Capítulo 2
Boa Leitura!!!
Já passava da hora do almoço quando Bella voltou para o apartamento.
Ao entrar, ficou paralisada por um momento, sem entender muito bem o que havia acontecido. O apartamento estava arrumado quando ela saiu de casa, mas agora estava um verdadeiro caos. As almofadas do sofá estavam reviradas.
Havia duas xícaras de café pela metade sobre a mesa e uma garrafa vazia de vinho, logo ao lado, no chão. Ela pôde ver, pela porta entreaberta, que o quarto de Jéssica estava naquele mesmo estado.
Bella ainda estava parada, com a cara amarrada, olhando para toda aquela bagunça, quando seu celular começou a tocar novamente. Colocou as sacolas de compras no chão, e quando atendeu, era Ângela, a gerente da empresa de turismo para a qual ela e Jéssica trabalhavam. Ela procurava Jéssica.
— Ela não apareceu para trabalhar hoje — disse Ângela. — Você tem alguma ideia de onde possa estar? Ela não está atendendo o celular e ninguém atende o telefone de casa também.
Ao olhar à sua volta, Bella imaginou que Jéssica devia ter recebido uma visita inesperada, mas ela não entregaria sua amiga assim para a chefe.
— Saí de casa antes de Jéssica, hoje de manhã. Não faço ideia de onde ela possa estar. — O que não era mentira. — Ela não ligou avisando que não poderia ir trabalhar hoje?
— Não. — A voz da gerente estava firme. — E ela me deixou com um grupo de turistas. Esta é a terceira vez em duas semanas que me deixa na mão.
Terceira vez? Os olhos de Bella arregalaram-se, surpresos. Ela não sabia que Jéssica estava faltando ao trabalho.
— Sei que ela tem sofrido por causa de um dente siso. — O que era verdade. Jéssica estava reclamando muito, mas ficava apavorada só de ouvir a palavra dentista. — Talvez tenha decidido ir ao dentista.
— E talvez os porcos possam voar — retrucou Bianca. — Aposto que é por causa desse homem com quem ela está saindo.
Homem?
— Que homem? — Pelo que ela sabia, Jéssica não estava saindo com ninguém no momento.
— Não banque a inocente, Bella — acusou Ângela. — Você deve saber tudo sobre o homem casado com quem ela está saindo. Se ela tiver alguma coisa dentro da cabeça, vai desistir dele antes que a empresa desista dela. Meus guias não podem ficar faltando ao trabalho dessa forma. Isso acaba comigo...
Bella parou de ouvir o que ela dizia, e estava tão confusa com o que acabara de ouvir que teve que se sentar. Ela conhecia Jéssica desde a época da faculdade, e Bella sabia que ela era rebelde e que deixava o coração falar mais alto que a cabeça, mas Jéssica contava praticamente tudo para ela, por que não havia comentado nada sobre esse novo homem?
Um homem casado? Ângela devia estar enganada, pensou ela, se Jéssica estava tendo um caso clandestino e faltou ao trabalho para ficar com ele, ficaria em casa, onde não seriam vistos juntos.
— Eu posso substituí-la hoje se você quiser. — Ela interrompeu o que Ângela estava dizendo e olhou para o relógio. — Ainda dá tempo de eu chegar até aí.
— Tem certeza de que não se importa? Hoje é seu dia de folga, de ir procurar seu vestido. Não é justo...
— Já comprei o vestido — respondeu Bella, olhando para a caixa chique na qual ele estava embalado. — Estarei aí o mais rápido possível.
— Você é mesmo um anjo, Bella! — disse Ângela aliviada. — Bem diferente da sua amiga maluca!
Elas desligaram o telefone. Bella ainda ficou parada, imaginando o que havia acontecido com aquele dia. Tinha começado tão bem! Ela estava tão feliz, tudo estava tão perfeito!
Até encontrar Edward Cullen, pensou ela, sentindo um arrepio. A partir do momento que o encontrou, nada mais deu certo. Começou a receber telefonemas que a irritaram, a sentir arrepios, ficou horas procurando um vestido. E agora Jéssica havia sumido. Ela se lembrou que Jéssica havia telefonado de manhã e, o que era bem típico dela, devia querer perguntar se ela não poderia substituí-la no trabalho, mas, logo em seguida, começaram a discutir sobre Jacob... E agora ela havia descoberto que Jéssica vinha mentindo para ela, ou melhor, estava escondendo certas coisas dela, parecia mais justo colocar dessa forma.
Mas ela não queria ser justa. Como também não queria ser um anjo, ou ter de aturar sua melhor amiga falando mal de Jacob ou ouvir que ela parece ser uma mãe. Ela ficou ainda mais irritada.
Inclinou-se para recolher as xícaras de café, mas parou logo em seguida. Arrumar a bagunça de Jéssica seria algo que sua mãe faria.
— Que saco! — gritou naquele apartamento minúsculo. Algo que sua mãe nunca faria. E ela nunca perdia a paciência.
— Que saco! — repetiu antes de ir guardar as compras. Sua mãe já havia morrido, e Bella não queria ler pensamentos ruins a respeito dela. Muita coisa ruim já havia acontecido a Renne Swan quando viva, pensou, enquanto pendurava o vestido novo.
Sua mãe fora a linda Renne Volturi, filha única de Aro Volturi, um homem que administrava sua família com mãos de ferro. Ele havia feito planos para sua única filha mapeando cuidadosamente todo o futuro dela antes mesmo de ela nascer. E mais tarde Renne frustrou esses planos ao se apaixonar por um inglês libertino e ingrato chamado Charlie Swan, que estava de olho na herança dela. Em apenas um mês ele a engravidou, e obteve a permissão do pai dela para que se casassem, antes que Aro os expulsasse. Charlie levou Renne para a Inglaterra.
Ele estava certo de que seu sogro acabaria cedendo e os perdoaria, especialmente após o nascimento do neto, que ele sempre quisera ter e que Renne logo lhe daria. Mas Renne esperava uma menina, o que não agradou nem ao pai nem ao avô da criança.
Logo após o nascimento, Charlie abandonou Renne, com o bebê nos braços. Um ano após a separação, Charlie casou-se novamente, com outra mulher rica e tola.
Para a mãe de Bella, o divórcio não era apenas uma grande humilhação, mas também um grande pecado. Ela nunca perdoou o pai por não a ter perdoado. E os três nunca mais voltaram a se falar. Aro Volturi morreu quando Bella contava dez anos de idade, sem nunca ter sabido que tinha uma neta. Ela não o conheceu nem conheceu o pai, que morreu mais ou menos na mesma época, o que era bastante irônico.
Só depois de um ano da morte de sua mãe ela decidiu ir para Roma, procurar seu único parente vivo, embora sua consciência pesasse um pouco porque sabia que sua mãe nunca aprovaria tal comportamento. Mas ela se sentia solitária, e por que continuar assim sabendo que havia um tio em Roma que poderia recebê-la de braços abertos.
Não. Bella não queria absolutamente nada de Marcus Volturi Nem seu dinheiro nem seu amor. E ela não os tinha mesmo, pensou ela com um sorriso amarelo enquanto se secava após o banho. Ela descobrira que o grande tio Marcus era um homem já bastante velho que vivia recluso em seu Palazzo no sul de Roma. Ele não recebia visitas, e não tinha nenhuma sobrinha — ela foi informada por uma carta em sua primeira tentativa de aproximação.
Bella teve que ser insistente para conseguir fazer com que ele a recebesse. Foi um encontro estranho, lembrou-se fazendo uma pausa para resgatar as lembranças daquele primeiro e último encontro com Marcus Volturi. Ele era simpático. Ela gostou dele de cara, embora ele tenha ido logo avisando que se ela estivesse atrás do dinheiro dele era melhor desistir, porque ele já não tinha mais dinheiro. E que aquele Palazzo caindo aos pedaço pertencia ao banco.
Mas ela pôde ver os olhos da mãe dela nos dele — os mesmos olhos castanhos que os dela, olhando-a com curiosidade, como se ele a tivesse rotulado realmente como uma aproveitadora. Ela se lembrou que sentiu muita vontade de abraçá-lo, mas não ousou fazê-lo. Apesar da idade, a pele dele não era nem um pouco enrugada. Ela sorriu enquanto vestia o uniforme, um vestido vermelho com toques de amarelo e verde. Ela lhe contou sobre sua vida e a de sua mãe, em Londres. Falou sobre os colégios em que havia estudado e sobre seu curso superior. Contou também que estava trabalhando como guia de turismo em Roma e dividindo um apartamento com uma amiga que conhecera na faculdade. Ele escutou tudo sem interrompê-la. Quando ela finalmente parou de falar, ele fez que sim com a cabeça, e chamou a empregada para acompanhá-la até a porta, dizendo as seguintes palavras: "Faça bom proveito da sua vida, signorina."
Por estas palavras ela entendeu que ele não tinha a menor intenção de vê-la novamente. Mas isso não a impediu de continuar se correspondendo com ele. Ela continuou a lhe mandar pequenos bilhetes, todas as semanas, contando o que estava fazendo.
Quando ela conheceu Jacob e se apaixonou por ele, tio Marcus foi a primeira pessoa a saber, depois de Jéssica, claro. Ela nunca recebeu resposta nem sabia se ele chegava a ler realmente seus bilhetes. Quando ela contou a Jacob sobre isso, ele riu muito, porque coincidentemente Marcus Volturi morava bem perto da casa de campo dos pais dele.
— Se sua mãe tivesse sido criada com ele, nós teríamos crescido juntos. Seríamos os melhores amigos na infância, provavelmente.
Ela gostou da ideia. Deu à história deles um ar de "era para acontecer" que nem mesmo seu avô pôde impedir. Nas poucas vezes que ela fora convidada para passar o final de semana na Villa Black, na área Frascati de Castelli Romani, ela deixava um bilhete para seu tio, pois ele poderia convidá-la para uma visita. Mas isso nunca aconteceu. Ele nem respondeu ao seu convite formal de noivado, lembrou-se.
Se aquilo a magoava? Um pouco, confessou. Mas, como Jacob dizia, a persistência normalmente vence, no final das contas.
— Talvez ele acabe indo ao nosso casamento.
E talvez ele fosse, pensou ela esperançosa enquanto trancava o apartamento, e andava em direção à rua iluminada. Mesmo tendo se decepcionado com o tio, ela não se arrependia por ter se mudado para Roma. Falava italiano fluentemente agora, aprendera muito sobre a história de Roma. Adorava o trabalho de guia, amava sua vida e, claro, amava muito Jacob.
Dessa vez o trânsito no Corso estava uma loucura. Seria um longo dia. A cidade estava começando a ficar lotada de turistas. Quando voltou ao apartamento, mais tarde, estava tão cansada que só queria saber de tomar um banho e colocar os pés para cima.
A primeira coisa que percebeu foi o apartamento todo arrumado, e depois viu Jéssica deitada no sofá vestindo seu roupão de banho, e parecia bastante desconfiada.
— Antes que você comece o interrogatório: foi por causa da dor de dente — disse ela antes que Bella pudesse dizer qualquer coisa. — Piorou muito depois que falei com você hoje de manhã, e fui correndo para o dentista. Bella não acreditou nela. — Está doendo muito agora que o efeito da anestesia passou. Mais ainda depois que ele mexeu no meu dente — gemeu ela.
— Quem tocou o quê?
— O dentista, claro — afirmou Jéssica.
Ela suspirou ao constatar que não ganharia solidariedade nenhuma, seus olhos azuis olhavam para as roupas de Bella.
— Desculpe-me, Bella. Estraguei seu dia, não foi?
Os dedos de Jéssica agora tocavam seu queixo levemente inchado.
— Você parece acabada! — observou ela. — Dói tanto assim?
— Dói demais! — Seus olhos encheram-se de lágrimas. — Vou ter que voltar lá na semana que vem. Preciso assistir a uma palestra sobre o problema.
Bella não pôde evitar rir. Jéssica odiava palestras.
— Você bateu nele ou algo assim? —perguntou ela.
— Antes tivesse! Ele colocou um monte de coisas na minha boca, e estava com a broca na mão o tempo todo.
— Coitada de você...
— Mm... — Jéssica gostou do comentário. — Você comprou seu vestido?
—E você pôde segurar a mão do seu novo homem misterioso enquanto estava na cadeira do dentista?
Jéssica olhou para cima e depois desviou o olhar sentindo o rubor nas bochechas.
— É melhor nem perguntar porque não vou lhe contar nada.
— Então ele é casado — concluiu Bella.
— Quem lhe falou isso? — Jéssica ficou chocada.
— Ângela.
Ela parece saber bem mais do que eu sobre sua vida amorosa. Ainda estava triste com aquilo, e pôs-se a andar em direção ao quarto.
— Desculpe-me, Bella, mas não posso lhe falar nada sobre ele. É complicado demais. E Ângela só sabe sobre ele porque me ouviu falando com ele no telefone uma vez no escritório.
— Mas ele é casado? — Ela se voltou para a amiga.
Jéssica olhou para baixo, cerrando os lábios. Teve vontade de lhe dizer o quão tola estava sendo, mas lembrou-se da conversa em que Jéssica disse que ela parecia uma mãe falando e achou melhor não dizer nada e ir para o quarto.
— Vou trocar de roupa — disse ela. — Vou encontrar o Jacob daqui a uma hora.
— Não vai não.
Ela se virou mais uma vez.
— Como assim?
— Ele ligou há alguns minutos e disse que ainda está em Milão e que só voltará amanhã. — Por alguma razão, suas bochechas voltaram a ficar ruborizadas.
Os olhos de Bella estreitaram-se, desconfiados.
— Vocês brigaram de novo?
— Não — negou Jéssica.
— Então, por que esta cara de quem está se sentindo culpada?
— É, nós discutimos um pouco — afirmou Jéssica.
— E por que ele não ligou para o meu celular para dizer isso?
— Ele disse que você não estava atendendo.
Bella começou a procurar o celular na bolsa, e percebeu por que ele não havia conseguido falar com ela. Na pressa de sair de casa na hora do almoço, acabou deixando o telefone na outra bolsa.
— Idiota — disse a si mesma indo para o quarto para pegar o celular e ligar de volta para Jacob.
Jéssica a havia seguido, e estava parada na porta com uma expressão muito estranha no rosto. Bella não soube dizer muito bem que cara era aquela.
De ansiedade, talvez? Ou apenas dor de dente?
— Você está bem, Jéssica? Você está vermelha! — Ela colocou a mão sobre a bochecha de Jéssica e ficou surpresa ao ver o quão quente estava. — Sei que você vai me chamar de mãe de novo, mas por que não vai para a cama enquanto preparo um chocolate quente para você?
Foi aí que ela começou a chorar, aqueles olhos azuis transformaram-se em uma piscina em um rosto de uma beleza tão clássica que não era de se surpreender que ela havia chegado a ser testada por um diretor de cinema certa vez.
— Não se preocupe comigo, Bella. — murmurou ela.
— Eu amo você. — Bella sorriu passando a mão nos cabelos longos da amiga. — Por que não deveria me preocupar com você?
— Porque não mereço. Sou péssima amiga.
— Só porque eu deixo você ser.
— É... — concordou Jéssica parecendo estar arrasada.
O telefone tocou, interrompendo aquele momento. Jéssica foi para a sala atender, e logo em seguida chamou Bella.
— Oi, meu amor. — Era Jacob, com uma voz cansada. — Você não atende o telefone porque não quer falar comigo?
— Não estava com o celular na hora em que você me ligou, seu bobo — disse ela, os olhos acompanhando Jéssica, que foi para o quarto.
No momento em que Jéssica fechou a porta, a voz de Bella suavizou-se.
— Que pena que você teve que ficar em Milão.
— Pois é — concordou ele. — Daqui a pouco vou jantar com alguns colegas do trabalho em vez de ter um jantar romântico com você — observou ele com tristeza.
Ele suspirou.
— Mas chega disso. — Ele resolveu levantar o astral. — Conte-me como foi o seu dia.
— Os meus planos foram por água abaixo assim como os seus, hoje. — Ela começou a lhe explicar, omitindo o encontro daquela manhã no sinal fechado, e censurando alguns dos acontecimentos relacionados a Jéssica. — Mas pelo menos consegui achar um vestido para sábado — disse ela.
Para sua surpresa, ele não fez nenhum comentário maldoso com relação à dor de dente de Jéssica. Na verdade, ignorou que o nome dela havia sido mencionado, e começou a falar sobre o vestido. Ela se recusou a lhe contar os detalhes do vestido, e ele começou a fazer piadinhas, o que era bem típico do homem que ela amava. Ele teve que desligar.
Então, ela desligou o telefone sentindo-se amada e envolta no calor dourado de Jacob. Jéssica não saiu mais do quarto naquela noite. Bella entrou no quarto algumas vezes para checar se ela estava bem.
Na manhã seguinte, ela já estava bem melhor, e sentia-se pronta para encarar a fúria de Ângela. Elas passaram pelo Corsocada qual com sua Vespa, e ambas vestidas com o uniforme vermelho.
Tinham um dia cheio pela frente. Jacob ligou na hora do almoço, para dizer que ficaria em Milão por mais uma noite. Era sexta-feira, e no dia seguinte eles viajariam juntos para Alban Hills, mas os planos tiveram que ser adiados.
— Falei com meus pais para que eles a levassem — disse ele.
Não era uma proposta muito prazerosa. Ela havia descoberto logo no começo do namoro com Jacob que os pais dele não eram o tipo de pessoa que a receberiam sempre de braços abertos. Ela suspeitava não ser a mulher que eles sempre quiseram como esposa para Jacob, seu filho único e precioso, e se não fosse pela ligação dela com o nome Volturi, ela achava que eles seriam contra o casamento dos dois.
Uma vez a senhora Black fez um interrogatório sobre a mãe de Bella, e deixou-a surpresa ao confessar que estudara na mesma escola que Renne Volturi.
— Você se parece muito com ela, tirando o cabelo — disse ela. —O cabelo de Renne era totalmente loiro. Sinto muito que ela tenha tido uma vida tão difícil, Isabella. Espero que se casando com meu filho você tenha uma vida muito mais feliz.
E foi mais ou menos isso. A senhora Black foi quem mencionou a ligação com os Volturi, para o bem de Bella, que não gostava de tocar no assunto. A viagem com os pais de Jacob não foi tão ruim assim. Eles podiam não a tratar de maneira calorosa, mas também não eram frios. Ela amava Jacob, eles também amavam Jacob, e isso era o que os aproximava.
Eles estavam quase chegando quando a mãe de Jacob queixou-se de ele ter tido que ficar em Milão logo naquela semana.
— É culpa dele mesmo — rebateu o marido dela sem a menor solidariedade. — Jacob já devia ter aprendido que não deve chegar atrasado quando se trata de trabalho.
— Mas ele não chegou atrasado de propósito. Ele acabou dormindo demais e perdeu o avião — defendeu a mãe dele.
Ele perdeu o avião? Ela não sabia disso.
— E como alguém perde um avião? — observou o pai. — Não interessa o que ele andou fazendo na noite anterior, ele tinha que chegar no aeroporto na hora marcada.
No assento de trás do carro Bella mexeu-se, chamando a atenção do pai de Jacob pelo retrovisor.
— Desculpe-me Isabella. — disse ele. — Não é uma crítica ao horário que vocês voltam para casa, mas sim ao fato de Jacob não conseguir sair da cama na hora que precisa.
Ela ficou ruborizada ao perceber o que ele estava imaginando. Mas não era verdade. Ela não tinha visto Jacob na noite anterior à viagem dele para Milão. Inclusive, ele tinha dito que não queria dormir tarde porque seu voo era pela manhã bem cedo.
— Não podemos brincar assim com um homem como Edward Cullen. As negociações com ele são importantes para nós — disse ele, olhando para a estrada, o que o impediu de ver como o rosto de Bella que de vermelho ficou totalmente pálido só com a simples menção do nome Edward Cullen.
A atenção do senhor Black foi desviada por algum comentário baixinho feito por sua mulher, que Bella não conseguiu escutar. Mas também não fazia a menor diferença, porque ela já não estava escutando mais nada mesmo. Ela estava pensando em Edward Cullen e naquela manhã horrorosa em que ela o encontrou.
Ele devia estar indo encontrar com Jacob no aeroporto, mas nem mencionou o fato, pelo contrário, ainda deu em cima dela. Ela se sentiu inquieta novamente, sentindo aquele mesmo arrepio na pele.
O que fazia com que um homem como ele, sabendo o que sabia sobre ela, ainda assim desse em cima dela daquela forma? Arrogância? Uma crença suprema de que tinha todo o direito do mundo de brincar com a mulher de outro homem simplesmente para se divertir? Se ela tivesse aceitado tomar um café com ele, será que ele começaria a rir e iria embora feliz por ter conseguido seduzir a mulher de outro cara? Ou será que estaria disposto a perder o voo por causa de um café com ela no Café Milão?
Ai, pare com isso, pensou ela. E o Jacob, pensou ela, tentando fixar-se no que era importante ali. Por que será que ele não contou que tinha perdido o voo? Será que ele achou que isso poderia abalar a imagem de herói, de homem responsável que ela fazia dele?
Ela sorriu, pensando que ele já deveria saber que ele sempre seria um herói para ela, não importa o que acontecesse. Eles chegaram. O lugar era cercado de ciprestes bem altos.
A casa não era muito grande, mas não deixava nada a desejar em termos de extravagância renascentista. Ao saírem do carro e pisarem naqueles degraus de mármore, Bella quase pôde sentir o orgulho dos Black por aquela propriedade, e imaginou novamente como aquele orgulho todo lidaria com o fato de Jacob querer se casar com uma mulher simples como ela. Eles herdariam tudo aquilo um dia e, depois, seus filhos. Havia muitos empregados na casa. Só tiveram tempo para uma xícara de café, antes de se dispersarem cada um com seus afazeres.
O pai de Jacob foi para a adega; a mãe, para a cozinha; e Bella ficou vagando, ajudando com uma coisa e outra. Às duas da tarde já não havia mais nada que ela pudesse fazer. Jacob ainda estava em Milão, e os pais dele estavam descansando.
Ela decidiu escrever um bilhete para o tio. Nunca se sabe, pensou ela indo entregar-lhe o bilhete, pode dar certo desta vez. A caminhada conduziu-a por estradas estreitas e sinuosas, com árvores cheias de flores lançando pétalas no chão e com raios de sol passando por entre seus galhos.
Era um lugar muito bonito, e ela ficou admirando tudo aquilo, que mais parecia um cartão-postal da Itália. Meia hora depois ela estava de pé diante de um portão rústico, olhando para uma casa e para um jardim que fariam a mãe de Jacob ficar horrorizada.
O lugar estava caindo aos pedaços, a fachada do Palazzo se descascando toda e o telhado parecia prestes a ruir. Ela ficou parada ali por um momento, olhando para o lugar como se fosse uma criança que tivesse sido proibida de entrar. Não pensou em abrir o portão e entrar. Sabia que precisava respeitar a vontade do tio.
Em seguida, retirou o bilhete do bolso da jaqueta e colocou-o na caixa de correio. Ao fazer isso, imaginou o bilhete caindo sobre todos os outros bilhetes que depositara ali, e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto enquanto se virava para ir embora.
Com a cabeça baixa, os ombros encurvados naquela jaqueta jeans justa que combinava com a calça do mesmo material, ela estava prestes a começar a caminhada de volta quando viu um carro esporte vermelho bastante familiar parado do outro lado da estrada e o motorista ao volante.
Ai, não. Ele, não!, foi o que ela pensou ao se olharem, a poucos metros de distância. Ele também vestia jeans, mas um bem escuro, e um casaco azul de cashmere justo que mais parecia uma segunda pele.
Chocada, ela olhou para o rosto dele. Ele estava sorrindo — ou permitindo que sua boca atraente se curvasse ironicamente. E ele parecia analisá-la da mesma forma que ela o analisava, percorrendo as pernas longas dela vestida com aquele jeans justo até chegar ao seu rosto.
— Olá! — cumprimentou ele de forma muito íntima, fazendo com que ela lhe desse um banho de água fria logo em seguida.
— O que você está fazendo aqui? — perguntou ela sem nem tentar ser educada.
— A gente sempre se encontra nos lugares mais estranhos, não é verdade? —afirmou ele. — Você não acha, querida, que talvez sejamos vítimas do destino?
Com certeza!! Quero um homem desses pra mim! Kkkkkk e eu não suporto o Jacob nessa história, só não digo o porquê! Rsrs vcs descobriram! Entãoooo comentem meninas e até o próximo capítulo! Bjimmm!!!
