Capítulo 10

Boa Leitura!!!

Na manhã seguinte, ela acordou tarde e encontrou o lugar a seu lado vazio. Sentia uma ressaca que não tinha nada a ver com o pouco vinho que havia tomado na noite anterior.

Seu corpo doía — por dentro e por fora. Ela teve que usar toda a energia para se vestir e ir para o trabalho. O dia passou sem nada de especial. Mas a dor de cabeça continuava, e parecia haver um nó em seu estômago que ela não conseguia desfazer. Ao chegar em casa, estava tão exausta que tomou um banho e deitou-se sobre os lençóis de algodão.

Quando Edward chegou, encontrou-a deitada. Ficou olhando-a dormir por um momento, e depois foi tomar banho. Ao voltar para o quarto, ela ouviu seus passos.

— Você voltou. — murmurou ela sonolenta. —Estou com muita dor de cabeça, com vontade de dormir.

Foi a última coisa da qual ela se lembrou quando acordou na manhã seguinte, sentindo-se muito melhor. Edward já havia se levantado da cama. Quando ela o encontrou, ele já estava de terno, pronto para ir para o trabalho.

— Desculpe-me por ontem à noite. Estava me sentindo mal.

— Foi o que você disse.

Havia algo estranho na atmosfera, e o fato dele não ter lhe dado nem um sorriso deixou-a apreensiva. Será que ele estava chateado por causa da noite anterior?

— Estou incomodando você? — disse ela, supondo que o rosto preocupado dele tivesse a ver com os papéis que segurava, não com ela.

— Não. Espere. Preciso que você assine uns papéis para mim. — disse ele.

— Que papéis?

— Contas em bancos e lojas que abri para você, e que requerem sua assinatura. — respondeu ele friamente.

— Mas achei que você tivesse entendido que eu não quero...

— Mas eu quero, querida.

— Você quer que a namoradinha Cullen tenha todos os cartões de crédito na bolsa. Um benefício do título de namorada?

— A noiva Cullen ganharia muito mais.

Já fazia algum tempo que não tocavam na palavra casamento. E ela estava percebendo como era caro sair com um homem tão rico. Era um tal de comprar vestidos de festa, manicure, cabeleireiro... Ela acabou assinando os papéis.

— Você pode largar seu emprego, querida. — disse ele, juntando os papéis assinados. — E em vez de chegar exausta em casa, você estará aqui, linda, me esperando.

— Não há a menor chance de eu largar meu emprego!

Ele insistiu naquela ideia, o que a fez ficar furiosa. Bella deixou-o na sala, e saiu de casa batendo a porta. Montou na sua Vespa e foi para o trabalho.

Bella pegou os turistas no hotel em que estavam hospedados, e foi levá-los para lugares turísticos de Roma. Quando estavam na Fontana de Trevi, ela se sentou um pouco para descansar enquanto os turistas tiravam fotos e jogavam suas moedas na fonte. De repente, ela ouviu uma voz.

— Oi. — cumprimentou Jacob. — Eu sabia que a encontraria aqui hoje. Precisamos conversar.

Ela levou um susto enorme quando o viu.

— N-Nós já conversamos.

— Eu sei. — disse ele, sentando-se ao lado dela.

Bella observou que duas garotas perto deles o paqueravam. Ele era muito bonito mesmo, ela admitia. A dor de cabeça dela voltou a incomodar, e ela desejou não ter saído da cama aquele dia.

— Não se case com ele. — disse ele repentinamente.

— O quê? — disse ela, sem acreditar no que havia acabado de escutar.

— Sei que errei com você. Mas não se case com ele, não cometa esse erro, Isabella.

— Não é da sua conta o que faço ou não na minha vida, Jacob.

— Não é da minha conta, mas eu não podia ignorar isso.

— Mas não vou me casar com ninguém.

— Não minta, querida. Ele me ligou hoje de manhã e contou-me. Vocês vão se casar semana que vem na capela ao lado do Palazzo.

Ela nem sabia que havia uma capela ao lado do Palazzo! Será que Edward estava planejando um casamento surpresa para eles? Será que ele a forçaria a usar uma aliança, porque sabia que ela armaria uma briga se ele tocasse no assunto?

A dor de cabeça dela começou a melhorar, e ela até abriu um leve sorriso. Jacob tirou os óculos escuros, revelando aqueles olhos negros magníficos.

— Você está tão linda. Eu me arrependo muito por ter perdido você. Não se case com ele, Bella. Ele vai magoá-la tanto quanto eu a magoei.

— Chega! Não vou ficar ouvindo você e seu discurso venenoso.

— Pode ser venenoso, mas é a verdade! Ele não quer que eu chegue perto de você porque tem medo das coisas que sei.

— E que coisas são essas que você acha que sabe? — desafiou ela. — Que vou receber uma fortuna dos Volturi quando me casar?

— É. — disse ele. — Isso mesmo.

— Mas não há fortuna nenhuma! Quantas vezes vou ter que repetir isso? — disse ela. — E mesmo que houvesse, Edward não precisa de mais dinheiro. Ele tem a fortuna dele.

— Ele pode não precisar de dinheiro.— concordou Jacob —, mas a maioria dos bens de Edward acabou fazendo parte do patrimônio do seu avô desde que ele morreu. Edward quer reaver tais bens. Ele não quer que outro homem assumam o controle sobre eles.— Ela virou o rosto para não ter mais que ouvir aquela ladainha. — Isabella, juro pela minha mãe que estou falando a verdade. Não quero que você se machuque novamente.

A dor de cabeça de Bella piorou.

— Mas se você não acredita em mim, pergunte ao seu tio. Pergunte por que os bens de Edward passaram para seu avô. Pergunte sobre a rixa dos Cullen com os Volturi que começou quando sua mãe deu o fora no pai dele no altar para se casar com aquele gigolô inglês. —Ela começou a ficar tonta com tudo aquilo. — E ainda por cima estou pondo em risco toda a minha família para lhe contar isso, afinal, Edward pode acabar com a gente se souber.

— Então, por que você está me contando isso?

— Porque descobri que amo você. — declarou ele. — Tive que perdê-la para descobrir isso.

E o pior é que ela acreditou nele. Ele parecia realmente estar falando a verdade. Mas a questão era se ela deveria acreditar em todas as outras coisas que ele linha dito. E ela não encontrava uma resposta para isso. Na verdade, ela mal podia pensar depois de tudo que ouvira.

— O que você vai fazer agora? — perguntou Jacob.

— Vou procurar meu tio e conversar com ele sobre indo isso. — Que mais ela poderia fazer?

— Eu a levo até lá — se ofereceu Jacob. — Você não parece estar muito bem.

— Tudo bem. Mas tenho que levar meu grupo de volta para o hotel.

— Diga qual o hotel e a encontrarei lá.

Duas horas depois, Jacob estava estacionando perto da casa do tio de Bella após fazerem a viagem toda praticamente em silêncio, já que ela o interrompera assim que ele começara a tentar explicar um monte de coisas.

— Como você pode saber tantas coisas sobre os Volturi e sobre mim?

— A empregada do seu tio é amiga da empregada da minha mãe.

Ela fez que sim com a cabeça e interrompeu-o novamente.

— O resto da história prefiro ouvir da boca do meu tio. — disse ela.

O portão, como sempre, estava fechado. Ele estava prestes a sair do carro para abri-lo quando Bella impediu-o.

— Obrigada por me trazer, mas prefiro conversar com meu tio a sós. — disse ela.

Ele percebeu o quão pálida ela estava. Também percebeu que os lábios dela tremiam.

— Você sabe que estou falando a verdade, não sabe? — perguntou ele.

O que ela poderia dizer? Ela não achava que ele inventaria uma história daquelas. Mas tinha esperanças de que tal história não passasse de rumores. Ela saiu do carro sem responder nada.

— Vou esperar aqui. — disse ele.

Bella olhou para ele.

— Não precisa...

— Eu disse que vou esperar, querida. — insistiu ele. — Nunca se sabe; é bem capaz de você ficar feliz em me ver quando sair daí.

Não do jeito que ela suspeitava que ele queria. Bella pôde sentir os olhos dele a acompanhando enquanto abria o portão. Ao entrar, olhou para a caixa de correio que parecia não ter sido aberta durante os últimos 100 anos. O lugar ainda tinha o mesmo aspecto.

Ela começou a tremer ao passar por um arbusto bem grande que escondia boa parte da casa. E se ele se recusasse a recebê-la? E se ele a recebesse, mas se recusasse a responder as perguntas? Ao se aproximar da casa, ela viu o carro vermelho de Edward estacionado.

Ela demorou algum tempo para acreditar naquilo e sentiu raiva. A empregada abriu a porta para ela. Bastou olhar para Bella que ela abaixou os olhos e abriu passagem imediatamente.

— Onde eles estão? — perguntou, entrando na casa.

Eles estavam sentados perto da lareira. Edward foi o primeiro a vê-la.

— Isabella! — disse ele surpreso.

Não fale comigo, ela teve vontade de gritar, mas não ousou dizer isso sem ter certeza de nada. Ela se virou para olhar para Marcus Volturi, que parecia bastante calmo.

— Acho que você tem algumas coisas para me contar. — disse ela.

— Tenho? — As sobrancelhas grisalhas dele ergueram-se. — Até onde sei não tenho nada para conversar com a senhorita.

— Bella.

Ela olhou para Edward rapidamente e voltou a olhar para seu tio.

— Quero apenas que você me diga: afinal, eu sou ou não sou a herdeira da fortuna do meu avô?

— Por enquanto não, senhorita.

— E quando eu me casar? — perguntou ela.

— Você é casada?

— Não. Não sou casada e nem pretendo me casar. E por que você não pode simplesmente responder minha pergunta de uma vez?

Edward resolveu opinar.

— Querida, não faça nenhum teatro. Há uma explicação...

— Uma explicação do que você está fazendo aqui? — Ela o interrompeu. — Ou de como Roma inteira sabe mais sobre minha vida do que eu mesma? Diga-me, Edward, quanto tempo levou para o seu pai se recuperar antes de ir para Paris e casar-se com outra mulher, muito mais jovem?

— Quem andou conversando com você?

— E o que importa quem andou conversando comigo, quando qualquer pessoa em Roma sabe que minha mãe deu um fora no seu pai para se casar com o meu pai e que Marcus Volturi não passa de um desgraçado!

— Hah! — Marcus riu. — Esta é espirituosa. Tem o sangue dos Volturi. Será difícil domar esta criança, Edward.

— Não sou criança.

— Seu avô teria orgulho de você.

— Por que não me conta logo o que preciso saber?

— Porque seu avô não queria. — Edward intrometeu-se. — Marcus não pode discutir este assunto com você até que você esteja de acordo com os termos.

— Como posso estar de acordo se nem sei que termos são esses?

— Exatamente. — respondeu Edward. — Os Volturi não facilitam a vida de ninguém, querida.

— Podemos discutir os bens dos Cullen, então?

— Quem contou essas coisas para você? — perguntou Edward.

— Black? — sugeriu o tio dela.

— Ele não ousaria — respondeu Edward. — Eu o avisei. E como foi que você veio até aqui, querida? Você não está com cara de quem viajou 90 quilômetros em uma Vespa. —Houve um silêncio por um momento.— Você veio com ele.

— Talvez ele me ame mesmo. — desafiou ela.

Edward se aproximou com a rapidez de um raio. Ela só percebeu que ele havia se movido quando pousou as mãos sobre os ombros dela.

— Edward! —, chamou Marcus, mas ele ignorou-o por completo.

— Retire o que disse ou mato vocês dois.

Ela estava tremendo, mas mesmo assim inclinou o queixo para cima. Seus olhos brilhavam tanto por causa das lágrimas como também da raiva.

— Ainda aquela rixa familiar antiga? — provocou ela.

— Não há rixa nenhuma. Mas se você não retirar o que disse, começaremos uma agora mesmo.

— Por que você não confessa seus pecados, e então eu confesso os meus?

— Não tenho nenhum pecado para confessar.

— Você mentiu para mim o tempo todo. Fizemos amor durante todas estas semanas como se fosse algo especial, mas tudo o que você queria na verdade era isso. Você vai negar que alguns de seus bens meu avô detém a posse?

Ele respirou fundo antes que fizesse alguma coisa impensada.

— Querida... — murmurou ele.

— Não chegue perto de mim! — Ela levantou um braço para se proteger dele. — Eu preciso... — recompor-me e acabar de uma vez com isso tudo, pensou. Foi aí que se lembrou de algo que lhe provocou um grande frio na barriga. — O que eram aqueles papéis que você me fez assinar hoje de manhã?

Houve uma troca de olhares. O de Edward não lhe dizia absolutamente nada, mas o de seu tio dizia que ela não devia ter perguntado aquilo.

— Diga-me! — mandou ela.

— Você pode se casar com quem você quiser, mas sua fortuna vai ser controlada por mim.

Preciso sair rápido daqui, antes que eu desmaie e passe por mais esta humilhação, pensou desesperada.

— Tudo bem. — respondeu ela. — Já que é assim, não vou me casar.

— Isso, querida. Não se case mesmo. — disse Marcus.

— Fique fora disso, Marcus! — respondeu Edward. — Você só diz isso para poder continuar com o direito de morar aqui.

— Verdade. — concordou Marcus. — Até eu morrer, quando então o dinheiro irá para caridade.

— Bem, boa sorte para o senhor. — disse Bella. — Espero que o senhor aproveite este conforto solitário pelo resto dos seus dias.

Tendo dito isso, ela se virou e pôs-se a andar em direção à saída. Ouviu Edward chamar seu nome, mas continuou andando. Ela já estava farta de Roma. Ela voltaria para a Inglaterra e nunca mais poria os pés na Itália.

Rsrs! Simplesmente adoro esse capítulo! Até que enfim a Bella reagiu pra vida! Rsrs tadinho do Edward só quer ajudar ela! Só que se enrolou ainda mais! Ah acabei de publicar uma adaptação, vão lá no meu perfil e aproveitem outro romance maravilhoso!! Comentemmm! Bjimmm!!!