N/A: Eu não ia escrever, muito menos postar, mas hoje acordei com a inspiração correta para Love Sha! ah, rimou. Gente, a vida tá muito hard aqui do outro lado, me deixem um pouquinho de amor nas reviews! beijos e boa leitura!


Love Shuffle

Capítulo 23 – A Kiss


Sakura 22:29

Você não apareceu, eu não sei se isso é um bom sinal ou não...

Neji 07:14

Péssimo sinal. Conversamos depois.

Sakura 8:31

Estou aqui para o que precisar! ;)

Neji encarou a mensagem por alguns minutos, tomando um café bem amargo no bar do edifício da empresa e sorriu de leve. Ele não entendia bem como ou porque ela parecia estar tão preocupada por ele, mas era uma sensação boa.

Ele não tinha conseguido dormir direito, e pensar só lhe fazia se sentir pior. Sinceramente, a conversa com Shikamaru tinha o feito tremer e baquear em pontos muito firmes de sua personalidade. Ninguém jamais fora honesto com seus sentimentos como vira Shikamaru ser na tarde anterior.

O modo como os olhos escuros tinham perfurado a máscara de Neji, e observado e entendido o que acontecia por debaixo de sua armadura... Aquilo era assustador e ao mesmo tempo extasiante. Ninguém soubera fazer isso ao longo dos anos, era algo novo, se sentir tão exposto e tão compreendido ao mesmo tempo.

Mas as palavras...

Você tem medo do que pode acontecer, do que pode sentir... Pois bem, eu também tenho medo...

Shikamaru tinha sido duro com suas palavras e Neji não sabia bem em que situação eles se encontravam neste momento. Era óbvio o interesse do Nara em si, mas ao mesmo tempo, a raiva tinha ficado explícita ontem. No tom de voz, nas palavras ácidas, nas acusações...

Eu estava sinceramente disposto a me deixar levar pela correnteza, Neji, a me molhar na tempestade, mesmo sem o abrigo seguro que Temari nos proporcionou até agora...

Céus... Como Neji não tinha percebido antes? Que a atração, o interesse, o desejo, que tudo aquilo era recíproco?

Passou as mãos pelos cabelos, agitado, e terminou de tomar o café.

Ele faria um esforço imenso para não pensar, para se inundar em trabalho até que voltasse para casa e pudesse se deixar desabar com tudo aquilo que estava acontecendo com ele.

Mas antes que pudesse se levantar, viu Hinata chegar alegre na cafeteria e se sentar na frente dele.

- Você parece bem – ele comentou com um breve sorriso.

- Bom dia – ela deu um sorriso breve e pediu por um masala chai ao garçom que se aproximou ao vê-la ali – Vou concluir os detalhes da festa da empresa hoje e amanhã teremos a última reunião de aprovação.

- Isso é ótimo Hinata – Neji moveu os cabelos do ombro e apoiou os cotovelos na mesa – Como você está com a situação com Naruto?

Hinata arregalou os olhos e Neji tentou se lembrar que embora estivesse passando por um momento difícil ele não precisava descontar nela. Ao mesmo tempo, algo lhe dizia que ela precisaria falar sore aquilo em algum momento.

- Ah – ela suspirou, viu o garçom trazer seu chá e esperou que ele se afastasse – É difícil, mas nós terminamos, e eu preciso entender que ele tem todo direito de seguir com a vida dele... – Hinata sorriu entristecida – É mais difícil do que que imaginava.

Neji concordou com a cabeça e pensou em como ela deveria estar confusa com tantos sentimentos misturados no peito.

- Você é muito corajosa Hinata – ele murmurou, olhando as próprias mãos, pálidas, firmes, traçadas por veias azuladas ou esverdeadas, dedos longos e finos, fortes o suficiente a ponto de poderem machucar alguém – Você tinha tudo na palma da mão, mas quando percebeu que talvez não fosse aquilo que você queria, você teve a coragem de romper com tudo e se lançar. Eu me pergunto se algum dia serei capaz de fazer isso também.

Uma corrente eletrizante e ansiosa correu por seu corpo, uma sensação estranha de que, no fundo, ele poderia se quisesse. Se estivesse disposto a ir contra a corrente de tudo aquilo que sempre lhe ensinaram.

- Neji – a mão delicada dela cobriu as suas – Eu sei que não somos tão próximos quanto gostaríamos, mas somos fruto do mesmo campo minado, se eu tive essa valentia, você também tem.

Ela apertou os dedos dele com carinho e sorriu.

- Se você precisar de mim, eu vou estar sempre do seu lado, não importa quão difícil possa parecer, eu não estou disposta a abrir mão do que estamos tentando construir aqui. – ela disse com uma firmeza materna estranha e ele a encarou.

Seus olhos idênticos se conectaram e ele sentiu algo profundo no peito. Algo que parecia se chamar coragem.

- Eu preciso ir.

K

- Mais um dia na pacata Konoha... – Naruto se espreguiçou na cadeira e encarou Sasuke no outro lado do escritório.

- Vamos terminar de organizar a atividade para os adolescentes?

- Sim – Naruto se levantou devagar – Pensei em jogo de queimada para as meninas que não queiram jogar futebol.

- É uma boa ideia.

Eles passaram o resto da manhã conversando sobre quais atividades poderiam ser interessantes, qual seria a melhor maneira de arrecadar verba para as crianças que moravam no abrigo da cidade e como movimentar o maior número de moradores para participarem.

A conversa fluiu bem e eles acabaram indo almoçar ramen juntos. Como faziam há muitos anos, algo que caia numa rotina gostosa e amigável que ambos sentiam falta. E a amizade daqueles dias antigos pareceu escorrer por eles como uma sensação familiar que ambos apreciavam.

O celular de Naruto tocou, a foto de Ino apareceu na tela e ele sorriu, atendendo prontamente.

Ela perguntou sobre os planos para esta noite, se eles poderiam fazer algo juntos, mas Naruto ia ver o jogo de futebol na casa de Genma, como sempre e então deixaram os planos para o dia seguinte. Naruto comentou que estava com Sasuke e ela perguntou o que ele achava de fazerem alguma festinha ou janta em seu novo apartamento e chamar não só Sasuke, mas Sakura e Shikamaru também, como nos tempos da escola.

- Ssauke, o que você acha de jantar amanhã na casa da Ino? Ela tá pensando em chamar o Shikamaru e a Sakura também, como nos velhos tempos...

- Não sei – o moreno balançou a cabeça, sentindo um pesar no tempo – Não sei se é melhor dar um espaço para a Sakura...

- Ela parecia bem no fim de semana, acho que a resiliência dela é maior do que você imagina.

Sasuke riu amargo com o comentário. Na verdade, não era só Sakura que talvez precisasse de tempo e espaço, mas ele também.

Embora eles estivessem voltando a se tratar como antigamente, sentia que estava escrito em sua testa que gostava de Naruto, e estar num apartamento com os amigos, Naruto e Sakura sabendo a verdade, lhe fazia pensar que todos descobririam e que estaria explícito para o resto dos amigos.

Ele não se sentia nem um pouco pronto para aquilo.

Naruto trombou o ombro contra o do amigo.

- Vai ser divertido.

- Eu não sei.

- Qual é o problema?

- Sakura sabe, você sabe... Eu não sei lidar com isso.

- Com o fato de que você manteve um segredo de todo mundo, algo que te envergonhava, e agora pode ser que mais pessoas descubram?

- Como você se sente com isso, Naruto?

Sasuke encarou o loiro com um olhar intenso, firme. E pelo jeito Naruto sentiu a intensidade do olhar, pois seus olhos se desviaram e ele corou de leve.

- Eu... há! Não sei – Naruto coçou a nuca sem graça.

- O que você não sabe?

- É estranho, admito, mas você é meu melhor amigo, vamos superar isso.

- Superar o que? O fato de que eu gosto de você ou o fato de que você não me corresponde?

Naruto arregalou os olhos.

Sasuke jamais fora direto quanto ao segredo, mas jogando assim todas as cartas sobre a mesa, Naruto não fazia a mínima ideia de como lidar com aquilo. Agora entendia porque o amigo não se sentia pronto para estar em um lugar ao seu lado, Sakura sabendo exatamente o que deveria estar passando por sua cabeça.

Céus, o que estava passando pela cabeça de Sasuke?

Naruto corou mais e olhou para a mesa a sua frente, evitando o amigo, evitando a situação.

- Ok, agora eu entendo – murmurou.

- Eu não quis te deixar desconfortável, mas a verdade é essa e eu não sei se estou pronto para lidar com isso. Se ela não fosse, eu certamente iria.

Naruto concordou com a cabeça e subiu o olhar, tentativamente, vendo Sasuke passar as mãos pelo rosto. Ele se sentiu levemente acuado, um pouco constrangido e estranho. Ele nunca tinha sido desejado por outro cara, não assim conscientemente, e era estranho, mas não era ruim, era só... como se ele fosse uma menina do ensino médio vendo alguém importante ter um crush estranho por você.

- Isso é muito novo para mim também, Sasuke... Mas eu não quero te perder e eu não sinto como se pudesse retribuir... Eu nunca... Eu... É estranho.

Sasuke riu, nervoso, e o olhou de relance.

- Você está lidando com isso mil vezes melhor do que eu imaginava.

- Se você tivesse dito em outro momento, quando a gente era adolescente, talvez eu teria tenta-

- Não fale isso, eu já tenho que lidar com todo o arrependimento das coisas que eu nunca tive coragem de dizer e com todas as coisas erradas e sádicas que eu fiz, se eu tiver que lidar com o fato de que talvez você teria me dado uma chance durante aquela época, eu simplesmente vou explodir.

Sasuke escondeu o rosto com as mãos e começou a hiperventilar.

Naruto tocou seu cotovelo de leve.

- Ei, Sasuke, respira fundo.

Eu estou aqui. Era o que aquele gesto dizia para Sasuke.

Eu podia ter dado no pé, mas eu estou aqui.

Eu estou tentando.

- Desculpa – o moreno murmurou, arrumando os cabelos com a ponta dos dedos e respirando fundo – Vamos pagar.

- Espera – Naruto o olhou com pesar – Não tem pressa, Sasuke, isso tudo é difícil para nós e imagino que para a Sakura também, mas nesse exato momento, a minha vergonha e o desconforto dela são o de menos. Eu me preocupo por você, e eu não faço ideia de como foram os últimos anos para você, mas eu não quero mais que você tenha que se esconder atrás de uma máscara, entende? Eu quero ver você, quem você é. Eu quero ser forte o suficiente para estar do seu lado do jeito que eu posso.

Sasuke concordou, com um sorriso de lado e o olhar colado na mesa, quase tímido.

- Valeu.

- Ok, agora vamos parar de ser melodramáticos – Naruto riu-se e levantou para pagar a conta – Se você quiser jantar com a gente amanhã, o convite continua de pé.

Sasuke viu o amigo ir até o caixa e sorriu. Talvez eles pudessem aprender a lidar com aquilo.

I

Sakura tinha passado o dia inteiro correndo. De um leito para o outro, de uma consulta para outra, ela quase não teve tempo de almoçar direito e quando o turno acabou tudo o que ela mais queria era comer até explodir.

Hoje era noite de futebol, mas ela não ia aguentar até a hora combinada.

Arrumou as coisas no armário e pendurou o jaleco antes de checar seu celular. Neji ainda não tinha respondido suas mensagens novas. Ela tinha a sensação de que ele provavelmente ia manter a distância e fingir que nada daquilo tinha acontecido...

Ela não deveria se importar tanto, pois Neji era grande o suficiente para lidar com o que quer que fosse que estava rolando com Shikamaru, mas de algum modo ela queria pelo menos estar ali para ele caso o homem precisasse.

Ino bateu na porta e entrou antes que Sakura pudesse falar nada.

- Ei, Testuda, que você vai fazer hoje? Quer sair para jantar?

Ino estava resplandecente. Os cabelos loiros e lisos presos num rabo alto, o vestido cinza chumbo abraçando seu corpo maravilhosamente e uma bolsa branca pendurada no ombro.

- Nós temos que colocar o papo em dia, Porca! – Sakura falou, sentindo-se sorrir alegremente – Como foi com Naruto? Aquilo foi baixaria, parecia filme pornô na pista de dança.

Ino riu, elas entrelaçaram os braços e saíram pelo corredor do hospital, andando para o estacionamento.

- Foi incrível, Sakura, quem diria que o Naruto ia ser desses homens maravilhosamente encantadores na cama – ela confidenciou baixinho, rindo – Mas, sério, além dessa parte, foi super tranquilo, somos amigos, nada mais.

- Amigos com benefícios?

- Acho que sim...

Sakura riu.

- Daqui há pouco eu preciso ir ver futebol na casa do Genma, mas podemos comer antes, o que acha?

- Fechado! – Ino sorriu.

Ela parecia muito contente e Sakura se perguntou se em algum momento ela também se sentiria assim.

Elas se sentaram numa mesa no fundo de um restaurante italiano, fizeram os pedidos, e bebericaram suas taças de vinho esperando a comida.

- Ino, eu queria perguntar uma coisa sobre Shikamaru...

- Hum? Ah vocês estão juntos essa semana né?

Sakura fez uma careta, eles seriam péssimos essa semana, mas...

- Ele e Temari tinham um relacionamento aberto antes?

- Que eu saiba não, por que?

- Não sei, acho que eles tão lidando com tudo isso muito naturalmente...

Ino suspirou.

- Eu nunca entendi bem esses dois, para falar a verdade – a loira refletiu um pouco – Eu achei que ele lidou muito bem com o lance da Temari ter ficado com o Neji antes mesmo da semana deles, e isso me fez pensar um pouco, sabe, eles combinam, de certo modo, e eu nunca fui muito com a cara da Temari, mas algo nunca fez muito sentido, esse relacionamento a distância por tanto tempo. E ele quase não fala dela quando ela não está em Konoha.

- É estranho.

- Sei lá, eu entendo a cumplicidade deles, o carinho, mas me pergunto se ele nunca quis algo mais.

- Uhum...

- Eu lembro que ele disse que ela ia decidir depois do jogo se viria para Konoha de vez ou se eles terminariam, pois já estava de saco cheio. Mas, ainda assim, eu não sei.

Sakura estava se coçando por falar para Ino o que ela tinha visto, mas sabia que Neji não ficaria nada contente se ela andasse por aí expondo seu segredo...

Quando os pratos chegaram, elas conversaram sobre o fim de semana, Ino contou algumas coisas sobre Naruto e Sakura contou que acordou na casa de Kakashi sem saber como tinha ido parar lá.

- E vocês não fizeram nada, mesmo?

- Mesmo!

Ino riu.

- Mas, você faria?

- Como assim, Testuda?

- Oras, ele é sexy, para um professor...

Elas riram.

- Não sei... Talvez... Mas acho que ele não me vê assim, Ino, acho que ele nunca me veria como mulher, ele já tem dificuldade de me ver como amiga, imagine!

- Mas ele está tentando!

- Eu sei!

- Bem, se eu fosse você... – Ino sorriu maliciosa.

Ino sempre tivera uma queda por homens mais velhos, mesmo antes de Genma, ela tinha tido aquele crush universal pelo professor do colegial, antes que ele falecesse, Asuma.

- Ai, Ino...

- Qual é a do jogo de futebol, quem vai?

- Ah, é apenas uma rotina. Genma, Kakashi, Naruto e eu. Acho que é simplesmente um hábito que eu gosto de ter, é divertido.

- Bem, você pode investir no Kakashi hoje.

- Eu não vou investir no Kakashi, Ino! – repreendeu, sentindo-se estranhamente ansiosa.

- Como você quiser...

- Eu preciso ir.

- Ah, vou fazer um jantar lá em casa amanhã, podemos pedir pizza, os meninos também vão.

- Legal, pode contar comigo! – respondeu sorridente, sentindo aquela sensação gostosa de estar com os amigos já a envolver – Até amanhã!

- Bom jogo!

Sakura andou os quarteirões até o apartamento. Pensando no que Ino tinha dito sobre Kakashi, mas tentou afastar aquilo da mente, era estúpido, infantil e ela não acreditava nem por um segundo que Kakashi estaria interessado nela tentando investir nele...

Quando chegou ao hall de seu apartamento, Shikamaru estava abrindo a porta com uma sacola do mercado pendurada no pulso e o capacete da moto na mão.

- Ei... – ela murmurou, chamando a atenção do moreno.

- Oi Sakura.

- Er, você vai amanhã no jantar da Ino?

- Ah sim, vou.

- Ótimo, então a gente pode fingir que essa é uma atividade da nossa semana juntos – ela sorriu sacana, sabendo que ele se sentia exatamente do mesmo modo sobre terem essa semana juntos: uma babaquice.

- Certo – ele riu e abriu a porta – Eu vou tomar uma cerveja, você quer entrar?

Sakura sabia que o jogo começaria em 5 minutos, mas talvez ela pudesse falar com Shikamaru sobre Neji e tentar entender um pouco o que estava acontecendo.

- Claro, por que não?

Eles entraram em silêncio. Pelo jeito a diarista tinha ido ao apartamento, pois estava extremamente limpo e arrumado, e um cheiro suave de produto de limpeza se misturava com o aroma seco de cigarro.

Shikamaru foi para a cozinha guardar as compras e Sakura se sentou no sofá, sem rodeios. Não sabia bem como iniciar a conversa, mas sentia que deveria falar algo. Ele voltou para a sala com duas longnecks.

- Obrigada – agradeceu, vendo-o sentar na poltrona perto do sofá e acender um cigarro – Shikamaru, eu não quero me intrometer, mas... Você sabe que eu sei, certo?

Ele suspirou, fechando os olhos, a fumaça do cigarro rodopiou sobre ele, então concordou com a cabeça, sem abrir os olhos e ela sentiu que podia continuar.

- Para ser sincera, eu não sei o que está acontecendo, mas Neji não voltou lá em casa ontem para conversar, e ele disse hoje de manhã que isso era um péssimo sinal, mas depois ignorou todas as minhas mensagens. Eu não sei se eu devo me preocupar, mas... Tá tudo bem?

- Como vai estar tudo bem, Sakura?

Os olhos negros e duros se abriram, e o homem a encarou com cara de poucos amigos.

- Eu não sei o que você sabe, mas a Temari está ok com tudo isso – ele explicou, como se precisasse deixar claro que não era uma traição escondida ou qualquer coisa do tipo – Mas, as pessoas são difíceis, Neji é difícil.

- Eu sei...

- Acho que eu queria mais do que ele estava disposto, ou ele achou que eu queria fazer um experimento, ou que eu não estava preocupado com como ele estava se sentindo. Mas não era assim.

- Como era então? – ela perguntou franca.

Ela gostava daquilo em Shikamaru. Ele não dava rodeios, ele falava honesta e francamente quando queria e isso fazia sua personalidade ser um pouco assustadora para algumas pessoas. Sakura detestava quando ele falava abertamente sobre o que pensava dela e Sasuke, sobre o que ele achava do comportamento que ela tivera através dos anos correndo atrás do Uchiha, ou o fato dele deixar muito explícito o quanto ele detestava tudo o que Sasuke lhe tinha feito.

- Digamos que Neji não queria se deixar envolver pois eu estou em um relacionamento e, aparentemente, ele se interessa mais por mim do que por Temari. O que é surpreendente.

Sakura conseguia perceber o sarcasmo na voz dele ao mesmo tempo em que havia certa surpresa real naquilo.

- Eu quis me envolver eu... me deixei, e ele não.

- Ele se assustou... – ela murmurou e ele concordou, tomando um longo gole de cerveja. – O que você vai fazer agora?

- Não faço ideia, eu falei tudo para ele ontem, eu fiquei bravo, eu mandei ele embora, eu parecia um adolescente – riu-se – Não sei porque eu tô te falando tudo isso.

- Talvez você precise desabafar.

- Talvez.

Ele deu de ombros e ficou encarando a porta.

- Por que você não liga para ele?

- Depois de tê-lo mandado embora?

- O que você falou exatamente, Shikamaru?

Ele bufou, estressado, o cheiro do cigarro ficando mais forte na sala e o desconforto dele ficando cada vez mais obvio.

- Eu disse que também tinha medo, mas que por ele valia a pena, que era uma pena ele não pensar o mesmo, então disse que ele podia ir embora.

- Você se confessou? – ela perguntou perplexa.

- Quê?

- Shikamaru, você disse que valia a pena por ele, você praticamente disse que gosta dele!

- Eu- Merda, é eu disse isso – o cigarro foi largado no cinzeiro, a cerveja sobre a mesa e ele passou as mãos pelo rosto, exasperado – Eu acho que eu o assustei.

- Eu acho que ele deve estar um pouco confuso com tudo isso...

- Como eu me deixei levar desse jeito?

- Talvez você tenha se apaixonado? Você acha que é isso?

Shikamaru a encarou com os olhos arregalados.

- Apaixonado?

- Sei lá, me diga você...

- Eu... não sei...

Ele riu, nervoso, e ela riu junto.

- E Temari?

- Eu não faço ideia de como as coisas vão se ficar agora. Meu deus, eu praticamente me declarei, falei que ele não era corajoso o suficiente e o mandei embora.

Sakura riu, bebendo sua cerveja e se sentindo extremamente animada com tudo aquilo.

- Às vezes acontece... – ela tentou melhorar o ambiente.

- Não sei o que fazer...

- Isso é algo novo – ela riu – você não saber o que fazer... talvez mandar uma mensagem para acalmar os ânimos?

Ele continuou encarando o nada por algum tempo.

- Pedir desculpas por tê-lo assustado? Por tê-lo mandado embora? – ela bebeu a cerveja devagar, pensando – Você realmente queria que ele fosse embora?

Shikamaru a encarou, pensativo.

- Na hora, talvez fosse a melhor opção. Mas, agora, talvez... Eu acho que em partes eu queria que ele tivesse me xingado, sabe, lutado, se defendido...

Sakura sorriu sacana.

- Você queria que ele tivesse te jogado contra a parede e te chamado de lagartixa, nós sabemos bem disso! – ela zoou.

Shikamaru riu abertamente, pegando a cerveja de volta, o cigarro tinha se consumido sozinho no cinzeiro e ele balançou a cabeça devagar.

- É, acho que essa era uma das opções... – murmurou, olhando-a e sorrindo.

- Fale com ele, Shikamaru. Se vocês estiverem sentindo a mesma coisa, só que demonstrando de modos diferentes, ainda dá tempo de concertar tudo.

- Eu não sei bem o que fazer...

- Quanto a quê?

- Temari.

Sakura ficou em silêncio, ela não fazia a mínima ideia de como ajuda-lo naquilo.

- Você a ama? – perguntou incerta.

- Sim, mas... As coisas mudaram muito. É obvio que eu amo ela, e tudo o que vivemos juntos sempre foi incrível, às vezes cansativo, nos últimos meses nós brigamos tanto por causa da distância, eu pensei tantas vezes em desistir... Mas agora, eu não sei bem o que quero.

- Você deixaria ela por Neji? – perguntou resoluta.

Era uma pergunta forte, uma pergunta perigosa, mas em algum momento ele teria que pensar naquilo. Sakura sabia que não era ela quem deveria estar perguntando aquelas coisas para ele, mas talvez... Talvez fosse importante começar a pensar naquilo antes de dar o próximo passo.

- Eu não sei.

- Acho que você merece um tempo para pensar... Mas mande a mensagem, vai que isso pelo menos diminui a tensão.

Ele concordou com a cabeça.

- Eu preciso ir, vou ver futebol com os meninos. Você quer vir?

- Não – ele matou a cerveja e recostou na poltrona.

- Vou indo então.

- Ok.

Sakura se levantou, e andou até a porta.

- Nos vemos amanhã.

- Sakura, - ele chamou baixo e ela o encarou – Obrigado.

A mulher sorriu, radiante. Era bom ver Shikamaru lhe dando aquilo, aquele obrigado significava muitas coisas, inclusive toda a distância que eles mantiveram entre eles desde os dezoito anos de idade.

- Qualquer coisa, eu moro na porta da frente, não hesite em tocar a campainha – ela piscou e ele sorriu.

- Até amanhã.

S

Sakura passou o resto da noite bebendo cerveja e vendo futebol com seus amigos. E foi simplesmente isso: uma noite com amigos, jogando conversa fora, xingando jogadores e o juiz.

Ela não tentou investir em Kakashi, e nem desperdiçou tempo pensando no que Ino tinha dito. Mas, enquanto lavava a louça ao lado de Naruto antes de irem embora, sua mente se dedicou a ressaltar todos os momentos em que algo mais poderia ter sido percebido:

Um roçar de pernas, um esbarrar dos dedos passando uma latinha de cerveja gelada, um sorriso largo e delicioso que a fez sorrir de volta com gosto, um olhar mais demorado enquanto ela explicava alguma coisa besta que nem se lembrava, um umedecer de lábios que talvez ela não tinha reparado bem...

Kakashi estava enrolando no corredor antes de ir embora. Genma e Naruto já estavam em seus apartamentos, atrás de portas fechadas, deixando-os falando sem parar sozinhos no corredor.

- Você quer tomar um chá antes de ir embora? – ela propôs e ele mudou o peso de uma perna para a outra, incerto – É bom pra terminar de tirar o álcool das suas veias.

- Eu só tomei algumas latinhas...

- Você quer ou não? – ela pressionou, destrancando a porta e esperando ele sob o batente.

Kakashi se aproximou e escorou na parede ao lado da porta, deixando seus corpos muito próximos.

- Hoje não – ele disse baixo, cruzando os braços, sua expressão se transformando em uma máscara séria de repente.

- Tá tudo bem? – ela questionou também baixo e ele sorriu de lado e concordou com a cabeça.

- Talvez da próxima vez – ele propôs, como se quisesse que ela o chamasse para entrar mais vezes, tentasse mais...

- Certo...

Houve um silêncio agradável, em que ela observou os braços fortes dele cruzados contra o peito levemente musculoso e o homem encarou seu rosto sem que ela notasse por um tempo, até que seus olhos se esbarraram.

Havia algo de diferente naquele olhar. Uma profundidade estranha, uma cumplicidade nova e clandestina.

- Eu-

- Sakura-

Eles começaram a falar ao mesmo tempo e pararam juntos, sorrindo da situação.

- Entra – ela insistiu, mas Kakashi passou as mãos pelo rosto, agitado – O que houve, Kakashi?

Ela não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo.

Nunca passaria pela mente dela que na cabeça de Kakashi a imagem dela se trocando em sua frente duas noites atrás estava se repetindo em looping e que a proximidade de seus corpos estava gerando uma sensação deliciosa e sufocante.

Ele não sabia mais o que estava realmente acontecendo. Se era apenas seu corpo ou se haviam sentimentos misturados.

- Nada – Kakashi engoliu seco – Boa noite.

Ele se aproximou rápido e plantou um beijo em sua bochecha. O cheiro dele a envolveu e Sakura fechou os olhos, saboreando a sensação estranha e familiar que a envolvia.

Delicioso.

O cheiro dele era delicioso e seus lábios demoraram em se afastar, mas quando o fizeram, ele se demorou ainda mais em dar um passo atrás e suas respirações se misturaram. Sakura abriu os olhos de leve, partindo os lábios sem saber o que dizer.

Será que se ela tentasse...

Kakashi parecia confuso, seus olhos buscaram os dela e havia algo ali, algo novo e estranho e intrigante nas írises escuras...

Ela não se moveu, mas ele pareceu se dar por si do que estava acontecendo e sorriu sem graça, passando a mão pelo cabelo e dando alguns passos para trás.

- A gente se vê – murmurou, andando para o elevador.

Sakura quis ir atrás dele, puxá-lo, tentar algo, mas a realidade era muito opressora e ela não podia, nem queria, colocar a amizade deles em cheque. Não fazia ideia se eles saberiam lidar com aquilo depois, ou se ele a recusasse como seria olhá-lo outra vez...

Ela ficou ali parada sob o batente, até que ele sumisse atrás das portas metálicas do elevador e se perguntou o que diabos estava acontecendo com ela ou o que diabos estava acontecendo com ele ou o que diabos poderia ter acontecido no sábado à noite.

Mas nada veio à mente. Talvez ele tivesse começado a vê-la como amiga, e isso o fazia perceber que ela era uma mulher crescida.

O silêncio gostoso a envolveu e ela entrou em casa, fechando a porta.

Com a pouca iluminação dos abajures de canto da sala, ela fez um chá, depois observou os livros de medicina na prateleira, pensando se ela estava inventando coisas em sua cabeça.

E, antes de dormir, murmurou o nome dele baixinho como se fosse uma bênção ou uma oração, sem saber o que significara aquela situação, mas uma esperança estranha misturada com excitação a carregou até dormir.

S


N/A: demorou mais chegou! Muita gente linda me perguntando se eu tinha abandonado a fic: não abandonei, mas tô dando um tempo. Tô dedicando meu tempo livre para escrita para tentar escrever um livro. Vocês podem ficar atualizadas lá na minha page do face sobre isso e sobre quando saem novos caps: Tainara Bécquer.

Queria ser chata e pedir reviews hoje :3 a vida ta hard demais do lado de cá! Então, vocês estão gostando? Como está sendo a leitura para vocês? Beijocas, Tai!