ele tava com a mão na...? – Shikamaru perguntou, uma careta de nojo e surpresa se misturando em sua expressão.

- Isso foi absurdamente sexy – Neji comentou, a voz grave.

- Sexy? Aquilo foi muito mais do que sexy – Temari riu – Eu deveria ter me aproveitado dele enquanto ainda tinha chances...

Shikamaru balançou a cabeça, vendo o casal de loiros se beijar e depois desaparecer na direção da saída.

- O que eu acabei de ver, é realmente o que eu vi? – Sakura perguntou se aproximando, quase tropeçando em Neji, que a segurou prontamente.

- Sim.

- Wow! – a mulher exclamou com os olhos arregalados.

- Wow é pouco – Temari riu-se.

- Onde você estava? – Shikamaru perguntou curioso – Você sumiu.

- Kakashi veio, fui buscá-lo na porta – ela apontou para o homem, conversando agora com Genma ao lado de Hinata.

- Vocês acham que ela viu? – Neji perguntou preocupado, observando sua prima olhar o celular, enquanto Genma e Kakashi conversavam.

- Acho difícil ela não ter visto... – Shikamaru murmurou, bebendo o resto da longneck.

O celular de Temari começou a tocar e ela piscou atordoada.

- Eu vou ter que atender – ela mostrou para Shikamaru a tela, vendo que era Gaara – Tudo bem se eu pegar um taxi e ir para casa? Quero descansar um pouco antes de viajar.

- Ok, vamos.

- Não! – ela atendeu a ligação e pediu para Gaara esperar – Eu não me importo, pode ficar mais. A gente se vê em casa.

- Temari...

- Eu só quero um tempo sozinha, pode ser?

- Tá bem... – Shikamaru a encarou com ar de preocupação, mas ela sorriu de leve e o puxou para um beijo breve.

A mulher se despediu dos demais rapidamente e desapareceu na multidão.

Shikamaru observou o caminho que ela fez com atenção, seu olhar perdido nos corpos, a cabeça presa ainda num misto de ausência da namorada e a sensação estranha de ver Ino se agarrando tão absurdamente com Naruto.

Ele suspirou e tirou o celular do bolso, digitando uma mensagem simples para Temari.

Às vezes ele sentia que se completavam bastante bem, mas tirando o sexo, ele se perguntava se o carinho que sentia por ela não estava num nível amigável demais ultimamente.

"Se precisar me liga, não seja cabeça dura. Quando chegar em casa me manda uma mensagem, ok? Vou ficar esperando. xx"

- Eu deveria checar a minha prima? – ele escutou Neji perguntar, bebericando o whiskey.

- Não sei, talvez seja melhor deixar ela pensar um pouco... – Sakura disse, se inclinando no bar e pedindo um mojito.

O barman preparou a bebida com agilidade, conversando com ela com ar de flerte e Sakura sorriu, pegando o copo com um sorriso fácil. Shikamaru riu e seu celular vibrou com uma mensagem.

"Tô no taxi. Eu tenho idade pra me cuidar sozinha, Shika... Aproveita a festa, te aviso quando chegar. Meu irmão está bem, btw. Bjs xx"

Bufou com um sorriso no rosto e respondeu rapidamente:

"Okkk, descansa!"

Ele não ia ficar pensando nela então.

- Dá um tempo para ela – a médica dizia firme, quando Shikamaru levantou a cabeça – Vou lá conversar com eles, se eu ver que ela precisa, posso falar com Hinata – ofereceu prestativa.

- Certo... Obrigado, Sakura.

Ela piscou e sorriu, andando até os outros três, deixando-os sozinhos.

- Bem... – Shikamaru apoiou a garrafa vazia no bar e se virou para Neji com um sorriso preguiçoso, mas interessado – E agora?

Neji sorriu e se aproximou, com a desculpa de soltar o copo quase vazio ao lado da bebida de Shikamaru, seu corpo pressionou contra a lateral do outro e ele sentiu o cheiro delicioso do perfume masculino do Nara.

- O que você quer fazer? – perguntou o Hyuuga gravemente.

Shikamaru sentiu um arrepio gostoso descer pela espinha.

- Hm... – semicerrou os olhos e sentiu o calor que o corpo do outro emanava, agradável, envolvente, convidativo... – O que você sugere?

- Banheiro? – Neji roçou de leve a frente da calça jeans contra a lateral do quadril de Shikamaru num movimento imperceptível aos olhos alheios, mas fazendo-o notar um resquício de ereção.

- Voyeur – Shikamaru incriminou, olhando-o languidamente.

- Olha só quem fala... – Neji riu pesado perto de sua orelha e Shikamaru deu um passo à frente.

- Banheiro – concordou, começando a andar.

Kami.

Neji sorriu malicioso e o observou andar a passos apressados até a pista de dança. Shikamaru podia ser chantageado a movimentos rápidos muito facilmente, ele pensou, mordendo o interior da bochecha e olhando os corpos engolirem a imagem esguia do homem que estava tirando seu sono.

Esperou um longo e agonizante minuto, mas a espera sempre apimentava as situações, pensou, o sorriso malicioso dançando em seus lábios.

Se moveu desconfortável com a sensação apertada na parte da frente da calça e começou a andar na direção do banheiro.

Céus.

Ele não se lembrava da última vez que tinha feito algo assim, arrastar alguém para um banheiro sujo de uma casa noturna, mas sinceramente, as imagens já começavam a inundar sua mente. Ideias mirabolantes do que pretendia fazer com Shikamaru na pequena cabine do banheiro, fazendo sua respiração ficar acelerada e seu coração bater agitado e decidido.

Os corpos suados e quentes na pista de dança o envolveram, esbarrando, empurrando, dançando ao seu redor, serpenteando sob a luz colorida.

Neji sentiu o whisky fazer efeito em seu sangue, um sorriso fácil nascendo em seus lábios quando uma moça ruiva passou a mão por sua barriga, mas ele apenas desviou, andando na direção de Shikamaru, do banheiro, de seus corpos unidos...

Ele não fazia ideia do que pensar sobre tudo aquilo que estava sentindo nessa última semana. Era uma conexão estranha e deliciosa, que assustava e deliciava ao mesmo tempo. Não tinha se dado tempo ou espaço para pensar muito, mas tinha certeza de que se pensasse mais, certamente sairia correndo.

Há anos ele não se relacionava com nenhum homem daquele modo repetitivo. Claro que se deixava levar por noites sufocantes de sexo, mas jamais com o mesmo cara. E, com Shikamaru, as coisas estavam sendo muito diferentes...

Eles já se conheciam, eles conversavam, eles compartilhavam momentos com Temari, eles dividiam aquela estranha conexão que ia além das palavras, como se Shikamaru estivesse o tempo todo tentando lhe decifrar.

As palavras de Shikamaru voltaram à sua mente num flash:

"Você detesta perder esse controle, por muito tempo você tentou domá-lo, escondê-lo, mas acho que ultimamente tem sido difícil demais."

Difícil demais? Shikamaru não fazia a mínima ideia do quão difícil estava sendo se controlar, se esconder, afastar as ideias de sua cabeça e fingir que tudo permanecia como antes.

Saber que para Shikamaru, Neji era a personalização daTempestade, fazia seu sangue ferver de tesão e algo quente e terno que ele preferia não tentar imaginar o que significava.

Ele ia entrar naquele banheiro e fazer o Nara gozar com sua mão, sentindo o gosto masculino e maravilhoso do seu pescoço suado e-

- Neji?

O moreno parou imediatamente. Seus olhos fixos agora na porta do banheiro, a quatro passos de distância.

- Neji?

A voz chamou de novo e Neji achou que ia desmaiar. Uma sensação de tontura imensa tomou conta de seu corpo e ele sentiu os joelhos ficarem gelatinosos, mas firmou os pés no chão, passando uma mão suada e nervosa nos cabelos longos e lisos.

Seu coração batucou desesperado no coração e ele umedeceu os lábios, buscando algo dentro de si que fosse mais firme que o chão, mais forte que as tempestades.

Uma mão firme pousou em seu ombro e logo a imagem do homem que lhe perturbara os sonhos durante anos apareceu à sua frente, como um agouro ou uma miragem.

Itachi sorriu, os cabelos soltando do rabo de cavalo baixo e os olhos brilhando ébrios. Ele estava visivelmente intoxicado, pois o sorriso que lhe dava era muito mais fácil e aberto do que Neji jamais vira antes.

O coração deu um solavanco dentro do peito e Neji soltou o ar sem perceber que estava prendendo a respiração desde que ouvira aquela voz.

Kami-sama...

- Quanto tempo – o Uchiha soltou de leve seu ombro, deixando os dedos escorrerem atentos pelo braço de Neji.

- Itachi – sua voz saiu rouca e baixa. Neji achou que ia morrer.

Os traços finos e perfeitos do rosto do Uchiha fazendo o corpo inteiro de Neji reviver as inúmeras noites insones de sofrimento e dor. Ele tinha sido tão jovem e imaturo, tão apaixonado, tinha se entregado completamente para depois colidir contra o chão sem esperanças de recuperação.

Ele se sentiu um menino de novo, um jovem idiota e ingênuo que pensara que aquilo ia durar... Céus, ele orara para aquilo durar.

E agora Itachi estava ali, parado à sua frente, sorrindo completamente inerte à situação.

- Você parece ótimo! – o Uchiha falou alto, tentando competir com a música.

Mas mesmo se ele falasse baixo Neji o escutaria, pois por anos tudo o que quisera fora ouvir aquela voz de novo, dirigida à ele, interessada nele. E agora aquilo estava acontecendo e Neji não conseguia nem se lembrar do que estava fazendo parado no meio da The Catch encarando Uchiha Itachi.

- Obrigado – murmurou incerto, mas não desviou o olhar.

Itachi deu um passo à frente e colocou a mão no ombro de Neji outra vez, e dessa vez ele deixou a palma quente e suada ali por mais tempo, permitindo a Neji a sensação firme da pele contra o tecido fino da camisa.

Ele conseguia sentir a respiração alcoolizada de Itachi contra seu rosto e a expressão curiosa e interessada. Ele podia sentir o cheiro, meu deus, o mesmo cheiro, o mesmo perfume, e aquilo estava fazendo Neji se sentir tonto e bêbado, como se ele tivesse bebido muito mais do que realmente tinha.

E estava abafado, estava tão quente que ele sentiu o suor escorrer por suas costas, incômodo e pegajoso, umedecendo os cabelos longos que agora colavam em sua nuca.

Itachi olhou seus lábios com calma e depois levantou o olhar para os orbes claros e anuviados, e Neji respirou fundo.

- O que está fazendo aqui? – Neji perguntou, sem saber o que mais dizer, tentando evitar qualquer aproximação.

O polegar de Itachi se infiltrou sob a gola da camisa de Neji, acariciando de leve a pele.

- Aniversário de uma amiga.

Neji concordou com a cabeça e achou forças suficiente para mover o ombro de leve, fazendo Itachi reparar seu desconforto e afastar a mão outra vez.

- Você veio sozinho? – Itachi perguntou interessado, os olhos negros e penetrantes fazendo Neji começar a se sentir irritado.

Irritado, pois não era mais a mesma coisa, ele não se sentia apaixonado por esse homem, mas também não se sentia preparado para aquilo. Para encontrá-lo num dia que estava correndo tão bem.

- Não – respondeu. Se lembrando onde estava e porque estava ali.

- Está acompanhado? – Itachi disse, mais do que perguntou, como se percebesse algo em Neji.

- Sim, estou – respondeu simples.

Sim, ele estava. Aliás, Shikamaru estava lhe esperando dentro do banheiro.

Merda.

- Eu tenho que ir – disse resoluto.

- A gente se encontra por aí, então – Itachi disse, e segurou seu pulso com força – Foi muito bom te ver.

E a frase soou real, soou honesta, não soou como uma cantada barata, nem bêbada. Soou como se ele realmente pensasse que era muito bom revê-lo e, de repente, Neji sentiu-se derreter um pouco, com o calor dos dedos de Itachi em seu pulso e o coração batendo desesperado.

Ele se lembrava bem.

Se lembrava dos beijos, das noites de sexo, das manhãs ensolaradas onde acordara nos braços do outro, e era tudo muito real, muito vívido e – de repente – muito próximo. Como se fosse ontem. E ele firmou o olhar para decorar pela centésima vez a maneira como o outro lhe olhava, com interesse, intenção, desejo e – dessa vez – honestidade.

E Neji queria tudo aquilo de volta: a paixão, o desejo, a ternura, o fato de saber que havia alguém para onde voltar, alguém em quem confiar, com quem ele podia ser honesto e real. Ele queria a sensação maravilhosa de ser aceito e amado e protegido do mundo, sem ter que mentir mais.

Ele queria experimentar aquilo de verdade dessa vez.

Mas Itachi não era quem ele queria. Não. Ele queria alguém que tivesse vontade de lhe decifrar, alguém que o comparasse com tempestades e tsunamis, alguém que fosse honesto desde o começo. Alguém que lhe dissesse que sim, que esse era o momento em que Neji deveria puxá-lo para seu colo e o fizesse gozar.

Levantou o olhar e viu Shikamaru apoiado na parede ao lado do banheiro masculino, os braços cruzados. O olhar desafiador nos orbes negros do Nara foi suficiente para Neji se desvencilhar de Itachi e cruzar os quatro passos que os separavam.

E, pela primeira vez na vida, Neji não pensou em sua reputação, em sua família, em sua empresa, em seu sobrenome. Não. Ele pensou apenas nele e no desejo de consumir aquele homem. Na vontade absurda de viver livremente. De ser ele mesmo.

Ele pensou em ser de verdade, mais além das aparências. Em ser de verdade com Shikamaru. De ser honesto consigo mesmo...

Suas mãos se embrenharam nos cabelos grossos de Shikamaru e seus lábios colidiram num misto de dor e tesão. Delicioso e quente. Num beijo desesperado e intenso.

Shikamaru devolveu o beijo com a mesma intensidade, puxando o corpo de Neji mais para perto, suas mãos agarrando a cintura de Neji possessivamente e deslizando sorrateiras para debaixo da camisa. Tateando pele, suor e músculo.

Neji o prensou com força contra a parede, rolando os quadris contra os quadris de Shikamaru num movimento sôfrego, deliciado e inebriante, urgente.

A música os envolveu e o Nara arqueou as costas, friccionando-se contra Neji, mordendo seus lábios e sugando em seguida, fazendo o Hyuuga gemer baixo, perigosamente.

Sentiu os dedos de Shikamaru agarrarem seus cabelos e puxarem sua cabeça para trás, expondo seu pescoço e descendo os lábios contra sua jugular numa sensação fenomenal de dominação. A língua áspera e quente contra a pele suada.

- Atrevido... – Shikamaru gemeu gostoso contra a pele de Neji, que tremeu e depois riu grave com o adjetivo.

Ele piscou, apertando os braços contra os ombros de Shikamaru, trazendo-o para outro longo beijo. Suas línguas e lábios se movendo numa sincronia maravilhosa, e o desejo escaldante se acumulando em seu baixo ventre...

- Hmm... – Shikamaru mordeu de leve sua língua e se afastou devagar, rolando o quadril contra o dele e deixando explícito suas ereções.

A sensação era alucinante, ensurdecedora. Suas bocas se buscaram outra vez, sôfregas, desesperadas e determinadas a matar a vontade de ir além, de arrancar sangue se fosse necessário para satisfazer o desejo insano de sucumbir àquilo...

Àquilo que Neji estava tentando não pensar...

Uma mão agarrou a nádega de Neji e o forçou num roçar indecente de jeans e algo muito mais quente e vigoroso que tecido.

Eles se olharam por um longo momento, as respirações afobadas, o olhar perigoso e convidativo.

Shikamaru lambeu os lábios de Neji com a ponta da língua, indecente, como se pedisse por mais, como se tentasse apertar todos os botões certos para desfazer Neji num misto de desejo, tremor, gozo e sêmen.

E ele queria, por Kami, como ele queria se desfazer nas mãos daquele homem!

Entreabriu os lábios e deixou a língua insistente de Shikamaru serpentear para dentro de sua boca, firme, gostosa, apressada. A mão apertando sua nádega com intenção e fulgor, afundando os dedos no músculo sob o jeans grosso, delineando a curva musculosa do glúteo e gemendo baixo contra a boca de Neji.

Neji retribuiu o beijo, sentindo a cabeça rodar, sua ereção suplicando por atenção enquanto ele estocava vagarosamente contra o corpo igualmente excitado de Shikamaru, desesperados por mais, por fricção, por pele contra a pele...

Ele queria tomar o corpo esbelto de Shikamaru nos braços, conquistar cada centímetro de pele e pelo com suas digitais, lábios e saliva. Reivindicar aquele homem como seu-

Só meu.

O pensamento cortou sua mente como um raio, fazendo Neji perder o foco de leve enquanto os lábios urgentes de Shikamaru largavam os seus para delinearem outra vez seu pescoço, com vigor.

Ele queria aquele homem para si. Só para si. Neji queria clamar aquele corpo, chamá-lo de seu, queria conversar e transar e beber e se divertir e falar sobre verdades que nunca são ditas...

Era com este homem que ele queria viver tudo aquilo de novo, de maneira honesta e verdadeira. De um jeito profundo e arriscado, sem volta atrás.

Mas aquele homem não era dele. Não, aquele homem era de outra e Neji duvidava que Shikamaru e Temari terminariam tão cedo.

Neji não passava de um brinquedo para apimentar a relação deles. Um flerte, uma curiosidade, mais um para levar para cama e desbravar algo novo.

E Neji não queria aquilo, não queria ser apenas isso. Não queria brincadeira, jogo ou faz de conta. Ele queria se entregar e arriscar tudo. Queria viver de verdade tudo aquilo que não se permitira viver durante todo esse tempo.

Kami-sama...

Shikamaru gemeu contra seu ouvido, lambendo seu maxilar e roubando seus lábios, mas Neji não conseguia corresponder.

A compreensão o inundou como um vento frio e forte, capaz de abalar as raízes firmes de sua máscara, de sua farsa, de sua fachada fria e inabalável.

- Vamos sair daqui... – Shikamaru sussurrou quente contra seu ouvido, convidativo, e Neji se arrepiou com a proposta.

Não havia nada que ele quisesse mais nessa vida.

Ele queria tirar Shikamaru daqui, queria levá-lo para sua própria casa, queria observar o contraste maravilhoso da pele morena dele e os lençóis claros como a neve. Queria venerar aquele corpo nu com a ponta da língua...

Mas ele também queria acordar em seus braços, tomar café juntos fumando um cigarro, comentar sobre algo estúpido que saíra no jornal, tomar banho e acabar de joelhos na frente dele, queria caçoar das roupas largas de Shikamaru, o levar para jantar num restaurante caro e segurar sua mão num passeio em público pela rua principal...

E ele não teria nada daquilo.

Absolutamente nada.

Pois Shikamaru não era seu.

Shikamaru não queria aquilo. Ele queria uma experiência – deliciosa e sexy e desesperadoramente urgente – mas não aquilo.

Kami-sama, de novo não...

E Neji percebeu, quando os dedos de Shikamaru tocaram seu queixo, estranhando seu silêncio ante tal proposta indecente.

Ele percebeu que o inevitável estava acontecendo e era tarde demais para voltar atrás.

Seus olhos se encontraram, Neji sentiu o corpo vibrar entorpecido e o coração doer com força.

Ele estava apaixonado por Nara Shikamaru.

Mas Nara Shikamaru não estava apaixonado por ele.

De novo não...

Sua garganta apertou num desespero mudo e Shikamaru o encarou preocupado.

- Neji, você tá bem?

Ele soltou os ombros de Shikamaru devagar, sugando o ar com força. Buscando chão, buscando ar, buscando equilíbrio...

O Nara segurou seus ombros com cuidado, o olhar intenso e preocupado. A atmosfera mudou drasticamente ao redor deles e entre eles, e Neji precisou fechar os olhos com força.

- Que foi, Neji? – Shikamaru perguntou, tateando o rosto dele com gentileza – Você tá passando mal?

- Eu preciso ir – ele conseguiu falar, não tão firme quanto gostaria.

- O que houve? – insistiu – Eu disse alguma coisa...-

- Não, eu só preciso ir.

- Ei... – Shikamaru afastou uma madeixa longa de cabelo para longe dos olhos de Neji, passando a mão em sua testa para checar a temperatura corporal, e seus olhares se encontraram com pesar – Eu vou com você.

- Não.

Ele se afastou num movimento brusco, se desvencilhando de Shikamaru de um jeito desagradável que fez todo seu corpo reclamar da distância entre eles – como se cortasse e esfriasse por todos os lados onde o toque do outro já não estava.

Neji deu mais um passo para trás, decidido, e respirou trêmulo.

- A gente se fala depois – disse apressado e se virou com mais firmeza.

- Ei Neji, não! O que foi? – Shikamaru perguntou de novo, insistente, mas Neji evitou a mão que tentava o puxar pelo ombro e o olhou com cara de poucos amigos.

- Eu disse: depois. – falou frio e isso fez Shikamaru paralisar no lugar por um longo instante.

Neji se afastou a passos rápidos, mergulhando na multidão e tentando desaparecer.

Eu não posso passar por isso de novo...

- NEJI! ESPERA! O QUE DIABOS ACONTECEU?

Mas Neji não parou, nem olhou para trás, ele apenas continuou andando rápido até que a voz firme do outro já não pudesse lhe alcançar mais.

U

Horas mais tarde, na madrugada, Neji se sentou à mesa com uma xícara de chá de jasmim e um cigarro, os cabelos molhando o tecido suave do pijama, sem conseguir dormir e escutou por diversas vezes a mensagem de voz que Shikamaru deixara na caixa eletrônica do celular.

- O que aconteceu? Eu... O que é que eu fiz? – ele percebeu a voz do outro tremer, talvez de frio ou de nervoso – Me liga depois, ok? Merda... Me liga, por favor. Eu vou ficar esperando.

Sua voz apressada e quase sem fôlego, meio desesperada, meio alucinada, sem entender merda nenhuma, fez Neji querer desaparecer da face da Terra. Mas ele precisaria manter distância, para evitar que aquilo ficasse ainda pior.

Se piorasse, seria insuportável... E se apaixonar por alguém que não o correspondia era a última coisa que Neji precisava no momento. Ele precisava dar um tempo, se afastar, tentar esquecer...

Mas a preocupação de Shikamaru o fazia se sentir tenso. O fazia duvidar... fazia uma chama pequena de esperança irracional brotar e aquecer seu peito. Ele reconhecia os sinais, mas ele precisava cortar o mal pela raiz.

- Neji... – a respiração afobada rasgou o ar e Neji fechou os olhos com força, ouvindo de novo atentamente, quase vendo a imagem de Shikamaru à sua frente, sentindo-o próximo demais...

Tudo seria tão mais simples, se os Hyuuga não tivessem coração.

B


N/A: espero que tenham gostado meus amoressss! milhões de beijos! vou ficar aguardando a opinião de vocês! obrigada por lidarem com essas atualizações tardias!

me add no face: Tainara Bécquer :*

love, Tai.