Capítulo 9

Boa Leitura!!!

— O que você quer? — perguntou Bella, fria.

Ouviu o suspirar de alívio da irmã.

— Não tinha certeza de que você ainda usava este número. — explicou Victória.

Bella não disse nada, apenas baixou os olhos para observar os dedos limparem as partículas de gelo do copo de suco de laranja e deixou o silêncio engrossar.

— Tudo bem, então você não quer falar comigo. — percebeu Victória. — Mas eu preciso falar com você, Bella, s-sobre nossos pais.

Os dedos de Bella pararam.

— Por quê? O que há de errado com eles?

— Nada... tudo — suspirou. — Olha... Estou em Atenas. Cheguei esta manhã sem dizer a ninguém que viria para cá e tenho que voltar a Londres esta tarde, antes que deem pela minha falta. Você pode me encontrar para... falar sobre eles? Acredite, Bells, é importante, ou não estaria aqui.

Isso a fez perceber que Victória não desejava aquele contato. Mas se viajara tanto só para falar com ela, fosse lá o que fosse, o assunto devia ser grave. Seus pais — seus pais... aquela fraqueza chamada amor apertou-lhe o coração.

— Tudo bem. — concordou. — Quer vir aqui para...

— Deus me livre, não. — cortou Victória — Não tenho o mínimo desejo de me encontrar com Edward, obrigada. Ele me dá medo.

— Ele não está aqui.

— Mesmo assim, prefiro não arriscar. Aluguei uma limusine no aeroporto. Indique um lugar longe de sua casa e peço ao motorista para me levar lá.

Bella olhou para o relógio, depois deu o nome de um café na praça Koloniki e escutou Victória consultar o motorista antes de dizer:

— Tudo bem. Estaremos lá dentro de uma hora.

Não lhe ocorreu perguntar o porquê daquele nós. Não lhe ocorreu perguntar por que a egoísta da irmã viria lá da Inglaterra para conversar sobre os pais quando seria mais fácil usar o telefone. Foi só quando estava esperando sentada à mesa de um café, à sombra de uma árvore folhuda, e viu uma limusine prateada parar à margem da praça e sair um homem de dentro dela em vez de sua irmã que entendeu o quanto havia se deixado enganar.

Bella se levantou — seu primeiro impulso foi o de simplesmente fugir! Mas a curiosidade a fez permanecer, observando James parar para olhar ao redor com os olhos escondidos atrás de óculos de sol de aro prateado. Examinou toda a praça até localizar o guarda-costas de Bella, depois deu uma olhadela no relógio antes de prosseguir até ela. Vestindo um terno de linho claro cortado sob medida e uma camiseta lisa, parecia como sempre um figurino de moda. Seu cabelo loiro brilhava como seda ao sol e não houve mulher entre os nove e os noventa que não se virasse para olhá-lo.

Mas esse era James, pensou Bella, observando-o. Ela também se vira presa instantânea de sua surpreendente beleza e da aura especial que carregava consigo a toda parte, de maneira que não adiantava fingir que não percebia aquilo. Só que ao olhar para ele agora, não sentia absolutamente nada. Era como fitar um estranho — um estranho muito bonito, tinha que reconhecer, mas assim mesmo um estranho completo.

Quando James se aproximou da mesa, Bella se sentou de volta na cadeira e esperou que ele se acomodasse.

— Ainda está me odiando, cara? — perguntou com fala arrastada.

— Victória não vai se juntar a nós? — Foi tudo o que Bella falou como resposta.

— Não. — Recostando-se na cadeira, James olhou para o guarda-costas, que já estava falando ao celular.

— Você tem cerca de cinco minutos para dizer o que tem a dizer.

— Você está diferente. Esse vestido lhe cai bem.

— Obrigada.

— Acho que devo...

— Vá direto ao ponto, já que nenhum de nós quer ver Edward surgir de repente com uma comitiva de três carros.

— Tudo o que quero que faça, Isabella, é pôr sua assinatura nisto, depois vou embora.

Deitou alguns papéis na mesa, depois uma caneta. Bella baixou os olhos e entendeu instantaneamente o que queria que assinasse.

— Você quer me dizer por que pensa que devo assinar isto?

— Porque o dinheiro não pertence a você. Quero-o agora que está acessível.

James não tinha ideia de que ela sabia de onde vinha o dinheiro, percebeu Bella.

Edward não poderia ter dito a ele, o que a fez pensar no motivo por que não e no que deveria fazer em seguida.

— Você convenceu Victória a conseguir este encontro ameaçando contar a verdadeira história do envolvimento de vocês para a imprensa?

James encolheu os ombros.

— Perdi tudo, ela ganhou tudo. Diga-me se isso é justo. Sua irmã conseguiu o contrato e o hit de sucesso. Eu sou motivo de riso por ter perdido a mulher para meu poderoso meio-irmão.

— Nunca fui verdadeiramente sua, James.

— Edward me demitiu e de repente me transformei em persona non grata em qualquer círculo social. Nem minha própria mãe gosta de mim neste momento. E você se senta aqui parecendo um milhão de dólares porque Edward gosta de mulheres a sua altura. Mas espero que esteja feliz, cara, dividindo-o com a ninfomaníaca da ex-mulher dele. Dê uma olhada.

Os cílios de Bella tremeram quando baixou os olhos para fixar o celular de James. Edward aparecia ali nitidamente, com a bela Carmem colada a sua frente. Estavam do lado de fora do que parecia ser um hotel.

— Paris. Ontem à noite, para ser exato. Você pode checar dia e hora se quiser. Fiquei duas horas esperando que saísse, mas ele não saiu. Diga-me, cara, o que acha que fizeram durante essas duas horas?

Bella simplesmente assinou o nome no documento, depois se levantou e foi embora. Quando Edward chegou à casa, ela estava arrumando a mala. Entrou no quarto como uma bala.

— Que diabos você estava fazendo com James? — Bella não respondeu. — Eu fiz uma pergunta!—Foi até ela e pegou seu braço para virá-la para si. Só então viu a mala. — Se você pensa que vai me deixar por ele, pense de novo.

Bella apenas sorriu:

— Por que não?

— Você assinou os papéis dando o dinheiro a ele — declarou, grave.

— Sim, assinei, não foi? — disse suavemente Bella. — Você vai à polícia?

— Você é minha esposa.

— Nosso casamento foi apenas uma forma de chantagem que você usou para dar uma lição na sua querida Carmem, então não acho que conte para nada.

— Isso não é verdade.

— É verdade, sim — insistiu. — O que foi que você me disse antes de sairmos de Londres, Edward? Seis semanas até que eu pudesse acessar o dinheiro, depois eu me iria. Bem, acabaram-se as seis semanas. Acessei o dinheiro e agora vou embora.

— De volta para ele?

— Bem, você, mais do que ninguém, deve conhecer o ditado: "É melhor um diabo conhecido do que um desconhecido."

Ela estava se referindo a Carmem e ele sabia. Os olhos de Edward cintilaram:

— Você sabe de Paris.

— Odeio você, Edward. Você é um diabo, frio, duro e calculista. Apesar de todos os defeitos, James vale dez de você!

— Você acha?

— Eu sei!

— Diga oi para o diabo, então! — falou.

Quando deu por si, estava sendo jogada sobre a cama e ele a imobilizava unicamente pelo poder de seu olhar raivoso e escurecido de desejo, enquanto despia a própria roupa. Depois veio até ela.

— Não se esqueça de contar isto a James depois. — murmurou.

O que aconteceu em seguida a fez experimentar um prazer intenso e angustiado. Mexia-se e gemia, e soluçava, e tremia, e ele simplesmente continuava a fazer o que vinha fazendo, mantendo-a equilibrada no limite entre a histeria e uma necessidade desesperada de libertação. Toda a atividade de sedução durou uns poucos minutos entontecedores e, no entanto, quando acabou, Bella sentiu que havia perdido toda a energia, estava tão exausta que não conseguiria andar.

Não era o caso de Edward. Com um resmungo de desprezo, retirou-se de perto dela e saiu da cama. Se o desprezo tinha como alvo Bella ou ele mesmo não fazia diferença. A forma como abandonou o quarto, apanhando as roupas e deixando-a jogada, fraca e trêmula, encheu-a de desprezo por si mesma.

Bella ficou ali por muito tempo, tentando lidar com o que havia acontecido — tentando lidar com o fim vertiginoso de seu relacionamento. Odiava-se por haver se entregado tão facilmente. Menosprezava-o por haver encorajado o fato.

Quando reuniu forças para se mover, saiu da cama, vestiu-se com a primeira roupa que veio à mão e rearrumou a bolsa apenas com as roupas que trouxera com ela para a Grécia. Então saiu.

Ninguém a impediu de ir embora. Nem mesmo se deu ao trabalho de ligar para um táxi antes de se dirigir aos portões. O vigia não disse absolutamente nada, apenas os abriu e permitiu que seguisse para a rua.

Edward se postou à frente da parede de vidro, observando-a. Nem ao menos esperou para ajeitar o cabelo, ele viu, e estava vestindo aquele maldito terninho azul-claro. Afastou-se da janela, amargura e angústia apertando os músculos da garganta.

Olhou para o emaranhado de lençóis na cama. Então viu o envelope de manilha atirado sobre a roupa de cama. Caminhou até ali e, percebendo que havia um "Edward" rabiscado nele, sentiu as pernas vacilarem, ocas de pavor.

Um táxi apanhou Bella e minutos depois ela se dirigia ao aeroporto sem se permitir olhar uma única vez para trás. O aeroporto estava lotado. Tentar encontrar lugar em um voo para a Inglaterra era impossível, descobriu.

— Só resta torcer por um cancelamento, Kyria Cullen. — disse o atendente. — Não teremos assentos disponíveis pelos próximos dois dias.

— E para outros aeroportos? M-Manchester, talvez, ou Glasgow. Não me importa o local da aterrissagem, contanto que seja no Reino Unido.

O que havia para ela em Londres, afinal? Perguntava-se, quando sentiu uma mão em seu ombro. Bella pulou de medo como um gato escaldado, imaginando que a mão pertencia a um policial. Ele não faria isso — não faria! Sua mente lhe gritava. Então veio a voz:

— Isso não será necessário.

Iiii e agora?? Ahh não sei porque mas eu adoro esse capítulo! Rsrs, mas o próximo está melhor ainda!!Ah acabei de publicar uma adaptação, vão lá no meu perfil e aproveitem outro romance maravilhoso! Ah e obrigada meninas! Eu já estou bem melhor! Bjimmm!