Capítulo 1

Boa Leitura!!!

Espreguiçando-se em sua poltrona na ponta da mesa da sala de conferências, Edward Cullen, um dínamo humano de 34 anos e chefe absoluto do império empresarial Cullen, mantinha todos na sala num estado de tensão quase rígida pelo poder incontestável do seu silêncio. Ninguém ousava se mexer.

Todos os documentos pousados sobre a comprida mesa permaneciam fechados. Exceto pela pasta aberta em frente a Edward. E quando os cinco minutos de agonia se transformaram lentamente em dez, mesmo a simples ação de inspirar e expirar se transformara num difícil exercício e nenhum dos presentes tinha coragem de emitir qualquer som.

Porque a postura estranhamente relaxada de Edward era perigosamente enganadora, assim como o modo calmo de bater com as unhas bem-feitas na superfície brilhosa da mesa e continuar a ler. E qualquer pessoa — qualquer pessoa que ousasse pensar que o formato sensual de sua boca estava relaxado num sorriso precisava de uma rápida lição sobre a diferença entre um sorriso amigável e de desprezo.

Edward sabia muito bem a diferença. Ele também sabia que muita porcaria seria jogada no ventilador. Porque alguém naquela mesa cometera uma sucessão de erros com o dinheiro da empresa e o que o deixara realmente irritado foi o fato de os erros serem tão simplórios que qualquer pessoa com a mínima noção de aritmética podia ser capaz de ver o engano.

Edward não empregava incompetentes. Por isso a lista de empregados capazes de ousar acreditarem que poderiam se safar de lhe causar um prejuízo deste tamanho podia ser reduzida a apenas um nome.

James, seu vil, fútil e egoísta meio irmão, e a única pessoa empregada por aquela empresa a dever seu cargo por um mero favor. Em outras palavras, por causa da família.

Maldição, praguejou Edward nas profundezas de suas reflexões furiosas. Como James pôde achar que escaparia de uma coisa destas?

Todos naquela organização global sabiam muito bem que todas as filiais sofriam auditorias aleatórias que tinham o propósito específico de impedir que qualquer pessoa tentasse uma fraude como aquela. Era o único modo de uma multinacional daquele tamanho manter o controle!

O estúpido arrogante. Não bastava o belo salário que recebia para não fazer nada? De onde ele tirou a ideia de que poderia mergulhar seus dedos gananciosos no cofre por mais dinheiro?

— Onde está ele? — perguntou Edward, fazendo com que meia dúzia de cabeças se levantassem rapidamente ao ouvirem o som de sua voz.

— Na sala dele. — respondeu Ângela, sua assistente pessoal da filial de Londres, rapidamente. — Ele foi informado sobre esta reunião, Edward — acrescentou a jovem, para o caso de Edward achar que James não fora avisado.

Edward não duvidava daquilo, assim como não duvidava de que todas as pessoas sentadas ao redor daquela mesa acreditavam que James estava prestes a receber o castigo que merecia. Seu meio-irmão era um preguiçoso. E não é preciso nem dizer que as pessoas que trabalham duro para ganharem o sustento não gostam de preguiçosos.

Bastou que Edward levantasse sua cabeça sombria, de traços angulosos que seriam surpreendentemente perfeitos, não fosse por uma marca em seu nariz fino — criada por uma chuteira quando ele era adolescente — e examinasse com seus olhos aveludados verdes meia dúzia de expressões apreensivas para que seu último pensamento se confirmasse.

Theos. Não havia muita esperança de ignorar o ocorrido com tantas pessoas sabendo da fraude e ansiando pelo sangue de James, pensou ele ao esconder os olhos novamente sob os cílios espessos e curvos. Mas queria mesmo acobertar os erros de James? A pergunta causou um ligeiro espasmo naquele músculo que mantinha sua expressão séria, porque Edward sabia que a resposta era sim, ele preferia acobertar o meio-irmão a lidar com a alternativa.

Um ladrão na família. Uma raiva renovada o atingiu. Com ela o gesto severo que fechou a pasta antes que Edward se levantasse, as longas pernas fazendo-o alcançar seus intimidadores l,92 m perfeitamente recobertos por um leve terno de risca de giz escuro. Ângela também se levantou.

— Eu vou...

— Não, não vai — disse Edward, com seu forte sotaque em inglês. — Eu mesmo lidarei com ele.

Todos se remexeram nas poltronas, tensos, enquanto Ângela se sentava novamente. Se Edward estivesse com humor para tanto, teria visto uma onda de olhares trocados ao redor da mesa, mas ele não estava conseguindo pensar em nada quando deu a volta na poltrona e saiu pela porta sem se incomodar em olhar para ninguém. Assim como não se incomodou em olhar para os lados ao sair para o corredor dos escritórios Cullen de Londres.

Se tivesse olhado, teria visto que a porta do elevador estava prestes a se abrir — mas não viu. Ele estava ocupado demais amaldiçoando o ataque do coração repentino que tirou a vida de seu pai há dois anos, deixando-o com a triste tarefa de cuidar das duas pessoas mais irritantes que ele teve o prazer de conhecer: sua teimosa madrasta italiana, Heidi, e o filhinho querido dela, James Gianetti.

Ah, alguém me livre destes belos playboys e suas madrastas super sensíveis, ansiosamente encantadas com seus lindos filhinhos, pensou ele, sério. A lealdade familiar era um inferno. Edward mal podia esperar pelo dia em que James se casasse e levasse sua vida e sua nova esposa para sua terra natal, Milão, para morarem com Heidi. Isto se pudesse fazer com que Edward escapasse desta confusão sem arruinar sua própria reputação e posição na empresa, caso contrário Edward não iria a lugar nenhum, e sim para a prisão.

Ele sentiu a dor de um suspiro preso ao resolver contê-lo, reconhecendo que já estava procurando um modo de acobertar James e sentindo seu orgulho ferido por causa disso. O que Bella faria se descobrisse que estava prestes a se casar com um ladrão? Se bem que o motivo que levou seu meio-irmão a escolher se casar com a Miss Frieza e Afetação Isabella Swan era um mistério para Edward.

Ela não fazia o tipo de mulher que geralmente atraía Edward, celebridades em idade de se casar. Na verdade, Bella tinha um corpo perfeito com a forma de um violão, algo que ela estragava escondendo-se sob seu péssimo gosto para vestidos. Ela também era fria e educada e irritantemente reservada — quando estava perto de Edward. Então por que Bella se apaixonara por um playboy que desperdiçava a vida como James? Este era outro enigma que Edward não podia resolver. Atração dos opostos? Será que a frieza e a elegância simplesmente caíram de amores por James? Talvez Bella se tornasse uma formidável deusa do sexo na cama, porque tinha mesmo o potencial para ser uma deusa do sexo, com seus traços delicados e femininos e seus enormes olhos castanhos e aquela boca sensual que Bella não podia disfarçar e que parecia implorar para ser beijada...

Theos, praguejou Edward novamente quando sentiu algo queimar dentro de si, lembrando-se de como a boca de Isabella Swan o afetava.

Enquanto isso, o objeto de seus pensamentos saía do elevador dando um saltinho para trás ao avistá-lo em seu terno facilmente reconhecível andando pelo corredor do outro lado da recepção. O coração de Bella fez um barulhinho engraçado dentro de seu peito e por um momento ela realmente pensou em voltar correndo para o elevador e voltar para se encontrar com James mais tarde, caso o meio-irmão dele não estivesse ali. Ela não gostava de Edward Cullen. Ele tinha um jeito especial de deixá-la pouco à vontade e de mau humor com seu nariz empinado e arrogância, com seus comentários sarcásticos que pareciam atingir exatamente o lado inseguro de Bella. Será que Edward achava que ela jamais percebera o sorrisinho irônico que ele tinha no rosto sempre que podia olhá-la?

Será que ele achava divertido fazê-la congelar numa terrível timidez porque ela sabia que Edward estava rindo do modo como ela preferia esconder suas curvas em vez de ressaltá-las como todas as outras mulheres que o cercavam? Não que o que Edward Cullen pensava dela importasse, disse Bella para si mesma rapidamente, recusando-se a reconhecer que seus olhos continuavam fixos nele ou que uma de suas mãos estava nervosamente alisando uma mecha castanha de cabelo que pendia do coque cuidadosamente preso, enquanto a outra segurava a bolsinha preta em frente ao terninho azul-claro, como se a bolsa servisse como uma espécie de armadura para mantê-lo afastado.

Bella não estava ali para ver Edward. Ele era apenas o meio-irmão arrogante, ensimesmado e insuportável do homem com o qual ela se casaria dentro de seis semanas. E a não ser que James tivesse respostas muito boas para as acusações que ela estava prestes a jogar na cara dele, não haveria casamento algum!

Ela se percebeu ficando pálida ao se lembrar da cena que certa pessoa enviou para seu celular naquela manhã. Por que algumas pessoas sentiam prazer em lhe mandar fotografias do seu noivo nos braços de outra mulher? Será que as pessoas pensavam que, só porque Bella estava ligada ao mundo da música pop, ela não tinha sentimentos? Bem, olhe para mim agora, pensou ela, triste, desviando o olhar de Edward para se deter no modo como seus dedos trêmulos seguravam a bolsa.

Não estou só magoada, estou morrendo! Ou então era seu amor por James que estava morrendo, refletiu ela. Porque aquela seria a última vez, a última tentativa que Bella faria de fechar os olhos e ouvidos para os rumores de que ele a estava traindo. Era hora de pôr um ponto final naquilo.

Com a boca fechada e os olhos fixos na vastidão do carpete cinza que se estendia à sua frente, Bella se pôs a atravessar a recepção e entrou num corredor que levava ao escritório de James, no rastro do agora ignorado Edward Cullen.

A porta estava fechada. Edward não se incomodou em bater antes de girar a maçaneta e entrar repentinamente, dando longos passos para dentro do escritório, já prestes a mandar James Ginnetti para o inferno — apenas para se perceber paralisado ao ver o que tinha diante de si.

Por alguns segundos Edward realmente se pegou pensando se o que estava vendo era um sonho. Era tão difícil acreditar que até mesmo James pudesse fazer algo tão estúpido!

Porque ali, em frente à mesa, estava seu belo meio-irmão com as calças arriadas até os tornozelos, com um par de atraentes pernas femininas em volta da cintura.

O ar da sala estava carregado com a respiração ofegante de James, cujas costas bronzeadas iam para frente e para trás, num movimento acompanhado por gemidinhos vindos da mulher nua e nada reservada, que se espalhava por sobre a mesa. As roupas estavam jogadas por todos os lados. O cheiro de sexo era forte. O próprio piso sob os pés de Edward vibrava com os movimentos.

— O que está acontecendo...? — perguntou Edward, numa explosão de nojo, no exato momento em que foi atingido por um barulho distinto atrás de si, que o fez girar sobre os calcanhares.

Edward se percebeu encarando o rosto paralisado e surpreso da noiva de James. Sua expressão ficou ainda mais confusa, porque ele acreditava que a ruiva deitada sobre a mesa era ela!

— Isabella? — disse ele, numa voz que soou estridente, por causa da surpresa. Mas ela não o ouviu.

Bella estava ocupada demais vendo seu pior pesadelo confirmado pelas duas pessoas que estavam começando a perceber que já não estavam sozinhas. Assistindo à cena como se estivesse a distância, Bella viu quando James ergueu a cabeça de cabelos loiros e se virou.

Ela ficou enjoada quando os olhos dele, entreabertos e cheios de paixão, conectaram-se aos dela. Então a mulher se mexeu, atraindo o olhar de Bella para o lado quando uma cabeça ruiva com um par de olhos azuis se levantou para dar uma olhada em volta.

As duas mulheres olharam uma para a outra. E só isso: apenas olharam.

— Quem é...? — Edward voltou a olhar para descobrir que os amantes agora sabiam que ele estava ali.

A mulher tentava se cobrir, apoiando-se em um cotovelo e puxando o peito nu de James para cima de si com a mão fina. Ao olhar para ela, Edward sentiu a chegada do inferno em todo o seu horror, quando se sentiu atropelado pela cena que estavam testemunhando. Victória, a irmã de Bella.Uma diferença de idade entre as duas que fazia Victória parecer apenas uma criança.

Seu estômago ficou embrulhado. Edward se virou para Bella, mas ela já não estava atrás dele. Seu corpo elegante e cheio de curvas, com aquelas pernas longas, já estava no meio do corredor, andando o mais rápido possível até o elevador.

Com a fúria que sentia em nome de Bella se espalhando por seu corpo, Edward virou-se novamente para os dois amantes cheios de culpa. As perguntas que James deveria estar respondendo subitamente desapareceram de sua mente.

— Você está acabado comigo, James — disse ele para o jovem. — Pegue suas roupas e caia fora do meu prédio antes que eu chame a segurança para expulsá-lo. E leve esta vadia com você!

Então Edward saiu, batendo a porta antes de seguir Bella, sentindo-se perdido agora que James lhe dera um motivo para que ele o excluísse de sua vida.

As portas do elevador se fecharam antes que Edward alcançasse Bella. Praguejando baixinho, ele se virou em direção às escadas. No andar de baixo, o elevador privativo da cobertura se transformava em três elevadores, que serviam todo o prédio. Vendo que Bella estava descendo ao subterrâneo do edifício, Edward entrou rapidamente em outro elevador e apertou o botão que o levaria ao mesmo lugar.

Por dentro, ele tremia. Tudo pulsava e latejava porque... Theos, era isso o que o sexo fazia. Mesmo que a cena que ele vira fosse nojenta e desprezível, o sexo ainda tinha um jeito de atiçar-lhe o sangue.

Saindo correndo do elevador, Edward parou para olhar em volta na garagem subterrânea. O carro de Bella estava estacionado como uma mancha avermelhada num mundo cheio de belos carros prateados e pretos. Ele então a viu.

Bella estava apoiada sobre o carro, com os ombros erguidos. Edward pensou que ela estava chorando, mas ao se aproximar percebeu que Bella estava vomitando violentamente.

— Está tudo bem... — murmurou ele por algum motivo estúpido, já que nada podia estar bem.

Edward pôs as mãos sobre os ombros dela.

— Não me toque! — Bella se desviou dele.

Edward se sentiu completamente ofendido.

— Não sou James! — retrucou, numa reação imediata. — Assim como você não é uma vadia como a sua irmã...!

Bella se virou e lhe deu um tapa. O estampido ecoou pela garagem, enquanto Edward se recompunha, surpreso. Bella estava tremendo toda, sem conseguir pensar em outra coisa que não naquele impulso de violência que a fez se virar e estapeá-lo. Ela jamais fizera uma coisa daquelas na vida! Então ela teve de se virar, sentindo a ânsia de vômito com força redobrada, chorando e tremendo e se agarrando ao carro com as unhas que arranhavam a pintura vermelha. James com Victória — como ele pôde? Como ela pôde?

Mãos compridas a seguraram pelos ombros novamente. Bella não se afastou. Ela apenas caiu no chão como um saco vazio, ofegando enquanto o que restava em seu estômago caía a poucos centímetros de seus sapatos pretos de salto alto. Quando terminou de vomitar, Bella mal podia se manter em pé.

Com os lábios fortemente fechados, Edward continuou a segurá-la enquanto ela procurava por um lenço no bolso e o usava para limpar a boca. Sob seus dedos, ele podia senti-la tremendo. A cabeça estava arqueada para baixo, deixando exposta a brancura comprida e fina da nuca.

Aquele calor tomou conta dele mais uma vez. Então Edwadd desviou o olhar, procurando em volta da garagem como um homem assombrado por uma aparição invisível e se perguntando o que faria em seguida. Uma parte de seu cérebro lhe dizia que Bella não era problema dele. Edward tinha de presidir uma reunião e lidar com sérias discrepâncias financeiras, além de uma dezena ou mais de assuntos de negócios a tratar, antes que pudesse voar para Atenas ainda naquela noite e...

Um homem surgiu de repente das sombras em um canto da garagem, de onde ficavam os escritórios da segurança. Era Félix, o chefe da segurança, que os olhava com curiosidade. Edward dispensou-o com um menear de cabeça raivoso, o que fez com que o homem desaparecesse nas sombras mais uma vez.

Edward então pensou em convencer Bella a entrar no elevador e levá-la até sua sala para que se recuperasse. Mas ele não podia garantir que conseguiria levá-la até lá sem que alguém os visse — James ou Victória — e começasse uma nova cena.

— Melhor agora? — ele ousou perguntar ao perceber que o tremor começara a ceder.

Bella fez que sim.

— Obrigada — sussurrou.

— Não é hora de mostrar educação, Bella.— disse ele, impaciente.

Ela se livrou mais uma vez, odiando-o por Edward estar ali, vendo-a desabar daquele jeito. Receber uma imagem de que James a estava traindo era uma coisa, mas vê-lo fazendo isso com sua própria irmã era algo completamente diferente. Só de pensar nisso Bella sentiu-se nauseada novamente.

Tentando desesperadamente controlar o enjoo, ela procurou pelas chaves do carro na bolsa, virou-se e abriu o veículo para que pudesse pegar uma garrafa de água que sempre mantinha ali dentro. Bella queria entrar naquele carro e simplesmente se afastar daquilo tudo, mas sabia que ainda não estava bem para dirigir. Ainda estava nervosa demais, enjoada e tonta, horrorizada e em choque.

Ao se endireitar novamente, ela teve de pisar na sujeira que espalhara pelo piso. Ele não se mexera, por isso Bella esbarrou em Edward num esforço de conseguir algum espaço para si. Era como resvalar em arame farpado, comparou ela, sentindo uma fisgada em seu corpo que a obrigou a apoiar as costas na lateral do carro.

Mantendo os olhos baixos e sem encarar Edward, Bella abriu a tampa da garrafa de água e a pôs na boca para que pudesse dar uns goles. Seu coração latejava fortemente e sua garganta estava tão seca que era difícil engolir. E Edward continuava ali, em pé, como uma espécie de sombra negra, impedindo-a de pensar e fazendo com que Bella se sentisse insignificante com seus l,65 m.

Mas aquele era o glorioso e superimportante Edward Cullen, pensou ela — um ser enorme, forte e poderosíssimo, com um repertório de olhares sarcásticos e comentários mordazes que podiam reduzir uma pessoa a pó, e com um cérebro que só pensava em uma coisa: ganhar dinheiro.

Mesmo ali, recusando-se a olhar para ele, Bella sentia que Edward estava ansioso para olhar o relógio, porque devia ter coisas mais importantes para fazer com seu tempo do que ficar ali com ela.

— Vou estar bem em um minuto — conseguiu dizer. — Você pode voltar para o trabalho agora.

Ela disse aquilo como se acreditasse que o trabalho era a única coisa que Edward fazia na vida. Ele ficou ainda mais sério. Isabella Swan sempre tinha um jeito único de enfrentá-lo, com seus modos educados e reservados ou com seus olhos frios e dissimulados, que o ignoravam como se Edward não valesse nada. Bella fazia isso com ele desde a primeira vez que foram apresentados, no apartamento de Londres de seu meio-irmão.

Edward enfiou as mãos nos bolsos da calça, num gesto que lhe abriu o paletó, revelando a brancura da camisa feita à mão. Bella se remexeu instintivamente, como se aquele gesto a ameaçasse de algum modo. Edward deixou à mostra seu peito musculoso e largo, sua pele bronzeada e lisa. Até mesmo a camada de pelos que cobria seu peito foi revelada.

— Beba mais um pouco de água e pare de tentar adivinhar o que estou pensando — aconselhou ele calmamente, sem gostar do que continuava sentindo.

— Não estava tentando...

— Estava — interrompeu Edward, acrescentando asperamente: — Você pode não gostar de mim, Isabella, mas me permita ser um pouco mais sensível e não abandoná-la aqui depois do que você acabou de ver.

Mas Edward não era sensível o bastante para deixar de lembrá-la daquela cena! O enjoo do que vira novamente tomou conta dela. Seu mundo começou a rodar e o gemido que Bella deixou escapar fez com que ele a segurasse pelos braços.

Ela queria se livrar de Edward, mas achou que não podia. Bella precisava do apoio dele porque tinha a sensação horrível de que, sem isso, ela afundaria num buraco escuro que se abriria no chão.

Um alarme de repente ecoou pela garagem. Era apenas o elevador executivo sendo chamado para pegar algum passageiro. Edward conteve um xingamento ao mesmo tempo em que Bella levantou a cabeça para encará-lo, seus olhos grandes e marrons fixos nos olhos verdes esmeraldas dele. Por um momento, eles não se mexeram, como se estivessem presos por uma estranha energia que passou por todo o corpo de Bella, da cabeça aos pés.

Theos, ela é linda, pensou Edward.

De repente, Bella foi em direção à porta aberta do carro. Como um relâmpago, Edward conseguiu chegar lá antes dela, uma das mãos segurando-a pelo pulso fino e virando-a, enquanto a outra fechava a porta do automóvel e tirava as chaves das mãos dela.

— O quê...?

A pergunta foi interrompida por um homem acostumado a tomar decisões rápidas. Edward se virou e a conduziu pela garagem até seu carro.

— Eu posso dirigir! — reclamou Bella ao perceber o que ele estava fazendo.

— Não pode, não.

— Mas...

— Talvez tenha sido James quem chamou o elevador — disse Edward, virando-se para ela. — Então se decida, Isabella. Com quem você prefere estar agora?

Aquilo era direto demais. Bella se lembrou mais uma vez do que vira e se transformou num bloco de gelo. Abrindo a porta do carro, Edward a deixou entrar. Bella sentou-se sem reclamar, acidentalmente deixando cair a garrafa de água.

Sério, Edward fechou a porta quando, como um homem como poderes paranormais, Félix reapareceu ali perto. Edward jogou as chaves do carro de Bella para ele, sem precisar dar-lhe maiores instruções. O chefe da segurança apenas se afastou novamente, sabendo exatamente o que Edward esperava que ele fizesse.

Ignorando a garrafa de água que caíra, Edward entrou no carro e se ajeitou atrás do volante. Bella estava encolhida no banco do passageiro, olhando para as próprias mãos, que agarravam a alça da bolsa preta. Ela tremia loucamente agora, numa clássica reação de quem estava em estado de choque. Edward ligou o motor e engatou a primeira marcha, conduzindo o carro até a saída com um cantar de pneus. Eles alcançaram o dia e o tráfego do começo da tarde numa atmosfera pesada de desgaste emocional. Pouco depois, o telefone do carro tocou, com o nome de James aparecendo na tela. Edward engoliu um xingamento, apertando um botão na barra de comandos do volante para desligar o telefone. Pouco depois o celular de Bella começou a tocar dentro da sua bolsa.

— Ignore — disse ele.

— Você acha que eu sou burra? — retrucou ela.

Então ambos ficaram em silêncio, ouvindo o telefone tocar até a secretária eletrônica atender a ligação. O telefone de Bella continuou tocando sem parar enquanto eles atravessavam Londres, sentados como figuras de cera, esperando a secretária eletrônica continuar a atenderas ligações, enquanto a raiva bombeava adrenalina na corrente sanguínea de Edward, fazendo-o segurar no volante com mais força ainda. Nenhum dos dois disse nada. Edward só pensava em proferir obscenidades que provavelmente deixariam Bella assustada.

Ela, por sua vez, trancara-se num mundinho frio que insistia em reprisar a cena que presenciara. Bella sabia que não podia controlar a irmã, mas ela jamais pensou que Victória desceria tão baixo...

Bella teve de engolir em seco para impedir a náusea novamente ao se lembrar do momento em que Victória a viu parada na porta. Ela viu o olhar de triunfo da irmã, um olhar seguido por uma expressão de desafio que revelava o motivo de Victória estar fazendo isso com James. Sua irmã não o queria. Victória nem mesmo gostava muito de James, mas ela não suportava a ideia de Bella ter alguma coisa que ela não provara.

Egoísta até a última gota, pensou Bella, sofrendo. Mimada por pais que gostavam de acreditar que a filha caçula era a pessoa mais preciosa do planeta. Victória era mais bonita do que Bella, mais expansiva do que Bella, mais engraçada e otimista e muito mais talentosa do que Bella jamais seria. Seus pais diziam que Victória era uma bênção, porque ela sabia cantar como um passarinho e era a mais recente promessa da música pop a surgir no cenário inglês.

Depois de uma rápida aparição numa competição de calouros na televisão, o rosto de Victória se tornou reconhecido por todos, enquanto Bella ficava nos bastidores, como uma sombra. A mulher quieta e invisível cujo trabalho era garantir que tudo desse certo na maravilhosa vida da irmã cheia de talentos.

Por que ela permitira que isso acontecesse? Era o que Bella se perguntava agora, quando tudo o que sentia era desgosto. Por que concordara em deixar sua vida de lado e se deixara bancar a babá de uma menina mimada e ensimesmada que sempre se ressentira por ter de dividir as coisas com uma irmã mais velha? Bella fizera isso porque sabia que seus pais, agora velhos, não conseguiriam lidar com Victória. Porque assim que o talento para a música da irmã fora descoberto, Bella percebeu que alguém tinha de tentar mantê-la afastada do caminho da autodestruição.

Ah, encare os fatos, Bella. A princípio você ficou entusiasmada em fazer parte da vida fabulosa de Victória.

Victória, claro, não gostava da presença da irmã. Pegando uma carona no meu sucesso, como ela dizia. Bella não percebeu que dissera aquilo em voz alta até Edward resmungar:

— Você disse alguma coisa?

— Não — murmurou, mas era exatamente nisso que Bella se transformara: numa caroneira vivendo das mordomias da popularidade da irmã. Conhecer James foi como redescobrir que ela era uma pessoa de verdade, com seus próprios direitos.

Bella estupidamente se permitira acreditar que ele realmente se apaixonara por ela, e não por causa das pessoas com as quais Bella tinha ligação.

Que piada, pensou ela agora. Que piada de mau gosto.

James com Victória...

Lágrimas de mágoa queimavam sua garganta. James fazendo com Victória o que deixara de fazer com ela...

— Ah... — Ela deixou escapar um lamento. mento.

— Tudo bem? — perguntou o homem ao seu lado.

Claro que não estou bem! Era o que Bella queria gritar para ele. Acabei de ver meu noivo fazendo sexo com minha irmã!

— Sim — sussurrou.

Edward rangeu os dentes. Ele lançou um olhar rápido para descobrir que Bella ainda estava sentada ali, com a cabeça baixa e os dedos finos e brancos entrelaçados sobre a bolsa. Será que James possuiu esta mulher sobre a mesa do mesmo jeito que possuíra a irmã dela? Como se Bella pudesse ouvir seus pensamentos, ela ergueu a cabeça num gesto de orgulho, os olhos castanhos olhando diretamente para a frente. Ela possuía o perfil de uma ingênua Nossa Senhora, pensou Edward.

Mas ao olhar para a boca de Bella, ele se lembrou de que aquela não era a boca de uma ingênua Nossa Senhora. Era macia, lasciva e sensual, com o lábio superior fino e vulnerável, enquanto o lábio inferior parecia implorar para ser...

Aquela queimação súbita tomou conta dele novamente — resquícios do que lhe acontecera ainda no elevador, Edward tentou se convencer. Mas não era resquício algum, e ele sabia disso. Edward lutara contra a curiosidade sexual que tinha sobre Isabella Swan desde a primeira vez que a conhecera, na festa de noivado dela com James. Victória estava lá, chamando a atenção para si e encantando a todos com seu talento para ser a estrela, vestindo um insinuante vestido da cor da pele desenhado especialmente para ela, a fim de ressaltar seu corpo atraente, e com um penteado que parecia flutuar sobre seu rosto delicado, acentuando seus reluzentes olhos azuis.

Bella vestia um vestido preto clássico. Na ocasião, isto o surpreendeu, porque aquela era para ser uma festa, e mesmo assim ela escolhera um vestido de luto. Edward se lembrou de ter dito isso a ela.

Ele deu de ombros. Talvez não devesse ter feito aquele comentário. Talvez devesse ter mantido sua opinião cáustica para si, porque se tivesse feito o comentário para que Bella reagisse de algum modo, tudo o que Edward conseguiu foi uma boca fechada e olhos gélidos. Desde então, eles mal trocaram algumas poucas palavras civilizadas.

Então ela aprendera a odiá-lo instantaneamente, reconheceu Edward com uma risadinha.

Bella não gostava de gregos altos e sombrios de comportamento inapropriado e tempestuoso. E Edward não gostava de meninas famosinhas em roupas caras e cabelos exagerados. Edward preferia mulheres mais delicadas e reservadas. James, não.

Bella era delicada e ao mesmo tempo reservada.

Edward fez uma careta ao atravessar o rio. Então o que James estava fazendo com Bella? Será que aquele idiota conquistara a irmã mais velha só para ter acesso à caçula? Bella não era o tipo de mulher com a qual se podia brincar. Será que seu meio-irmão tivera uma crise de consciência e por isso conquistara Bella e a pedira em casamento logo em seguida? Se foi isso, o lado negro do irmão não se afastara o bastante para evitar que ele tentasse algo com Victória, pensou ele de mau-humor ao dar sinal e virar o carro para a esquerda.

— Aonde você está indo? — perguntou Bella, ríspida.

— Meu apartamento — respondeu Edward.

— Mas eu não quero...

— Você prefere que eu a deixe no seu apartamento? — perguntou ele. — Você prefere ficar sentadinha numa poltrona com a bolsa no colo, esperando que eles apareçam para implorar o seu perdão?

Seu inglês não era dos melhores — mas era bom o suficiente para esconder o sarcasmo em sua voz.

— Não — balbuciou ela.

— Porque é isso o que acontecerá — insistiu Edward assim mesmo. — Victória precisa de você para cuidar da vida dela enquanto ela banca a estrela da música pop. E James precisa de você para manter a mamãe dele feliz, porque Heidi gosta de você e ela a vê como a salvadora do filhinho, alguém que vai tirá-lo desta vida depravada.

Então era isso? James a estava usando para agradar sua mãe conservadora, que gostara dela desde o princípio? Bella sentiu seus olhos se encherem de lágrimas ao se lembrar do sorriso de alívio que Heidi lhe deu quando eles apareceram de súbito no restaurante certa vez.

"Que menina boazinha", disse Heidi mais tarde. Foi neste momento que James concluiu que era uma boa ideia pedi-la em casamento? Ele fizera isso uns poucos dias mais tarde.

Como uma completa idiota, Bella se jogara nos braços dele. Naquela época, eles mal tinham se beijado! Não era de se surpreender. Bella não fazia o tipo de James. Ela fazia o tipo da mãe dele. Victória sim, fazia o tipo de James.

Com uma dor no peito, ela olhava pela janela do carro. Ao seu lado, Edward sentiu a verdade atingi-lo como um soco. Ele entendera por que James queria se casar com a irmã mais velha ao mesmo tempo em que se divertia com a caçula.

Ele estava mantendo Heidi feliz porque ela estava reclamando demais da vida que James levava. E James via sua adorável mãe como a alma das cafeterias Cullen's — ao lado de Edward, claro.

O que transformava o amor de Bella por James em algo patético, assim como Edward era o pateta de sua família.

Desde aquele dia, há oito anos, quando seu pai trouxe Heidi para casa como sua nova esposa, juntamente com o filho de dezoito anos dela, a vida de Edward se transformara num ciclo interminável de tentar fazer de James um membro da família, porque Heidi era sensível demais em relação às diferenças entre seus dois filhos. E o pai de Edward faria qualquer coisa para manter Heidi feliz e satisfeita.

Com a morte repentina de Carlisle, Edward continuou a manter Heidi, através de James, feliz, porque ela era apaixonada por seu pai e ficou naturalmente devastada pela morte dele.

Bem, agora chega, prometeu-se. Já era hora de tanto Heidi quanto James cuidarem de suas vidas. Edward estava cansado de cuidar dos problemas deles.

E isso incluía o dinheiro que James lhe roubara, disse Edward para si mesmo, franzindo a testa porque se permitira esquecer o motivo que o levara à sala do meio-irmão.

Bella era mais um dos problemas de James, pensou Edward, virando o volante e lançando um olhar para ela.

Bella estava ali sentada, toda branca, parecendo que estava prestes a vomitar. O quê? Aquela mulher? A pessoa extremamente reservada que preferia se engasgar com o próprio vômito a se permitir fazer algo tão rude.

Ao pensar isso, Edward se perguntou o que uma mulher tão digna vira num homem tão fútil quanto James.

Ele sentiu no peito uma fisgada de raiva renovada.

— Pense nisso — resmungou, sem conseguir manter a boca fechada. — Eles combinam mais um com o outro do que você com James. Todo mundo sabe que ele gosta de mulheres como a sua irmã... e você devia saber disso, tendo ouvido as histórias dele com outras mulheres. Ele banca o playboy por toda a Europa há muito tempo. Você nunca se perguntou o que o James viu em você para que ele parasse de correr atrás do rebanho?

As lágrimas caíram com mais força diante da pergunta insensível. Sentido como se tivesse sido atropelada por um ônibus, Bella ousou responder:

— Eu achei que ele me amava.

— E é por isso que ele estava se divertindo com a sua irmã sobre a mesa quando deveria estar participando de uma reunião para se defender.

— Defender? — perguntou Bella.

Edward não respondeu. Com a boca fechada, ele saiu do carro irritado consigo mesmo por querer atingi-la por causa dos pecados de James.

Dando a volta no veículo, abriu a porta para Bella e então se esticou para pegá-la pelo braço, mesmo sabendo que ela não queria sair do automóvel. O celular começara a tocar novamente, distraindo-a o bastante para que Edward pudesse conduzi-la para dentro de sua casa.

Ele a levou até a sala de estar e a deixou sentada numa poltrona. Depois, foi até o bar para se servir de algo forte. Edward percebeu que suas mãos estavam trêmulas, e fechou a cara enquanto se servia de conhaque.

Ao voltar-se para Bella, Edward a viu sentada na beirada da poltrona, toda reta e composta, com a bolsa sobre o colo, exatamente como ele previra que ela faria.

— Tome — disse ele, estendendo-lhe a taça de conhaque. — Beba isso. Vai ajudá-la a relaxar um pouco.

O que aconteceu a seguir foi imprevisível. Bella se levantou e jogou o conhaque no rosto dele.

— Quem você pensa que é, sr. Cullen, para ousar pensar que pode ser tão repugnante assim comigo? — gritou. — Olhe só para você. As pessoas são até capazes de pensar que você é quem foi traído! Ou será que foi mesmo? — continuou. — Você está agindo assim comigo porque queria estar no lugar de James, transando com a minha irmã? É por isso que você está com tanta raiva?

Em pé, com o conhaque pingando de seu rosto dourado, Edward Cullen, o dínamo humano e chefe impiedoso de uma das maiores empresas do mundo, ouviu a si mesmo murmurando:

— Não. Eu queria que fosse você e eu.

Oiiii!!! Voltei com mais uma adaptação!!! Ela pertence a Michelle Reid e os personagens da saga crepúsculo!!! Eu já li ela muito aqui o fanfiction net, mas depois de um tempo não consegui achar ela mais, então resolvi adaptar novamente! Amo esse romance e pra quem não tinha lido ele, aproveitem muiito e pra quem leu, aproveitem também!!! Ahh e comentemm!!! Bjimmm