Capítulo 7 – O jogo das escolhas
No dia seguinte, Bulma encontrou Goku no apartamento assim que chegou. Ele havia ido tomar café da manhã com Vegeta para discutir o novo jogo para celulares que ele inventara. Os três estavam sentados e Vegeta olhava desgostoso os maus modos de Goku, com a boca cheia de croissant e pronto para atacar o bolo diante dele.
- Você continua uma maldita draga, Kakarotto.
- Eu tenho um metabolismo muito acelerado, Vegeta, você sabe disso.
- Eu sei que você não vai deixar é nada para os empregados do prédio!
- Eu sei que se eu comer tudo você vai mandar repor, não vai deixar os caras passando fome...
Então, essa era a explicação, pensou Bulma, para aquele café da manhã tão farto todos os dias. Depois ele era servido para os empregados do prédio. Vegeta não se importava, afinal, em economizar com serviçais.
- Você testou o jogo? – perguntou Goku, ansioso.
- Testei – disse Vegeta – quer ver como está o meu avatar?
- Claro! Quero ver se você se deu bem – ele pegou o celular que Vegeta estendeu a ele com uma expressão neutra e abriu a versão beta do jogo. De repente o queixo de Goku caiu e ele disse:
- Mas você é o rei do mundo?
Vegeta riu. O jogo se chamava "True life" e era baseado em escolhas, divididas em pessoais, profissionais e financeiras, e Vegeta tinha pontuação máxima em tudo. Goku mostrou a ela o avatar dele, que havia sido previamente construído e parecia uma versão miniatura e fofa de Vegeta, mas com um terno super alinhado e um carro esporte último tipo. Bulma riu e disse:
- Tá bonitão... – ela pegou o celular das mãos de Goku, enquanto este conversava sobre usabilidade com Vegeta. Ela olhou a opção "personalizar, e, de brincadeira, mudou a roupa do pequeno Vegeta para uma camisa havaiana e bermuda, devolvendo o celular a ele dizendo:
- Seu avatar acaba de tirar férias.
- Ei, mulher, quem te mandou mexer?
Ele começou a mexer no celular e Bulma perguntou:
- E o seu, Goku?
Goku deu um sorriso desanimado e mostrou a ela seu avatar, que tinha o carro batido, o rosto barbado e uma aparência super cansada, mas parecia também um mini-goku.
- Que tipo de escolha você fez, Goku? – riu Bulma – você parece um desempregado ferrado. Como consegue perder num jogo que você mesmo inventou, Goku?
- Bom... – ele coçou a cabeça, sem graça – mas é porque eu só criei os algoritmos e o conceito do jogo, o peso e o valor das escolhas foi dado por um uma equipe multidisciplinar que têm todo tipo de profissional: economistas, psicólogos, antropólogos, pedagogos... e cada passo que você dá no jogo te leva pra frente ou para trás... quer jogar? Ainda é versão beta.
- Ah, eu quero – disse Bulma – quero mesmo!
- Aproveita para ver o tempo de download. – disse Vegeta, que terminava seu café.
Goku ajudou Bulma a entrar num link específico da loja de aplicativos e colocou a senha para que ela baixasse a versão beta. Depois de um tempo, ela tinha uma mini-Bulma pronta para fazer suas próprias escolhas.
- Como é? – perguntou Vegeta, irritado – vai ficar ocupando a minha enfermeira a manhã toda com isso?
- Ah, Vegeta – disse Goku – você não vai morrer se ela se atrasar um pouco.
Depois das instruções básicas, Bulma ia se despedindo de Goku que disse:
- Bulma, espere... tipo... você e seu namorado topariam uma saída em grupo?
- Saída em grupo? – Bulma quase riu – o que você está aprontando?
- Tem uma garota aí, e ela fica meio que insistindo para a gente sair, mas ela é um pouco assustadora e eu não queria ir ainda a um encontro solo... e eu pensei que a gente podia ir todo mundo naquele restaurante australiano novo.
- Aquele da moda que você fica umas três horas na porta esperando?
- Eu posso chegar cedo porque moro pertinho dali, pra pegar senha, essas coisas. Por favor, Bulma...
- Por que não diz logo pra garota que não está a fim dela, Goku?
- Ela não entende que eu não estou a fim.
- Ai, Goku... pode ser. Hoje? Amanhã não dá, meu namorado tem plantão de 12 horas à tarde e à noite.
- Nossa, plantão sábado à noite? Que saco, Bulma.
- Fazer o quê? Médicos.
- Um porre, né? Então, 20h na porta do restaurante?
- Ok. Vou ligar pra ele e confirmo mais tarde.
Ela correu para fazer a massagem de Vegeta, que a esperava num péssimo humor e disse:
- O que o Kakarotto queria?
- Chamar para uma saída em grupo com a garota que ele está saindo.
- Hunf. É a guria do parkour? Pelo que ele me falou é uma chatinha. E meio nova demais para ele...
- Sei lá, ele não me disse quem é.
- Kakarotto não tem jeito. Ele continua cercando a megera caipira e nunca se aproxima. Eles têm um filho juntos, caramba...
- Vegeta... mas se não deu certo, eles tem que seguir em frente.
- Mas acontece que nenhum dos dois segue de verdade em frente. Eles andam em círculos, isso sim. Ou você acha que ela está só até hoje por quê?
- Talvez eles precisem de uma ajudinha pra... sei lá, andar na direção um do outro.
- Se está me pedindo para bancar o cupido, desista.
- Não é isso, Vegeta... se ela soubesse...
- Ela ia ficar com raiva. Imagina, eu e Kakarotto a enganamos.
- Ou ela vai ficar chocada, mas vai entender que ele fez um sacrifício para ajudar a ela e ao filho.
- Ele demorou 5 anos para voltar a ter mais ou menos o poder aquisitivo daquela época. Ele colocou cada centavo nisso sem esperar retorno e não aceitou minha ajuda. Foi difícil para ele. Quando apareceu com aquele fusca, dizendo que era o carro que ele podia manter – Vegeta gargalhou – eu disse que ele tinha enlouquecido. Mas consertou a lata velha sozinho, com paciência...
- Talvez tenha sido a forma dele consertar a própria vida. Aliás, falando em vida, o jogo é bem legal, não é?
- Sim, agora está perfeito. Vou ligar para ele e mandar liberar o download.
- E o outro assunto?
- Já disse, mulher... não sou cupido.
- Grosso.
- Chata.
De repente os dois se encararam e riram ao mesmo tempo. Não queriam mesmo dizer o que haviam dito um do outro. Mais tarde, tiveram um convidado para o almoço: o irmão dele, Tarble. O rapaz parecia um pouco com Vegeta, principalmente os cabelos e a linha do queixo, mas tinha uma expressão bem menos severa e um jeito descontraído e simpático.
- Então você é a famosa Bulma? – ele disse, segurando a mão dela e beijando suavemente. – É verdade que tem um namorado?
- Sim, é verdade – ela disse, rindo.
- Que pena... – ele disse, piscando um olho – então, irmão, eu baixei o joguinho do Kakarotto, é bem interessante, mas falta uma escalada.
- Escalada?
- Claro, tem tantas possibilidades, você pode comprar passeios de férias, esqui, praia, mergulho... falta a escalada.
- Só se for para o avatar cair e quebrar o pescoço e zerar o jogo – disse Vegeta, aproximando a cadeira de rodas da mesa de jantar e completando – sentem-se senão ela não serve o almoço.
"Ela" era Chichi, que não gostava de conversas ou tumulto quando estava prestes a servir uma refeição. Bulma sabia disso e sentou-se, se preparando para o almoço. Quando Chichi entrou e anunciou o cardápio, Tarble, que apesar de irmão de Vegeta quase não o visitava e não a conhecia não tirou os olhos dela, parecendo depois encantado quando ela serviu os pratos, com charme e elegância. Quando ela desapareceu para a cozinha ele disse:
- Onde achou essa cozinheira gatinha, irmão?
- Chame ela de cozinheira e você vai acabar tomando uma frigideirada na cabeça. Ela é uma chef premiada.
- Que seja... vou chamá-la para sair.
- Boa sorte – riu Vegeta – mas antes, vamos conversar sobre o processo e a audiência que você vai, vou instruí-lo.
Depois do almoço, enquanto Vegeta conversava com o irmão, Bulma passava a tarde tentando melhorar seu avatar no "True Life" e percebendo que, depois das primeiras escolhas, sempre muito óbvias, após do sexto nível tudo se complicava e qualquer coisa poderia arruinar a vida do pobre personagem. E era meio complicado consertar as escolhas ruins e impossível começar de novo sem perder tudo.
- É tipo a vida real – ela riu, falando sozinha, e lembrou-se de ligar para Yamcha. Ele não gostou muito da ideia da saída em grupo, mas acabou topando e Bulma disse:
- O que pode dar errado, afinal?
Ela não tinha aprendido tanto assim ainda sobre o jogo das escolhas.
O restaurante australiano não era longe da casa de Vegeta, mas Bulma ainda foi em casa e se arrumou, pouco antes das 20h ela e Yamcha chegavam ao restaurante e encontravam Goku na porta, esperando com um pinpad com leds que acenderia e vibraria quando chegasse a vez deles.
- Oi Bulmaaaa – ele disse, alegre – você deve ser o Yamcha!
- Eu mesmo – Yamcha respondeu sem muito entusiasmo, ele estava vestido de forma bem mais elegante que Goku, que usava uma calça cargo e camiseta.
- Cadê a sua namorada, Goku?
- N-namorada? – disse, Goku, meio sem jeito – não é namorada não, Bulma... e ela deve estar chegando por aí.
- Você não foi busca-la? – perguntou Bulma, horrorizada com a falta de cortesia do amigo.
- Eu não, tinha que chegar pelo menos umas duas horas antes e... eu não queria ficar duas horas aqui com ela.
- Mas Goku... – Bulma começou, querendo perguntar: "como você sai com uma garota de quem não gosta da companhia?" mas nem deu tempo, de repente Goku disse:
- Ah, olha, ela chegou.
Bulma viu uma garota de seus 18 ou 19 anos parando uma moto perto do restaurante. Ela tirou o capacete e seu cabelo arrepiado se espalhou em todas as direções. Seu rosto era comum, mas o corpo era escultural, e ela chamava atenção. Ela tirou a jaqueta revelando braços um pouco musculosos cobertos de tatuagens. Ela veio andando, com a jaqueta no ombro e o capacete debaixo do braço e uma cara de poucos amigos que melhorou um pouco quando ela viu o Goku.
- E aí, velhote – ela disse – falta muito pra entrar?
- Bom, nós... – ela se aproximou dele e o puxou para um beijo meio bruto, e Goku a afastou sem graça, dizendo:
- Caulifla, essa aqui é a minha amiga Bulma e o namorado dela, o Yamcha...
- E aí – ela disse, sem fazer nenhuma menção de apertar a mão ou dar beijinhos em nenhum dos dois. Ela mirou Bulma, que usava um vestidinho de verão e tinha os cabelos azuis soltos caindo pelos ombros e disse:
- Já quis pintar meu cabelo de azul mas achei que ia ressecar. Estraga muito?
- É natural... – disse Bulma, achando-a meio grosseira. A garota parecia muito confiante, desfilando seu corpo escultural e vestindo uma calça tipo baggy e um top cropped apertando os seios fartos. Todos os caras, incluindo Yamcha, haviam ficado impressionados quando ela aparecera, mas Goku parecia especialmente distraído. Era óbvio que aquela saída não tinha sido ideia dele.
- Vamos pegar uma cerveja ou vamos ficar aqui uns olhando pra cara dos outros que nem babaca? – ela perguntou para Goku – e, porra, você podia ter passado lá em casa para me pegar.
- Bom, eu tinha que pegar o pinpad... – ele disse, coçando a cabeça sem graça.
- Essa merda demora horas pra apitar. Depois vai me levar, pelo menos?
- Mas você veio de moto...
- Você entendeu – ela disse, no que devia ser a sua tentativa de ser menos bruta e mais sedutora, mas que só fez Goku parecer mais constrangido. De repente, ele pareceu ver alguém na multidão que esperava e disse:
- Jiren? Ô Jiren, como tá essa força? – ele entregou o pinpad para Bulma e disse – peçam um chopp aí, já volto!
Ele foi até onde estava um sujeito alto e enorme, de cabeça raspada e olhos grandes e tristonhos e deixou Bulma e Yamcha na companhia de Caulifla, que disse:
- Esse é o Son Goku... me chama pra sair e me troca por um macho, que beleza. Bom, vamos tomar nosso chopp. Pra ficar um pouco menos ruim esse encontro...
Eles pediram o chopp e começaram a tentar entabular uma conversa, o que era bem difícil pela falta de afinidade: ela era estudante de design do terceiro período, tinha 19 anos, fazia parkour nas horas vagas e tinha gostado do Goku quando fizeram um exercício em grupo. Confessou que o agarrou entre o pulo num muro e noutro e que pretendia namorá-lo:
- Mas viram que ele parece meio escorregadio. E bem lento pra quem tem 30 anos, se é que me entendem. Ainda não passamos dos beijos na boca...
Bulma teve um pouco de dó da menina, que, afinal, devia ser até mais legal que parecia, mas logo precisou em pensar em uma outra preocupação. De repente, um carro com motorista parou na porta do restaurante e Tarble saiu primeiro e, depois, estendeu a mão para a sua acompanhante, uma mulher muito bonita usando um vestido tipo chinês azul royal, estampado mas numa versão mais ousada, com as costas nuas e duas grandes fendas que valorizavam suas pernas longas e torneadas. Seu cabelo preto caía como uma seda pelas suas costas, solto e de repente, Bulma reconheceu Chichi, completamente diferente da sisuda chef que usava o dólmã branco. Para completar, Tarble, que se vestia de forma despojada, mas elegante, chegou até a recepcionista que cutucou a outra, que pareceu reconhecê-lo.
Tarble havia escalado um dos sete cumes, o Monte Kosciusko, na Austrália, no ano anterior e o restaurante o havia patrocinado. Havia fotos dele nos murais e ele sorriu e disse qualquer coisa para a recepcionista que sorriu de volta e pediu que ele aguardasse, mas logo conduziu ele e Chichi para dentro do restaurante.
"Ai, tomara que Goku não tenha visto, tomara..." ela pensou, mas ele apareceu logo ao lado dela perguntando:
- Esse troço não apita não?
"Ele viu" Pensou Bulma.
- Ah, Goku... – ela disse, tentando disfarçar – não quer um chopp?
- Lá dentro eu tomo – ele disse, parecendo irritado. De repente, como se para atender sua irritação, o pinpad apitou. Goku saiu arrastando Caulifla para o restaurante e Yamcha comentou:
- Seu amigo parece meio maluco.
Bulma suspirou. Aquilo não iria acabar bem. Eles entraram e Goku tinha a mão direita sobre o ombro de Caulifla, e, por azar, Tarble e Chichi estavam numa mesa não apenas no caminho da deles, mas praticamente em frente à deles. Ele virou a cabeça e encarou Chichi, que finalmente o viu, quando eles passaram diante da mesa do casal. Bulma viu Chichi, até então descontraída, endurecer na cadeira e se transformar numa criatura tensa. Ela ainda cumprimentou os dois e apresentou Yamcha para os dois e disse:
- A gente tá ali com o Goku e...
- Aquela é a namorada dele? – perguntou Chichi – ele agora virou pedófilo? Quantos anos ela tem, 16?
- Acho que é 19... – disse Bulma, querendo cavar um buraco no chão para se esconder.
- Chama eles para cá – disse Tarble – eu não pago porra nenhuma nesse restaurante! – ele acenou para Goku, que apenas olhou de cara feia – Eu, hein, o que deu no Goku? Não me reconheceu?
- Deixa, Tarble – disse Bulma. - depois a gente se fala, tá?
Ela rebocou Yamcha para a mesa, e ele disse, sarcástico:
- Nunca me diverti tanto em grupo... o que está acontecendo?
- Em casa eu te explico.
Os dois se sentaram. Bulma pôde ver que a mesma tensão de Chichi estava refletida em Goku, que perguntou:
- Desde quando ela está saindo com o Tarble? Ele é o quê? Nove ou dez anos mais novo que a gente?
- Sete – disse Bulma.
- É vergonhoso do mesmo jeito. E ela não pensa no filho?
Ele tinha a mão sobre o ombro de Caulifla, mas claramente queria apenas provocar Chichi. Eles fizeram o pedido e ele puxou a cabeça de Caulifla e a deitou sobre seu ombro, fazendo a garota protestar, mas rindo.
- Esse é seu jeito de fazer carinho, seu grosso?
Goku não disse nada. Bulma podia sentir a tensão entre ele e Chichi. Nenhuma conversa em nenhuma das duas mesas parecia fluir decentemente. Enquanto Goku e conversava, mas sem muita atenção, acariciando mecanicamente os cabelos de Caulifla, na outra mesa Chichi ria de forma afetada, segurando às vezes a mão de Tarble e o rapaz sorria, sem perceber direito que ela estava apenas reagindo ao que Goku fazia. Era tudo deprimente, e ainda nem haviam terminado os aperitivos.
Bulma sempre soubera que Goku era ainda confessamente apaixonado por Chichi. Mas agora ela tinha certeza de que ele era correspondido intensamente pela chef, por mais que ela negasse as aparências e disfarçasse as evidências.
Quando finalmente chegou a comida, Bulma teve uma ideia e mostrou a Goku seu pequeno avatar no jogo, para tentar dizer algo para o amigo em código.
- Olha, Goku! Posso te mostrar como tá o avatar no meu joguinho?
- Agora, Bulma? – ele disse, tirando o braço de volta do ombro de Caulifla, já que estava sendo servida a comida.
- É que tem algo que eu quero que você veja, sabe? Eu fiz uma escolha, e acho que me arrependo, entende?
- Bom, você sabe que as escolhas do jogo só podem ser sucedidas por outras escolhas diferentes, como na vida real, em True Life não dá para voltar atrás...
- Mas sabe, às vezes parece que fizemos uma boa escolha e não fizemos... veja aqui, eu me arrependi dessa escolha pessoal... isso arruinou a vida amorosa do meu avatar. Mas... – ela olhou significativamente para Goku – é meio óbvio que ela não está feliz com o que escolheu, não acha?
Goku olhou para Bulma e ela percebeu que ele entendeu imediatamente, porque olhou para Chichi, na outra mesa. Por um instante os olhos deles se encontraram e Bulma percebeu que ele havia visto nos olhos de Chichi o que ainda estava lá, por mais que ela tentasse disfarçar. E Goku sentou-se reto, e disse:
- Vamos comer, né?
A partir dali, ele pouco falou, apenas comeu, mas não interagiu tanto com Caulifla, por mais que a menina tentasse chamar sua atenção. De repente, havia um jogo explícito, e Bulma podia perceber, que envolvia uma troca de olhares furtiva entre Goku e Chichi. E antes que eles realmente terminassem de comer, Goku olhou para ao lado dele e disse:
- Sinto muito, Caulifla. Você é muito legal... mas eu não quero namorar você. Como se diz por aí... eu estou em outra, sabe?
A menina arregalou os olhos e abriu a boca, atônita, mas antes que ela protestasse ele disse:
- Eu vou te apresentar a um cara e ele é bem legal. E você vai achar ele um barato. E ele é bem mas rico que eu. – tirando o cartão de crédito do bolso, ele disse, olhando para Bulma:
- Eu vou precisar sair, paga aí, na segunda eu pego o cartão contigo. – Então ele disse, no ouvido dela – a senha é 3722. E é agora ou nunca, Bulma.
Ele se levantou, pegou a mão de Caulifla, que o olhou irritada, mas segurou em sua mão. Gentilmente ele a conduziu até a mesa onde estavam Tarble e Chichi, que arregalou os olhos, atônita e parou, olhando para os dois. Então, ele disse:
- Tarble, não gaste seu charme com Chichi. Ela gosta de outra pessoa.
O rapaz o olhou, e então olhou para Chichi e perguntou:
- É verdade?
Chichi olhou para Goku e então para Tarble. Bulma, de onde estava, podia sentir que a amiga não estava entre um e outro, mas entre Goku e seu orgulho. Goku então disse:
- Nove anos atrás, quase dez, eu te pedi em casamento e você disse não, e eu devia ter reconhecido que você estava certa, e devia ter te ouvido em vez de ser estúpido e raivoso quando você me ligou. E eu devia ter dito a você que gastei todo meu dinheiro para salvar teu restaurante, e devia ter dito que sabia que eu sou o pai de Gohan e que venho mantendo várias despesas dele, para que não seja tão pesado para você criá-lo sozinha... mas eu estava, esse tempo todo, esperando você ceder e dizer que me queria, e esperando eu perdi quase dez anos e não quero, Chichi, perder mais nem um minuto sendo um idiota. Eu quero você, mas se você não me quiser, eu quero ser pai do seu filho, mesmo que você não fique comigo. Porque eu passei dez anos fazendo a coisa errada, e agora eu preciso fazer a coisa certa.
Ela o olhava, atônita. Ele estendeu a mão e disse:
- Vem comigo?
Ela esticou a mão, silenciosamente, e os dedos dele se fecharam sobre os dela e ele sorriu, quando a ajudou a se levantar. Antes de por a mão em volta da cintura dela, ele virou-se para Tarble e disse:
- Desculpe, cara... mas vou levar a tua companhia comigo. Leva a Caulifla pra casa, ela é uma garota super divertida. E eu acho até que topa subir uma montanha contigo.
Ele e Chichi saíram do restaurante e Bulma olhou para Yamcha, que disse:
- Seus amigos são todos loucos.
Bulma, que tinha lágrimas nos olhos, engoliu em seco e disse:
- Você não percebeu nada, Yamcha?
- Percebi... mas você sabe que eu não ligo para essas bobagens românticas. Vamos pendurar logo a conta no cartão de crédito do seu amigo e vamos para casa, tá?
Ela ficou olhando para ele e teve certeza que cedo ou tarde deveria fazer uma escolha. Se queria ou não manter Yamcha na sua vida.
Notas:
Fãs do casal Vegebul me perdoem, mas resolver Goku e Chichi era essencial à trama.
O joguinho parece com alguns que existem por aí, é claro.
Tem um "easter egg" nesse capítulo que é uma referência a um clássico da música pop sertaneja. Quem sabe qual é?
Passar anos remoendo algo e resolver tudo num impulso? Pode acontecer. Conheço uma história parecida com essa e o casal está bem feliz.
Yamcha é muito irritante, né? Quem quer que ele tome um pé na bunda levanta a mão.
Próximo capítulo: "Medo da solidão". Vamos descobrir a origem da agorafobia do Vegeta que encadeou a síndrome do pânico dele. Agorafobia: medo de espaços abertos.
