Nota do Autor: Esse capítulo é um pouco diferente do que o esperado. Ele será meio que um retorno as origens, como a primeira corrida do filme Ignição entre Nolo e Tork, mas com algumas mudanças. Sinto que é algo que vocês adoram, e que irão se impressionar. Mas nesse momento, eu lhes garanto que muito em breve, teremos mais capítulos do que o esperado. Um pequeno spoiler: É nesse capítulo que começo a introduzir os personagens originais, e quem sabe se eles vão ou não influenciar na trama. Por isso, fiquem atentos. Aproveitem!

Via 35...

No deserto da Via 35, já era de noite. Com isso, os carros de Taro Kitano e Karma Eiss percorriam as ruas enquanto passavam perto da placa. Tendo colocado os comunicadores, a dupla corria um do lado do outro, como se estivessem visando a perfeição.

(Taro) – Quanto falta para chegarmos nesse local que você falou?

(Karma) – Faltam só mais alguns metros. – Olhando pra frente, os dois percebem uma luz de neon no ar, seguido de uma música. – Quer mesmo disputar uma corrida até lá? – Ela colocou um de seus pés no acelerador, enquanto cada um dos dois se mantinha atento na pista.

(Taro) – Você que saiu da base primeiro, então, só estou tentando colar no seu carro. – A dupla começou a chegar mais perto, enquanto ao mesmo tempo, sentiam algo diferente. Ter perdido o Acceledrome parecia ter aproximado um pouco mais as duas equipes depois dos últimos eventos. Mas ao mesmo tempo, eles ficavam meio surpresos com o que estaria acontecendo depois de tudo. O sumiço do Vert, e os combates que eles enfrentaram. Para Taro, parecia meio estranho retornar as origens, assim como Karma, porque era como se eles realmente estivessem voltando para algo que era diferente deles.

A música começou a tocar diante do local da corrida. Enquanto cada um dos pilotos, um Nissan 350Z estava parado, pintado de vermelho e com vinis brancos, como se fosse uma espécie de dragão pintada entre as portas, enquanto do outro lado, um Honda Civic pintado de amarelo, com vinis pretos estava parado. Uma mulher se aproximou do lado de um homem de óculos, enquanto eles olhavam para os competidores.

-Conheço essa estrada melhor do que pode imaginar, Carlos. – Ele deu uma risada, e ao mesmo tempo, a garota tentava entender o que fazer. – Vai por mim, você não vai se arrepender.

(Carlos) – Olhe, Teresa, há quanto tempo você já está correndo conosco? – A garota diante dele se chamava Teresa. Tendo uma aparência latina, usando um batom meio roxo e com um rabo de cavalo, como corte de cabelo.

(Teresa) – Já faz um ano. Sei que estamos diante de pilotos experientes, mas essa é a minha chance. Você disse que eu poderia competir por aqui, já que eu sabia o percurso. – Carlos então, coloca a mão no ombro de Teresa, enquanto tira seus óculos.

(Carlos) – E eu nunca quebro minhas promessas, Teresa. – Carlos também aparentava ter uma aparência latina, e ao mesmo tempo, sorria. – Quando eu comecei essa equipe, sempre pensei em como que seria viver desse jeito. – Os dois olhavam um para o outro, como se houvesse uma certa tensão entre eles. – Eu tenho fé em suas habilidades.

Nisso, mais uma garota de aparência latina e dois jovens rapazes surgem por trás deles, e nisso, eles veem o Chicane de Karma Eiss e o Rivited de Taro Kitano se aproximando. E nisso, Carlos e boa parte dos que estavam perto dele percebem que aqueles são pilotos da Teku e da Metal Maniacs. O clima parecia ser de festa e de balada, e ao mesmo tempo, as luzes do neon tomavam conta, assim como o som dos alto-falantes que estavam em cada carro.

(Taro) – Parece mais agitado do que os locais das nossas últimas corridas.

(Karma) – Pensei que gostasse de um desafio, Taro. – Karma deu uma risadinha e ao mesmo tempo, chegaram perto de Carlos, ficando meio surpreso.

(Carlos) – Não imaginei que teríamos pilotos da Teku e da Metal Maniacs conosco hoje. Suas reputações os precedem, em minha humilde opinião.

(Taro) – E você, quem seria? – Os dois olham um para o outro, enquanto cada equipe pressente a tensão tomando conta.

(Carlos) – Eu sou Carlos Sanchez. Líder dos Azuis. Esse é o nome da minha equipe. Mas também sou o homem que está organizando uma parte dessa corrida.

(Karma) – Estou meio surpreso. – Ela olha para Carlos e para os integrantes da equipe, como se estivesse analisando cada um deles, inclusive seus carros. – Não imagino como alguém como você poderia organizar uma corrida dessas. Sem querer ofender.

(Carlos) – Pra falar a verdade, não estou ofendido. É que tem uma história meio complicada que não pode ser citada, mas é por causa dela que estou organizando corridas por aqui ultimamente. O que não falta é dinheiro. – Do nada, ele levou uma cotovelada no peito por Teresa, o que fez Carlos recobrar a compostura, como se houvesse um gesto de ciúme por parte da garota. – Creio que gostariam de conhecer meus companheiros de estrada. Essa é a Teresa. – A garota do rabo de cavalo deu um sorrisinho, como se estivesse tentando se impor e ao mesmo tempo, impressionar os pilotos. – Ela é minha parceira dentro e fora das pistas.

(Teresa) – Mais uma espécie de confidente para ele. E o que posso dizer, mi amor?

(Carlos) – Está com ciúmes? – Os dois deram uma risadinha, como se estivessem brincando um com o outro. – A Teresa possui uma personalidade meio analista. Ela treina boa parte de seu tempo para mostrar que pode ser uma ótima corredora, aonde quer que esteja. O meu amor se coloca em desafios árduos para testar suas habilidades. – Dá um sorrisinho, olhando para Karma. – Mas eu já ouvi falar de você, Karma Eiss. Nunca achei que pudesse ser tão linda assim de frente. Muitos deram um apelido para você por causa do seu estilo de corrida. Calculista, analista, guiada por um desejo de perfeição totalmente diferente do que os olhos podem ver. Minha Teresa se espelha um pouco em seus desafios para poder praticar um pouco.

(Karma) – Qual que era esse apelido?

(Carlos) – A Rainha do Gelo. Disseram que nunca viram alguém como você correndo de uma forma tão dedicada assim. Mas cortando o assunto, esses são meus outros parceiros: - O primeiro homem de aparência latina, de cabelo meio espetado e virado para trás, olhou para os dois, como se estivesse observando cada um deles. – Antônio.

(Antônio) – Como posso ajuda-los?

(Carlos) – Ele é meu irmão mais novo. Quando começamos a correr juntos, criamos um vínculo diferente do que dava para imaginar. Aonde quer que eu estivesse, ele sempre estava do meu lado, correndo comigo, bem antes de começarmos essa equipe.

(Antônio) – Erámos uma dupla, até que resolvemos expandir um pouco os horizontes. Vivíamos nas ruas, quando um dia, conhecemos um grupo de jovens pilotos que compartilhavam do mesmo interesse que a gente.

(Taro) – E o que houve depois? – Perguntou de uma forma meio irônica.

(Antônio) – Nos tornamos uma família. Essa aqui é a Carmen. – A garota usava uma espécie de graus com base vermelha e com cabelo liso, com mechas roxas. – Por um tempo, ela corria sozinha pelas ruas de cidades como Los Angeles, por exemplo. A Carmen é um exemplo de pessoa otimista. Ela já foi campeã invicta correndo sozinha no circuito de rua. Minha amiga pode parecer meio tímida, mas no fundo, é uma ótima corredora. O Carlos viu potencial nela quando a conheceu pela primeira vez e a recrutou pra fazer parte de sua equipe.

(Carmen) – Acreditem em mim quando eu digo que posso correr com a elite.

(Carlos) – A Carmen é inteligente. Ela pensa a frente do tempo, e elabora estratégias para conseguir a vitória. Ao contrário da Teresa, ela não visa a perfeição.

(Carmen) – Admito várias vezes que tenho falhas, mas no fundo, o que eu mais quero é correr. Seja dentro ou fora de um circuito.

(Carlos) – Por último, mas não menos importante. – O último homem se aproximou, com um sentimento de calma e controle em seu corpo. Ele aparentava ser um pouco musculoso, e ao mesmo tempo, ter 1,70 de altura. Um cabelo meio curto e do lado de um Dodge Charger dos anos 70. – Juan. Um velho amigo meu. Tínhamos deixado de nos ver um tempo atrás, até que o destino nos colocou frente a frente de novo.

(Taro) – E porque vocês se chamam de Azuis?

(Carlos) – É um simbolismo de liberdade. Correndo com os céus azuis nos envolvendo, como se não houvessem limites para o nosso lado.

(Karma) – Agora que já acabamos com as apresentações, pode nos explicar como que será a corrida?

(Carlos) – Claro. Será uma corrida de ida e volta. Passando por um prédio abandonado, percorrendo as ruas do Deserto de Mojave, até aqui. – Taro e Karma sentiam que o tal prédio abandonado não era familiar. Poderia ser qualquer um, mas no fundo, eles sentiam que sabiam de qual prédio estaria falando.

(Taro) – Quem da sua equipe vai correr conosco?

(Carlos) – A minha adorada Teresa. – Teresa dá um sorrisinho, simbolizando que ela seria uma das oponentes de Taro e Karma na corrida pelo deserto. – O prêmio é de 35.000 dólares pro vencedor. Se um de vocês conseguirem vencer, podem ficar com a grana.

Nisso, um Honda Civic azulado e com vinis de raios brancos se aproximou dos outros pilotos, deixando bem claro que haveria mais de um competidor naquele ponto.

(Carlos) – Agora vai ficar emocionante.

(Karma) – Quem é esse?

(Carlos) – Ninguém sabe. Ele corre usando seu apelido: A Fera. Por um tempo, esse piloto venceu boa parte da competição, como se fosse alguém diferente do que o acostumado. Mas o que um pouco de desafio fará com vocês?

Alguns minutos depois, Karma, Taro, Teresa, pilotando o Nissan, todo tunado e aprimorado, junto com o piloto misterioso do Honda Civic ficaram nas posições, olhando para o sinal em sua frente. Carlos olhou para cada um dos corredores, e nisso, cada um sentiu a tensão tomando conta de seus corpos como um todo. Desse jeito, o sinal ficou verde, sinalizando a largada. Taro acabou assumindo a liderança na largada, com Karma assumindo a segunda posição, colada com Teresa, enquanto o piloto do Honda Civic luta para conseguir ultrapassar as duas corredoras. Karma colocou uma de suas mãos na alavanca de câmbio, ganhando um pouco mais de velocidade, passando da segunda para a terceira marcha, e salta direto para a quarta marcha, passando Teresa. A corredora do Nissan faz o mesmo, enquanto o piloto do Honda Civic passa as duas sem nenhum esforço. Taro, enquanto está na liderança, vê os pilotos se aproximando atrás dele. Karma então, ativa o comunicador em seu carro para fazer contato com Taro.

(Karma) – Você está adorando ficar na frente, não está? – Ela dá uma risadinha que era ouvida por Taro.

(Taro) – Porque não faz melhor? – Karma então, saltou para a quinta marcha e chegando perto de uma curva, virando para a esquerda, ativou o freio de mão, junto de Taro, com os dois pilotos da Teku e da Metal Maniacs colando um no outro. Logo atrás, Teresa se aproxima, olhando para os dois com uma confiança em seu rosto. Mas ao mesmo tempo, o piloto do Civic, usando um nitro, se aproxima e assume a liderança da corrida. Karma então, analisa a pista em sua frente, demonstrando tudo que havia ao redor, e ao mesmo tempo, pisa no pé do acelerador, enquanto aperta o da embreagem com seu pé esquerdo, retomando a frente e colando na Fera.

(Karma) – Esse traçado deve me favorecer. Estamos bem perto dos pilotos. – Karma era guiada pelo desejo de perfeição. Pelo desejo de ser a melhor em qualquer corrida, e com o tempo que ela conviveu nos Reinos de Corrida, ela parecia estar disposta a tudo. Assim, ela engata a oitava marcha, ganhando mais velocidade do que o esperado. Assumindo a liderança, ela ativa o nitro do carro, ficando isolada na liderança. Pensando um pouco nas corridas que enfrentou, ela se perguntava o quanto evoluiu como corredora e como pessoa. Uma coisa que a incomodava era o fato de que Kurt mencionou que ela era parecida com Gelorum. A semelhança realmente parecia ser algo interessante. – Correr no deserto tem suas desvantagens. Para conseguir ficar na frente, a pessoa deve analisar o terreno em que corre e evitar desgastar os pneus. – Chegando perto de uma outra curva, Karma puxa o freio de mão mais uma vez.

A corrida fica cada vez mais acirrada, e nisso, Carlos pega um comunicador, e tenta fazer contato com Teresa, que tentava se manter firme na corrida. Ganhando cada vez mais velocidade, ela ainda tinha que lidar com a Fera que colava mais em seu vácuo.

(Carlos) – Teresa, como estão as coisas?

(Teresa) – Um pouquinho difíceis. Ainda estou no terceiro lugar. Mas estou colando nos lideres. – Teresa então, engatou mais uma marcha, ganhando mais velocidade e fazendo o carro chegar a 280 km/h. Olhando para o botão do nitro, ela se perguntou se deveria ativa-lo diante do que estava acontecendo, mas nisso, Teresa manteve a calma para conseguir vencer seus oponentes. – Estou analisando cada um deles. Posso ter chance de assumir a liderança, mas precisarei colar no vácuo de um dos carros para ter vantagem.

(Carlos) – Tem certeza de que vai conseguir fazer isso?

(Teresa) – Quando eu ficar mais perto, ganharei mais velocidade. Assim sendo, reduzirei a resistência do ar do meu carro. Um exemplo ideal de equilíbrio nas pistas. – Teresa então, pisou no pé do acelerador e alternou com a embreagem, ganhando mais velocidade e colocando no encalço de Taro. Dando um sorrisinho, ela analisa cada detalhe de seus oponentes, demonstrando um ar de superioridade naquele momento, mas ela estava meio surpresa em ver que Carlos a comparou com Karma, por causa de suas personalidades iguais uma da outra. Ela podia ser analista, mas estava disposta a provar que era melhor do que a corredora da Teku. Uma estrategista melhor do que ela jamais foi. – Não deixarei ninguém me vencer.

A determinação de Teresa fez com que ela conseguisse cada vez mais velocidade, colando no vácuo de Taro e nisso, ela se lançou no meio dele e de Karma, alcançando a velocidade necessária e ultrapassa os dois corredores, assumindo a liderança. O Rivited quase que acaba derrapando, mas usando o freio de mão, Taro para o carro, mas nisso, Karma e a Fera assumem a disputa pela segunda posição, jogando o piloto da Metal Maniacs para a última colocação. Dando tudo de si, ele pisa na embreagem e volta a pista, enquanto Teresa usa o freio de mão, dando um drift e pegando o percurso para o tal prédio abandonado. O antigo laboratório de Tezla da Corrida Mundial. Enquanto tudo isso acontece, ao mesmo tempo, Karma analisava o estilo de corrida do Civic, como se tivesse mais convicção do que nunca.

(Karma) – Esse piloto do Civic, Taro. Ele parece ser mais experiente, mais confiante. Exalando algum tipo de arrogância que parece torna-lo alguém maior do que o esperado. Precisamos nos manter atentos ao que ele pode estar planejando. – O piloto do Civic então, engatou a oitava marcha mais uma vez, ativando a embreagem de seu carro e ao mesmo tempo, percorrendo o mesmo percurso que Teresa estava percorrendo. Usando o freio de mão, a Fera dá um drift, pegando o mesmo caminho do laboratório abandonado, enquanto Karma cola no vácuo de seu adversário. Aos poucos, seu carro permanece em 270 km/h. Apertando o botão do nitro, Karma assume a segunda posição, na mais alta velocidade. Paralelo a isso, Teresa percorre o laboratório abandonado de Tezla, dando uma volta inteira por ele, até voltar ao percurso. Nada parecia parar a corredora. Nada.

(Teresa) – Eu não estou vendo nada, Carlos. Essa corrida parece que está fácil. – Do nada, Karma se aproximou de Teresa, sorrindo de forma totalmente confiante.

(Karma) – Ainda estou aqui, Teresa. – O Chicane de Karma cola no Nissan de Teresa, e as duas ficam empatadas uma com a outra diante da corrida. Ao mesmo tempo, Taro lutava para sair da última posição, por causa do imprevisto que tinha lhe ocorrido diante da dificuldade que as coisas simplesmente tinham tomado. O piloto do Civic, em seu capacete preto, apenas olhava para o monitor que tinha em seu carro, enquanto analisava os níveis de velocidade e seu carro como um todo. Sem falar nada, ele apenas corria, enquanto tentava alcançar os dois primeiros colocados. Engatando a oitava marcha de novo, ele freou e ao mesmo tempo, tentou manter o equilíbrio diante do que estava acontecendo. O piloto misterioso freava de leve, como se tentasse usar a mesma tática do Reino da Metrópole: Equilíbrio aumenta tração.

O impasse estava armado e ao mesmo tempo, Carlos ouvia pelo rádio o barulho do Chicane se aproximando.

(Carlos) – Meu amor, o que está acontecendo?

(Teresa) – Karma Eiss está colada em mim. Preciso afasta-la de algum jeito. – Aos poucos, na corrida, Teresa se posicionou, enquanto via as ruas do deserto se reaproximando cada vez mais, demonstrando um impasse maior do que poderia imaginar. As duas corriam uma do lado da outra, enquanto o piloto do Civic via elas empatadas na disputa pela liderança. Suspirando, ele ativou um botão que fez com que o piloto fosse a 300 km/h com o nitro em seu carro. Desse jeito, ele bateu do lado das duas corredoras, que viram algo meio surpreendente com o ressurgimento do Civic. – Até que isso tá interessante.

(Karma) – Ninguém pode ser tão rápido assim. – Do nada, o Civic baixou a janela esquerda, mostrando o piloto com o capacete preto. Desse jeito, Karma começou a usar a tática do Reino da Metrópole para conseguir se manter atenta. Taro estava vindo logo atrás do trio de corredores, enquanto Teresa. – São em momentos como esses que precisávamos de Nitrox.

(Taro) – Não é bom um retorno as raízes? – O piloto do Civic então, ativou um turbo em seu corpo, e apertando o pedal da embreagem, avançou na frente de um jeito totalmente surpreendente.

(Karma) – Não mesmo! – Com as melhorias em seu carro, Karma estava conseguindo atingir uma velocidade igual a de seus oponentes. Suspirando, ela estava disposta a colocar sua tática e habilidades em prática diante da dificuldade da corrida. Era para ser um pequeno retorno as raízes antes dos Reinos de Corrida, mas parecia mais difícil do que o esperado. Só que Karma Eiss não reconhecia o difícil. Ela acreditava na perfeição e visava conseguir isso de qualquer jeito. Colando do lado do piloto do Civic, Teresa viu que estava ficando para trás e ao mesmo tempo, tentava entender o que deveria fazer. Apertando o botão do freio de leve e o do acelerador, ela alternava a velocidade para tentar se manter no ritmo. Colando no carro de Karma mais uma vez, ela aproveitou para tentar passar o piloto do Civic, até que do nada, ele bateu na lateral do Nissan, fazendo com que Teresa rode e fique para trás. Isso foi o suficiente para ela socar a buzina do carro, enfurecida.

(Teresa) – Porcaria!

(Carlos) – O que houve?

(Teresa) – Eu fui jogada pra fora da pista! Acabei caindo para a última posição! – Girando o volante, Teresa rodopiou e voltou para a direção, agora na última posição da corrida.

A disputa no momento estava entre Karma e a Fera. A integrante da Teku freou para evitar uma possível batida do piloto do Civic, que tentou a mesma tática com Teresa, mas falhando. Desse jeito, Karma retomou a liderança da corrida. Agora Taro era o terceiro, mas ao mesmo tempo, ele deu um sorrisinho, depositando um pouco de sua confiança em Karma e suas habilidades como uma corredora. Os dois pilotos estavam do lado um do outro e ao mesmo tempo, demonstrando um duelo totalmente diferente do que o esperado. Karma poderia ser analista, mas ela sabia quando que era a hora de agir e batalhar.

(Karma) – Sinto que reconheço esse estilo de pilotagem de algum lugar. Parece tão familiar... – Karma começou a se perder nos pensamentos, mas ao mesmo tempo, se manteve atenta na corrida. Aos poucos, Taro observou Karma correndo ao lado do Civic, e ao mesmo tempo, aumentou um pouco a velocidade de seu carro, demonstrando tudo o que tinha naquele momento. Enquanto percorria o lado do carro, Karma apertou ainda mais o passo, elevando sua velocidade para 290 km/h. Nisso, o piloto do Civic olhou para Karma e apontou um de seus dedos, fazendo o gesto de uma pistola disparada na direção dela. Aquilo parecia ser um choque para a corredora, que se perdeu cada vez mais em lembranças.

Alguns anos antes...

Em uma casa na Califórnia, encontramos a jovem Karma Eiss, na época, com 13 anos, olhando para a janela de sua casa com um tédio em seu rosto. Nisso, ela parecia ser linda até mesmo naquela época. Seus cabelos estavam um pouco soltos nesse período, mas ainda assim, Karma parecia estar tentando entender o que deveria fazer.

-Ainda entediada, irmãzinha? – Uma jovem garota se aproximou de Karma, que deu um sorriso em seu rosto.

(Karma) – Ângela. Como foi o seu dia?

Ângela Eiss. Uma jovem garota e irmã de Karma Eiss. Com 18 anos, ela era a irmã mais velha de Karma Eiss, que no futuro, se tornou uma corredora, disposta a ser perfeita. Naquele momento, Karma parecia ficar um pouco feliz em ver ela a cada dia possível.

(Ângela) – Cansativo. Tive dificuldades para conseguir me manter atenta ao trabalho. – Ela acaba bocejando e ao mesmo tempo, olha para Karma, que parecia estar olhando para o oceano, e nisso, Ângela se junta a Karma. – O que está olhando?

(Karma) – O mar. Ele parece tão lindo nessas horas. É como se houvesse um sentimento de calma e tranquilidade. Sem nenhum barulho. – Karma mantinha-se calma. Ao mesmo tempo, em um estado de serenidade para quem tinha 13 anos. – Gosto de pensar que isso é algo bom.

(Ângela) – Imagina eu, que tem que ficar horas e horas fazendo entregas para ajudar em casa. Acho que essa é uma das desvantagens de ter um trabalho. Você não sabe quando chega e quando fica cansado. – Karma acabou dando uma risadinha, enquanto sua irmã falava de um jeito meio engraçado. – O seu relógio biológico fica todo atrasado. – Coça um de seus olhos, enquanto as duas olham para o oceano. – Porque você não está estudando, irmãzinha?

(Karma) – Já acabei por hoje. Mas eu estou com a sensação de que tem algo faltando por aqui. – Suspira, enquanto olha para sua irmã. – Gosto de pensar que está tudo bem, mas no fundo, me preocupo.

(Ângela) – E porque diz isso?

(Karma) – Mesmo tendo ótimas notas, sendo uma boa aluna, sinto que falta algo em nossas vidas. Não sei.

(Ângela) – As vezes, eu também sinto que há algo faltando em minha vida. Não importa o quanto as coisas pareçam bem, no fundo, parece que há uma sensação de vazio entre nós duas.

(Karma) – No meu caso, sinto que falta um pouco de emoção. De aventura. De intensidade. De algo que mostre o sentimento de se estar de frente com o perigo e se lançar de cabeça em qualquer situação que apareça em sua frente. – Ângela colocou uma de suas mãos na cabeça de sua irmã, a esfregando em cima de seu cabelo.

(Ângela) – Você realmente parece ter um espírito de aventura bem enorme em seu corpo. Eu também me sinto assim de vez em quando.

(Karma) – Se sente assim em suas corridas noturnas? – Ela fala, surpreendendo Ângela, o que faz Karma dar um sorrisinho. – Um amigo seu te trouxe pra casa uns dias atrás, mas eu não contei nada. Ouvi ele dizer que você foi incrível em uma corrida. Eu sei guardar segredo, irmã.

(Ângela) – Que bom. Nossos pais me matariam se eles soubessem o que eu faço no meio da noite. Por um momento, quando eu tento equilibrar duas vidas, me sinto meio dividida, porque nem mesmo eu sei o que fazer em tempos difíceis. – As duas olham para o oceano, enquanto ao mesmo tempo, sorriem uma para a outra. – Quando eu corro, me sinto livre. Capaz de fazer tudo o que eu posso. Temos rivais algumas vezes, mas eu corro não só para vence-los. Corro para poder ser melhor do que qualquer um jamais foi. Posso ser um espírito livre. Fazer o que eu quiser. Mas no fundo, penso em outra coisa.

(Karma) – E o que seria?

(Ângela) – Quando comecei a correr, era para ser apenas um passatempo. Coisa que uma jovem como eu faz ultimamente. Pode até parecer errado, mas no fundo, até que eu gosto disso. Sentir a adrenalina pulsando pelas minhas veias. O vento batendo em meu rosto. – Ela descrevia a si mesma como se fosse alguém um tanto experiente. Ao mesmo tempo, ela descrevia a vantagem que tinha em poder correr com seus amigos. Ângela parecia estar se sentindo mais feliz do que nunca. – Mas tem vezes que nem sempre é assim. As vezes, uma corrida requer certas diferenças para poder adquirir a vitória.

(Karma) – Eu não conto nada, mas, tem uma condição. – Karma deu uma risadinha e ao mesmo tempo, isso deixou Ângela meio nervosa.

(Ângela) – Sabia que tinha um truque. Qual é a condição?

(Karma) – Você vai me levar para dar uma volta no seu carro. Para poder entender como você se sente. – A irmã de Karma rodou o rosto, meio preocupada. – Por favor! – Ela agarrou o braço de sua irmã, com uma expressão meio cabisbaixa. – Sabe que estou me sentindo entediada. Pelo menos, me ajude a lidar com esse dilema.

Ângela deu um sorriso meio tímido e ao mesmo tempo, Karma se animou ainda mais diante do que estava vendo. A expressão de sua irmã parecia de felicidade, mas também um semblante de incerteza. Quando criança, Karma nem parecia ser a pessoa calculista, fria e analista que demonstrava ser. Apenas alguém dedicada a ser a melhor, mas ao mesmo tempo, mantendo emoções diferente do que o esperado.

(Karma) – Disse que é um espirito livre quando corre e pilota. Quero apenas entender como funciona a mente de minha irmã nesses dias. – As duas olham para o oceano, enquanto ao mesmo tempo, Karma suspirava. – Olhando para o oceano e para o que está lá fora, é como se pudesse ter um vislumbre do que poderia ser. Ser alguém diferente do que os olhos podem ver. É como se houvesse um desejo para querer ser algo mais na vida.

(Ângela) – Olhe pra mim. Tenho que me esforçar e muito para poder manter duas coisas que eu preciso fazer. – Ela dá outro sorriso meio tímido e ao mesmo tempo, olha para sua irmãzinha, com um semblante de otimismo. – Esse tipo de corrida não é do tipo que se corre em circuitos profissionalizados. Corremos riscos o tempo inteiro para fazer o que tanto queremos fazer.

(Karma) – Ainda não me deu uma resposta. – Parecia que Ângela estava aos poucos, cedendo e isso parecia deixar Karma um pouco feliz.

(Ângela) – Tudo bem, Karma. – Apontando seu dedo indicador, Ângela finge que está usando ele como uma pistola e atira na direção dela, e nisso, Karma finge que cai no chão, dando uma risada. – Vamos nessa.

Algumas horas depois, Karma e Ângela chegaram em uma garagem nos arredores de uma cidade, e nisso, Ângela apertou um botão do lado de fora, abrindo as portas. Nisso, as duas ficaram frente a frente com o Chicane. Karma ficou meio surpresa com o que estava vendo.

(Karma) – Incrível...

(Ângela) – Esse é o meu carro. O Chicane. Adaptado para corridas de rua, e ainda por cima, possui um sistema de ponta incrível. E nossos pais nem sabem que tenho ele. – As portas do carro se abriram e nisso, Karma e Ângela entram nele, e ao mesmo tempo, olham para frente, com um sentimento de emoção em seus rostos.

(Karma) – Parece que você realmente adora fazer isso. Tem certeza de que isso realmente te completa?

(Ângela) – Nunca tive tanta certeza em toda a minha vida, irmãzinha. – Ângela, então, coloca as mãos no volante e no pedal, mas antes de acelerar, ela olha para Karma. – Quer ouvir um conselho?

(Karma) – Sou toda ouvidos.

(Ângela) – Sabe porque eu equilibro esses dois estilos de vida um com o outro? Porque eu analiso cada possibilidade diante da dificuldade em que podemos nos encontrar. Quando corremos, devemos pensar em cada opção possível para conseguirmos superar nossos limites. É assim que eu me sinto quando corro a cada momento. – Ela olha para a estrada em sua frente e ao mesmo tempo, Karma ouvia as palavras de sua irmã, com uma certa dedicação. – Alguns corredores acreditam que sou meio exagerada em querer ser perfeita nas disputas. Mas isso é apenas parte do aprendizado. Você gostaria de pilotar em algum momento, irmãzinha?

(Karma) – Eu não sei. Pilotar um carro desses, ainda por cima, dirigir, parece ser uma grande responsabilidade. – As duas continuavam a olhar para frente e ao mesmo tempo, Ângela apenas deu um sorrisinho em seu rosto.

(Ângela) – Todos nós temos responsabilidades. Um segredinho entre nós duas: Algum dia, esse carro será seu, irmãzinha. Assim, quando estiver correndo, estarei junto como parte de você, e dos desafios que irá enfrentar. – Sorrindo, Ângela olhou para Karma, e nisso, ela foi para trás, fazendo a garota estranhar um pouco. – Segure o volante.

Meio relutante, Karma foi para o banco do motorista e segurou o volante, com uma sensação meio diferente do que qualquer outra coisa que tivesse feito antes, o que a deixou meio nervosa.

(Karma) – É meio pesado. – Os pés dela estavam entre o acelerador e o freio, mas ao mesmo tempo, parecia que Karma estava se adaptando facilmente aos controles. Elas ainda não tinham saído da garagem, mas no fundo, parecia que estava conseguindo ver o que estava em sua frente lentamente. – Mas também, é bem interessante. – Com isso, Ângela pegou Karma e a colocou de volta no banco do passageiro, e assim, retornando ao assento do piloto.

(Ângela) – Você tem o estilo de pilotar, mas não sabe disso ainda. No fundo, nós duas somos melhores do que os outros podem imaginar. Penso mais pra frente, diante da adversidade. Uma corrida requer estratégia, mas ao mesmo tempo, requer que deixemos nossas emoções de lado para que possamos nos concentrar na pista e no que tanto queremos para conseguirmos a vitória e superar os limites. No fundo, temos que pensar mais no que podemos fazer.

(Karma) – A estratégia é a melhor arma para conseguir alguma coisa. Ainda mais quando precisamos.

(Ângela) – Pegou o jeito bem rápido. Eu sempre estarei com você, irmãzinha. No seu coração. – Apontou para o coração de Karma, que deu um sorriso meio tímido. – Lembre-se, Karma: A melhor arma é a estratégia. É a nossa mente. Através dela que conseguimos vencer. Que conseguimos ser melhores do que os outros. Seja a melhor pessoa que puder ser. No fundo, quando conseguir isso, saberá que é a melhor corredora de todas... – Apontando seu dedo na direção de Karma de novo, ela disparou, o que fez ela repetir a mesma cena dentro do carro.

De volta ao presente...

Karma viu o piloto do Civic fazer o mesmo gesto, ficando surpresa com o que estava testemunhando. Aquele era o mesmo gesto que sua irmã estaria fazendo. Mas ela estava mais do que perplexa. Não poderia ser. Seria isso uma imagem de seu passado? Ou apenas algo para engana-la? As duas ainda estavam coladas uma na outra e ao mesmo tempo, tentando se manter firmes diante da dificuldade da corrida no deserto. Uma nuvem de poeira aos poucos, ia se levantando diante da densidade dos pneus que percorriam o local. Aos poucos, enquanto cada um dos carros ficava colado, Karma se perguntava sobre o que teria visto. Taro olhou para o carro da integrante da Teku, percebendo que ela estava meio estranha.

(Taro) – Karma? Karma? Está me ouvindo?

Nem mesmo a voz no rádio de Karma estava chamando a atenção dela. Parecia que mesmo com os esforços de Taro, ela parecia estar olhando para o que estava vendo, sem desviar o olhar. O piloto do Civic pisou no acelerador de forma leve e ao mesmo tempo, equilibrando a embreagem e a velocidade. Olhando para o piloto, a integrante da Teku viu ela fazer o mesmo gesto de muitos anos atrás. O gesto de sua irmã, Ângela. Karma colocou seus pés no acelerador, até que do nada, o piloto misterioso bateu do lado do carro dela, fazendo com que Karma derrapasse e saísse da pista, e nisso, Taro passou do lado dela, assumindo a segunda posição, já que ela tinha sido forçada a parar o carro para evitar qualquer acidente.

(Taro) – Precisa de ajuda? – Ele perguntou, quase que ironizando a pergunta que Karma fez para ele, no QG dos Drones, antes que pudesse ser morto por um deles.

(Karma) – Eu estou bem, Taro. Por um momento, pensei ter visto algo familiar. Já vou alcançar você. – Engatando o câmbio, Karma retornou para a pista, indo em direção aos primeiros colocados, mas um pouco devagar. Desse jeito, Teresa aproveitou para assumir a terceira posição, dando um sorrisinho.

(Teresa) – Estou recuperando lentamente as posições, mi amor. Logo, logo, nós vamos fazer uma grande comemoração. – Teresa colocou sua mão direita no câmbio, e nisso, apertou o pedal do acelerador, indo mais rápido do que poderia imaginar. Pilotar um carro desses era algo totalmente diferente do que o esperado para ela. Mas sendo estrategista e analista, Teresa faria o que fosse necessário para vencer a corrida. Vendo Taro e a Fera percorrendo o percurso, os dois fizeram um drift, retornando as ruas e saindo da areia. Teresa então, fez a mesma coisa, como se estivesse pensando no que fazer. Ao mesmo tempo, Karma foi forçada a se recuperar, mas desse jeito, parecia que ela iria acabar a corrida na última colocação por causa desse breve momento de distração. Ela retomou um pouco a frieza e a personalidade calculista, enquanto olhava para a pista.

(Karma) – Se querem uma guerra, terão uma guerra. – Puxando o freio de mão, Karma voltou para a pista, ficando no meio da pista. – Vejamos o que mais posso fazer.

Taro começou a ficar colado do lado do Civic, e nisso, o piloto misterioso fez a mesma coisa com Karma, tentando bater do lado do Rivited para joga-lo para fora da pista, no entanto, Taro acabou freando, antecipando o movimento de seu adversário, que acabou passando do lado dele. Nisso, o integrante da Metal Maniacs retribuiu batendo do lado do carro da Fera, o jogando pra fora da pista, em cima da areia, jogando ele para a última posição. Enquanto tudo isso acontecia, Karma olhou para Taro, com um sorrisinho em seu rosto, ao mesmo tempo em que a integrante dos Azuis chegava mais perto de Taro do que o piloto poderia imaginar. O homem que já subiu o Monte Everest duas vezes e também um dos mais experientes da Corrida Mundial sentia sua posição de liderança sendo ameaçada por uma jovem corredora, que analisava cada detalhe para conseguir se manter na frente.

(Karma) – Parece que nós vamos disputar a primeira posição, Taro. – Ela falou pelo rádio, enquanto Taro deu um sorrisinho em seu carro.

(Taro) – Se conseguir me alcançar, talvez consigamos ter a nossa disputa. – Karma engatou a sétima marcha novamente, apertando o passo para alcançar os pilotos. O piloto do Civic tentava sair de onde estava, mas aparentemente, o carro não dava partida, reduzindo a disputa entre três pilotos.

Karma olhou para a disputa entre Taro e Teresa, se perguntando quem venceria a corrida naquele momento.

Alguns anos antes...

Dentro do Chicane, Ângela pilotava como se não houvesse amanhã. Ela e Karma olhavam para os lados, vendo que não tinha nenhum outro carro seguindo eles. Aos poucos, ela conseguia manter-se firme diante do volante, enquanto Karma sentia um pouco de emoção em seu corpo como um todo. Parecia que o tédio finalmente tinha sumido, e junto com isso, ela via sua irmã dirigindo, como se fosse uma verdadeira corredora.

(Ângela) – Onde será que eu coloquei as músicas? – Apertando o sistema de som, Ângela ativou os autofalantes, junto com a música, demonstrando que naquele momento, estava realmente se sentindo como um espírito livre. Pilotando pela costa da Califórnia, as duas irmãs sentiam o vento e a brisa batendo em seus rostos. – Parece que só tenho trilhas antigas.

(Karma) – Surpreenda-me. – Karma tinha um entendimento do que estava acontecendo. Mesmo pilotando pela costa, as duas pareciam ser mais livres do que o esperado. Mas Ângela se perguntava se realmente deveria ter trazido sua irmã com um semblante meio preocupado.

Put up like

"Can I park right here?"

Fresh from the pick

Engine sounds nice

With a new V6 and my kicks is clean

And I'm mean when I drive by

Watch me lean

The party dare start 'till I hit the scene

Girls you know me how I make 'em scream

Com a música tocando, Ângela fazia várias curvas pela costa, demonstrando todas as suas habilidades como um todo. Era como se houvesse uma espécie de passatempo que as duas pudessem se identificar no meio de todos os eventos. Naquele momento, Karma finalmente percebeu o que sua irmã fazia era mais do que um passatempo. Era não só uma aventura, mas ao mesmo tempo, uma chance de ser quem realmente era.

(Karma) – Como é o seu estilo de corrida? Além do que você descreveu?

(Ângela) – Eu corro analisando o que devo fazer. Sou mais uma estrategista nas pistas. Assim quando possível, posso me superar a cada acelerada que eu dou. Nós duas somos iguais, Karma. Quando chegar a sua hora, irá perceber seu verdadeiro potencial...

De volta ao presente...

Karma focou sua atenção na pista de novo, sentindo que no fundo, estava tentando levar em consideração as palavras de sua própria irmã. O fato de ser estrategista e analista era algo que levava consigo a cada corrida para tentar superar seus limites, sempre que possível. Paralelo a isso, Taro e Teresa continuavam a bater no carro um do outro, demonstrando algo meio agressivo diante da corrida.

(Carlos) – Meu amor, o que está fazendo? – Carlos ouvia o barulho dos carros batendo, e nisso, percebia que Teresa estava tentando se manter na liderança a todo custo.

(Teresa) – Vai vendo! – Alternando entre a embreagem e o acelerador, Teresa tentou tomar a frente, mas nisso, Taro fez o mesmo, colando um no outro. Pouco a pouco, os dois pilotos olharam um para o outro, percebendo que as coisas estavam se complicando mais do que o esperado.

(Taro) – Porque está correndo desse jeito? De forma tão agressiva? – Teresa ficou meio surpresa em ver que o piloto da Metal Maniacs estava tentando falar com ela no meio da corrida, tentando chamar a atenção da corredora.

(Teresa) – Eu corro porque é a minha vocação. Minha vontade de vencer está sempre no topo quando o assunto é pilotar. Preciso mostrar a todos que posso ser uma corredora melhor do que os outros. – Carlos ouvia a conversa naquele momento, se preocupando com o que estava ouvindo e o que poderia acontecer. Ficava bem claro que os dois pilotos naquele momento estavam mais dispostos a vencer do que nunca.

(Taro) – Parece alguém que eu conheço. Mas essa pessoa é um pouco diferente.

Aos poucos, Karma foi se aproximando e o Civic simplesmente sumiu de vista. Olhando para os lados, ficava bem claro que muito em breve, eles estariam chegando perto da linha de chegada. Pouco a pouco, Karma foi se mantendo no traçado e desse jeito, foi colando perto dos lideres. Teresa assumiu a liderança de novo, jogando o carro em cima de Taro e bloqueando a parte da frente dele. Nisso, o piloto tentou cortar pela direita, mas foi bloqueado. O mesmo aconteceu na esquerda, sem sucesso.

(Teresa) – Você acha mesmo que pode me passar agora? Estou em uma posição bem favorável, Taro. – Bloqueando a retaguarda, ela parava qualquer tentativa de Taro de assumir a liderança da corrida. Isso já estava deixando o integrante da Metal Maniacs um pouco irritado por causa de suas tentativas falhas. Suspirando, ele tentou se manter atento a pista e nisso, tentava encontrar qualquer brecha possível para ultrapassar sua adversária. Karma viu Taro com dificuldades e nisso, colocou as mãos no comunicador de novo.

(Karma) – O que está acontecendo?

(Taro) – Ela está correndo como se estivesse antecipando cada movimento meu. Não consigo encontrar nenhuma brecha para ultrapassar o carro dela. – O piloto então, colou no vácuo dela, enquanto Teresa acabou percebendo que seu oponente estava ganhando velocidade por causa disso. – Mas o problema é que mesmo com isso, não sei se vou conseguir alguma coisa.

(Karma) – Estou analisando os movimentos do Nissan daqui atrás. Podemos tentar passa-la, mas eu acho que precisaremos trabalhar juntos nessa. – Usando o turbo, Karma colou em Taro, que vendo a ideia de Karma, diminuiu um pouco a velocidade do carro, e nisso, os dois colaram um no outro, reduzindo a velocidade do ar de seus carros, que nem ela e Nolo fizeram no Reino do Canal um tempo atrás. Teresa então, olhou para trás, vendo que as coisas estavam mais complicadas do que o esperado.

(Teresa) – Mas eles não vão passar mesmo! – Vendo a próxima curva, Teresa puxou o freio de mão, virando com tudo, enquanto Karma e Taro viraram ao mesmo tempo, mantendo o equilíbrio de seus carros e a consistência da velocidade um com o outro. A jovem garota colocou nas mãos no Nissan, se perguntando o que deveria fazer naquele momento. Aos pouco, ela se sentia encurralada, mas ao mesmo tempo, pensando no que deveria fazer. Ela analisava cada detalhe, mas no fundo, acreditava ser a melhor corredora dentre eles.

Paralelo a isso, Carlos, que esperava a chegada dos pilotos, olhava para o rádio, se perguntando quem estaria na frente, e nisso, Antônio, que olhava para seu irmão, chegou perto dele, meio preocupado.

(Antônio) – É só uma corrida como qualquer outra, irmão. Porque está preocupado?

(Carlos) – Porque no fundo, sinto que a Teresa não está correndo como ela mesma. Apesar de estar demonstrando vontade no volante, ela parece estar ficando preocupada com os oponentes, como se eles estivessem superando ela de forma mental. – Suspira, enquanto ao mesmo tempo, olha para seu irmão. – Alguma coisa está acontecendo.

Aos poucos, Teresa viu o neon se aproximando um pouco e ao mesmo tempo, se perguntava se realmente iria ganhar a corrida. Olhando pelo retrovisor, ela viu os dois se aproximando, mais perto do que o esperado. Taro e Karma então, aproveitaram que Teresa estava distraída e nisso, ativaram a última dose de nitro que tinham em seus carros, e nisso, os dois se lançaram, com Karma indo para a esquerda e Taro indo para a direita, cercando Teresa. Os carros de ambos começaram a encostar um no outro, enquanto faíscas saíam de cada um deles por causa do impacto. Teresa tentava se manter na frente, mas nisso, a força de ambos os carros acaba fazendo com que ela derrape, saindo da pista. Nisso, a disputa fica entre Taro e Karma, com ambos os carros colados um do lado do outro. Perto da linha de chegada, Carlos viu os carros se aproximando, vendo que Teresa não estava mais perto deles. Taro então, olhou para Karma, e nisso, pisou fundo, junto da integrante da Teku, e nisso, os dois cruzaram a linha de chegada ao mesmo tempo. Ninguém sabia quem era o vencedor, até que Karma ergueu seu punho dentro do carro, demonstrando que ela tinha vencido a corrida e os 35.000. Taro deu um sorrisinho, e nisso, Karma olhou para ele. Teresa se aproximou da linha de chegada, tirando seu capacete, com um semblante meio triste em seu rosto. Carlos se aproximou do carro e nisso, foi até a janela, vendo Teresa sem expressar nenhuma reação.

(Carlos) – Amor? Está tudo bem? – Ela não falava nada, mas ao olhar para a janela, viu ela derramando uma lágrima de seu olho.

(Teresa) – Eu nunca achei que pudesse ser derrotada desse jeito. Sempre usei as táticas e estratégias necessárias para adquirir vitória. – Aos poucos, Teresa estava perplexa com o que tinha acontecido com ela. Ter perdido daquele jeito era algo que a surpreendia. – Correr com integrantes da Teku e da Metal Maniacs era algo que parecia um sonho. Mas ao mesmo tempo, pude me sentir ofuscada a cada passo que eu dava. Ainda mais com Karma Eiss. Ela é mais perfeita do que eu sou. E o pior é que eu não sei o que houve. – Carlos então, deu um sorriso, tentando animar um pouco Teresa.

(Carlos) – Nem sempre vencemos, Teresa. Podemos perceber que no fundo, talvez não sejamos melhores. Mas não é só uma corrida. Terão outras. – Isso já foi capaz de provocar um sorriso no rosto de Teresa, que saiu do carro, com os dois indo em direção a Taro e Karma. O piloto do Civic então, apareceu de novo, e sem fazer nada, acabou indo embora. Karma ficou meio surpreso. Ao chegar perto de Karma e Taro, Carlos deu um sorriso. – As vezes, ele vai embora. Tem vezes que ele só fica quando é para receber o dinheiro ou ganhar alguma coisa. Gostamos de pensar que há um mistério envolvendo esse corredor misterioso. – Indo em direção ao carro de Antônio, ele pega o dinheiro, que estava enrolado, para poder entregar ao vencedor. – Tem 35.000 ao todo, como prometido. Espero que faça bom uso desse dinheiro, senhorita Eiss.

(Karma) – Pode me chamar só de Karma. – Nisso, Teresa chegou perto mais uma vez, ficando perto da integrante da Teku. Estendendo sua mão, Karma ficou meio surpresa.

(Teresa) – Hoje, você se provou ser a melhor. Mas não vá achando que acabamos por aqui. – Desse jeito, Karma e Teresa apertaram as mãos, como se houvesse um gesto de respeito entre elas.

(Karma) – Você ainda vai chegar ao topo um dia.

(Carlos) – Estamos aqui pelo tempo que for preciso. Se quiserem voltar, serão bem-vindos. Claro que ainda haverão corridas valendo dinheiro. Qualquer piloto da Teku ou da Metal Maniacs está mais do que convidado a participar das próximas corridas. – Os pilotos então, deram um sorrisinho, e nisso, olharam um para o outro. Taro e Karma entraram em seus carros, enquanto Teresa e Carlos olhavam para eles, antes de partir. Carlos deu um sorrisinho, enquanto Teresa ficava estranhando o jeito de agir de seu namorado. – Você estava com ciúmes, não estava?

(Teresa) – Não chamaria isso de ciúme, mi amor. Gosto de pensar que a competição me motiva a ser melhor do que posso ser. Afinal, não é o que qualquer um pensa?

(Carlos) – Vai por mim, pode ser que ainda tenhamos muito a enfrentar. Mas estaremos prontos para qualquer desafio.

Karma e Taro então, deixaram o local da corrida, com os 35.000 da vitória. Cada um olhou pro outro, decidindo correr de volta para a base de operações mais uma vez. Um retorno as origens que se mostrou algo diferente do que poderiam imaginar. Mas naquele momento, Karma se perguntava se o que tinha visto era ou não era verdade. Poderia ser qualquer um, mas o que ela não entendia era quem poderia ser o piloto por trás do Civic. Mas aquele gesto, Karma reconheceria de qualquer lugar. E isso não passou despercebido por Taro. Sem falar nada, os dois apenas continuaram correndo de volta para a base de Tezla. Mas ficava claro que a jornada estava só começando.

Continua...