Capítulo 2
Boa Leitura!!!
No silêncio espesso e avassalador que se seguiu àquela inesperada declaração, Bella ficou olhando para o rosto molhado de Edward, desejando que ainda houvesse conhaque na taça, para que ela pudesse jogá-lo nele de novo.
— Como você ousa? — disse indignada, os olhos brilhando como chocolates e se transformando em marrom denso enquanto se enchiam de lágrimas. — Você não acha que já fui humilhada demais e que não preciso que você ria de mim como se eu fosse apenas uma piada?
— Não é piada — murmurou Edward, rindo diante da verdade crua de sua resposta.
Não era mesmo uma piada o fato de ele desejar Bella há semanas. Não, a verdadeira piada era se ouvir admitindo aquilo.
Dando as costas para ela, Edward enfiou a mão no bolso do paletó para usar o lenço que sua empregada insistia em colocar em seus ternos.
Limpando o conhaque do rosto, ele lançou um olhar rápido para ver Bella ali em pé, num terninho azul, com sapatos altos e os olhos expressivos agora enegrecidos diante da surpresa.
— Você tem uma ideia estranha dos homens, Isabella, se acredita que seu cabelo arrumadinho e suas roupas todas fechadas evitam que eles se sintam tentados pelo que você esconde.
Ela piscou. Edward riu — estranhamente.
— Nem todos nós estamos interessados em anoréxicas estrelas da música que mal saíram do maternal — explicou ele, sem saber o que mais dizer. — Alguns homens até mesmo gostam de conquistar uma mulher, em vez de tê-la se jogando a seus pés.
Edward então olhou para o contorno arredondado dos seios dela, que subiam e desciam pesadamente atrás do paletó.
Na defensiva, Bella cobriu-se ainda mais. Com os olhos mais escuros, Edward voltou o olhar para o rosto dela, e então Bella entendeu o que ele estava falando.
— Você quer ficar nua e satisfazer minha curiosidade? — perguntou ele. — Acho que não. — Edward sorriu.
— Por que você está fazendo isso? Dizendo estas coisas para mim? — sussurrou ela, num desespero verdadeiro. — Você acha que porque viu o que eu também vi tem o direito de falar comigo como se eu fosse uma vadia?
— Você não saberia agir como uma vadia nem se a sua vida dependesse disso — brincou Edward, irritado. — Grande parte do que me fascina em você é o fato de, com uma irmã como a sua, você ser como é.
Bella continuava encarando-o, tentando descobrir o que fizera para merecer aquilo.
— Você... você está sendo asqueroso — conseguiu dizer. — E não há nada de fascinante nisso, sr. Cullen.
Sua bolsa caíra no chão quando Bella se levantara repentinamente. Ela se inclinou para recuperá-la e então, com a máxima dignidade que podia exibir, virou-se para sair.
— Você está certa — disse Edward.
— Sei que estou — concordou Bella, dando alguns passos em direção à porta e ouvindo-o respirar fundo.
— Tudo bem — resmungou Edward. — Desculpe.
Por rir da situação dela apenas pelo prazer de uma piada.
— Não lhe pedi para me trazer para cá — disse Bella com uma voz carregada, endireitando os ombros trêmulos. — Nunca lhe pedi para fazer nada por mim. Então minha irmã é uma vadia. Seu meio-irmão é um mulherengo. Fora isso, eu e você não temos nada em comum ou a dizer um para o outro.
Bella deu mais alguns passos em direção à porta, querendo sair dali o mais rápido possível e torcendo para que suas pernas continuassem a sustentá-la naquela fuga.
Foi quando seu celular começou a tocar. Foi como se o caos tivesse se instalado porque, ao mesmo tempo, outro telefone começou a tocar na casa e Bella ficou confusa, com aquela confusão de telefones tocando.
Atrás dela, Edward não se mexera. Será que Edward Cullen estava mesmo atraído por ela como afirmara? Então se ouviu uma batida na porta e a maçaneta girando. Como se houvesse um interruptor fazendo com que sua mente começasse a pensar em outra coisa, Bella imaginou James entrando na sala, por isso começou a andar para trás. Talvez ela tenha perdido o equilíbrio, não sabia, mas mãos surgiram para segurá-la pelo braço.
Em seguida, tudo o que Bella sabia era que estava virada de frente para Edward, com o corpo preso junto ao dele.
— Calma — murmurou ele.
Bella sentiu aquele som ressoar em seus mamilos e tremeu toda.
— Ah, desculpe, sr. Cullen — soou uma voz surpresa de mulher. — Ouvi o senhor chegar e achei que estava sozinho.
— Como você vê, Sue, não estou — respondeu Edward.
Grosseiro como sempre. Sua empregada estava acostumada, mas seus olhos brilharam de curiosidade ao ver a noivado meio-irmão de Edward ali em pé, junto a ele.
Quando Sue voltou a olhar o rosto do patrão, nada em sua expressão indicava que o que estava vendo a impressionava.
— O sr. James continua ligando, pedindo para falar com a srta. Swan — informou-lhe a empregada.
Bella tremeu novamente. Desta vez Edward acalmou-a passando a mão pelas costas dela e pousando-a numa curva da cintura.
— Não estamos aqui — ordenou Edward. — E ninguém deve entrar nesta casa.
— Sim, senhor.
A empregada saiu da sala novamente, deixando atrás de si o silêncio e a tensão que se apegavam ao peito de Bella. Totalmente incapaz de entender o que estava sentindo, ela se afastou bruscamente de Edward, confusa.
— Ela vai achar que nós...
— Sue não é paga para pensar — interrompeu-a Edward, cheio de arrogância, afastando-se para se servir de mais conhaque, enquanto Bella caía, sem forças, numa poltrona. — Aqui, tome isso... — Agachando-se na frente dela, Edward lhe estendeu outra taça. — Mas desta vez tente beber o conhaque, em vez de jogá-lo em mim — sugeriu. — Acho que vai ser melhor assim.
Aquela tentativa de fazer graça fez com que Bella o olhasse rapidamente, com culpa.
— Desculpe por aquilo. Nem sei por que agi daquela maneira.
— Não se preocupe.—O sorriso de Edward era cheio de ironia. — Estou acostumado a levar tapas em garagens e a tomar um banho de conhaque. É o que acontece com asquerosos.
Ele deu uma risadinha. Bella baixou os olhos para observar enquanto Edward mantinha aquela risadinha.
Então ele ficou sério novamente e Bella percebeu que ele tinha uma boca bem desenhada, fina e dura, mas... bela. E os olhos dele também eram belos, percebeu Bella quando, como se atraída por um imã, ela voltou a encará-lo.
Aqueles olhos verdes eram emoldurados por belos cílios grossos e curvados que acrescentavam um inesperado encanto ao rosto de Edward, algo que ela jamais se permitira ver nele antes. Aquele calombo no meio do nariz dele impedia que seu rosto parecesse perfeito demais. Um rosto de traços fortes, pensou Bella, duros e frios, e ainda assim belos — se você não levar em conta o cinismo que estava presente mesmo que ela não soubesse onde.
Tudo bem, Edward era muito mais velho do que ela. Oito anos mais velho do que James, o que fazia dele dez anos mais velho do que Bella. E aqueles anos a mais eram evidentes nas opiniões que Edward não se importava em dar às pessoas — especialmente para ela. Mas, quanto à aparência, ele não era velho. Sua pele tinha uma adorável cor de mel que recobria os ossos do seu rosto. Não havia rugas, nem linhas de expressão ao redor da boca e da testa — apesar de Edward a franzir muito.
Sem perceber que bebia o conhaque enquanto o observava, Bella deixou que seus olhos admirassem a largura dos ombros dele, escondidos sob o tecido fino do paletó, e depois se deixou pensar em como o peito dele era vasto, em forma e forte.
Em pé, Edward era mais alto do que James. Seu cabelo acobreado era mais curto do que o do noivo, cortado de modo a combinar com os traços duros do seu rosto.
Ela estava procurando confusão, pensou Edward seriamente ao ver que aquela generosa, sensual e rosada boca formava um biquinho ao examiná-lo, como se ele fosse um pedaço de carne de primeira estendido sobre uma tábua de açougueiro.
— Quantos anos você tem, Isabella?— perguntou ele, curioso. — Vinte e seis? Vinte e sete?
Ela ficou rígida.
— Tenho 24 anos! — gritou. — E este é mais um insulto vindo da sua parte.
— E você os está contando.
— Sim! — respondeu ela.
Com os olhos atordoados lançando-lhe faíscas de indignação, Bella era ainda mais deslumbrante, pensou Edward, ajoelhado em frente a ela e tentando decidir o que faria. Ele podia jogar-se para a frente e beijá-la — estranhamente parecia que Bella precisava que ele fizesse isso. Ou Edward podia cuidadosamente tirar a taça da mão dela, puxá-la para a frente, encorajá-la a superar o acontecido e oferecer-lhe o ombro para que Bella chorasse.
Algo se remexeu dentro dele — desta vez não era algo sexual, e sim uma pontada diferente. Será que Bella tinha noção do quanto estava tremendo? Tinha noção de como sua garganta tinha de se esforçar todas as vezes que ela bebia um gole de conhaque e que o cabelo estava ameaçando desfazer o coque?
—Acho que quero ir para a casa agora — murmurou ela distraidamente.
Para o apartamento que Bella dividia com a irmã?
— Beba todo o seu conhaque antes — aconselhou Edward, calmamente.
Bella ficou olhando para a taça que segurava com firmeza entre os dedos, como se estivesse surpresa por encontrá-la ali.
Quando levou a taça à boca, Edward observou aqueles lábios macios sugando a bebida quente e a pontada que ele sentiu se transformou numa ansiedade sexual novamente.
Soou a campainha.
James gritou o nome de Bella. Ela levantou a cabeça e a taça caiu de suas mãos, pousando no tapete e derramando o conhaque.
— Isabella... — Edward a segurou, pensou que ela desmaiaria.
Mas novamente Isabella Swan o surpreendeu. Ele não precisou puxá-la para perto de si porque foi ela quem se aproximou, sentando-se entre as coxas abertas dele e levantando os braços para se pendurar ao pescoço de Edward, com aqueles belos olhos castanhos olhando para ele numa mistura de súplica e desalento.
— Não o deixe entrar — implorou ela.
— Não deixarei — prometeu Edward.
— Eu o odeio. Nunca mais quero vê-lo.
— Não o deixarei entrar — repetiu ele.
Mas James gritou o nome dela novamente e Edward sentiu que Bella cravava as unhas em sua nuca enquanto os dois ouviam a empregada falando alguma coisa.
— Meu coração está batendo tão forte que não consigo nem respirar — sussurrou Bella, sem fôlego.
Uma fagulha de desafio pôs fogo nos olhos de Edward. Ele devia ter se controlado — Edward sabia disso, mesmo quando arriscou:
— Posso fazê-lo bater ainda mais rápido.
Se Edward disse aquilo apenas para distrair a atenção dela de James, a estratégia se mostrou acertada quando Bella entreabriu a boca, ofegando ligeiramente.
Edward levantou as sobrancelhas, sentindo a embriaguez, o calor e a energia sexual do desafio.
E ele se inclinou e possuiu-lhe a boca. Era como cair num poço de eletricidade, comparou Bella, sem perder nada daquele choque de alta voltagem. Ela nunca sentiu nada parecido. Edward manteve os lábios dela abertos e ofereceu-lhe a língua.
A surpresa de sentir aquele corpo estranho a fez tremer de prazer e depois se enrijecer, em estado de choque.
Edward repetiu o gesto e desta vez Bella protestou. Edward resmungou alguma coisa, para então passar os braços ao redor dela e puxá-la para perto, para beijá-la ainda mais. Bella se sentia grudada ao peito musculoso dele.
Ela podia ouvir James gritando. Algo duro e volumoso era pressionado contra seu corpo. Ao perceber o que era aquilo, Bella ficou muda para tudo, exceto para a sensação que despertava dentro de si.
Aquilo era loucura, ela tentou dizer a si mesma. Bella nem mesmo gostava de Edward Cullen, e mesmo assim estava pelo poder daquele beijo quente! Em toda a sua vida ela jamais beijara alguém daquele modo — nada chegou perto! Era como se jogar contra um rochedo apenas para descobrir que o rochedo tinha poderes mágicos.
As mãos dele passeavam por toda a sua coluna e cintura, puxando-a para mais perto, ao mesmo tempo em que Edward aumentava a força do beijo, dobrando o pescoço de Bella para trás e usando a língua para criar uma reação em cadeia de carinho que inundou todo o corpo dela.
Bella se ouviu gemendo alguma coisa. Edward resmungou algo. Então James a chamou mais uma vez, com dureza e fúria o suficiente para invadir sua consciência enevoada.
Foi quando Bella se afastou. Tremendo e ofegando, com o coração batendo forte, ela ficou olhando para aquele homem enquanto se lembrava da imagem de James se divertindo com Victória sobre a mesa. Como se a irmã soubesse o que ela estava pensando, o telefone de Bella começou a tocar na bolsa. Ela sentiu a traição queimar.
— Pelo amor de Deus, Isabella, vamos conversar! — gritou James.
Bella pensou em vingança. Edward viu o que acontecia e soube exatamente de onde aquela ideia vinha. Ele recobrou a sanidade de repente. Bella se ofereceria a ele. Mas será que Edward a queria daquele jeito, sofrendo e latejando com um desejo de se vingar de James, que podia facilmente entrar ali e surpreendê-los?
Bella se afastou de Edward e começou a desabotoar o terninho com dedos trêmulos e ansiosos. Edward soltou um suspiro.
— Você não quer fazer isso, Isabella — disse, grave.
— Não me diga o que quero ou não fazer. — respondeu ela.
As duas abas de tecido foram apartadas e revelaram um bustiê branco, feito de um material elástico que envolvia e moldava seus seios rígidos, palpitantes.
Edward olhou para eles e depois para os olhos escuros e febris de Bella, sentindo vontade de dizer um palavrão. Quando ela retirou totalmente o terninho, tentou impedi-la, mas parou ao perceber o desejo que transparecia em seu rosto branco como papel. Se não cedesse, a rejeição a destruiria. Sua garganta suave e branca se mexia ao engolir, os lábios quentes se abrindo para que pudesse dizer, rouca:
— Por favor...
E Edward sabia que estava perdido. No momento mesmo em que ela tomou a iniciativa, colocando os braços em volta de seu pescoço, sabia que não iria fazê-la parar.
Levantando as mãos para abarcar suas costelas, trouxe o tecido branco e apertado até sua cintura sexy, explorando seu corpo de uma maneira que afastou as últimas resistências que sentia. Sua boca faminta era como um convite. Edward subiu as mãos de volta pelo seu corpo e, dessa vez, cobriu inteiramente os globos perfeitos dos seus seios.
Ela se entregou a uma série de engasgos e espasmos que arquearam seu corpo sensualmente, as unhas afundando no pescoço dele de novo, o cabelo livre, caindo em ondas de seda sobre suas costas. Bella estava maravilhosa, uma complexa mistura de timidez e paixão, com a pele branca como lírio e a boca sensual aberta, e seus seios, dois montes sensacionais que preenchiam suas mãos e...
A porta da frente bateu. James havia desaparecido. Se Bella reconheceu o significado do som, não reagiu. Seus olhos ainda queimavam, convidativos.
Hora de fazer uma escolha, concluiu Edward, triste. Continuar com isso ou parar? Então ela cravou as unhas mais fundo, puxando a boca dele de volta para a sua e resolvendo a questão.
Bella sentiu que ele se rendia e teve um estremecimento que beirou a loucura. Deu-se conta da força da ereção latejante de Edward e o instinto fez com que se movesse em sua direção. Como resposta, Edward murmurou um som rouco e abraçou-a ainda mais forte, trazendo-a para o chão.
Em seguida, tomou-a nos braços e carregou-a — ela sentia o coração palpitar, acompanhando os passos dele no piso de carvalho enquanto atravessava o corredor e subia as escadas. Foi naquele momento que Bella sentiu uma chispa de sanidade. Sua cabeça recuou enquanto deixava o beijo de lado e fitava profundamente os olhos verdes de pálpebras pesadas de Edward Cullen, antes de examinar o espaço a seu redor como se houvesse acabado de acordar de um sonho.
Só então percebeu que o corredor estava vazio. Não havia ninguém ali. James não estava observando sua noiva traída ser carregada para a cama por aquele que seria em breve seu novo amante. Não havia governanta disfarçando o desgosto e a desaprovação.
— Mudou de ideia agora que não tem uma testemunha? — A voz áspera de Edward fez com que voltasse os olhos para ele de novo.
Havia parado em um dos degraus e seu olhar cínico e gelado estava de volta, atando a pele aos ossos do rosto.
— Não — suspirou Bella, e descobriu que estava sendo sincera. Queria fazer aquilo.
Queria ser levada à cama e fazer amor com um homem que a desejasse genuinamente; queria perder cada uma das inibições que possuía.
— Por favor — suspirou levemente, inclinando-se para beijar seus lábios rígidos. — Faça amor comigo, Edward.
Houve outro momento de hesitação, um cintilar de fúria no fundo dos olhos dele. Depois, moveu-se novamente, permitindo que ela respirasse, embora Bella não tivesse percebido que suspendera a respiração. Edward terminou de subir as escadas e levou-a até um quarto quente, de paredes claras e móveis grandes e escuros. Um tapete persa vermelho cobria a maior parte do piso liso de carvalho.
Então, tomou um choque quando ele a lançou sem cerimônia sobre a cama enorme e macia. Bella mirava Edward com olhos piscantes e ele a encarava com um olhar terrivelmente cínico e cruel.
— Fique aqui e coloque os nervos no lugar. — foi tudo o que disse, caminhando de volta até a porta.
— Por quê? — perguntou, trêmula.
— Não quero bancar o substituto de outro homem — respondeu com frieza.
Bella se sentou.
— V-você disse que me queria.
— Pode parecer estranho — retornou, e sua boca acesa pelo beijo ganhou uma expressão sarcástica —, mas perceber que você ficou excitada com a possibilidade de James nos ver juntos foi como um balde de água fria para mim.
Bella endireitou a coluna bruscamente.
— Eu não estava excitada com isso...
— Mentirosa — rebateu, e dessa vez a assustou de verdade, vindo até a cama e se inclinando o suficiente para fazê-la piscar, preocupada, pois não sabia o que aconteceria em seguida. — Só para deixar as coisas claras entre nós, Isabella ... — falou suavemente Edward. — Se você gostou do que fazíamos lá embaixo a ponto de esquecer James, então o que devo pensar do seu comportamento, senhorita Traída do Coração Partido?
Foi como um tapa no rosto. Bella apenas olhou para cima, porque o pior de tudo é que ele estava certo. Ela estava pensando em James quando o convidou a fazer o que fizeram lá embaixo. E não tinha nenhuma desculpa para o fato de ter pedido a Edward que a trouxesse para a cama do jeito que pediu. Mas o comportamento dele havia sido melhor?
— Seu canalha, cruel, insensível — sussurrou, puxando a perna e escondendo o rosto sobre os joelhos.
Edward concordou. Estava se comportando como uma fera, culpando-a por tudo o que se passara entre os dois lá embaixo. E que ainda mexia com ele, admitiu, virando-se e dirigindo-se de novo para a porta, desejando ter ficado em Atenas àquela manhã, em vez de...
Telefones começaram a tocar novamente, cortando a atmosfera ácida — o seu, no bolso de seu paletó, e outro, em algum lugar da casa. Puxando seu celular, Edward olhou para a tela, esperando que aparecesse o nome de James. Mas era Ângela, sua assistente pessoal.
Edward atendeu.
— É bom que seja importante — avisou, saindo do quarto e fechando a porta.
Bella levantou a cabeça ao ouvir a porta bater. Edward havia ido embora. Deixou-a sobre a cama e simplesmente se foi — porque podia fazer isso. Sentindo um ódio repentino contra ela mesma, cambaleou para fora da cama, sofrendo inimaginavelmente com a ideia de que mais um homem a havia humilhado naquele horrível dia.
Ah, tinha que sair dali! Bella quase gritou ao sentir essa necessidade, enquanto procurava pelos seus sapatos no chão, sem conseguir achá-los. Então, lembrou-se vagamente de que haviam caído de seus pés quando Edward a tomou nos braços.
Seus cabelos avançaram sobre o rosto, como se quisessem recriminá-la por ter se envolvido tanto no que fizera com Edward que só agora percebia estarem livres. Como ela mesma.
Estremeceu, virando-se como uma bêbada, sem saber para onde estava indo e dirigindo-se à porta. Saiu e desceu para o andar inferior sem topar com ninguém. A porta da sala de estar continuava escancarada e as lágrimas quase rolaram quando Bella percebeu seu paletó, jogado como um monte de tecido, perto da cadeira onde estivera sentada antes de...
Com um aperto na garganta, correu para apanhar a roupa que a irritava, vestindo-a e abotoando-a enquanto enfiava os pés nos sapatos.
Ele surgiu na porta e ali ficou, à vontade, preenchendo o espaço com sua presença dominadora e... O telefone começou a tocar na bolsa dela. Com o pouco controle que ainda tinha, Bella tateou a bolsa, depois puxou o celular para fora com dedos trêmulos e, furiosa, atirou o pedaço de plástico brilhante no chão. Ele parou de tocar.
O silêncio repentino latejou como um tambor em sua cabeça e a ameaça de choro surgia como vidro em chamas por trás de seus olhos e de sua garganta. Virou-se para a porta e então percebeu que Edward ainda estava ali, bloqueando sua passagem. A boca de Bella começou a trabalhar, lutando — lutando contra as lágrimas.
— Por favor — falou, com voz sussurrada e partida —, você precisa sair do caminho para que eu possa ir embora.
Silêncio. Ele não disse nada. Não tentou se mover. Seus olhos estavam semi abertos; os lábios, apertados. A maneira insolente como se postava ali foi suficiente para que Bella compreendesse que algo nele se alterara dramaticamente.
— Q-que foi? — perguntou.
Edward pensou em como Bella reagiria caso a acusasse de ser uma simples atriz.
— Só por curiosidade... — disse equilibradamente. — Ir embora para onde?
Mas por dentro ele não se sentia de modo algum em equilíbrio. Por dentro se sentia tão ludibriado que não sabia como estava conseguindo abafar tudo aquilo. A cúmplice de James — quem teria imaginado? Aparentemente aquela que parecia ser a calma e a honestidade em pessoa não era tão honesta quando se tratava de colocar as mãos ambiciosas e sorrateiras no dinheiro que James roubara dele!
— Encontrar-se com James, talvez? — falou, quando percebeu que ela ficaria calada.
— Não! — conseguiu dizer Bella, estremecendo. — P-para casa. Para meu apartamento.
— Você não está com a chave.
— Vou pedir ao zelador que abra a porta para mim.
— Ou a sua amada irmã — continuou Edward. — Prevejo que ela já está lá, esperando para agarrar você, assim que você chegar.
Estaria a irmã no esquema também? Olhem para ela, pensou, fechando os olhos, que piscavam mais e mais, antes de percorrer com eles o rosto de Bella. Abotoou-se até o pescoço de novo, como se o interlúdio amoroso que tiveram nunca houvesse acontecido — não fosse a denúncia do cabelo desarrumado, do vermelho das bochechas e do inchaço provocado pelos beijos dele.
— Que lhe importa se ela está lá ou não? — perguntou Bella. — Não é problema seu — informou, dura. — Você não devia ter se envolvido. Não sei por que o fez nem por que me trouxe aqui.
— Você precisava de um lugar seguro para recobrar o ânimo — disse Edward, seco.
— Seguro? — engasgou-se Bella. —Você mal tinha me arrastado para dentro de casa e já veio dando em cima de mim!
O dar de ombros despreocupado dele fez Edward sentir que queria, precisava se afastar daquela criatura insuportável, de tal maneira que se arriscou a ir a seu encontro, mesmo com as pernas trêmulas e frágeis — consciente de que os olhos dele a seguiam a cada passo — consciente de que estava prestes a cair no chão, transformada em uma poça de lágrimas quentes.
Mas Edward não saiu do caminho, permitindo que pudesse ir embora. Assim, quanto mais se aproximava, mais perdia o controle, protestando contra a ideia de que pudesse tocá-la de novo e, ao mesmo tempo, excitada com a expectativa de que o fizesse! Eu não me conheço mais, pensou Bella, sentindo-se desamparada.
— Saia — exigiu, recorrendo um pouco ao modo direto de falar dele.
Um leve puxão na boca de Edward demonstrava que ele percebera isso. Mas não se moveu.
— Você não pode ir embora — informou calmamente.
Ele estava louco?
— Claro que posso.
Com os ombros duros de tensão, Bella tentou tirá-lo do caminho, empurrando as mãos em seu peito. Não conseguiu. Era como tentar mover uma árvore. Por fim, Edward apanhou os dedos dela e afastou-os.
— Quando digo que você não pode ir, Isabella falo sério—informou, muito grave.—Quer dizer, pelo menos até a polícia chegar para levá-la...
Iiiii o que será que a Bella aprontou??? Ou James?? Comentemmm! Bjimmm!!!
