Alguns anos antes...
A mente de Karma voltou para o passado, enquanto ela relembrava a pilotagem de sua irmã como um todo na costa. Pouco a pouco, ela guiava o volante para os lados e usava o freio de mão para dar um drift sempre que possível.
(Karma) (narrando) – Minha irmã e eu erámos inseparáveis. Na época, eu tinha apenas uns 13 anos. Imagine alguém como seu sendo uma aluna exemplar e tirando apenas as notas mais altas. Isso é algo que daria orgulho para muitos. Mas para mim, as vezes, eu sentia que havia um tédio dentro de meu corpo. Eu queria mais um pouco de emoção em minha vida. Foi um pouco antes disso tudo que eu descobri que minha irmã, Ângela, era uma corredora de rua. Isso foi bem antes de você ou de qualquer um dos Maniacs. Na época, Tone ainda estava vivo. – O semblante de Karma vendo sua irmã pilotando era algo totalmente diferente do que o esperado. Estando livre, de um jeito que nem mesmo ela imaginava daquele jeito. Vendo sua irmã pilotando, era como se houvesse algo diferente nela que nunca tinha visto antes. Algo que quebrasse o semblante que ela tinha atualmente como alguém analista e calculista. – Nós duas erámos unidas. Ajudávamos uma a outra com vários problemas.
Olhando para a costa e a lua em seu esplendor, Karma viu a água cercando o solo depois da mureta. Aquele lugar por qual eles estavam passando, por ironia, seria o mesmo lugar no qual Nolo e Tork se enfrentariam anos depois, em um duelo de líder contra líder.
(Karma) (narrando) – Por um momento, estar com ela me fazia escapar do tédio. Podíamos ser nós mesmas da melhor forma que poderíamos ser. – A lembrança dela voltou para uma depois da viagem das duas e ao mesmo tempo, Karma e Ângela entraram escondidas em casa, suspirando, vendo que seus pais ainda estavam dormindo. – Eu prometi que não falaria nada para nossos pais quando eu descobri que Ângela era uma corredora de rua. E por incrível que pareça, cumpri minha promessa. – As duas, já no quarto de Karma se sentaram uma do lado da outra, suspirando depois da viagem que tinham feito.
Aos poucos, a emoção crescia, enquanto ambas as irmãs davam uma risada, tentando conte-las com suas mãos. Pouco a pouco, as duas realmente demonstravam um vínculo afetivo diferente de tudo que já tinham demonstrado antes. Parecia que o amor pela corrida tinha unido as duas ainda mais naquele momento.
(Ângela) – Você se divertiu, irmã?
(Karma) – Foi a melhor noite da minha vida. Agora eu entendo o que sente através do volante. Realmente você é um espírito livre, Ângela. – Karma deu uma risadinha e ao mesmo tempo, ficava claro que Ângela estava sorrindo, mais do que o normal. – Mas realmente, você tem um talento nato para a direção.
(Ângela) – As vezes, o piloto não entende qual é a melhor estratégia para se manter em uma corrida. Correr pela costa é tentar se manter firme na pista. Não cometer nenhum deslize para cair pra fora dela. Assim como correr em lugares quentes significa preservar os pneus o máximo de tempo possível. No melhor momento possível, podemos até dirigir no escuro como um desafio. Sempre que há um desafio, eu analiso cada padrão e possibilidade que eu possa utilizar para conseguir vencer as corridas e assim como ajudar minha equipe. O Tone me mantém como sua confidente, porque ele acredita nas minhas táticas, justo quando ninguém mais iria acreditar. – Pouco a pouco, as duas continuavam a dar risada, enquanto Ângela contava sua história. – Mas nem sempre, temos rivalidade com as outras equipes. No fundo, cada um tem respeito pelo outro, e tentam competir como se fosse algo amistoso. Mas eu gosto de dificuldade. Eu sempre me perguntei se teria algo a mais além das corridas.
(Karma) – Parecem até histórias meio exageradas, mas no fundo, acho que dá para entender como que você se sente.
(Ângela) – Pois é, irmãzinha. Eu realmente me supero em cada parte. – Olhando para Karma, ela via um pouco de entusiasmo diferente do que ela possuía, em suas táticas analistas e calculistas. – Que tal se a gente fizer um pequeno acordo? Como você gostou da nossa pequena aventura, a gente poderia fazer isso mais vezes. Eu te mostro certos lugares, e nós corremos como se não houvesse amanhã. Podemos até correr pela costa de novo se você quiser.
(Karma) – Eu poderia dizer aos meus pais que estarei dormindo na casa de uma amiga nesses dias. Assim isso já nos ajuda. Eu não conto e você não conta, tudo bem? – As duas apertaram as mãos, simbolizando o pacto firmado por elas.
(Ângela) – Nós duas vamos nos divertir, Karma.
(Karma) (narrando) – Por um tempo, era assim que nós agíamos. Sempre que possível, eu saía com minha irmã e corríamos como se não houvesse amanhã. Era nós duas dentro do Chicane, enquanto sentíamos que poderíamos ser livres. Nós adorávamos uma a outra, mas foi o nosso vínculo com a corrida e os carros que nos uniu cada vez mais. – Alguns dias depois, Ângela e Karma correram pelas ruas das praias da Califórnia, sentindo uma emoção diferente do que o esperado. – Sempre que possível, eu inventava alguma coisa só para poder sair com minha irmã. Imagine uma garota de 13 anos, andando em um carro de rua com a irmã mais velha. Houve uma época que eu cheguei a admirar ela por causa de suas habilidades como corredora. Ela corria como se fosse outra pessoa. Como se fosse outra coisa. – Em um outro dia, Ângela chegou perto das ruas do deserto, sentindo a areia batendo em seu rosto. – Nós realmente erámos inseparáveis. No fundo, acreditávamos que continuaríamos assim por um bom tempo. Alguns anos se passaram depois que começamos nossas pequenas aventuras.
Cinco anos depois...
Karma agora tinha 18 anos. Seu visual já remetia um pouco do seu futuro eu, com o rabo de cavalo e o batom que usava. Aos poucos, ela começou a andar, estando perto de casa, depois de um dia meio exaustivo, enquanto Ângela chegou perto dela com o carro que pilotava. Karma havia ficado meio surpresa com a chegada de sua irmã, mas ao mesmo tempo, um pouco emocionada.
(Karma) – O que está fazendo aqui? Achei que ninguém podia te ver.
(Ângela) – Os nossos pais me incumbiram de te dar aulas de direção, e considerando que você já está na idade, acredito que você está pronta para que possa realmente pilotar o meu carro. – Karma então, adentrou o banco do motorista, enquanto Ângela passava para o banco do passageiro, suspirando. – Já vimos isso várias e várias vezes, irmãzinha, mas dessa vez, você vai estar no volante. Lembre-se de tudo que eu te mostrei desde as últimas vezes que andamos juntas.
(Karma) – Deixe comigo. – Girando a chave, Karma ficou com um sorriso em seu rosto. – Vai ser demais. – As duas então, partiram para a estrada mais uma vez, com Ângela acompanhando sua irmã diante do que estava enfrentando.
(Ângela) – Lembre-se: Nós já passamos por isso em algumas de nossas aventuras. Aposto que você se lembra como que dirige, não lembra? Eu te mostrei o volante e os pedais na primeira vez. – Karma apenas deu um sorrisinho, sinalizando a resposta que sua irmã tanto queria. Apertando seu pé no acelerador, Karma olhou para a pista e ao mesmo tempo, viu uma parte do percurso em sua frente, visualizando o negócio como se fosse uma corrida mesmo. Analisando cada curva e aonde poderiam estar entrando os carros, Karma parou perto de um sinal vermelho, ficando meio surpreso. Aos poucos, ela bateu seus dedos no volante, enquanto Ângela observava, tentando entender o que sua irmã iria fazer. – O que está fazendo, Karma?
(Karma) – Apenas esperando o momento exato. – Aos poucos, Karma esperou o sinal se abrir, enquanto continuava a apertar os pedais da embreagem e do acelerador de leve, suspirando. Nisso, o sinal ficou verde e Karma engatou para a segunda marcha, ganhando um pouco de velocidade. Ângela ficou um pouco surpresa em ver Karma pilotando de um jeito meio surpreendente, como se realmente entendesse o que deveria fazer. Suspirando, ela engatou a terceira e a quarta marcha, como se estivesse quebrando certas regras.
(Ângela) – Karma, o que que é isso? – Por uma vez, Ângela parecia meio surpresa com o que estava acontecendo. Era como se sua irmã estivesse incorporando seu lado oculto como corredora naquele momento, no que deveria ser uma simples aula de direção. Dando tudo de si, Karma virou em uma curva na quinta marcha, quase que chamando uma atenção muito suspeita naquele ponto. Pouco a pouco, as duas sentiram a emoção dentro de seus corpos, enquanto Karma pilotava o Chicane com seu carro.
(Karma) – Acho que agora era a minha vez de sentir como era pilotar o seu carro, Ângela. Além do porque, eu sempre quis fazer algumas de suas manobras. – Puxando o freio de mão, Karma acaba virando em uma esquerda e ao mesmo tempo, ficando meio surpresa em ver que realmente estava conseguindo dominar as habilidades de uma verdadeira pilota. Pouco a pouco, ela suspirou, analisando cada possibilidade e ao mesmo tempo, demonstrando uma calma e controle diante do volante. Mas aos poucos, também demonstrava que realmente parecia uma corredora de rua por causa de tudo que ela estava fazendo diante das ruas. – Isso realmente é algo que eu sempre quis fazer. – Puxando o freio de mão mais uma vez, Karma entrou em um outro quarteirão, mas infelizmente, chamando a atenção de um carro da polícia que estava parado. Ao ouvir o barulho da sirene, ficava bem claro que Karma tinha chamado atenção indesejada.
(Ângela) – Beleza, esse é justamente o tipo de atenção que eu não queria em cima da gente.
Uma perseguição se iniciou com mais uns dois carros da policia se juntando ao que estava perseguindo o Chicane, ficando meio perplexo em ver a velocidade do carro que estava em suas frentes.
(Karma) (narrando) – Lembro do dia em que fui perseguida pela polícia pela primeira vez. Era como se eu estivesse dentro de algum filme que eu não conseguia sair. E o pior é que boa parte disso realmente era culpa minha porque eu chamei atenção indesejada aonde não era para ter chamado. Lembro que podia sentir o vento, mas ao mesmo tempo, sentindo a sirene chamando nossa atenção. Aos poucos, o sentimento que havia era de incerteza seguido de medo. Porque mesmo com todas as habilidades que eu estava demonstrando, parecia que estava pilotando como se fosse uma amadora. Uma principiante diante de algo que parecia que nem mesmo eu conseguia controlar em meio a uma tentativa de fuga. Pilotar o carro que uma vez foi de minha irmã era algo um tanto interessante. Mas também trazia um pouco de medo para o meu lado porque no fundo, eu estava colocando não só a mim, mas a minha irmã em perigo.
Karma continuava a pilotar, entrando em várias curvas, tentando despistar a polícia, mas aos poucos, tendo vários reforços sendo chamados em cima do Chicane. Guiando o freio de mão, ela entra em uma outra rua do quarteirão e engata a sétima e a oitava marcha, atingindo 270 km/h. Tentando se manter firme, Karma via a policia se aproximando cada vez mais perto das duas, ao mesmo tempo em que cada uma das duas olhava para a rua, tentando escapar.
(Karma) – Admito que eu acho que foi uma péssima ideia me deixar pilotar o seu carro! – Ficando preocupada naquele momento, Karma olhou para o volante e para os botões, totalmente temerosa com o que estava acontecendo.
(Ângela) – Que nada! Estamos só começando! Eu preparei algo no carro especialmente para algo parecido com isso! – Ela olha para o botão do meio na direita, com Karma ficando meio surpresa com o que estava vendo. – Ative apenas em caso de emergência. – As duas continuavam a sentir a tensão crescendo por causa dos policiais perseguindo elas, e ao mesmo tempo, tentavam pensar na melhor tática para enfrentar a adversidade da força policial. O Chicane estava sendo guiado na mais alta velocidade, enquanto Karma demonstrava toda a habilidade e agilidade que tinha dentro de seu corpo e força de vontade.
(Karma) – Isso está meio interessante. Mas ao mesmo tempo, um tanto preocupante pra mim.
(Ângela) – Lembre-se de manter a calma na pista, Karma. Utilize sua mente e demonstre frieza no meio da pilotagem. Mantenha seus olhos na pista e analise cada possibilidade.
Deixando de lado uma parte de suas emoções e seu semblante de preocupada, Karma começou a analisar cada detalhe das ruas, enquanto diminuía uma das marchas e dava um freio de mão, entrando em uma avenida. Aparentemente meio deserta, ficava bem claro que Karma tinha entrado em algo pouco movimentado. Sentindo a ventania em seu rosto, ela ativou o nitro do carro, revelando que estava se adaptando facilmente a pilotagem e ao estilo de uma corredora de rua nata. Os carros, aos poucos, foram ficando para trás, fazendo com que as duas respirassem aliviadas.
(Karma) (narrando) – A sensação de ter alguém te perseguindo é algo meio diferente na primeira vez que passamos por algo assim. Isso nos guia e ao mesmo tempo, demonstra que há muita coisa a aprender. Com minha irmã, a primeira aula de direção oficial que eu tive culminou nessa perseguição. Aparentemente tínhamos escapado, mas na verdade, ainda havia algo a mais diante disso tudo.
(Ângela) – É assim que se faz, Karma. Mesmo com alguém seguindo a mente, demonstrou uma calma diferente de tudo que já tinha visto antes.
(Karma) – É como se eu já soubesse o que tinha que fazer. Parecia que minha mente tinha eliminado qualquer medo que tinha em meu corpo quando comecei a me concentrar de fato na pista. – Engatando a oitava marcha, ficava bem claro que Karma estava mais do que disposta a conseguir pilotar melhor do que jamais tinha conseguido. – Acho que tá tudo bem agora.
(Ângela) – Essa não!
Nisso, ao olharem pra frente, um bloqueio policial tinha sido colocado a postos, demonstrando que eles já tinham se preparado para deter os pilotos que estavam dentro do carro. Karma ficou meio preocupada, mas ao mesmo tempo, manteve a frieza no volante para conseguir escapar e furar o bloqueio. As duas olharam uma para a outra, enquanto Karma pensava no que fazer.
(Karma) – O que fazemos agora? – Ângela colocou uma de suas mãos na de Karma, enquanto olhava para o botão que tinha mostrado para ela.
(Ângela) – É hora de mostrar do que eu estava falando. Aperte o botão no momento exato.
Sabendo o que sua irmã estava dizendo, Karma ativou o nitro mais uma vez, atingindo 300 km/h, enquanto chegava perto do bloqueio policial em sua frente. Suspirando, ela esperou o momento exato para ativar o tal botão que ela tinha falado. Esperando, o Chicane ganhou mais e mais velocidade, e ao mesmo tempo, as duas olharam para a frente. Acenando a cabeça, Ângela deu o sinal verde. Apertando o botão azul, Karma esperou para ver o que iria acontecer. Nisso, os impulsionadores do carro foram ativados, e assim, o Chicane acabou levitando, passando por cima do bloqueio e escapando dos policiais. As duas comemoraram mais uma vez e ativando o nitro, fugiram.
(Ângela) – É assim mesmo que se faz, irmãzinha! – Karma ergueu o punho esquerdo em comemoração, ficando surpresa com o nível de pilotagem dela.
A emoção parecia ter tomado conta das duas, e nisso, Karma apenas olhou para a pista, vendo que a polícia não estava mais atrás deles, e por isso, Karma aproveitou para pegar um atalho e enganar ainda mais quem pudesse estar atrás deles.
(Karma) (narrando) – Esse dia já foi meio estranho. Ficar de frente, pilotando um carro pela primeira vez é a emoção que nunca esquecemos. Depois que fugimos, fomos para o lugar que mais costumávamos ir quando eu era pequena. A costa pela qual nós duas corríamos quando eu tinha 13 anos. Dessa vez, minha irmã tinha dito que o motivo pelo qual iriamos para a costa era um pouco diferente e que era uma surpresa.
Com o pôr do sol batendo, Karma e Ângela se aproximaram de um rochedo, olhando as ondas batendo, diante dos últimos eventos. As duas olharam uma para a outra, com um sorriso em seu rosto.
(Ângela) – Você realmente possui a chama de uma corredora, Karma. No fundo, eu sempre soube disso. – O semblante de Karma parecia ser algo mais do que Ângela estava conseguindo diferenciar depois de toda essa experiência. – Deveria fazer mais dessas coisas.
(Karma) – Será mesmo? Pilotar já é uma coisa, mas fugir da polícia é outra coisa. O que eu não entendo é porque você corre desse jeito. Parece tão fria por trás do volante, mas fora dele, apesar de tentar agir meio diferente, ainda parece manter a frieza.
(Ângela) – Porque eu me importo com você, Karma. Nas pistas, mantenho qualquer semblante possível de calma e controle para vencer meus oponentes. Não importa o que aconteça, devo me manter atenta a qualquer corrida se quiser ter uma chance.
(Karma) – Então, me fala: Qual que é a surpresa que estamos aguardando?
(Ângela) – Você vai ver.
Nisso, o Synkro parou do lado da costa e dele, saiu Tone Pasaro, o líder da Teku, fazendo Karma ficar meio surpresa com o que estava acontecendo. Ângela e Tone se abraçam, em um grande gesto de amizade que havia um pelo outro.
(Tone) – Essa é sua irmã?
(Ângela) – Pode acreditar que sim. Karma, esse é meu amigo, Tone. Tone, essa é a Karma, minha irmãzinha. – Karma apertou a mão de Tone, enquanto ele dava um sorriso em seu rosto.
(Tone) – Qualquer amigo ou irmão da Ângela é meu amigo também. Eu vi o show que vocês duas deram nas ruas. Fugir daquele jeito requer uma grande coragem, ainda mais sob essas circunstâncias.
(Karma) – Você estava nos vendo?
(Tone) – Passou um trecho da perseguição na TV, mas eu tenho que admitir que suas habilidades são algo diferentes do que eu poderia imaginar. Quero lhe fazer uma oferta, Karma.
(Karma) – Uma oferta? – Karma parecia estar meio intrigada com o que Tone estava falando naquele momento.
(Tone) – Karma, você possui um coração diferente de todos. Suas habilidades são o que nós precisamos. Queremos convida-la para fazer parte da Teku. Se você se juntar a nós, será tratada como parte de nossa família.
(Karma) – Essa é uma oferta meio grande. Além do mais, eu nem tenho um carro ainda. Preciso de tempo para pensar. – Tone deu um sorriso, assim como Ângela deu.
(Tone) – Tem todo o tempo do mundo. Mas eu lhe garanto que poderíamos precisar de alguém como você. Na Teku, tratamos cada um de nossos membros como irmãos, e com o devido respeito que merecem. Apesar das rivalidades com certas equipes, visamos apenas correr. Se mudar de ideia... – Tone então, pegou um papel em seu bolso, que estava com seu número de telefone, e entregando para Karma. – Me ligue.
Tone então, foi embora mais uma vez, e com isso, Karma e Ângela continuaram a olhar para o pôr do sol, mas Ângela ficou meio tímida naquele momento.
(Ângela) – Algum dia, você vai se juntar a nós, Karma. E quando isso acontecer, nós duas iremos correr juntas e ver quem é a melhor corredora dentre nós.
(Karma) – Esperarei por esse dia ansiosamente...
De volta ao presente...
Karma olhava para Taro, com um pesar em seu rosto, refletindo o oposto de sua personalidade fria e calculista nas corridas. Olhando para o capacete dentro do armário, ficava bem claro que ela parecia estar tendo dificuldades para falar qualquer outra coisa.
(Karma) – Um tempo depois, fiquei pensando se aceitava a oferta ou não. Mas um dia, descobri que minha irmã morreu em um acidente de carro, enquanto disputava uma corrida. O Chicane ficou todo destruído depois do que houve. Então passei uma boa parte do meu tempo reconstruindo o carro que foi de minha irmã. Depois que ela morreu, aceitei a oferta do Tone e me juntei a Teku. – Ela olhou para o capacete mais uma vez, depois de abrir o armário de novo. – Quando eu o reconstruí, sempre acreditei que ela estava correndo comigo. Como se fosse aquela corrida que nós duas nunca disputamos. Mas depois que me juntei a equipe, adaptei tudo para honrar ela. O estilo de corrida, a frieza, estratégia e tudo que eu consegui. No fundo, eu idolatrava ela. E queria ser como minha irmã. Agora, eu consegui.
(Taro) – Sinto muito. – Ele colocou uma de suas mãos no ombro de Karma, ao mesmo tempo em que os dois olharam um para o outro. – Eu nem sei mais o que dizer. Quem mais sabia da sua irmã?
(Karma) – Apenas o Tone e o Nolo. Nenhum dos outros integrantes da Teku sabiam da existência da Ângela. Isso porque eu nunca comentei com eles sobre isso. Deixava bem claro que eu corria para poder ser perfeita, e eu realmente acredito que posso ser perfeita. Mesmo em treinamentos ou nos Reinos, quero ser melhor do que qualquer outro piloto jamais foi.
(Taro) – Nem sempre a pessoa consegue ser um ótimo corredor. Na época da Corrida Mundial, eu e um outro corredor, o Banjee, nós dois competíamos o tempo todo um contra o outro para tentar chegar ao final da Via 35. Várias equipes e mais de 30 corredores unidos para chegar até o Anel do Poder. Esses tempos foram algo bom. Mas que agora, parecem ser algo do passado. Nós dois sempre ficávamos competindo para ver quem que era o melhor corredor dentre todos os outros corredores. Isso era na época que Tezla realmente acreditava em nosso potencial, ao contrário da pessoa que ele se tornou.
(Karma) – Não comentei nada sobre minha irmã para os outros, porque tem certas coisas que não vale a pena reviver. Por um momento, o carro dela era a única lembrança mais próxima que eu tinha de Ângela. Também tinha as confusões que nos envolvemos juntas. – Os dois continuavam a olhar um para o outro, e ao mesmo tempo, seus rostos pareciam estar se aproximando mais do que o esperado. – Sempre me perguntei o que teria acontecido, mas só de ver aquele piloto repetindo o mesmo gesto que minha irmã fazia quando eu tinha uns 13 anos, me fez relembrar do período que ela estava viva. Me fez acreditar que ela não teria morrido no acidente. Nós já perdemos tanto desde que começamos nossa jornada pelos Reinos. Não sei se aguentaria perder mais do que o esperado.
(Taro) – Nós ainda estamos aqui, Karma. Eu ainda estou aqui. – Por debaixo das faces de Taro e Karma, os semblantes um tanto indiferentes pareciam sumir quando estavam perto um do outro. Karma, em um raro momento de incerteza, estava expressando suas emoções sobre sua irmã e tudo o que aconteceu com ela até agora. Já Taro parecia ser outra pessoa ao lado de Karma. Ela era alguém com quem se identificava, considerando que ambos tinham personalidades parecidas uma com a outra. Os olhares dos dois continuavam a se cruzar, e nisso, antes que qualquer coisa pudesse acontecer, um barulho de estática no rádio foi ouvido.
(Lani) – Todos os pilotos, favor se reunir na sala de controle. – Com isso, a atenção de Taro e de Karma foi chamada de volta para a realidade, enquanto cada um se afastou, um tanto nervosos.
(Karma) – Isso foi meio estranho. Mas a parte da minha irmã é algo que tenho dificuldades em me abrir com alguém. Nunca comento nada com ninguém por causa dela.
(Taro) – Nós dois ainda temos um longo caminho a percorrer. As vezes, perdemos coisas. Mas nunca esquecemos o impacto que tiveram em nossas vidas. Se quiser conversar sobre isso, estou disponível. – Taro então, começou a sair dos armários, e nisso, Karma suspirou, tomando um pouco de fôlego.
(Karma) – Obrigada.
(Taro) – Não há de que.
Karma ficou sozinha mais uma vez. Mas era exatamente nas lembranças do passado que ela encontrava a dedicação para correr. Olhar para sua irmã e a marca que ela deixou em sua vida foi algo que Karma nunca esqueceu. O problema mesmo era a dificuldade em conseguir se abrir. Nisso, ela começou a andar em direção a sala de controle, aonde Tezla e Lani já os aguardavam.
Alguns minutos depois...
Com todos os pilotos reunidos na sala de controle, ficava claro um sinal de paz entre as duas equipes. Ninguém falava nada e ao mesmo tempo, Tezla olhava para a janela, evitando olhar para seus pilotos por um tempo.
(Tezla) – Agora que estamos todos aqui, alguém gostaria de perguntar alguma coisa? – Os pilotos ficaram quietos e ao mesmo tempo, sem falar nada. – Tudo bem. Desde a invasão do Acceledrome, tenho sentido que nós ainda temos um longo caminho a percorrer. Sei que muitos de vocês ainda estão preocupados com o Vert. Mas eu lhe garanto que estou fazendo o que está ao meu alcance para conseguir encontra-lo.
(Kurt) – E como está fazendo isso?
(Lani) – O Doutor Tezla está utilizando um radar que ele instalou na base para rastrear o Vert e o carro dele, mas até agora, não tivemos nenhum resultado.
(Monkey) – Isso se o carro não tiver sido destruído. A gente deu um trabalhão para escapar daqueles Drones, e ainda assim, perdemos um dos nossos sabe-se lá onde. É como se estivéssemos seguindo pistas falsas e andando em círculos nessa pequena aventura. – Monkey parecia estar quieto a maior parte do tempo, mas naquele momento, ficava claro que a preocupação, junto com um possível medo, era visível.
(Porkchop) – Calma aí, pequeno.
(Tezla) – Os Silencerz também invadiram a base, mas nessas últimas horas, estive tentando analisar os vestígios de sua tecnologia diante de certas dificuldades. Estou tentando aplicar engenharia reversa com o que eu usei do meu carro, junto com qualquer outro que eles possam ter deixado para conseguir descobrir os segredos da tecnologia deles. Mas estive tendo certas dificuldades.
(Tork) – E porque isso te faz pensar que algo pior está para acontecer?
(Tezla) – Os meus pesadelos me deixaram atento a qualquer situação que eu tenha que enfrentar. A invasão no Acceledrome sempre me atormentou, porque a cada dia que eu dormia, sempre pensava que Gelorum iria aproveitar o momento para me matar. Parecia que estavam tentando acabar com a minha sanidade, da pior forma possível. Estou trabalhando no radar, mas está cada vez mais difícil de continuar as buscas.
(Nolo) – Se os Reinos forem mesmo se abrir, poderíamos tentar contata-lo neles. Assim conseguiremos descobrir o que houve com ele. – Kurt e Karma olharam um para o outro, enquanto Shirako continuava a ouvir as músicas com seu fone de ouvido, junto com as batidas, demonstrando uma calma no meio da conversa.
(Taro) – Estamos lidando com certos problemas. Não temos o Vert. Boa parte do que tínhamos se perdeu na invasão dos Drones e pra piorar, ainda temos que lidar com uma possível reabertura dos Reinos, sem contar os Silencerz que podem estar atrás de você a qualquer momento, Tezla.
(Tezla) – Não me orgulho de coloca-los em perigo. Mas agora, estamos diante de algo difícil. Se continuar assim, será impossível deter os Silencerz ou até mesmo qualquer um que tente se opor a nós. – Apertando um botão, Tezla olhou para a cópia holográfica do Anel do Poder, tentando ver se tudo daria certo. – Os Accelerons possuem algo que nós não sabemos. Tento entender o que eles deixaram para nós e os seus segredos. Vert foi quem derrotou Gelorum, então penso que eles devem ter deixado algo pra ele.
(Taro) – Os Silencerz podem estar de olho em nós agora, e nós nem sabemos. Parece que eles podem estar nos espionando, ou podem estar planejando algo diferente para o futuro.
(Tezla) – Estamos ficando em sérias dificuldades.
(Karma) – Pode ser que acabemos precisando de reforços para enfrentar essas ameaças. – Todos ficaram meio surpresos com o que estavam ouvindo, e nisso, Karma olhou para cada um dos pilotos, incluindo Tezla e Lani. – Por um bom tempo, lidamos com os Drones. Destruímos boa parte deles, mas eles ainda podem estar ativos. Acho que já chegou a hora de conseguirmos mais ajuda.
(Tezla) – Já comentei uma vez que o que estamos fazendo aqui, não pode sair daqui. Não sabemos se podemos confiar em quem podemos recrutar. – Karma então, se aproximou de um dos computadores, usando o teclado para analisar cada detalhe do que poderiam precisar.
(Karma) – Na nossa corrida, encontramos um grupo de corredores que se chamam de Azuis. Acho que vão se surpreender com o que eu vi, assim como o Taro. – Pesquisando sobre a equipe, Tezla e Lani olham um para o outro, vendo os arquivos sobre Teresa, Carlos, Antônio, Carmen e Juan, vendo que haviam certas semelhanças entre as duas equipes. – Eles mal sabem sobre o que acontecem nos Reinos. Mas eles possuem um potencial de corrida diferente do que se dá pra imaginar.
(Tezla) – Quer mesmo depositar sua confiança em um grupo de pilotos desconhecidos?
(Kurt) – Você mesmo já depositou sua fé uma vez em nós, que parecíamos ser um grupo de desconhecidos. Acho que poderia fazer o mesmo.
(Nolo) – Eu posso tentar recruta-los. Podemos usar as corridas para tentar pedir ajuda. – Suspirando, Tork se levantou, olhando para Nolo.
(Tork) – Tô contigo nessa.
(Monkey) – Porque nós devemos fazer isso?
(Porkchop) – Porque, Monkey, nós já enfrentamos essa luta sozinhos tempo demais.
As duas equipes saíram da sala, mais uma vez, e nisso, Nolo e Tork olharam um para o outro, descendo pelas escadas, enquanto iam para os dormitórios.
(Nolo) – Acho que devemos esperar mais um pouco. Vamos esperar mais uns dias.
(Tork) – Concordo. Além do mais, pode ser que eles levem um tempo para se reunir de novo.
(Nolo) – Nós vamos encontrar o Vert. E acima de tudo, iremos lidar com qualquer um que tente ir contra mim e meus amigos.
(Karma) – Posso leva-los até lá se quiserem. – Karma andou do lado de Nolo e de Tork, enquanto Karma ouvia a conversa. – Mas eu afirmo que esses pilotos são um tanto difíceis.
(Nolo) – Nós podemos lidar com o difícil.
(Tork) – Então, o que estamos esperando?
Ficava bem claro que os líderes da Teku e da Metal Maniacs iriam tentar recrutar os Azuis para o conflito nos Reinos e lidar com os Silencerz e o possível retorno dos Drones, porque naquele momento, ficava bem claro que somente eles poderiam ter problemas para enfrentar as ameaças. Mas acima de tudo, eles fizeram de sua missão, tentar encontrar Vert, custe o que custasse. O que mais iria acontecer daqui pra frente?
Continua...
