Capítulo 11 – Deixar estar
Vegeta engoliu em seco quando passou pela porta do elevador. Bulma o encarou e perguntou, novamente:
– Tem certeza?
– Já disse que sim – ele quase rosnou, bruto, e Bulma entendeu que não devia mais perguntar nada.
Ele batia nervosamente o dedo sobre o braço da cadeira conforme os andares iam se sucedendo até o térreo. Ele havia trabalhado bastante com Whis na terapia e aprendera que seu pânico maior tinha traços de agorafobia, o medo de espaços abertos, e sabia que a parte mais difícil a enfrentar seria sair do prédio para a rua e, dali, até o parque, mas aquilo tinha que ser feito, sob pena de jamais curar-se, mesmo com todos os remédios e terapia, aquele era um momento em que dependia apenas dele enfrentando o seu próprio medo.
A portaria envidraçada com vidros escuros era a última fronteira segura, o ponto sem retorno. A partir dali, ele estaria enfrentando a sua própria escuridão, que, paradoxalmente, surgia diante da claridade daquela manhã pálida de outono.
O sol quase o cegou, desacostumado que estava com a claridade direta depois de tanto tempo de luz controlada ou artificial e ele sentiu-se inseguro quando passou pela porta de vidro. De repente, Bulma segurou-lhe a mão e disse:
– Eu estou aqui, Vegeta.
O contato com a mão firme e macia dela o encorajou, e ele desceu a rampa rumo a calçada, com ela ao lado dele, os dois em um silêncio cúmplice. Vegeta sentia medo, era verdade, de refazer o trajeto até o lugar onde fora abandonado por alguém que ele imaginara que seria uma companheira, mas, agora, sentia-se cada vez menos inseguro, porque Bulma garantira que não o abandonaria.
Quando chegaram ao parque, o movimento das crianças em torno da praça fez com que ele se sentisse inseguro e começasse a tremer, e Bulma adiantou-se e postou-se diante dele, abaixando-se à sua altura para perguntar, olhando diretamente em seus olhos:
– Está tudo bem com você, Vegeta?
Ele engoliu em seco e apenas acenou com a cabeça. Ela perguntou:
– Quer voltar? Eu vou entender se você quiser...
Ele não queria. Dominando a vontade de gritar, o medo e a frustração por ainda se sentir abalado, ele avançou lentamente com a sua cadeira de rodas até o centro da praça, exatamente onde Andy tinha dito que não tinha mais estrutura psicológica para ficar com ele, e então, ele soube.
Estava livre. Não havia porque ter medo. Ele havia superado seu inferno particular chegando até ali, ele havia vivido e sobrevivido, e ele olhou para o lado e seus olhos encontraram os de Bulma, que o miravam, apreensivos. Ele então disse, ainda sem sorrir:
– Eu estou bem, Bulma.
Ela abriu um sorriso radiante, e aquilo iluminou sua alma. Ela abaixou-se e o abraçou pelo pescoço, dizendo:
– Eu estou tão feliz, Vegeta, tão feliz por você!
Ele sentiu seu perfume, a maciez dos seus cabelos de encontro à lateral do seu rosto, a maciez da sua pele, roçando no seu rosto recém barbeado e, pela primeira vez desde o acidente, encontrou dentro de si o desejo por uma mulher. Bulma era a primeira mulher que, de fato, o fazia querer descobrir como sentir prazer novamente, como superar as sequelas de sua lesão. Ele pôs os braços em volta dela, e apertou ligeiramente num abraço, dizendo com a sua voz rouca e embargada:
– Obrigado, Bulma! Por tudo.
Ela se afastou, ergueu-se e ficou segurando as mãos dele, sorrindo antes de dizer:
– Fico muito, muito feliz por você, Vegeta!
– Eu... eu também – ele tinha um sorriso autêntico no rosto, talvez o primeiro que ela realmente reconhecia como tal, desde que o conhecera.
Ele direcionou a cadeira para perto de um banco, para que ela sentasse, e os dois ficaram ali, diante de um chafariz e vendo crianças correndo dali até o parquinho mais adiante, pessoas conversando banalidades e vendo a vida acontecendo, tão vibrante e alegre que Vegeta, finalmente, sentiu-se esperançoso. Talvez fosse um novo começo para ele.
Eles tiveram um fim de semana divertido, embora Vegeta ainda não se considerasse pronto para realmente sair, aproveitar a vida fora do apartamento. Chichi e Goku, no entanto, visitaram o apartamento naquele fim de semana, trazendo Gohan. Bulma adorou o garoto de primeira, inteligente e esperto para um menino de quase nove anos, e ela e Chichi aproveitaram o dia na piscina com o menino, enquanto Goku e Vegeta olhavam de longe.
Goku adoraria estar na piscina com o filho, mas queria conversar com o amigo, seriamente. Os dois olhavam as garotas e o menino e ele disse, de repente:
– Como ficam as coisas agora, Vegeta?
– Como assim?
– Seu escritório lacrado na Torre Marfim vai ser finalmente usado? Às vezes acho que a empresa andaria melhor com você por perto.
– Um passo de cada vez, Kakarotto... há coisas... há coisas que eu quero. Que preciso fazer...
– Você se apaixonou por ela, não? – ele perguntou, sabendo a resposta. Vegeta deu um suspiro profundo.
– Não pude evitar... ela é tão...
Goku sorriu. Ele havia vislumbrado essa possibilidade desde o começo, quando conhecera Bulma. Achara-os profundamente compatíveis.
– Ela não tem mais namorado, lembra? – perguntou Goku – pode ser só uma questão de tempo...
– Uma questão de tempo – murmurou Vegeta, olhando para ela jogando água em Gohan.
De repente, Chichi saiu da piscina e disse, pegando o roupão
– Eu trouxe o almoço, mas preciso preparar os pratos!
– Estava com saudades da sua comida. Podia ter me mandado uma aprendiz mais qualificada, sua caipira...
– Yurin é formada numa maravilhosa escola de culinária, seu rabugento, você que é chato – disse Chichi, sem dar a mínima para Vegeta.
Naquela noite, Vegeta e Bulma pediram uma pizza e comeram vendo um filme. Vegeta não pegou a guitarra e nem tocou nenhuma música, e, quando se despediram, logo após o fim do filme, Bulma sentiu uma certa melancolia.
Gostaria muito que ele cantasse para ela. Mas não tinha coragem de pedir, ainda não.
Antes pudesse pensar em realmente se aproximar melhor de Bulma, como desejava, Vegeta contraiu uma gripe forte, quatro dias depois da sua primeira saída à rua. Bulma estranhou quando ele não se levantou pela manhã, e foi até o quarto dele, batendo, preocupada. Ele saiu do quarto e sua cara estava péssima. Não se barbeara, como de hábito, tinha olheiras profundas e uma cara de poucos amigos.
– Qual a chance de um sujeito topar com um vírus nojento na primeira vez que sai após anos em casa? – ele perguntou, olhando para ela, que se preocupou imediatamente.
– Hum, devíamos ter te dado uns comprimidos de equinácea antes de você se aventurar – ela disse, espalmando a mão na testa dele – você não deveria trabalhar com essa febre, Vegeta... vou pegar um termômetro e...
Ele segurou-a pelo pulso, impedindo-a de ir para o quarto de enfermagem e disse, com sua voz congestionada:
– O presidente de uma empresa não pode ser derrubado por uma simples gripe – ele disse antes de dar um espirro forte.
Ela o encarou e disse:
– Por que não repousa só hoje? Só um pouquinho? Posso chamar o Doutor Piccolo e ele pode te examinar, o que acha?
– Porque acabei de adquirir uma empresa nova e não posso vacilar. Vou trabalhar.
Ele bem que tentou, mas no fim da tarde, estava tão febril que a autorizou a ligar para o clínico geral que o atendia, o doutor Piccolo, que apareceu no fim do dia apara examiná-lo e disse:
– Você pegou essa gripe porque estava com a imunidade baixa depois de tanto tempo sem sair de casa, a gripe é um vírus mutante que, apesar de ser inofensivo na maioria dos casos, requer atenção quando a pessoa é idosa ou reclusa, como você, Vegeta. Você passou anos num ambiente protegido demais, agora para sair ao ar livre precisa se proteger. E por isso pegou uma gripe tão forte logo de cara: você precisa repousar para se curar.
– Eu tenho uma holding para presidir – ele disse, teimosamente.
– Não dá para presidir nada do túmulo – disse Piccolo – se pegar uma pneumonia, pode ser perigoso. Cinco dias de repouso total pelo menos, livre inclusive de estresse, ou pode procurar outro médico para atende-lo!
– Deixe comigo, doutor... – Bulma disse, agora sentindo-se autorizada a pô-lo de repouso à força. – até estar bom, nada de trabalho!
Ela cruzou os braços e ele fez uma carranca emburrada. O médico olhava de um para o outro, tentando entender o que queria dizer aquilo quando Vegeta disse:
– Dê meu telefone, vou ligar para o Kakarotto para que ele assuma por mim até semana que vem...
Ela sorriu, triunfante, enquanto pegava as prescrições do médico e se preparava para realmente cuidar de Vegeta.
Nos dias seguintes, ele foi forçado por ela a repousar e esquecer o trabalho, mesmo quando já não estava mais de cama. No quarto dia, quando a gripe parecia recusar-se a ir embora, ele ficou por horas deitado e sentiu-se feliz quando acordou, depois de um cochilo febril e a viu sentada, cochilando, perto de sua cama. Ergueu o corpo na cama e chamou-a
– Bulma?
Ela despertou, apavorada e disse:
– Precisa de alguma coisa?
– Não. Mas acho que você está desconfortável aí. Já me sinto melhor. Vou tomar um banho, ok? Faça o mesmo. Você precisa relaxar.
Estava anoitecendo. Vegeta, que não havia sido massageado aqueles dias, sentia falta do toque dela em seu corpo. Tomou um banho mais para frio, para baixar a febre e o mal-estar, e colocou um moleton mais leve, então foi para a sala e a viu observando a sua guitarra fender preta, que sempre ficava encostada no pedestal.
– Apreciando a obra de arte que é essa guitarra? – ele perguntou.
– Na verdade sinto falta de te ouvir tocando, embora eu nunca tenha visto de perto, você sempre espera que eu vá dormir para cantar – ela sorriu.
Ele sorriu de volta e disse:
– Não saia daí, então.
Ele foi até o quarto e pegou um instrumento bem mais antigo que sua guitarra. Um violão Gibson, com sua caixa acústica escura, envernizada num tom brilhante, e suas cordas de aço que tiravam um som perfeito, profundo. Ele foi até diante dela, que estava sentada no sofá. Talvez por ter passado o dia com febre e então sentir-se melhor, ele havia tomado coragem para realmente cantar para ela uma canção que para ele significava muito, que ele amava. A música preferida de sua mãe, que ele aprendera a tocar aos 14 anos por causa dela.
Sentado em sua cadeira de rodas, diante dela, que estava sentada no sofá com os dois pés descalços e os joelhos fletidos, quase em posição fetal, ele ajeitou o violão no colo e o afinou, antes de começar a cantar:
When I find myself in times of trouble, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be
And in my hour of darkness she is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be
Os olhos de ambos se encontraram. Ele queria dizer para ela deixar estar... e permitir que ele se aproximasse dela, como ele queria tanto. E cuidar das feridas de alma que ele sabia que ela tinha, que a tornavam uma mulher tão forte e ao mesmo tempo tão insegura.
And when the broken hearted people living in the world agree
There will be an answer, let it be
For though they may be parted, there is still a chance that they will see
There will be an answer, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
There will be an answer, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
Whisper words of wisdom, let it be
Let it be, let it be, let it be, let it be
Era como se aqueles versos falassem deles dois, e ele sabia que ela percebia, pessoas com corações partidos, inseguros, que precisavam de um tempo para si, uma chance... e ele apenas queria deixar estar, deixar que acontecesse. Vegeta cantava de olhos fechados sentindo a música e seu significado mais profundo aproximando-o dela.
Whisper words of wisdom, let it be
And when the night is cloudy there is still a light that shines on me
Shine until tomorrow, let it be
I wake up to the sound of music, Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be
Let it be, let it be, let it be, yeah, let it be
There will be an answer, let it be
Let it be, let it be, let it be, yeah, let it be
Whisper words of wisdom, let it be
Ele terminou de cantar, e abriu os olhos, encontrando as íris azuis mirando-o com uma expressão intrigada. Havia o violão entre eles, e ele não podia levantar-se, ou puxá-la para si. Bulma então disse apenas:
– Vegeta... eu ainda não posso...
Ela correu para o quarto de hóspedes, sentindo as lágrimas se formando. Ela não conseguia entender o que havia de errado com ela, ainda. Vegeta cuidava tanto dela quanto ela cuidava dele... mas ela tinha medo. Tinha medo daquele sentimento que brotava dentro dela e ela não poderia controlar.
Na sala, Vegeta deu um suspiro frustrado. Talvez tudo estivesse perdido.
Os dias se passaram e ele, depois de repouso e tratamento, ficou bem, tão bem que tomou uma decisão. Era radical, mas era algo necessário. Iria doer profundamente nele, mas ele precisava saber... ele precisava saber se ela iria até ele.
– Bulma – ele disse, sério – preciso te comunicar que vamos mudar algumas coisas, mas seu emprego e salário não vão ser afetados.
– O que foi, Vegeta?
– Eu decidi voltar a trabalhar na torre de marfim, sede da empresa.
– Ah, Vegeta... isso é ótimo!
– Como minha fisioterapia vai bem, como eu vou passar a ter uma vida menos parada... o doutor Piccolo disse que eu só vou precisar de uma massagem por dia. Ela não precisa ser feita necessariamente aqui, pode ser lá na própria torre... e eu não acho que seja mais necessário que você fique a minha disposição como está agora...
Bulma sentiu o chão sair de baixo dos pés dela. Ele a estava dispensando?
– Você quer que eu vá... embora?
– Não, não é isso. Você vai continuar trabalhando para mim, mas no gabinete médico da holding. Eu verifiquei e há uma vaga para você, você vai ter um trabalho mais interessante e dentro da sua área de atuação. E a única obrigação que você terá diretamente comigo será a massagem no fim da tarde, lá mesmo. Vai ser melhor para você, para sua carreira...
– Vegeta... eu...
– O plano de saúde, os benefícios, tudo será igual. E eu estou disposto a aumentar seu salário. Vai ser bom, Bulma – ele a encarou –para nós dois.
Bulma ficou encarando-o, sem saber o que dizer. Por um instante, pensou em se demitir, mas então foi tomada pelo entendimento sobre o que Vegeta queria. Eles tinham estado tão próximos, e nada havia acontecido entre eles. Ela o havia repelido, com todas aquelas desculpas, mas, afinal, por puro medo. A atitude dele não era mesquinha, forçada ou imatura... Ele queria evoluir, não queria mais ser um homem acuado e preso no seu aquário, protegido de tudo. E não queria pressioná-la a gostar dele porque não via mais nada, porque estavam os dois presos ali. Ela o compreendeu na mesma hora e entendeu o papel que deveria desempenhar, fazendo sua parte:
– Ok, Vegeta. Eu aceito, vai realmente ser bom para mim, para minha carreira. Mas sem estar mais à sua disposição... Você prefere que eu me mude?
– Apenas se você quiser. Eu sei que você entregou seu apartamento, mas se quiser um canto só para você, aqui no prédio eu consigo um loft muito bom para você, sem custo algum, como moradia funcional. O prédio é meu, lembra-se?
Ela o encarou e ele baixou os olhos.
– E se você sentir minha falta, se quiser me ouvir tocar guitarra ou mesmo bater papo... é só pegar o elevador e subir alguns andares, Bulma.
Ela pensou e passou a achar boa, confortável aquela distância. E, sem medo do que poderia acontecer, aceitou o acordo.
A volta de Vegeta à presidência in loco da holding foi uma mudança sentida por todos, menos por Goku, que já lidava diretamente com ele. Agora confiante e adaptado, Vegeta voltara a ser um tubarão corporativo forte e influente e um chefe bastante temido. A cadeira de rodas era um mero detalhe, e ele voltou, naquele mesmo mês, a estampar uma capa de revista de negócios por conta do sucesso da aquisição de outra empresa para a holding naquele ano.
Com o novo emprego, Bulma cortou seus cabelos bem curtos e pensou que aquele era o fim de um processo, de uma metamorfose. Agora ele se sentia livre e renovada, e, mesmo morando sozinha num pequeno apartamento sete andares abaixo da cobertura, ela se sentia mais próxima que nunca dele.
O ano se esvaía rapidamente. Ela e Vegeta se encontravam diariamente, em horários pré-agendados por ele para a massagem, que era feita às vezes de manhã, às vezes a tarde. Ele tinha razão quanto ao fato de não haver tédio no gabinete médico, mas também muito trabalho burocrático, como exames de laudos e dispensas médicas.
À noite, mais de uma vez Bulma sentiu vontade de subir até o apartamento dele, mas o que ela diria? Que sentia falta dele? Que queria ouvi-lo tocar e cantar para ela com sua voz rouca? Que descobrira finalmente que também estava apaixonada por ele porque sentia falta dele e pensava nele diante de pequenas e grandes coisas?
O restaurante novo de Chichi foi inaugurado. Vegeta dias antes perguntou a ela se queria que ele a levasse na inauguração, afinal, moravam no mesmo prédio. Ela aceitou, e sentiu seu coração pular quando o viu, usando um terno e sem gravata, diante da porta do seu loft pedindo:
– Pode fazer meu nó de gravata?
Ela riu. Ele usava um terno all black, com uma camisa grafitte e gravata no mesmo tom do terno, um preto profundo. Quando acabou de ajeitar a gravata dele, deixou escapar, naturalmente:
– Você está bonito, Vegeta.
– E você, linda.
Foram juntos, no banco traseiro de um carro de luxo, porque ele ainda não se sentia 100% seguro para dirigir à noite, conversando banalidades. Uma vez no restaurante, Chichi conseguiu uma mesa para eles num canto reservado, bem romântico. Os dois se olhavam, sem saber direito o que pensar ou dizer.
– Está lindo esse restaurante – ela disse.
– Eu o projetei – disse Vegeta – foi meu presente de casamento para os desmiolados.
Ela riu e ele perguntou:
– Vai comigo, ao casamento?
– Vou – ela disse, séria. – se você não tiver companhia.
– Você sabe que eu não quero outra companhia – ele disse.
Os dois tinham longos silêncios como aquele, em que se olhavam e pensavam no que dizer. Ela respondeu:
– Nem eu quero outra companhia.
– Vai passar o Natal onde? É daqui a uma semana – ele perguntou.
– Meus pais – ela suspirou – minha irmã vem de Satan City e eles esperam que eu fique ao menos até o ano novo lá. Vou ficar, fazer o que?
Os dois riram, e foram rindo no carro até em casa. Quando subiram no elevador, juntos, e o elevador parou, sete andares abaixo da cobertura. Ela disse:
– Foi uma noite incrível, Vegeta.
– Para mim também.
Ela debruçou-se sobre ele, para beijá-lo no rosto e ele virou o rosto e segurou seu queixo, antes de beijá-la na boca, docemente. Bulma correspondeu, e foi um beijo suave e sentido, cheio de ternura e amor, mas ele disse, de repente, quase num sussurro.
– Bulma... eu... acho que ainda não estou pronto para mais do que isso.
Ela o encarou. Havia insegurança nos dois, apesar da óbvia paixão que os unia. Ela disse então, amorosamente:
– Você tem o tempo que precisar. Beijou-lhe então a boca, de leve e levantou-se, entrando no apartamento e encostando-se na porta, respirando acelerada e pensando em tudo que acontecera naquela noite.
Andares acima, Vegeta entrou no seu apartamento e pensou, olhando para a solidão em branco e preto do seu aquário de luxo, que havia sido bom, afinal de contas, dar tempo ao tempo para que as coisas acontecessem.
E o tempo agora talvez estivesse do lado de ambos.
Notas:
Oi, gente, tudo bem? Aqui é a Aline dizendo que é sempre muito divertido irritar a gabiplinchevisk fingindo que não postarei a fic na sexta feira como de hábito e depois vê-la parindo gatinhos de felicidade quando lê a fic... Faltam apenas 4 capítulos para o final.
Finalmente teve beijo, viram?
Agorafobia, medo de lugares abertos, é comum em pessoas com síndrome do pânico que tiveram o primeiro ataque ao ar livre.
A música "Let it be", de Lennon e McCartney, foi composta para o álbum de mesmo nome, o derradeiro da carreira dos Beatles e lançada alguns meses antes do nascimento dessa que vos fala, em 1970. A versão mais famosa, na voz do Paul: watch?v=QDYfEBY9NM4. Embora meu Beatle favorito seja desde sempre o George, eu amo o tom tranquilo e otimista dessa música. Se está triste, deixe estar. Haverá uma resposta.
A tradução de Let it be:
Deixe Estar
Quando me encontro em momentos difíceis
A Mãe Mary vem até mim
Dizendo palavras sábias
Deixe estar
E nas minhas horas de escuridão
Ela está em pé bem diante de mim
Dizendo palavras sábias
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Sussurrando palavras sábias
Deixe estar
E quando as pessoas de coração partido
No mundo concordarem
Haverá uma resposta
Deixe estar
Pois embora possam estar separados
Eles verão que ainda há uma chance
Haverá uma resposta
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Haverá uma resposta
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Sussurrando palavras sábias
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Sussurrando palavras sábias
Deixe estar
E quando a noite está nublada
Há ainda uma luz que brilha sobre mim
Brilhando até de amanhã
Deixe estar
Acordo com o som da música
A Mãe Mary vem até mim
Sussurrando palavras sábias
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Haverá uma resposta
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Haverá uma resposta
Deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Deixe estar, deixe estar
Sussurrando palavras sábias
Deixe estar
