N/A: Promessa é dívida e eu vim aqui cumprir. Se divirtam com moderação nesta quarentena. Ah, gente, que gostoso que é escrever, eu jà tinha até me esquecido :3
Love Shuffle
Capítulo 24 - Third Round
NejiHina / GenTema / NaruIno / ShikaSaku
T
Shikamaru encarou a chaleira. A água esquentando fazia um barulho ensurdecedor no silêncio do apartamento. Ele tinha se esquecido de quão quieto era estar completamente sozinho.
Dormir parecia ser uma guerra perdida esta noite.
Apesar de ter tentado tomar um banho demorado, mudar de posição na cama vinte vezes, escutar mantras na rádio zen de Konoha, bater uma punheta para relaxar... nada funcionava.
Sua cabeça continuava girando como um carrossel, repassando a conversa com Sakura sobre dar espaço a Neji e perceber que ele tinha provavelmente surpreendido o outro com suas palavras.
Ele tinha tentado revisitar sua discussão com Neji e lembrar de cada detalhe, cada ponto e vírgula, cada interjeição... Pelo jeito ele tinha encurralado o Hyuuga sem lhe dar muita opção de resposta no momento. Dizendo que para ele correr riscos por tentar algo com Neji valia a pena, mas que pelo jeito não era correspondido.
Mas no momento ele tinha se sentido tão nervoso, tão rejeitado pelo modo como Neji o evitara, pelo fato do outro não ter se aberto ou pelo menos dito algo...
Rejeitado.
Aquilo soava a adolescência 2.0 e ele sentiu um misto de vergonha e choque ao mesmo tempo. Em que momento ele tinha perdido o fio da meada entre uma pegação gostosa entre os três e esse sentimento que ia se aflorando toda vez que via ou pensava em Neji?
Eles nem se conheciam tão bem assim...
Mas Shikamaru não era dessas pessoas que bebia das águas turvas da negação. Ele sabia que queria conhecer melhor aquele homem, queria descobrir suas nuances, desbravar seus mistérios. Sabia muito bem que havia muito de química e muito de psicologia naquele desejo.
Afinal, sempre gostara dos jogos da mente, das compreensões que iluminavam as sombras previamente incompreendidas. Tinha sido a mesma coisa com Temari...
Talvez você tenha se apaixonado?
A voz de Sakura rodopiou em sua cabeça e a chaleira apitou. Ele desligou o fogão e preparou um chá de camomila, na vã tentativa de aquietar as vozes em sua cabeça, as maquinações que não paravam e continuavam desesperadamente altas.
Ele precisava descansar.
Estava apaixonado?
Não.
Shikamaru não achava que essa era a resposta. Havia algo mais, havia aquela pulga atrás da orelha. Aquele frio na barriga misturado com uma intuição forte que gritava que ele precisava tentar...
Precisava entender e descobrir o segredo, o mistério, a jogada perfeita.
Sentou-se no pequeno sofá da varanda e observou o céu. A temperatura estava começando a cair e o frio da noite o abraçou de tal jeito que aos poucos parecia entorpecer sua mente, misturado com uma espécie de exaustão mental.
Sua cabeça estava tão focada em Neji que ele quase não pensara em Temari durante todo o dia. Tinham se falado mais cedo sobre a situação em Suna e os riscos que aparentemente existiam ao redor da tentativa de reeleição de Gaara. A voz dela estava um pouco cansada e ele não achou conivente contar o que estava acontecendo – ou, no caso, deixando de acontecer – entre ele e Neji.
Shikamaru respirou profundamente. Havia muita coisa que pensar e muito pouco o que fazer por enquanto. Lhe restava esperar.
Antes de voltar para a cama e tentar adormecer pela milésima vez, ele decidiu tomar a única decisão que estava em suas mãos no momento: entrar em contato com Neji e colocar a próxima jogada nas mãos do outro, fazê-lo saber que Shikamaru estava pensando nele, na situação e que estava esperando.
Esperando pelo que?
Havia mil possibilidades e jogadas que Neji poderia escolher. E Shikamaru sabia que sua ansiedade pululava em torno da incontrolabilidade das ações do outro. Ele só podia torcer por um bom resultado.
Shikamaru 04:13
Podemos conversar?
Enviou a mensagem sem se permitir pensar duas vezes e desistir.
Ele não sabia bem o que esperava.
Mas esperava...
H
Neji encarou a mensagem por algum tempo. O interior de seu corpo se aquecendo e esfriando com ondas de ansiedade que ele não sabia nem podia controlar.
04:13 assinalava o horário da mensagem e ele quase podia fechar os olhos e ver Shikamaru largado no sofá, fumando um cigarro na penumbra do apartamento, encarando o celular sem conseguir dormir.
A imagem fez borboletas se agitarem na boca do estômago como um adolescente idiota. A sensação massacrante e assustadora de saber que o outro homem não conseguia dormir pensando nele.
Neles.
Para Neji a noite também tinha sido agitada.
Havia muito a perder por se deixar guiar por seus desejos mais profundos, por suas curiosidades mais honestas. Pela ideia ridícula e infantil de imaginar como seria ter Shikamaru para si.
Ele sabia muito bem que Temari o atraia, mas aquela atração era puramente física e passageira, embora a mulher fosse muito inteligente, sua personalidade interessante e cheia de uma força poderosa, quase masculina em toda sua feminilidade. Ela era uma estranha mistura de água e óleo que o fazia desejar tocar.
Mas Temari nunca seria o suficiente.
Assim como ter Shikamaru pelas metades nunca seria o suficiente.
Neji largou o celular sobre a mesa. Precisava pensar. Precisava decidir o que fazer e como fazer.
Se é que podia fazer algo.
Precisava entender o que estava em jogo e analisar com calma, com frieza.
As palavras de Shikamaru o tinham chocado de tal maneira que lhe parecia incompreensível agora pensar como não reagira... Como não dissera que também sentia o mesmo, o mesmo desejo e tremor. Mas também sabia que o assustava a ideia de tê-lo, a ideia de Shikamaru terminar com Temari e tentar algo consigo...
Principalmente sabendo que um relacionamento homossexual geraria inúmeros problemas em sua família, e isso significava problemas na empresa.
Era pedir demais de si.
Ele não queria admitir, mas a perspectiva era assustadora. Era mais fácil lidar com um distanciamento silencioso.
Mas Neji sabia que Shikamaru merecia pelo menos uma resposta.
Não apenas por educação, era uma questão de afeto.
Neji batucou os dedos no tampo da mesa, incerto. Rodou o celular sobre a cerâmica. Pensando. Agitado.
Deu a volta no celular, desbloqueou a tela, abriu as mensagens e encarou novamente.
Podemos conversar?
A pergunta o olhou de volta e ele visualizou os olhos negros e profundos do Nara. E todas as sensações tumultuosas que residiam ali, que lhe tiravam o ar, o sono, a calma...
Digitou rapidamente antes de perder a coragem, enviou e desligou o celular.
Precisava tomar um banho e ir tomar café da manhã com Hinata como combinado. Essa era a semana deles, afinal de contas. E passar um tempo com sua prima, se descobrir espelhado nela e vice-versa, estava lhe fazendo mais bem do que mal.
Hinata estava lhe gerando um sem fim de autorreflexões, afinal parecia um espelho para muitos de seus conflitos, e estar ao lado dela lhe resultava numa chance de ver as coisas de uma nova maneira. Ver a coragem dela em começar a dar passos que outrora lhe pareciam impossíveis, era como ver um botão de flor desabrochar na primavera.
Talvez ele poderia aprender disso. E arranjar forças, pelo menos para decidir o que ele queria realmente fazer com sua própria vida. Além das expectativas familiares, dos medos, das pressões sociais.
Esmiuçar com calma as profundezas de sua carne, por debaixo de qualquer uma de suas múltiplas armaduras.
Neji 06:47
Preciso pensar.
I
Ela estacionou o Jeep no areal e desligou o carro, puxando o freio de mão e abrindo a porta. O vento morno do meio dia soprou contra sua pele ao sair, seus cabelos armados e encaracolados voando para todos os lados e ela se deixou sorrir encarando o sol.
Suas sandálias afundaram na areia e ela caminhou devagar até o topo da duna. O cheiro seco do deserto sempre lhe acalmava profundamente. Era como se cada grãozinho de areia se misturasse com cada fibra de seu corpo. Como se ao afundar os pés em sua terra natal ela se enraizasse em sua mais pura substância.
Estar em casa era um abraço quente, mas seco.
Suna sempre seria lar e acolhimento, mesmo em seus rincões mais áridos, onde a areia se misturava com o cimento da cidade, com os rebuliços do ar criando redemoinhos entre pedra e sal.
Temari observou a cidade.
De lá de longe tudo parecia quieto.
Mas quietude não combinava com ela, nem com Suna.
Era uma quietude estranha, incômoda.
Assim como os grãos arranhando a pele em dias de tempestade de areia. Seca, infértil, irritante...
No horizonte, os tons pastéis das dunas se misturavam ao cinzento dos prédios num cenário inócuo.
Mas inócuo lhe era conhecido. Era simples. Ela sabia transitar aqueles terrenos pouco férteis, com sua fortaleza firme.
Desde pequena tão dura, tão sóbria.
Ela afastou os cachos cor de areia de seu rosto e apertou os olhos contra a luminosidade intransigente do sol. Seu coração apertado, mas calmo.
Mesmo com tantas coisas acontecendo, estar ali, mesmo que só, era como estar a salvo.
Mesmo com as ameaças que Gaara estava recebendo dos adversários políticos, mesmo com a confusão estranha que os últimos dias com Neji e Shikamaru lhe ofertaram, mesmo com as exigências do namorado lhe pedindo para ficar em Konoha ou então terminar...
Tudo aquilo não importava agora.
Pois ela estava em casa.
E estar em casa lhe permitia pensar com uma clareza fria, calculista; lhe facilitava na difícil tarefa de se escutar.
Na quietude incômoda das dunas havia espaço mental para decisões, para observar seus pensamentos, suas emoções, e as estratégias necessárias para a carreira política e o bem-estar de seu irmão.
Seu celular começou a tocar e ela tirou o aparelho do bolso traseiro da sua calça jeans, atendendo despreocupada.
- Alo.
- Você chegou bem, imagino?
- Sim – murmurou, um sorriso breve perpassando seus lábios com a lembrança infantil do que estavam jogando – Na verdade eu estou num lugar que quero lhe mostrar, acho que você vai gostar.
- Eu chego amanhã – ele respondeu do outro lado.
A voz dele era sonora, daquele jeito fácil que tinha, com a lábia que ele vestia como segunda pele com tantos anos de uso...
- Eu vou adorar conhecer sua vida - ele falou suave.
As palavras dele a chocaram. Ela não sabia muito bem porque, mas a frase ecoou dentro si como um baque surdo.
Eu vou adorar conhecer sua vida.
Temari piscou, sentindo-se estranhamente atordoada.
- Você vai gostar da vista – ela desconversou, confusa com os sentimentos que lhe possuíam de repente, como se tivesse sido pega de surpresa – Te busco no aeroporto?
- Não, não precisa. Eu decidi que seria legal por o pé na estrada. Faz tempo que não faço isso – ele riu fácil do outro lado, e soou tão honesto – são só seis horas. Depois me manda o endereço e eu aviso quando estiver saindo de Konoha.
Ela saboreou a sensação de saber que ele passaria seis horas na estrada para ir conhecer sua vida, para passar tempo com ela...
Saber que ele queria fazer o esforço.
Esforço.
- Você está aí? – ele perguntou.
- Sim, desculpe – Temari disse rápido – Vou mandar o endereço.
- Perfeito! Até amanhã, Temari.
- Até amanhã, Genma.
A ligação cortou com um bip mudo e Temari encarou o sol imenso no alto do céu, sentindo os olhos arderem e o calor firme lhe abraçando daquele jeito tão conhecido.
Os habitantes de Suna estavam acostumados ao calor seco, à atmosfera árida do deserto. Filhos de uma terra quente e áspera, desejosos da umidade fértil, do aroma adocicado da chuva fecundando o solo.
Quanto esforço...
O pensamento voltou rápido e atordoante como um raio.
Ela fechou os olhos com força, lacrimejando, sentindo o som da luz queimando em suas retinas, como se a luz soasse no fundo dos tímpanos numa sensação conhecida de cegueira pós excesso de luminosidade.
Quase sinestesia.
A sinestesia de estar em casa, com os pés plantados na areia.
R
Taylor Swift tocava na playlist e Ino se remexia ao ritmo da música, enquanto ajeitava um prato de petiscos. Sakura estava em algum lugar do apartamento, provavelmente se arrumando.
Elas tinham vindo do hospital direto para o apartamento de Sakura para começar a preparar o jantar. Shikamaru e Naruto chegariam em pouco tempo. Isso lhes tinha deixado um pouco de tempo livre para conversar sobre os últimos acontecimentos.
Como o fato dela ter transado com Naruto no fim de semana.
Um calafrio deslizou por seu corpo.
Céus, quem diria que Naruto seria assim na cama. Ela sorriu sacana, abrindo um pote de pickles. Eles tinham se divertido e as coisas estavam calmas, parecia fácil manter a dinâmica de amizade com aquele novo componente. Aquilo lhe trazia certo alívio, pois honestamente ela não estava pronta para mais drama, muito menos para perder o amigo por causa de uma foda.
Mais de uma...
Ela sorriu de novo, ouvindo a campainha tocar e Sakura abrir a porta animada, recepcionando os meninos.
Naruto lhe deu um beijo estalado na bochecha, deixando a mão repousar na sua cintura por um segundo longo demais antes de se afastar e ir ajudar Sakura pôr a mesa.
Quando Ino se virou, viu Shikamaru a observando curioso, provavelmente tendo visto a pequena interação entre ela e Naruto.
O amigo sorriu confidente e fechou a porta da cozinha atrás de si.
- Que foi? - ela perguntou desconcertada.
- Você está diferente… mais alegre - ele comentou com um sorriso sincero, mas havia certa sacanagem no seu olhar.
Ino sentiu o rosto corar.
- Como você está com essa situação com o Naruto? – ele perguntou direto.
Ino deu de ombros, pegando uma garrafa de vinho da geladeira para afastar um pouco do nervosismo de pensar muito mais sobre aquilo.
- Bem, eu suponho.
- Você parece bem – ele concordou, se apoiando contra a porta da cozinha.
- Não posso falar o mesmo de você... – ela retrucou, notando as olheiras e o ar cansado do amigo – Temari está bem?
E, pela primeira vez, ela sentiu uma espécie de preocupação deslizar por seu corpo. Ela não fazia ideia sobre a política de Suna, mas entre isso e o fato de que Shikamaru parecia definitivamente preocupado lhe gerou uma sensação de mal-estar.
- Ela está bem... Com as coisas dela da campanha e tendo que manejar alguns problemas, mas bem.
- Então você está com essa cara de acabado porque desacostumou de dormir sozinho? – zombou ligeiramente.
Às vezes, com Shikamaru, era difícil descobrir o que estava acontecendo. Entre o fato dele ser fechado e nem sempre compartilhar com ela muito de sua vida e a realidade de que sua mente era um labirinto sem fim que Ino nunca conseguia entender bem...
Ela se sentia perdida diante de tanto misterio.
- Você se lembra do que conversamos na semana passada?
Ino o encarou um pouco em branco, eles tinham falado sobre várias coisas na última semana...
- Eu acho que sei por que eu queria saber tudo que estava acontecendo entre Neji e Temari.
- Oh!
Ela deixou a garrafa de vinho sobre a bancada da pia e se virou completamente para ele. Surpresa pelo fato dele estar oferecendo informação antes dela ter que implorar para Shikamaru se abrir.
- Eu não sei se eu gosto da resposta – ele confessou, os braços cruzados e o olhar no chão, sem querer encará-la.
- E qual seria essa resposta? – ela perguntou num fio de voz, com receio dele desistir de lhe contar. Como se ela estivesse lidando com um animal selvagem que pudesse fugir a qualquer passo em falso.
Os olhos escuros de Shikamaru se encontraram com os dela com certo ar de desafio.
- Me excitava.
- Ah... – Ino sentiu o rosto esquentar.
Ela não costumava pensar em Shikamaru sexualmente, na verdade era uma imagem um pouco incômoda. Embora fosse estranho, isso explicava o fato dele querer saber sobre o que rolava entre a namorada e o Hyuuga. O fato de imaginá-los juntos o excitar fazia algum sentido, certo?
- E por que você não gosta dessa resposta? – ela perguntou curiosa.
- Por que eu acho que essa resposta me leva a um caminho bastante nebuloso...
Ino sorriu, vendo a honestidade no olhar cansado dele. No modo como seus ombros caiam de leve, mas não numa posição entediada e sim numa exaustão profunda. Ela teve vontade de abraçá-lo.
- Você sempre gostou de desafios, Shika. A vida normal é muito entediante para sua mente brilhante... Você sempre reclama de situações problemáticas, mas sem estímulos extra, sua vida seria tão absurdamente insatisfeita que você ia preferir morrer.
Ele riu baixo, concordando com a cabeça e deixando-se desinflar como se perdesse certa energia, certa resistência que existia ali. Se Ino o conhecia bem, ela sabia que ele estava pensando sobre tudo aquilo há tempos, e que a quantidade inesgotável de atenção que ele dava para as coisas, algumas vezes beirava a obsessão. Ele sempre queria entender e responder todas as perguntas que sua mente lhe faziam.
- Independente do caminho que essa resposta lhe leve, vai ficar tudo bem. Mesmo se for problemático, Shikamaru - Ino falou num tom afavel.
Ele desencostou da porta e andou até ela com um olhar carinhoso.
- Arigato, Ino-chii – ele disse com uma voz suave que lhe gerou muito mais preocupação do que calma e Ino o encarou de perto.
Provavelmente, seja lá o caminho que essa situação o estava levando, parecia ser muito mais sério do que ela imaginava. Num impulso, Ino o puxou para si e o envolveu num abraço apertado. Ele não gostava muito daquilo, mas havia uma vulnerabilidade estranha em Shikamaru esta noite, e ela não estava acostumada a vê-lo assim.
Curiosamente, ele devolveu o abraço com muito mais força do que ela esperava.
R
Naruto tinha comentado com eles sobre ter convidado Sasuke, mas ele ter dito que não podia vir. O que os levou a uma longa conversa na qual Sakura explicou que eles tinham conversado e colocado tudo em pratos limpos e que ela estava mais do que preparada para virar a página e desbravar as aventuras que a vida lhe trouxesse.
Ino acabou perguntando sobre Kakashi-sensei na frente dos meninos, o que fez Sakura corar profundamente.
- Pig! – exclamou injuriada.
- O que? Ele é super sexy, te respeita e te trata bem, ele parece ser um homem decente, sei lá?
- Cruzes! – Naruto fingiu estar vomitando a comida de volta no prato e Sakura lhe deu um tapa na nuca que o fez rir.
- E por que não? – Shikamaru perguntou curioso.
- Você também? – Naruto se indignou.
Sakura passou as mãos sobre o rosto, sem saber nem por onde começar.
Kakashi era definitivamente um cara legal. E ele era muito atraente. Ela sabia que ele tinha seus próprios problemas de relacionamento, que Genma tinha dito que Kakashi era tão cafajeste quanto ele mesmo. Mas a verdade era que, ela não tinha certeza se estava disposta a colocar a relação deles em cheque.
- Eu gosto muito do Kakashi – ela disse, antes de dar um gole no vinho e continuar – Admito que sinto atração, mas ao mesmo tempo, nós ultimamente estamos ficando mais próximos, eu gosto muito da nossa amizade, tenho medo de perder isso.
- Hm... – Shikamaru a observou, apoiando o queixo nas mãos e parecendo pensar profundamente – Tem mais coisa aí, não tem Sakura?
Os olhos negros dele estavam tão focados em si que Sakura se sentiu exposta. O que ele estava vendo que ela ainda não estava pronta para ver ainda era um mistério.
- Como assim? - questionou cautelosa.
Um frio estranho na barriga, uma espécie de suspense a assolou com um misto de ansiedade.
- Oras, Naruto e Ino são amigos e parece que transar não está atrapalhando a relação deles...
- SHIKAMARU! – os dois loiros exclamaram, corando ao mesmo tempo, se olhando de relance e Sakura riu.
- Que? É verdade – Shikamaru seguiu como se não tivesse dito nada demais – E Kakashi também me parece ser um homem maduro o suficiente para lidar com uma relação puramente sexual...
- Eu não estou entendendo onde você quer chegar... – Sakura o observou confusa.
Ele parecia estar exausto e ela sentiu um pouco de pena. Mas ao mesmo tempo, o fato dele agir como se soubesse mais do que ela lhe gerava desconforto e um pouquinho de raiva.
A ideia toda de entrar no jogo era que eles pudessem se divertir e parar de sofrer de amor, mas aparentemente todos continuavam na estranha montanha russa das emoções, afetos e desafetos que as relações trazem.
- Eu acredito – Shikamaru murmurou, fazendo-a empertigar na cadeira para escutá-lo melhor, atenta e irritada ao mesmo tempo – que você e ele já sabem muito bem que se alguma coisa acontecer, vai ser mais do que puramente sexual. E vocês dois estão com medo de se envolver.
Houve um silêncio coletivo.
- Puta merda... – Naruto falou baixinho.
Sakura sentiu o estômago remexer estranho. E o frio da ansiedade anterior deu lugar a um calor novo.
Havia muitas informações no que Shikamaru dizia. E algo firme dentro de si lhe dizia que havia muita verdade naquelas palavras.
Ela se sentiu estremecer.
- Você devia ter estudado psicologia... – Naruto continuou resmungando.
- Não dá dinheiro – Shikamaru retrucou indiferente, bebericando o vinho, seus olhos ainda observando Sakura.
Ele sabia que estava certo. Ela conseguia ver as maquinações de sua mente genial girando e girando, enquanto ela processava as sensações físicas de aceitar que ela concordava. Que ela também achava que se algo acontecesse seria drástico, arrebatador, e ela não estava certa se aquele era o caminho que gostaria de seguir em sua relação com Kakashi-sensei.
- Você vai precisar decidir – Shikamaru falou, como se lesse seus pensamentos – e depois que você decidir se vale a pena tentar, vai precisar ter coragem para fazê-lo se decidir também. Mas toda escolha tem consequências, então nós nunca saímos ganhando completamente.
Sakura se sentiu em carne viva. E as palavras saíram de sua boca antes que ela pudesse pensar duas vezes:
- Você está falando sobre mim ou sobre você? – perguntou desafiadora.
Shikamaru respirou fundo e se deixou sorrir, largando-se na cadeira com desleixo e um ar dolorido.
- Isso você nunca saberá, minha cara.
D
- Você tem certeza? – ela perguntou com a voz bamba, a respiração acelerando assim que ele a encurralou ao entrarem pela porta.
As luzes do apartamento estavam apagadas e a iluminação da rua que entrava pelo vidro da varanda dava um tom alaranjado na sala.
Naruto apoiou ambas as mãos contra a madeira maciça da porta. Um sorriso atrevido nos lábios e os olhos azuis brilhando com malícia. Ele mordeu de leve o lábio inferior e olhou a boca dela com um ar sacana que a fez arrepiar.
Ino não tinha certeza se em algum momento o fato deles se sentirem tão atraídos um pelo outro poderia atrapalhar sua amizade. Ela não tinha refletido muito sobre como eles deveriam lidar com aquilo ou o que seria mais apropriado... Ao mesmo tempo, algo dentro de si implorava para que ela se deixasse levar. Para que ela pudesse experimentar tudo o que lhe era oferecido de maneira tão deliciosa.
Ele correu o dedo indicador pela testa dela, descendo pelo nariz bem desenhado e parou sobre seus lábios.
- Shhh... – murmurou.
O vinho tinha feito com que eles se soltassem e o ar entre eles era elétrico como um campo magnético.
Ela se sentia arrepiar por todos os lados e o dedo dele descendo pelo seu queixo, deslizando pelo pescoço, desaparecendo pelo decote da sua camisa e tocando a renda delicada de seu sutiã estava lhe fazendo impossível escutar qualquer pensamento de forma clara.
Naruto tomou seu tempo, abrindo os botões da camisa, um por um. Depois a observou, parada contra a porta, a camisa de linho aberta, os mamilos já rígidos contra o tecido semi-transparente do sutiã, a respiração entrecortada.
O modo como ele a olhava lhe fazia se sentir tonta e pronta ao mesmo tempo, como se o chão se abrisse e a queda fosse assustadora, mas eletrizante.
Ele respirou fundo, se aproximando, pegando os pulsos finos dela em suas mãos e os levando ao topo da cabeça, contra a porta. Seu nariz encostou contra a curva fina de seu pescoço e respirou o aroma de seu perfume misturado com o cheiro de suor em sua pele, fazendo com que os pelinhos do corpo de Ino se eriçassem extasiados.
Quando os beijos e lambidas começaram, contra a curva do seu ombro, Ino sentiu os joelhos tremerem e deixou uma exclamação pequenina de agrado escapar por entre os lábios que o fez rir baixo contra si. Descendo as mãos pelos braços dela até encontrarem seus seios e os apertarem com vontade.
- Naruto... – suspirou, enfiando seus dedos nos cabelos loiros dele e o puxando para si.
O beijo começou lento, e foi escalando num ritmo alucinante a medida que ele pressionava seu corpo quente contra o dela. Ino se sentiu contra a cruz e a espada, as costas prensadas na porta e o copo firme dele contra si, enquanto suas mãos passeavam pelo corpo de Ino, afastando a camisa, afastando a renda do sutiã, apertando seus mamilos entre os dedos e descendo pela barriga, contornando sua cintura, deslizando sobre a malha da saia e apertando sua bunda com desejo.
Naruto apertou o quadril contra o dela e Ino gemeu em meio ao beijo, sentindo-o duro contra si, ao mesmo tempo que uma de suas mãos desbravava a curva de sua bunda por debaixo da saia e se enfiava por dentro da calcinha, seus dedos tocando de leve a entrada de Ino.
Céus e ela estava tão molhada.
Estar com Naruto era uma experiência devastadora.
A personalidade dele sempre havia lhe chamado a atenção, ele era – de fato – a alma da festa, o dono dos mais honestos sorrisos, de uma risada alta e simpática, de piadas idiotas e de abraços sinceros.
Ter toda aquela atenção e energia focados apenas nela era como uma injeção de adrenalina e tesão.
Ele mordiscou sua língua, levantando uma de suas pernas e deixando seu dedo deslizar fácil para dentro dela. Só um pouquinho, provocando, prometendo. Indo e vindo gostoso.
O beijo foi ficando mais desesperado e Naruto parou de brincar com os dedos e puxou sua outra perna para cima, pegando-a no colo. Fazendo-os rir. Ino segurou no pescoço dele para se manter reta e Naruto andou até o meio da sala. Ele chupou um de seus mamilos com força, raspando os dentes devagar e apertando o quadril dela contra si, suspirando contra seu mamilo e lambendo devagarinho para depois voltar a chupar forte.
Ino sentiu o corpo tremer. Naruto sabia bem como fazê-la perder a linha, com tanta intensidade, variando seu manejo com o corpo dela, explorando, sem vergonha na cara, brincando com o dedo na entrada dela enquanto sua língua fazia maravilhas se esfregando em seu peito.
- Ah - ela estremeceu, puxando a boca dele contra a sua e o beijando com desespero, com vontade de sentir a língua dele dentro da sua boca, rolando indecente contra a sua até ela enlouquecer de tesao.
Ele riu contra a boca dela, apertando a mão em sua bunda, afundando um dedo dentro dela e mordendo seu lábio com os olhos abertos. Mas quando ela o puxou para mais um beijo ele afastou o rosto, estalando a língua e negando com um movimento pequeno do rosto.
- Eu quero te chupar - ele murmurou, olhando-a com um brilho assustador nos olhos, a língua molhando os lábios devagar, um ar sacana e brincalhão.
Ino riu, encarando-o.
- Você é mais do que bem vindo...
Naruto soltou um riso fraco contra a boca de Ino, lambendo os lábios dela só para provocar e a colocou no chão, fazendo-a se sentar no sofá.
Ela jogou os cabelos para trás, observando Naruto arrancar a camiseta e a descartar no chão. O admirou por um instante, sentindo a excitação aumentar e a respiração ficar mais laboriosa, notando a calça jeans dele formando uma curva sinuosa na altura do zíper. Ela mordeu o lábio suspirando baixinho e abrindo as pernas desejosa de tê-lo entre suas coxas o antes possível..
Mas Naruto tinha outros planos. Ele a encarou com desejo e um brilho atrevido dançou em seus olhos quando ele se ajoelhou no tapete felpudo. Naruto sorriu sacana, deixando as mãos passearem pelas coxas dela, abrindo mais suas pernas, levantando a saia e trazendo-a mais para a ponta do sofá para descer a calcinha por suas pernas.
Ino riu, o corpo inteiro retesando assim que a respiração dele tocou a pele suave de sua coxa, e o modo como ele ia beijando, lambendo sua pele, às vezes parando para se demorar chupando e deixando uma ou outra marca. Ela se remexeu impaciente até que sentiu a respiração dele contra seu sexo e logo sua língua morna estava em si, se lambuzando entre saliva e a umidade dela, puxando-a mais contra sua boca e beijando seu sexo como se estivesse louco por devorá-la outra vez.
- Oh meu deus... - gemeu, suspirou, passou uma mão nervosa pelo rosto com as sensações a envolvendo deliciosamente.
Ela se deixou tombar contra o encosto do sofá, o corpo relaxando, enquanto ele lambia e chupava e enfiava um dedo dentro dela. Ino fechou os olhos, lambendo e mordendo o próprio lábio, deixando uma mão se agarrar aos cabelos dele e outra passear por seus seios, aumentando os estímulos, gemendo manhosa.
Ele encontrou o ritmo certo entre sua língua e seus dedos, e Ino o estimulou com gemidos mais altos, sua mão puxando os fios de cabelo de Naruto com mais força, seu quadril ajudando na tarefa maravilhosa de fazê-la gozar.
- Hmm – murmurou, observando como ele a chupava com vontade, os olhos fechados, as pernas dela sobre seus ombros.
E Ino se sentiu perto, tão perto.
Ela adorava quando homens sabiam o que fazer com ela e o modo como ele parecia estar adorando lhe chupar a excitava tanto que ela começou a sentir o orgasmo se aproximando.
- Continua assim – ela disse, rebolando o quadril contra a boca dele, vendo-o abrir os olhos para observá-la, excitado.
Os dedos dele indo e vindo dentro dela, enquanto sua língua lambia e lambia e ela se esfregava contra sua boca, se agarrando aos seus cabelos, as coxas começando a tremer, os olhos fixos uns nos outros e os tremores aumentaram e um fio de voz escapou rouco da sua garganta, quase dolorido. Naruto a segurou pelas coxas e a obrigou a surfar as ondas sinuosas de seu orgasmo, apertando as coxas contra os ombros dele e tremendo e rebolando, até não poder aguentar mais de prazer.
Ele sorriu, os lábios dele molhados e inchados e depositou um beijo leve no clitoris dela, fazendo-a estremecer outra vez e ela decidiu que queria mais.
Ino o empurrou de leve com um pé, fazendo-o se sentar no tapete e ela sorriu selvagem ao vê-lo a observar curioso.
- O que você quer? – ele perguntou com a voz rouca, apoiando as mãos atrás de si e parecendo relaxado.
- Eu quero sentar em você, Naruto... – ela sorriu – Quero te fazer gozar...
As pálpebras dele pesaram e Naruto respirou fundo, vendo-a arrancar o sutiã com rapidez e deslizar do sofá para seu colo com facilidade. As mãos rápidas contra o botão e o zíper.
Ele a ajudou baixar suas calças, mas Ino não aguentava mais esperar, ela precisava sentir ele dentro de si. Ela o segurou em sua mão, o estimulou duas vezes, observando a excitação dele gerar uma gota viscosa contra deus dedos e ela se moveu.
Num movimento fluido, Ino se deixou sentar, sentindo como Naruto a preenchia de um jeito delicioso, num encaixe perfeito.
Os lábios dele se abrindo e os olhos piscando lentamente perdido em sensações. Ela se sentou completamente, soltando o peso do corpo e o encarou.
- Ino...
Naruto suspirou e olhou com firmeza, uma tempestade em seus olhos claros. E ele segurou os cabelos dela com força em uma das mãos, umedecendo os lábios e respirando agitado, puxando de leve.
- Você é incrível – ele murmurou contra seus lábios, roubando um beijo intenso, começando a se mover sob ela.
Ela sentiu o corpo inteiro voltar a tremer com cada movimento.
Seus corpos encaixados, braços se contornando e segurando firme, quadris se buscando uma e outra vez, as pernas de Ino ao redor da cintura dele, seus peitos apertados contra o peito de Naruto, as peles suadas resvalando.
As estocadas se intercalando, longas e intensas, rápidas e bruscas, e os sussurros por mais, os murmúrios desconexos de prazer se misturando com elogio, se se transformando em descompasso, fazendo Naruto a tomar pela cintura com as mãos fortes e definir o ritmo em certo ponto por que ele não conseguia aguentar mais, num crescendo desesperado, com a boca dele lambendo seu pescoço, a cabeça dela pendendo para trás, os cabelos desgrenhados e todo seu corpo entregue.
Se sentia tão leve que ela podia flutuar se quisesse.
E num ápice claro de prazer, as estocadas cada vez mais rápidas, erráticas, os gemidos se misturando, seus corpos se encontrando e os olhos fechados:
Ino se deixou flutuar.
N/A: eu espero, de coração, que vocês tenham curtido. se cuidem nessa quarentena :* Nos vemos semana que vem! beijos, Tai. (já posso pedir comentário? :P)
Face: tainara becquer (para atualizacoes do cap) Insta: teacup_tai (pra ser amiga mesmo rs)
