Capítulo 6
Boa Leitura!!
Enrolada num robe que encontrou atrás da porta, Bella aspirou profundamente, depois abriu a porta do banheiro e saiu. Seu coração batia aceleradamente. Levara horas para armazenar coragem para deixar o santuário do banheiro e seus músculos doíam, estava trancada na defensiva e pronta para encarar Edward, aconchegado na cadeira perto da cama.
Gastou apenas alguns segundos para perceber que agonizara por nada, porque ele não estava no quarto. E a cama havia sido forrada tão perfeitamente que parecia nunca ter sido usada. Até as roupas dela haviam sido recolhidas e arrumadas sobre a cadeira onde Edward estivera.
Sue viera e ajeitara tudo? Essa ideia lançou uma descarga de calor em suas faces. Bella desviou os olhos de cima da cama e começou a esquadrinhar o quarto, procurando sua bolsa, desejando que alguém a tivesse dito que se sentiria deste jeito — completamente tensa e horrivelmente incerta quanto ao que ocorrera — depois de pular na cama com um homem que mal conhecia!
Então a porta do quarto se abriu e ela se virou na sua direção. Meio que esperando encontrar Sue ou uma das empregadas, foi tomada por uma agitação selvagem quando Edward apareceu. Estava vestido e ela, definitivamente, não. A forma como seus olhos se moveram até Bella tornou ainda mais profunda a prostração que ela sentia.
Edward fechou a porta e começou a caminhar ao seu encontro como um poderoso senhor da guerra que viesse reclamar sua mulher para uma segunda rodada de sexo desvairado, e quanto mais perto chegava, mais ela ia ficando nervosa. Como era capaz de exibir aquele sorriso tranquilo no rosto, como se tudo neste mundo estivesse absolutamente perfeito? Ele nunca havia se sentido esquisito ou tenso, ou pelo menos intimidado? Este homem, não, nunca, concluiu, estremecendo por dentro quando Edward parou bem em frente a ela. Expelia o tipo de vitalidade masculina que fazia os dedos de Bella pressionarem a gola do robe contra a garganta.
— Seu cabelo está molhado. — observou Edward, erguendo a mão para lhe afagar a parte posterior do topo da cabeça.
— O boxe do seu banheiro tem vida própria. — respondeu Bella, ainda sentindo os jatos de água que a acertaram de todos os ângulos.
— Vou atrás de um secador de cabelo para você. — murmurou, movendo a mão para acariciar o rubor de sua face. — Mas, na verdade, você me parece adorável do jeito que está e se eu achasse que poderia aguentar mais de mim novamente, arrastaria você de volta para a cama agora.
Bella afastou a mão dele.
— Não permitiria isso.
— Talvez você não tivesse muita escolha. — aguilhoou.
O olhar de surpresa de Bella colidiu com seus sorridentes olhos verdes.
— Você quer dizer que me obrigaria?
— Faria você mudar de ideia através da sedução, querida. — corrigiu, inclinando depois a cabeça para lhe roubar um beijo.
E não foi um roubo simples. Deixou seus lábios colados aos dela durante tempo suficiente para provocar reações em Bella, antes de endireitar-se de novo.
— Felizmente para você, neste momento estou com fome de comida de verdade. — zombou. — Encontre algo confortável para vestir enquanto tomo banho, depois vamos comer.
Dizendo isso, entrou no banheiro. Arrogante — arrogante — arrogante!, pensou Bella ao limpar da sua boca o gosto da boca de Edward. Totalmente incomodada consigo mesma por ter sido tão suscetível, procurou sua bolsa e usou um pouco da irritação ao atirá-la na cama e puxar-lhe o zíper.
Nos instantes seguintes, permaneceu quieta, olhando para a bolsa sem absolutamente a mínima ideia de que diabos havia colocado ali dentro. Tinha apenas uma lembrança muito vaga de apanhar roupas aleatoriamente, depois jogá-las na mala.
Dedos tensos apertando novamente a gola do robe, enfiou a outra mão para vasculhar a mala e sacou um jeans velho e uma camiseta verde desbotada. Ótimo, pensou, colocando as duas peças insossas na cama. Duas calcinhas comuns — não do tipo fio-dental, — graças a Deus — surgiram em seguida e Bella as atirou à cama também.
Encontrou outro terninho cortado como o azul que usara àquele dia inteiro, apenas este tinha uma cor creme apagada que a fez franzir a testa, porque não conseguia imaginar-se comprando aquilo, quanto mais usando. E, no entanto, o havia comprado, pois do contrário não estaria ali. Ou talvez essa nova Bella — a que apertava o robe contra o pescoço depois de ter perdido a virgindade — desenvolvera gostos diferentes.
Ela certamente se sentia outra, viva e ativa em regiões íntimas, e tão consciente de seu próprio corpo que este começou a formigar a partir do momento em que pensou nele. Sem maquiagem, descobriu. Duas saias sem graça seguidas de um par de jaquetas muito sem graça. Um corpete de crochê preto apareceu depois. Só um par de sapatos — e nenhum sutiã!
Suspirando pesadamente se virou para a cadeira onde estavam suas outras roupas dobradas e via-se prestes a ir buscar o sutiã branco quando Edward saiu do banheiro. Não fosse pela toalha que envolvia sua cintura, ele estaria nu.
Meu Deus, eu o desejo terrivelmente, percebeu quando aquelas pernas pararam, levando seus olhos a fitarem os dele. Era como estar sendo sufocada, comparou, estonteando, porque sabia que Edward estava interpretando suas reações pela maneira como ele estreitava os olhos.
— Esqueci de trazer minha m-maquiagem.
— Você não vai precisar de maquiagem para jantar a sós comigo.
— Não tenho nem mesmo uma roupa apropriada.
— Use esse negócio creme. — sugeriu, apenas com uma vaga ponta de desprezo aparecendo em sua voz.
Foi o suficiente. Bella abanou a cabeça.
— Odeio isso.
— Bella, o que...
— O que você vai vestir? — ouviu a si mesma perguntar, depois inspirou profundamente, porque em toda a sua vida nunca havia feito uma pergunta tão sem cabimento e estúpida a um homem!
Então veio... sua resposta inesperada e chocante para o problema: desfez-se da toalha que lhe envolvia a cintura.
— Não vamos vestir nada. — falou Edward.
O gesto ultrajante deixou Bella sem palavras. Um calor perpassava seu corpo, ensopando-lhe as virilhas, pinicando como alfinetes e agulhas quentes antes de se espalhar pelo corpo.
Tentou respirar regularmente. Tentou engolir em seco. Tentou parar de fitar Edward, mas não conseguiu. Tentou recuar quando ele se aproximou, mas suas pernas haviam se transformado em líquido e recusavam o movimento.
Dois segundos depois o robe caía no chão aos pés dela e as mãos dele tomavam seu lugar. Pele fresca de banho encontrou pela fresca de banho e os seios nus dela intumesceram e apontaram.
Em seguida, Bella se transformou num feixe de terminações nervosas, movimentando-se contra o corpo de Edward e retribuindo seus beijos, coração saltado, respiração reduzida a pequenos sorvos febris do ar que se impregnava do cheiro dele.
O barulho da porta do quarto se abrindo — com força suficiente para bater e voltar — quase fez sua cabeça explodir.
Abriu os olhos. Agitada demais para pensar, Bella observou Edward desviar à escuridão verde dos olhos para olhar na direção da porta e o imitou, fazendo o mesmo.
Uma mulher apareceu ali. Alta, delgada como junco, incrivelmente bela, usando um vestido vermelho de cetim dramaticamente curto. Seus olhos negros cintilantes estavam fixos em Edward, o rosto requintado era de um branco perfeito.
— Carmem. — saudou afavelmente. — Ótimo que tenha vindo, mas, como pode ver, estamos ocupados...
Calmo assim, ele conseguiu transformar Bella num bloco de gelo enquanto sua mulher — ex-mulher — se lançava em um acesso de cólera, cuspindo as palavras em um grego estridente.
Edward nada disse enquanto durou o discurso intempestivo. Seu coração não estava retumbando. Sua respiração estava firme. Apenas ficou ali, segurando Bella perto dele, como se protegesse a nudez dela com a sua, deixando a mulher guinchar à vontade.
Foi horrível. Bella desejava poder desaparecer em um buraco no chão. Era humilhantemente óbvio que Carmem achava ter o direito de gritar com Edward daquele jeito ou não o faria.
Comparar a situação com a que presenciara dar-se entre Victória e James a fez estremecer de vergonha.
Sentindo Bella tremer, Edward lhe relanceou os olhos, depois franziu a testa, inclinando-se suave e graciosamente para apanhar o robe que ela estivera usando e ajeitá-lo em seguida sobre os ombros dela.
— Cale-se, Carmem. — ordenou. — Você parece uma gata no cio.
Para surpresa de Bella, a gritaria parou.
— Você deveria estar em Boschetto esta noite. — censurou Carmem em inglês. — Passei horas esperando você chegar e me senti uma tola quando não apareceu!
— Não marquei de me encontrar com você. — disse Edward, inclinando-se uma segunda vez para apanhar sua toalha, que enrolou de volta na cintura. — Logo, se bancou a tola, fez isso por livre escolha.
— Você estava sendo aguardado por lá...
— Não por você. Aqui, deixe-me ajudá-la...
— Posso fazer isso sozinha. — respondeu Bella a Edward, que tentava auxiliá-la a vestir o robe.
— Então você gosta delas gordas e baixas agora? — perguntou Carmem, depois de uma análise de arrancar a pele de Bella. Esta queimou por dentro com indignação.
— Muito melhor que uma vadia magra como vara de bambu e coração de prostituta. Agora se comporte, Carmem, ou pedirei a Félix para atirá-la na rua. — Depois, falou com voz arrastada: — Gostaria muito de saber como é que você entrou aqui, para começo de conversa.
Bella ousou olhar para a mulher, que devia ter cerca de 1,80 m e cabia maravilhosamente no vestido vermelho que estava usando.
— Então, quem é ela? — perguntou Carmem lançando novo olhar sarcástico para Bella! — Outra tentativa de achar uma substituta para mim?
— Nunca em mil anos alguém poderia substituí-la, meu anjo da língua doce. — ironizou ele, seco. E depois murmurou para Bella: — Pedindo sentidas desculpas a você, agape mou, preciso apresentá-la a Carmem, minha ex-mulher.
— Não sou nada de ex! — explodiu Carmem.
—Nada neste mundo me deu mais prazer até agora do que tê-la apresentado a Isabella, minha bela futura mulher.
Soltou a notícia bombástica de uma maneira incrivelmente calma e tranquila. A linda Carmem ficou branca como a morte.
— Não. — sussurrou.
— Queria você que não.
— Mas você me ama!
— Houve um tempo em que valeu a pena amá-la, Carmem. Já hoje...
Encolheu os ombros de um modo que dizia o resto por si, depois cometeu o último pecado aos olhos de Carmem: inclinou-se para beijar os lábios apartados de choque de Bella.
De repente, sem qualquer aviso, Carmem avançou para Bella com a disposição de uma mulher que tem um plano assassino na mente.
Bella pulou como um coelho assustado. Edward soltou um palavrão e interpôs-se entre as duas, tomando para si o grosso da fúria de Carmem.
A coisa toda foi terrível. Bella conseguiu apenas ficar ali, atrás dele, escandalizada e insegura, enquanto Edward continha a ex-mulher pelos pulsos para proteger o próprio rosto de suas longas unhas.
Depois disse um tenso "nos dê licença" e arrastou a mulher histérica para fora do quarto, batendo a porta.
Bella percebeu que as pernas não conseguiam mais sustentá-la e deixou-se cair à beira da cama.
Lá fora Félix acabava de sair do elevador.
— Desculpe-me, Edward. — falou. — Não sei como...
— Tire-a daqui. — cortou Edward. — Leve-a para casa e acalme-a.
Carmem parara de lutar e soluçava em seu ombro.
— Não sei como ela entrou aqui. — disse Félix.
— Mas vai descobrir. — rebateu Edward. — E demitir quem quer que tenha sido na sua equipe que aceitou deitar com ela como pagamento pelo favor. — instruiu, apertando o botão que fechava a porta do elevador para onde Carmem havia sido levada pela força dos dois homens.
Sozinho no corredor, Edward andou em círculos, depois segurou e apertou a nuca. Sentia raiva, nojo e repugnância. Carmem havia feito tudo aquilo de caso pensado. Até o acesso de ira dela havia sido planejado. E o fato de não pensar duas vezes antes de seduzir um dos seus empregados para conseguir o que queria era apenas mais um lado de sua Personalidade doentia que o enchia de asco.
— Theos.— murmurou, sem que o fato de ter perdido a toalha de novo tenha causado qualquer efeito sobre ele.
Não era idiota. Sabia que a cena provocada por Carmem não havia ocorrido por acaso tanto quanto sabia a que outra circunstância Bella comparara aquela desde o início: ao caso de James com sua irmã. Como diabos explicaria a ela que Carmem era uma felina obcecada por sexo, que só se comportava assim por saber que ele estaria sempre por perto para ajudá-la a se levantar quando caísse?
Não havia como. Era muito complicado, reconheceu, inspirando profundamente e dirigindo-se novamente ao quarto. Bella vestira o terno azul de antes e estava rearranjando suas coisas na mala.
— Não faça uma cena histérica. — falou Edward, áspero.
Sua voz a fez estremecer.
— Não estou histérica.
— Então como você chama esta forma de arrumar a bolsa?
O espasmo de raiva chocou o próprio Edward.
— Por acaso essa pergunta não deveria ser respondida por ela?
— Desculpe-me. — pediu, sem saber exatamente por que se desculpava. — Ela é louca — murmurou.
— Entra a linda mulher louca; sai abaixa e gorda.
— Ex-mulher. — respondeu.
— Tente dizer isso a ela.
— É o que faço... constantemente. Como você mesma viu, ela não me escuta. E você não vai a lugar algum, Isabella, então pare de arrumar a...
Bella quis lançar mais um olhar enfurecido para ele, como vinha fazendo, mas perdeu o raciocínio ao ver as pernas de Edward revestidas de brim claro. Parecia outro homem. Estava tão másculo que Bella demorou a retomar o pensamento.
— Então você achou que a faria escutar o que tinha a dizer contando aquela mentira sobre uma futura esposa?
— Não era mentira.
— Ah, sim, era. Não me casaria com você nem se fosse para salvar minha vida.
— Quer dizer que você está aqui apenas para me usar sexualmente?
A ironia saiu antes que Edward a pudesse refrear.
— Substituto! — Ela lançou contra ele como uma chibatada. — E não será nem mesmo isso de novo. — adicionou, tirando os olhos dele e fechando o zíper da bolsa furiosamente.
— Fui um substituto antiquado por uma noite, então.
— Muito antiquado. Deus me livre da classe dos super-ricos.
— Isso foi direcionado a mim, Carmem ou James?
— Aos três. — disse, procurando a bolsa.
— Perdeu algo valioso? — perguntou sua odiosa voz macia. — Sua virgindade, talvez?
Foi como um tapa no rosto. Bella inspirou ar quente.
— Acabo de me lembrar por que o odeio tanto.
Edward encolheu fortemente os ombros contra o guarda-roupa em que havia se encostado, braços cruzados sobre o peito peludo. Parecia um bronzeado modelo de macho protetor posando para uma revista de moda, pensou Bella, consciente de que seus olhos não conseguiam manter-se afastados de Edward por mais de dez segundos.
Oh, o que está acontecendo comigo? Dando esse gemido, afastou os olhos — mais uma vez — e os obrigou a procurar a bolsa! Parecia que em menos de um dia esquecera tudo o que sabia de si e desenvolvera uma nova perspectiva sobre tudo! Uma sensação que Bella não queria ter espalhou-se pelo seu rosto. Estava com o lábio superior trêmulo. Simplesmente tinha que sair dali.
— Você viu minha bolsa?
— Para que você precisa dela?
— Vou embora agora.
— Usando que meio de transporte?
— Táxi!
— Você tem euros para pagar pelo táxi? E um celular à mão para chamá-lo? Você fala grego, ágape mou? Você pelo menos sabe que endereço dar ao motorista para que venha buscá-la?
Ele estava deliberadamente usando a lógica para atormentá-la.
— V-você está com meu celular. — lembrou, odiando a hesitação reveladora em sua própria voz.
— Devo tê-lo perdido como você perdeu a sua bolsa.
Concluindo que a única maneira de lidar com um bruto irritante era ignorá-lo, Bella começou a vasculhar o quarto. Edward a observava, percebendo como ela estava bastante arrumada e asseada, exceto pelo cabelo, que descia pelas costas como um pesado carpete de seda.
Não havia contraste maior que o existente entre a calma digna de Bella e a cólera desenfreada de Carmem, observou tristemente Edward. Enquanto Carmem se apegava a ele como uma chorona, a irritante Bella se preparava para abandoná-lo!
— Diga, Isabella, por que você quer tanto ir embora se apenas dez minutos atrás estava pronta para cair de volta na cama comigo?
— Sua mulher entrou aqui a certa altura.
— Ex-mulher. E...
— Talvez haja algum fundamento nas reivindicações dela.
— Tipo?
— A forma como administra sua vida é problema seu.
No último segundo, teve medo de apontar a verdadeira questão que martelava em sua cabeça. Ainda dormia com a ex-mulher quando queria? Carmem tinha direito a suas queixas? Se sim, não havia diferença entre ele e James na maneira de tratar as mulheres! Antiquado, como já havia dito. Voltou a sua busca, o silêncio protetor dele repuxando suas terminações nervosas.
— Não tenho um relacionamento com minha ex-mulher. — falou Edward por fim. — Não durmo com ela e não tenho desejo algum de dormir com ela, embora Carmem prefira acreditar que mudarei de ideia dependendo de sua insistência. Caso não tenha percebido, Carmem não é muito... estável. De alguma forma me sinto responsável por ela, porque era minha mulher e eu a amei... até que apertou o botão de autodestruição do casamento por razões que não estão em discussão agora.
A dureza com que disse isso a avisou de que não deveria fazê-lo falar sobre o assunto.
— Peço desculpas por ela ter irrompido aqui e constrangido você. — expressou, breve. — Peço desculpas por ela ter encontrado uma forma de entrar nesta propriedade! E é... é o máximo que estou preparado a fazer para que você se sinta melhor, Bella. Então pare de se comportar como uma noiva trágica na noite de casamento e tire a porcaria do terninho antes que eu o faça!
— O que...?
Sem entender a mudança de assunto e o súbito ataque a ela, Bella franziu a testa. Isso pareceu enfurecê-lo ainda mais.
— Ao ficar aqui bancando a pobre vítima insultada, você passa até a impressão de que se esqueceu do meu dinheiro roubado!
O dinheiro. Bella ficou tensa, depois gelou como se Edward houvesse batido nela.
Edward abafou um palavrão, porque a perplexidade de Bella deixava claro que ela havia esquecido a questão do dinheiro. Mas o alvo do palavrão era ele mesmo, por ter lembrado o assunto, pois preferia que este permanecesse esquecido!
Agora Bella parecia tão pálida e horrorizada que chegou a pensar que desmaiaria. Soltando um suspiro tenso, andou até ela. Lábios cingidos, a alcançou e começou a lhe desabotoar o terninho com movimentos firmes que nada lembrávamos das vezes anteriores.
Ela nem mesmo resistiu, apenas ficou ali como um boneco de cera e permitiu que despisse a peça de vestuário, o que ajudou a enfurecê-lo ainda mais! Theos, evocou, perguntando-se por que vê-la tão abatida fazia seus sentidos ralharem com ele para que pedisse desculpas de novo por ter agido de forma tão insensível.
— Jantar. — disse, mudando de ideia e mantendo o tom de voz rude, porque... bem, ela era uma ladra enganadora, mesmo que Edward quisesse esquecer isso!
Por fim Bella se moveu — ou, antes, os lábios dela o fizeram.
— Não estou com fome.
— Você vai comer. — afirmou Edward. — Você não comeu nada desde que vomitou na minha garagem em Londres.
E ao lembrá-la disso era o Edward Cullen bruto e insensível de novo, percebeu Bella. Mesmo na camiseta e na calça de tweed. E seus pés descalços...
Edward abriu a porta do quarto e esperou por ela. Cabeça baixa, Bella o seguiu, pois não havia por que continuar a discutir quando tudo o que ele precisava fazer era mencionar o dinheiro para devastar qualquer tentativa de defesa da parte dela.
Não olhou para ele ao se encaminhar para corredor. Manteve a cabeça baixa enquanto ele a guiava até um cômodo iluminado por velas onde havia outra parede de vidro.
Sue estava ali, arranjando os últimos talheres sobre uma mesa forrada por toalha de linho branco e arrumada para dois. As chamas das velas tremulavam. Para além da mesa, descortinava-se a paisagem noturna de Atenas, o pano de fundo mais romântico que uma mulher poderia desejar.
Qualquer mulher romanticamente esperançosa, quer dizer. A governanta sorriu e disse algo em grego para Edward. Ele respondeu no mesmo idioma, puxando uma cadeira para Bella. Depois disso não havia clima para falar de nada pessoal, porque a governanta se aproximou para servi-los.
Bella teve a impressão de que Edward arrumara as coisas de modo que não permitissem brigas, mas a tensão entre os dois tornava impossível para Edward engolir a comida, embora ela tentasse.
Quando não conseguia ingerir mais nem um pedaço, olhava para a vista além da janela ou para a comida restante em seu prato ou para a taça de vinho branco, seco, que tocava sem beber — qualquer lugar, contanto que não o encarasse.
De repente, Edward se inclinou para frente e estendeu a mão através da mesa, apanhando descaradamente o seio esquerdo de Bella.
— Sabia. — falou com voz rouca. — Você não está usando sutiã, sua feiticeira provocante.
Os sentidos se aguçaram rapidamente.
— Nunca mais me toque assim sem permissão. — falou Bella, deixando o cômodo.
Sem saber para onde ia, acabou descendo para o andar térreo e chegando a um banco quase escondido sob os galhos de uma árvore que ficava perto do muro de estuque que circundava a propriedade, e finalmente deixou que escorressem as lágrimas há tanto tempo represadas.
Chorou, relembrando tudo, desde quando leu a mensagem no celular àquela manhã até o momento em que Edward havia tocado seu seio por sobre a mesa. Chorou, chorou, chorou.
Edward se encostou a um tronco de árvore e ficou escutando. Nunca tinha se sentido tão mal em toda a sua vida. A maneira como a vinha tratando todo aquele tempo não era nada menos que imperdoável. O fato de ter mantido relações sexuais com ela sabendo que Bella preferiria estar fazendo o que fazia ali agora ainda viveria em sua consciência por muito tempo.
Mas o pior de tudo foi haver apalpado seu seio como há pouco. E ouvi-la chorar daquela maneira era sua merecida punição. Mas ele não conseguia mais ouvir aquilo; soltando um suspiro, foi sentar-se ao lado dela e colocou-a em seu colo. Bella tentou resistir por um ou dois segundos, mas ele murmurou:
— Shhh, desculpe-me. — E a abraçou até que parasse de lutar e deixasse as lágrimas caírem novamente.
Quando estancou o choro e se aquietou, Edward se levantou com ela nos braços e a levou de volta para dentro. Fez isso sem dizer uma única palavra, ignorando as cerca de doze câmeras de segurança que sabia estarem focadas neles desde o momento em que Bella correra para fora.
Ela estava dormindo, percebeu quando a deitou na cama. Com o cuidado de um homem lidando com algo frágil, tirou os sapatos e a saia dela, depois a cobriu com o lençol. Endireitando-se de novo, permaneceu ali por alguns segundos, olhando para Bella. Em seguida se virou e caminhou para fora do quarto, entrando no escritório. Um minuto depois:
— Ângela. Minhas desculpas pelo adiantado da hora, mas preciso que faça uma coisa para mim...
Uau! Que capítulo cheio de emoções! Esse final eu queria matar o Edward por tudo que ele fez a Bella! Tadinha! E pra piorar a ex mulher dele aparece! E vai causar muita confusão no futuro! Só digo isso! Comentemmm meninas! Bjimmm!!!
