(Rachel)

Andy Mastrantonio era um dos jogadores mais populares do time de futebol da escola. Como o sobrenome sugeria, era descendente de italianos. A família possuía uma rede de padarias em Lima e Dayton, e era cliente do escritório de contabilidade de Russell Fabray. Havia alguns garotos com fama de garanhões em McKinley. Harry Morgan, Noah Puckerman, Andy, Jonas Lance, só para citar os principais. Harry Morgan era namorado de Frannie Fabray desde quando eram sophomore, mas fidelidade não era o forte entre os dois, diziam as más línguas. Noah Puckerman, que pertencia à pequena mais unida comunidade judaica de Lima, fazia o tipo rebelde bom de cama que tratava bem as mulheres. Jonas Lance era o único conquistador famoso que não era um atleta. Ele tinha um site de poesias (lindas por sinal) e defendia a poligamia: circulava com duas namoradas fixas pela escola.

Andy Mastrantonio não era poeta, não tratava bem as mulheres e nem tinha a namorada dos sonhos ao lado para acender a cobiça de terceiros. Era um sujeito bonito e rico, fato, mas de talento duvidoso e que se achava dono da cidade. Considerava esta uma combinação das mais perigosas.

A população escolar de William McKinley estava ciente que Andy era mau-caráter. Por isso não entendia como Santana pôde cair nas garras dele. Um dia cruzei com os dois no pequeno pátio interno da escola, que era ocupado nos dias de chuva e neve. Estavam conversando e rindo um para o outro. Achei plausível de os dois se falavam porque a companhia masculina das cheerios costumava a ser de atletas. No dia seguinte, Santana saiu com ele para ir ao cinema. Quem vai ao cinema em dia de semana (apesar da entrada mais barata)? Meus pais permitiram e apreciaram o fato de que Santana voltou no horário correto. Andy também foi o primeiro garoto que se apresentou propriamente lá em casa. Era como se as intenções em namorar minha irmã fossem as melhores possíveis.

Eu alertei, discuti, disse que esse sujeito não prestava. Disse palavras que se Santana estivesse presente, teria avançado no meu pescoço. Minha irmã só tinha 15 anos recém-completados e estava à mercê de um vampiro, um sugador de almas com fama de desvirginador de garotas inocentes. Andy estava longe de ser como aqueles garotos bobos que levavam a gente aos bailes na época de Junior High. Meu pai disse que sempre estaria vigilante, mas papai me perguntou do jeito dele se estava com ciúmes de Santana. Claro que não estava! Mas confesso que fiquei mortificada ao vê-la com os lábios grudados nos dele. E assim foi por mais de uma semana.

"Eu odeio esse cara!" Resmunguei para Brittany. Ela foi ao meu encontro para me emprestar uma roupa extra depois de mais um ataque comandado por Quinn Fabray. Estava começando a pensar seriamente a levar uma muda de roupa para a escola e deixá-la no meu armário.

"Ele é do time de futebol e Santana é uma cheerio. Os dois têm de ficar juntos. São as regras, entende?"

"Não entendo. Essas regras não passam de uma tradição idiota baseada em puro comodismo e preconceito." Não agüentava mais ver aquele grude e fui em direção aos vestiários para trocar de roupa, Brittany continuou a me acompanhar. "Bem que você poderia ajudar!"

"Ajudar como? Coisas de escola é com a San. Eu posso te ajudar na sua dança... ainda é muito ruim, se quer saber".

"Britt, foca no problema aqui por dois minutos. Será que não vê o grande quadro? Santana é inexperiente e Andy é um cretino. Ele vai fazer mal para a minha irmã, eu posso sentir. É o meu sexto-sentido potencializado com o fato de sermos gêmeas. Eu simplesmente sei." Suspirei. Achava exaustivo ter de explicar sempre o óbvio a Brittany.

Tirei minha blusa arruinada e me limpei o melhor possível antes de colocar a emprestava. Tinha levado tantos slushies que desenvolvi boas técnicas de limpeza dentro de um banheiro público. Usava chuveirinho para lavar o cabelo, toalhas de rosto começaram a fazer parte do meu material escolar, assim como aquelas amostras grátis de condicionadores. Só não tive jeito de levar o secador. Pensava em comprar um pequeno exclusivamente para a escola e guardá-lo no armário. Vesti a blusa de frio de Brittany. Ficou um pouco grande e não combinava com o resto do conjunto, mas era melhor do que continuar ensopada.

"Santana não me escuta." Insisti no assunto quando saímos do vestiário. "Ela mal fala comigo dentro de casa, quanto mais aqui na escola. Mas ela te escuta. Tenho certeza que..."

"Oi Britt." Finn Hudson passou por nós e eu me esqueci de terminar o meu raciocínio. Juro que ele era o garoto mais bonito de McKinley High. "Oi..."

"Rachel!" Respondi depressa.

"Oi Rachel."

"Oi Finn!" Respondi com entusiasmo e ele deu um meio sorriso que achava um charme.

Olhei para trás depois que ele passou por nós. Finn era um garoto muito alto para a idade. Tinha 15 anos e mais de 1,80 m de altura. Treinava no time de futebol da escola e era o segundo reserva de Harry Morgan. O reserva imediato era Pete Jansen, mas ele também era um sênior, logo, Finn assumiria a posição mais importante do time de futebol da escola no próximo ano letivo e se tornaria, por tabela, o garoto mais popular da escola.

Notei Finn Hudson logo na segunda semana de escola. Ele estava ausente na primeira por causa de uma viagem com a mãe. Não consegui apurar isso muito bem pela ausência de fontes próximas. Na primeira vez que o vi, andava junto com Noah. Acredito que os dois eram amigos antes de McKinley. Noah já não falava comigo nos eventos da nossa comunidade, então não esperava que ele fosse começar a se socializar na escola, por isso não tinha como saber. Santana poderia ser outra fonte de informação, mas ela simplesmente descartou Finn do ciclo de amizades. Dizia que ele era tapado e cansativo.

Feliz fiquei quando percebi que Finn estava em duas das minhas classes. Dificilmente ele conversaria comigo pelos corredores por ser do time, e por eu ser alvo de slushies de Quinn Fabray. Mas sempre poderia me aproximar usando as aulas como desculpa.

"O que dizia?" Britt me fez voltar à realidade.

"Bom..." Estávamos falando de Santana e Andy? Certo. "Que se você alertasse a minha irmã contra Andy, tenho certeza que ela te escutaria."

"Eles ficam bem juntos. Olha só!" E o casal 20 apareceu andando abraçados. Quis vomitar.

Os dois se despediram com um beijo desses bem vulgares e Santana andou em nossa direção. Ela me ignorou por completo e estendeu o pinkie para Brittany. Elas saíram para outro lado enquanto eu fiquei ali parada como uma boba. Desde que Santana deixou claro que me ignoraria na escola, comecei a fazer um treinamento mental intensivo para não ficar magoada. As coisas melhoravam com o tempo: as atitudes de indiferença dela estavam cada vez menos dolorosas para mim.

"Dá licença? Preciso usar o meu armário!" Era Artie Abrams, o garoto da cadeira de rodas.

"Oh, claro." Me afastei.

Vi Santana e Brittany dobrarem a esquina do corredor. Tinha uma sensação ruim no meu estômago. Meu sexto sentido estava em alerta.

...

23 de janeiro de 2010

(Santana)

Vestido de estampa azul escuro e cinza colado no corpo. Estava frio, por isso era de manga três quartos. Para dar um pouco de charme, um casaco peludo claro. Botas nos pés. Santana Lopez, você está sexy. Pisquei para a minha imagem no espelho e passei o batom. Precisava estar perfeita. Essa era a primeira festa em que apareceria como namorada de Andy Mastrantonio. A gente estava juntos a pouco mais de uma semana e, embora todo o colégio estivesse ciente disso, aparecer assim numa festa queria dizer que o jogo era para valer.

Foi Andy quem me abordou na escola num momento em que não pensava em ninguém especificamente. Brittany estava indo bem em McKinley e era bom que ainda podíamos ir para minha casa trocar alguns beijos. Não é que fosse gay, e também não pensava que isso fosse errado, afinal, tinha um pai que se declarava bissexual e outro gay. Sentia atração pelos garotos e namorei com dois na Junior High. Nada muito sério. Terminei com eles porque sou uma grande bitch. Mesmo com um namorado ao lado, não abria mão da companhia de Britt. Era confortável ter a minha melhor amiga na escola e, em casa, ainda poder ganhar alguns beijos macios e quentes que me deixavam com as pernas bambas. Sei que isso não me fazia ser uma garota hétero, por isso estava bem confortável como uma bissexual... por enquanto, no armário.

Quando Andy apareceu querendo sair comigo, encarei tudo com ceticismo, até porque ele fazia parte da turma de Frannie Fabray. Mas a análise da dinâmica social de McKinley High não era complexa. Andy era um garoto popular com fama de pegar garotas virgens. Sério... eu podia apostar que ele tinha vibração pedófila, afinal, se ele preferia virgens, como seria a vida amorosa dele aos 30? A questão é que eu não estava nem aí para as taras de Andy para daqui a 10 dez anos. O que me interessava era que as garotas que ficavam com ele subiam na hierarquia social.

Um dia ele me propôs uma ida ao cinema seguida de um jantar legal no Breadstix junto com os amigos dele. Fui tão bem tratada que pensei: por que não? Ele era um cara popular, bonito e cheirava bem. Sabia da má fama com as meninas e pensei que talvez, se jogasse as fichas certas, poderia ter mais sorte, durar mais. Poderia valer à pena. Quando as pessoas souberam que estava com ele, minha popularidade aumentou instantaneamente. Era a nova garota de Andy e tinha acesso a rodas que sequer sonhava em integrar.

"Você não deveria ir. Tenho mau pressentimento." Rachel apareceu na porta do meu quarto. Como eu gostaria de esganá-la nesses dias.

"Eu também tenho um mau pressentimento." Olhei para ela através do espelho. "Que alguém será morto caso não desapareça em cinco segundos do meu quarto."

"Andy vem te pegar?"

"Claro!" Voltei a olhar para o espelho para colocar meus brincos e algumas bijuterias. "Já avisei papi e papai que vou dormir na casa da Britt".

"Até parece!" O tom dela era insolente, como sempre.

"Não é da sua conta!"

"Depois não diga que não avisei."

Tinha certeza que ela tinha feito o terror a respeito de Andy para nossos pais. Rachel era capaz de guardar muitos segredos caso fosse necessário, mas a partir do momento em que ela se interessava e ficava obcecada por algo, abria aquela grande boca. Do contrário, não teria recebido tantas recomendações de cuidado e prudência dos meus pais quando Andy veio me buscar.

Ele morava no bairro do country club e era mais um desses exemplos de alunos muito ricos que misteriosamente iam parar em McKinley em vez de Carmel. Em certos casos, a razão era pura falta capacidade acadêmica. Muitas dessas pessoas queriam apenas passar pela high school, uma vez que não teriam de se esforçar muito pelo resto da vida. Era o caso de Andy.

O casarão dos pais dele estava lotado de carros. Não eram só os garotos da escola que estavam ali. Deparei-me com pessoas mais velhas, talvez gente que estudava na unidade da OSU de Lima, onde meu abuelo foi professor. Também estavam lá toda a turma de seniors populares: Frannie, Harry, Ethan... E também as pessoas mais próximas daquilo que poderia chamar de minha turma: Puck, Britt, Mike, Amy e Matt. Até mesmo Quinn Fabray e Finn Hudson estavam por lá. Pareciam que aqueles dois começavam a ensaiar uma aproximação que faria deles, no próximo ano letivo, o casal it.

Brittany se divertia na pista de dança, que era o lugar natural dela. Ela poderia dançar qualquer estilo sempre com movimentos precisos e até originais. Estava em companhia de Mike e de Matt que, para minha grata surpresa, eram bons dançarinos. Puck estava em missão para transar com Amy, e eu podia ver Finn conversando com Fabray Jr, mas ela não parecia muito interessada. Ela nunca parecia estar muito interessada em nada, a não ser em atormentar a minha irmã.

Eu dançava, bebia algumas cervejas e ficava com Andy. As coisas na festa começaram a evoluir com a presença da maconha. Andy não fumava, mas disse que não ligaria caso aceitasse. Não quis. Era melhor continuar com a cerveja.

A festa progrediu um pouco mais. Podia ver alguns garotos experimentando outros tipos de drogas, como êxtase. Tinha uma menina em trajes mínimos que passou com um copinho distribuindo umas cartelas. Daí você coloca uma debaixo da língua e espera o efeito. Andy pegou uma e me ofereceu. Fiquei tentada, mas recusei, apesar de já ter bebido um pouco. Meus pais tinham essa maneira nada sutil de fazer com que Rachel e eu ficássemos longe das drogas. Papai chegava a apelar para a experiência pessoal: fumou maconha quando jovem e experimentou cocaína e LSD na faculdade. Dizia para a gente não seguir os passos dele. Naquela noite eu não seguiria, por mais que as coisas se tornassem pesadas e convidativas.

"Vamos embora?" Britt me chamou. "Puck vai nos levar para casa. Tem vaga para mais um." Se Puck ia levar alguém para casa, era sinal de que o jogo de sedução dele não deu certo. Olhei o relógio e ainda não era meia noite.

"Fica mais um pouco. A festa ainda não chegou ao auge. Vai ser legal, Santana." Andy praticamente implorou para que eu ficasse. Podia ver que ele já estava alterado com a bebida.

Concordei. Ele estava comigo e aquela era a casa dos pais dele. Sabia que isso envolveria alguns riscos dada a fama que tinha, mas a questão é que eu tinha bebido o suficiente para encará-los.

"Se eu fosse você, não perderia a carona." Quinn veio até mim. Bizarro. Ela nunca demonstrou qualquer preocupação comigo antes. Não que fossemos amigas, e nossa relação se limitava pelo fato de sermos cheerios na mesma escola. Quinn torturava a minha irmã e eu acertei um soco de esquerda no rosto dela: essa era nossa dinâmica.

"Fica na sua, Fabray, que eu cuido da minha vida."

"San... Quinn só está querendo ajudar..." Brittany fez biquinho.

"Nada que venha dessa daí pode ser ajuda, Britt. Eu vou ficar."

"Qualquer coisa me ligue, San. Vou ficar com o celular ligado!" Britt me deu um beijo no rosto e saiu com a turma.

Andy me agarrou pela cintura e continuamos a dançar. Duas músicas depois, ele me puxou para fora da sala em direção às escadas. Meu coração disparou. Sabia o que significava esse momento: subir as escadas durante uma festa: era óbvio que ele queria transar com a virgem da vez.

Eu nunca tinha feito isso na vida, mas já tinha me tocado inúmeras vezes para saber que poderia ser gostoso. Assistir pornô na internet me excitava, até mesmo as cenas de boquete, embora tivesse minhas dúvidas se gostaria de fazer aquilo. Também não tinha ilusões de ter a primeira vez perfeita. Achava que, no negócio de popularidade, melhor seria perder logo a virgindade. Isso estava claro na minha cabeça, mas não me fazia ficar menos nervosa. Da teoria eu sabia. Como estimular meu clitóris eu sabia. Achava que sabia o que era ter um orgasmo. Talvez fosse bom estar com um homem pela primeira vez.

Entramos num quarto e Andy imediatamente me beijou e me apalpou em todos os lugares que interessavam a ele.

"Estou com tanto tesão..." Sem a menor cerimônia, ele abriu o cinto e desceu o zíper. "Será que você poderia? Eu preciso tanto..."

Ver pornô era uma coisa. Ver um pênis ereto de um adulto pela primeira vez diante dos meus olhos era completamente diferente. Ele puxou meus ombros para baixo, para me fazer ficar de joelhos. Eu sabia muito bem o que ele queria, mas não sabia como fazer. Hesitei por um instante e ajoelhei, até porque senti que ele poderia ter o que queria de outras formas bem menos gentis. Então eu o toquei e fiz como tinha aprendido vendo pornôs.

"Isso... com a boca..."

Era agora ou nunca. Não parei para pensar. Coloquei a cabeça do pau dele na minha boca e chupei. Não gostei daquilo, não gostei do gosto dele, mas vi que o que fazia estava dando certo. Podia sentir o pau dele mais e mais duro em minha mão e em minha boca. Ele começou a se mexer, forçando ir mais fundo e empurrava minha cabeça. Eu não estava confortável e senti ânsia. Ele percebeu e se retirou.

"Tira a calcinha... eu quero gozar dentro."

Sem a menos cerimônia levantou o meu vestido até acima da cintura e tirou a minha calcinha quando viu que eu hesitei. Comecei a tremer. Ele não teria de me dar um pouco de carinho antes?

"Andy, você tem camisinha?" Ainda fui capaz de perguntar.

Ele me encarou engraçado, definitivamente irritado.

"Você não está tomando pílula?"

"Eu não..."

Ele me xingou de algo que não consegui entender. Foi até o criado mudo e pegou um pacotinho de preservativo. Então mandou que eu deitasse na cama, me beijou, apertou meus seios de forma que um dos meus mamilos saltou do vestido, e ele o sugou de forma pouco gentil. Enquanto fazia isso, a mão dele foi lá em baixo e me penetrou com um dedo para ver se eu estava minimamente pronta. Doeu um pouco. Como eu não estava molhada, ele moveu o dedo dentro algumas vezes, em um movimento que não estava sendo prazeroso. Até que ele ficou de joelhos diante de mim, rasgou o pacotinho e colocou a camisinha. Ele abriu as minhas pernas sem muita gentileza, guiou o pênis até a minha abertura e entrou de uma vez.

Doeu até a minha alma.

Como ele estocava rápido e forte, parecia que eu ia me partir ao meio. Comecei a chorar.

"Você está tão gostosa, Santana..." Andy dizia quase urrando. "Como é apertada!" E me estocava ainda mais forte.

Queria arrumar uma forma de fazer com que a minha mente escapasse do meu corpo. Queria deixar de ouvir aquele barulho nojento das estocadas que não se anulava nem com a música abafada vinda da sala. Presumi que Andy estivesse a ponto de terminar de vez com aquela tortura porque estocava dentro de mim muito rápido e podia sentir minha vagina em chamas, de um jeito que não deveria acontecer. Ele levantou uma das minhas pernas como se quisesse ir mais e mais fundo. Até que tremeu e gemeu alto. Ele gozou. E eu fiquei aliviada porque aquilo acabou.

"Isso foi ótimo." Ele me deu um beijo no meu pescoço e se retirou. Rolou de lado e olhou para o nada por algum tempo. Eu só queria morrer. Como era uma estúpida. Como pude me entregar para ele só por conta da popularidade? "Vamos voltar para a festa? Aposto que meus amigos vão adorar em saber que você se tornou uma mulher." Tirou a camisinha e a jogou em qualquer lugar ao lado da cama dele e se sentou. "Quer ficar aí? Se quiser posso chamar um amigo para se divertir junto com a gente."

"Eu preciso de um tempo sozinha." Minha voz saiu fraca, trêmula. Nem eu mesma me reconheci.

"Tudo bem! Problema é seu."

Assim que Andy saiu do quarto, me segurei para não chorar em desespero. Segurei minhas emoções, era durona. Peguei o celular que estava no bolso do meu vestido e liguei para Britt. Ela sempre cumpria o que prometia: o celular dela estava ligado e não demorou a atender.

"Alô?" Brittany parecia sonolenta.

"Britt... você tem como vir me buscar na festa da casa de Andy?"

"San?"

"Por favor! Eu não posso ligar para os meus pais".

"Em dez minutos estaremos aí."

Peguei minha calcinha no chão e a vesti. Queria ter o mínimo de dignidade quando saísse daquele maldito quarto. Arrumei o vestido, passei a mão nos meus cabelos, e saí. Estava admirada em como ainda conseguia andar apesar da dor em minha vagina e das minhas pernas bambas. Cruzei com Frannie e Harry nas escadas. Ela estava tão bêbada que nem me reconheceu, ou simplesmente não me viu. Para Frannie, transar no quarto alheio não era novidade, mas eu tinha nada com a vida dela. Cheguei ao salão e a festa ainda estava acontecendo, porém muita gente já tinha ido embora. Os que ainda estavam por lá, praticamente estavam transando em público ou chapado demais para processar qualquer raciocínio. Vi Andy sendo cumprimentado por amigos, provavelmente se gabando por ter mais um V Card em mãos. Foda-se Andy. Foda-se o mundo.

Esperei por Brittany e pelo pai dela do lado de fora da casa. Passei dez bons minutos congelando, mas não ligava, era bom para anestesiar. Quando eles chegaram, não fizeram perguntas, o que agradeci com toda minha alma. O pai da Brittany era cartunista, e um sujeito que não costumava julgar ninguém. Subi novamente as escadas, desta vez eram da casa dos Pierce, e o simbolismo era de salvação. Brittany me emprestou um pijama limpo, e deixou que eu tomasse uma ducha. Acabei vomitando quando entrei no banheiro, em parte pelas cervejas, em parte pelo nojo que sentia de mim mesma. Meu enjôo chamou a atenção de Britt, que veio ao meu socorro.

"San... você está em seu período?" Brittany perguntou quando viu um pouco de sangue escorrendo na minha perna.

"Não estou..."

"Então o que aconteceu?"

"Nós fizemos..." Respirei fundo. "Andy e eu fizemos aquela coisa que as cheerios e os jogadores fazem." Procurava ser ponderada com ela mesmo em momentos ruins. Nem sempre era fácil e deus sabe o quanto tinha vontade de gritar com toda força que tinha.

"Vocês transaram?" Por vezes Brittany me surpreendia quando ia direto ao assunto que eu tentava colocar de uma maneira amena, como se falasse com uma criança. Por vezes esquecia que minha melhor amiga tinha apenas dificuldade de aprendizagem acadêmica, e que isso tinha nada a ver na compreensão do mundo, dessas coisas da vida.

"É... a gente transou..."

"E não foi bom?"

"Não!" Cai no choro. Britt me amparou e me abraçou.

...

28 de janeiro de 2010

(Rachel)

Alguma coisa aconteceu com Santana. Ela não passaria três dias calada e retraída daquele jeito se não tivesse acontecido algo sério. Na segunda-feira, ela e Andy Mastrantonio não eram mais um item. Isso significava uma coisa: ele conseguiu o que queria. Eu sabia que foi devastador para fazer com que minha irmã ficasse quebrada daquele jeito. Meus pais acharam que só foi um rompimento, mas o fato é que eles não queriam enxergar a realidade.

Por mais que Santana me rejeitasse, ela era a minha irmã e eu precisava ajudá-la. Fui até a cozinha, preparei um sanduíche quente com queijo e peito de peru. Coloquei o suco na caneca favorita, arrumei tudo numa bandeja e subi as escadas.

"Posso entrar?" Gritei à porta do quarto dela. "Trouxe um lanche".

"Não estou com fome!" Santana respondeu irritada.

"E se eu começar a cantar todas as músicas de Rent na porta do seu quarto?" Esperei alguns segundos pela resposta. Como ela não veio, comecei – "Take me for what i am/ Who i was meant to be/ And if you give a damn/ Take me baby or leave me."

"Tá entra!" Santana gritou. "Tudo menos essa tortura..."

Primeira parte da missão concluída. Entrei no quarto e a flagrei deitada na cama abraçada com um travesseiro. Não era a imagem que estava acostumada a ver da minha irmã.

"Fiz o seu favorito com peito de peru." Forcei um sorriso.

"Deixa aí no criado. Depois eu como".

"Vou esperar aqui até você comer um pouco".

"Ray..." Santana parecia que ia brigar. Mas mudou de idéia e deu dois tapas no colchão. Sinal para que eu me deitasse também. Coloquei a bandeja no criado e me juntei a minha irmã. Ela me deu o travesseiro que estava abraçada e procurou se aninhar contra meu corpo assim que me deitei. Eu nunca a vi assim, tão frágil, antes.

"Passei esses dias todos querendo matar Andy." Confessei.

"Eu não quero ouvir sermão."

"Eu não vim aqui te dar sermão, Santy. Eu vim aqui ficar contigo."

Ela me encarou nos olhos como se tivesse sido pega de surpresa. Eu não podia imaginar a razão para ela se sentir assim, sendo que sabia que eu me importava e sempre estaria presente sempre que quisesse. Porque, a verdade, é que eu a amava incondicionalmente, e sei que ela sentia o mesmo por mim, por mais que fingisse que não se importava.

"Sabe aqueles vislumbres idiotas que você tem a respeito da sua primeira vez?" Santana disso com lágrimas nos olhos.

"Sim..."

"Bem... eles não são idiotas! Vou ficar muito feliz se você conseguir mantê-los."

Santana puxou meu corpo para mais perto de si. Trocamos um selinho nos lábios e ela fechou os olhos. Não demorou a dormir. Fiquei ao lado dela. Era uma das formas que tinha de cuidar da minha irmã.