(Santana)

Bem que gostaria ser capaz de esconder o meu sorriso. Ainda conseguia me segurar para não fazer comentários, mas deixar de sorrir? Era uma tarefa quase impossível. Coloque-se no meu lugar: como não se segurar ao ver a pomposa Fabray Jr. passear pelos corredores com dois quilos de maquiagem na cara para esconder um saboroso olho roxo? E o melhor da história é que eu fui a causa.

Desde que Rachel levou slushie na cara, parecia que aquela escola decidiu que estava tudo bem agredir quem eles consideravam losers: e minha irmã foi a vítima favorita. Pelo menos três vezes por semana, que era atacada. Não apenas ela: tinha o garoto gay, os integrantes do clube da matemática (do qual eu me recusava fazer a parte – preferia a morte), e até dois dos garotos que estavam na classe dos Power nerds. A princípio, eu fiquei horrorizada com aquilo, e tinha raiva em ver Quinn e outros idiotas atacando Rachel. Mas depois de duas semanas vendo essas cenas quase que diárias, acho que me acostumei. Eu podia despejar o meu repertório de ofensas em cima de alguém, mas era incapaz de tomar parte dos ataques com slushies, e até prometi a mim mesma que nunca faria uso disso.

Virou até rotina em pouco tempo: Quinn jogava slushie na cara de Rachel e eu fingia que não me importava. Até que começou a circular uma fofoca de que minha irmã teria reagido e empurrado Quinn, que caiu de bunda no chão. Versão de Rachel: Quinn tropeçou no próprio pé e caiu sozinha. Sinceramente, eu acreditava na minha irmã. Rachel era capaz de brigar com os próprios punhos caso fosse preciso: eu ensinei isso a ela: do meu jeito, claro. Mas daí a brigar na escola... não, ela não seria capaz disso a não ser em uma circunstância excepcional.

O problema é que ouvi Frannie instigando Quinn a revidar o tropeção com agressão física. Foi nesse momento que apertei o botão do foda-se pela primeira vez naquela escola. Esperei Quinn se distanciar da tropa de choque que protegia Frannie e ela. Então a "seqüestrei" e a levei para debaixo das arquibancadas do campo de futebol, porque sabia que o local estaria vazio naquela hora. Ou no máximo teria uma ou duas skanks fumando: só que essas garotas não estariam nem aí para um acerto de contas entre cheerios.

"O que você acha que está fazendo, Lopez?" Quinn esbravejou.

"Se você encostar um dedo que seja na minha irmã, eu juro que te arrebento."

"Rachel me empurrou!"

"Você tropeçou!" Respondi na lata e pelo olhar que ela fez, vi que minha irmã disse mesmo a verdade. "Se quiser bater nela, bata em mim primeiro... se for capaz!"

Bom, eu conhecia Quinn há alguns anos. Quer dizer: a gente se cruzava ocasionalmente pela cidade e frequentava a mesma escola. É nesse sentido que eu a conhecia. Ela sempre foi a personificação da pessoa estóica, até entrar em McKinley, quando colocou as asinhas de fora. Mas eu não me lembrava de tê-la visto com tanto ódio. Ela realmente foi para cima de mim. Então eu a empurrei e encaixei um direto de esquerda muito bem dado. Quinn cai no chão e eu a encarei sério.

"Você pode até continuar levando essa façade de herdeira do trono. Pode até continuar a ser ridícula jogando slushies na cara da minha irmã só para fazer valer um ponto. Mas se você bater nela, juro que você vai apanhar duas vezes mais."

Deixei ela no chão.

Papai tinha razão quando disse que sempre procuraria proteger Rachel ao meu modo. Faz parte de mim.

Foi por isso que Quinn apareceu hoje na escola com uma pesada base no rosto.

"Tanta maquiagem não vai derreter?" Provoquei assim que ela passou por mim no corredor no horário antes da segunda classe. Não dava para segurar.

"Não mais do que você precisa de outra vida e atitude."

"Disponha."

Meu espírito estava tão leve que pensava em poupar a sanidade da professora de cálculo. Também tive aula de espanhol com o pior professor possível. Sr. Schuester mal sabia o básico para ele conseguir se virar num país de língua espanhola, quanto mais para ensinar. Aliás, aquela escola era uma piada no quesito qualidade de ensino. Era possível contar cinco professores realmente bons. Já todos os outros eram apenas uma triste piada. Noutro dia, eu escrevi uma receita de bolo em espanhol para responder uma pergunta da prova do Schuester: ele deu a questão como correta! Inacreditável aquela escola. Só mesmo a minha alma-gêmea para me fazer ficar ali.

No terceiro horário, Brittany se apreçou a ir ao meu encontro quando me avistou.

"Você viu, San?" Ela me puxou pelo braço. Estava aflita. Havia cheerios amigas de Frannie ali por perto e começaram a rir alto. Franzi a testa para elas antes de voltar minha completa atenção a Britt. "Rachel levou um mega banho de slushie! Usaram um balde dessa vez! Ela saiu chorando para o banheiro." Bem que desconfiei que Quinn não ia deixar o soco passar barato.

"Rachel sabe se virar!" Procurei esconder qualquer sentimento.

"Mas San..."

"Rachel é esperta. Ela vai saber lidar com os problemas sem a nossa ajuda. Logo ela estará bem. O que você precisa fazer agora é esquecer a minha irmã se concentrar na próxima aula!"

"E você?"

"O quê?"

"Vai para a aula?" Brittany me encarou. Com certeza não engoliu a minha calma. "Se você disse que Rachel sabe lidar com os próprios problemas e não vai ajudá-la, então tem que ir para a aula, certo?"

"Certo! Quer que eu te leve para a sua sala?"

"Queria te levar para a sua."

Brittany era esperta. Ela conseguia farejar quando pensava em me meter em encrencas e fazia de tudo para evitar. Por cima do ombro dela, vi Quinn e Frannie rindo e se cumprimentando. Depois, a Fabray mais velha cruzou com o namorado e deflagrou em público uma cena de beijo merecedora de um filme pornô. Os dois começaram a andar abraçados em nossa direção. No momento em que nossos olhares se cruzaram, Frannie piscou. Meu sangue ferveu. Respondi erguendo o meu dedo médio.

"Vou te deixar na sala, Britt Britt."

"San, não vá se meter em confusão!"

"Prometo que não vou."

Brittany me encarou nos olhos, então desistiu. Unimos os pinkies e caminhamos até a sala dela. Depois entrei no banheiro mais próximo da saída e esperei o sinal. Os monitores estariam preocupados em fazer com que os atrasados chegassem aos seus destinos e a saída ficava desprotegida. Não precisei fazer qualquer esforço para me esconder e correr em direção à saída. Procurei o Ford Fiesta 2007 preto com a placa "Queen F". Nada mais brega e clichê. Peguei uma caneta e me abaixei diante de uma das rodas. Olhei para os lados para me certificar de que ninguém se aproximava. Estava tudo limpo. Então desenrosquei a tampa do pito e usei a caneta para esvaziar. O ar saiu forte.

"Ei! O que está fazendo?" Levei um susto tremendo que me fez perder o balanço e cair de lado. Meu coração foi à boca. Olhei para cima e vi uma guria negra e gordinha. Deu vontade de gritar para ela sair dali e me deixar em paz. Talvez ameaçá-la caso ela abrisse a boca. Mas meu instinto me levou para outra direção: conversar.

"O que acha que estou fazendo?"

"Esvaziando um pneu!" Revirou os olhos. "A questão é por quê?"

"Bom... esse é o seu carro?" Voltei a me concentrar na válvula do pneu para tirar aquela droga de ar.

"Não!" A menina continuou ali parada.

"Então o problema não é seu!"

"Não sei se alguém te avisou, mas este carro é de Frannie Fabray."

"E daí?"

"Se Frannie descobrir, você está morta! Diga adeus para o seu uniforme e tudo mais."

"Você é amiga dela ou algo assim?"

"Pro inferno que não!"

"Então façamos o seguinte: você não conta que me viu aqui e ganha alguma risadas extras depois. O que acha?"

Para minha surpresa, a menina sentou-se no chão, diante do outro pneu, e começou a tentar esvaziá-lo. Logo vi que pequenos atos marginais não eram a dela. A gordinha se atrapalhou e desistiu. Então ela sentou-se no meio fio entre os carros, e ficou me observando. Não tinha o que conversar com ela, por outro lado, também não parecia uma pessoa com quem teria de me preocupar. Voltei a me concentrar no meu serviço e logo parti para o segundo pneu.

"Mercedes Jones." Ela se apresentou.

"Santana." Respondi sem olhar para ela.

"Você é a irmã da garota que é perseguida por Quinn, não é mesmo?"

"É o que as pessoas estão dizendo?"

"É apenas um boato. Mas então, você é ou não é irmã dela?"

"Infelizmente..."

"Quando Kurt me disse, não acreditei. Como podem ser tão diferentes? Digo, vocês não se parecem muito, a não ser na magreza, talvez nos cabelos lisos e em alguns detalhes aqui e acolá, como as maçãs do rosto. Alguma foi adotada?"

"Você é uma boa observadora pelo jeito" Ironizei. "Existe uma história que definitivamente não é da sua conta." Para minha surpresa, Mercedes respeitou e não insistiu.

Logo o segundo pneu estava no chão. Fui rapidamente para o outro lado do veículo. Comecei a tirar o pito da válvula quando outro alguém se aproximou sorrateiro. Levei um susto achando que fosse um guarda ou algum dedo-duro. Era Rachel. Tive de tampar minha própria boca para não gritar ou xingar alto.

"O que você está fazendo aqui?" Gritei sussurrando. Mas depois senti um aperto no coração ao vê-la com os cabelos molhados e presos num rabo de cavalo improvisado. Ela vestia o uniforme de educação física, a saia estava molhada e os sapatos estavam manchados.

"Eu vi você fugindo e passei um bom tempo no impasse se deveria te seguir ou não. Aqui estou." Percebeu que Mercedes ainda estava ali nos observando e acenou para ela para logo em seguida voltar a atenção para mim. "De quem é este carro e o que pensa que está fazendo?" Bronqueou. "Se você for pega, vai ser suspensa e nossos pais vão te matar. Você vai ficar de castigo por meio século!"

"Esse carro da Fabray rainha e isso se chama contra-ataque."

"Da Frannie?" Pude perceber que Rachel estava reconsiderando. "E se elas souberem?"

"Só se uma de nós contar..." Mercedes estendeu a mão a Rachel. "Mercedes Jones".

"Rachel Berry-Lopez!" Minha irmã a cumprimentou rapidamente e passou para o outro pneu. Começou a esvaziá-lo com a mesma facilidade que eu. Sim, ela tinha experiência neste tipo de traquinagem: eu a forçava a me ajudar a esvaziar os pneus de bicicletas de alguns valentões e meninas chatas que cruzavam nosso caminho. Esvaziamos o pneu do carro do vizinho uma vez.

"Por que está disposta a guardar segredo?" Perguntei a Mercedes.

"Meu irmão, Ethan, não suporta a Frannie, mas ela é namorada do Harry, o melhor amigo dele. Toda vez que Frannie vai lá em casa, diz alguma grosseria para mim. Ela é insuportável, me trata mal, não respeita nem o fato do meu pai ser o dentista dela e que freqüentamos a mesma igreja."

"Ethan Jones é o zagueiro do time de futebol da escola, certo?" Quis me assegurar.

"O próprio!"

"Legal! Você tem certa imunidade."

"Nem tanto. Ter irmão popular não adianta se as pessoas ainda te consideram uma loser."

Terminei mais um pneu e me sentei ali no asfalto esperando Rachel terminar com o dela. Foi questão de um minuto ou dois e nosso crime estava feito. O carro estava no chão e as Fabray teriam de voltar para casa de guincho. Só em imaginar a vira-lata nazista surtando no estacionamento já dava uma satisfação enorme. Mal podia esperar para ver ao vivo.

"Parece que o mal está feito." Mercedes sorriu. "Hora de dar o fora daqui."

Como sempre, liderei o caminho de volta, tomando cuidado para que ninguém nos flagrasse. Entramos sorrateiras de volta ao prédio da escola e entramos no primeiro banheiro para nos lavar e também para esperar o próximo sinal de troca de classes.

"Pena que aqui não tem sabão em barra e um pouco de areia." Rachel comentou.

"Para quê areia?" Mercedes estava intrigada.

"Tira a graxa das mãos." Completei a explicação.

"Algo me diz que esta não é a primeira vez que vocês fazem esse tipo de coisa."

"E isso não é da sua conta!"

"Santana, aqui..." Rachel me passou as toalhas de papel e terminou de se limpar, tentando tirar mais um pouco do grude do açúcar do corpo. Rachel devia estar desesperada por um banho e por um triz não sugeri que ela tomasse uma chuveirada no vestiário. Mercedes ajudou arrancando mais papel-toalhas para minha irmã.

A gordinha parecia ser uma pessoa legal. Se não me engano, tinha duas ou três classes com ela. Não costumava reparar bem em outros que não me interessavam. Mas amizade com ela era improvável. Mercedes se vestia como se quisesse imitar Miss Eliot, só que estava muito longe de ter algum apelo ou brilho próprio. Em outras palavras: loser. Ouvimos o sinal e fiquei aliviada por sair daquele banheiro de escola fedorento.

"Amigas?" Mercedes estendeu a mão para se despedir.

"Parceiras neste crime." Retornei o gesto. "Isso não quer dizer que nós seremos amigas."

"É a coisa de ser cheerio, certo?" Apontou para o uniforme e me limitei a acenar. "Até qualquer dia!"

"Até!" Saí do banheiro, deixando as outras meninas às sós. Rachel iria tentar puxar assunto e propor amizade. Aposto. Quem sabe ela até iria propor entrar naquele coral de fracassados formado apenas por duas pessoas?

Encontrei Brittany novamente na hora do almoço. Ela estava conversando com Cherrie, Amy e outras cheerios novatas. Impressionante como ela conseguia fazer amizade. Era uma pessoa muito fácil de lidar. Uma pena que nem todos compreendiam o lindo mundo cor-de-rosa em que vivia. Ficaria mais tranqüila caso não houvesse tanta gente neste mundo disposto a tirar proveito dela, do talento que tinha, da inocência.

"San!" Ela acenou para que eu me aproximasse da mesa. "Viu Rachel?" Enrugou a testa.

"Sabe..." Disse mais para as outras cheerios do que para Brittany. Não podia confiar nelas porque sabia que elas eram leva e traz. "Estou nem aí para os problemas daquela loser. Estou mais interessada é na festa que Richard Mason vai dar uma festa neste fim de semana!"

Não haveria atividade das cheerios após as aulas, por isso, aquele era o único dia da semana em que eu e Rachel voltávamos para casa juntas de bicicleta (quando não chovia). Minha irmã, como sempre, estava me esperando no estacionamento. Mas desta vez algo estava diferente. Ela olhava fixamente em direção do carro das Fabray. Frannie berrava que ia matar o delinqüente que esvaziou os quatro pneus do carro. As colegas próximas estavam correndo para emprestar estepes e alguns coitados se organizavam para trocar os pneus. Quinn permanecia encostada num outro carro qualquer olhando para o mundo como se fosse cool demais para aquele pandemônio. A cena era hilária!

"Vamos dar o fora daqui, Ray, antes que sobre para nós."

"Não posso apreciar mais um pouco?" Fazia muito tempo que não via Rachel ficar tão feliz com um mau-feito.

"A gente não tem a mesma cara dura do Comediante, que mata e ri."

"De quem?"

"Watchmen."

"O quadrinho daquele autor que escreveu o pornô que você baixou na internet escondido dos nossos pais?"

"Sou uma menina curiosa. E aquilo é arte." Tirei o cadeado e a corrente da minha bicicleta. "Vamos!"

Evitamos passar no meio do fogo cruzado. Frannie berrava e sacudia os braços igual uma louca histérica. Acho que estava prestes a se ajoelhar no chão e fazer um discurso ao estilo Scarlett O'Hara, de E o Vento Levou. Ela pegaria as pedrinhas do asfalto e juraria nunca mais ser ludibriada e humilhada. Sem falar nas juras de morte.

Francamente, querida, não dou a mínima.

Rachel e eu não éramos as únicas que estava apreciando o espetáculo com um doce sabor de vingança nos lábios. Um pouco mais afastados estavam Mercedes Jones e o garoto afeminado que era jogado na lata de lixo quase todos os dias por Puck, Hudson e outros trogloditas. Rachel acenou para os dois e seguiu com um sorriso enorme no rosto.

"Será que ela vai contar a alguém?" Rachel perguntou impostando a voz, para que eu pudesse escutar. Estava um pouco à frente dela, concentrada demais nos três quilômetros e meio de pedaladas que teríamos pela frente até a nossa casa.

"Sei lá! Acho que não."

"Você que gosta tanto de quadrinhos, deveria inventar um personagem para essas coisas. É importante deixar uma marca, sabe? Podemos chamá-lo de El Justo!"

"E vai marcar as paredes com um "z"?" Aquela era a idéia mais idiota do mundo.

Entendo que foi uma boa vingança, mas minha irmã exagerava. Por que tinha de ser tão dramática em tudo? Aquilo só foi só mais um dia que fizemos uma de nossas ações de vingança. Quer dizer, que eu fiz a vingança e ela participou. Apesar de que, se for pensar bem, foi a primeira vez em muito tempo que eu não precisei forçar Rachel. Talvez devêssemos comemorar ou algo assim. Uma gloriosa vitória só por hoje, porque sabia que amanhã e depois e depois, Frannie continuaria a pegar no meu pé nos treinos das cheerios e Quinn iria jogar slushies na cara de Rachel. Pneus esvaziados não mudariam isso.

"Um dia você vai ver. Eu vou ser estrela da Broadway e essas pessoas que hoje me maltratam vão brigar para ser minhas amigas."

"Não creio que seja o tipo de amizade que você vá gostar de ter, Ray. Eu não iria!"

"Bom..." Ela reconsiderou enquanto descemos de nossas bicicletas já na frente de nossa casa.

Rachel abriu a porta da garagem e deixamos nossas bicicletas lá dentro. Papai estava em casa, mas o carro de papi, como sempre, estava ausente. Encontramos papai conversando com um home e uma mulher. Ele sorriu ao nos ver e nos apresentou a um casal de amigos que estudou junto com ele na OSU. Casal hétero.

"Vocês não se lembram de Fred e Chloe?" Papai perguntou.

"Desculpe..." Eu disse. Rachel se manteve longe por razões óbvias. Não queria chamar atenção para o seu estado.

"Vocês eram pequenas na última vez que estivemos aqui..." A mulher comentou e então olhou para Rachel e franziu a testa. Ela sacou que algo aconteceu e ficou em dúvida se era delicado ou não comentar. Antes que se decidisse, sorri para os convidados já empurrando minha irmã para fora da cozinha.

"Se me dão licença, nosso dia foi longo e precisamos subir."

Desculpei-me e pude ver que Rachel ficou agradecida por ter agido depressa. Papai andava desconfiado de que algo fora do normal estava acontecendo na escola e chegou a perguntar uma vez porque Rachel ia para escola com uma roupa e voltava com outra. Era uma conversa que talvez a gente não fugiria, mas ela não aconteceria naquele dia. Subimos as escadas e cada uma foi para seu quarto. Devido as circunstâncias, nem cogitei em reivindicar o banheiro primeiro. Tirei o tênis, me joguei em cima da cama e fiquei olhando para o teto. Meia hora depois, Rachel bateu à porta do meu quarto.

"Santy? Posso entrar?"

"Pode!"

Rachel estava de banho recém-tomado, cheirando a rosas, em roupas normais e limpas de ficar em casa. Ela sentou na minha cama e sorriu para mim, de um jeito que raramente fazia nesses últimos tempos.

"Você se importa!"

"Cai fora, elfo."

Rachel simplesmente se levantou e saiu do meu quarto. De alguma forma, ela estava mesmo feliz.