Capítulo 3
Boa Leitura!!!
Destino, Bella repetiu consigo mesma, ela conhecia o poder do destino. Foi o destino que manteve ela e Jacob juntos. E ela se recusava a acreditar que o encontro de hoje, ou o do sinal de trânsito, teria alguma coisa a ver com o destino. Foi aí que ela se lembrou da festa de hoje à noite, e de que aquele homem também havia sido convidado. Ela mesma havia escrito o nome dele no convite: Edward Cullen e acompanhante.
O que a fez pensar em outra coisa, desviando o olhar para o banco do carona do carro dele para ver se havia alguma bela mulher com ele. Era impossível pensar em Edward Cullen sem imaginá-lo acompanhado por uma beldade. Ela achou estranho constatar que não havia mais ninguém no carro.
Quando ela voltou a olhar para ele, encontrou aqueles cílios ainda mais abertos encarando-a.
— Eu viajo desacompanhado às vezes. — disse ele, parecendo ter lido os pensamentos dela.
— O fato de você estar aqui, e não em Milão, significa que se cansou de infernizar a vida de Jacob e permitiu que ele também voltasse? — acusou ela.
Ele riu da tentativa de comentário sarcástico dela, mas ao responder-lhe parecia bastante sério.
— Jacob mereceu tudo o que recebeu de mim, Isabella, não acredite se ele lhe disser o contrário.
— Isso nunca deve ter acontecido com você, não é? Dormir demais e perder a reunião?
— Nem mesmo após uma longa noite com uma mulher linda ao meu lado — respondeu ele. — Embora... — Os olhos dele pousaram no corpo dela. — Embora eu admita que por sua causa valeria pagar pelas consequências.
Ele estava insinuando que ela era a culpada por Jacob ter perdido o voo, percebeu ela, abrindo a boca para negar a acusação, e fechando-a logo em seguida pensando que Jacob poderia ter dado aquela desculpa a ele. Ela não gostou muito daquilo. Fingir que tiveram uma noite de sexo ardente para se desculpar pelo atraso...
Ela chegou a imaginar Jacob em um escritório em Milão contando para os colegas de trabalho algo que deveria permanecer era particular. Se é que isso tinha mesmo acontecido.
— Tenho que ir. — disse ela, querendo acabar com aquela conversa e sair dali o mais rápido possível.
Agora ela estava irritada com Jacob e também com Edward Cullen, por ter deixado maculada a imagem que ela fazia do homem que tanto amava.
— Espere um pouco. — disse ele atravessando a rua em sua direção.
Os ombros dela ficaram tensos, e à medida que ele se aproximava ela ficava mais tensa ainda. Sentiu a mão dele pousar sobre o braço dela, e a pele sob a jaqueta jeans pegou fogo no mesmo segundo. Ela deu um pulo em resposta, mal podendo respirar. Ele a virou para que o olhasse, e ela se viu fascinada ao descobrir que seus olhos batiam na altura da garganta dele.
— Deixei você sem graça. Desculpe-me — murmurou ele enquanto ela observava os músculos da garganta dele moverem-se com as palavras. — Foi grosseiro e insensível da minha parte.
É verdade, concordou Bella. Ele foi mesmo. Só restava saber qual dos dois homens havia sido mais grosseiro e insensível.
— Esqueça. — disse ela, embora ambos soubessem que ela não queria mesmo dizer aquilo.
— Se isso ajuda, ele não chegou a mencionar seu nome.
— O que você quer dizer com isso? — esbravejou ela. — Que ele deixou em aberto? Que poderia estar dormindo com outra por aí? Ótimo, isso ajuda muito. Obrigada.
Ela pôde sentir a raiva que ele estava sentindo, já que o que era para ser uma leve provocação soou como uma ofensa novamente.
— Desculpe-me mais uma vez — pediu ele.
Bella olhou-o furiosa.
— Você deve achar divertido ficar conversando sobre experiências sexuais com os colegas de trabalho, não é? — disse ela. — Homens! Um bando de frangotes se gabando de suas proezas sexuais... — murmurou, sem perceber que tinha dito aquelas palavras em voz alta até ele começar a rir sem parar.
— Pare de rir de mim — mandou ela.
— Então pare de falar essas coisas cômicas — respondeu ele. — Você fala como se fosse uma virgem ofendida.
Mas ela era uma virgem ofendida. Esta era a verdade.
— E você contou para Jacob como deu em cima de mim no Corso aquele dia?
— Não — negou ele. — E você, contou?
— Por quê? Você está preocupado que ele saiba que você deu em cima da mulher dele e quebrou a cara recebendo um não como resposta?
Na verdade, ele estava indiferente. Ela não contaria nada a Jacob. Os olhos dele pareciam ainda mais verdes agora, e uma de suas mãos capturou a mão dela. Seus dedos firmes fazendo pressão contra a jaqueta jeans dela enquanto a puxava para perto.
— Você me disse um não? — perguntou ele. — Ou saiu correndo como um coelhinho assustado porque ficou tão excitada com a proposta que não soube lidar com a situação?
— Não é verdade! — gritou ela horrorizada.
— Quer testar?
Ela leu nos olhos dele o que ele faria em seguida, e respirou fundo. De repente havia algo perigoso no ar, espalhando teias de aranha prateadas de tensão sobre o sol.
Sentindo-se presa em um campo de força que a deixava totalmente sem ar, Bella sentiu uma esperança pequena e patética de que seu tio apareceria para a salvar daquele momento.
Mas não aconteceu. Nenhum senhor vestindo um paletó de veludo cor de vinho apareceu. A luz salpicada do sol da tarde tremia entre os galhos abarrotados de folhas das árvores e das videiras.
Os lábios dela entreabriram-se emitindo um suspiro. Ele se moveu, ela olhou-o novamente sem pensar, e deparou com aquele par de olhos verdes que lhe diziam coisas que ela preferia não saber. E falavam de coisas que ela sentia e que preferia não sentir. Era melhor desviar o olhar.
— Deixe-me ir. — murmurou ela agitada.
Os dedos dele pressionaram novamente a jaqueta jeans dela, e por um momento ela pensou que ele ignoraria o pedido dela e continuaria de onde havia sido interrompido. A garganta dela ficou seca e as lágrimas tiveram vontade de brotar em seus olhos. Até que ele largou a mão dela e Bella deu um passo para trás e começou a se virar, desesperada para ir embora.
— Você conhece Marcus Volturi? — perguntou ele.
— O quê? — Ela piscou, levantando os olhos embaçados novamente para olhá-lo. — N-Não — negou, baixando os olhos rapidamente, não por causa da mentira, mas porque ela não queria que ele visse as lágrimas que ameaçavam brotar nos seus olhos. Ela botou as mãos novamente nos bolsos e virou-se em outra tentativa de sair dali.
— Estranho... — murmurou ele. — Eu podia jurar que a vi colocando uma carta na caixa de correio dele.
Ela congelou.
— Você está enganado. Eu estava apenas admirando o jardim.
— O jardim. — repetiu ele soltando uma leve risada. — Isto não é um jardim. É um verdadeiro caos.
Ele estava rindo dela. Ainda estava rindo dela! Ela o odiava. Odiava muito cada milímetro daquele homem bonito, irônico e sexy.
— Eu gosto deste jardim. —declarou ela. — Gosto do jeito como foi deixado ao natural. Ele tem alma e...
— E é bastante romântico, não é? — interrompeu ele. — Pode-se dizer que ele possui um jeito de perdido no tempo que inspira fantasias secretas. Dá até para imaginar a Bela Adormecida deitada em um desses quartos esperando por seu príncipe.
— Que bobagem — afirmou ela. — Daqui a pouco você vai me dizer que acredita em fadas.
— E por que não? Todos nós devíamos acreditar que há magia no mundo, ou então parar de procurar por ela, o que seria triste, não é verdade? —Ele começou a rir. — Você me lembra uma gatinha muito bonita, mas muito temperamental, Bella. — disse ele. — Toda vez que olho para você quase posso ver os pêlos atrás do seu pescoço se arrepiarem.
— Você não me conhece o bastante para dizer isso — rebateu ela, vendo pelos olhos dele que ele estava gostando da situação. — Você adora me provocar.
— Adoro mesmo — reconheceu ele.
Edward analisava o rosto bonito dela iluminado pelo sol.
— Acredito que se eu lhe oferecer uma carona, você vai recusar.
Ele estava certo, ela recusaria mesmo.
— Não se sinta ofendido, mas prefiro ir andando.
O som da risada áspera que ele deu acabou fazendo com que os olhos de Bella pousassem novamente no rosto dele.
— Esta frase soou tão educada e tão inglesa.
O piadista estava de volta, pensou ela.
— Eu sou inglesa.
— Mm... — murmurou ele, como se tivesse ficado surpreso.
Então a surpreendeu voltando de repente para o carro.
— Como um vento fresco em um dia quente de verão. — disse ele ao se sentar no banco do motorista. — Muito contraditório.
— Obrigada, acho. — Ela fez uma careta.
Edward esboçou um leve sorriso e ligou o motor do carro.
— Verei você mais tarde.— disse ao se despedir.
Bella respondeu apenas com um rosto sem expressão.
— Seu noivado com o Jacob, não é? — disse ele, sendo recompensado quando o rosto sem expressão deu espaço a uma cara triste porque Bella percebeu que havia esquecido completamente o noivado.
Dando-se por satisfeito com o que havia acontecido, ele foi embora, deixando-a na estrada. Bella ficou olhando-o ir embora com o sol batendo em seus cabelos acobreados. Como ela pôde ter ficado tão entretida com ele a ponto de se esquecer completamente que o evento mais importante da sua vida aconteceria naquela noite?
Ela se voltou para o Palazzo do tio novamente, como se toda aquela confusão de sentimentos fosse culpa dele. E talvez fosse!
Ela se virou novamente. Se ele a tivesse recebido de braços abertos, ela não teria que ficar indo colocar bilhetes idiotas em sua caixa de correio. E ela não teria encontrado Edward Cullen, que parecia brincar com ela como se fosse um brinquedinho. E ela não era brinquedinho de ninguém. E também não era fácil. Já era hora de se lembrar disso.
Levantou o queixo pensando quem ele achava que era? Apenas mais um homem, em meio a tantos que acham que as mulheres estão em suas mãos. Ela se pôs a andar sentindo-se melhor agora que havia recuperado o orgulho.
Logo ela pôde avistar a Vila Black com seus muros de mármore branco banhados pelo calor do fim do dia. A diferença daquele lugar para a casa de seu tio era tão assustadora que fez com que Bella parasse por um instante, surpresa por perceber que não gostava daquele lugar tão belo.
Era tudo muito organizadinho, limpinho e rebuscado. Até mesmo os jardins elegantes pareciam impecáveis. Mas era um ótimo lugar para se dar uma festa, admitiu, continuando a andar. Ela estava passando pelo pátio circular quando viu Jacob na porta de casa.
Sentiu uma luz acender-se dentro dela. Ele vestia jeans e uma camisa larga e branca, seu cabelo brilhava ao sol. Ela começou a correr em sua direção, e ele abriu os braços sorrindo enquanto ela corria ao seu encontro. Ela se jogou naqueles braços abertos sentindo o beijo gostoso e familiar dele. Ah, ela amava muito aquele homem lindo, pensou contente.
— Você não faz ideia do quanto senti sua falta. — suspirou ela quando finalmente pararam de se beijar. Foi aí que ela percebeu a expressão de cansaço no rosto dele. — Teve um dia ruim? — perguntou ela suavemente, passando um dedo sob os lábios dele.
— Tive uma semana ruim — desabafou ele. — Nunca mais quero contrariar Edward Cullen.
Bella estava solidária com aquele comentário. Foi aí que ela se lembrou do comentário que ele poderia ter feito a Edward Cullen, e estava prestes a lhe perguntar quando a buzina de um carro chamou a atenção deles. Eles pararam de se abraçar e viraram-se para ver um micro-ônibus chegando com os convidados.
Ela sorriu com a cena, entregando-se novamente aos braços de Jacob enquanto via o ônibus estacionar. Quando a porta abriu-se, os convidados começaram a descer do ônibus. Eram os amigos e os colegas de trabalho de Bella que haviam alugado um ônibus da empresa para irem à festa todos juntos.
Eles passariam a noite em um hotel perto da casa, mas pararam lá para deixar Jéssica. Eram 15 pessoas no total, e todas ficaram com os olhos arregalados ao ver a Vila Black, e fizeram comentários sobre a beleza do local e piadinhas para implicar com Bella e Jacob.
Jéssica foi a última a descer do ônibus. Ela estava usando um vestido simples e branco que deixava boa parte das suas pernas à mostra. Enquanto olhava à sua volta, o sol do fim do dia iluminava seu cabelo castanho.
Ela era realmente muito bonita. Todos diziam isso, menos Jacob. Ele costumava dizer que sua beleza era ofuscada por sua vaidade. Que os elogios deixaram-na metida. O fato de Jéssica achar exatamente a mesma coisa de Jacob comprovava que eram duas pessoas de personalidade muito forte que não combinavam.
Quando Jéssica, finalmente, levantou o rosto e olhou-os, Bella ficou irritada ao perceber a expressão irônica de seus olhos azuis. Ela sabia que Jéssica estava fazendo piada sobre a opulência do lugar. Jacob também deve ter percebido, porque seus braços apertaram-na.
— Uau! Este lugar é incrível! — exclamou um outro convidado. — Por que não o colocamos em nossas listas de atrações turísticas?
— Não deixe minha mãe escutar isso! — respondeu Jacob. — Ou ela o expulsará da casa na mesma hora.
Uma risada geral estourou sob os últimos raios de sol. Uma das muitas coisas que Bella gostava em Jacob era seu humor. Ele podia ser membro da alta sociedade de Roma, mas isso nunca influenciou o jeito como ele tratava seus amigos menos privilegiados. Ele era fácil de se conviver, afetuoso e generoso. E gostava de agradar. Era bem diferente de um certo alguém que Bella conhecia, que não dava a mínima para o que pensavam dele. Alguém que simplesmente fazia o que queria, aborrecendo qualquer um que quisesse e que pouco ligava para as consequências.
Mas Edward Cullen era membro da mais alta sociedade de Roma. O que o diferenciava, e muito, dos outros.
Ai, pare de pensar nesse homem, disse a si mesma, satisfeita por ter a atenção desviada pela massa que voltava a entrar no micro-ônibus. Jacob desceu os degraus para pegar a mala de Jéssica.
Um silêncio caiu sobre o lugar. Jéssica fingia estar interessada no jardim enquanto Jacob carregava sua mala. Em pé, entre os dois, Bella olhou para um, depois para o outro, e suspirou. Ela nunca descobriu de onde vinha aquela antipatia que Jacob sentia por Jéssica e vice-versa, mas percebia que ficava pior a cada dia.
— Vamos entrar? — disse ele educadamente entrando na casa com a mala de Jéssica.
Ficou um clima pesado enquanto elas o seguiam até o hall todo de mármore verde e branco e subiram as escadas, também de mármore branco. Abrindo a porta de um dos quartos, Jacob deu um passo para trás para que elas entrassem. Jéssica entrou e permaneceu de costas para eles. Jacob continuou parado na porta.
— Se eu implorar, vocês acham que conseguem ser gentis um com o outro, hoje à noite? — perguntou Bella.
— Com licença. — disse Jacob. — Meu pai está esperando por mim no escritório.
E se foi, fechando a porta levemente. Jéssica virou-se para olhar para Bella.
— Não me culpe por isso! — disse ela. — Eu nunca fiz nada para ele.
— Sei que não. — concordou Bella. — Peço desculpas por ele.
— Você não precisa fazer isso — disse Jéssica. — Ele é apenas um...
Foi aí que Bella entendeu o porquê desta guerra entre os dois.
— E o homem casado com quem você está saindo — declarou ela de repente. — Jacob sabe quem é ele, não sabe?
Para sua satisfação, Jéssica, com a respiração ofegante, olhou para ela de um jeito que confirmava a desconfiança. As coisas começaram a fazer mais sentido. Os comentários afiados de um sobre o outro, as discussões inflamadas, que normalmente duravam menos de 30 segundos, mas que acabavam com qualquer clima agradável. E o que era mais relevante: tais hostilidades começaram a existir há duas semanas, que foi quando Jéssica começou a sair com o tal homem casado, segundo Ângela.
Jacob havia pedido sua mão em casamento há duas semanas também, e quando Bella disse sim, ele marcou um jantar de comemoração em seu restaurante preferido. Foi a primeira vez que Jéssica esteve com a família de Jacob.
Teria ela ficado observando aqueles rostos novos, procurando qual deles parecia estar disposto a trair sua esposa? Como pude não perceber nada disso? Mas ela sabia como: havia passado as últimas semanas ocupada demais, entretida em seu amor por Jacob, e acabou não percebendo mais nada que acontecia à sua volta. Mas o pior estava por vir, observou ela ao pensar em outra coisa.
— Ele vai estar na festa hoje à noite, não vai? Ele vem com a esposa, e você vai querer dar uma escapadinha com ele sem que ninguém os veja, não vai?
— Claro que não! — negou Jéssica. — Claro que não...
— Eu conheço você, Jess. Sei muito bem como seu bom senso some quando um homem novo aparece na sua vida.
— Você está falando como minha mãe de novo!
Era verdade, Bella reconheceu, mas nem se importou desta vez.
— Jacob está preocupado que vocês dois venham a dar algum vexame hoje à noite.
— Não é nada disso. É triste ouvir isso de você.
— Mas, então, por que Jacob está com raiva de você? — perguntou Bella.
Jéssica não respondeu, mas foi para o outro lado do quarto e abriu a primeira porta que encontrou. O fato de aquela ser a porta do banheiro foi uma grande sorte, mas assim que ela fechou a porta, para não ter que discutir aquele assunto, Bella fez um último apelo.
— Prometa que você não fará nada idiota hoje à noite — implorou ansiosamente. — Preciso que você me assegure isso, por favor.
Por um momento, Bella pensou que Jéssica fosse começar a defender sua inocência, mas, em vez disso, ela pareceu ter liberado seu espírito de guerra em um longo suspiro.
— Contanto que você prometa manter Jacob longe de mim — rebateu ela. — E nem tente começar e defendê-lo e a convencer-me de que ele é um cara legal.
Fechou a porta do banheiro. Bella assustou-se ao se voltar para a porta. Ela estava andando em direção ao corredor quando ouviu uma discussão vindo do hall lá embaixo.
Ela parou de andar, seu coração começou a bater rapidamente quando reconheceu a voz irritada de Jacob.
— Você acha que sou idiota? Claro que não vou pôr tudo a perder agora. Seus negócios estão seguros, pai. Acredite em mim — disse ele amargamente. — E não se esqueça qual de nós está pagando por tudo isso.
O pai de Jacob começou a responder, mas ela não conseguiu escutar o que dizia, pois ele não falava tão alto quanto seu filho. Então, uma porta se fechou e ela não conseguiu escutar mais nada, mas ficou se perguntando se os negócios dos Black estariam indo mal. Será que havia acontecido que o pai de Jacob temia?
Edward Cullen teria rompido suas relações comerciais com eles? Ela voltou para o quarto, ao lado do de Jéssica, e abriu a porta. Se Edward fosse um homem casado, ela começaria a se perguntar se ele seria o novo caso de Jéssica. A beleza estonteante dela com certeza o agradaria. E em meio a toda aquela tensão, ela foi para o banheiro tomar um banho longo e relaxante antes de ter que descer para receber as pessoas, que foram convidadas pelos pais de Jacob para passar a noite na casa.
— Prometi para mim mesma que não faria isso. — Ela fez uma careta no espelho.
— Fazer o quê? — Jéssica estava em pé atrás dela, tentando passar um pente enfeitado com contas pelos nós do cabelo de Bella, e que parecia ter deixado o ombro e o pescoço dela cheios de mousse modeladora.
— Comprar estes produtos para modelar o cabelo.
Ela não era nenhuma beldade, nem pretendia ser. Ela era alta e magra, tinha pernas longas e atraentes, mas tinha curvas — curvas fora de moda: tinha cintura, quadril e seios volumosos e firmes que sobressaíam não importa o que ela vestisse. Acontecia isso agora, suas curvas pareciam lutar contra o corpete.
— Caramba — suspirou ela, tentando suspender o corpete um pouco mais.
— Você é muito crítica com você mesma. — murmurou Jéssica atrás dela. — Você tem ideia de quantas mulheres malham horrores para ficar com o corpo igual ao seu?
— Elas podem ficar com o meu se quiserem — disse Bella.
Ela havia ido às compras à procura de algo sofisticado e preto para que estivesse à altura de seus convidados, mas acabou comprando uma roupa vermelho-escura que devia deixá-la mais magra e não acentuar as curvas que ela queria esconder. Mas a saia de seda na altura do tornozelo disfarçava bem. Foi a peça de roupa mais cara que ela já havia comprado em toda a vida.
— Fica sensual demais em mim, não fica?
— Boba. — disse Jéssica. — Você parece a princesa que dará uma festa, um baile, e é assim que deve ser. — Ela deixou o pente de lado e se afastou um pouco de Bella para ver o visual dela como um todo. — Esta cor fica muito bem em você.
— Lembra a cor do meu anel de rubi — explicou ela, justificando por que havia decidido comprar aquela cor em vez do pretinho básico. — Você acha que Jake vai gostar?
— Acho que Jacob vai amar! — respondeu Jéssica, virando-se para pegar a bonita echarpe de chiffon que vinha com o vestido. — Aqui, vamos colocar isto envolta do seu ombro. Pronto. Está parecendo uma verdadeira princesa.
— Eis aqui uma boneca Barbie toda "emperiquitada", isso sim.
— Não. — Jéssica apareceu ao lado dela no espelho com um vestido curto azul que combinava com a cor dos olhos dela. — Eu estou mais para Barbie do que você — disse ela.
As duas caíram na gargalhada, o que foi bom, porque não andavam rindo muito ultimamente. Não desde que Jéssica e Jacob tiveram uma discussão.
— Vou sentir sua falta depois que me casar — confessou Bella quando pararam de rir.
Houve um silêncio, e em seguida Jéssica riu de um jeito diferente.
— Você deve estar brincando. Você vai estar ocupada demais com outras coisas, nem vai sentir minha falta.
Ela estava falando sobre sexo, mas quando Bella tentou visualizar tal momento com Jacob, só conseguia pensar em outro rosto. Um rosto bonito e irônico. O rosto de Edward Cullen. Ela ficou tão mexida com aquilo que mal pôde respirar por alguns segundos.
— O que foi? — perguntou Jéssica a olhando fixamente para Bella, que estava completamente pálida.
— Nada — ela desconversou.
Como poderia contar a Jéssica o que havia imaginado? Ela iria rir. Já que Jacob era seu inimigo, ela até gostaria de saber que outro homem era capaz de excitar sua noiva tímida e sensual.
Ela franziu a testa. Estava começando a preocupá-la o fato de se excitar tanto com um homem quando estava prestes a ficar noiva de outro. Foi aí que alguém bateu à porta.
Jéssica foi abri-la, e era Jacob, que viera para levar Bella para o andar de baixo. Com um sorriso amarelo, Jéssica deixou os dois sozinhos.
— Vejo você lá embaixo — disse ela, enquanto Bella virava-se do espelho.
No momento em que ela o olhou, todas aquelas preocupações desapareceram. Ele estava vestindo um terno preto elegante com gravata borboleta. Estava tão bonito que ela se sentiu derretendo por dentro. Ele estava sorrindo para ela. Era carinhoso, iluminado, e não feito de sombras como aquele outro. Só estou nervosa com o noivado e tudo mais, disse a si mesma.
— Ah, querida, meu amor. Você me deixa sem ar.
Isso era tudo o que ela queria, pensou enquanto se aproximava dele. Ela queria mesmo deixá-lo sem ar. Ela queria entregar-se totalmente ao calor do amor dele. E foi exatamente o que ela fez pelas horas seguintes enquanto a casa ia ficando cheia de convidados, já que Jacob raramente saía de perto dela. O pedido oficial de noivado estava programado para a meia-noite, e enquanto isso não acontecia, as pessoas experimentavam as comidas do farto bufê disposto em um dos salões, ou dançavam ao som de música ao vivo, tocada por uma banda em um outro grande salão.
Às dez da noite, a casa estava envolta por música, alegria e pelo murmurinho elegante das conversas. Ela notou a chegada de Edward Cullen, por volta das dez horas. E quem não havia notado? Foi o que ela pensou ao ver o jeito como ele atraía as pessoas até mesmo ficando parado perto da porta do salão principal. Ele chegou sem nenhuma beldade a tiracolo, para surpresa de Bella.
Ele também não fez nenhum esforço para se aproximar dela, o que também a deixou surpresa, já que não era muito educado da parte dele. Mas foi um grande alívio. Ela não queria ter que encarar um daqueles sorrisos irônicos novamente, ou, o que seria pior, deixar escapar que haviam se encontrado por acaso algumas vezes, pois ela não tinha contado nada a Jacob. Ela contaria, prometeu a si mesma.
Talvez amanhã, quando tudo já tivesse acabado. Mas agora estava feliz e queria continuar assim. Jéssica estava comportando-se bem, perto dos seus amigos e colegas de trabalho. Se o novo caso dela estivesse lá aquela noite, e Bella tinha certeza de que ele estava ali entre os convidados, ela não saberia dizer quem ele era pelo comportamento de Jéssica. E insensatamente relaxou e parou de observar sua amiga.
Ela estava ocupada demais dançando com um e outro parceiro sob aqueles magníficos candelabros de cristal. Ela foi coberta de elogios, foi provocada e até cantada como só os italianos são capazes. Era uma sensação tão nova para ela ser o centro das atenções que acabou sentindo-se intoxicada por aquilo. Ou seria o champanhe? A cada lugar que ela parava para respirar, alguém chegava e colocava uma taça nas mãos dela para fazer um brinde.
Sua face ganhou uma coloração cor-de-rosa, e seus olhos brilhavam sob a iluminação local. Jacob estava recebendo o mesmo tipo de atenção e tratamento. Volta e meia eles se encontravam na festa e comentavam algo engraçado um com o outro, mas isso era tudo. Era como se houvesse uma conspiração para manter o casal separado até a hora do pedido de noivado. Tudo parecia correr tão bem que ninguém imaginaria que tudo estava prestes a ir por água abaixo, com a mesma força extraordinária se um daqueles candelabros enormes caísse no chão de repente.
Bella estava parada um pouco, se recuperando daquela agitação, quando viu Jéssica indo para trás de uma das cortinas que cobria uma das paredes com janelas francesas que davam para o jardim. Suas antenas ficaram alertas para ver se alguém a seguiria.
Infelizmente, os olhos dela cruzaram com os de Edward Cullen. Ele ainda estava parado perto da porta do salão principal, com os cabelos acobreados virados para um lado enquanto ouvia o que a pessoa ao seu lado lhe dizia. Mas os olhos verdes dele estavam grudados nela. Ela sentiu um arrepio percorrer a espinha, e tratou de desviar os olhos rapidamente dele, encaminhando-se para as janelas francesas, determinada a pôr um fim no encontro clandestino que ela acreditava que Jéssica estava armando.
Jéssica havia deixado uma das portas entreaberta. Passando discretamente pela abertura, ela cruzou o terraço de mármore em direção ao corrimão de pedra que levava ao jardim. Estava frio, o vento fazia com que ela esfregasse os braços com as mãos. Foi aí que ela parou para tentar ver Jéssica e seu amante em plena escuridão.
Ela os ouviu antes de vê-los. Estavam perto de outro corrimão, e ela ficou chocada ao ver que era Jacob que a segurava pelo braço enquanto ela tentava escapar.
— Solte-me! — ela ouviu Jéssica gritar irritada.
— Não — respondeu Jacob. — Não vou deixar você destruir isso, Jéssica.
— Ainda vou contar a ela — rebateu Jéssica. — Ela precisa saber a verdade antes que seja tarde demais. Será um favor que farei a ela.
Ela estava ameaçando confessar o caso para a mulher do seu amante! Meu Deus, pensou Bella. Ela não podia deixá-la fazer isso! Ela estava prestes a descer para ir ao encontro dos dois e implorar que ela não fizesse aquilo, quando a resposta de Jacob deixou-a paralisada.
— Você acha mesmo que ela vai ficar grata por sua confissão, querida? Acha que ela vai simplesmente perdoá-la, sua melhor amiga, por dormir com o homem que ela ama?
Foi aí que o mundo de Bella veio abaixo, deixando-a envolta em lascas pontiagudas de cristal, que a dilaceravam enquanto caíam.
Até que enfim ela descobriu !!! Estava bem na cara! Li alguns comentários e vcs já adivinharam sem eu soltar algum spoiler! Rsrs. Então comentemmm muito!!! Até sexta!!! Bjimmmm!!!
