Capítulo 10 – Dois corações com frio
Vegeta abriu a porta para Bulma, quando ela chegou ao apartamento e seu coração batia acelerado, ele mesmo não sabia porquê. O vestido azul envolvia seu lindo corpo como uma luva, molhado e colado a ela, os cabelos escorriam pelos ombros, agora num penteado visivelmente desfeito pela chuva. Seus olhos estavam vermelhos, injetados de chorar e a maquiagem escorrida, deixando-a com um ar devastado e tristonho. Ela trazia os sapatos de salto na mão e parecia perdida como um cãozinho na chuva, e ele teve vontade de aconchegá-la em seus braços e dizer a ela que estava tudo bem, mas, em vez disso apenas falou:
- Você quer tomar uma chuveirada quente? Quer roupas secas?
Ela abriu a boca e não saiu som algum, Vegeta estendeu a mão para ela, que segurou e ele disse:
- Vem, entra.
Ela entrou e ele fechou a porta. Àquela hora o apartamento estava quase todo escuro, apenas umas poucas luzes no mezanino. Ele fechou a porta e viu Bulma diante de si, ainda parecendo arrasada e disse:
- Vá já tomar um banho, mulher. Antes que eu te atire na piscina para que acorde.
Ela olhou para ele e finalmente esboçou uma reação, dando um ar de riso. Ele sorriu para ela:
- Por favor, reaja. Eu sou péssimo em consolar pessoas.
- Ok, Vegeta... mas eu não tenho nada aqui a não ser uniformes.
- Eu te consigo alguma coisa.
Ele subiu e ela o seguiu ela parou, hesitante, diante do quarto de enfermagem e ele disse:
- Tem roupa íntima aí, não tem?
- Sim – ela disse, sentindo-se meio patética.
- Pegue. Eu espero.
- Eu posso...
- Vá lá. Não discuta, mulher.
Ela foi e voltou com uma toalha e lingerie embalada, que havia no armário.
- Vem – ele disse e ela o seguiu. Ele entrou no quarto dele e ela o seguiu, hesitante. Ele abriu um armário e pegou uma longa camisola feminina e um roupão felpudo cor de rosa numa gaveta e entregou a ela, que ficou olhando, perplexa. – que foi? – ele perguntou e ele mesmo respondeu – houve uma época em que mulheres esqueciam coisas aqui.
Ela riu, pela primeira vez.
- Pode usar meu banheiro. Vou preparar o quarto de hospedes para você.
- Você vai preparar? – ela riu.
- Pode não parecer, mas eu não tenho criados arrumando minha bagunça 24 horas por dia – ele disse, rolando a cadeira para fora do quarto – esvazie a banheira quando sair.
- Tá bom, chefe – ela disse e ele sacudiu a cabeça.
A suíte de Vegeta era grande, luxuosa. Uma porta de vidro dava acesso a um banheiro privativo que tinha um chuveiro adaptado para ele e banheira, não era uma jacuzzi imensa como a do spa, mas ela achou boa a ideia de entrar numa banheira. Melhor que seu chuveiro patético que às vezes esfriava a água de repente.
Quando estava imersa na banheira usando a espuma que achou numa prateleira, começou a pensar sobre tudo que havia acontecido. Yamcha a estava traindo, sabia-se Deus desde quando. Os plantões que ele cobria, as ligações que ele demorava a atender... lágrimas vieram aos seus olhos de novo, mas dessa vez, de raiva. Ela tinha se deixado ficar demais naquele namoro. Quanto tempo havia que ela já não se sentia tão amada? Que ela já não se sentia amando?
Pensando honestamente, Yamcha nunca havia sido um namorado ardente, e nem ela. Uma relação confortável, um casal bonito... mas nada além disso. Mergulhou a cabeça na banheira, a água quente e borbulhante era um delicioso conforto. Esfregou o rosto e tirou o que restara de maquiagem. E relaxou, pensando apenas nela e apenas naquele momento por um instante.
Então, olhando para o teto pensou: "por que procurei Vegeta?"
Porque não havia procurado uma amiga, Lunch, Chichi, Suno, que ela não via há algum tempo...? de todas as pessoas que poderiam ajuda-la, ela escolheu ele. Teria sido por que vira a ligação dele? Não, não havia sido apenas aquilo. E ele havia se prontificado a ajuda-la, e, acima de tudo, dissera aquelas seis palavras: "Não vou me aproveitar de você".
Ela estava recostada, ainda olhando para o teto e se surpreendeu pensando em Vegeta como um homem. Por um instante, imaginou como ele devia ser antes, quando ainda andava, quando não tinha síndrome do pânico ou depressão... e censurou-se por isso imediatamente. Fantasiar com aquele Vegeta que não existia mais e que, provavelmente, jamais se interessaria por uma enfermeira simples e boba era um refúgio para não pensar no Vegeta atual, aquele que era seu paciente.
Um homem quebrado. Ferido. Com o orgulho mais destroçado que sua medula lesionada. Um homem que se achava metade de um homem, mas que, provavelmente, era maior e melhor como pessoa agora. Ela sacudiu a cabeça, de repente. Não era ético pensar nele dessa forma. Não podia confundir as coisas.
Ela saiu da banheira, agora mais calma, e se enxugou. Vestiu a lingerie e a longa camisola semitransparente que era de um lilás pálido e devia pertencer a uma mulher mais alta que ela, porque quase arrastava no chão. Pôs o roupão por cima e sentiu-se meio ridícula. Tinha os cabelos enrolados numa toalha, e saiu assim do banheiro, depois de esvaziar a banheira. O chão não estava frio, mas ela achou um par de chinelos felpudos na porta do banheiro e sorriu. Vegeta tinha deixado ali, para ela. Saiu para a sala e o encontrou sentado num canto, segurando uma guitarra e parecendo pensativo.
- Vegeta? – ela chamou. – Você toca?
- Um pouco – ele disse. – Eu estava tocando quando você me ligou.
- Sério?
- Sim...
- Eu nunca ia imaginar que...
- Não só você, quase ninguém imagina. Praticamente só Kakarotto sabe. A gente era meio idiota com 14, 15 anos e queria montar uma banda. – ele riu – Eu na guitarra, Kakarotto na bateria, Raditz tocava baixo e era o vocalista. Tinha um outro cara, o Turles, ele era o guitarra base e eu o solo. Mas, francamente, nós éramos bem ruins. As mulheres não ligavam muito, afinal, tinha um cabeludo bonitão no vocal...
Bulma riu e disse:
- Gostaria de conhecer esse Raditz que vocês falam tanto...
- Claro que gostaria – ele disse, mau humorado, todas querem conhecer o cabeludo...
- Não é por isso, seu tolo – ela riu. – Atualmente a última coisa que eu quero é conhecer ou me envolver com alguém.
- Eu imagino...
- Sabe o que é mais chato, Vegeta?
- O que?
- Eu descobrir que terminar essa relação é ruim, mas é um alívio.
Os dedos de Vegeta brincavam nas cordas da guitarra, mas sem tirar som, quando ele disse:
- Acredite, eu sei o que você sente... embora quando aconteceu algo parecido comigo eu tenha me sentido mais destruído que aliviado... engraçado que falei sobre esse alívio com o Whis essa semana...
- Whis é irmão da mulher com quem o Yamcha estava me traindo...
- Vados Daishinkan? Só conheço a irmã dele de nome, é uma cirurgiã cardíaca.
- Ela mesma – suspirou Bulma – muito alta, muito magra, muito linda...
Ela então contou toda história do jantar, e, quando terminou tinha os olhos cheios de lágrimas e dizia que a culpa devia de ser dela, por não ter percebido antes.
- Ei, pare com isso – ele disse – pare de se diminuir por causa da traição daquele verme. Ele que é um canalha.
Ela olhou para ele e sorriu:
- Você me dizia coisas sobre namoro engraçadas, lembra? Que trabalhava muito, que acabava não dando atenção às garotas...
Ele deu um suspiro.
- Sim, verdade. Nunca me envolvia com mulheres que "pegassem no meu pé". Elas tinham que aceitar meu estilo de vida, mas isso não é difícil quando se é um playboy. O problema é que uma hora você pode precisar de algo que não seja superficial...
- Do que você está falando, Vegeta?
Ele encarou-a e disse:
- Sabe como eu fiquei assim, preso em casa? Você é a primeira pessoa a quem tenho vontade de contar, depois do Whis...
Depois de um longo suspiro, muito pausadamente, ele contou a ela toda a história de como Andy o abandonara no parque, sozinho, e ele se sentira perdido, apavorado, em pânico. E que, depois daquilo, jamais fora o mesmo.
- Foram cinco anos, cinco longos anos para sentir ao menos vontade de consertar o estrago – ele disse – mas eu, sinceramente, não a culpo. O Vegeta daquela época teria feito o mesmo com ela, se fosse o contrário, teria dado uma bela desculpa e saído fora. Eu era um baita de um cretino... não sabia o que era me comprometer, dividir... eu não saberia cuidar de uma mulher ferida, eu acho que não sabia amar.
- Ei – disse Bulma – agora quem tem que parar de se martirizar é você.
- Que bela dupla somos, hein? – ele riu – dois gatos molhados pela chuva, tremendo de frio. Morrendo de medo de se arriscar outra vez.
- O tempo vai ajudar...
- Não me ajudou muito – ele disse.
- Talvez você não tenha encontrado a garota certa. – ela se levantou e perguntou: - qual o quarto de hóspedes?
- A porta branca do meio, entre duas pretas.
Ela olhou para ele e sorriu, então se aproximou e deu um beijo no alto de sua cabeça, dizendo, quase num sussurro:
- Obrigada, Vegeta... – Foi melhor que ir para casa e ficar remoendo minha solidão.
Ela ia se erguendo e ele disse:
- Você pode ficar aqui o tempo que quiser, Bulma... se não quiser sentir-se só. Eu sei que você não quer ficar sozinha naquele apartamento... pode ficar aqui, pode morar aqui. Prometo deixar você à vontade. E isso não é porque eu dispensei as enfermeiras de passar a noite. É porque eu acho que você... você merece, por tudo que faz por mim.
Ela o olhou, com uma profunda gratidão nos olhos. Ele a conhecia, ele lia seus medos e percebia que ela não gostava de ficar só. Antes ela já estava cogitando, mentalmente, entregar seu apartamento e voltar para a casa dos pais. Aquilo era tentador, mas ela disse, antes de se afastar:
- Vou pensar, Vegeta. Mas muito obrigada pela oferta, de coração...
Ela entrou no quarto de hóspedes e fechou a porta. Tirou o roupão e afundou na enorme cama coberta com lençóis de algodão egípcio e edredons macios e pensou que seria maravilhoso acordar, pelo menos por um tempo, envolta por aquela maciez... ela estava quase fechando os olhos quando ouviu Vegeta tocando na guitarra os primeiros acordes de "Sweet Child o' Mine". Ela sorriu, aconchegada nas cobertas e prestou atenção na voz dele grave e rouca, tão diferente do vocal original, dando uma interpretação diferente à musica:
She's got a smile it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything
Was as fresh as the bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I'd stare too long
I'd probably break down and cry...
E, embalada pela melodia, adormeceu suavemente.
No dia seguinte, ela acordou quase às sete horas e levantou-se de um salto. Sem pensar muito no que fazia, apenas no seu atraso, ela levantou-se da cama e saiu, de camisola mesmo, rumo ao quarto de enfermagem, e deu de cara com Vegeta, que saía do próprio quarto totalmente vestido. Se deu conta de repente da transparência e sensualidade da camisola e fechou instintivamente os braços sobre os seios, vermelha de vergonha.
Ele baixou os olhos e disse:
- Acho que você esqueceu o roupão...
- Me desculpe! Estou atrasada.
Ela disparou para o quarto de enfermagem e ele ficou para trás, rindo, antes de dar seu habitual pulo no seu quarto de trabalho antes de descer para o café da manhã. Ia ligar todos os computadores quando pensou numa coisa e desistiu. Ficou por um longo tempo observando os monitores escurecidos antes de um sorriso iluminar seu rosto.
Ele estava apaixonado. Finalmente admitia para si mesmo que a mulher que ele acabara de ver era aquela que ele queria conquistar como ele mesmo, paralisado e quebrado. Seria ela mulher que talvez se dispusesse a ficar ao seu lado e enfrentar o que viesse? Ele fechou os olhos tentou pensar num plano, mas não seria assim que as coisas funcionariam, ela não era uma holding empresarial, lidar com pessoas não era algo que o deixasse confortável. A única coisa que ele poderia fazer realmente, àquela altura, era esperar que ela aceitasse a oferta dele.
E torcer para que a proximidade fizesse o resto.
Bulma tinha acabado de se vestir quando o celular tocou e era Chichi. Ela estranhou, mas atendeu.
- O que aconteceu que o Kuririn disse que o Vegeta pediu para não te pegar em casa hoje? Você pediu demissão, amiga? Ele te mandou embora?
Bulma reprimiu um riso e disse:
- Não, Chichi... eu passei a noite aqui mas...
Ela teve que afastar o ouvido do celular por causa do grito do outro lado da linha.
- EU SABIA, EU SABIA, VOCÊS COMBINAM TANTO!
Bulma reprimiu um riso e disse:
- Mas não é nada do que você está pensando e não estamos juntos. É até bem chato...
Ela contou toda história de como havia descoberto a traição de Yamcha e se surpreendeu em como conseguia, agora distanciar-se do fato. De como rapidamente colocara aquilo no passado. Porque, agora sabia, há tempos que ela e Yamcha não se amavam mais.
- Ah, meu Deus... tadinha! Você precisa de alguma coisa? Quer passar uns tempos aqui em casa? – Chichi perguntou, sabendo como Bulma tinha problema com solidão.
- Na verdade – disse Bulma, hesitante, o Vegeta me convidou para passar um tempo aqui e...
- E você vai aceitar, não vai – a voz de Chichi, do outro lado, soou ansiosa. Bulma riu e respondeu:
- Preciso pensar.
- Ai, Miga – riu Chichi – posso shippar? Posso torcer para você se entender com esse monstrengo?
Bulma riu francamente e disse:
- Chichi... a ultima coisa que eu penso agora é em um novo relacionamento.
- Ok, mas vou shippar assim mesmo. – brincou Chichi – agora preciso ir, Goku vai me levar na obra. Quero que você vá à inauguração do meu restaurante, uma semana antes do Natal!
- Eu irei!
Bulma desligou o telefone pensando no Natal. Faltavam quase dois meses para a data, e o outono já ia embora. Ela passaria o Natal com seus pais, certamente... mas passara os últimos sete reveillons com Yamcha, apenas o primeiro tinha sido viajando com colegas da faculdade, quando o namoro ainda não era tão sério.
Ela desceu para tomar café com Vegeta e disse a ele, simplesmente:
- Eu gostaria de pensar até o fim do dia na sua oferta, Vegeta.
Ele sorriu para ela e disse:
- Fique à vontade. Não esqueça que hoje você sairia mais cedo e...
- Eu sei que seu compromisso é a terapia com o Whis – ela sorriu – ele me contou achando que eu sabia.
- Ah – ele disse, sem jeito – eu ia te contar, mas...
- Não se preocupe. Eu acho que você está certo em querer ficar bem, Vegeta, e eu o apoio. Vou aproveitar o tempo em que ele estiver aqui para ir à minha casa. E se eu me decidir por ficar aqui você vai saber, prometo.
Por algum motivo, ficaram muito educados e silenciosos um com o outro naquele dia. No fim, Bulma foi até seu apartamento e antes de mais nada, vasculhou cada canto atrás até do mais banal objeto pessoal de Yamcha e foi juntando tudo numa caixa. O celular dela tinha 20 ligações emudecidas dele. Ela sabia, não havia volta. Não voltaria por carência ou medo de solidão, simplesmente, não voltaria, não o queria mais na vida dela. No fim, jogou no topo da pilha que formara na caixa a escova de dentes dele e fechou tudo, lacrando com uma fita adesiva larga o pacote. Então, retornou às ligações dele, que atendeu, ansioso:
- Alô, Bulma? Eu...
- Não, Yamcha, você não pode me explicar, não quero nenhuma explicação. Liguei apenas para avisar que o pacote com suas coisas vai estar aqui no guarda-volumes do prédio. Não me procure mais.
Ela disse e desligou. Logo depois, bloqueou o contato dele, satisfeita. Estava livre.
Vegeta imaginou que ela houvesse desistido porque ela saíra normalmente às 17h, excepcionalmente usando seu uniforme porque o vestido que ela chegara estava agora na lavanderia, mas, quando eram quase nove horas da noite ela chegou, trazendo uma pequena mala.
- Vou aceitar sua oferta, Vegeta. – ela disse, entrando.
Ele apenas sorriu.
Eles ficaram conversando novamente naquela noite, e, dessa vez Vegeta sentiu-se menos tímido e dedilhou sua guitarra, enquanto conversava, reproduzindo os acordes de "Baby, I love your way". Mas não cantou, apenas brincava com a guitarra, e só quando Bulma entrou, já cabeceando de sono, que ele cantou a música toda.
Ela não soube bem porque sorriu, mas sorriu quando ouviu os versos:
Moon appears to shine, and light the sky,
With the help, of some fireflys
I Wonder how they have the power to shine, shine, shine,
I Can see them, under the pine
Don't Hesitate,
'Cause your love won't wait
Ooh baby I love your way,
I Wanna tell you I love your way,
I Wanna be with you night and day
Um mês se passou, e os dois começaram a partilhar pequenas intimidades e se tornaram quase cúmplices. Bulma se acostumou à proximidade com ele, sem perder o foco de sua atividade profissional. Às vezes, à noite, eles viam um filme, mas nunca próximos a ponto de se tocarem, muitas vezes ela ia dormir e ele tocava, ela sabia, músicas para ela. Aos sábados ela sempre ficava na cama até mais tarde, porque Ribrianne, a outra enfermeira, vinha para assumir sua função.
Mas num sábado, em meados de novembro, aquilo mudou quando ele bateu à porta dela:
- Vai passar o dia trancada aí, mulher? Preciso falar com você.
Ela achou estranho, mas depois de uma chuveirada e de vestir-se com roupas normais, uma calça jeans e camiseta, ela saiu. Encontrou Vegeta tomando café com Ribrianne, a enfermeira bem rechonchuda e simpática que sorriu para ela.
- Acordou cedo para assumir a função, querida? O Vegeta vive reclamando da minha massagem e falando da sua, Bulma!
Bulma riu, e, em pouco tempo estava conversando animadamente com Ribrianne, que tinha uma risada alta e alegre. Pouco tempo depois, ele pediu licença para elas e disse que iria se preparar para a massagem. Ribrianne disse a ela:
- Eu acho, querida, que nosso paciente se apaixonou por você, sabia? Ele ainda não me disse porque está te hospedando aqui... mas só alguém em quem ele confiasse muito ele chamaria para ficar aqui.
- Nada disso – disse Bulma – Vegeta realmente se tornou meu amigo... e ele está me ajudando num momento ruim, apenas isso.
Ribrianne riu, e então saiu para fazer a massagem em Vegeta.
Algum tempo depois, Bulma entendeu por que Vegeta a tirara da cama tão cedo. Ele apareceu, e dessa vez não estava na cadeira manual, mas numa elétrica. E não estava de moletom cinza ou camiseta de malha, mas usava uma calça jeans, botas pesadas e casaco, como se preparado para sair naquela manhã um pouco fria de outono.
- Bulma... eu tomei uma decisão séria, e queria que você me ajudasse – ele disse, olhando para ela.
Ela sorriu e disse:
- Vou pegar um casaco...
Ele a esperou e quando ela voltou, perguntou:
- Você quer mesmo fazer isso? Sente-se preparado?
- Na verdade, não sei. Mas ontem conversei com o Whis e decidi que tenho que tentar. Ou não sairei desse apartamento nunca. Por isso que eu preciso da sua ajuda, porque sei que só, eu não conseguirei.
- Está bem, Vegeta.
Ela abriu a porta e Vegeta contemplou o hall do elevador. Ele não atravessava aquele limite há mais de cinco anos. Mas quando Bulma saiu e ele a viu diante do elevador, tomou coragem e passou pela porta.
Era o momento de superar seu limite ou desistir de vez.
Notas:
1. Então, é isso. Acabou de vez o Yamcha e Vegeta pretende conquistar a Bulma…
2. Mas não espere que ela caia imediatamente nos braços dele. É uma questão de tempo.
3. Sweet Child O' mine é uma música do álbum "Apetite for destruction", o primeiro do Guns n' Roses lançado em 1987.
4.
O trecho usado, traduzido:
Ela tem um sorriso que me parece
Trazer à tona recordações da infância
Onde tudo era fresco como o límpido céu azul
Às vezes quando olho seu rosto
Ela me leva para aquele lugar especial
E se eu fixasse meu olhar por muito tempo
Provavelmente perderia o controle e começaria a chorar
5. "Baby I love you way" foi gravada por vários artistas. Mas minha interpretação favorita é a do Peter Framptom.
