Capítulo 4

Boa Leitura!!!

Bella começou a tremer tanto que mal podia ficar em pé. Até o coração dela parecia tremer, tentando escapar pelas paredes do peito como se quisesse fugir daquilo que teria que enfrentar. Era difícil acreditar, e ela não queria acreditar.

Chegou a fechar os olhos e a repetir mentalmente as palavras de Jacob em uma tentativa tola, desesperada e vã de descobrir que ela havia entendido errado. Mas não havia. A fala seguinte de Jéssica deixou tudo muito claro.

— Você não a quer! Você nem gosta dela!

— O que eu quero e o que vou conseguir são coisas diferentes.

— Dinheiro! — gritou Jéssica para ele. — Como se os Black já não tivessem bastante dinheiro, você quer se casar com uma mulher por quem não sente nada apenas para pôr as mãos na fortuna dos Volturi Isso é nojento!

— E não é da sua conta! — respondeu Jacob.

Houve um gemido. Um gemido de agonia que deixou Bella acabada ao ver Jacob beijando Jéssica à força.

— Não consigo tirar você da minha cabeça. — murmurou ele. — Eu fecho os olhos e só consigo ver você. Nua, em cima de mim.

— E quando sua herdeira estiver nua em cima de você, também vai pensar em mim?

As mãos dele moviam-se com ardor, com desejo e com pressa, deslizando sobre o vestido azul de Jéssica.

— Vou. — afirmou ele.

Bella envergou-se para um lado. O mundo dela estava em pedaços. Dois braços envolveram-na por trás, cobrindo os braços dela arrepiados pelo frio. Dedos longos cobriram seus dedos gelados, e um torso masculino e forte serviu de suporte para suas costas que tremiam. Aquele cabelo acobreado tocou seu rosto enquanto os lábios de Edward Cullen pousavam sobre a orelha dela.

— Ouviu o bastante? — perguntou Edward com uma voz baixa e áspera que se arrastou sobre a pele dela como areia sobre seda.

Ela não estava surpresa que era ele quem a estava abraçando. De alguma forma estranha e irônica, ele parecia ser a pessoa ideal para testemunhar aquilo. Ela estava tentando fazer que sim com a cabeça para responder à pergunta dele quando Jacob deu um gemido forte e beijou Jéssica com muita vontade dessa vez.

Jéssica nem tentou detê-lo. O jeito como se beijavam, com a boca aberta, um beijo profundo, desvairado, seus cabelos castanhos esfregando-se. O jeito como se tocavam, as mãos movendo-se sobre o outro em movimentos frenéticos e quentes que não deixavam dúvida alguma de que eles já deviam ter feito aquilo muitas vezes. De repente, uma coxa longa foi exposta, um seio pequeno e claro foi descoberto, recebendo os beijos enlouquecidos de Jacob.

Deu para perceber que Jéssica não usava absolutamente nada sob o vestido. Ela estava preparada para aquilo. Apesar de todo o protesto e das ameaças raivosas, ela não dispensaria o sexo.

Muito abalada, Bella começou a tremer. Edward virou-a para ele, trouxe o corpo dela para junto do dele e ficou com ela nos braços enquanto Bella tremia. Então ouviram a voz de Jacob, envolta em prazer.

— Isso, faça isso de novo! — gemeu ele.

Por um momento, Bella pensou que fosse desmaiar. Edward Cullen deve ter pensado o mesmo porque um de seus braços tocou a parte de trás do joelho dela, como se quisesse forçá-la a ficar em pé.

— Estou bem. — disse ela.

Os lábios dele chegaram ao pé do ouvido dela novamente.

— Fique em silêncio, ou então eles vão ouvi-la.

Pensar naquilo fez Bella encolher seu corpo contra o dele, que começou a andar, levando-a com ele. Um silêncio total foi ouvido quando foram para o lado da casa.

Só aí Bella se deu conta de que tudo aquilo havia acontecido com as risadas e o barulho das conversas da festa ao fundo. Ele continuou andando com ela em direção à ala onde se localizavam os apartamentos com maior privacidade, e que não estavam ocupados pelos convidados da festa. Uma escuridão completa caía sobre eles, a única luz vinha da lua que enfeitava o céu noturno.

Ele parou perto de outra série de portas francesas. Ela sentiu a tensão do seu corpo ao tentar abrir a maçaneta. A porta foi aberta e ele a conduziu para dentro do quarto. Estava muito escuro lá também, mas ela pôde perceber que eles estavam no escritório do senhor Black. A mobília era escura e não combinava com a do resto da casa.

Ela sentou-se em uma cadeira de couro perto da lareira pronta para ser acesa. Ainda tremendo, se envolveu com os próprios braços, enquanto Edward foi fechar a porta. Ela ouviu a porta ser trancada e tremeu mais ainda, embora não soubesse bem por quê. Ele se moveu na direção oposta, e um segundo depois ela ouviu a outra porta que dava para o hall ser trancada.

— Não. — disse ela ao ver que ele ia acender a luz.

Ela viu a mão dele cair novamente ao lado do corpo, e tentou liberar a tensão que tomava conta dela. Não conseguiu. Parecia que todos os seus músculos haviam dado um nó, e ela nunca sentira tanto frio em toda vida. Ainda sem falar nada, ele começou a se mexer novamente.

Naquela escuridão, ele não passava de uma sombra aos olhos dela, e ela gostou disso. Não queria ver o rosto dele e não queria que ele visse o dela. Ela se sentiu desnuda, violentada e ofendida. Jacob e Jéssica.

Jéssica e Jacob.

Fechou os olhos, mas não conseguia afastar de sua mente a imagem dos dois juntos. Aquele beijo ardente, aquele vestido azul pedindo para ser retirado com aquela coxa e aquele seio à mostra. Ela ouviu os suspiros, os gemidos de prazer, inflamados, e sentiu-se péssima, porque tudo que já experimentara até hoje havia sido calmo, baseado em afeto, não havia aquele desejo animal, aquela luxúria devastadora.

Que bela coreografia sexual eles haviam ensaiado para ela. E como disfarçaram bem todo aquele tempo... E que brincadeirinha baixa os dois vinham jogando à custa dela. Um sentimento de humilhação tomou conta do seu ser. Seu poder era tão violento que parecia estar comprimindo o coração contra as costelas.

Ela começou a olhar para o próprio vestido. Jacob nunca pareceu ter vontade de desnudar um de seus seios daquele jeito. Nunca a tocara como acariciara a coxa de Jéssica. Os toques leves que recebera, e que achava ser toques de amor e carinho, agora pareciam toques frios e calculistas.

Ele se casaria com ela e só depois a levaria para a cama, e mesmo assim pensaria em Jéssica na hora do sexo! Ela o odiou por ter feito aquilo com ela. E ficou com raiva de si mesma também por ter sido tão cega e ingênua.

Ouviu um som. Eram pessoas que passavam conversando do lado de fora do escritório. Lembrou-se da festa. Sua festa de noivado. Dela e de Jacob. A herdeira dos Volturi e um aproveitador, pensou amargamente. Mas ela não era herdeira de coisa nenhuma. Porque não havia fortuna. E ela não entendia porque Jacob ainda pensava isso, pois ela já havia lhe revelado a dura verdade sobre sua ligação com os Volturi.

— Aqui, beba um pouco disto...

Ela não havia percebido que seus olhos estavam fechados até abri-los. A sombra estava diante dela, pensou, embora não a tivesse visto se aproximar. Mas ele já não era mais apenas uma sombra porque agora seus olhos pareciam ter se ajustado à escuridão. Então, ela pôde ver como ele a analisava, o jeito que mordia um dos lábios. A cor branca viva de sua camisa se sobressaía. Ela bebeu sem dizer uma palavra, forçando-se a engolir o líquido.

Ele também bebia. Ela observou absorta enquanto ele retirava delicadamente a taça dos lábios dela e a levava até os dele.

— Q-Quanto você ouviu da conversa entre os dois? — murmurou ela.

Por um momento, ela pensou que ele não fosse responder. Até que respondeu.

— A maior parte. — admitiu ele pondo-se de pé.

Ela olhou para o outro lado — para a lenha na lareira — com uma sensação de tristeza que acabou diminuindo ainda mais seu orgulho. Este homem alto, bronzeado e elegante de Roma assistiu a tudo, à destruição de algo com o qual ela se importava muito. Ela se sentiu desarmada.

— Por que você estava lá fora? — Não havia mais ninguém no jardim, ou pelo menos ela esperava que não.

Podiam ouvir as risadas da festa ecoando novamente, soando cruelmente irônicas às orelhas supersensíveis de Bella naquele momento.

Foi aí que um pensamento horrível passou pela cabeça dela. Será que aquelas pessoas sabiam das verdadeiras intenções de Jacob? Será que todo mundo sabia? Será que todos os seus amigos sabiam que Jacob e Jéssica estavam tendo um caso? Será que Edward já sabia de tudo antes mesmo de presenciar aquela cena no jardim?

— Você não foi até lá por acaso, foi? — perguntou ela. — Você suspeitou que algo fosse acontecer e por isso me seguiu e ficou parado atrás de mim como um pobre voyeur, não foi?

Ele se virou para lançar-lhe um olhar gozador.

— É assim que você me vê?

Não, não era.

— Pare de rir de mim! — disse ela. — Esta situação toda não tem a menor graça.

— Você tem razão. — Ele parou de rir. — Não tem mesmo.

Uma ameaça de choro se formou nos olhos dela. Ela respirou fundo tentando conter as lágrimas.

— Você já sabia de alguma coisa antes de ter visto aquela cena no jardim?

Sem dar nenhuma resposta, ele se virou e afastou-se dela, desaparecendo nas sombras do outro lado do quarto, como se a escuridão pudesse poupá-lo de ter que dar uma resposta. Mas ela precisava saber.

— O que exatamente você sabia? —perguntou novamente.

— Tudo.

A resposta foi como um tapa na cara. Por um momento, ela se sentiu tonta de novo. Fez um esforço para se recompor e passou para a próxima pergunta que fervia dentro da cabeça dela.

— E todo mundo sabe?

Ela ouviu o barulho da taça de cristal, ouviu-o servir-se de mais um drinque.

— Sua verdadeira identidade tornou-se um segredo aberto dias após você ter conhecido o Jacob.— disse ele. — O fato de você não contar que era a herdeira da fortuna incalculável dos Volturi só despertou as especulações e a atenção para o fato de você continuar a bancar a trabalhadora, mantendo sua identidade oculta.

— Mas eu não sou herdeira dos Volturi. — negou ela. — Não existe nenhuma fortuna.

Ele deu uma risada irônica.

— Você tem tanto dinheiro que daria para comprar Roma inteira, meu bem.

O que era tão absurdo que as sobrancelhas dela levantaram-se.

— Especulações imbecis! — disse ela descrente. — Marcus Volturi vive em um lugar caindo aos pedaços. Ele não tem dinheiro para deixar para ninguém, ainda mais para uma sobrinha que nunca vê.

— Bem, você está certa sobre o dinheiro de Marcus. Mas não estamos falando do dinheiro de Marcus. Estamos falando sobre o dinheiro de Aro Volturi. Seu avô. A fortuna é dele. — continuou. — Aro deixou tudo o que tinha para você. Marcus só mora no Palazzo porque você permite. Porque aquele lugar, como todo o resto, pertence a você. Ou melhor, pertencerá, quando você se casar. E Jacob achou ter descoberto ouro quando a seduziu.— completou ele. — Ele é o verdadeiro herói da noite, querida. Ele deu o golpe perfeito.

Ela começou a pensar que tudo não passava de um sonho.

— Não sabia de nada disso do que você está me falando.— disse ela.

— Eu sei. — Ele deu aquela mesma risada. — E essa é a grande ironia de toda a história. Enquanto todos pensam que você só está querendo proteger tais informações, na verdade você não sabe de nada. Você não está fingindo ser ingênua e inocente, você realmente é. E Marcus Volturi tem muito o que se explicar. E ele terá mesmo que se explicar quando eu colocar minhas mãos nele.

— Fique longe do meu tio Marcus! — murmurou ela, também surpresa pelas palavras que não pareciam fazer muito sentido.

— O quê? Você está protegendo um cara que roubou você, Isabella? Você devia ter uns dez anos quando o seu avô morreu? Há 14 anos ele vive da sua herança, e deve rezar para que você nunca apareça em Roma.

— Pare com isso! Deve haver um grande mal-entendido, só isso. — gritou ela. — Jacob sabe a verdade. Ele sabe que sou...

Edward perdeu a paciência.

— Caia na real, Isabella! Você escutou lá fora o que aquele mercenário falou! É patético tentar defendê-lo! Ele está atrás do seu dinheiro! Ele precisa do seu dinheiro. Ponha isso na sua cabeça.

Ele estava irritado. Por que estaria tão irritado? Aquilo era problema dela. Ela é quem estava sendo usada.

— Mas não há dinheiro nenhum! E o que o torna melhor que o Jacob se também acredita nessa história de herança?

Os olhos dele brilharam irritados, seus dentes apareceram levemente entre os lábios e ele agarrou os punhos dela.

— Nunca mais me compare com o Black, está entendendo?

— Eu não estava... — As palavras confusas desintegraram-se quando ela começou a tremer novamente, chocada pela súbita violência no comportamento dele.

O rosto dele estava irreconhecível, os olhos espremidos cintilando um perigo que ela podia sentir. O coração dela batia forte. Ele odiava Jacob, ela percebeu. Ele o odiava com todas as suas forças.

Ela respirou fundo quando viu a mão dele levantando-se. Ela pensou que ele bateria nela. Os olhos dela arregalaram-se.

— Não! — disse ela.

E ficou ainda mais confusa quando ele começou a tomar o copo de conhaque, que ela até tinha esquecido que segurava, de suas mãos, e ela percebeu que sua vontade era jogar o conhaque na cara dele. Não foi só a violência dele que a surpreendeu, mas a violência dela também. Ela nunca fora uma pessoa violenta, então, como chegou ao ponto de querer jogar conhaque na cara de alguém? Ela estava tão mexida por dentro que dava a impressão de que se desmancharia em mil pedacinhos a qualquer momento.

— Não há dinheiro nenhum. — repetiu ela.

Os ângulos duros no rosto dele não amoleceram, os olhos ainda brilhavam e a voz agora estava fria como gelo.

— A questão principal não é se há ou não dinheiro, mas sim o que sua amiga e Black estavam fazendo lá fora...

Ela ficou arrasada com o comentário. Ela estava tentando se concentrar na parte do dinheiro, e esquecendo, ou melhor, querendo esquecer o que realmente importava ali. Ela foi usada e traída pelas duas pessoas que mais amava. Enganada como uma tola porque estava cega demais para enxergar o que acontecia bem debaixo do seu nariz.

O peito dela começou a doer novamente, e as lágrimas pareciam brotar de sua garganta. Aquela hostilidade toda entre os dois, o olhar cheio de culpa de Jéssica, as mentiras que ela havia contado. O dinheiro não tinha nada a ver com a traição de Jéssica.

Ela apenas desejava Jacob com um ardor que a fazia perder o controle. O desejo foi mais forte do que a lealdade à melhor amiga. E o dinheiro também não tinha nada a ver com a traição de Jacob, porque é óbvio que ele sabia que estava arriscando seus planos ao se envolver com Jéssica. Ai, meu Deus!

— Tenho que sair daqui. — murmurou ela em um instante de pânico, e pôs-se a caminhar em direção às portas do terraço.

Tudo havia acontecido tão rápido que ela ainda estava inteiramente chocada. De repente, sentiu duas mãos agarrando-a pela cintura e levantando-a do chão.

— O que você está...

— Silêncio. — disse ele. — Tem alguém se aproximando.

E ela ficou petrificada como uma estátua ao ouvir a voz de Jacob gritando o nome dela do outro lado da porta. Alguém girou a maçaneta.

O coração dela deu um salto no peito e seus dedos agarraram a lapela do paletó de Edward Cullen.

— Não quero vê-lo. — disse ela. E não queria mesmo.— Não queria vê-lo nunca mais!

— Eu tranquei a porta. — lembrou ele.

— Ele vai nos ver pelo vidro. — Ela se aproximou ainda mais de Edward, como se quisesse misturar-se a ele.

Os braços dele a envolveram. Uma de suas mãos envolvia a nuca de Bella, a outra tocava as costas dela.

— Ele não vai conseguir vê-la. — murmurou ele com segurança. — Está muito escuro aqui. Eu estou vestido de preto e de costas para a janela. Se ele vir alguma coisa, será apenas o contorno de um de seus convidados aproveitando a noite no escritório do pai dele com uma das convidadas da festa.

— E-Eu...— afirmou ela.

Houve um pequeno silêncio e, em seguida, ele perguntou cinicamente:

— Você contou a ele sobre nossos encontros, querida? Que mulher leal!

Ela voltou os olhos para cima, que encontraram os dele. A culpa cor-de-rosa que coloriu sua face dispensou qualquer resposta.

— Ai, ai... — murmurou ele. — Parece que sua vida toda está calcada em segredos perigosos, meu amor.

— Não tenho segredos. — respondeu ela. — E não houve nada perigoso nos nossos dois breves encontros! — completou ela sentindo o pulso acelerar.

— Mentirosa! — acusou ele. — Sentimos uma atração sexual mútua. Não sei como você conseguiu não me tocar.

— Como você pode ser assim tão arrogante? — disparou ela olhando para ele.

— Anos de prática. — respondeu ele.

E o mais estranho sobre esta conversa é que ela era tão séria que não abria espaço para nenhum tipo de brincadeira. Ela podia ver até aquela raiva assustador a novamente nos olhos dele.

— Você devia estar feliz por eu me sentir atraído por você, do contrário você estaria sozinha no jardim com Black chorando por um coração partido.

Foi como se tivessem lhe dado um chute quando ela já estava caída no chão. Ela teve o impulso de se afastar dele.

— Odeio você. — disse ela.

Ele não se deu o trabalho de responder. Mas a verdade é que a presença dele a deixava excitada. Aquilo era uma loucura. Aquela noite toda estava ficando cada vez mais surreal. Ela mal o conhecia, e, até onde conhecia, não gostava dele.

No entanto, lá estava ela, entregue nos braços dele, ouvindo-o falar que ela gostaria de ir para a cama com ele. A maçaneta da porta girou novamente.

— Quem está aí? — disse Jacob com a voz embaçada e ansiosa atrás da vidraça.

— Persistente. — disse Edward. — Talvez devêssemos fazê-lo provar de seu próprio veneno.

— Não! — disse ela alarmada.

E foi só o que conseguiu dizer antes dele abaixar o rosto na direção ao dela. Bella ficou chocada quando sentiu os lábios dele pousarem sobre os dela.

Ele era mais alto que Jacob, mais moreno, mais forte, e a pegava com firmeza, como Jacob nunca havia feito. Os lábios dela entreabriram-se, e a língua dele invadiu sua boca.

Todo o seu corpo foi tomado por sensações. Ela nunca havia sentido aquilo. Aquele calor, aquela invasão, a intimidade daquela língua invadindo sua boca fazendo com que ela tremesse por dentro. Ele afastou o rosto do dela, e olhou-a com seus olhos verdes.

Viu o espanto daqueles olhos arregalados e o tremor dos lábios dela. Ela o olhava fixamente e via os olhos dele brilharem. Ele sussurrou algo sobre Jacob e, em seguida, baixou a cabeça novamente, para continuar a beijá-la.

Desta vez, com mais vontade ainda, um beijo muito sensual. Suas mãos percorriam o corpo dela em total contato com o dele. Ela sentiu o poder da paixão. Aquele local entre as coxas de Bella começou a pulsar e a ficar úmido. Ela estava tomada por todo tipo de sensações. Era inacreditável. Tão básico e tão físico! Os seios dela, espremidos contra o peito dele, doíam intumescidos com tamanha excitação.

A maçaneta da porta girou novamente. Ela afastou a cabeça por um momento, sentindo descargas elétricas em cada extremidade do corpo. Ela estava sem fôlego. Seus lábios e sua língua estavam inchados e quentes. Ele a olhava fixamente com uma expressão...

Ela não sabia ao certo o que aquela expressão queria dizer. Sabia apenas que estava brincando com algo muito perigoso, e que não queria mais brincar. Mas no fundo queria. Sexo. Luxúria. Ela havia sido beijada com paixão pela primeira vez na vida, e por um homem que era realmente muito bom nisso.

O calor abrasou sua face pálida. Ela conseguiu desgrudar os olhos dele, e percebeu como a palma de sua mão apoiava-se naquele peito, que de tão firme e sólido parecia uma muralha. Tudo nele era firme e sólido: seus ombros, seus braços, seus quadris.

— Deixe-me ir. — pediu ela.

Ele fez o contrário, trazendo-a para mais perto ainda, e abaixando a cabeça para introduzir sua língua entre seus lábios ardentes. Um leve suspiro deixou a boca de Bella. Eles puderam ouvir os passos de Jacob, que agora se afastava da janela, e isso deixou Edward alerta.

Ele a segurou com mais força ainda, e a fez sentar-se na cadeira novamente. Ele colocou o copo de conhaque de volta nas mãos dela.

— Beba isso. Você vai precisar. — instruiu ele.

— Já estou tonta o bastante. — pensou ela sem perceber que tinha dito isso em voz alta, até ouvir a resposta dele.

— Vamos ver como você vai se sentir daqui a cinco minutos. Porque é o tempo que vai levar até Jacob dar a volta e entrar aqui pela outra porta.

Ela se sentiu como se tivesse escapado de uma tempestade para enfrentar outra, muito maior, e ficou olhando paralisada para a porta de madeira como se algum monstro estivesse prestes a entrar por ela.

— Mas você a trancou. — disse ela sem ar.

Para o choque total dela, ele virou a chave e destrancou a porta.

— Por que você fez isso? — gritou ela em protesto.

Ignorando-a, ele acendeu a luz. Era como ser bombardeada por cacos de vidro afiados. Agoniada, ela fechou os olhos por um minuto, e os abriu novamente logo em seguida por que precisava saber o que ele estava fazendo. Ele já estava do outro lado do quarto, abaixando-se para pegar alguma coisa do chão. Ele era atraente demais, e ela pôde sentir um fogo entre suas coxas novamente. Tudo nele era tão físico, ele exalava... sexo!

Meu Deus, o que está acontecendo comigo?, perguntou-se. Levantando o copo, bebeu um pouco mais do conhaque. Por que não ficar bem bêbada? Devia ser melhor do que se sentir daquele jeito. Ele apareceu na frente dela, fazendo-a dar um salto de tão nervosa quando ele estendeu a mão para pegar o copo que ela segurava.

Ela se sentia como uma marionete. A marionete daquele homem. Ele continuou tocando-a, apertando-a, beijando-a. Meu Deus, pensou ela novamente, sentindo seu corpo em chamas.

— Não. — protestou ela.

— Não, o quê? — perguntou ele deixando o copo de lado.

Mas ela se esqueceu completamente o que queria dizer quando sentiu um dos longos dedos dele invadir sua lingerie como se ele tivesse todo o direito de tocá-la daquele jeito.

— O que você está fazendo? — murmurou ela sentindo os dedos dele tocando tão intimamente sua pele.

A resposta dele foi uma simples demonstração, ele a agarrou de um jeito que a fez pensar que grande parte do corpo dela devia estar à mostra. Como Jéssica...

Os olhos dela se fecharam enquanto a realidade voltava a invadir sua mente.

— Agora escute. — disse ele. — Não temos muito tempo, então você deverá tomar algumas decisões rápidas sobre o que vai fazer agora. — disse ele baixinho, decidido a pôr a vida dela em ordem.

— Tranque a porta. — esta foi a decisão.

Ela observou a boca dele comprimir-se.

— Pelo visto você tem diversas opções. Você pode fingir não ter visto nada do que aconteceu lá no jardim e continuar a festa normalmente como se nada tivesse acontecido. Ou você pode anunciar que o noivado não acontecerá mais e explicar o porquê.

Ambas as opções deixavam-na no papel da idiota.

— Ótimas opções. — disse ela.

— Não acabei de falar ainda. — murmurou ele. — Se você achar que não conseguiria mais olhar para a cara dele, poderíamos escapar pela janela agora mesmo, antes de ele chegar, irmos para o meu carro e simplesmente desaparecer.

— Por favor, tranque a porta de novo. — implorou ela. — Não estou preparada para lidar com ele.

Ele a segurou pelos ombros, seus olhos sóbrios e verdes.

— É meia-noite, Isabella. — informou-lhe gentilmente.

Meia-noite. A hora do pedido de noivado. O olhar dela percorreu o quarto como se centenas de pessoas já estivessem em pé ali esperando para testemunhar Jacob recebendo seu prêmio. Ela chegou a tremer pensando na traição dele. Edward retirou as mãos do ombro dela.

— Não chore. — disse ele. — Ele não merece suas lágrimas.

Embora ela soubesse disso, não conseguiu conter o que sentia por dentro.

— O que devo fazer? — murmurou ela dramaticamente.

As mãos dele agora pousaram sobre o rosto dela, e ele a beijou novamente. Ela respondeu com um pequeno soluço. Cada leve soluço foi gentilmente roubado dela após aquele primeiro, sendo intercalados com as palavras dele. Palavras murmuradas, sensuais e sedutoras que a fizeram agarrar-se a ele.

— Deixe comigo. — disse Edward.. — Confie em mim, vou tratar desta situação para você.

— E por que você faria isso? — perguntou ela percebendo que já devia ter feito esta pergunta há tempos. — Qual é o seu interesse nisso?

Ele deu um sorriso bastante cínico ao responder.

— Oh, Isabella! Você já devia ter notado qual é o meu interesse nisso tudo. — respondeu ele passando um de seus dedos longos sobre os lábios dela. — Eu quero você para mim. E farei o que for preciso para conseguir isso.

Em seguida, ele abaixou a cabeça para pousar os lábios novamente sobre os dela. Todos os gestos dele dali em diante pareciam estar repletos de intimidade. Cada toque, cada olhar, cada gesto mínimo do seu corpo. E o pior de tudo é que ela permitiu. Ela se sentia fraca e vulnerável, e entregue à paixão dele, que se ele a deitasse sobre aquela escrivaninha, ela deixaria que ele fizesse com ela o que bem entendesse, sem tentar impedi-lo.

Ela admitiu aquilo para si mesma contrariada, mas admitiu, o que a deixou chocada, mas não o bastante para o fazer parar. Onde estaria o orgulho dela? E sua dignidade? Com certeza, não estavam onde sua boca estava. Ela agora beijava a nuca de Edward, e eles se entrelaçaram em um abraço ardente, sensual, tão profundamente intoxicante e excitante que ela quase não ouviu a porta abrir-se, até que ouviu uma voz indignada.

— Mas o que você pensa que está fazendo?

Iiiii quem será que abriu a porta??? Esse capítulo explica o porquê o Jacob querer se casar com a Bella! E explica também o interesse do Edward na Bella! Ele está disposto a "consolar" ela de uma forma pouco convencional! Rss Comentemmm !!! Até quarta! Bjimmm!!!