EDIÇÃO (Novembro 2019): Esse capítulo passou por algumas pequenas modificações.
Aproveitem :)
Capítulo 4
Evitar a mais nova presença na mansão pareceu uma tarefa fácil nos primeiros dias de seu trabalho.
Vezes ou outra Vampira se deparava com Gambit caminhando pelos corredores do prédio ou próximo de algum dos pontos de energia da casa, digitando incessantemente em um laptop pequeno, com uma caixa de ferramentas no canto. Às vezes, Kitty até aparecia ao seu lado e dava alguma ideia que ele ouvia pacientemente enquanto continuava a digitar – mas era algo fácil de ignorar, principalmente quando ele se mostrava tão absorto em seu trabalho e sem interesse algum em qualquer outra coisa.
Porém, depois de passar mais alguns dias com o Acólito perambulando pela mansão, Vampira percebeu que a tarefa de fingir que tudo estava bem não iria ser fácil... por diferentes motivos. Não havia um dia sequer que não ouvia algum comentário relacionado ao Cajun, querendo ela ou não.
"Ninguém sabe o nome dele mesmo? Eu achei que ele tinha falado…"
"Onde será que ele vai de noite?"
"Não tenho coragem de perguntar."
"Vi ele jogando cartas com o Pete ontem na entrada da mansão…"
Ela culpou a súbita mudança de rotina da casa, que impedia os recrutas de terem algo mais interessante para fazer além de perseguir o Acólito enquanto ele só fazia seu trabalho. Passear por Bayville sozinho se tornou um perigo que nem mesmo os mutantes mais teimosos do grupo como Ray e Tabitha se atreviam a fazer; pelo menos não enquanto ainda conseguiam aguentar a monotonia.
As regras eram claras: nenhum X-Man podia sair desacompanhado, não importava para onde iria, desde a escola até uma lanchonete próxima; se passassem do portão, deveriam estar em grupo, e de preferência, com um veterano. O toque de recolher mudou para "cedo demais pra quem tem uma vida social" (segundo Tabitha), e qualquer um que chegasse um minuto mais tarde, ouviria um longo discurso de Logan e Professor Xavier que estranhamente se assemelhava a um interrogatório do policial bom e do policial mau. Os dias facilmente se misturavam em uma rotina monótona de sessão de treinamento, escola, mais treinamento e absolutamente nada para fazer no resto do dia depois de suas tarefas. E era assim que os X-Men iriam permanecer até que achassem mais pistas sobre os malucos que estavam em seu encalço.
A presença de Gambit na mansão acabou, então, mostrando-se uma forma inusitada para a maioria dos X-Men (principalmente aos recrutas) de se manterem ocupados e com algo para fofocar no tempo livre.
Não era incomum encontrar um curioso acompanhando o Cajun, que sempre sabia o que dizer para entretê-los e deixá-los com algo para falar pelo resto do dia. Não que ele parecesse se incomodar; ao contrário, Vampira suspeitava que o espertinho estava gostando de toda a atenção que recebia enquanto durava.
Era sempre Logan quem precisava dispersar a turma de curiosos para que o Cajun pudesse fazer seu trabalho o mais rápido possível... para sir embora o mais rápido possível. Estava claro, porém, que a presença de Gambit seria mais duradoura do que a paciência de Wolverine.
Porém, nos últimos dias daquela semana insuportável e longa, os únicos dos recrutas que pareciam menos interessados no Acólito eram Jamie e Bobby. E, neste caso, Vampira desejava que fosse o contrário.
"Espera! Eu consigo dessa vez!" Jamie falou, gesticulando como um telepata. Apoiou os dedos sobre uma têmpora enquanto sua outra mão pairava sobre a carta que Vampira segurava. "Hmmmmm, sete de espadas?"
A gótica suspirou, afundando ainda mais na poltrona, sua mão enluvada cobrindo seu rosto em tédio. "Ás de espadas, Jamie."
"Porcaria! Tudo bem. Eu consigo na próxima!" ele xingou enquanto embaralhava as cartas pela vigésima vez naquela tarde. Sua expressão concentrada seria até encantadora como a de um bebê, não fosse o que Vampira estivesse observando por três horas seguidas.
Ela não tinha ideia de como se meteu naquela confusão. Estava aproveitando a sala surpreendentemente vazia para ouvir música e ler uma de suas revistas favoritas até cochilar, quando Jamie apareceu repentinamente, com um baralho em mãos, implorando-a para ser sua "assistente" de mágica... pela terceira vez naquela semana.
O menino, até o momento, já testara mais de dez truques de cartas, sempre usando uma Vampira impaciente como cobaia. Já fê-las sumirem, se cortarem ao meio e depois reaparecerem inteiras, voarem… E todos os truques Jamie repetia inúmeras vezes até conseguir realizá-los com sucesso. Ela até conseguiria aguentar o garoto a perseguindo por mais um tempo, não fosse uma insistência parecida vinda de Bobby.
O garoto era pior que Jaime, sempre procurando por algum tipo de brecha para conversar com Vampira sobre variados assuntos e sempre esperava uma participação da parte dela como se não percebesse que ela não conseguia acompanhar o que ele falava. Quando ela finalmente entendia que estava comentando sobre um filme, Bobby mudava de assunto para falar de seus videogames favoritos, ou sobre as edições limitadas de quadrinhos que comprou... e depois voltava a falar sobre filmes. Tudo em questão de segundos. O garoto podia ser pior que Pietro quando queria.
E Vampira tentou ser o mais compreensiva possível, ouvindo-o e tentando dar uma resposta neutra o suficiente para ele não notar a confusão dela. Em algum momento, porém, ele notou que as conversas passaram a ficar menos frequentes. O que, de certa forma, foi um alívio para Vampira, que suspeitava que Bobby estava tentando chamá-la para sair. A gótica sabia do interesse que o garoto de gelo teve por ela graças à Kitty, mas pensou que tais sentimentos já haviam passado depois de algumas semanas em que ele começou a se aproximar das outras garotas do Instituto.
Algo nos últimos dias fez Bobby querer investir novamente em Vampira, e ela não entendia o que poderia ser.
De qualquer jeito, foi rápida em cortar qualquer tentativa dele.
O maior mistério, porém, era Jaime: o que fez Múltiplo querer falar com Vampira dentre todas as outras meninas no Instituto, que com certeza se mostrariam mais entusiasmadas em ajudá-lo com sua "mágica", era no mínimo estranho; mas nem mesmo a mais durona das X-Men não conseguia dizer "não" para a expressão que o garoto fazia. Às vezes ela se perguntava se ele realmente era tão ingênuo e inocente como aparentava ser… ou se era tudo uma fachada para conseguir o que queria mais facilmente.
Na trigésima vez em que ele pediu para Vampira tirar uma carta de suas mãos, ela respirou fundo, decidida a dar um fim nas tentativas dele.
"Jamie, olha… Não quero ser rude, mas eu realmente não entendo por que você veio pedir a minha ajuda. O Kurt, por exemplo, sempre gostou de truques de mágica, muito mais do que eu," ela esperava que o comentário o fizesse entender, sem que precisasse apelar para a grosseria. "Por que não pede ajuda pra ele?"
Em resposta, Jamie levantou uma sobrancelha. "Mas eu achei que você gostasse de mágica."
Dessa vez foi Vampira quem se mostrou confusa enquanto devolvia sua carta para o mutante. Estava pronta para sair da sala antes que ele decidisse usar outra de suas carinhas tristes para convencê-la a ficar mais. "Olha, eu não sei de onde você tirou essa ideia, mas eu nunca falei que gostava de mágica. Tem certeza de que não se confundiu com o Kurt ou a Jean, talvez?"
"Mas… me falaram."
Vampira franziu o cenho. "Quem te falou?"
Jaime pareceu relutante em responder, como que se inconscientemente suspeitasse que estava falando algo que não deveria. "O… Gambit."
Ela congelou e o encarou. "Quem?"
"O Gambit, ele disse que você adora truques de mágica!"
"Ele disse isso, é?" ela ponderou suas próximas palavras enquanto brincava com o tecido de suas luvas, seu rosto permaneceu neutro. "E o que mais ele disse?"
"Bom… ele também disse que isso sempre te deixaria de bom humor, e que você não ligaria se eu pedisse a sua ajuda a qualquer hora. Ele também falou pro Bobby conversar com você, já que– Vampira? Você está me ouvindo?" Jamie abanou a mão na frente do rosto pensativo da garota, preocupado com a falta de reação dela.
Milhares de perguntas passaram pela cabeça de Vampira, até que algumas coisas finalmente fizeram sentido. Especialmente a insistência do menino em pedir ajuda para ela com seus truques de cartas ao invés de procurar qualquer outra pessoa na mansão. E Bobby...
Vampira espremeu os lábios em uma linha reta. Com uma expressão ainda séria em seu rosto, gesticulou para Jaime entregá-la as cartas.
"É claro que ele disse isso. E por que exatamente vocês acreditaram nele?"
"Hm, bom, eu," o mutante finalmente pareceu perceber o perigo no qual se metera. Hesitante, ele entregou o baralho para Vampira. "Eu só achei que vocês fossem... amigos?"
"E você achou isso porque...?"
"O Bobby perguntou pra ele se vocês eram e o Gambit disse que… sim?"
Vampira mordeu os lábios, fingindo ter se convencido com a explicação.
"É claro. Bom, acho que agora está na hora de mostrar pro meu amigo alguns dos meus truques também," ela embaralhou as cartas com um sorriso maldoso.
"Que legal! Você vai fazer as cartas desaparecem também?" o menino perguntou entusiasmadamente enquanto se levantava para segui-la.
"É claro," mas o jeito no qual Vampira saiu andando para fora da sala – segurando o maço de cartas com um pouco mais de força do que necessário – convenceu Múltiplo de que a escolha mais sensata a se fazer era não segui-la. "Você disse que viu ele na garagem da última vez, não é?"
"Hm, sim. Mas eu... Acho melhor eu ficar aqui, por enquanto," ele se sentou de volta na poltrona como se estivesse de castigo.
"Ótima ideia," e ela sumiu no corredor mais próximo, caminhando decididamente para a garagem.
Pelo fato de os alunos serem obrigados a permanecer nos arredores da mansão, o lugar geralmente vazio em uma quinta à tarde, estava lotado com os usuais veículos do Instituto: os carros de Scott e Jean, as motos de Piotr e Logan, a X-Van e, com a chegada do Cajun, uma quarta moto fazia parte do grupo.
Vampira odiava admitir o quão interessada ficou naquela Harley preta desde a primeira vez em que a vira, há meses atrás. Era personalizada, com peças de qualidade e bem cuidada. Quase tão bem cuidada quanto as motos de Logan; Ainda assim, Vampira nunca admitiu tal sentimento em voz alta, levando em conta quem era o dono da máquina.
Ela avistou o mesmo agachado atrás da moto enquanto reparava algo na roda traseira. De onde estava, apenas uma parte de seu rosto e de sua cabeleira castanha podiam ser vistos. O ruído de música alta saindo de seu fone de ouvido era abafado pelos eventuais barulhos agudos de ferramentas batendo contra o metal da moto. De resto, a garagem estava em completo silêncio.
Quando Vampira aproximou-se o suficiente para conseguir ver seu próprio reflexo nas partes metálicas da moto, Gambit levantou o rosto. Seus olhos vermelhos a observaram caminhar com curiosidade.
Ao notar o baralho em uma das mãos dela, ele sorriu, sabendo exatamente o que aquilo significava.
"Chère," ele tirou um dos fones de ouvido e colocou sua ferramenta no chão. Aproveitou para limpar as mãos em um pano ao seu lado. "Algo de errado aconteceu?" indagou em um tom inocente.
Vampira não respondeu, apenas colocou uma mão na cintura e apoiou o peso de seu corpo na perna esquerda. Encarando Gambit com um olhar que pedia para não ter sua inteligência questionada, ela mostrou o baralho de cartas que segurava.
"Isso aqui não é familiar pra você?" perguntou.
Ele franziu o cenho em resposta. Não foi o suficiente para que admitisse seu envolvimento no show de "mágica" de Jaime; mas foi o suficiente para fazer Vampira perder um pouco de sua paciência. Perdeu o resto ao se lembrar de Bobby.
Gambit, então, inclinou-se abruptamente para a esquerda, evitando o baralho jogado em sua direção.
Ele olhou para trás a tempo de ver as cartas dançando no ar antes de pousarem silenciosamente no chão. Um rei de espadas teve o azar de cair sobre um balde com água próximo à moto. O material escureceu e afundou em instantes, antes de se desfazer em pedaços.
Gambit levantou uma sobrancelha e voltou-se novamente para Vampira.
"Eu não sei o que você estava pensando quando mandou o aspirante a Mister M pra mim, muito menos o Bobby de gelo," ela falou, uma de suas mãos apoiou-se no assento da moto e foi o suficiente para fazer o sorriso dele diminuir. "Mas eu juro que é melhor você parar com essas gracinhas antes que eu faça essas cartas sumirem em um lugar que você não vai gostar."
E o sorriso dele voltou.
Gambit tirou uma mecha castanha da frente de seu rosto bronzeado com um rápido movimento da mão. Quando ele se levantou de seu lugar atrás da moto, batendo de leve em sua calça jeans para tirar a sujeira, ela percebeu que nunca antes o viu sem seu uniforme, vestindo roupas completamente normais.
Sem o tecido que envolvia sua cabeça, o cabelo dele mudava de forma, virando um emaranhado de mechas rebeldes apontando para todos os lados. Seu maxilar era mais definido, seus ombros mais largos e caídos do que quando usava o uniforme.
Nunca antes havia parado para notar as leves marcas embaixo de seus olhos incomuns, dando-lhe um ar levemente vulnerável, porém mais humano.
Foi quando, pela primeira vez desde que o conhecera, Vampira se perguntou o quão jovem Gambit realmente era, e como a ausência de uma roupa de combate o fazia parecer muito mais com uma pessoa comum do que com um capanga que trabalhava para um mutante perigoso como Magneto.
Não que alguém como Gambit conseguisse passar despercebido em uma multidão. Aqueles olhos incomuns nunca iriam deixá-lo ser uma pessoa cem por cento "normal". A sorte dele, porém, estava no resto de sua aparência. Vampira não conseguia aceitar como alguém tão irritante tinha a sorte de ter a aparência que tinha.
Não havia como negar, o Cajun era atraente o suficiente para fazer qualquer um ignorar aqueles olhos vermelhos e incomuns. E ele sabia.
"Perdeu alguma coisa?" ele ignorou a fala anterior dela, procurando desconcertá-la por ficar observando-o por tanto tempo em silêncio.
Ela, porém, concentrou-se em sua raiva e substituiu aqueles pensamentos por mais indignação.
"Não se faça de burro. Olha, eu perdi meus horários de descanso porque alguém–" ela encarou o Cajun, "–teve a brilhante ideia de me indicar como assistente de palco. Você sabe como é difícil encontrar um lugar tranquilo em uma mansão cheia de pré-adolescentes? E que história é essa de ficar mandando o Menino de Gelo pra perto de mim?"
Como sempre, ele não se mostrou surpreso, apenas entretido.
"Ei, isso significa que você vai usar aquelas roupas interessantes de assistente?" Quando ela o encarou com uma sobrancelha levantada, sem morder sua isca para tentar irritá-la mais, ele deu de ombros. "Olha, era isso ou eu podia me distrair e fazer alguma coisa errada no trabalho. E não queremos isso, certo? O moleque precisava de alguém pra testar os truques dele, ou o que quer que seja que ele estava tentando fazer. O outro só não parava de falar mesmo e não dava pra me concentrar. Além do mais, você parecia tão entediada, eu sabia que iria gostar de uma distração."
"Sério?" Isso rendeu-lhe uma risada sem humor. "E você sabia disso do mesmo jeito que 'sabe' que somos amigos, é? Pra inventar toda aquela baboseira?" Ela fez sinal de aspas com a mão.
"Eu disse isso?" ele sorriu. "Não me lembro. De qualquer jeito… eu não tinha ideia de que isso ia deixá-la assim tão brava. Alguma razão para isso?" antes que Vampira pudesse responder, ele pegou sua mão enluvada, que ainda estava apoiada no banco da moto, e a aproximou do peito dele. "Se você quiser ser algo a mais do que apenas amigos é só dizer."
E Vampira puxou sua mão da dele, apoiando-a na cintura. "Olha, eu não sei como as coisas funcionam lá no pântano onde você mora… mas sequestrar alguém não é uma forma muito boa de conquistar uma garota. Muito menos de fazer amigos."
"Não te levei pra Nova Orleans para isso," ele revirou os olhos. Decidiu agachar novamente para voltar ao seu trabalho, evitando o olhar da garota a sua frente.
"Claro que não. Você só queria usar os meus poderes. Então mentiu," Vampira não sabia o que acontecera a ela para falar daquele jeito com o Acólito. Pensou que havia deixado o que acontecera em Nova Orleans para trás há muito tempo, que tudo não se passava de um forma de fazê-la se lembrar que não deveria confiar em Gambit… mas, a julgar pela forma como seu tom aumentava a cada palavra, algo ainda a incomodava. E agora estava botando para fora.
"Ainda com isso?" Ele riu. "Achei que já tínhamos deixado esse incidente para trás. É por isso que está tão brava ultimamente?"
Vampira arregalou os olhos, indignada com as palavras dele e pela forma na qual ele as disse. Com total indiferença, como se não tivesse sequestrado uma adolescente em plena luz do dia.
"Você vai realmente chamar aquilo de incidente?"
"Olha, isso já foi há um bom tempo, e você precisava de um momento longe de tudo, lembra? Precisava esvaziar a cabeça."
Ele estava certo; na ocasião, ela precisava de um tempo longe dos X-Men, para pensar melhor. Sentia falta de casa, do sul, das comidas, do clima, das pessoas. Até das pessoas que a criaram.
Achou que Gambit tinha intenção de ajudá-la, pois a entendia de uma forma que os outros na mansão nunca iriam, mas a verdade sempre era mais complicada.
"Esvaziar a cabeça dos meus problemas pra que eu pudesse me preocupar com os seus, você quer dizer?"
Ele riu. "É tão difícil de acreditar que eu realmente queria ajudar?"
Ela se irritou mais e levantou seus dedos à medida que listava suas próximas palavras. "Me sequestrando em dia de escola, mentindo pra mim, me enfiando no meio de uma briga de gangue, sem contar que quase virei comida de jacaré?" ela cruzou os braços. "Ótima ajuda."
"Uma aventura e tanto. E, se eu me lembro bem, você ia cabular a aula de qualquer jeito…"
Ela fechou a cara ainda mais. "Você é inacreditável."
"Merci."
Ela suspirou em frustração e deixou suas próximas palavras saírem de sua boca sem realmente pensar no que havia falado. "Você não presta."
Ele levantou uma sobrancelha para ela, sorrindo com a zombaria de sempre; seus olhos, porém, adquiriram um brilho perigoso. Novamente, ele se levantou e dessa vez a encarou com um olhar decidido.
"Se quer tanto um pedido de desculpas, então, tudo bem. Sinto muito por ter raptado você, foi errado, isso não vai se repetir," ele não parecia nem um pouco arrependido. "Sobre eu não prestar, fale o que quiser, mas o seu Professor vai dizer o contrário e a opinião dele é a única que importa."
Ele se agachou novamente, colocando o fone de volta no ouvido.
Vampira ficou em silêncio, limitando-se apenas a observá-lo enquanto apertava um parafuso solto na roda com uma chave inglesa.
"Sua cara está cheia de graxa," ela murmurou, saindo da garagem. "Rato de pântano."
Ele suspirou ao ouvir o apelido novo, cansado, mas ela não notou.
Depois de tantas correções, admito que, infelizmente, ainda não estou completamente satisfeita com esse capítulo, mas me digam o que acharam se tiverem alguma crítica construtiva :) Agradeço por lerem!
