Capítulo 5
Boa Leitura!!!
Em estado de choque, ela tentou afastar o rosto de Edward, que não demonstrava a menor ansiedade para interromper o beijo, como se quisesse deixar bastante claro para Jacob o que eles estavam fazendo.
— Acho que você pode ver o que estamos fazendo. — murmurou ele com um tom de voz macio e irônico.
E ele o fez sem desviar os olhos do rosto de Bella. Ele ainda ousou dar mais um beijo, quente e possessivo, logo em seguida, nos lábios dela.
— Tire as mãos dela! — gritou Jacob furioso. — Isabella, venha aqui. Não acredito que enquanto todo mundo está lá fora esperando pela cerimônia de noivado, você esteja aqui aos beijos com este cara, no escritório do meu pai!
Esta última frase parecia dizer tudo, pensou Bella. Ela estava ali, agarrada com outro homem, e ele só pensava em botar a aliança no dedo dela e anunciar o noivado deles. Deus, isso dói.
— Não vai haver noivado. — afirmou Edward. — Isabella não o quer mais. Você já era, meu amigo. Agora ela está comigo. Você pode anunciar isto se quiser.
Bella estava sem palavras. Só conseguia continuar olhando fixamente para o rosto desafiador e altivo de Edward.
— Eu disse que trataria disso para você. — lembrou Edward, gentilmente, colocando um dedo sob o queixo dela para fechar a boca aberta de Bella.
Jacob parecia incapaz de dizer qualquer coisa. Ela pôde sentir o estado confuso no qual se encontrava. Ela virou o rosto para o olhar. Ele estava parado com a porta aberta atrás dele, de forma que estava emoldurado pelo mármore branco e brilhante do hall.
As pessoas passavam pelo hall. Algumas paravam por um momento quando viam os três no escritório de Billy Black.
Foi aí que ela percebeu que seus braços ainda envolviam o pescoço de Edward, e que seus corpos estavam muito perto, revelando uma intimidade além do normal. Um calor envolto em culpa tomou conta da garganta e da face dela.
— Feche a porta. — murmurou.
Jacob olhava fixamente para os dois. Ele fechou a porta e lançou um olhar furioso para Bella.
— Você pode começar a explicar que diabos está fazendo aqui com este cara? — disse Jacob.
Era como olhar para um estranho. Nada mais nele lhe parecia familiar. Seus traços elegantes e dourados, que antes eram tão bonitos, agora pareciam duros e egoístas. Seus olhos brilhavam com uma ganância desmedida. Como ela podia não ter percebido tudo aquilo?
Ele nem parecia mais ser aquele homem que ela tanto amou. Ela sentiu o estômago doer. Ela nunca se sentira tão enganada — e por ela mesma. Cega por mentiras mesquinhas e pelo desejo patético de ser amada.
Duas mãos pousaram na cintura dela. Ela olhou para Edward, e no olhar dele viu firmeza e força de vontade. Via também que ele estava sendo honesto com ela. Não estava escondendo ou fingindo absolutamente nada.
— Conte a ele, querida. — disse Edward.
Ela respirou fundo, tensa, e olhou para Jacob.
— Não vou me casar com você. — anunciou, ficando surpresa com a facilidade com que disse aquilo. — Você não me ama. Você nunca nem tentou me amar.
Em seguida, olhou novamente para Edward. Ele não a amava, mas pelo menos não dizia que amava. Ele a beijou com carinho. Talvez ele tenha percebido que as lágrimas dela ameaçavam começar a rolar.
— Você pode parar de beijá-la deste jeito? — reclamou Jacob. — Bella, meu amor — disse frio. — É claro que eu amo você! Como você pode pensar que não a amo?
A imagem daquele beijo selvagem que vira no jardim e aquelas mãos rolando pelo vestido azul invadiu a mente dela. Ela ouviu a voz de Jéssica afirmando "Você não a quer! Você nem gosta dela!", que pareciam ecoar em sua memória.
— Escute. — disse ele enquanto a imagem se desaparecia na cabeça de Bella. — Isto deve ser algum tipo de pânico pré-noivado, eu entendo. Mas venha comigo, Bella. Vamos conversar sobre isso com mais privacidade.
Ele era bom nisso, pensou Bella, sentindo uma dor por dentro porque quem falava com ela agora parecia ser aquele Jacob por quem ela havia se apaixonado. Talvez eles devessem discutir isso a sós mesmo. Talvez ela...
— Cuidado, amor. — disse uma voz amorosa. — A sedução pode ter muitas caras.
Ele estava certo. Ela estava sendo seduzida pelo charme carinhoso de Jacob outra vez. Como deve ter sido fácil para ele conquistá-la, pensou Bella, aproximando-se do homem de cabelos acobreados que parecia ser seu único apoio verdadeiro agora, porque ela não podia confiar nem nela mesma no momento.
Ao aproximar o rosto do queixo dele, percebeu o quão sensível havia ficado com relação a tudo nele. Sua voz, seu toque, ela podia até sentir o gosto dele, como também seu cheiro másculo. Jacob gritou furioso do outro lado da sala.
— Vadia!
Ela piscou, sentindo-se confusa demais pelo que estava sentindo para revidar. Os dentes de Jacob estavam à mostra. Parecia um lobo prestes a atacar.
Edward virou o rosto, percebendo que aquela era a primeira vez que ele realmente olhava para Jacob.
— Ei, cuidado com o que diz.
Bella ficou arrepiada, porque Jacob podia parecer um lobo feroz, mas, ao lado de Edward, aquele homem perigoso parecia apenas uma formiguinha.
Jacob deve ter percebido isso também, porque deu para trás enquanto suspirava. Ele estava em estado de choque, percebeu ela, que sabia muito bem como era sentir-se daquela forma.
— Mas ela não pode fazer isso comigo. — afirmou Jacob.
— Ela não só pode, como já fez.
Foi uma frase fria e tão brutal que ela chegou a tremer, Houve um som de desgosto quando Jacob virou as costas para eles. A porta foi aberta.
— Jacob, Isabella, o que vocês estão fazendo aqui dentro? Os convidados estão todos...
A frase foi interrompida quando ela viu Edward. Sarah Black era morena como Jacob, mas, no contrário dele, ela entendeu rapidamente o que estava se passando ali. Seu rosto ficou totalmente sem expressão.
— Deixe-nos, mãe. Estou resolvendo isso aqui. — disse Jacob.
Mas a mãe dele não foi embora. Ela estava ocupada demais constatando aquilo que seria um escândalo, e voltou-se para seu filho.
— Mas o que você fez? — perguntou ela acusadoramente.
— Eu não fiz nada. — resmungou ele. — São eles que você tem que acusar. Acho que o fato deles não conseguirem parar de se beijar explica tudo, não?
— Pelo menos nos beijamos com muito mais elegância do que você e a amiga de Bella, e preferimos fazer isso com privacidade, não no jardim, onde qualquer um podia ver o que vocês estavam fazendo.
Bella fechou os olhos e por um instante pensou que fosse desmaiar. Sarah Black quase se engasgou diante daquela situação toda.
Ao abrir os olhos, novamente ela viu que Jacob havia mudado de posição para olhá-los. Ele parecia completamente abalado. Aquilo o deixou sem argumento, ele não tinha como se defender.
No entanto, tentou, seus olhos piscavam agitados, enquanto ele se virava para olhar o rosto agora muito pálido de sua mãe. Em seguida, olhou para Bella.
— Querida... — murmurou ele com um tom de súplica. — Não acredite no que ele está dizendo. Isso não é verdade.
— Talvez eu devesse ter mencionado que Bella também assistiu a tudo aquilo. — disse Edward.
Jacob ficou pálido, e depois vermelho de raiva.
— Cale a boca, seu imbecil! — disparou ele para Edward. — Nada disso é da sua conta.
A mãe dele deu um salto. Bella piscou os olhos. Jacob deu um passo em sua direção.
— Escute-me.— disse ele nervoso. — O que você viu hoje à noite não passou de um momento de loucura. Sua amiga se jogou em cima de mim. Ela...
Ouviram um barulho vindo da porta. Ninguém tinha reparado que a porta havia ficado aberta depois que a senhora Black entrara no escritório!
Jacob virou-se. Todos olhavam para Jéssica em pé na porta, com seu rosto bonito tomado por um misto de raiva e culpa.
— Seu filho da puta mentiroso! — disse Jéssica, deixando a mãe dele ofendida. — Estamos dormindo juntos há semanas!
Ele estava sendo atacado por todos os ângulos. E respondia com violência. Ele levantou o braço, e, por um momento, Bella pensou que ele fosse bater em Jéssica. A mãe dele deve ter pensado a mesma coisa, porque pegou Jéssica pelo braço e levou-a para fora do escritório.
Jacob deu um murro na porta. Houve um silêncio. Bella tremia tanto que seus dentes estavam batendo. Os braços de Edward envolveram-na.
— Está tudo bem. — disse ele. — Tudo bem.
Mas não estava tudo bem. A voz dele podia estar calma, mas todo o resto não estava. Cada músculo estava tenso e preparado para o que a raiva de Jacob fosse aprontar em seguida.
Jacob virou-se para encará-los. Estava com a cara fechada, envolta em raiva.
— Mas pela cena que interrompi, vocês estavam fazendo igualzinho. Então, vamos acabar de uma vez com isso. Venha cá, Isabella! — mandou ele, mas ela percebeu que ele nem tentou pegá-la. — Podemos falar sobre isso mais tarde, mas agora temos que ir anunciar o noivado.
Ele ainda não havia entendido, ou se recusava a entender.
— Você ainda não entendeu? Está tudo acabado entre nós.
— Por que você acha que ele é melhor que eu? — perguntou ele. — Não se iluda, querida. Ele não quer você. Ele está apenas brincando com você para se vingar de mim. Olhe-se no espelho, você acha que pode competir com as beldades com as quais ele desfilava por aí?
Aquelas palavras cruéis machucaram ainda mais seu ego ferido. Era difícil ouvir aquelas palavras do homem que ela achava que amava até uma hora atrás.
Mas aquilo fazia um pouco de sentido. Edward Cullen só saía com mulheres lindíssimas. O que ele podia ver nela?
— Não o escute. — aconselhou Edward. — Ele está com o orgulho ferido.
— Ele está atrás do seu dinheiro, querida. — Jacob jogou ainda mais veneno. — Não se engane achando que há alguma outra razão para ele lhe querer.
O dinheiro. Tinha que ser o tal dinheiro.
— Mas não há dinheiro algum. — afirmou ela. Ele lhe lançou um olhar descrente. — Estou falando sério. É verdade. — insistiu ela — Sempre lhe falei a verdade sobre o dinheiro. Nunca existiu esta fortuna dos Volturi. Quem quer que tenha espalhado esse boato por aí deve estar rolando de rir da sua cara, Jacob, porque meu avô morreu praticamente sem dinheiro nenhum. O Palazzo Volturi foi só o que restou.
— Você está mentindo. — disse ele. — Mentindo para me punir.
— Puni-lo? Se eu quisesse mesmo puni-lo já teria ido embora daqui sem lhe dizer uma palavra sequer sobre tudo isso.
Os olhos negros dele fixaram-se no homem atrás dela.
— Você acredita nela.
Ele respirou fundo.
— Não me importo a mínima com o dinheiro dela. Apenas a quero para mim. — afirmou ele. — E esta é a diferença entre nós. Você teve sua chance e a desperdiçou.
Jacob sentou-se na cadeira mais próxima e apoiou o queixo entre as mãos.
— O que vou dizer para os convidados lá fora? — murmurou.
Bella podia até ter sentido um pouco de solidariedade, até ele dizer aquela frase. Era o cúmulo do egoísmo, ele ainda estava pensando apenas nele, sem demonstrar a mínima culpa ou vergonha por seu papelão.
— Conte a verdade sobre sua herdeira. — sugeriu Edward. As mãos dele seguraram a cintura de Bella com maior firmeza agora. — Está pronta para partirmos?
Ela hesitou ao responder porque sabia que poderia estar prestes a cometer o segundo maior erro de sua vida ao partir com ele.
Ele era muito insensível, tão egoísta quanto Jacob. Mas será que Edward estaria disposto a sacrificar a própria liberdade? Não, pensou ela. Ele era orgulhoso demais. E ele não falou nada sobre se casar com ela no lugar de Jacob. Eles partiriam dali, teriam uma noite de sexo ardente e se separariam logo em seguida. O tipo de sexo que ela nunca se sentira atraída o bastante para fazer até conhecê-lo. Isso fazia dele um grande perigo.
Diga não, disse ela a si mesma. Faça isto por você, vá lá fora e peça aos seus amigos que a levem embora dali antes que você se meta numa encrenca maior do que a que já está.
— Pare de pensar tanto. — disse ele. — Você não deve estar com cabeça para isso no momento.
— Há quanto tempo vocês dois vêm me traindo? — perguntou Jacob asperamente.
— Tem menos tempo do que o seu caso com a amiga de Bella, mas tempo o suficiente para sabermos o que queremos. — Esta foi a resposta de Edward. — Você acha que a gente deve sair escondido pelos fundos ou prefere ir lá dentro arrumar suas coisas? — perguntou a Bella.
Aquilo era uma pergunta e um aviso ao mesmo tempo.
— Quantos anos você tem? — perguntou ela do nada.
— Sou adulto o bastante para não fazer joguinhos. — disse ele.
Em seguida, a beijou, e ela pensou o quão beijáveis eram aqueles lábios, ardentes e intensos.
— Isto é nojento. — Jacob pôs-se de pé e andou em direção à porta.
— Parado aí, amigo. — Edward levantou a cabeça para olhá-lo. — Ainda temos que conversar sobre algumas coisas.
Jacob ficou estático. Bella também. O que eles tinham que conversar? Ela não gostou daquele olhar sombrio de Edward.
— Não se atreva a discutir a minha vida com ele. — disse ela.
— Sob pressão, ele entregaria seus segredos mais íntimos.
— O que deu em você? — perguntou ela.
— Nada. — disse ele, aproximando os lábios da orelha dela. — Pare de olhar para ele como se fosse sua opção preferida.
Ela o olhou fixamente.
— Mas eu não estava...
— Nós vamos pelos fundos ou pela frente? — Ele a interrompeu.
Era hora de decidir, pensou Bella. Será que ela devia ir com ele ou não? No final das contas, o orgulho falou mais alto e ela acabou decidindo: não sairia como uma covarde.
— Pela frente. — disse ela pensando logo em seguida se havia casos de insanidade mental na família dela, porque ela só podia ser louca mesmo para querer ir a qualquer lugar com ele. Parte da raiva sumiu do rosto dele. Ele fez que sim com a cabeça e sorriu.
— Mulher corajosa! — murmurou, beijando seu rosto e pegando sua mão para levá-la embora.
Ele tinha que passar por Jacob para abrir a porta, e o fez ignorando totalmente a presença dele. Ela fez o mesmo, pensando consigo mesma que não se sentia nem um pouco corajosa.
A porta foi aberta e eles deixaram o escritório. A primeira coisa que ela reparou foi que não havia mais música. E, em seguida, os grupinhos de pessoas espalhados pelo hall.
Houve um silêncio repentino e todos os rostos voltaram-se na direção de Bella. Ela ficou tensa. Ela podia sentir Edward em pé atrás dela.
— Dez minutos, pode ser? — perguntou ele.
Ela fez que sim com a cabeça. Seu rosto parecia que nunca mais voltaria à temperatura normal.
— Estarei aqui.
Foi uma promessa. E foi feita alto o bastante para que todos ouvissem. Ela levantou o queixo e subiu a escadaria de mármore com as pernas bambas, sem se permitir fazer contato visual com ninguém.
Ela não sabia se as pessoas a estavam julgando por ser pega nos braços de outro homem ou se estavam com pena dela por ter descoberto a verdade sobre Jacob e sua melhor amiga.
Quando chegou no topo da escada, o burburinho de conversações recomeçou. Ela pôde ver Edward de lado, aquele homem alto e moreno, em pé perto da porta do escritório.
Não havia nem sinal de Jacob. Ele devia estar fazendo o que ela havia feito mais cedo: juntar forças para encarar aquelas pessoas todas. Ela ousou olhar uma última vez lá para baixo e viu que Edward estava conduzindo os pais de Jacob ao escritório.
Ele ainda estava perto da porta, observando-a subir as escadas. No momento em que ela chegou ao santuário do seu quarto, fechou a porta, apoiou-se contra ela e fechou os olhos, aliviada.
Ela estava tremendo dos pés a cabeça. Lágrimas quentes e estúpidas brotavam de seus olhos. Ela estava realmente chocada com a humilhação por que passara com aquela cena do jardim. Também estava super confusa por causa de seu comportamento com Edward, e ainda mais chocada com o comportamento possessivo dele em relação a ela.
Agora ela estava em pé ali junto da porta, com medo do futuro, e preocupada por ter se comprometido com um homem que qualquer mulher sensata na face da Terra rejeitaria.
— Bella. — murmurou uma voz preocupada. — Você está bem?
Ela abriu os olhos e deu de cara com Jéssica sentada na beirada da cama dela. Seus olhos azuis e seu rosto pálido estavam apreensivos. O coração de Bella parecia ter ido parar no estômago.
— Até parece que você se importa.
— Claro que me importo! — Jéssica pulou da cama e começou a andar em sua direção. — Por que acha que me sentei aqui, e fiquei esperando por você? Eu precisava pedir desculpas e explicar o que aconteceu. Você tem que...
— Não preciso de explicações. — interrompeu Bella. — A cena que vi já esclareceu tudo.
Será que ela realmente pensava que Bella estava se importando? Ela andou até o armário, e Jéssica foi atrás.
— Preciso explicar por que isso aconteceu. — implorou ela. — Você não conhece o verdadeiro Jacob, Bella. Ele é egoísta e dissimulado. Ele finge que você é especial para ele, mas...
— Não finge mais.
— Não... — Jéssica ficou observando-a enquanto arrumava a mala.
Bella queria trocar de roupa antes de partir. Ela só queria fazer isso: arrumar sua mala e dar o fora.
— Você vai embora? — Jéssica perguntou como se fosse uma grande surpresa.
— O que você acha? — Bella olhou para aquela que uma vez fora sua melhor amiga, em pé, perto da porta, com o rosto pálido e cheio de culpa. Mas ela ainda estava vestindo aquele vestido azul, percebeu ela.
— Você me dá nojo! — disse Bella desviando o olhar novamente, com os dedos descontrolado abrindo a mala.
— Eu sei. — Jéssica surpreendeu-a ao concordar. — Eu estou com nojo de mim mesma. Você sabe o quanto eu o odeio! Nunca escondi isso de você, mas...
E a conversa voltara para o "mas", no qual Bella não estava interessada.
— Então, por que você apresentou esse homem que você odeia a sua melhor amiga?
— O quê? — Jéssica piscou com aqueles cílios compridos.
Bella teve vontade de dar um tapa na cara dela. Em vez disso, pôs-se de pé e começou a retirar roupas do cabide.
— Você já estava morando aqui em Roma há seis meses quando vim para cá. Seus amigos tornaram-se meus amigos. Você até me arranjou emprego! Então, por que não me falou nada sobre o caráter desse homem que você diz odiar? Por que me apresentou a ele?
— E o que eu deveria ter feito? Ignorá-lo quando ele estava junto com os outros?
Ela possuía um argumento, concordou Bella, embora não quisesse concordar. Ela começou a esvaziar as gavetas.
— Você o queria. — afirmou ela, só percebendo a veracidade daquilo quando as palavras deixaram sua boca.
Ela parou o que estava fazendo quando começou a perceber tudo muito claramente.
— Ele não estava interessado. Ele já tinha uma namorada. Uma mulher linda, de cabelos pretos e com olhos castanhos belíssimos.
—Leah.— murmurou Jéssica.
Bella fez que sim com a cabeça e virou-se pura olhá-la novamente. Jéssica estava olhando para o chão agora. Seu cabelo, como uma longa cortina, escondia seu rosto.
— Você queria chamar a atenção dele. — começou ela devagar. — E você pensou que o deixaria impressionado dizendo que sua amiga da Inglaterra tinha o sangue dos Volturi.
— Eu nem sabia que ele demonstraria alguma reação quando mencionei o nome dos Volturi.
— Isso era segredo! E por que você não me avisou que havia contado a ele?
Jéssica ficou ruborizada e desviou o olhar. As veias pareciam saltar pelos olhos de Bella.
— Ele ficou com você para conseguir mais informações, não foi? E levou você para a cama.
— Como já disse, odeio esse cara!
Ela realmente odiava, constatou Bella, mas estava tão apaixonada por Jacob que não conseguia dizer não para ele.
— Ele é um manipulador. Ele me usou para chegar até você, e usou nossa relação para que eu não contasse a verdade para você. Ele disse que você nunca me perdoaria. E ele está certo, não está?
— Está. — Bella não precisou nem pensar no assunto.
Ela não estaria passando por tudo aquilo se Jéssica a tivesse alertado, e se não tivesse mencionado o nome Volturi. "Você não a quer. Você nem gosta dela."
Bella respirou fundo. Aquelas palavras cruéis iriam acompanhá-la para sempre, previu ela dolorosamente. Ela se abaixou para pegar a mala e colocá-la em cima da cama.
— Desculpe-me. — Veio o pedido de desculpas murmurado atrás dela.
— Você está chamando o Jacob de manipulador, mas e você, Jéssica? — perguntou ela enquanto continuava botando roupas na mala. — Nós nos conhecemos há anos. Nós contamos tudo uma para a outra.
— Mas você manteve seu caso com Edward Cullen em segredo também. —afirmou Jéssica. — Há quanto tempo vocês estão saindo, querida? Não pense que não notei que vocês estavam agarrados um no outro aquela hora que a mãe do Jacob me arrastou para fora do escritório. Vocês pareciam tão ligados um ao outro que nem conseguiam se focar em qualquer outra coisa.
— Mas pelo menos eu ainda estava com a minha lingerie. — retrucou Bella, olhando de cima a baixo o vestido de Jéssica.
Jéssica quase engasgou com aquele comentário, e começou a ajeitar o vestido com as mãos.
Bella foi para o banheiro pegar seus objetos, deixando Jéssica para trás com sua culpa e seu comportamento baixo. Ao voltar para o quarto, percebeu que Jéssica estava pronta para voltar a atacar.
— Você fica aí bancando a mulher cheia de moral, mas é tão culpada quanto eu por ficar com o homem de outra mulher.
Estaria ela dizendo que Edward tinha algum envolvimento com outra mulher? Isso a deixou paralisada.
Jéssica mirou suas facas em cima dela.
—Sabe a Leah Clearwater? A beldade de cabelos pretos e olhos castanhos de quem você estava falando? Ela é a irmã postiça de Edward Cullen. Era certo que os dois se casariam um dia. Até você aparecer na vida do Jacob.
Então, Edward não estava comprometido atualmente, foi a primeira informação que ela computou aliviada. Ao computar as outras informações, as cores deixaram seu rosto.
— Jacob me disse que eles já tinham acabado o relacionamento.
— E desde quando Jacob fala a verdade? — perguntou Jéssica. — Ele é um mentiroso incurável e um interesseiro. Leah não é tão rica quanto você será um dia, Bella. Ela não é uma Cullen, portanto, não tem direito sobre a fortuna dos Cullen's. Ela estuda em uma universidade cara em Paris às custas, do meio-irmão.
— Você sabia isso tudo e não me contou nada...
— Para que contaria? Eu não sabia que você começaria a trair seu tão amado Jacob com Edward Cullen. — Oh, as facas eram lançadas com toda a força agora. — Mas se eu fosse você estaria me perguntando se Edward Cullen não estaria usando você apenas para se vingar de Jacob por ter acabado com a irmã postiça dele.
Ela voltou a sentir nojo, muito nojo. E virou as costas para Jéssica para que ela não visse as lágrimas que surgiam em seus olhos.
— Eu só não quero que você ache que a culpa disso tudo é minha, só isso! — falou Jéssica. — Se você testemunhou tudo que aconteceu entre mim e Jacob no jardim, então deve ter ouvido quando eu disse a ele que queria contar tudo a você, Bella. Mas você acabou descobrindo antes de eu lhe contar.
Ia me contar depois de transar com ele, claro, pensou Bella amargamente. Ela nunca mais confiaria em ninguém na vida, pensou enquanto colocava o ultimo objeto dentro da mala.
As lágrimas estavam embaçando sua visão. Seus dedos não paravam de tremer. Se alguém tivesse dito a ela que passaria sua noite de noivado assistindo a sua vida ser dilacerada daquela forma, ela acharia graça.
Como poderia acreditar naquilo? Ela precisava sair dali e ainda encarar Edward Cullen, agora sabendo coisas sobre ele que antes não sabia.
Ela fechou bem a mala, forçando o zíper. Para onde iria? E o que iria fazer?
— Deixe-me ir com você. — implorou Jéssica repentinamente, como se ela pudesse ler o que se passava na cabeça de Bella. — Espere por mim, vou arrumar minhas coisas e podemos passar a noite no hotel em que nosso grupo de trabalho está hospedado.
— Eles sabem sobre o seu caso com Jacob? — perguntou ela.
Houve um silêncio frio, duradouro e pesado. Bella olhou à sua volta para ver se estava esquecendo alguma coisa, abaixou para pegar a jaqueta jeans, colocou-a sobre o vestido e pegou a mala.
Chega. Não havia mais por que ficar ali. Com a boca apertada e os olhos decididos andou até a porta.
— Por favor... — foram as palavras de Jéssica. — Não me deixe aqui para encarar isso tudo sozinha, Bella. Você é minha amiga. Você é a única amiga verdadeira que já tive. Deixe-me ir com você. Por favor!
Bella virou-se para ela, vendo aquela amiga que era linda demais. Até as lágrimas nos olhos azuis e o leve tremor dos seus lábios deixavam-na ainda mais bonita.
— Faça bom proveito da sua vida, Jéssica. — disse ela, usando as mesmas palavras de adeus de Marcus Volturi.
Capítulo tenso!! Mas eu ri muito do Edward e a Bella se beijando toda hora na frente do Jacob!! E essa Jéssica tentando se fazer de vítima para a Bella!!! Bemm comentemm !!! Amanhã eu volto com mais capítulos de Impiedosa Paixão e Amor por encomenda! Bjimmm!!!
