Capítulo 4
Boa Leitura!!!
Lá fora o sol da tarde caía suavemente no rosto de Bella. O curto caminho até seu apartamento foi feito em silêncio. A primeira coisa que viram ao chegarem foi o carro esporte prateado de Victória, e o coração de Bella ficou apertado.
Edward deve ter reconhecido o carro também, porque insistiu:
— Vou entrar com você.
Não fora um pedido. E, de qualquer maneira, Bella estava feliz de não ter que encarar Victória sozinha.
Sentindo o terror se alastrar por sua pele, caminhou até o vestíbulo acompanhada por Edward. O zelador ergueu a cabeça e sorriu. Tudo o que pôde fazer foi sorrir de volta polidamente.
— Não encontro minhas chaves. — falou para ele. — Posso pegar emprestada a reserva?
— Sua irmã está em casa, srta. Swan. — informou o zelador. — Posso ligar para que abra a porta para...
— Não.
Foi Edward que interrompeu o zelador. Este olhou para ele e não levou um segundo para reconhecer estar diante de alguém com poder superior ao seu.
— Vamos usar a chave reserva. Por favor.
A chave trocou de mãos sem mais uma palavra. No elevador, Bella voltou a se sentir mal. Ela não queria aquele confronto. Preferiria não ter que olhar nunca mais para o rosto de Victória.
— Quer que entre por você?
O tom sinistro da voz de Edward a fez respirar fundo antes de endireitar os ombros, pressionar os lábios e abanar a cabeça.
No momento em que pisou na sala de estar ultramoderna e sofisticada, sua irmã saltou de uma das cadeiras de couro preto. Os olhos de Victória estavam vermelhos, como se houvesse chorado, e o cabelo, sem ordem.
— Onde você esteve? — gritou para Bella. — Tentei entrar em contato com você! Por que não atendeu a porcaria do telefone?
— Onde estive não é da sua conta. — disse Bella calmamente.
Os dedos de Victória se cerraram.
— Claro que é da minha conta. Você é minha empregada! Quando digo "pule", você é paga para pular. Quando digo...
— Pegue o que você veio buscar, agape mou. — intrometeu-se uma voz calma.
O perfil sombrio de Edward surgiu na entrada. Victória ficou petrificada, seus olhos azuis de criança saltados e a vergonha avermelhando seu pescoço e seu rosto.
— S-sr. Cullen. — gaguejou, sentindo-se desconfortável.
Um respeito pelos mais velhos, notou Bella sorrindo enquanto caminhava na direção do cofre secreto onde mantinha documentos pessoais.
— Não o esperava aqui...
Victória tampouco esperava que Edward Cullen a surpreendesse com James, pensou Bella, e é esse o motivo de seu embaraço.
Edward não disse nada e Bella se surpreendeu com a animosidade que emanava daquele silêncio sufocante. Victória não estava acostumada a que a olhassem daquele jeito. Não estava acostumada a que a ignorassem. Vergonha e respeito se transformaram em rejeição e insolência dirigidas a Bella.
— Não sei o que você pensa que está fazendo aí no meu cofre, Isabella, mas...
— Cale a boca, sua vadia! — disse Edward.
Victória ficou vermelha até a raiz do cabelo.
— Você não pode falar assim comigo!
Brlla virou-se a tempo de ver Edward olhar para a irmã como se esta fosse um lixo antes de desviar os olhos para ela.
— Pegou tudo? — perguntou gentilmente.
Aquela gentileza quase a matou, embora estivesse longe de saber o motivo. Lutando contra lágrimas sempre próximas, fez que sim e ordenou às pernas trêmulas que a levassem de volta até onde Edward estava.
Victória lançou um olhar assustado.
— Você não vai embora! — gritou. — Você não pode ir embora. O idiota do James entrou em pânico e ligou para nossos pais procurando você... agora eles estão a caminho!
Bella a ignorou, sua atenção se voltou para o vão da porta que Edward ocupava. Preciso me afastar dela, disse a si mesma. Preciso...
— Você é uma idiota, cega e estúpida, Isabella! — Victória tornou ao ataque. — Acha que fui a única mulher a cair nos braços de James durante o relacionamento de vocês? Acredita realmente que alguém como ele se apaixonaria por alguém como você?
Bella fechou os olhos e simplesmente continuou a andar.
— Quem é você? Nada além do tipinho de mulher que a tola da mãe dele aprecia. Fiz um favor a você hoje. Você casaria com James sem saber quem ele realmente é! Já estava na hora de alguém abrir seus olhos. Você devia me agradecer por isso!
Bella havia se aproximado de Edward.
— Algo mais, antes de irmos embora de uma vez? — perguntou ele.
— Algumas roupas e... outras coisinhas. — sussurrou ela.
— Não ouse me ignorar! — enfureceu-se Victória. —Nossos pais chegarão aqui a qualquer momento. Quero que diga a eles que tudo isto é culpa sua! Tenho um show hoje à noite e não posso me apresentar com tantos problemas a minha volta. E você precisa agir para resolvê-los, porque não vai gostar nada se eu mesma tiver que fazer isso!
Edward deu espaço para que Bella passasse. No momento em que ela fechou a porta do quarto, reagiu, dirigindo-se a Victória.
— Agora me escute, garotinha mimada e azeda. — disse. — Uma só mentira a respeito do que aconteceu hoje e acabo com você. Pode contar com isso.
Victória ergueu a cabeça, seus olhos azuis destilando escárnio.
— Você não tem todo esse poder...
— Ah, tenho, sim. — disse Edward. — O dinheiro fala mais alto. Estrelas baratas e arrogantes do seu tipo há aos montes. Em meia hora dou um telefonema que arruinará sua carreira tão rapidamente que, quando você perceber, estará atolada no esquecimento. Promessas de contrato para discos podem ser desfeitas. Shows cancelados. Carreiras aniquiladas com um punhado de palavras nos ouvidos certos. — Victória ficou branca. — Vejo que entendeu meu recado —disse Edward, balançando a cabeça. — Você não está encarando um fã devotado, gracinha, está encarando um homem poderoso que pode enxergar a pessoa horrenda que se esconde por trás da máscara.
— Bella não deixará você fazer nada que me p-prejudique...— sussurrou Victória.
— Deixará, sim!— falou Bella, parada perto do vão da porta com uma mala rapidamente arrumada a seus pés.
Quando Victória olhou em sua direção, Bella lançou algo de entre os dedos que descreveu espirais no ar e aterrissou com um som seco no piso de madeira aos pés de Victória. Até Edward estremeceu ao perceber o que era. O anel — seu anel de noiva, cravejado de diamantes.
— Mais uma coisa minha que você ainda não provou.— explicou Bella. — Por que não experimenta e vê se fica tão bem em você quanto meu noivo?
O rosto escandalizado de Victória parecia um quadro.
— Não queria James e não quero... isso!
— Bem, qual a novidade? — Bella riu, sem saber como. — Desde quando você quer alguma coisa depois de possuí-la?
Então se instalou um pandemônio com a chegada dos pais delas, que entraram correndo pela porta que Edward não deve ter trancado.
Victória deixou correr um rio de lágrimas.
— Ah, minha pobre filha. — Bella ouviu sua mãe gritar. — O que aquele James fez com você?
Bella voltou a passar muito mal. Observou a maneira como seus pais rodearam Victória, tentando reconfortá-la, e sentiu como se estivesse sozinha no espaço sideral.
Depois seu olhar desviou-se para Edward, que se mantinha distante do que estava acontecendo, olhos verdes firmemente presos à expressão dolorosa de Bella.
— Podemos ir embora? — perguntou ela.
— Claro.
Abaixou-se para apanhar a mala de Bella. Ao endireitar-se, agarrou o braço dela com direitos de proprietário, e Bella ouviu Victória dizer com voz trêmula:
— Ele vem m-me assediando há semanas, mamãe. Fui até ele para dizer que parasse com isso ou contaria tudo a Bella. Quando dei por mim...
Edward fechou a porta. Nenhum dos dois falou uma única palavra enquanto andavam para fora do apartamento em direção ao elevador. Mantiveram silêncio em todo o percurso até o carro.
Edward arrancou com o veículo da mesma maneira, até que não suportou mais o silêncio, pressionou um botão na direção e acionou seu telefone. Bella reconheceu o nome "Ângela", mas não acompanhou o diálogo, pois conversavam em grego.
Manteve os olhos fixos na janela lateral e deixou a voz profunda, firme e estranhamente melódica dele embalá-la enquanto seguiam para fora da cidade, em direção à verdejante área rural da Inglaterra.
Revolvia dentro dela o aspecto terrível da situação que enfrentava, a mudança que se dera, fazendo com que rostos amados se transformassem em completos estranhos. Ela não os conhecia e, admitiu dolorosamente, eles também não a conheciam — ou se importavam com sua vida.
— Acha que eles já perceberam que você não está mais lá?
Notando que Edward terminara a ligação telefônica e voltava sua atenção para ela, Bella deu de ombros. Teriam ao menos percebido que ela esteve lá?
Comprimindo os lábios, nada disse. Um minuto depois, entravam pelo portão de um aeroporto privado onde, presumiu, Edward mantinha o jato da empresa. Passaram rapidamente pela burocracia. O tempo todo Bella permanecia calada a seu lado.
Então é isso, disse a si mesma quando caminhavam na direção de um jato branco, com o logotipo azul da Cullen brilhando em sua lateral. Ela quase — quase conseguiu dar um sorriso seco.
— Que foi? — Edward não deixava nada passar despercebido.
— Nada. — murmurou.
— Esqueça James e sua família. — disse ele, ríspido. — Você está melhor sem eles. Sou a única pessoa em quem você deve pensar agora.
— Claro. — ironizou Bella. — Estou prestes a me tornar o capacho sexual de um milionário, o que significa uma evolução e tanto em relação a ser manipulada como uma covarde por minha família e como uma ladra por James Volturi.
Edward nada disse, mas Bella sentiu sua irritação quando ele pressionou as costas dela para apressar a subida na escada do jato. O interior do avião deu a Bella uma nova ideia do que era uma viagem aérea.
Afastando-se de Edward, avançou alguns passos, depois parou, sentindo nervosismo quando ouviu a porta chiar ao ser fechada e o murmúrio da voz de Edward, que falava com alguém, embora não tenha se virado para ver com quem.
Isso não estava certo. Nada disso estava certo, uma voz dizia em sua cabeça. Não deveria estar naquele avião nem indo a Atenas com Edward Cullen — deveria ficar na Inglaterra e lutar para limpar o nome!
— Venha, deixe-me ajudá-la a tirar a parte de cima do terninho.
Edward atrás dela de novo, fazendo com que o corpo inteiro recobrasse a atenção quando as mãos dele pousaram-lhe levemente nos ombros.
— Prefiro ficar vestida com ela. — insistiu, arisca.
— Não, não prefere. — Introduzindo os dedos por baixo da gola, circundou seu pescoço tênue até localizar o botão superior fechado. — Você vai se sentir melhor sem ela.
Soltou o botão.
— Então deixe que faço isso.
Suspendendo as mãos, Bella agarrou os pulsos dele com a intenção de tirar suas mãos dali. Edward não deixou.
— O prazer é meu. — murmurou, ao abrir o segundo botão.
Os seios de Bella pularam, arrancando um soluço trêmulo de sua garganta.
— Seria ótimo que você arranjasse outra pessoa para atormentar.— disse secamente quando os nós dos dedos de Edward rasparam-lhe os bicos dos seios a caminho de libertar o botão seguinte, e sentiu os músculos do estômago se contraírem.
Edward apenas riu baixo.
— Onde você arranjou tempo para arrumar o cabelo de novo?
— No apartamento. — murmurou, tremendo como corda de piano quando o último botão abriu caminho para seus dedos ágeis.
— Você está muito tímida. — reclamou.
— E você está muito seguro de si. — disse ela.
— É como eu sou. — falou Edward casualmente, colocando suas mãos por baixo das mangas da roupa dela e encontrando a bolsa segura por dedos tensos.
Ele a libertou e a jogou de lado. Por que a perda da bolsa a fez se sentir mais exposta e sob ameaça, não sabia, mas quando Edward tirou o terninho de sobre seus ombros, Bella estava prestes a se dissolver em pânico. E o pior é que não conseguia dizer o que lhe dava mais medo: Edward e sua determinação de levá-la ao limite da razão ou ela mesma, porque seus sentidos insistiam em responder a ele, ainda que sua cabeça os mandasse parar!
As mãos de Edward chegaram às costelas de Bella e as apalparam sobre o tecido, que aderia tão bem ao corpo que era como tocar a pele.
Bella fechou os olhos e rezou, pedindo uma salvação, então ele a puxou para si e ela sentiu os contornos másculos de seu corpo.
— Edward, por favor. — falou, entre pedindo e protestando.
Não adiantou. Ele baixou a boca e tocou os lábios na pele de sua nuca. Bella sentiu como se caísse de uma colina, tamanha foi sua entrega.
Soltou uma espécie de grunhido e sua cabeça voltou-se para baixo, permitindo a gentil mordida dos dentes de Edward. Quando este começou beijando ao redor do pescoço, rolou-o de lado, permitindo-lhe acesso. Adorava o que ele estava fazendo.
— Uhmmm, sentir você é como tocar em seda quente e viva. — murmurou Edward. — Você tem um lindo corpo, Isabella. — acrescentou, avançando as mãos e apanhando seus seios até sentir os bicos rijos como botões. — Quero que você vire a cabeça e me beije, agape mou. — acrescentou, grave.
E ela fez o que pedia. Rendeu-se com um suspiro ansioso quando Edward lhe ergueu as mãos e entrelaçou-as em sua nuca. O flexionar do corpo dela era inacreditavelmente erótico. Bella sussurrou algo — nem ela mesma sabia o que —, depois se doou inteira, retorcendo a cabeça e indo em busca da boca expectante dele, que Edward entregou em beijos seguidos, quentes e profundos.
Os dedos dela se enrolaram nos fios do cabelo dele. Era inacreditável. Bella não se reconhecia daquele jeito, tão suave, receptiva e terrivelmente necessitada.
— Estamos prontos para decolar, sr. Cullen. — anunciou uma voz de repente.
Edward puxou a cabeça para trás e todo o episódio se desvaneceu como um anel de fumaça. Bella abriu os olhos e descobriu que não conseguia fixar as imagens. Círculos de calor queimavam suas faces. Deu-se conta de que suas mãos permaneciam coladas à cabeça dele e retirou-as, sua boca parcialmente aberta fechou-se com um estalar quente dos lábios.
— Você é uma caixa cheia de deliciosas surpresas. — ouviu Edward zombar. — Uma vez aberta, simplesmente mostra tudo.
E o pior era que ele estava certo! Toda vez que a tocava era o mesmo que perder a dignidade e o senso comum. Essa percepção fez com que Bella o soltasse, cruzasse os braços sobre o próprio corpo e ficasse ali, trêmula, lutando para retomar o autocontrole.
Um motor entrou em funcionamento.
— Sente-se, aperte os cintos, relaxe. — convidou Edward em seu odioso tom sardônico e afastou-se.
Vendo-o deslocar-se pela cabine Bella acreditou surpreender uma ponta de irritação em seus movimentos e entendeu. Para um homem como Edward Cullen o acordo havia sido feito e irritava-o que permanecesse bancando a tímida.
Pelo pouco que sabia de sua vida particular, podia dizer que Edward gostava de mulheres experientes e sofisticadas que soubessem responder afirmativamente a sua rotina de sedução e não das que se mostravam excitadas, depois tensas e recatadas se tentava agir naturalmente com elas.
A questão da diferença de idade entre eles de repente apareceu. O fato de não ser natural que os dois estivessem juntos a irritava no momento em que escolheu uma poltrona ao acaso e se sentou. O avião pôs-se em movimento.
Bella observou Edward retirar o paletó para revelar ombros musculosos que estufavam o tecido branco da camisa. Ele deitou o paletó no encosto da cadeira que estava diante da mesa, depois acomodou seu longo corpo no assento colocado num ângulo em relação a ela, flexionou os músculos para apertar os cintos, esticou o braço para apanhar uma pilha de papéis e sentou-se de volta para ler.
Tirando os olhos de Edward, Bella procurou seu cinto, tentando apertá-lo, mas espiou o casaco do terninho no assento da frente e num impulso o agarrou e vestiu, abotoando-o até a garganta sem saber o que tentava provar com isso. A não ser que tivesse a ver com a bolha de ódio que sentia ferver por dentro ao vê-lo à vontade ali, às voltas com o trabalho e passando a impressão de que já a havia esquecido, o que se parecia muito com a maneira como a família de Bella agira com ela no apartamento.
Dez minutos depois estavam no ar e o laptop de Edward, aberto, sua voz insistente penetrava os ouvidos dela como um melódico zumbido. Uma aeromoça de voz gentil apareceu ao lado de Bella para perguntar se gostaria de algo para comer e beber. Sabia que não conseguiria comer nada naquele momento, mas perguntou se poderia tomar uma xícara de chá.
A funcionária disse um "claro" risonho e foi providenciar o pedido. Edward girou a cadeira. Olhou para Bella, estreitando os olhos ao ver o terninho abotoado.
— Terá que ficar desabotoado alguma hora. — murmurou lentamente.
Bella levantou o queixo e apenas olhou com raiva. A provocação fez os olhos dele cintilarem e deixou Bella sem ar. Então ele teve de voltar a atenção para seu link via satélite, deixando-a excitada e intimidada ao mesmo tempo.
Pelas três horas seguintes Edward trabalhou à mesa e ela tomou chá e leu uma das revistas que a aeromoça lhe trazia. Ao longo da viagem Edward virava sempre a cadeira para olhar para ela, esperando até que Bella se sentisse compelida a encará-lo e sustentando o olhar dela com promessas sombrias para o futuro.
Uma vez levantou-se, veio até ela, inclinou-se, apanhou sua boca em um beijo profundo. Quando se afastou, o botão superior do paletó de Bella estava aberto. Edward fizera isso para superar a provocação que Bella havia feito e ela sabia disso, mas seu corpo se alterava e os bicos dos seios apontavam.
Quando ele voltou a girar a cadeira, o botão estava fechado de novo e ela se recusou a levantar os olhos da revista. Chegaram a Atenas sob um calor de forno e uma escuridão úmida. Foi um verdadeiro choque cultural testemunhar como a passagem pelos trâmites burocráticos era tranquila. E Edward parecia diferente, um estranho alto e moreno caminhando a seu lado.
A expressão de seu rosto estava mais dura e usava de uma formalidade expedita ao tratar com os outros. Certa calma quando obrigado a falar com ela. Bella atribuiu a atitude dele à maneira como as pessoas os olhavam.
Quando viu três pesadas limusines pretas esperando para apanhá-los no aeroporto, de repente compreendeu o tamanho do poder e da importância que Edward Cullen tinha na capital de seu país.
— Que show. — murmurou, sentando-se ao seu lado no banco traseiro do carro, forrado de couro negro, enquanto os outros dois automóveis permaneciam colados aos para-choques traseiro e dianteiro.
Sentado no banco dianteiro estava um homem que Edward havia apresentado como "Félix, meu chefe de segurança". Só quando o apresentou Bella percebeu a frequência com que outros homens se moviam ao redor, na sombra, onde quer que Edward estivesse.
— Dinheiro e poder fazem seus próprios inimigos. — respondeu ele, como se aceitasse aquilo como parte de sua vida.
— Quer dizer que você tem que viver sempre assim?
— Aqui em Atenas e em outras cidades grandes. — afirmou.
Agora entendia por que Edward era tão cínico em sua relação com as outras pessoas. Viaja a qualquer parte em seu avião particular, anda em limusines privadas e tem um saldo bancário que a maioria das pessoas não reuniria em seus melhores sonhos. E tem tanto poder na ponta dos dedos que provavelmente acredita genuinamente que se encontra num plano superior ao de todos os outros seres.
— Nunca vi isso em Londres. — disse ela, lembrando que enquanto estivera em Londres ele mesmo dirigia.
Edward virou a cabeça para olhar para ela, olhos verdes brilhando na penumbra do carro.
— Estava lá. Você apenas não se deu ao trabalho de ver. Talvez não, mas...
— Não podia ser assim tão evidente lá. — insistiu. — Convivia com alguma forma de segurança quando Victória cantava, mas nunca nada como isso; e nenhuma com James. — acrescentou franzindo a testa. — Embora pareça estranho agora, quando penso em como James é e...
Ele se mexeu, apenas um breve movimento de corpo, mas com o qual fez Bella virar o rosto para apanhar o brilho de seus olhos.
— Que foi? — perguntou ela.
— Nunca me compare com ele. — falou, frio.
Os olhos dela cresceram.
— Mas eu não estava...
—Você estava a ponto de fazê-lo — cortou. — Sou Edward Cullen e é na minha vida, com todas as restrições e privilégios, que você está entrando. James era um ninguém. — Abanou a mão de dedos longos e finos como se afastasse seu meio-irmão para longe. — Meramente um aproveitador que gostava de surfar em minhas ondas...
Bella ficou pálida.
— Não diga isso. — sussurrou.
— Por que não, se é verdade? — declarou, sem saber que acabara de devastá-la ao usar, para descrever James, as mesmas palavras que sua irmã usara para descrevê-la. — O nome dele é James Volturi, apesar de preferir pensar que é um Cullen. Mas ele não tem sangue dos Cullen para ampará-lo nem dinheiro dos Cullen's em sua posse. — deixou escapar com desprezo. — Tinha um escritório em cada um dos edifícios Cullen porque era bom para sua imagem parecer que merecia um lugar ali, mas ele nunca trabalhou neles... não no sentido verdadeiro do termo, pelo menos. — O tom cínico de sua voz fez Bella empalidecer ainda mais. — Recebia um salário que fazia muito pouco por merecer e gastava-o em tudo o que queria, roubando-me pelas costas enquanto eu pagava pelos seus gostos extravagantes. — continuou. — Age como um bêbado e um jogador inveterado quando se trata de mentir para si mesmo e para todos os que se relacionam com ele, inclusive você, falsa noiva traída.
Atingida pela crítica dele:
— Ex-noiva. — disse Bella, trêmula.
— Ex-tudo, no que lhe diz respeito. — pronunciou Edward. — De hoje em diante ele é carta fora do baralho e eu sou o único homem que importa para você.
Havia exigido que ela tirasse a família da cabeça, agora insistia para que esquecesse James.
— Sim, senhor. — falou Bella impulsivamente, desejando poder tirá-lo de sua cabeça também! Um franzir sombrio marcou sua expressão ao ouvir o tom sarcástico dela.
— Acho que algumas verdades básicas podem ajudar a manter esse relacionamento honesto.
— Honesto? — Bella quase sufocou de surpresa. — O que você está fazendo, na verdade, é me comunicar que espera controlar até meus pensamentos!
A impaciência apontou nos olhos de Edward.
— Não é o que eu espero...
— Sim, é o que você espera!
Ele deixou escapar um suspiro de raiva.
— Não vou deixar você atirar o nome de James em minha cara a cada cinco minutos!
Bella remexeu-se furiosamente ao redor dele, quase engasgando.
— Não atirei o nome dele em você... você é que o repete para mim o tempo todo!
— Não era minha intenção. — respondeu.
— Você não é melhor que James, apenas difere dele na maneira de tratar as pessoas... as mulheres!— pronunciou, olhando devastadoramente através da espessura do banco. — Já que estamos nesta espécie de comitiva presidencial, sua asquerosa arrogância é a única falta que lhe vou atribuir, mas seu...
— Asqueroso... de novo? — ironizou.
Foi a gota d'água.
— E completamente, pateticamente ciumento de James!
O silêncio estourou ao redor deles com o mesmo efeito de címbalos batendo uma nota em crescendo e fazendo o coração de Bella acelerar. Não podia acreditar no que acabara de dizer. Arriscando mais uma olhadela para Edward, percebeu que ele a encarava como um tubarão prestes a atacar, e ela agora nem mesmo conseguia respirar direito, porque a tensão entre eles sugava todo o oxigênio do interior luxuoso do carro.
Edward reagiu com um ataque rápido. Para um homem tão grande, agia de modo leve e preciso, de maneira que quando deu por si, Bella estava sendo puxada através do espaço que os separava e indo aterrissar sobre o colo dele.
Os olhos dos dois colidiram. Os dele, com chispas douradas de raiva que Bella nunca vira antes. Os dela, muito profundos e marrons, e assustados com o que subitamente começava a ferver em seu sangue.
Precisou lamber os lábios subitamente secos para conseguir dizer com voz embargada:
— Eu não tive a intenção de... — Então veio o beijo... o ataque-surpresa quente e apaixonado que silenciou sua tentativa de se retratar pelo que dissera e colocou-a em luta com lábios, línguas e mãos que não sabiam como permanecer quietos.
O hálito de Edward cauterizava sua boca e o conjunto de dedos longos abarcava os contornos arredondados de sua cintura, os dedos dela mesma se aplicavam a qualquer parte da anatomia dele que pudessem tocar, enquanto suas bocas lutavam e se encaixavam.
O movimento do carro e o fato de estarem em um foi esquecido durante a luta. Bella se retorcia de encontro a ele. As mãos de Edward mantinham o controle. Ela sentiu suas unhas sendo cravadas na nuca dele e o peito duro de pedra de Edward imprimir-se contra sua camisa.
Edward adorou aquilo. Bella o ouviu gemer de prazer dentro de sua boca e sentiu um arrepio prazeroso na parte dianteira do corpo, a poderosa onda produzida por sua reação se fez perceber na pressão que subiu do colo de Edward. Então a mão dele vagou sob a saia dela e percorreu a pele clara no topo de sua coxa, abaixo da calcinha. Se prosseguisse, perceberia que Bella estava usando fio-dental, então ela aumentou a força com que lutava para se livrar dele antes que conseguisse chegar ali — perdeu a luta e um tremor de vergonha imobilizou sua boca.
— Bem, o que nós temos aqui? — murmurou lentamente após uma pausa, os dedos longos se espalhando sobre uma superfície arredondada e macia como o cetim, e cortou a capacidade respiratória de Bella. — O disfarce de mulher decente está se mostrando cada vez mais esgarçado.
— Cale-se! — disse ela com um nó na garganta, olhos bem fechados. Nunca mais usaria fio-dental de novo, jurou, agitada.
Edward afastou a mão do corpo dela e os olhos de Bella se abriram, porque precisava saber o que ele faria em seguida. Pegou-se fitando o rosto zombeteiro dele. A raiva se fora e sua autoconfiança masculina, sensual, tranquila estava firme de volta.
— Mais algum tesouro escondido que deva descobrir? — Arqueou uma sobrancelha negra, interrogativa.
— Não. — murmurou Bella, o que o fez soltar uma gargalhada densa e sombria que serpenteou por dentro do seu corpo, como quase tudo o que se relacionava com ele fazia. Depois não sorriu mais.
— Tudo bem, tenho ciúmes de James no que diz respeito a você. — Ele a chocou verdadeiramente ao admitir isso. — Então siga meu conselho e não o traga para nossa cama ou não responderei pelas minhas reações.
Antes que pudesse retrucar àquela rendição inesperada, Edward inclinou a cabeça e a beijou. Bella não soube quanto tempo durou o beijo, pois simplesmente se deixou perder na promessa quente, lenta e embriagante que oferecia.
O carro começou a parar. Ambos sentiram a mudança de velocidade, mas foi Edward que se afastou e com um suspiro a tirou de seu colo, pondo-a de volta no banco. Acomodando-se no canto do carro, ele então observou a maneira como Bella se concentrava tentando arrumar-se, dedos trêmulos conferindo os botões e puxando a saia sobre os joelhos.
— Senhora Certinha. — sorriu suavemente.
Erguendo os dedos para ajeitar o cabelo, Bella nada disse, a testa franzida brincando com a sobrancelha, porque não conseguia entender como podia ser presa de seus beijos tão perdidamente como era.
— Chama-se atração sexual, pethi mou. — explicou Edward, lendo seus pensamentos como se fosse dono deles agora.
O perfil de Bella capturou a atenção dele ao ficar levemente rosado. Se não estivesse avisado, poderia jurar que Isabella Swan era uma noviça completa em preliminares sexuais. Ia de fria a quente e de quente a tímida e digna. Não era uma paqueradora. Não convidava nem flertava. Parecia não ter ideia do que provocava nele e, no entanto, era tão receptiva a tudo o que ele fazia. E conseguia acendê-lo simplesmente sentada ali, olhando para ele. Não era nada desagradável; na verdade, havia tanto tempo que sentira esse tipo de atração por uma mulher que pensava ter perdido a capacidade de experimentar algo com tal intensidade.
Carmen fizera isso com ele, tornara-o seco de sentimentos e transformara-o emocionalmente em um cínico. Mas sua ex-mulher não era alguém em quem quisesse pensar agora, disse a si mesmo, focando a atenção naquela mulher que levava suas sensações ao limite, mesmo estando apenas sentada ali.
— Chegamos. — murmurou, usando a informação como mais um estímulo sexual, vendo em seguida a coluna maleável de Bella tomar-se de tensão enquanto ela olhava para além do vidro do carro para fitar os duplos portões de aço que guardavam a entrada da propriedade.
Bella observou quando os portões se abriram. Os carros os cruzaram, em seguida dois se espalharam para as laterais quase imediatamente e o em que estavam seguiu uma linha reta até a frente da mansão branca de três andares de Edward.
Félix estava fora do carro e abriu a porta de Edward no momento em que o carro parou ao pé dos curvilíneos degraus de entrada. Edward desceu com a lamuriosa consciência de que sua perna parecia não ser capaz de sustentá-lo. O desejo é uma dor debilitante e atormentadora quando nos enterra o dente, pensou, lamentando-se, ao virar-se para olhar o motorista abrir a outra porta para que o objeto de seu desejo pudesse sair do carro.
Bella lançou os olhos do topo do veículo até a mansão, com suas curvas modernas na fachada construídas de modo que combinassem com o formato dos degraus de mármore branco. Luz saía das janelas de vidro abaulado, dispostas em três fileiras e enquadradas pelos corrimãos das brancas sacadas
— Moro no andar superior. — disse Edward — Os quartos de hóspede ficam no intermediário. Minha equipe administra o térreo... o que acha?
— Parece um navio de cruzeiro. — murmurou Bella.
Edward sorriu:
— A ideia era essa.
Félix se mexeu ao seu lado, lembrando a Edward que estava ali. Edward o fitou; foi tudo, e Félix e o motorista voltaram até o carro e bateram a porta com firmeza. Então, o veículo foi embora, deixando Edward e Bella fitando um ao outro através do espaço que deixou.
Fazia calor e estava escuro, mas a luz do prédio iluminava os dois e o cheiro exótico de jasmim permanecia no ar. Bella observou os olhos de Edward percorrerem seu terninho e a bolsa, que mais uma vez segurava diante do corpo. Ele nem ao menos precisava mais dizer em que estava pensando: apenas sorriu e ela soube exatamente o que se passava em sua cabeça.
Deixava Bella saber o quanto desejava despi-la de tudo aquilo que costumava usar como escudo. E a pior parte disso é que, como dando uma resposta, o interior dela formigava com torrentes de excitação através de músculos íntimos e expectantes.
Quando Edward estendeu a mão num comando silencioso para que fosse até ele, Bella se viu cruzando a distância que havia entre os dois como se estivesse sendo puxada por cordas.
Essa irmã da Bella é uma invejosa! E os pais dela nem se fala! Fiquei com muita pena da Bella nesse capítulo! Mas no próximo as coisas vão esquentar mais! Então comentemmm!!! Bjimmmm!!!
