Uma semana depois...
Dentro do Acceledrome, Nolo começou a olhar para o Spectyte, enquanto ajustava seu carro, aos poucos, analisando cada detalhe dele. Ao mesmo tempo, Tork estava dando uma olhada no Hollowback, analisando o motor e o óleo deles, percebendo que as coisas estavam um pouco calmas diante de tudo que ocorreu até agora.
(Nolo) – Como está o seu carro, Tork? – O Metal Maniac dá um sorriso, enquanto ajeita algumas engrenagens em seu carro.
(Tork) – Só fazendo alguns ajustes. Acha mesmo que chegou a hora?
(Nolo) – Não sei. No fundo, acho que até eu estou tendo dúvidas. Mas nós concordamos em tentar pelo menos, trazer a equipe que a Karma mencionou. – Olhando para o volante e para o sistema de nitro, os dois olharam para a base, percebendo que havia uma certa amizade entre as equipes depois do resgate de Wylde no QG dos Drones. – Mas parece que no fundo, ainda temos um longo caminho a percorrer.
(Tork) – Sem contar o fato que o está lá fora ainda pode não ter acabado. No fundo, quando o Wylde se perdeu, acho que dá para dizer que entendo como está se sentindo com o desaparecimento do Vert. – Nolo suspirou, meio preocupado com o que estava acontecendo. – Se pelo menos, pudéssemos saber aonde ele está...
(Nolo) – Estamos fazendo o melhor que podemos. Pode ser que leve dias, até mesmo meses, mas não estamos dispostos a desistir dele. Podemos até encontra-lo nos Reinos de Corrida, caso eles se abram de novo. – Do nada, o computador no carro de Nolo começa a apitar, e ao olhar para ele, vê um mapa do deserto da Via 35 em sua frente. – Parece que eles estão correndo de novo.
(Tork) – O que estamos esperando? Vamos detonar esse asfalto. – Os dois líderes de suas equipes bateram os punhos, em um gesto de amizade. O Spectyte e o Hollowback foram ligados, e nisso, ambos saíram do novo Acceledrome, percorrendo o deserto na mais alta velocidade diante da descoberta de uma outra corrida.
No deserto, o neon e o som dos alto-falantes, junto com as músicas que estavam tocando guiavam o sentimento de liberdade e a vontade de correr mais uma vez. Carlos olhava para a pista, vendo que as coisas estavam mais demoradas do que de costume.
(Carlos) – Se nós já acabamos, acho que podemos começar a corrida. – Teresa estava do lado dele, com uma de suas mãos no ombro do homem, enquanto eles olhavam para os torcedores perto deles.
(Teresa) – Eles querem um show essa noite, e dessa vez, você vai dar esse show pra eles. – Antes que Carlos pudesse entrar em seu carro, os carros de Nolo e de Tork se aproximaram, e nisso, os dois líderes saíram deles, ficando meio surpresos com o que estavam vendo.
(Carlos) – Os líderes da Teku e da Metal Maniacs, aqui?
(Carmen) – Tá aí uma coisa que não se vê todos os dias. – Nolo e Tork ficaram de frente com Carlos e os Azuis, enquanto as duas equipes olhavam uma para a outra, demonstrando firmeza e compostura.
(Nolo) – Você que é o responsável pela corrida?
(Carlos) – Sim. Carlos Sanchez. E você deve ser Nolo Pasaro? – Os dois apertam as mãos, e nisso, ele aperta a mão de Tork, indicando que ele de fato sabia quem eram os líderes. – Tork?
(Tork) – Isso mesmo.
(Nolo) – Estamos aqui para correr. Já faz um tempo que nós não fazemos isso. A Karma comentou um pouco sobre os pilotos dos Azuis. Devo dizer que é algo surpreendente.
(Carlos) – A Rainha do Gelo realmente tem um dom para corridas. Minha namorada pode afirmar isso. – Teresa olhou para os dois, enquanto ficava bem claro que as coisas estavam escalando em uma certa tensão.
(Teresa) – Nunca vi alguém corri com uma corredora como ela. O desejo de perfeição realmente é algo diferente de se ver. – Nisso, Carlos olhou para um Nissan Skyline GTR que estava em sua frente. Um carro azul com vinis de chamas em ambos os lados.
(Carlos) – Vocês vão correr comigo hoje. Mas já que nós estamos correndo com os líderes, vou aumentar um pouco a aposta que temos hoje. A nossa aposta está entre 40.000. Mas nesse momento, estou expandindo um pouco as coisas. – Pegando um troféu, Carlos olhou para a mala de seu carro e nisso, colocou mais umas notas enroladas dentro, enquanto Nolo e Tork olhavam para Carlos. – Agora as coisas serão meio diferentes. O prêmio agora será de 115.000 dólares.
(Teresa) – Está desperdiçando dinheiro desse jeito? Vai colocar mais grana no jogo por causa dos dois lideres da Teku e da Metal Maniacs?
(Carlos) – Vai por mim, ainda temos dinheiro de sobra. Não é de hoje que estamos fazendo apostas uma atrás da outra.
(Nolo) – Também gostaríamos de falar com vocês depois. Estão prontos? – O trio de corredores posicionou seus carros na linha de largada, enquanto cada um olhava para o outro, com um gesto de rivalidade meio amistosa pairando pelo ar depois de tudo o que houve. Nolo colocou uma de suas mãos no câmbio, e nisso, a luz vermelha se transformou em uma verde, com o trio partindo para frente com tudo o que tinha. Tork assumiu a liderança naquele momento, demonstrando que estava preparado para o que fosse possível. Nolo colou no carro de Tork, enquanto Carlos demonstrava tudo o que tinha para dar. Usando seu carro, ele assumiu a liderança, e nisso, a voz de Tone pairou pela cabeça de Nolo, como se estivesse tentando manter o carro firme na corrida.
-Quer ser o líder agora, maninho? – Nolo engatou a quarta marcha, e nisso, seu carro atingiu 150 km/h, o que foi o suficiente para engatar a quinta, alcançando 180 km/h, e colando no Skyline de Carlos. O trio de pilotos ficou colado um do lado do outro, até que Tork ativou o nitro, assumindo a liderança da corrida. Ao chegar perto de uma curva, ele ativou o freio de mão, enquanto Nolo e Carlos tiveram dificuldades, saindo da pista por acidente, e no processo, dando a Tork a liderança isolada da corrida.
(Tork) – Parece que eu tô muito na frente. – Pisando no acelerador, Tork atinge 230 km/h, enquanto Nolo e Carlos usam o freio de mão para voltarem a pista. Era uma corrida de ida e volta em um certo ponto determinado, só que dessa vez, a corrida era só nas pistas. Carlos então, começou a aumentar cada vez mais a velocidade de seu carro, revelando que estava pronto pra qualquer coisa ou dificuldade. Aos poucos, ele suspirou e começou a frear de leve no carro, colando no de Nolo, enquanto ele engatava a sétima marcha, atingindo 260 km/h.
(Nolo) – Fica esperto, Tork, que eu estou logo atrás e vou te alcançar. – Nolo então, ativou o nitro de seu carro, engatando a oitava marcha, chegando até os 300 km/h. Ampliando um pouco mais a velocidade, Carlos estava colado no lado do Spectyte, enquanto os dois líderes olhavam um para o outro. Carlos então, começou a frear um pouco de leve e pisando na embreagem, acelerou cada vez mais o seu carro, demonstrando um pouco de calma e controle diante da corrida. Chegando perto de uma outra curva, na esquerda, Tork puxou o freio de mão, mas dessa vez, Nolo e Carlos estavam perto. – Parece que as coisas estão ficando meio complicadas agora, não acha?
(Tork) – Não é você que gostava de um desafio, Nolo? – Os dois líderes continuaram a olhar para a pista, e ao mesmo tempo, colocando todas as suas habilidades a prova naquele exato momento da corrida. Usando tudo o que tinha, Carlos pensava no que mais poderia fazer.
(Carlos) – Querem mesmo um desafio? Vou mostrar do que sou capaz nesse momento. – Ativando o nitro em seu carro, Carlos ultrapassou Nolo e ao mesmo tempo, colou do lado de Tork, que tentou bater em seu carro, mas ao frear, Tork saiu um pouco da pista, ficando na última posição. Pouco a pouco, ele e Nolo começaram a disputar a corrida com tudo o que tinha, revelando que as coisas estavam cada vez mais acirradas. Tork então, engatou a segunda e a terceira marcha de novo, e usando o nitro, acelerou mais do que o esperado. Com a quarta, quinta e sexta marcha engatada, o líder dos Metal Maniacs dava tudo de si na pista, demonstrando um equilíbrio de calma e controle, ao contrário de sua personalidade um tanto agressiva na pista. Carlos e Nolo continuavam a olhar um para o outro, simbolizando que havia algo que eles estavam desenvolvendo naquele ponto. A rivalidade entre os dois pilotos se revelava, enquanto cada um olhava para a pista, se mantendo atento a qualquer detalhe.
(Nolo) – Como? – Nolo se perguntava como Carlos estava conseguindo se manter firme diante da dificuldade da corrida, e ainda por cima, conseguindo disputar contra dois dos pilotos da Teku e da Metal Maniacs quase que sozinho.
(Carlos) – Você olha pra mim como se eu fosse um novato, Nolo. Mas a verdade mesmo é que eu treinei por um bom tempo. Ainda mais agora, eu não esperava enfrentar os lideres da Teku e da Metal Maniacs. Mas pra falar a verdade, até que está sendo uma boa experiência pro meu lado. – Carlos soltou um de seus pés da embreagem, e assim, acelerou mais do que o esperado, ficando na frente de Nolo, que acabou ficando um pouco atrás de seu adversário. Tork foi colando em Nolo, e ao mesmo tempo, vendo o Spectyte colado no vácuo de seu adversário.
(Tork) – Parece mesmo que está com dificuldades, Nolo. Certeza mesmo que não precisa de uma ajuda com ele? – Nolo apenas deu um sorriso no carro e olhou para o rádio.
(Nolo) – Dá pra lidar com ele. Acho que vamos conseguir. – Vendo uma curva para a direita, Carlos ativa o freio de mão, ao mesmo tempo que Nolo, no entanto, freando de leve o seu carro, ele consegue saltar na frente do Skyline, ficando na liderança da corrida. Pouco a pouco, os dois pilotos se mantém firmes diante da dificuldade em tentar se manter na liderança. O impasse estava armado, ainda mais naquele momento.
Paralelo a isso, perto da entrada do Acceledrome, uma visão de um binóculo olhava tudo o que estava ao redor, em cima de uma montanha. Olhando para o que estaria acontecendo, a pessoa fica meio surpresa em ver o Rivited de Taro Kitano saindo da parede holográfica da nova base, e nisso, ao abaixar o binóculo, ele olha para o Honda Civic, revelando que a pessoa com os binóculos era a Fera. Pegando um telefone, o piloto liga para um certo número, de origem desconhecida e coloca ele em seu ouvido.
-Alô? – A voz do piloto fica meio abafada, sem saber qual é a possível identificação por debaixo do capacete. – Encontrei a equipe de Tezla. Logo em breve, o chamado será realizado. Logo, Tezla irá conseguir abrir a passagem. E quando isso acontecer, eu estarei por perto. Não há nada que o impeça agora de tentar chegar ao mundo deles. Em breve, eles irão lidar com forças que nem mesmo os pilotos dele serão capazes de lidar. Forças além de suas compreensões.
Voltando a corrida, Nolo agora estava na liderança, com Tork se aproximando mais de Carlos e de Nolo. Dando tudo de si, ele ativa o nitro do Hollowback, ficando lado a lado com Nolo e o Spectyte. Carlos então, começou a soltar a embreagem, demonstrando calma e controle no volante. Pouco a pouco, os três pilotos ficaram colados um do lado do outro, enquanto cada competidor tentava assumir a liderança. Nolo colocou uma de suas mãos no volante, enquanto pensava no que seu irmão teria lhe ensinado para conseguir vencer a corrida.
(Tork) – Sentiu minha falta?
(Nolo) – Já tava ficando meio chato só nós dois. – Carlos olhou para os dois líderes, notando que apesar de houver história e rivalidade entre eles, havia uma amizade.
(Carlos) – Querem ver até aonde podemos ir? Não irei perder essa corrida por nada nesse mundo. – Ativando seu rádio, Carlos olhou para o outro lado da pista, e ao mesmo tempo, freou, surpreendendo Nolo e Tork. Nisso, os dois viram uma outra curva se aproximando, o que foi a atenção que eles precisavam para acionar o freio de mão mais uma vez. Olhando para as luzes, eles viram que muito em breve, estavam perto da linha de chegada.
Na linha de chegada, Teresa estava com um rádio em mãos, enquanto olhava para o percurso, percebendo algo meio diferente. Uma corrente de vento começou a se levantar aonde eles estavam, tentando entender o que estaria acontecendo.
(Teresa) – Mi amor? Está na escuta? – Um barulho de estática foi-se ouvido, e nisso, ela conseguiu contato com o Skyline de Carlos.
(Carlos) – Tudo bem. – Olhando para a pista, Carlos estava mantendo contato com Teresa, enquanto corria. Pouco a pouco, ele tentava se manter atento na disputa. – Estou um pouco colado com os líderes.
(Teresa) – Ignore suas distrações, Carlos. Mantenha seus olhos no alvo.
O trio então, começou a correr e ao mesmo tempo, demonstrando uma habilidade totalmente diferente do que o esperado. Carlos então, freou e acionou o nitro, saltando na frente mais uma vez, surpreendendo Nolo e Tork, que estavam tentando ficar na liderança. Pouco a pouco, ficava bem claro que havia um impasse entre os corredores, que concentravam cada uma de suas habilidades para conseguirem vencer a corrida. Mesmo que não parecesse, as coisas simplesmente se complicavam de um jeito que nem mesmo Nolo e Tork tentavam entender. Na última vez que os dois correram um contra o outro, havia uma tensão e ódio por causa dos eventos envolvendo Tone. Mas agora, o ódio não existia mais entre eles.
(Carlos) – Vejamos o que mais podemos fazer. – Carlos virou em mais uma curva, que dessa vez, deu para fora da pista, entre as dunas de areia. Nolo e Tork então, seguiram Carlos, que estava na frente. Concentrando suas habilidades, ele foi equilibrando a aceleração e a parada, para tentar conservar os pneus. Dando tudo de si, ficava bem claro que o impasse ainda estava armado. Pouco a pouco, Nolo e Tork acionaram o nitro em seus carros, ficando colados um no outro.
(Nolo) – Você realmente não desiste, não é mesmo?
(Carlos) – O que posso dizer? Gosto de um desafio. – A poeira da areia começou a ser levantada com os carros passando por cima dela, demonstrando a densidade e a intensidade de cada um dos pilotos. Todos ativam o nitro ao mesmo tempo, colando um no lado do outro, enquanto viam a linha de chegada se aproximando mais perto do que o esperado.
(Tork) – Então acho que vai ser que somos mais rápidos do que pode imaginar. – Vendo uma outra parte da rua se aproximando, Nolo saltou na frente e ativou o freio de mão, tomando a liderança da corrida, enquanto Tork colou no Spectyte, vendo a linha de chegada, depois de um certo tempo. Carlos então, engatou a oitava marcha de novo, e tirou seu pé da embreagem, acelerando mais do que o esperado. Antecipando os movimentos de Carlos, os dois líderes ativam o nitro mais uma vez, com Carlos fazendo o mesmo. Teresa, que estava vendo o final da corrida, via o trio se aproximando mais perto do que o esperado. Carlos estava alguns metros atrás, mas ainda assim, tentava ficar colado neles.
(Teresa) – Você não vai conseguir, Carlos!
(Carlos) – Eu consigo sim! – Acelerando com tudo, ele começa a ir mais rápido do que jamais foi. Suspirando, ele olhou para frente, enquanto aos poucos, viu Nolo e Tork ficando um pouco mais na liderança. Tentando acionar o nitro, ele viu que o que tinha havia acabado, para seu choque. Tirando o pé da embreagem mais uma vez, ele ganhou velocidade para conseguir ultrapassar os líderes. No entanto, isso já seria o fim. Os três chegaram na linha de chegada, com a vitória de Tork. Carlos chegou em último lugar, mas ele se manteve calmo, sem falar nada, com um sorriso em seu rosto. Teresa olhou para ele, vendo que seu namorado não estava triste por ter perdido. Ela andou até o Skyline, olhando para Carlos.
(Teresa) – Isso vai chamar uma má atenção pro nosso lado. Mas pelo menos, você se mantém firme.
(Carlos) – Nem sempre, vencemos, como eu falei antes. Mas estamos conseguindo correr. – A equipe dos Azuis foi em direção a Nolo e Tork, entregando o troféu ao líder dos Maniacs, junto com o dinheiro que tinha apostado. – 115.000, como prometido. – Tork então, olhou para a quantia, junto com o troféu, com um sorriso em seu rosto.
(Teresa) – Então. Sobre o que vocês queriam falar? – Um pouco afastados dos outros que estavam vendo a corrida, ficava bem claro que as coisas estavam se complicando mais do que o esperado.
(Nolo) – Isso vai ser algo meio difícil. Vocês não sabem disso, mas estamos trabalhando para o Doutor Tezla.
(Carmen) – Tezla? Aquele milionário, dono da SCRIM? – Carmen falava, meio que surpreendendo os outros membros dos Azuis. – O que? Eu gosto de ver alguns detalhes sobre os milionários e famosos.
(Nolo) – Ele mesmo. Acontece que ele reuniu duas equipes para correrem por ele. – Carlos ficou meio surpreso com o que estava ouvindo, tentando entender até aonde a história iria chegar depois de todos os eventos da corrida.
(Carlos) – Tezla queria corredores de rua para fazer suas vontades? Já ouvimos muita coisa quando o assunto era corridas. Mas porque duas das equipes mais populares do circuito de rua concordariam em correr com ele?
(Tork) – Talvez vocês não saibam, mas alguns anos antes, Tezla reuniu um grupo de jovens e aspirantes a pilotos para competirem na Corrida Mundial. Uma competição diferente de tudo que a humanidade já viu antes. Essa corrida não era na Terra. Ela passava por uma dimensão que é chamada de Via 35, um reino criado por seres antigos, os Accelerons. – Os Azuis ficaram meio surpresos em ouvir Tork falando disso. Parecia uma história diferente de tudo que eles já viram antes. E ao mesmo tempo, parecia uma mentira. – O vencedor seria aquele que conseguisse um artefato no final da Via 35, o Anel do Poder.
(Nolo) – Alguns anos depois, Tezla reuniu as duas equipes para competir no que ele chamou de Reinos de Corrida. Uma série de mundos que visa testar habilidades de pilotos que almejam ser os melhores dentre todos os outros. Com esse Anel do Poder, existem vários Reinos além da compreensão humana. Mundos que envolvem concentração e ao mesmo tempo, uma capacidade de pilotagem maior do que o esperado.
(Antônio) – Mesmo que acreditemos em sua história e eu não estou dizendo que acredito, porque precisariam de alguém como nós? – Ficava a dúvida na mente dos Azuis, que pareciam duvidar de tudo o que estava acontecendo.
(Nolo) – Podem não acreditar em nós, mas estamos dizendo a verdade. Esses Reinos são diferentes de tudo que já viram. Estamos lidando com ameaças que podem definir o futuro não só da Terra, mas de toda a realidade. Nesse momento, estamos aqui... – Nolo suspirava, em tentar encontrar as respostas certas para descrever o que estavam enfrentando. – Porque não podemos mais lutar essa batalha por conta própria.
(Teresa) – Carlos? – Ele se aproximou de Teresa, assim como Carmen, Antônio e Juan, tentando escutar as palavras de sua garota. – Eu acredito neles.
(Juan) – O que? – Juan falou, comentando como se fosse algo inacreditável para ele.
(Teresa) – Pode parecer exagero, mas do jeito que eles descreveram, mundos que testam a habilidade dos pilotos e as ameaças, eu consigo sentir que eles estão falando a verdade. Dê uma chance para ver se é verdade ou não. Se não acreditarem, podem dar meia volta. Mas eu vou com eles. – A jovem pilota foi em direção ao Nissan, mas antes que ela pudesse sair, Carlos olha para os dois, vendo que não teria muita escolha para isso.
(Carlos) – Bem, vamos nessa.
Alguns minutos depois, Nolo e Tork estavam guiando o grupo de volta para a base. Carlos pilotava o Skyline, com Teresa guiando o 350Z, Juan com o Dodge Charger, Antônio pilotando um Mercedes Benz tunado com tinta preta e vinil de raio, junto com Carmen pilotando o Nerve Hammer, seguindo os líderes das duas equipes.
(Nolo) – Fiquem na nossa cola, e então irão descobrir aonde estamos indo. – Apertando o acelerador, Nolo e Tork seguiram em frente, com os Azuis atrás deles. Os dois então, atravessam uma parede, com o quinteto pulando atrás deles, vendo a parte holográfica nela. Olhando para frente, eles viam um conjunto de pistas vermelho diferente de tudo que já tinham visto antes. Uma base composta do mais puro material. Paredes lisas e ao mesmo tempo, diferente de tudo que já tinham visto. Diante deles, estava a cópia holográfica do Anel do Poder, ficando meio surpresos em ver que as histórias eram verdadeiras.
(Carlos) – Incrível... – Olhando para os lados, ficava bem claro que suas vidas tinham mudado com essa descoberta. Pouco a pouco, eles sentiam um misto de emoções em seus corpos, diferente de tudo que já tinham sentido.
(Teresa) – Essas histórias sobre os Reinos, o quão sérias elas eram? Sobre a parte das ameaças?
-Maiores do que podem imaginar. – Nisso, a voz de Tezla chamou pelos pilotos que estavam no lugar, com os Azuis ficando surpreso em ver alguém como ele andando com um exoesqueleto, quase que sem os movimentos do corpo.
(Carmen) – Você é o Tezla?
(Tezla) – Aguardávamos a sua chegada. Bem-vindos.
Na sala de controle, os Azuis estavam diante de Lani e Tezla, enquanto eles olhavam para os monitores em sua frente.
(Tezla) – Quando os pilotos mencionaram vocês, podia jurar que estávamos nos colocando em risco. Trabalhamos em segredo, para que ninguém descubra o que estamos fazendo aqui.
(Carlos) – Então nos diga. Porque precisam de nós?
(Lani) – Os pilotos da Teku e da Metal Maniacs colocaram confiança em vocês, apesar de nunca termos conhecido vocês antes, porque eles viram como podem ser nas pistas. E também porque a partir desse momento, o que vocês farão será algo diferente do que estão acostumados. – Analisando os arquivos de cada piloto nos computadores, Lani sentia que os pilotos poderiam ser confiáveis. – Eles comentaram nas semelhanças que haviam entre vocês e alguns dos integrantes das duas equipes.
(Teresa) – Com o que estamos lidando? – Nisso, Tezla ativou dois hologramas, colocando a mostra um Racing Drone e um Silencer.
(Tezla) – Conheçam seus adversários. A minha esquerda, estão os Racing Drones. Eles são robôs que foram designados para serem a perfeição nos Reinos de Corrida. Essas máquinas competem por algo chamado de Accelechargers. Os Accelechargers são entregues para o piloto que vencer um dos Reinos de Corrida. Ele tem a capacidade de fornecer ao carro, poderes desse designado Reino. A líder deles era uma velha inimiga minha: Gelorum. Fria, calculista e sem coração, ela visava destruir o que eu chamo de Accelerons. Mas recentemente, boa parte dos Drones foram destruídos. No entanto, não sabemos se ainda há algum vestígio deles.
(Antônio) – E quem são os da direita?
(Tezla) – Esses são os Silencerz. Pilotos que correm com a mais alta discrição possível. Mestres da manipulação, eles colocam os pilotos uns contra os outros e conseguem Accelechargers competindo de forma silenciosa nos Reinos. Seus carros possuem uma camuflagem holográfica que pode ser penetrada com uma luz intensa. Mas acima de tudo, possuem tecnologia superior a minha. Mais desenvolvidos, com habilidades e capacidades diferentes do que o esperado. Conheçam seus inimigos, e treinem muito suas habilidades como um piloto. Em troca, vocês irão perceber muito mais além de suas compreensões. Os Silencerz invadiram a minha antiga base, assim como os Drones. E boa parte do que tínhamos, perdemos. – Tezla tirou seus óculos, mas ao mesmo tempo, ficava bem claro a preocupação dele. – Depois da Corrida Mundial, jurei que daria tudo de mim para chegar ao mundo dos Accelerons. Mas ao invés disso, Gelorum me deixou nesse exoesqueleto.
(Lani) – Os seus adversários são mais experientes nos Reinos do que podem imaginar. No fundo, devem se preparar para qualquer coisa que estiver ao redor. Pra ser honesta, esse voto de confiança é algo um tanto difícil. Sem querer ofender.
(Carlos) – Tudo bem. Acho que nem mesmo nós iriamos acreditar se não víssemos com nossos próprios olhos.
(Tezla) – O que quero dizer é que a partir do momento que vocês aceitaram essa oferta, fizeram um juramento de deixar tudo isso em segredo. Ninguém pode saber aonde vocês estão, muito menos a verdadeira localização do Acceledrome. Se formos invadidos, devem estar preparados para o que vier. Seus carros serão aprimorados para que possam não só usar os Accelechargers, mas para que também possam correr nos Reinos, através de equipamentos especiais de minha autoria. Tanto os Silencerz quanto os Racing Drones são ambiciosos. Eles planejam dar tudo de si nos Reinos, sem se importar com quantos eles tenham que enfrentar. Não podem subestimar seus oponentes, porque senão, eles não vão hesitar em nos destruir, um por um.
(Carlos) – A nossa equipe é como uma família. Quando nos unimos, fizemos um voto de lealdade, no qual nenhum iria abandonar no outro, no momento mais drástico possível. Aonde quer que estivéssemos, sempre ficamos juntos em cada momento. Mesmo diante de um dia difícil, nada mudará nosso laço como amigos e família. – Carlos mantinha bem claro seus valores e integridade, não importasse o que acontecesse. – Nós faremos o que for necessário, Tezla. Assim como a minha equipe.
(Teresa) – Estou de acordo com isso.
(Carmen) – Eu também.
(Antônio) – E eu também. – Todos os cinco se levantaram, olhando para Tezla e demonstrando toda a sua convicção naquele momento.
(Juan) – Idem. – Tezla deu um sorriso em seu rosto, meio convencido.
(Tezla) – Vocês estão prontos? Mas e quanto aos carros?
No meio de tudo isso, um Dodge Challenger percorria o deserto, com um piloto de capacete preto diante da luz da lua banhando seu carro. Retirando o capacete, a figura mostrou-se como alguém de cabelo loiro e espetado, dando um sorriso em seu rosto. Aquele era ninguém menos que Dan Dresden, que foi dado como desaparecido em um dos Reinos de Corrida.
(Dan) – O meu chefe provavelmente vai me matar se eu demorar tanto assim. Mas quem sabe, eu não esteja me precavendo. – Ativando três botões do lado direito do volante, uma camuflagem holográfica se desfez, revelando um Iridium sendo pilotado por Dresden. Ficando no modo invisível, ele seguiu em frente de volta ao seu destino.
E com isso, ficava bem claro que Dresden estava vivo. Mas que também era outra coisa. Isso era algo que nem mesmo os integrantes da Teku e da Metal Maniacs sabiam, mesmo com tudo que estava acontecendo.
Dan Dresden era um dos Silencerz.
Continua...
