N/A: Um obrigado imenso a todas as leitoras que aguardaram e comentaram e me animaram. Em especial à minha grande amiga Jay, que me fez sentar e escrever isso de uma vez por todas. Boa leitura!


Love Shuffle

Capítulo 22 – Friendship


F

Ino sentiu o corpo inteiro incendiar e apertou mais as pernas ao redor do torso de Naruto, puxando-o mais para si, sentindo as ondas de prazer do orgasmo a levarem às nuvens com um tremor delicioso.

O loiro afundou o rosto no pescoço suado dela e respirou o cheiro delicioso de perfume e sexo, deixando-se gozar com estocadas lentas e profundas, enquanto ela se enroscava ao redor dele e gemia baixinho de prazer.

Naruto achou que ia desmaiar por um segundo, o quarto todo girando ao seu redor, sua cabeça rodopiando num torpor delicioso de satisfação e embriaguez, a sensação maravilhosa de se deixar levar daquele modo, com outra mulher...

Ele respirou fundo, sentindo-se bambo de prazer e deixou o corpo pender sobre o dela, tomando cuidado para não pesar demais sobre Ino, rindo baixo contra seu pescoço, num misto de contentamento e alívio.

- Hm? – foi tudo o que a loira deixou escapar pelos lábios, o orgasmo havia roubado todas suas forças.

Os dedos dela passearam pelas madeixas curtas e úmidas de Naruto, sentindo-se satisfeita e relaxada, apreciando o toque suave dos cabelos dele.

Naruto rolou o corpo para o lado, saindo de cima dela e beijando seus lábios de leve.

Os cabelos de Ino se espalhavam sobre o travesseiro num mar platinado que o fez sorrir encantado.

Céus. Há quanto tempo não fazia uma loucura dessas?

- Você parece satisfeito – ela murmurou, os olhos semicerrados e o sorriso frouxo dançando nos lábios.

- Eu estou – ele concordou, acariciando os mamilos endurecidos dela preguiçosamente, se deleitando na sensação antiga de apreciar um corpo feminino novo com a ponta dos dedos.

Eles se encararam cúmplices por um longo momento, até que Naruto se aproximou mais e envolveu o mamilo rosado dela com os lábios, sem deixar de encará-la malicioso, chupou suave, o excitou com a ponta da língua e depois com a ponta dos dentes, fazendo-a gemer gostoso de tesão outra vez. Sugou com mais força, tomado por um torpor delicioso de a fazer gozar de novo, de a levar até o céu e o inferno com sua língua e seus dedos.

Naruto correu os dedos pela barriga plana dela, acariciou seu umbigo, sem parar de chupar e mordiscar o mamilo firme e excitado, e desceu os dedos sobre os pelos pubianos dela, afastando seus lábios e rodando os dedos ao redor de seu clitóris ainda inchado.

Ino suspirou, fechando os olhos e formando um arco com as costas, enquanto ele a estimulava em movimentos circulares mais rápidos e chupava seu mamilo com sons úmidos e eróticos.

- Ahn..!

- Mais? – ele perguntou malicioso e ela só fez que sim com a cabeça, sem abrir os olhos.

Riu-se baixinho e desceu os dedos um pouco mais, a sentindo úmida e quente. Naruto soltou um gemido rouco escapar, afundando os dedos dentro dela e posicionando melhor o dedão para continuar com os movimentos circulares, que passaram a ser frenéticos e fizeram Ino gemer, e abrir mais as pernas e murmurar seu nome e pedir por mais. Mais um – mais um – mais rápido – ah meu deus... – Ahn...

Ino se desfez sob seus dedos e lábios e seu corpo amoleceu trêmulo na cama, suado e satisfeito. Ela sorriu, abrindo os olhos languidamente e o olhou com carinho.

- Isso foi incrível... – murmurou baixinho, a voz sonolenta e rouca pelos gemidos.

E ele atacou seus lábios outra vez, roubando-lhe o ar e as forças que sobravam, uma felicidade maravilhosa nascendo em seu peito, um orgulho estranho...

Naruto se levantou devagar, um pouco zonzo de prazer e cansaço.

- Onde você vai? – questionou a loira, abrindo um dos olhos para espiá-lo.

- Não muito longe... – murmurou com graça, retirando a camisinha e Ino riu.

- Certo.

Ele sorriu para si mesmo, convencido e matreiro andando para o banheiro.

- Naruto?

- Hm? – ele a olhou por cima do ombro.

- Há quanto tempo você não transa com uma mulher que não Hinata? – Ino perguntou nada sutil.

Ele pensou um pouco, mas a sensação de embriaguez tinha tomado conta dele assim que seu corpo decidiu relaxar e perder todas as forças para lutar ou pensar coerentemente.

- Não faço ideia – admitiu.

- Bem vindo de volta ao mercado – ela disse divertida, colocando o braço sobre os olhos e sorrindo sozinha.

Naruto riu-se, entrando no banheiro, e a risada dele soou distante nos ouvidos de Ino, ninando-a com uma familiaridade inesperada.

Meia hora depois, com os cabelos úmidos do banho, Naruto se esgueirou embaixo dos lençóis e puxou o corpo de Ino para si, encaixando-a contra seu peito, sentindo o cheiro dos cabelos dela, de suor e perfume e gozo...

Ele podia seguir adiante, ele não tinha dúvidas. Ele aguentaria as mudanças, o vazio quando sentisse falta de Hinata e a vontade estranha de falar com ela, mas ele ia sobreviver, e talvez descobrisse que haviam muitas mulheres interessantes no mundo.

Ino resmungou enquanto dormia e ele sorriu, não tinha ideia de como lidariam com isso na manhã seguinte, mas ele não dava a mínima. Eram bons amigos e tudo ficaria bem.

Com o corpo relaxado e satisfeito, Naruto desbravou o mundo dos sonhos com uma sensação de liberdade estranha e deliciosa.

R

Sakura abriu os olhos devagar, sentindo as luzes claras demais contra seu rosto e logo os fechou de novo, enfiando o rosto no travesseiro.

O corpo inteiro doía, a cabeça latejava e a garganta estava tão seca que parecia ter engolido um quilo de areia.

- Argh... – resmungou contra a fronha escura.

Respirou fundo, buscando forças para se arrastar até o banheiro e tomar banho. Mas o cheiro do travesseiro não era o que ela estava acostumada.

E, desde quando ela tinha uma fronha marrom?

Sakura arregalou os olhos e se sentou apressada, olhando ao redor, meio tonta.

- Puta merda... – murmurou, o desespero começando a nascer dentro de si como um furacão.

O que eu fiz ontem?

Aquele quarto definitivamente não era seu. Aquele futon, os lençóis, o travesseiro...!

Sakura olhou para seu corpo e notou que vestia uma camiseta de algodão preta comprida, que também não era sua...

Então os flashes da noite passada começaram a voltar como uma montanha russa...

- Kakashi, por que todo mundo está voltando para casa acompanhado e eu não?

O homem estava apoiado no balcão, as pálpebras pesadas pela bebida e o sorriso fácil nos lábios. Céus, ele realmente era bonito, atraente, daquele jeito que os homens mais velhos costumam ser: despojados e sexys, como se não devessem nada a ninguém.

- Você queria voltar para casa com alguém? – ele perguntou sorridente.

- Bem, eu não me importaria – ela sorriu sacana e ele a acompanhou, dando mais um gole na bebida – Uma boa foda me viria bem.

Sakura prendeu o ar e checou o quarto em busca de Kakashi, mas ele não estava lá. Percebeu que era um quarto pequeno, ela estava sobre um futon, havia um armário grande, prateleiras com muitos livros... Sua calcinha parecia intacta e não havia rastros de atividade sexual...

O que ela tinha feito? Ela não tinha feito nada demais, certo?

Certo?

Seu vestido e sapatos estavam jogados no chão ao lado do futon, assim como sua bolsa e ela se apressou em pegar o celular.

12:34

A janela não tinha cortinas e ela não tinha certeza de onde estava, mas se as lembranças e a quantidade de livros nas prateleiras fossem indicativos, ela devia estar no apartamento de Kakashi-sensei.

Olhou as mensagens no celular, mas apenas havia alguma fofoca no grupo do hospital e da família, uma mensagem de Temari avisando que estava embarcando para Suna...

Sakura suspirou e passou a mãos pelos cabelos desgrenhados, tentando colocá-los num meio coque mal feito, mas não teve jeito.

Pressionou as mãos contra os olhos e tentou se lembrar direito como tinha ido parar ali.

- Ora, vamos, eu achei que tínhamos passado do ponto em que você já tinha aceitado o fato de que eu faço sexo como qualquer outra mulher da minha idade...

- Sakura...

- Quê?

- Você está bêbada – ele afirmou divertido.

- Provavelmente mais do que eu gostaria de assumir, sen-sei – murmurou, inclinando-se para mais perto dele com um outro sorriso sacana no rosto.

Sakura piscou um pouco atordoada, tentando apagar as memórias. Era vergonhoso demais. Ela precisava dar o fora dali e se esquecer de que isso tudo tinha acontecido na sua vida. Que cena vergonhosa!

Se esquecer de que tinha falado um monte de besteiras para Kakashi, e que provavelmente ficara tão bêbada que ele precisara levá-la consigo para casa.

E ela estava torcendo com todas as forças de seu coração por ter sido apenas esse o motivo dela ter ido parar ali...

Se levantou e foi até a porta, abrindo devagar e enfiando a cabeça para fora para analisar o ambiente. Havia uma porta fechada no fim do pequeno corredor, um banheiro na frente do seu quarto com a porta aberta e olhando para o outro lado havia uma sala.

Foi quando uma bolinha de pêlos apareceu do canto da sala e correu em sua direção com a respiração barulhenta e as unhas batucando contra o assoalho.

- Pakkun! – ela exclamou baixinho, se ajoelhando para receber o cachorro que fazia festa e lambia suas mãos, desengonçado como os pugs costumam ser, os olhinhos arregalados e o nariz enfiado no focinho – Ei menino...

- Ah, você acordou.

A voz de Kakashi soou do outro lado do apartamento e ela o viu aparecer da parte da sala que ela não conseguia ver, com uma calça de moletom, camiseta cinza claro e uma camisa xadrez de flanela por cima. Seus pés estavam descalços e ele segurava uma imensa caneca de café nas mãos.

- Você quer tomar café da manhã? – perguntou, se aproximando e parando no corredor, apoiado na parede.

- Er... Pode ser – ela concordou, sentindo-se corar.

Kakashi a olhou com um sorriso breve e depois desviou o rosto com pressa.

Sakura olhou para baixo e percebeu que a camiseta era grande, mas não o suficiente para esconder suas pernas.

O rosto dela corou mais e sua cabeça latejou.

- Talvez seja melhor eu ir embora.

- Se você quiser usar o banheiro fique à vontade, tem toalha e shampoo, eu acabei de fazer café, pelo menos bebe um pouco antes de ir.

- Er... ok...

- Sakura? – ele chamou, antes de voltar para a sala ou cozinha ou onde quer que seja que ele estava antes.

- Sim? – ela acariciou o pelo curto de Pakkun e tentou parar de corar.

- Você sabe porque está aqui?

- Não... – admitiu, baixando o olhar e prestando muita atenção no cachorro – Eu não lembro de muita coisa.

Ele concordou, sério, e se desencostou da parede.

- Você estava tão bêbada que disse que ia vomitar se entrasse no taxi, como eu moro perto da The Catch, a gente veio para cá.

- Ah, isso faz sentido.

- Você quer uma calça emprestada?

Ela olhou para ele e o viu analisando seu rosto com interesse.

- Acho que vai ficar grande...

- Disso eu não tenho dúvida, mas pelo menos para pegar um taxi para casa... Eu pego amanhã na hora do jogo.

- Certo, ia ser ótimo, digo, uma calça.

O homem passou por ela, abrindo a porta que antes estava fechada no final do corredor. Ela viu que era o quarto dele. Havia uma cama grande, armários e uma escrivaninha.

Kakashi abriu o armário e ela reparou com curiosidade como tudo estava extremamente organizado nas prateleiras. O homem pegou uma calça e também uma blusa de moletom, ele procurou um pouco entre as opções que tinha antes de escolher uma e fechar as portas do armário e voltar para o corredor.

- Acho que estas são as menores peças que eu tenho – falou, entregando a calça e blusa nas mãos de Sakura, assim que ela se levantou.

- Obrigada – ela murmurou timidamente, evitando olhá-lo nos olhos.

Kakashi bebericou o café e a olhou curiosamente, evitando olhar para baixo, para as coxas expostas. Então voltou para a sala com Pakkun atrás de si.

Sakura se sentiu pequena. Se sentiu como se fosse uma adolescente de novo, diante de algo inalcançável. Ela observou Kakashi sentado no sofá, com a TV ligada e a caneca de café nas mãos e uma sensação estranha escorreu dentro de si.

Ela queria sentar ao lado dele, com sua própria caneca de café e ver o noticiário de domingo juntos... Queria as conversas de caixa eletrônica, só que dessa vez presencialmente... Queria saber mais dele e perguntar o que ele estava lendo ou qual era o melhor aluno desse ano...

Sakura tentou parar de pensar e trancou a porta do banheiro, ligando o chuveiro. Ela precisava de um balde de café e um ibuprofeno.

- Você vai continuar me tratando como se eu fosse sua aluna? – ela perguntou firme – Eu não quero que você me trate assim para sempre. Eu quero ser sua amiga, Kakashi, eu já te disse isso.

Ele riu e a encarou com graça, seus rostos muito próximos para poderem se escutar por cima da música.

- Eu estou na The Catch, tomando um gim-tônica, muito mais bêbado do que deveria, Genma e Hinata foram embora, estamos só nós e essas músicas eletrônicas péssimas, um monte de gente com dois terços da minha idade dançando... Se isso não é amizade, Sakura, então eu não sei o que é.

Kakashi a olhou sério, o sorriso ainda firme em seus lábios, mas seus olhos diziam mais, diziam tudo, diziam: "Eu estou tentando".

Sakura tirou a roupa e se sentiu arrepiar antes de entrar embaixo da ducha.

Ele estava tentando...

Ela olhou pela porta de vidro a roupa que o ex-professor lhe emprestara, pensou na oferta de café da manhã, no sorriso em seus lábios...

Ele estava conseguindo.

I

Já passava das quatro horas quando Sakura finalmente chegou em seu apartamento. Ela tinha tomado café com Kakashi e engolido um comprimido de ibuprofeno. Tinham se sentado no sofá e assistido o noticiário de domingo, depois um programa de receitas e pediram comida chinesa para almoçar. Kakashi lhe contou sobre a aluna que escrevia redações muito boas e citava Nietsche, também sobre um livro que ele estava lendo muito lentamente, de Oscar Wilde.

Ela estava se sentindo muito feliz, apesar da dor de cabeça que parecia não ir embora nunca. A conversa com ele era fácil e simples e eles não tinham entrado em nenhum assunto muito sério, afinal a ressaca já era ruim demais para piorar a situação com algo ainda mais sério, intenso ou doloroso.

Antes dela ir embora, ele tinha lhe emprestado um exemplar de Inês da Minha Alma, de Isabel Allende, insistindo que ela ia gostar desse se tinha gostado dos outros livros da autora e Sakura se sentiu radiante.

Ela colocou o livro na mesa de canto da sala e foi para o quarto se arrumar, precisava estar no apartamento de Genma para o último sorteio do jogo. Que ela já sabia ser ela e Shikamaru, o que era uma perspectiva ridícula, já que eles sequer eram bons amigos, quanto menos interessados um no outro.

Essa semana seria um desastre.

Quando entrou no apartamento de Genma, viu Hinata e ele na cozinha preparando chá e Ino conversando com Shikamaru na varanda enquanto este fumava.

Naruto não estava em nenhum lugar para ser visto e Neji tinha cara de poucos amigos, segurado a porta aberta para ela entrar.

De repente, ela teve um flash, uma memória da noite anterior que ainda não tinha acessado em sua mente imersa em ressaca.

Neji e Shikamaru se beijando apaixonadamente contra a parede próxima ao banheiro do The Catch.

Céus.

Ela lembrou da intensidade da cena quando foi ao banheiro e se deparou com aquilo. Se lembrou de brincar com Kakashi que todos seus amigos estavam virando homossexuais ou bi-curiosos, afinal já eram três! E, de repente, seu peito apertou, pois Neji não era dessas pessoas que brincava com sua sexualidade ou com sua imagem.

Talvez havia muito mais por detrás daquele momento, e ela estava presa em seus preconceitos.

- Neji, tá tudo bem? – perguntou baixo, enquanto o homem fechava a porta e passava as mãos pelos longos cabelos sedosos.

- Sim – disse frio.

- Se você quiser conversar... – ela murmurou baixo – Quer ir lá em casa fingir que vamos buscar algo?

Neji a olhou intrigado, ainda com aquela expressão fria e ácida de pouquíssimos amigos e ela deu de ombros.

- Eu vi – ela falou breve, era melhor jogar limpo – Se você precisar conversar... Amigos são para isso, certo?

Neji agora tinha os olhos muito abertos e atentos e algo parecia transparecer. Medo, receio, culpa?

- Eu-

- Tá tudo bem, você pode contar comigo – ela disse firme.

Talvez, se Sasuke tivesse tido alguém para conversar, as coisas não teriam se desenrolado como haviam, talvez Neji precisasse de alguém para poder desabafar, e ela queria poder ajudar.

Sakura sorriu quando viu a expressão dele se suavizar.

- Talvez mais tarde – ele respondeu sem deixar nada transparecer e ela sorriu mais.

- Lendo muito Bashoo nas horas extras? – ela mudou a direção da conversa com uma habilidade que não costumava ter e ele sorriu, embora o sorriso não alcançasse seus olhos.

- Não tenho tido muitas horas extras.

- E Naruto?

Eles se sentaram no sofá, ela não tinha a mínima vontade de dar a volta pelo apartamento para cumprimentar as pessoas.

- No apartamento dele – Neji comentou e olhou de relance para Hinata pela brecha da cozinha – Ino chegou antes que eu, mas pelo jeito Naruto ainda não veio.

- Certo... – Sakura se sentiu incômoda – E Hinata?

- Sinceramente? – ele pausou e olhou para a médica – Eu não sei. Ela quis terminar, certo? Agora é coisa deles, não adianta ficar me preocupando.

Sakura viu pela porta da cozinha que Genma tinha uma mão apoiada no fim das costas de Hinata e que comentava algo que a fez concordar com a cabeça, enquanto preparava a bandeja de chá.

- Se ela quiser, ela sabe que pode conversar comigo – ele acrescentou, e olhou de relance para a varanda.

Ela acompanhou o olhar de Neji e prendeu a respiração quando reparou que Shikamaru olhava para ele intensamente, enquanto Ino falava e falava e gesticulava amplamente, alheia àquela situação.

- Vocês conversaram? – Sakura perguntou baixinho, sem conseguir se conter.

- Não há nada que conversar – Neji disse firme e voltou a olhar para ela, mas Shikamaru continuava encarando o homem, seus olhos agora fixos nos cabelos de Neji e Sakura sorriu de lado.

- Ele não parece pensar o mesmo.

- Sakura...

- Certo.

- E você? Até que horas ficou ontem?

- Ah, até tarde – respondeu ambígua.

Naquele instante a campainha soou e Neji se levantou para abrir a porta para Naruto. E o clima pareceu pesar, pois Ino sorriu na direção dele e Hinata o encarou tão pálida, que Sakura achou que ela ia desmaiar.

Mas Naruto apenas sorriu alegre, passou a mão pelos cabelos loiros e molhados do banho e começou a caçoar do mau humor de Neji com a facilidade de sempre.

O clima continuou pesado para todos, já que Hinata estava tão pálida e Ino estava evitando olhar para ela. Ao mesmo tempo, Neji fazia questão de ignorar os olhares insistentes de Shikamaru.

Sakura não fazia a mínima ideia do que poderia fazer para amenizar a situação, então se sentou entre Neji e Naruto e continuaram conversando sobre qualquer coisa amena: o tempo, a festa da Coorporação Hyuuga, a viagem de Temari, a ressaca mortal que eles sentiam...

Eles não pretendiam deixar que o jogo acabasse com a amizade deles.

E

- Muito bem, então iniciamos a última ronda de Love Shuffle! – bradou Genma, sorrindo confidente – Acho que todos já sabem seus pares, mas por via das dúvidas: Naruto e Ino, Neji e Hinata, Shikamaru e Sakura, eu e Temari.

Eles estavam sentados na mesa de jantar, tomando lanche, e o clima tinha melhorado consideravelmente. Hinata estava sorrindo para Neji e Shikamaru continuava lançando olhares firmes na direção do Hyuuga, mas este não olhava de volta, como se fosse expert em desviar daquele tipo de situação.

- Eu já conversei com Temari, e provavelmente vou fazer uma viagem rápida para Suna esta semana. Então é isso, estamos na reta final. Alguém tem alguma dúvida?

Hinata levantou a mão de leve e todos os olhares se focaram nela.

- D-depois que acabar essa semana, então a-acaba o jogo? – perguntou com a voz pequena e tímida.

Genma voltou a se sentar e pareceu refletir um pouco.

- Eu acredito que sim, a não ser que tenham alguma outra ideia... – o homem brincou com o piercing em sua língua, dançando o metal entre os lábios, pensativo – Alguém pensou em algo diferente?

Ino, Sakura, Naruto e Neji negaram com a cabeça, mas Shikamaru não demonstrou o menor interesse, e Hinata levantou a mão de novo.

- Er... Eu pensei – murmurou e Genma sorriu para ela, incitando-a a continuar – Eu pensei que... er... poderíamos fazer uma quinta ronda, em que cada um escolheria com quem gostaria de passar essa última semana.

- Wow! – Naruto exclamou, sorrindo de repente – Que ótima ideia, Hinata-chan!

Ela corou fervorosamente, apertou os lábios e olhou para a xícara de chá em suas mãos.

- Arigatou – sussurrou, tão vermelha como um pimentão.

-E também gosto da ideia – Genma concordou e olhou para os demais – Quem concorda e quem discorda, quem tem outras sugestões?

- Por mim me parece legal – disse Ino simples, mordiscando um croissant de chocolate.

- Eu estou honestamente cansado desse jogo – Neji disse seriamente.

Sakura o olhou com pesar. Algo deveria estar acontecendo e com certeza o estava aturdindo. El não tinha motivos em continuar o jogo também, não pensava voltar a sair com Genma, ou Naruto, muito menos Neji... e Shikamaru seria um desastre com ela nessa semana, ela não tinha dúvidas.

- Eu prefiro parar nessa ronda – decidiu.

- Certo – Genma a olhou profundamente, concordou com a cabeça e depois olhou para Shikamaru – E você, Nara? Acho que, como Temari não está aqui, seu voto vale por dois, para sermos justos.

Shikamaru suspirou, parecendo extremamente entediado, rodou um cigarro entre os dedos e fechou os olhos por um momento.

E contra todas as hipóteses de cada uma das pessoas daquela mesa, ele deu de ombros e disse que:

- Mais uma ronda, por que não? Pior do que está não pode ficar.

Hinata riu e Shikamaru lhe ofereceu um sorriso cúmplice.

- Muito bem, são seis votos contra dois. Alguém pede réplica?

Neji revirou os olhos, mas não disse nada naquele momento, depois murmurou para Sakura que eles podiam se escolher e ficar isentos da última ronda e que aquilo era uma ótima saída. Ela concordou e sorriu agradecida.

Depois disso, as pessoas caíram num ritmo tranquilo de conversa sobre trabalho e atividades da semana, até que Sakura e Neji decidiram escapar e conversar sobre a noite passada.

Shikamaru se levantou assim que os viu tentando escapar da sala desapercebidos, se despediu brevemente e saiu atrás deles.

Ao chegar ao hall de entrada do andar, Shikamaru os viu conversando na frente da porta do apartamento de Sakura, enquanto ela buscava a chave no bolso de trás da calça jeans.

- Neji – chamou – Podemos falar um instante?

O Hyuuga o olhou consternado e depois olhou para Sakura, como se pedisse auxilio com seus olhos claríssimos implorando por uma saída de emergência rápida, mas ela não pareceu querer interceder.

- Porque vocês não conversam e depois você vem Neji? Vou estar aguardando – ela respondeu simples, destrancando a porta do apartamento e desaparecendo dentro dele, fechando a porta rapidamente sem lhe dar outra opção que não ceder.

- Vem, vamos conversar lá dentro - Shikamaru propôs, abrindo o apartamento e convidando Neji.

O Hyuuga respirou fundo, sentindo todas as células do corpo lhe dizerem que aquilo era uma péssima ideia.

E era.

Assim que entrou e encostou a porta, as mãos de Shikamaru estavam em seu peito, sobre o pulôver preto que ressaltava sua pele pálida e seus olhos cristalinos.

- Não – disse firme, mas Shikamaru apenas suspirou e estacionou as mãos nas curvas entre o pescoço e os ombros de Neji.

Ele parecia cansado.

- O que eu fiz de errado ontem? O que houve? – perguntou, sua voz rouca e tensa, seus olhos procurando respostas na face séria e firme de Neji – Foi por causa do Itachi?

- Isso não tem nada a ver com Itachi – Neji respondeu impaciente, mas sem forças para afastar as mãos quentes de Shikamaru de seu corpo, nem desviar o olhar daqueles orbes negros que lhe imploravam por uma resposta, qualquer que fosse ela.

- Então tem a ver com o que?

- Você sabia que a Sakura viu? – perguntou, evadindo a pergunta.

- Eu não estou nem ligando se alguém viu, Neji. Eu quero entender – a maneira como Shikamaru pronunciou a palavra, fez o Hyuuga estremecer um pouco – Eu quero te entender, te decifrar, mas às vezes você se mostra complexo demais, embora eu tente com todas as minhas forças! – admitiu, deslizando as mãos pelo peito de Neji e apertando os dedos no tecido de lã macia, iniciando um turbilhão de sensações dentro do Hyuuga – Eu achei que estávamos progredindo, nós conversamos no outro dia e eu achei... realmente achei que você estava aberto a me deixar te entender... mas... agora eu estou sinceramente perdido.

Ele parecia levemente entristecido também, Neji não pôde deixar de reparar.

- Você sequer respondeu à minha mensagem... – Shikamaru suspirou pesado e deu um passo atrás, afastando as mãos do corpo de Neji – Eu fiquei preocupado, eu honestamente não sei o que fiz de errado.

E o olhar de Shikamaru dizia tanto, tão mais que suas palavras, havia algo de tão honesto que Neji não aguentou.

Neji fechou os olhos, a expressão perdida no rosto de Shikamaru era desconcertante demais, mas ele não podia dar passos atrás agora. Sentiu uma pressão absurda no peito, um nó na garganta.

Céus, como ele tinha se metido nisso?

Quando abriu os olhos, os lábios de Shikamaru se chocaram contra os dele, firmes, e ele não conseguiu recusar o contato. Suas mãos se agarrando nas laterais da blusa do Nara, enquanto sentia os dedos deste traçarem seus cabelos com intenção, com firmeza, sua língua pedindo um acesso que Neji não sabia como negar.

E quando seus lábios se partiram e suas línguas se encontraram, Shikamaru soltou um gemido trêmulo contra sua boca, o corpo inteiro respondendo ao contato íntimo e forte, uma energia eletrizante os envolvendo.

Neji sentiu as cordas invisíveis que o mantinham isento se arrebentarem e um desejo profundo e proibido se libertou com um rugido que nasceu dentro de seu peito e morreu na língua morna e gostosa de Shikamaru. Seus quadris e peitos se pressionando deliciosamente, um calor desesperador se alastrando por todos os poros do corpo.

Shikamaru gemeu no meio do beijo, mudando a velocidade para algo ainda mais intenso e desesperado, agarrando os cabelos de Neji com força, fazendo-o perder a noção do tempo, do espaço, de suas próprias decisões da noite anterior...

Instigando-o a buscar mais contato, mais pele e cheiro. Sua mão se enlaçou na cintura de Shikamaru e deslizou por debaixo da blusa, sentindo-o quente e maravilhoso, convidativo...

Não.

Neji não podia se deixar levar. Seus dedos escorreram por mais um longo e precioso segundo antes de tomar a decisão e arranjar forças dentro de si para escorar as mãos na barriga magra de Shikamaru e o empurrar de leve, afastando-o.

O beijo se rompeu com uma sensação agridoce, seus lábios úmidos e quentes e inchados, seus corações batendo acelerados no peito e seus olhares perdidos no rosto um do outro. Buscando algo, qualquer coisa que fosse que mudasse Neji de ideia ou que fizesse Shikamaru entender.

- Neji... – Shikamaru murmurou triste, como numa súplica silenciosa – O que houve?

- Eu não posso continuar com isso – respondeu baixo, honesto. Algo triste soando muito vivo em sua voz.

- Por quê? – insistiu.

- Eu não posso...

Neji o afastou mais, esticando seus braços entre eles, evitando qualquer possibilidade de reaproximação. Evitando que Shikamaru tentasse o beijar, pois não tinha certeza se conseguiria parar outra vez. Pois no fundo queria, ah se queria. Ele queria mais que tudo que Shikamaru o puxasse e o beijasse e o despisse, ele queria vê-lo gozar e gemer e tremer sob seus dedos, mas ele queria tudo mais que uma relação poderia ter, e ele não teria aquilo. Não com Shikamaru.

Então era melhor parar agora.

Antes que a dor se alastrasse por todo seu peito e pelo corpo, e que ele não pudesse mais evitar se apaixonar por aquele homem que o tentava decifrar, que o comparava com tempestades e que o fazia sorrir com frases poéticas baratas e um olhar profundo e intenso que o fazia perder a cabeça.

Ele não podia perder a cabeça de novo. Não por Shikamaru. Não por alguém comprometido e inacessível.

- Do que você tem medo? – a pergunta soou fraca, mas os olhos de Neji conectaram com os de Shikamaru e ele viu.

Neji viu como Shikamaru conseguia ler através dele, como se fosse transparente para os olhos especialistas e atentos do Nara. Percebendo que Neji estava-

- Do que você está fugindo? – Shikamaru disse, e Neji arregalou os olhos por um segundo, era como se ele estivesse lendo sua mente, seu coração, sua vida.

- Não faça isso – rogou, sentindo o corpo inteiro retesar e sua mente entrar em estado de alerta, tentando colocar sua máscara Hyuuga de volta, mas era impossível, ele já estava exposto, ele tinha sido pego.

- Por que você não me deixa entrar? – Shikamaru passou as mãos pelo rosto, ansioso, cansado, confuso – Eu tento entender, eu tento te encontrar, compreender, mas eu não consigo!

Eles se encararam por um tempo e Neji não soube como responder. Ser honesto e dizer que não queria se apaixonar era exposição demais, ao mesmo tempo deixar Shikamaru sem respostas era constrangedor...

- Eu não posso, Shikamaru – falou simples – É muito mais complicado do que parece. E Temari já não está aqui, essa já não é nossa semana, continuar com isso não faz o menor sentido.

Shikamaru riu sarcástico com a resposta, pescou um cigarro do bolso e acendeu rapidamente.

- Claro – o Nara respondeu, lhe dando as costas e andando na direção da varanda – Por que nós estávamos jogando antes, e as cartas no tabuleiro mudaram, não é mesmo? – a voz amargurada atingiu Neji em cheio – Já não somos três peças... – e, pelo visto, Shikamaru estava começando a compreender o que estava acontecendo com Neji – Somos dois reis num jogo de xadrez e você não sabe jogar sem peões no meio para ajudar com a farsa...

Shikamaru deu a volta, seu olhar duro conectando com o de Neji. Havia certa raiva em seus olhos, na sua expressão chateada.

- Você precisa manter sua armadura, e se Temari não está no meio para facilitar isso, fica difícil demais continuar fingindo... – ele riu-se baixo, estranhamente sarcástico e frio, como se por fim entendesse – Difícil demais fingir que isso – ele gesticulou o espaço entre eles – é apenas um jogo de Love Shuffle, algo seguro, secreto e que não vai passar disso.

Neji abriu a boca, sem saber como rebater as frases certeiras de Shikamaru, mas este prosseguiu sem lhe dar tempo de responder.

- Mas você mesmo disse no outro dia: não somos peças, somos jogadores. E jogadores são pessoas, e pessoas desenvolvem sentimentos, e sentimentos são assustadores.

Shikamaru voltou a lhe dar as costas, abriu a porta de vidro da varanda, deixando um Neji atordoado para trás, observando-o tragar o cigarro com ar de revolta. Como se o fato de Neji não querer se envolver, e tampouco ter coragem de admitir em voz alta, o irritava profundamente.

- Você tem medo do que pode acontecer, do que pode sentir... Pois bem, eu também tenho medo – Shikamaru disse bravo, honesto, explícito. Ele também sentia medo de se envolver, de se entregar, de entrar naquele mar turbulento que Neji lhe oferecia - Mas eu estava sinceramente disposto a me deixar levar pela correnteza, Neji, a me molhar na tempestade, mesmo sem o abrigo seguro que Temari nos proporcionou até agora.

Shikamaru assumiu, suspirando cansado e Neji percebeu que havia dor em sua voz. Havia tensão, havia um monte de sentimentos que Neji não reparara antes, mas que agora estavam ali, em cima do tabuleiro para que ele pudesse notar com clareza.

- Eu estava disposto, Neji, pois eu achei que a queda, por maior que fosse, valeria a pena. Que por você valia a pena tentar, valia a pena me deparar com uma série de medos e inseguranças – e seu olhar era tão duro que Neji encolheu os ombros sentindo a força das palavras de Shikamaru o aplastarem – Uma pena você não ter pensado o mesmo.

Shikamaru levou o cigarro aos lábios, resoluto, e Neji reparou em como seus dedos estavam trêmulos e sua respiração acelerada, como algumas madeixas caíam do rabo de cavalo...

Neji estava sem palavras, ele não sabia o que dizer ou pensar. Shikamaru estava lhe dizendo que tinha pensado em tudo aquilo e que mesmo pesando as consequências que esse envolvimento poderia trazer para seu relacionamento com Temari, para sua vida, para sua estabilidade... E que, ainda assim, ele estava disposto a descobrir para onde a correnteza os levaria?

- Eu... – Neji balbuciou, sem conseguir pensar direito, sem saber o que dizer, mas ele precisava dizer algo, qualquer coisa! Assumir que as palavras de Shikamaru realmente o haviam alcançado, que ele não sabia muito bem como reagir e que sim, ele estava morto de medo, mas que ele também-

- Você pode ir embora agora – Shikamaru disse friamente, fechando a porta de vidro atrás de si e se refugiando na varanda, colocando uma barreira transparente mas muito real entre eles, entre seus corpos.

Neji sentiu o corpo inteiro tremer, uma mistura absurda de emoções nasceu em seu peito, e ele não sabia como lidar com elas ou entendê-las ou como agir frente a tudo o que o Nara tinha acabado de constatar alto e em bom tom. Mas Neji aceitou a saída que Shikamaru praticamente o obrigara a tomar, saindo pela porta trêmulo e confuso.

Ele pescou a chave do carro no bolso da calça e desceu correndo pela escada de emergência, sem querer esperar o elevador. Saiu do edifício, chegou ao carro estacionado na frente do prédio e evitou olhar para cima, evitou ver Shikamaru na varanda, evitou olhá-lo.

Evitou sentir como tudo dentro dele se desmoronava e uma dor lacerante se espalhava pelo peito com uma força tremenda.

A força tremenda das correntezas de Shikamaru, ele pensou, pois Shikamaru também era composto por uma natureza estrondosa e sem igual, e sua correnteza firme e cega não parecia dar indicações para onde os levaria.

E Neji teve medo de pensar onde ele ia parar se aquelas águas turvas e furiosas o envolvessem e arrastassem.

N

Kakashi colocou a toalha de banho no cesto de roupas sujas.

Desde a última visita de Rin ele não tivera nenhuma visita que acabasse tomando banho em seu apartamento. A ideia pesou no fundo da cabeça e Kakashi sentiu o peito apertar de maneira estranha.

Pakkun rodeou suas pernas curioso e saiu do banheiro com as patinhas fazendo barulho no assoalho.

Se procurasse, Kakashi estava certo de que encontraria mais vestígios de Sakura no banheiro ou no quarto de hóspedes. Um fio de cabelo rosa, algo fora do lugar ou a caneca extra usada no café da manhã, os talheres do almoço tardio...

A sensação alheia de ter companhia o fez respirar fundo e sair do banheiro, apagando a luz, andando para seu quarto em busca de algo.

Ele andou até a escrivaninha e procurou a foto que roubara de Genma, com Sakura ao entardecer, o sol alaranjado queimando no céu, e a blusa preta ressaltando a cor de seus cabelos rosados, do céu laranja, da cidade ao fundo...

Traçou um dedo pelos contornos do rosto dela, um calor crescente aumentando no centro do corpo, expandindo pelo peito e deslizando pelas suas costas, sorrateiro e clandestino.

As imagens da noite anterior flutuaram em sua mente, o flerte brincalhão na festa, o jeito que Sakura tinha de falar sobre sexo de uma maneira muito direta que o fazia engasgar com a bebida às vezes, afinal ela já não era nenhuma menina e fazia questão de deixar aquilo muito claro.

O modo como ela tropeçava nos próprios pés ao sair da The Catch, ou como ele precisou segurar no braço dela para evitar que algo pior acontecesse e ela se esborrachasse no chão. O jeito que ela o fizera rir, ambos bêbados andando na rua até o apartamento dele, enquanto ela praguejada sobre saltos altos e a burrice de usá-los.

Tudo aquilo o aquecia por dentro de uma maneira nova e deliciosa que o fez largar a foto sobre a escrivaninha e se sentar na cama, ligeiramente abalado.

Ele não podia continuar mentindo para si mesmo. Sakura tinha se transformado numa linda mulher, inteligente, interessante e em uma boa amiga.

Mas não era apenas isso.

Na noite anterior, ao chegarem no apartamento, Kakashi pegou uma camiseta para lhe emprestar como pijama e, enquanto preparava o futon para que ela pudesse dormir, Sakura tinha arrancado o vestido pela cabeça, tão bêbada que sequer se preocupara com o fato dele estar no mesmo quarto, e se despira na frente dele, quase caindo ao arrancar os sapatos dos pés.

Os cabelos desgovernados e usando apenas uma calcinha preta simples.

Kakashi tivera que lhe segurar pelo braço antes que ela desabasse no chão, os seios rígidos de frio e o rosto corado pela bebida, e ele não conseguira desviar os olhos a tempo de evitar que uma atração física absurda tomasse conta de sua mente turva pelo álcool.

Ele a sentara sobre o futon, ainda seminua e quase adormecendo imediatamente e a ajudara a vestir a camiseta preta, com pressa, tentando evitar qualquer outro sinal físico da sensação quente que lhe inundara o corpo com ondas ferventes.

- Você vai dormir aqui comigo? – ela tinha perguntado com uma voz enrolada e rouca, passando a mão nos olhos, ébria.

- Não. Boa noite, Sakura... – ele conseguiu murmurar, enfiando-a de baixo das cobertas e vendo-a fechar os olhos languidamente.

- Obrigada, sensei. Você é o melhor... – ela respondeu sonolenta.

E agora Kakashi não conseguia tirar a cena da cabeça. Ele se perguntava se ela ainda pensaria isso dele se soubesse que a tinha visto praticamente nua e desejado seu corpo de uma maneira incontrolável.

Mas algo, algo no fundo de sua mente, dizia que ele tinha agido corretamente. Que mesmo com a cabeça nublada pela quantidade obscena de bebida, ele não se aproveitara dela. Ele jamais faria algo assim com nenhuma mulher. E sentia um carinho e senso de responsabilidade pela jovem tão grandes que lhe custava aceitar as próprias reações físicas que a visão de seus mamilos entumecidos e rosados lhe gerara...

Kakashi deitou na cama, sentindo o corpo inteiro ficar tenso com as dúvidas imensas que o rodeavam.

Ele estava atraído por ela, como mulher, e aquilo era novo, era indecente, era assustador, e as coisas que ele desejara fazer com ela na noite anterior desafiavam todas as probabilidades que haviam passado por sua cabeça em todos os anos anteriores.

- Isso vai passar – ele murmurou, apertando as mãos nos olhos e focando sua mente nas conversas casuais e agradáveis que tiveram durante a tarde – Com certeza vai passar.

Mas, ainda assim, parte de seu corpo continuava reagindo ferozmente com a semente libidinosa que tinha sido plantada na noite anterior. E as imagens não iriam desaparecer de sua mente tão cedo.

D


N/A: ok, tem NaruIno, tem ShikaNeji e tem KakaSaku. Para todos os gostos e sabores. Por fim, um passo em direção ao que vocês tanto aguardavam. Espero que tenham gostado das cenas! Que tal deixar um comentário e inspirar essa autora de férias?

Love, Tai.