No deserto da Via 35, Karma Eiss estava desmaiada depois de seu carro ter capotado. Ao mesmo tempo, a figura do Honda Civic olhava para ela, como se estivesse meio preocupado com o que tinha acontecido. Nesse meio tempo, Taro continuava a percorrer a areia aonde se encontrava, tentando chegar a tempo. Lentamente e com calma, Karma recuperou a consciência, enquanto a integrante da Teku parecia estar com uma certa dor de cabeça.

(Karma) – O que aconteceu? – Ela olhou para a figura misteriosa, que estava com um traje todo preto de corrida, surpreendendo ela. – Quem é você?

-Tem certas coisas que você não entenderia. – A voz do piloto parecia estar meio alterada. Como se estivesse tentando ocultar sua verdadeira identidade. Aos poucos, Karma olhou para a figura, com uma certa convicção em seu corpo.

(Karma) – Eu estive tentando entender o que tudo isso significava. Por um breve momento, quando eu vi você em uma corrida, isso meio que me deu uma pequena lembrança de quando eu era pequena. – Ela relembrava de sua irmã naquele momento. Como se ela fosse a pessoa mais importante em seu mundo antes de entrar no mundo das corridas. – Essa pessoa era perfeita. Alguém por quem eu daria tudo para conseguir ser igual a ela. Sempre esteve do meu lado quando pôde. Agora eu estive duvidando do que houve por um tempo.

-Quem você procura?

(Karma) – Minha irmã. Você fez um gesto que apenas ela saberia fazer. Algo que eu me lembro até hoje.

-As vezes, nem tudo é o que parece ser. Quando se menos espera, você pode perceber que estava errado sobre quem você tanto ama. Não importa o que aconteça, sempre haverá perigos no qual você será incapaz de entender o que precisa fazer para supera-los. – A figura misteriosa continuava a falar com o modulador ativado, tentando camuflar sua voz e o que realmente queria dizer naquele momento. Karma ainda estava um pouco zonza, mas tentava ficar acordada o máximo de tempo possível para conseguir falar com a figura misteriosa. – Não se pode ter tudo, porque mesmo assim, isso significa abrir mão do que acredita.

(Karma) – Eu daria tudo para poder falar com minha irmã de novo. Poder sentir ela por perto. As corridas, tudo. Eu visei ser perfeita desde que comecei a correr. Mas a verdade é que eu já nem sei mais o que devo fazer, muito menos entender. As vezes, fiquei sendo atormentada por pesadelos. – Dá uma risada meio que de leve, olhando para a figura misteriosa. – Os pilotos no circuito de corridas me chamavam de Rainha do Gelo. Achavam que eu não deveria ter nenhuma emoção, considerando o como eu corria contra meus adversários. O que era uma ironia, considerando que eu passava essa imagem para que as pessoas pudessem acreditar que eu era uma corredora exímia. A melhor piloto que já existiu na Teku.

-Sua equipe parece mesmo trata-la como uma família. Assim como a minha, eu sentia que precisava ser mais do que o imaginado. Como se eu fosse um espírito livre. – Essas eram palavras que faziam Karma aumentar um pouco mais as suas suspeitas. Como se ela já soubesse qual seria a resposta que precisava saber.

(Karma) – Assim como eu. Quando eu corro, sinto minha irmã do lado me guiando. A cada corrida que se seguia, eu pensava em como poderia ser perfeita se até mesmo eu poderia cometer um simples erro sequer. Eu nunca imaginei no que estaria me envolvendo quando aceitei a oferta do Doutor Tezla. – Karma estava zonza, mas também estava um pouco lúcida para falar. Ela estava achando que uma pequena loucura falar sobre algo que era longe da realidade.

-O que estava se seguindo, parecia estar com uma certa raiva. Mas parecia que nem era humano também. O que era aquilo?

(Karma) – Você não acreditaria se eu te contasse.

-Então acho que isso é algo que não vou saber. Ser um piloto requer que você dê tudo de si dentro e fora da pista, como se estivesse guiando um volante a cada passo que dá em sua vida. Por outro lado, pilotar sempre foi uma paixão.

(Karma) – Então acho que podemos largar as máscaras. – Karma olhava para a figura misteriosa, com um pequeno sorriso meio tímido em seu rosto. – Você age igual a ela. A pessoa que estou procurando. Como se fosse mais uma sombra do que pudesse ser visível.

-Não imagino o que tenha perdido. Mas eu já vi do que você era capaz. As corridas que protagonizou por aqui eram dignas de perfeição, a um nível totalmente diferente do que os outros pilotos almejam. – O modulador continuava ativado e ainda assim, ficava claro que a figura por debaixo do capacete, parecia estar diante de uma certa dificuldade em falar. – Eu sou diferente dos outros pilotos. Imagine ser alguém invicto e ainda assim, sentir que a corrida é o único jeito de se sentir disposto a fazer o necessário.

(Karma) – O que você faria se estivesse a procura de respostas? Como se sua vida tivesse mudado do dia pra noite?

-É assim que você se sente. Como se a perda dessa pessoa que tanto procura a afetasse? Não desejaria esse tipo de dor para ninguém, ainda mais se fosse para alguém que eu amasse. Sua irmã parece ser uma figura um tanto importante em sua vida.

(Karma) – Ela é. Ela foi um exemplo pra mim desde antes de começar a pilotar. Eu sempre me imaginei pilotando o carro dela, mas também pensando em vencer. – Um sorriso tímido foi se transformando em uma pequena felicidade, enquanto Karma continuava a falar. – Pilotar é algo que completa a pessoa. Como se fosse uma dedicação e uma vocação que tanto procuramos. O que significa pilotar pra você?

-Significa... – Tentava encontrar as palavras por debaixo do capacete, mas parecia ter dificuldades. – Significa ser rápida. Capaz. Poder fazer tudo o que sempre quis fazer.

(Karma) – Então eu peço que me responda. Apenas me responda essa única pergunta. Você é Angela Eiss? Você é minha irmã? – O semblante de Karma era de incerteza e de dúvida por causa da pergunta que estava fazendo. Era como se nem mesmo ela soubesse mais da resposta que precisava ter para fechar isso tudo.

O piloto misterioso parecia estar tendo dúvidas sobre responder essa pergunta. Sem saber o que fazer, ele colocou uma de suas mãos no peito, meio nervoso com a resposta que deveria dar. O piloto ficou nervoso a cada minuto que se passava. Tentando engolir o medo, esse mesmo piloto colocou a mão em seu capacete preto e lentamente, o removeu. Karma não estava conseguindo ver muita coisa, quase que desmaiando. Mas tentando se manter firme, ela tentou olhar para o piloto. A única coisa que conseguiu ver foi o que parecia ser cabelos longos e pretos. A última coisa que viu antes de desmaiar.

Lentamente, ela recobrou a consciência na enfermaria, enquanto sentia uma certa dor de cabeça em seu corpo, tentando entender o que tinha acontecido naquele momento. Nolo estava dormindo em um dos lados da cama de Karma e nisso, Taro olhou para ela, com uma certa preocupação em seu rosto. O piloto da Metal Maniacs chegou perto de Nolo e sacodiu o corpo dele, fazendo ele acordar meio zonzo.

(Taro) – Ela acordou. – Nolo olhou para Karma, enquanto ela dava um sorriso meio tímido em seu rosto.

(Karma) – O que aconteceu?

(Nolo) – Taro encontrou você desmaiada no deserto. Tivemos sorte de não ter um Racing Drone para ataca-la.

(Karma) – E quanto ao meu carro? – Ela perguntava, tentando entender o que tinha acontecido.

(Taro) – Ele está bem. Trouxemos o carro de volta e reparamos ele. Está novinho.

(Karma) – Obrigada. – A piloto da Teku olhou para Taro e Nolo, ainda estando meio zonza considerando como seu carro tinha capotado. Mas no fundo, ela sentiu que tinha visto algo a mais. – Havia mais alguém comigo quando você chegou, Taro?

(Taro) – Não. Quando eu cheguei, só tinha você, com a cabeça apoiada em um pedregulho. Quem quer que tenha te ajudado, provavelmente não quis ser identificado.

(Karma) – Não era qualquer pessoa. Antes de desmaiar, eu vi algo que parecia ser uma lembrança. Eu vi uma parte do corpo da pessoa que me salvou. Cabelos pretos e longos.

(Nolo) – Do que está falando, Karma?

(Karma) – É a Angela, Nolo. Ela está viva. – A corredora deu um sorriso, como se estivesse sentindo feliz, ao contrário da fachada de Rainha de Gelo que mostrava para seus competidores. – Ela realmente está viva. Eu reconheceria aqueles cabelos e o estilo de pilotagem em qualquer lugar. Ela é quem dirige aquele Civic que apareceu na primeira corrida do deserto. – Uma lágrima caiu do olho esquerdo de Karma, como se pela primeira vez em tempos, ela estivesse desmoronando. – Vocês tem que acreditar em mim, pessoal.

(Nolo) – Nós queremos acreditar. O problema é que mesmo que ela esteja viva, como saberemos aonde encontra-la?

(Karma) – Ao contrário. Ela vai nos encontrar, Nolo.

No deserto, o piloto misterioso olhou para a rua que estava em sua frente. Parando seu carro perto da areia, o sol começava a surgir, dando o indício de um novo dia. Nisso, o piloto retirou seu capacete, deixando a mostra os cabelos longos e pretos e um rosto familiar do passado. O rosto da antiga integrante da Teku, Angela Eiss. Olhando para uma foto dela com Karma, ela deu um sorriso em seu rosto.

(Angela) – Irmãzinha, você realmente não mudou nada. – Saindo do carro, um telefone que ela tinha em mãos começou a tocar, e ao atender, ela começou a falar um pouco devagar. – Está tudo bem. Eu sei. Tem certeza disso? Entendo. – Desligando o telefone, Angela olhou para seu carro, com um sorriso em seu rosto. – Nos encontraremos de novo, Karma.

Continua...