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NÃO OLHE PARA TRÁS
CAPÍTULO XIV
Yahiko correu até onde Soujiro estava, vendo que o espadachim mal se agüentava em pé e ainda estava com Misao no colo.
"Chame Megume..." – Seta falou enquanto se ajoelhava, ainda abraçado à garota desmaiada. Yahiko amparou Misao, enquanto o outro rapaz tentava se manter, respirando com dificuldade.
"O que aconteceu, Soujiro?"
"Eu... estava... treinando... com Misao... um punhal... estava com veneno... Enishi veio depois..."
"Você está envenenado?"
Ele balançou a cabeça afirmativamente.
"Então fique quieto. KAORU!" – Yahiko gritou, assustado – "KAORU! ME AJUDE!"
Assim que ouviu o grito do aluno, Kaoru saiu correndo, deparando-se com Yahiko segurando Misao toda machucada e Soujiro nequele estado, logo os outros vieram.
"O que aconteceu?" -- ajoelhou-se perto de Seta e fê-lo deitar em seu colo –"Megume..." – ela chamou a amiga, que vinha um pouco mais devagar – "Ele está queimando de febre..."
A médica abaixou-se, verificando o pulso e a temperatura dos dois.
"Yahiko, ponha um pouco de água para esquentar, Kaoru, vá pegar água gelada. Kenshin, leve Misao e Sano leve Soujiro." – ela falou enquanto conduzia-os até seu quarto e pegava sua maleta médica. Depois examinou-os -- "Não entendo... Soujiro não tem nenhum ferimento em algum ponto vital, não era para ele estar assim."
"E Misao?" – Meirin perguntou.
"Ela só tem um braço deslocado e alguns arranhões, mas eu preciso que ela acorde para saber o que houve com ele."
"Então porque Soujiro não acorda? Ele só tem um ferimento no ombro..." – Sano perguntou.
"É isso que eu não entendo."
"Ele está envenenado." – Yahiko disse, enquanto trazia a água quente – "Ele me disse isso antes de desmaiar."
"Veneno?" – Megume parou -- "Saco!" – resmungou. Odiava venenos.
"O que está acontecendo?" – Aoshi apareceu de súbito.
"Você não tinha ido falar com o policial?" – Meirin perguntou. Ele a ignorou e correu até Misao, que estava sendo segurada por Kaoru.
"O que esse desgraçado fez com ela?" – o okashira perguntou entredentes para Kaoru.
"Enishi." – Yahiko respondeu, olhando seriamente para Aoshi.
"Todos para fora!" --Megume mandou, quando percebeu que o clima estava ficando tenso. Afastou-o da garota e recolocou o braço dela no lugar. "Tente acordá-la." – disse para o ninja, enquanto limpava o ferimento de Soujiro.
Aos poucos, ela recobrou a consciência, sentando-se assustada quando percebeu onde estava.
"Está tudo bem." – Shinomori sussurrou, abraçando-a.
"Soujiro?" – ela perguntou, ainda tonta fitando os olhos azuis de Aoshi – "Onde ele está?"
"Ele está ali."
"Eu... O punhal..."
"Punhal?" – Megume e Aoshi perguntaram olhando para ela.
"Tinha veneno nele." – ela respondeu, confusa, com os olhos se enchendo de lágrimas
"Você envenenou Soujiro?" – Megume perguntou, espantada.
"A gente... A gente tava treinando... Foi sem querer.. Onde ele está?" – ela se livrou dos braços de Aoshi e engatinhou até Seta.
"Que veneno tinha no punhal?" – a médica indagou, olhando de soslaio para Aoshi.
"Eu não sei..."
"Onde conseguiu esse punhal?" – o okashira perguntou.
"Meirin me deu, antes de eu sair de casa."
A cabeça dela girava. Tudo parecia muito confuso. Aproximou-se de Soujiro, enquanto Tsubame trocava rapidamente as compressas para tentar diminuir a febre.
"Ele vai ficar bem, não é?" – perguntou a Megume. Ela acenou que sim com a cabeça.
"Eu preciso apenas saber exatamente qual o veneno que ela usou."
Aoshi chamou Meirin, que parecia um tanto quanto nervosa.
"Eu preciso do antídoto." – Megume.
"Que antídoto?"
"Do punhal que você envenenou e deu para Misao."
Ela mordeu os lábios, parecendo nervosa.
"Rápido! Você quer que ele morra?"
A chinesa correu até seu quarto, passando por Kenshin, Kaoru, Sano e Yahiko que não estavam entendendo muita coisa. Ela voltou com um vidrinho e se aproximou do rapaz para fazer-lhe beber, mas Megume arrancou o frasco de sua mão.
"O que é isso?"
"É o antídoto."
"Eu quero saber qual é o nome dele."
"Chian..." – ela respondeu, olhando para baixo. A médica parecia pasma.
"Você carrega chian-chan com você?"
"Como conhece chian-chan?" – seus olhos estavam arregalados e sua boca trêmula. Por um instante seus olhos se cruzaram. Megume parecia séria demais e Meirin amedrontada demais.
Ela não respondeu e apenas molhou os lábios de Soujiro com o antídoto. Aoshi levantou uma sobrancelha. Aquelas duas pareciam falar da mesma coisa e aquilo não parecia agradar Meirin. E era estranho Megume conhecer aquele remédio... Aí tinha coisa. Ele podia sentir isso.
Era impossível que ela soubesse... A menos que tivesse tido contato com eles...Suas mãos suavam frio. Chian-chan era uma erva chinesa que as pessoas gostavam de colocar no chá só para deixá-lo mais aromático, mas apenas um grupo da máfia chinesa sabia da propriedade de cura de quase todos os venenos, e isso era guardado a sete chaves. Meirin sabia disso... E Megume também.
Takani fechou o ferimento de Soujiro e voltou a cuidar da garota, que ainda reclamava de alguma coisa. Tsubame trocava as compressas dele, tentando abaixar a febre. Aoshi olhou de soslaio para as duas mulheres... Meirin e Megume mal tinham trocado algumas palavras... Está certo que ninguém conhecia nada de Megume, apenas que fora prisioneira para produzir ópio... Mas não se sabia mais nada além de que teve uma família e depois foi presa. Nada mais. Ela nunca falava qualquer coisa de sua família ou de seu passado. Por que Meirin havia agido daquela forma?Não fazia sentido.
A médica limpou a testa, e pediu para todos saírem, deixando o rapaz descansar. Aoshi arrastou Misao até o quarto dela.
"Como Soujiro está?" – Kaoru perguntou.
"Ele vai ficar bem." – Megume.
"O que aconteceu? Ela disse?" – Kaoru.
"Misao ainda está confusa. Vamos esperar até amanhã de manhã."
Aos poucos, todos foram arranjando coisas para fazer, deixando Kaoru sozinha com seus pensamentos. Ela descansou a cabeça na porta fechada do quarto da amiga. Estava preocupada, as coisas estavam ficando feias. Sentiu alguém tocar no seu ombro.
"Kaoru-dono?"
Ela sorriu com o sussurro do espadachin no seu ouvido.
"Não se preocupe... Nós vamos conseguir."
"Eu espero."
"Tenho uma boa notícia."
"É?"
"Sim... o dojo já está reformado."
"Ah! Que ótimo!"
Ele sorriu daquele jeito que derretia o coração da professora.
"Só tem um problema. Não podemos voltar para lá por enquanto." – Kenshin disse, sério.
"Por que não?"
"É só uma desconfiança. Não precisa se alarmar, mas eu queria que você não contasse isso para ninguém."
"Está bem." – Kaoru olhou pela janela no final do corredor – "O que está acontecendo, Kenshin?"
Ficaram em silencio, tentando entender tudo o que acontecia.
"Kenshin?" – eles se viraram para a voz ainda fraca de Misao -- "Ele... ele só estava me testando... Mas daí eu... eu finquei o punhal nele... e ele ainda lutou contra aqueles caras..."
"O que?" – Kenshin perguntou.
"Ele... ele..." – depois se lembrou do plano de Megume e Soujiro, se tinha que fazer isso, que fosse agora – "Ele... ele... tentou me atacar... e eu o machuquei com o punhal que Meirin me deu..." – ela disse, levemente aérea, sem acreditar que realmente estava pondo o plano em prática – "Kenshin... Será que ele não é um espião? Será que não poderíamos mandá-lo com outra pessoa que conhecemos pouco para Xangai? Para saber o que está havendo lá?"
"O que há em Xangai?" – Kaoru perguntou, confusa.
"Uma fábrica de ópio, controlada pelo Enishi. É de lá que ele tira seu dinheiro e é lá onde estão todos os planos dele." – Aoshi falou, aparecendo do nada – "Não há necessidade de mandar Soujiro. Ele é um bom lutador e só fez isso por que queria medir sua força."
"Mas Aoshi-sama..."
"Eu e Meirin vamos para Xangai."
"Mas a Meirin..."
"Eu preciso de mais alguém... De preferência chinesa para entrar sem problemas lá." – ele disse –"Como está, Misao?" – perguntou aproximando-se da menina e passando a mão pelo seu rosto, num carinho suave. Ela pegou sua mão.
"Bem..."
"Venha... Vá para sua cama... Você precisa descansar."
Aoshi colocou-a na cama e sentou-se no beiral da janela, que estava aberta, deixando um vento quase frio invadir o quarto.
Misao ficou encarando-o e ele suportava o olhar. Era uma pergunta muda do porquê ele fazer isso. E era uma resposta muda que não dizia nada, absolutamente nada. Ela dormiu assim, sobre e sob os olhos atentos de Shinomori.
"Talvez, Misao, essa seja a última vez que farei isso... Que zelarei pelo seu sono... Que zelarei por você..." – ele sussurrou – "Talvez, Misao, seja a última vez que cuidarei de você... Talvez seja a última vez que te verei..."
Ele levantou-se, olhando fixamente para a garota que agora parecia uma criança que tinha feito uma travessura qualquer. Com um braço enfaixado, um curativo no rosto e vários pelo corpo. Abaixou-se, acariciando levemente os cabelos dela. Segurou sua mão enquanto olhava-a com ternura e com pesar.
Tinha feito aquilo por ela. Tinha desistido de ficar com a garota para poder salvá-la. Tinha desistido do seu amor para protegê-la. Seria bom se pudesse voltar atrás. Voltar os anos... Nunca a teria deixado com Okina, ela estaria sempre consigo... Não a abandonaria nunca mais... Mas teve que fazer isso. E agora estava abandonando-a novamente. Quebrando uma promessa silenciosa.
oOoOo
Misao olhava o que parecia ser o além, com a visão perdida por entre as folhagens. Um misto de alívio por ela e Soujiro estarem vivos e culpa por quase tê-lo matado. Mas não tinha outra escolha. Queria acreditar que não tinha. Virou-se de costas para a janela, olhando Soujiro que dormia profundamente. A festa de Yahiko foi adiada devido às circunstâncias. Tsubame foi com Hiko-sensei para Kyoto. Eles resolveram que seria mais seguro para a menina se ficasse com o mestre de Kenshin.
"Por favor, Hiko-sensei!" – Yahiko praticamente implorava para o Seijuuro –"Estamos em guerra!" – Yahiko praticamente implorava para o Seijuuro –
O homem suspirou desanimado. Se não levasse a garota, com certeza ia arranjar um belo inimigo-mirim. Nem tinha chegado direito para o aniversário do pirralho, já teria que ir embora levando outro consigo.
"Mas se ela for terá que treinar! Não quero ninguém muito indefeso comigo!"
Kenshin ficou preocupado, sabia como o treinamento era difícil... E Hiko não pegaria leve pelo fato de Tsubame ser uma mulher.
"Faz tempo que estou procurando um substituto para o estilo... Meu aluno idiota não quis seguir meus passos. Preciso de um outro Seijuuro Hiko." – e olhou para Tsubame – "Mesmo que seja mulher." – e olhou para Tsubame –
Tsubame sorriu. Não era uma pessoa que fazia muito estardalhaço ou chamava atenção, mas tinha seus conceitos.
"Eu irei!"
Ela ia mostrar para aquele cara folgado que era bem mais do que aparentava.
"Mas Tsubame... Você tem certeza?" – Kenshin perguntou.
"Sim!"
Ela respondeu decisiva. Yahiko estava a ponto de desistir de querer mandá-la. Mas agora não tinha mais jeito. Seijuuro e Tsubame partiram um dia depois do que aconteceu com Seta e Misao.
"Volte viva, Tsubame!" – Sano gritou – "E depois eu vou ver se está tão bem assim!" – Sano gritou –
O vento soprou um pouco mais forte, mexendo nos cabelos da garota. Ela voltou a olhar para Seta, pensando quando (e se) ia acordar.Uma carta para Soujiro repousava na cômoda. Era de Aoshi, ele tinha ido embora com Meirin para a China.
"Nós vamos para Xangai." – Aoshi anunciou quando eles comemoravam a chegada de Hiko e possível partida de Tsubame. Misao engasgou com o sakê.
"Como assim?" – perguntou.
"Vamos nos casar lá, perto da família dela." – falou, e ao que parecia, todos (inclusive Meirin) estavam surpresos – "Partimos amanhã." – falou, e ao que parecia, todos (inclusive Meirin) estavam surpresos –
"Mas já?" – Kaoru.
"Quanto antes, melhor."
"Que pressa para casar..." – Sano comentou. Aoshi estreitou os olhos para o lutador, mas não disse nada.
A okashira parecia estar em choque. Casar? Desde quando?
No outro dia, antes do navio de Aoshi zarpar ele a chamou. Entregou-lhe duas cartas. Uma era para ela abrir se ele não mandasse notícias dentro de dois meses, a outra era para Soujiro, que ainda não tinha acordado. Não chorou... Não conseguia. Sentiria uma falta imensa de Aoshi, mas não podia fazer nada.
"O está tão interessante lá fora?" – Soujiro perguntou com a voz fraca, tentando sentar-se na cama. Misao sorriu e correu até ele, abraçando-o com cuidado.
"Me deixou preocupada, sabia?" – ela falou, enquanto ele retribuía o abraço.
"Desculpe, não era minha intenção." – respondeu, olhando nos olhos dela e acariciando seus cabelos.
"Você quase morreu..."
"Bem... não achou que ia se livrar tão fácil de mim, achou?"
Ela sorriu. A falta que Aoshi lhe fazia era quase preenchida por Soujiro.
"Eu to morrendo de fome... O que tem para comer aqui?" – ele disse, tentando levantar-se, mas aos seus pés tocarem o chão, ele gemeu de dor.
"Megume disse que seu corpo ficaria dolorido por alguns dias."
"Ah... isso é tão bom de se ouvir..."
Misao ignorou a ironia.
"Espere aqui que eu trago alguma coisa para você comer."
"Não, não... Eu quero andar um pouco..."
"Não! Você fica." – e depois lhe entregou a carta de Aoshi – "Aoshi lhe deixou isso."
Ele olhou para a carta. Estranho... Nunca imaginaria que justo ele fosse lhe deixar alguma coisa. E por que deixaria uma carta? Tinha voltado para Kyoto? Abriu-a. Leu e releu. Como assim? Tinha mesmo alguma coisa em Xangai... Ah... Que ótimo... E Megume queria mandá-lo para o centro da organização de Enishi... Quanta consideração! Mas Shinomori foi no seu lugar... Que maravilha! Meirin era uma espiã! E só Megume sabia disso, além do próprio Aoshi. E o ninja tentaria dar um jeito de acabar com aquilo na China. Soujiro levantou uma sobrancelha. Então Aoshi queria dar uma de mártir? Um ataque suicida? Mas se tratando do okashira, com certeza já existia uma estratégia... E ele também pedia que cuidasse de Misao, na carta... E que se dentro de dois meses ele não entrasse em contato, era por que estava morto. Bastante otimista... Mais algumas recomendações de não machucar a garota novamente, e para não confiar nem na própria sombra... Estranho isso...
"AH... O senhor acordou!" – Kenshin falou, entrando no quarto.
Soujiro sorriu.
"Que bom... Amanhã vamos fazer uma pequena comemoração do aniversário do Yahiko... Já que não vai mais ter festa..."
"Não?"
"Não... Achamos mais seguro... E também Yahiko está meio sentido... Tsubame foi para Kyoto."
"Ah... Entendo..."
Silêncio. Kenshin tinha o olhar perdido em alguma coisa interessante além da janela. Soujiro se perguntou se as pessoas achavam legal ficar olhando para a floresta enquanto conversavam com ele. Devia ter um circo acampado no quintal e não sabia.
"Himura?"
"Sim?"
"Eu acho que descobri onde Enishi está morando."
Kenshin o fitou, esperando que continuasse.
"No dia que aconteceu aquilo, eu tinha me perdido na floresta, e achei uma outra mansão... E vi um dos homens de Enishi entrar nela."
"Mas não pode ter sido um engano?"
"Havia muitas sentinelas..."
"É muito longe?"
"Nem um pouco... Deve ser menos de meia hora."
"Interessante..."
OoOoO
O sol batia em seu rosto suado, o corpo todo parecia em chamas. Quase não conseguia abrir os olhos, pois tal esforço estava lhe custando muito caro. Tentou, em vão colocar a mão na testa. O coração batia descompassado, ora rápido demais, ora devagar. Sentia que tudo girava ao seu redor. Seu corpo queimava, e parecia que a cada segundo a temperatura aumentava. Sentia seus músculos perderem as forças, perderem a firmeza. Com todas as forças que ainda possuía, sentou-se na cama, com as gotas de frias de suor dando a impressão de cortarem a pele em chamas. Levantou-se, cambaleante, cada passo um suplício.
Ouviu um grito. Tentou, o mais rápido que pode, pegar sua espada, do outro lado do quarto. Censurou-se por estar tão debilitado. O Sol se punha no horizonte, e um vento extremamente frio anunciava o final do outono e o início do inverno. As imagens lhe voltaram à mente. Imagens insanas, mas que quando estava assim, ajudavam-no. Davam-no forças. O sorriso sádico apareceu em seu rosto, ainda que trêmulo. Girou a maçaneta da porta, com um dedo entre o cabo da espada e a bainha, pronto para sacá-la a qualquer hora. Respirou fundo, tinha que saber o que estava acontecendo.
OoO
"Yahiko!"
"O que é busu?" – o garoto respondeu, mal-humorado.
"Quanto mau-humor! Hoje é seu aniversário!"
"Liga não, Jou-chan... Ele ta assim por que a namoradinha dele não ta aqui!" – Sano falou, juntando as mãos e falando num tom romântico. Megume deu um tapa na cabeça dele – "Itai! Por que fez isso?"
"Para deixar de ser insensível. O garoto está com saudade da Tsubame!"
"EU NÃO SOU GAROTO!" – ele gritou, ficando vermelho de raiva.
"Calma! Calma!" – Kenshin estava tentando apaziguar os ânimos.
"E a doninha também está quieta... Ta preocupadinha com o namorado?"
Misao ficou vermelha um instante, para depois responder com um olhar mortal.
"Nós não somos namorados!"
"Sei..." – Megume sorriu com as orelhinhas à mostra – "Quer dizer que no dia que vocês chegaram todo estropiados não rolou nada?"
"To sabendo..." – Sano.
"Estávamos treinando!" – Misao respondeu – "Kaoru me ajude!"
"Não posso fazer nada..." – a professora levantou as mãos indicando neutralidade, mas não conseguindo conter o riso.
"Sano... Imagina só o treinamento deles!" – Megume falou, e os dois caíram na risada, mesmo com a okashira soltando fogo pelas ventas.
"Quanto vocês querem para parar de me encher?"
Sano e Megume se entreolharam, com um sinistro sorriso crescendo nos lábios.
"Uhm... Uma confissão... Que tal Megtsune?"
"Para mim ta de bom tamanho..."
"E então, Misao... Vai negar que não rolou nem um beijinho desde que Soujiro apareceu?"
Misao ficou roxa, e até Kenshin parecia esperar pela resposta da garota.
"Isso não é da sua conta!"
"A sua não resposta confirmou!" – Yahiko comentou, rindo muito.
"E então Misao-chan, ele beija bem?" – Megume.
"Mas vocês não passaram dos limites, não é?" – todos os olhares se voltaram para Kenshin – "Estou apenas perguntando!" – ele se defendeu. Sano balançou a cabeça.
"E então menina-doninha, quantos beijos até agora?"
"Se é que já não passaram dos beijos..." – Megume.
"Megume!"
"Ah!" – ela gritou quando Misao pulou em cima dela.
"PORRADA! PORADA! PORRADA!" –Sano e Yahiko faziam coro.
"Calma!" – Kenshin foi tentar separar quando levou um murro sabe-se-lá de onde e desmaiou. #.#x
"Kenshin!" – Kaoru foi correndo socorrê-lo – "Você está bem?" – ela chacoalhava o espadachin, que tinha duas espirais nos olhos.
"Soujiro?" – Misao percebeu que o rapaz olhava para eles. Ela soltou Megume que caiu no chão.
Soujiro: gota.
"E eu pensando que era alguma coisa grave..."
"Você está bem?"
"Sim." – ele mentiu, pedindo aos céus que ela não chegasse muito perto.
"Você está um pouco corado..." – a garota comentou, chegando seu rosto bem perto do dele, fitando-o curiosa.
"Mas é claro, né, baka? Você ta quase beijando o moleque!" – Sano gritou. Misao corou furiosamente, dando um chute-da-doninha-voadora no galináceo, que se defendia com uma defesa super-secreta-do-método-secreto-dos-Sagara.
Agora Megume e Yahiko faziam coro com o "Porrada".
Um meio sorriso passou nos lábios de Seta... Aquela bagunça toda o acolhera de braços abertos. Sentia-se feliz ali... E se pudesse, não iria embora nunca.
"Ei, Seta, desce aqui!" – Yahiko chamou. Ele sorriu de volta, mas pensando seriamente em como faria isso. Estava extremamente tonto, não tinha muitas maneiras de fazer, então, muito devagar, ele desceu os degraus, chamando a atenção de Megume. Ela olhou-o com uma expressão triste.
"Yahiko, você pode pegar um pouco de água no poço para mim, por favor?" – Kaoru pediu.
Ele resmungou alguma coisa, mas fez o que a mestra pedira. Foi ele sair pela porta, e todos os outros levantarem correndo, pegando enfeites escondidos nos armários, presentes debaixo de camas e doces e salgados na cozinha. O ex-Juppongatana olhava aquilo assustado. Quando terminaram de arrumar a sala, Misao puxou Soujiro, enquanto Sanosuke apagava as luzes.
Assim que o garoto voltou, acederam as luzes e gritaram:
"Surpresa!"
A boca de Yahiko caiu. Todos estavam ali, com presentes nas mãos e sorrisos no rosto. Apenas Soujiro parecia ligeiramente perdido.
"Você não achou que não íamos comemorar, achou?"
Kaoru perguntou-lhe, sorrindo. O garoto não sabia o que responder.
"Deixa de frescura, moleque, vem aqui comemorar!" – Sano falou.
Todos lhe deram os parabéns e felicitações. Depois de comerem, beberem e rirem, Yahiko foi abrir os presentes. Ganhou uma bandana vermelha, uma garrafa de sakê e um "Manual de como se dar bem na vida sem trabalhar" de Sano, um novo shinai de Kenshin, um novo gi e um hakama de Megume e um relógio de prata de Misao e Soujiro (que nem sabia que daria presente). A festa continuou até bem mais tarde, quando Seta, cansado resolveu se deitar e todos foram também. O aprendiz foi sentar-se no telhado (que havia virado hábito na casa, todos iam para o telhado), e ficou fitando as estrelas, sem nada muito importante em mente.
"Pensando em Tsubame, Yahiko?" – Kaoru perguntou.
Ele riu, sem dar uma resposta, e virou-se para a mestra.
"Obrigado pela festa, Kaoru."
Ela sorriu de volta, indo sentar-se ao seu lado.
"Bem... Esse é o seu presente."
Ela disse entregando-lhe um embrulho comprido. Ele olhou-a, confuso, pegando o presente pesado de suas mãos.
"Obrigado..." – agradeceu, rasgando o papel. Encontrou um estojo de mais de meio metro. Estava ligeiramente emocionado. Voltou seu olhar para a professora, que num aceno com a cabeça, encorajou-o a abrir o estojo de madeira negra.
Levemente trêmulo, depositou com cuidado sobre o colo a caixa, abrindo-a em seguida. Seus olhos brilharam, maravilhado. Uma espada jazia sobre um assento acolchoado verde-escuro, contrastando com a bainha e o cabo pretos.
"Acho que você se lembra que quando decidiu ser meu aluno, eu lhe disse que só carregaria uma espada quando eu permitisse." – ela começou, atraindo os orbes do garoto para si – "Essa katana está na minha família há muito tempo. E só seria dada a um pupilo que realmente honrasse com suas obrigações e fizesse do Kamya Kasshin Ryu, sua vida." – ela falava com a boca sobre um dos braços, que enlaçavam os joelhos. Não fitava realmente Yahiko, tinha seus olhos voltados para a esquerda, lembrando-se do que seu pai lhe dissera há muito tempo atrás – "E você, Yahiko, tem se mostrado um excelente aluno, colocando seu treinamento à frente de qualquer outra coisa." – Kaoru passou a fitar o garoto – "Já está na hora de você portar uma espada. Sei que tem responsabilidade para isso." – sorriu.
Yahiko olhou para a espada em suas mãos, retirando-a lentamente da bainha. O vento soprava, e a Lua logo seria encoberta por nuvens grossas de chuva. As poucas folhas das árvores resistentes ao Outono mexiam-se, balançando rapidamente, algumas caindo, outras persistindo mais um pouco. Refletindo a luz da Lua, a lâmina da espada brilhava com intensidade. Yahiko tirou-a completamente, cortando o ar. Ele levantou-se, ainda com a espada em punho, analisando o fio, e vendo uma gravação com seu nome.
"Mandei gravar seu nome nela." – Kaoru comentou, quando ele lhe lançou um olhar indagador. O garoto guardou a espada novamente, e com cuidado segurou o estojo.
"Obrigado Kaoru!" – ele falou, jogando-se no pescoço dela. A garota sorriu, abraçando-o também.
Ela continuou sentada, olhando para o céu, enquanto o aluno guardava a espada em seu quarto. O kimono azul-turquesa destacava seus olhos, e o obi branco dava leveza à roupa. Ficou perdida nos seus pensamentos... O que seria dela dali para frente? As coisas pareciam tão complicadas... E o Aoshi resolvera ir embora logo agora... Kaoru deitou-se no telhado, tentando não se preocupar muito, mas um pequeno galho se quebrando na floresta à frente chamou sua atenção. Se espreitando, a garota observou cerca de cinqüenta homens cercarem sua casa.
"Mas o que...?" – sussurrou.
OoO
Yahiko, carregando com muito cuidado sua espada, se dirigia ao seu quarto. Quando abriu a porta, um golpe de espada fê-lo se defender com o estojo que guardava a katana, jogando a arma longe. Os olhos do menino se arregalaram. Uma aura sombria tomou conta do seu corpo, e fitou mortalmente o homem que quebrara a caixa. Se dirigiu devagar até onde a espada tinha sido jogada.
"Se a Kaoru me deu permissão para portar uma espada..." – ele murmurou, colocando a espada na frente do corpo – "Então ela me deu permissão para matar." – finalizou sacando a espada e atacando.
oOoOo
Kaoru corria desesperada até o quarto de Yahiko, ficara realmente preocupada com o aluno. Mas gritou quando um dos ninjas levantou-se contra ela. Fechou os olhos, sem saber como se defender, mas o golpe não veio. Sentiu alguma coisa quente manchar sua roupa e sujar seu rosto. Soujiro estava diante dela, cravando a espada no tórax do inimigo.
Ela murmurou um obrigado enquanto ia correndo ao seu quarto, pegar sua espada. Até chegar no quarto de Yahiko, cruzou com uns cinco oponentes. Todos muito fortes. Lutava com mais três agora, misturando golpes de defesa pessoal com kenjutsu. Com um chute, lançou o último na parede, cortando seu pescoço em seguida. Voltou a correr, mas o kimono a atrapalhava. Sem pensar muito, rasgou a parte de baixo da roupa, fazendo uma pequena saia de um palmo e meio de comprimento, que lhe dava agilidade. Outros dois saíram do quarto que antes era de Aoshi e ela virou-se para lutar com eles. Depois de cortar um ao meio e a cabeça do outro, Kaoru sentiu alguma coisa à suas costas. Ia atacar, mas percebeu que era Misao, que também estava pronta para atacar.
"Misao!"
"Kaoru!"
"Eu to procurando o Yahiko, você o viu?"
"Não... Eu to procurando o Soujiro."
"Ele estava no corredor, perto do quarto dele, quando o vi."
"Ok!"
"Você viu o Kenshin, ou o Sano?"
"Não, mas acho que eles já estão sabendo do ataque."
"Ta bom!" – ela se virou para procurar Yahiko, mas gritou para Misao – "Boa sorte!"
A outra sorriu, acenando com a cabeça.
Assim que chegou perto do quarto do garoto, a porta praticamente explodiu, jogando-o contra a parede. Ele reclamou de dor, mas tentou-se colocar de pé antes que outro golpe viesse.
"Maldição." – murmurou quando a dor o impediu. Sentiu sangue jorrar nas suas vestes, e olhou para cima, vendo Kaoru na sua frente com o kimono curto, lavado em sangue, sem uma das mangas e quase se desfazendo da outra. Ela lhe sorriu, oferecendo sua mão para ele levantar.
"Fique comigo, sim?"
Ele acenou afirmativamente a cabeça, pegando a espada novamente. Seguiram correndo até a parte térrea da casa. Cruzaram com Sano, que procurava proteger Megume. Sagara tinha a mão direita encharcada de sangue.
"Viram Kenshin?" – os quatro perguntaram juntos. Todos acenaram negativamente a cabeça. E saíram novamente correndo. Desceram as escadas, pulando alguns corpos que haviam sido pegos pelo lutador e chegando finalmente no andar de baixo.
Kaoru mandou Yahiko ir para a cozinha, e não sair até que ela mandasse, e correu para a frente da casa. O garoto obedeceu, sabendo que a mestra queria sua proteção. Ao chegar lá, seu sangue congelou. Um dos ninjas estava lá. Não que tivesse medo, mas sabia que ali, era matar ou morrer. Segurou firmemente a espada, não sentindo mais os cortes nos braços. A adrenalina correndo rápido nas suas veias. Respirou fundo, tentando não pensar em nada. Se estava ali para matar, era o que faria.
oOo
Bem... eu viajei... fikei mais tempo que o previsto... a fic ta uma droga... não preciso falar mais, né?¬¬
Sano: Mas o que isso tem a ver comigo estar vestido de coqueiro?
Karol: Mas heim?
Sano: Sua autora lerda e lesada!
Megume: Eu estou montada num cãovalo! o.o"
Karol: Nossa... o cavalo é o Sesshy?
Sesshy: Sesshy é a #censurado#!
Aoshi-coelho: Quietos! Tem crianças aqui!
Karol: Mas que coisa mais fofa, o Aoshi virou um esquilo.
#olhar mortal do Aoshi#
Karol: Oops... Ta bom ta bom... eu procuro o roteiro certo u.u
#revirando o fichario#
Karol: Enquanto eu não acho... que tal se vocês fizessem a fic por mim?
Shun: Como assim?
Karol: Vão encenando Rapunzel aí...
#Narakuelho come o roteiro da Rapunzel e todos voltam ao normal#
Karol: T.T Mas eu gostei tanto do Kurama como Rpunzel...
#todos os personagens pulam em cima de Karol e a amarram#
Karol: EI! Mas o que é isso? Kagome, me ajuda!
Kagome: Eu não! Você me fez de cobra! Eu sou tão pura e inocente!
Kaoru: Sei...¬¬
Naraku: Então vamos fazer o seguinte: O policial fumante mata o rato crescido enquanto vocês consertam a Dorothy!
Shun: Mas e você?
Naraku: Eu o que?
Shun: Você vai fazer o que?
Naraku: VOu vigiar a autora u.u
E então? Como será que isso vai acabar? Não percam o proximo e emocionante capitulo \o/
