Capítulo 3
Boa Leitura!!!
Bella ficou paralisada por um segundo. Depois:
— A polícia? — falou, perdida.
— O Departamento de Fraudes, para ser mais preciso — confirmou Edward.
— Fraude...?
Edward entortou a boca ante as repetições dela.
— Fraude, aquilo que fazem falsários e charlatões — continuou, fitando seu corpo, como se quisesse dizer que era o que ela fazia ao se vestir agora daquele jeito, embora minutos antes houvesse quase enlouquecido de excitação.
Bella tremeu, suas faces ficaram rosadas de vergonha.
— Normalmente eu não...
— Dá em cima de um homem e engana-o depois...?
Liberando os dedos, Bella deu alguns passos para trás e olhou para Edward, percebendo afinal que ele estava levando a coisa para um lado indesejável.
— Já que não sei aonde você quer chegar com isso, seria melhor me explicar — disse Bella finalmente.
— Quer dizer que, quando você quis ir para a cama comigo, não foi uma fraude?
Os tensos lábios de Bella abriam-se e fechavam-se, porque a resposta verdadeira para aquela pergunta sarcástica não sairia de sua boca.
— Eu estava em estado de choque quando...
— Com medo, parece mais correto — interrompeu Edward —, pensando no que seria dos seus planos depois que James fez aquela sujeira no escritório hoje.
— Que planos? —Levando uma das mãos ao cabelo, tirou os fios que caíam sobre o rosto enraivecido e confuso. — Eu planejava casar-me com ele... Bem, aí está um plano fracassado — soltou. — E como você mesmo disse, com tanta gentileza, eu o apanhei fazendo sexo com minha própria irmã... então, lá se foi meu orgulho, junto com qualquer tipo de amor que pudesse sentir por ela! —Baixou a mão, entrelaçando-a na outra e apertando ambas contra o corpo. — Então me rendi a um desejo louco de que qualquer um me quisesse, e você estava no lugar certo, na hora certa. Mas esse era apenas mais um plano, que fracassou a partir do momento em que você não me quis m-mais!
— E agora está prestes a acontecer o mesmo com seu plano mais elaborado. — acrescentou Edward, sem se comover. — Então, parece que você está tendo um péssimo dia hoje, Bella. Um péssimo dia, realmente.
— Plano mais elaborado? Mas do que é que você está falando agora?
Pondo um sorriso nos lábios de que Bella não gostava, Edward se afastou do umbral da porta e encaminhou-se para o bar, enquanto ela olhava. Ele precisava de algo forte, concluiu, colocando uísque puro em um copo. Tomou um belo gole e virou-se para olhá-la.
— Acabei de falar com minha assistente pessoal. — iniciou. — Ângela tem estado muito ocupada investigando onde James escondeu o dinheiro que roubou de mim, e conseguiu rastreá-lo até uma conta bancária numa offshore em seu nome. Portanto, pode deixar a expressão de espanto de lado, Isabella: eu sei de tudo.
Nada aconteceu. Ela não engasgou, não desmaiou, não disparou uma metralhadora de negações ou desculpas para se defender da acusação. Em vez disso — observou Edward, sentindo a barriga gelar —, a sinceridade surgiu e se espalhou em seu rosto pálido, falso e mentiroso. Mas aquela boca não deixava de ser fantástica, observou — e atirou o copo ao chão, repentinamente enfurecido por ter se deixado enganar tão facilmente pelos disfarces provocantes dela.
— Acho melhor você se sentar antes que caia. — aconselhou monotonamente.
E ela seguiu o conselho, o que o deixou ainda mais irritado. A bruxa de cabelo esvoaçante caiu como uma pedra na cadeira mais próxima, depois cobriu a culpa do rosto com seus dedos leves de ladra.
James roubou o dinheiro. Bella estava empenhada em repetir isso o tempo todo. Havia colocado o dinheiro roubado em uma offshore, em uma conta bancária no nome dela. Bella tapou a boca com uma das mãos, pois a náusea retornara ainda mais forte.
No silêncio devorador que os separava, podia sentir as ondulações do ódio silencioso e do profundo desprezo de Edward Cullen tocarem-na. Se ele houvesse afirmado isso ontem, Bella não teria acreditado. Mas agora, depois de tudo o que fora obrigada a ver, não encontrava em sua mente uma única suspeita, por mínima que fosse, de que pudesse ter havido algum engano.
Tudo o que se relacionava a James fora mentira do começo ao fim. A maneira como usou sua beleza, seu charme e seu fabuloso sorriso branco para seduzi-la, a maneira como derramou suaves palavras de amor sobre ela e se recusou a fazer amor, porque desejava proteger-lhe a inocência, ao mesmo tempo em que vinha cinicamente planejando transformá-la em uma ladra! Tirando os dedos da boca:
— Vou devolver o dinheiro a você, assim que tiver acesso a ele.— prometeu.
— Claro que vai. — falou Edward. — Tão logo recobre a serenidade, será a primeira coisa que providenciaremos.
Essas palavras fizeram-na levantar o rosto, que agora estava mais branco que o branco, enquanto os olhos se mostravam mais marrons que o castanho.
— Mas você não entende. Eu ainda não posso tocar nele.
— Não se faça de coitada, Isabella. — falou Edward impaciente. — Não adianta, você vai me devolver o dinheiro agora. Hoje.
— Mas eu não posso! —A ansiedade a fez se levantar tremendo. — Não posso tocar nele até um dia antes daquele em que deveria me casar com James! Ele disse que era uma brecha na lei fiscal que havia descoberto... que você tinha falado sobre o assunto com ele! James disse que devíamos guardar o dinheiro em meu nome em uma offshore até o fim do negócio, no dia anterior ao do nosso casamento, depois transferi-lo para outra conta em nosso nome de casados.
De repente, Edward explodiu.
— Não quero que você envolva meu nome no seu esquema sujo. — gritou, furioso. — E me contar mentiras idiotas sobre o acesso ao dinheiro não vai tirá-la da enrascada, srta. Swan. Portanto, pegue o dinheiro de volta ou fique olhando enquanto eu chamo a polícia.
Num estado de terror que adormecia os nervos, Bella se afastou ao vê-lo por duas vezes se aproximar com uma expressão assassina no rosto. As costas das pernas dela bateram na cadeira que havia deixado vaga, fazendo com que caísse sentada de novo.
Edward se postou diante dela como havia feito no quarto, só que dessa vez Bella pôs as mãos para cima, movida pela necessidade instintiva de mantê-lo distante. Vê-la encolher-se de medo fez Edward ter ainda mais raiva.
— Não bato em mulheres! — gritou com voz rouca, depois deu meia-volta e afastou-se, saindo do cômodo.
A polícia, vai ligar para a polícia! Descontrolada, Bella pôs-se de pé e seguiu atrás de Edward com medo de aproximar-se, mas ainda mais apavorada com o que poderia acontecer se não o impedisse de levar adiante a ameaça. Ele havia cruzado o corredor e entrado no gabinete de leitura.
Parando sobressaltada à entrada do cômodo, viu quando ele apanhou o telefone de cima da mesa. O pânico pôs seu coração a mil por hora.
— Edward, por favor...
O tom de súplica da voz hesitante de Bella deixou Edward paralisado, com os largos ombros rígidos.
— Você tem que acreditar em mim. — implorou. — Eu não sabia que o dinheiro era roubado! James me enganou, fazendo com que o depositasse para ele, da mesma forma que o convenceu antes a ficar fora da transação.
A última parte não deve ter soado bem, porque Edward começou a batucar os números do telefone de um jeito alucinado, levando Bella a disparar pelo quarto para segurar seu braço. Músculos compactos, quentes, agrupavam-se sob seus dedos, a raiva e a rejeição avolumavam a estrutura muscular de Edward.
— Ele d-disse que era para assegurar nosso f-futuro. — falou, insegura. — Disse que era um legado do seu pai para ele e que você vinha administrando em nome dele. Disse que você...
— Queria tanto me livrar dele que estava disposto a infringir a lei se fosse o caso? — sugeriu Edward, quando o atropelo de palavras cessou.
— Algo assim. — admitiu Bella.
Então... ah, meu Deus, o que ela havia deixado James fazer com ela?
— Agora você está me dizendo que ele mentiu, o que significa dizer que me enganou com relação a absolutamente tudo e eu...
O telefone foi posto no gancho. Edward se virou para ela tão de repente que Bella não teve chance de reagir até se ver presa em seus braços. A boca dele se aproximou e tomou a sua com um calor raivoso que não oferecia nada além de punição. Ainda assim, ela correspondeu — correspondeu como uma louca, abraçando-o e beijando-o como se fosse morrer se não o fizesse!
Quando ele se afastou novamente, Bella estava chocada com sua própria perda de controle.
— Siga meu conselho — falou Edward, áspero. — Mantenha-se na linha da sedução; funciona bem melhor que a da inocente suplicante.
Então os dedos dele agarraram seus braços como pinças, que usou para afastá-la, e Edward voltou ao telefone. O coração de Bella alojou-se na garganta como um caroço latejante.
— Por favor. — pediu, tendo que engolir em seco antes de conseguir falar. — Eu não sabia que James havia roubado seu dinheiro, Edward! Posso devolver cada centavo em seis semanas, se você puder esperar, mas, por favor... por favor, não ligue para a polícia... pense no efeito que terá a prisão de James para a mãe dele! Ela vai...
— Você ama o canalha.— pronunciou Edward seco, interrompendo o que Bella tentava dizer e fazendo-a piscar.
— Antes, sim — admitiu ela. — Ele me seduziu e... — Engoliu em seco mais uma vez. — E eu sei que parece patético, mas eu me deixei seduzir, porque... — Ah, porque havia sido uma cega, uma idiota! Sabia disso, todo mundo provavelmente sabia disso! — Porque as coisas estavam péssimas entre Victória e mim, e acho que eu estava inconscientemente procurando uma saída. James lhe proporcionara isso.
Era mais fácil acreditar que se apaixonara por ele do que admitir para si mesma que estava tão infeliz com a vida que levava que abraçaria a primeira oportunidade de escapar dela sem provocar atritos com a família. Foi muito fácil fechar os olhos para o verdadeiro James. Em outras palavras, fora uma covarde, sem determinação para tomar controle da própria vida, necessitando contar com uma proposta como a que aceitou.
— Já havia percebido que James não era o que eu queria. — disse Bella, esforçando-se para prosseguir. — Estava prestes a dizer isso a ele hoje, quando nós... quando o peguei com Victória. Foi...
— Ângela...
Bella piscou ao ser interrompida pela voz de Edward.
— Suspenda a investigação sobre a srta. Swan — instruiu. — Houve um... engano. Ponha meu plano para Atenas em stand-by e adicione o nome da srta. Swan à lista de passageiros.
O telefone foi desligado. Bella respirou nervosamente.
— Por que você disse isso?
— Por que você acha? — Virou-se para ela com olhar duro. — Quero meu dinheiro de volta e como você acabou de me falar que só pode devolvê-lo em seis semanas, não vou deixá-la escapar de minha vista até então.
— Mas eu não quero ir a Atenas! — gritou Bella, com voz aguda. — Não quero ir a parte alguma com você.
— Considerando a sua situação, não foi a coisa mais inteligente que me poderia ter dito agora, Isabella. — falou Edward, severo.
— O que quer dizer com isso?
— Sexo. — disse, com voz arrastada, como se essa palavra escandalizadora fosse a resposta para tudo. — É sua única moeda de troca. Logo, dizer que você não me quer não vai ajudá-la, vai?
A repentina percepção do que Edward queria dizer fez Bella atirar os ombros trêmulos para trás, deixando os cabelos esvoaçarem ao redor do rosto.
— Não vou compensar seu prejuízo com sexo! — protestou.
— Realmente, não. — respondeu Edward, frio e diabólico. — Sexo com mulher alguma, não importa o quanto seja atraente, vale dois milhões.
— Não... — Mas Bella se sentiu afundar novamente em um pântano de confusão, o insulto pretendido rodopiando sobre ela, enquanto a nova revelação explodia em sua cabeça. — Quinhentas mil libras — insistiu, com lábios tão secos que doíam. — James abriu a conta com...
Sua voz sumiu ao ver a expressão de escárnio no rosto daquele homem.
— Quatro depósitos de quinhentos mil fazem dois milhões... sua aritmética está abaixo das expectativas. — Edward soletrou a verdade nua e crua para ela.
— Tem certeza?
— Cresça, Isabella. Você está lidando com um homem de verdade agora, não a sombra de homem por quem se apaixonou...
— Eu não o amo!
— Então temos um acordo. — continuou falando como se não houvesse escutado sua negativa. — Aonde quer que vá de agora em diante, você irá comigo. E para tornar a coisa mais agradável, dividiremos a cama enquanto espero longas seis semanas até que você tenha acesso ao meu dinheiro e o devolva para mim, dando o fora da minha vida para sempre!
O pânico que Bella vinha tentando evitar por tanto tempo finalmente arrepiou sua pele de alto a baixo. A necessidade imperiosa de se livrar daquele homem rude e a situação como um todo fez com que se levantasse e corresse para fora do quarto, voltando pelo corredor. Novamente se pegou procurando a bolsa.
— Vai sair? — ironizou a voz cruel... mais uma vez.
— Sim. — Apanhou o objeto irritante, que escapava dela sem que percebesse. — Vou achar James. Ele é a única pessoa que pode dizer-lhe a verdade.
— Você acha que vou acreditar em qualquer coisa que ele me disser?
Bella quase atirou a bolsa nele!
— Vou entregar de volta a você... cada centavo dos seus malditos dois milhões de libras, ainda que morra! — proferiu.
— Euros... —A fala lenta e calma de Edward a fez parar, pensativa, sem ideia do que significava. — O dinheiro terá sido convertido para euros. — explicou, passando em seguida a dizer qual seria a quantia nesta moeda, o que deixou Bella petrificada onde estava.
— Claro, daria no mesmo quando fosse convertido de volta para libras esterlinas, desde que a taxa de câmbio houvesse continuado estável, mas...
O movimento dos seus ombros disse o resto por ele: a soma estava crescendo sem parar a cada minuto na atual situação financeira.
— Além do mais há os juros que vou cobrar pelo... empréstimo.
— Eu odeio você. — foi tudo o que ela conseguiu sussurrar.
— Sorte sua, então, ficar tão excitada quando a beijo.
— Preciso falar com James.— insistiu Bella.
— Ainda acha que vocês dois podem escapar?
— Não! — Ela levantou o queixo, olhos cintilando, cabelos esvoaçando ao redor do rosto tenso. — Preciso que ele diga a verdade a você, mesmo que se recuse a acreditar nele!
Edward a observava com uma calma que não refletia o que se passava por dentro dele. Estava queimando de raiva — raiva de si próprio, mais do que de qualquer outra pessoa, por ter sido capaz de jurar que a reservada, honesta e digna Isabella Swan que pensava conhecer não era a verdadeira. Não há sinal dela agora, observou.
— Você terá de apanhá-lo primeiro. — disse Edward, seco. — Ângela me contou que James já deixou o país. Pegou carona no jato particular de um amigo no aeroporto de Londres. Foi mais rápido que você para perceber em que acabaria a festa, entende? Bastou um minuto de conversa telefônica com Ângela depois que saiu daqui para que entendesse ter sido pego. Deixou a bomba nas suas mãos, Bella. — Fez questão de soletrar para que ela captasse bem a ideia.
Sentindo que todo o peso do mundo caíra em suas costas, ela disse:
— Então só lhe resta entregar-me ao Departamento de Fraudes.
Edward fez uma careta irônica.
— Ainda me resta essa opção, sem dúvida. — concordou, observando-a piscar de espanto. — Porém você tem outra forma de contornar a situação, srta. Swan...
Ela piscou ao ouvir o formal "srta. Swan" dito por ele.
— Seria capaz de utilizar o único recurso que tem, até onde eu sei, e me fazer uma oferta irrecusável?
Estava falando de sexo novamente. Bella subiu o tom.
— Esse dinheiro é uma bagatela para você, não é?
Edward deu de ombros.
— A diferença entre nós dois é que sou rico o suficiente para chamá-lo de bagatela, e você não.
O que disse era tão verdadeiro que Bella não quis responder.
— Então você quer que compense seu prejuízo com... favores... — Não conseguia dizer sexo. — E em troca você promete não ir à polícia?
Edward sorriu com a omissão da palavra sexo e pela primeira vez o sorriso se mostrou nos seus olhos verdes.
— Você posa de honesta com perfeição, Bella. — disse, andando em sua direção casualmente e a fazendo ligar o mecanismo de alerta. — Pena que seu cabelo esteja desarrumado ao redor do rosto como o de uma sereia oferecida e seus lábios estejam ainda inchados e quentes dos meus beijos, porque isso me força a lembrar quem você é realmente.
Lutando para não piscar quando ele se aproximou para tocá-la:
— Quero que você prometa que, se eu fizer o que você quer que f-faça, você não vai à polícia. — insistiu.
Os dedos dele subiam pelos seus braços.
— Você sabe que não tem alternativa, não sabe?
Apertando os lábios, Bella fez que sim, seu coração batendo acelerado no peito quando ele agarrou seus ombros.
— Estou contando com sua palavra de honra.
— Você acha que eu sou confiável? — Parecia estar genuinamente curioso.
Ela balançou a cabeça de novo.
— Sim. — falou, contendo a respiração. Tinha que acreditar nisso, porque era a única maneira de conseguir suportar a situação.
Edward passeou os dedos acariciantes ao longo de seus ombros e de sua nuca, fazendo com que ela se sobressaltasse, enquanto um longo polegar levantava seu rosto pelo queixo. O hálito morno de uísque abria os lábios dela, e estes a traíam por saber o que viria em seguida.
— Nesse caso, você tem minha palavra. — disse Edward, suave.
Bella experimentou um aperto na alma como nunca antes ao dar aquele beijo que selava o contrato. Então o celular dela tocou, apartando-os, e Bella olhou para baixo, surpresa, pois pensava tê-lo quebrado ao atirá-lo contra o chão.
Edward correu para apanhá-lo, já que Bella parecia incapaz de mover um músculo, e voltou até ela de um jeito que lembrava o de um gato grande e peludo. Sem pedir permissão, atendeu ao telefone. Era um estilista querendo saber por que Victória não aparecera para provar umas roupas.
— Isabella Swan não é mais responsável pelo que faz sua irmã. — explicou, antes de desligar.
Bella olhou para ele sem crer no que ouvira.
— Por que você disse isso?
Edward devolveu um olhar sarcástico.
— Porque é verdade, talvez?
Bella tentou pegar o telefone. Ele o puxou e depois o atirou no bolso de seu paletó.
— Pense um pouco. — insistiu. — Você não poderá continuar sendo o capacho de sua irmã quando estiver em Atenas comigo.
Dizendo isso, fez lembrar a ela a cena no escritório de James. Este não apenas a tinha envolvido em seu esquema de roubo, mas a tratava como um capacho também! Bella se virou, desprezando-se por ser tão ingênua — desprezando James por fazê-la enxergar-se dessa maneira.
E ainda havia Victória, agindo de maneira egoísta por saber que no final não arcaria com as consequências. Então teve outro pensamento, o qual a atingiu como uma pedra no peito. Victória não precisava de Bella para manter a vida seguindo nos conformes, porque os trâmites para que uma agência profissional administrasse sua carreira de cantora já estavam em curso. Uma dessas firmas grandes e sofisticadas, do tipo que Victória queria.
Até a próxima semana no máximo, Bella não seria mais responsável por Victória, de modo que poderia ficar livre para se concentrar nos preparativos de casamento e na mudança para Milão!
E só agora ela entendia a razão por que Victória estava fazendo aquilo com James. Victória estava prestes a ter tudo o que sempre quis: uma equipe de alto nível para dar uma injeção na sua carreira e, mais importante, liberdade absoluta em relação às restrições que a irmã impunha.
Cobriu a boca com a mão. Seus dedos tremiam e seu corpo gelou até os ossos.
— Que foi agora? — perguntou Edward.
Ela fez um sinal com a cabeça, porque não conseguia falar. Sendo Victória do jeito que era, não permitiria à irmã ser feliz com seu belo italiano sem tentar estragar tudo. Já transei com seu homem, Isabella. Agora você pode viajar e casar-se com ele. Podia escutar a voz de Victória pronunciando essas palavras, embora não tivessem sido ditas. A dança do cisne de Victória. Sua maravilhosa maneira de se despedir.
— Ela armou tudo. — sussurrou. — Sabia que me encontraria com James hoje, então fez o que pôde para chegar no escritório antes de mim e armou tudo para que a visse fazendo... aquilo com ele.
— Por que sua própria irmã faria isso?
— Porque não sou irmã dela de verdade. — Bella tirou os dedos de sobre a boca. — Fui adotada... Por duas pessoas que pensavam que a chance de terem um bebê já havia passado. Cinco anos depois tiveram uma filha verdadeira como se recebessem um presente do céu. Todos adoravam Victória. — Bella a adorava!
Edward a guiou firmemente pelo braço de volta à cadeira, desaparecendo em seguida para apanhar uma segunda dose de uísque.
— Aqui. — murmurou. — Tome um gole.
Bella comprimiu as sobrancelhas e balançou a cabeça olhando para o copo:
— Não. — Sentia-se enjoada. — Leve embora.
Edward afastou o copo, mas permaneceu acocorado diante dela como já havia feito antes. Coxas grossas para a frente, antebraços sobre os joelhos. Seu terno era feito de tecido muito fino, caro e sem vincos — como o dono. E sua boca podia parecer sisuda, mas era uma boca que gostaria de beijar; sentia que a conhecia mais intimamente que a de qualquer outro homem — incluída a de James.
— Pare de me olhar como se estivesse preocupado com o que se passa comigo. — falou de repente, incomodada com o jeito dele, acocorado, analisando-a como quem se importa.
Edward fez uma careta e se pôs novamente de pé. Bella também, sentindo-se gelada por dentro, pois acabava de perceber que estava sozinha. Sem irmã. Sem noivo. Sem ao menos pais amorosos a quem pudesse recorrer, porque, apesar de a amarem, nunca a amaram como a Victória. A irmã sempre viria em primeiro lugar para eles.
— Então, o que é que você quer que eu faça? — murmurou por fim.
Edward lhe lançou um olhar sombrio.
— Já disse o que quero.
— Sexo.
Dessa vez conseguiu dizer a palavra.
— Não despreze a oferta, Bella. — falou Edward. — O fato de sentirmos desejo um pelo outro irá aliviar muitos de seus problemas.
Virou-se, deixando-a a fitar suas costas longas e amplas. Era tão severo que a levava a pensar em quem o fizera ser daquele jeito. Então se lembrou de James contando que Edward havia sido casado. De acordo com James, sua esposa era uma bela morena de olhos negros, latina, sensual, que excitava os homens com um simples olhar.
O casamento durara um breve ano até que Edward se cansou das traições dela e a expulsou de sua vida para sempre. Mas deve tê-la amado de verdade para haver conseguido suportar uma mulher infiel durante um ano inteiro. Havia ela destruído seus sentimentos a ponto de transformá-lo no cínico que era agora?
Como se visse seus pensamentos, Edward se voltou para Bella e percebeu a expressão que tinha no rosto. Seus olhos mantiveram contato durante alguns tensos segundos e foi como se entendessem um ao outro, como se Edward soubesse o que Bella pensava e seu olhar demonstrasse isso.
— Muito bem, vamos lá. — Rapidamente mudou de uma aparência quase humana para a de um homem que desejava usá-la como objeto sexual até conseguir seu dinheiro de volta. — É pegar ou largar, Bella. Mas decida logo, porque temos um avião pela frente.
Um avião pela frente. Uma vida a que se acostumar, enquanto colocava a sua de lado — de novo. Bella respondeu com um breve aceno de cabeça.
Foi o tanto necessário para que Edward a tomasse nos braços. Subiu um calor entre eles. Tentou protestar inutilmente quando a boca dele se aproximou. Mas foi totalmente tomada por um intenso prazer no mesmo momento em que sentiu a língua de Edward tocar a sua.
Quando ele se afastou, ela mal conseguia enxergar com nitidez. Seus lábios pareciam grossos e inchados — mas bem dentro, onde a verdadeira Bella se escondia, ainda se sentia gelada como a morte. Edward pensou em dizer "dane-se" e levá-la para a cama de novo, esquecendo todo o resto. Bella não tinha ideia — a mínima ideia — de como seu olhar de desamparo, junto com o terninho abotoado, estavam mexendo com ele.
Edward afastou a tentação, estranhando a confusão de seus sentimentos. Como havia se transformado de um magnata focado nos negócios em um sujeito cujo cérebro só se fixava em sexo? Não apenas o cérebro, teve de reconhecer quando precisou permanecer imóvel por um momento, tentando controlar partes mais excitadas do corpo.
Então Bella se moveu, atraindo seu olhar, e ele descobriu exatamente por que estava pondo aquela mulher em primeiro plano, antes dos seus negócios. Ela o estava levando à loucura há semanas, embora Edward houvesse se recusado a procurar o motivo até o momento em que James jogara fora sua chance.
Perda para James, ganho para ele. A tutela de Edward sobre Bella Swan seria tal que ela não conseguiria esconder nada dele. E Edward aproveitaria cada minuto dessa exposição. Então, quando as seis semanas terminassem, pegaria seu dinheiro de volta e continuaria a vida, sem que Bella surgisse como uma distração constante em sua cabeça. Talvez conseguir isso valesse os dois milhões.
— Preciso falar com m-meus pais...
— Você pode ligar para eles... de Atenas.
Surpreenda-os com o fato consumado.
— Isso não seria...
— Você prefere revelar todos os detalhes sórdidos? — cortou. — Prefere explicar que você e James foram pegos roubando e que a outra filha deles é uma vadia, ladra de marido?
As palavras ásperas estavam de volta. Bella soltou um suspiro, vencida.
— Preciso pegar meu passaporte no apartamento. — foi tudo o que disse.
— Então vamos pegá-lo.
Edward estendeu a mão com um convite que exigiria dela nova rendição — rendição que se fez sentir na breve imobilidade que se seguiu. Um passo a caminho da ruína, reconheceu sombriamente Bella, ao encostar a palma da mão na dele.
Os dedos delgados e bronzeados de Edward envolveram seus dedos finos, sentiu o calor dele atravessar sua pele gelada e sua força transmitir-se a ela, enquanto a conduzia ao corredor e, depois, para fora da casa.
Sinceramente eu sinto muita pena da Bella!! Coitada foi traída pelo noivo com a própria irmã! E agora é acusada de roubar do Edward! E ainda recebe essa proposta do mesmo! Eu no mínimo estaria furiosa com todo mundo! Rsrs Então comentem meninas e até o próximo!!! Até terça!! Bjimmmm!!!
