(Quinn)
Passei um bom tempo observado Rachel, quando ninguém estava vendo, para identificar cacoetes recorrentes da pequena diva. Percebi que alguns deles refletiam idéias e estados de espírito. Quando ela estava prestes a aprontar alguma coisa, olhava fixamente para o alvo e mordia tampa da caneta. Se não estivesse com uma, então mordia o canto dos lábios inferiores. Quando estava triste e melancólica, usava calças ou vestidos de cores escuras. O estado normal era com as saias horríveis e blusas que não tinha ideia aonde ela comprava. Por isso todo mundo pensava que só podia roubar aquelas coisas do guarda-roupa da avó. Ou era cliente de um brechó muito ruim.
Havia uma expressão nova que Rachel começou a fazer nas últimas semanas: franzia a testa acompanhada de um inacreditável olhar de filhote de cachorro. Cara de apaixonada e para identificar essa nem é preciso conhecer bem uma pessoa. Rachel direcionava tal olhar a Finn Hudson.
Quem era Finn Hudson?
Bom, ele era reserva do time de futebol da escola. De fato, era um sujeito bonito, alto, porém era um baita bobalhão que tinha o mesmo poder de atração de uma barata, na minha modesta opinião. Finn só falava asneiras, e era bem possível que nunca leu um livro sem ilustrações na vida. Provavelmente, a noção que ele tinha de política vinha dos quadrinhos do Capitão América. Sabia que ele foi criado pela mãe viúva, e que o pai morreu na guerra. Ser filho de veterano herói de guerra o fazia ter alguns pontos na pirâmide da popularidade.
Eu conversava com ele para tentar ser educada e tolerante com um sujeito que era naturalmente popular e andava no "meu" grupo. Depois, Finn era um dos poucos garotos que não me passava cantadas baratas e nojentas, e por isso eu lhe dava algum crédito. Resumindo a história: Finn era um idiota, mas era um bom rapaz.
Se qualquer outra garota olhasse para ele, não daria a mínima. Mas quando percebi que Rachel Berry-Lopez, a garota que eu era obrigada a torturar quase todos os dias, era quem suspirava por ele, aquilo me enfureceu. Demorou a admitir para mim mesma que sentia ciúmes dela, e por isso comecei a ter raiva contida do gigante paspalhão. Rachel jamais olharia da mesma maneira para sua maior torturadora na escola. Mesmo um lerdo como Finn perceberia cedo ou tarde que havia uma menina adorável perdidamente apaixonada o observando pelos cantos. E se ele a quiser? Pensar nisso me dava azia e dor de cabeça.
Era terrível conviver com Rachel sendo obrigada a torturá-la quando, na verdade, tudo que queria era poder falar normalmente com ela, ser amiga dela. Sinceramente, estava confusa com tudo aquilo. Sei que não deveria me importar porque, cedo ou tarde, Rachel teria namorados na escola mesmo com toda sua impopularidade. Oras, ela era uma garota bonita! Mas vê-la apaixonada por Finn Hudson me causava um sentimento estranho, um aperto no peito, um incômodo que não sabia dizer a razão.
Talvez devesse ter um namorado e começar a pensar em outra pessoa que não fosse Rachel Berry-Lopez. O problema é que não conseguia me sentir atraída por garotos. Sim, achava alguns deles muito bonitos, assim como achava algumas meninas lindas. As amigas de Frannie, por exemplo, tinham seios atraentes. Sem querer, meus olhos baixavam para ver o vale entre os dois montes apertados em camisetas justas. Mas isso era normal, certo? Garotas héteros viviam elogiando os seios das amigas. Certo? Só que não sentia a menor vontade em ficar com meninos, e também me recusava pensar mais a fundo sobre a estranha atração que sentia pelos seios das meninas.
No refeitório, continuei a observar Rachel observando Finn. Queria abstrair e seguir em frente, mas não conseguia. Tudo que desejava era que ela ficasse bem longe daquele idiota. Por isso decidi agir: afinal, era uma Fabray e tinha uma irmã-tutora que me ensinava muito bem nas artes maquiavélicas. Se eu odiava tanto na possibilidade de ver Rachel com Finn Hudson, então decidir que eu ficaria com ele, mesmo com toda opinião que tinha a respeito daquele idiota.
Não seria difícil porque ele estava na minha. Bastava estalar os dedos. Quem sabe ficar com ele poderia até acabar com minha confusão, e me libertar da agonia que era gostar de uma menina irritante. A investida valeria a pena: ficaria em paz com minha família e comigo mesma.
"Algum problema Quinnie?" Frannie estalou os dedos na frente do meu rosto, me fazendo voltar à realidade. Estava no refeitório junto com minha irmã, Harry e Ethan e mais algumas cheerios. Rachel estava solitária numa mesa olhando para Finn Hudson, que conversava com Puck, Mike e Matt.
"RuPaul está olhando demais para o meu quase namorado." Disse em tom raivoso. Mal conseguia esconder o ciúme. Felizmente Frannie pensava que era por Finn.
"Você e o gigante Hudson?" Ela não pareceu tão certa, mas sorriu maliciosa. "Que sina! Não podia ser outra garota de olho no seu futuro homem?"
"O destino não ajuda".
"Como eu te disse, maninha, todos os caras que valem à pena nessa escola vão se formar comigo em poucos meses. Finn Hudson tem alguns atributos e é popular. Acho que vale a investida, sobretudo porque ele vai assumir o time de futebol da mesma maneira que você será capitã das cheerios no próximo ano. Por isso, não dê sopa ao azar. Dê para ele, se for preciso."
"Dar para ele?" Meu estômago revirou. "Você está sugerindo para eu fazer sexo com Finn só para eliminar a concorrência? Ainda mais uma quase insignificante como a da Lopez 2?"
"Você vai ter que fazer isso algum dia. Não vai querer morrer virgem." E sorriu com malícia. "De qualquer forma, se ainda não estiver pronta, há outros meios de manter um cara na sua sem precisar necessariamente dormir com ele. Posso te sugerir alguns vídeos educativos."
"Aposto que sim..." Resmunguei baixinho.
"O que disse?" Frannie disse em tom adversativo.
"Aposto que sim, e posso até imaginar esses métodos, mas você vai me dar umas dicas depois." Quinn forçou um sorriso dissimulado.
"Agora levanta a bunda dessa cadeira e vai ganhar seu homem!"
Como uma predadora em que estava me tornando, fixei os olhos na minha presa e fui em direção a ela. Rachel terminava a salada, quando eu a surpreendi com um murro ao lado da bandeja de refeição. Ela levou um susto, mas rapidamente recuperou a compostura quando me viu.
"Você está olhando para algo proibido, RuPaul!"
"Eu não sei do que está falando, Quinn." Rachel não se fazia de coitada. Quanto mais eu a atacava com Slushies e xingamentos, mais ela aprendia a manter a cabeça erguida e a devolver com comentários certeiros. Isso era irritante e... atraente.
"Não se faça de desentendida!"
"Não me venha acusar, ok? Estava aqui quieta na minha mesa, com o meu almoço. Não mexi contigo e nem com ninguém. Que direito você tem de vir aqui tirar a minha paz a troco de nada? Ou está entediada, Quinn Fabray? Desculpe, mas não estou disposta a servir de entretenimento por hoje." Foi se levantando e eu lá desconcertada. "E se me dá licença, fique aí com a sua paranóia que eu fico com a minha vida!"
"Vai se arrepender do que disse, RuPaul!" Gritei assim que me recompus, fui atrás dela e a puxei pelo braço. A bandeja caiu com o movimento. Aproximei o meu rosto e fiquei a centímetros do dela. Agia com ódio e paixão ao mesmo tempo. Tudo era confuso. Fiquei furiosa com a resposta dela, ao mesmo tempo em que me deixou excitada. "Se você não desaparecer pelo resto do dia, prepare-se que vai ter o seu troco."
"Manda ver. Eu não levei slushie na cara hoje mesmo. Estou sentindo falta!"
Aquele sorriso irônico e confiante foi para me matar. Minhas orelhas esquentaram, assim como o resto do corpo. Estava por fio de perder o controle e beijá-la no meio de todo mundo. Mas a soltei e virei às costas. Precisava dar o fora dali, jogar água fria no rosto. Meu deus... eu realmente pensei em beijar Rachel Berry-Lopez! Quase entrei em pânico.
O confronto acintoso no refeitório surtiu pequenos comentários entre os alunos. Deve ter sido uma cena divertida para os demais. Aliás, era a função da eterna guerra entre os populares e perdedores: entreter a multidão que se encontrava entre os dois polos. Não podia demonstrar vergonha ou abatimento, logo empinei o nariz, caminhei como uma majestade e evitei ao máximo cruzar o caminho com Rachel. Fui bem-sucedida. Ou quase. O destino sempre prepara surpresas.
...
Cheguei um pouco mais cedo para o ensaio de coreografia competitiva que era sempre realizado às tardes. Coloquei meu uniforme de treino e fiz uma corrida leve ao redor da quadra só para me aquecer um pouco antes de alongar. As meninas foram chegando dentro do horário, inclusive Frannie.
"Vamos lá, molengas, quero ver um pouco de suor." A treinadora berrava no megafone.
Brittany estava se alongando. A flexibilidade dela era absurda e invejável, fora a força física. No meio de um grupo de garotas com corpos perfeitos, o de Brittany era o mais bonito e harmonioso. Santana era magricela embora forte; Frannie não era forte, mas era bem coordenada; eu tinha pernas grossas e um traseiro avantajado para uma menina branca: uma herança dos meus anos como uma criança gordinha, e minha tendência em acumular gordura nessas partes.
"Quer ajuda com os braços?" Brittany se ofereceu e eu aceitei.
Estranhei porque ela estava ali me ajudando e não Santana, a parceira tradicional. Então vi a pessoa em questão se aproximando. Estava assustadoramente pálida. Era como se fosse cair a qualquer momento. Quer dizer: todo mundo na escola sabia que Santana Berry-Lopez havia sido desvirginada por Andy, e tudo mundo começou a formular teorias devido ao estado depressivo dela pela escola nos dias seguintes. Sentia enojada só em me lembrar de algumas delas. Tinha gente dizendo que ela estava grávida, inclusive. O que eu intuía era que algo tinha dado muito errado, e eu passei a ter pena dela, porque sabia que Andy era um canalha.
"Santana?" Franzi a testa. "Você não me parece bem..."
"Não é..." A fala foi cortada por um grito. Ela abraçou o próprio abdômen, se inclinou para frente e perdeu a força nas pernas. Primeiro caiu de joelhos diante de nós, em seguida tombou de lado. Brittany tentou apará-la no processo. Foi inútil.
"O que está acontecendo aqui?" A treinadora abriu caminho entre as meninas que se amontoavam numa roda. "Lopez..." Se ajoelhou ao lado da menina. "O que foi?"
"Dor!"
A treinadora Sylvester a examinou mais um pouco. Então a ergueu e a colocou nos braços. Fiquei preocupada. Como uma pessoa podia sentir uma dor tão forte a ponto de não conseguir andar? A treinadora abriu caminho para fora do ginásio com Santana nos braços. Sue Sylvester era uma bitch manipuladora lendária, mas tinha que dar o braço a torcer: a treinadora se importava com a equipe.
"Vai levá-la para a enfermaria?" Brittany correu atrás. Eu fui junto.
"Não... para o hospital! Frannie... você conduz o treino".
Brittany estava atordoada, sem saber o que fazer. Eu também estava confusa e surpresa. Nunca tinha visto alguém passar mal na minha frente daquela forma. De qualquer maneira, procurei ajudar minha colega cheerio mesmo não sendo próxima a ela.
"Britt!" Procurei transmitir calma. "Você sabe o que estava acontecendo com Santana para ela passar mal desse jeito?"
"Bom... ela e Andy..." Pareceu muito confusa. "Será que foi por causa disso?"
"Ninguém passa mal assim por ser uma vagabunda!" Frannie respondeu atrás de nós. Deveria ter percebido que ela estava por perto o tempo todo.
"Ela não é uma vagabunda!" Brittany respondeu com tanta agressividade que eu fiquei surpresa. Foi a primeira vez que eu a via se irritar dessa forma.
"Será? Andy disse que ela gostou tanto, que começou a dar para todo mundo da escola."
Eu não sei como Brittany se controlou. O ódio estava a flor da pele, que se não fosse eu a segurando, Frannie teria levado um soco. Mas Brittany sempre foi a pacifista da equipe. Ela parou de resistir e simplesmente virou as costas para minha irmã, e começou a andar para fora da quadra.
"Aonde pensa que vai?" Frannie gritou.
"Não é da sua conta!" Brittany gritou de volta.
"Brittany!" Segurei a mão dela com o máximo de delicadeza que podia. "Aonde vai?"
"Rach. Ela precisa me levar até ao hospital."
Sim, havia Rachel. Santana foi às pressas para o hospital enquanto Rachel ainda circulava pela escola sem saber de nada. Brittany poderia estar muito determinada, mas ela ainda era Brittany, que podia ficar confusa facilmente.
"Você tem o celular da Rachel?"
"Não, só o meu!" Respondeu aflita.
"Digo, o número do celular dela."
"Sim, mas não sei de cor. Está gravado no meu celular..."
"Onde está o seu celular?"
"Em casa, acho..."
"E você sabe dizer se Rachel está hoje aqui na escola?"
"Eu... eu... ela ia voltar hoje com San, acho..."
"Então Rachel está na escola agora?"
"Sim."
"Temos de avisá-la, Britt."
Peguei firme na mão dela e fomos em direção à saída do ginásio.
"Se vocês abandonarem o treinamento, não precisam voltar amanhã."
"O quê!" Esbravejei.
"Eu disse..." Frannie cruzou os braços. "Se vocês duas abandonarem o treino, não vão precisar voltar! Vocês vão estar fora do esquadrão."
"Não pode estar falando sério, Frances Fabray!" Minha irmã odiava quando eu a chamava pelo nome verdadeiro, especialmente na frente de pessoas estranhas.
"Experimente, Lucy Fabray." Ela descontou na mesma moeda.
Meu sangue borbulhou. Ninguém me chamava de Lucy. Ninguém! Me chamar de Lucy tinha o mesmo efeito de chamar Marty McFly de covarde. Encarei a minha irmã e apertei os olhos. Além de ser uma desalmada insensível com os outros, ela ainda queria briga comigo? Pois ela teria uma. Ela não fazia ideia com quem estava lidando. Eu não era uma cordeirinha.
Virei as costas e puxei Brittany para fora do ginásio: havia uma emergência acontecendo que estava acima de mim e de Frannie. Rachel precisava ser avisada.
Brittany e eu decidimos nos arriscar achar Rachel na sala de ensaios. Nada. Estranho Rachel não estar ali tentando atingir novas com o auxílio do piano. Passamos na biblioteca em seguida. Foi um alívio encontrá-la fazendo tarefas. Corremos até ela e provocamos uma reação inusitada. Assim que nos viu, levantou-se de supetão, completamente armada.
"Rachel!" Ergui o braço em sinal de calma e paz. "Não vim aqui para brigar, ok! É sobre a sua irmã".
"O que houve com Santana?" O estado dela se alterou de alerta para de pura preocupação. "Ela passou mal? Eu sabia que ela ia passar mal... não estava bem hoje, e eu disse que ela não deveria treinar."
"Ela passou mal sim e Sue a levou para o hospital." Brittany explicou.
"O quê?" Interessante como as pessoas agiam de formas diferentes diante da confirmação de algo que já suspeitavam. Rachel parecia que ia entrar em pânico. Pegou o celular dela com as mãos trêmulas e ligou para alguém. Não foi bem-sucedida. Tentou novamente. Não deu. Por fim, digitou uma mensagem de texto, pegou as coisas e saiu apressada da biblioteca.
"Aonde vai?" Gritei correndo atrás dela.
"Por que está interessada, Fabray?" Respondeu agressiva.
"Rachel!" Agarrei o braço dela pela segunda vez num único dia. "Eu não estou aqui para brigar contigo. Quero ajudar. Brittany é a melhor amiga da sua irmã. Não acha que ela gostaria de te acompanhar?" Vi que Rachel parecia ponderar minhas palavras.
"Vou ao hospital. Minha bicicleta está lá fora. Vinte minutos de pedalada e estarei lá."
"Ou em menos de 10 minutos se a gente for de carro. Venha!"
"Não sabia que você tinha carteira de motorista."
"Ainda não tenho." Fui em direção ao vestiário, trazendo as meninas junto comigo. "Só completo 16 em julho. Mas já recebo lições da minha mãe. Até que sou boa de volante."
"Mas..." Senti que Rachel hesitou.
"Quer ir ao hospital ou não?" Desafiei.
"Vamos!"
Entrei no vestiário e abri o armário de Frannie. Peguei as chaves e o documento do carro que ficava na carteira dela. Sequer tive a curiosidade para saber se minha irmã estava berrando ou não com as outras coitadas. Passei pelas meninas e partimos até o estacionamento. Desde o episódio dos pneus esvaziados por um engraçadinho, ficava aliviada sempre que encontrava o carro inteiro. Rachel entrou no banco de trás, e Brittany ocupou o espaço ao meu lado. Achava uma droga dar a ré, mas por um milagre consegui de primeira. Talvez fosse a adrenalina ainda circulando forte no meu corpo.
"Não consigo falar com meus pais!" Ouvi Rachel desabafar frustrada.
Procurei dirigir com o máximo de atenção até para evitar a polícia. Ajudava o fato do carro de Frannie ser automático, assim como da minha mãe. Era só acelerar e frear. Por sorte, não fomos paradas por nenhum policial e chegamos em segurança. Rachel mal esperou eu estacionar e correu para dentro do hospital, onde um dos pais dela trabalhava. Meu pai vivia falando mal do maior hospital de Lima só porque o cirurgião geral chefe era o latino fortão gay. Ou seja, duas coisas que meu pai odiava: latinos e gays.
Brittany correu atrás de Rachel. Eu não tinha a mesma necessidade para correr, até porque como eu não era da família, ninguém me daria informações. Andei até a emergência e pedi gentilmente à recepção que me informasse se Santana Berry-Lopez estava naquele hospital. Era quase certo que sim, porque era o mais próximo da escola, e porque o pai dela trabalhava nele.
"Santana? Sim, ela está sendo atendida. Rachel passou por aqui e correu para a emergência. Pode ir lá. Tem uma sala de espera."
Fiquei admirada com a intimidade da enfermeira com as meninas. Ela indicou a direção e eu acenei agradecida. Quando cheguei a sala indicada, vi Rachel discutindo com alguém do hospital, enquanto Brittany testemunhava tudo ao lado dela. A treinadora Sylvester observava tudo um pouco mais afastada.
"É uma surpresa te ver aqui, Q." Ela tocou no meu ombro.
"Trouxe Rachel para cá... e Brittany."
"Frannie permitiu?"
"Não. Ela expulsou a mim e Brittany das cheerios porque abandonamos o treino."
"Mesmo?"
"Mesmo!" E encarei a treinadora. "Você não vai permitir, certo?"
"Não sei, Q. Ela é sua capitã e você realmente não deveria ter abandonado o treino."
"Mas..."
"Santana não é sua amiga até onde eu sei, e Frannie é a pessoa que comanda quando eu estou ausente. A não ser que você me mostre uma razão muito forte para que Frannie não seja mais essa pessoa, vou respeitar a decisão."
Sue Sylvester voltou a observar Rachel e Brittany, que correram para outra sala: uma que nós não tínhamos acesso por não sermos da família. Olhei de lado para a treinadora. A situação era tensa, mas a insinuação dela sobre o comando das cheerios não passou desapercebida.
"Você sabe o que Santana tem?" Perguntei quase que casualmente.
"Já vi gente com dores como as que ela apresentou. Parece ser um caso de apendicite aguda. Acho que ela terá de ser operada."
"Isso é... é uma operação de risco?"
"Se ela não operar, morre. Mas é um procedimento simples em geral."
"Oh!"
"Não se preocupe. Se for isso mesmo, ela vai ficar bem. Uma pena que não poderemos contar com ela para o campeonato, por causa do tempo de recuperação."
"Treinadora..."
"Sim, Q?"
"Deixei Frannie a pé, e eu não tenho carteira de motorista."
Sylvester olhou para mim como se tivesse sido pega de surpresa e deu uma gargalhada que chamou a atenção dos demais ao redor. Parecia mesmo piada daqui dirigindo. Frannie terá de pegar carona hoje."
