(Santana)
Abri os olhos e passei a mão pelo rosto. Tinha consciência de que estava acompanhada, assim como também sabia que dormia nua. Bebi durante a festa, mas não o suficiente para não me lembrar das coisas que fiz. Todas as coisas. O lençol era o único tecido que me cobria, e isso me deixou constrangida por estar nestas condições ao lado de alguém que não amava. Sequer tive coragem de olhar para o meu companheiro. Sentei na beira da cama e pisei em algo estranho. Era uma camisinha descartada. Senti nojo. Puck era um nojento que descartava essas coisas no chão em vez de alguma lixeirinha. Até um saco plástico de supermercado poderia cumprir bem a função. Eu podia ser desorganizada com minhas coisas, mas passava muito longe de ser suja e porca.
Comecei a procurar pelas minhas peças de roupa. Achei minha blusa, sutiã, saia e casaco. Nenhum sinal da minha calcinha. Puck deve ter a roubado para integrar uma dessas coleções repugnantes. Ele era um nojento, um cavalheiro porco por assim dizer. Acho que nem seria capaz de trocar os lençóis depois do que fizemos. Coitada da mãe deste indivíduo.
Fiquei num embate interno para ver se usava ou não o banheiro. Devia estar nojento assim como o resto da casa após a festa. Aliás, o que deu na cabeça deste sujeito fazer uma festa entupida de gente numa casa pequena de um banheiro só? Desejo de ser popular? Mas ele já não era? Não pegava todas as meninas? Eu jamais daria uma festa nesses moldes na minha casa com todo espaço que disponho. Entrei no banheiro e procurei me concentrar apenas nos meus negócios. Lavei as mãos e saí o mais rápido que pude. Olhei a bagunça, a quantidade de copos descartáveis pelo chão, salgadinhos, o cheiro de cerveja. Problema dele. Puck que se virasse para arrumar tudo até a mãe dele voltar de viajem com a irmã caçula dele.
Voltei ao quarto. Ainda precisava de uma carona para casa. Ele estava acordado e sorriu quando me viu. Tentava ser adorável comigo, mas eu sabia perfeitamente que eu era apenas mais um nome na lista dele. Isso me servia de proteção para não me envolver emocionalmente. Ele me ajudou noite passada e foi bom. Fim.
"Bom dia." Disse encostada à porta.
"Dia..." Vi que ele estava esfregando a mão abaixo do ventre. "Santana..."
"Foi uma festa e tanto!" Comentei me sentindo estranha em ver um homem se tocando logo pela manhã.
"Foi sim..." Ele tirou o lençol sem a menor cerimônia, revelando o pênis ereto. "Não acha que se vestiu cedo demais?"
"Não vai rolar." Disse com convicção.
"Você está bem?" Puck me encarou com aparente sincera consideração.
"Estou!"
Sim, estava bem. Foi tudo surpreendentemente bem. Puck me tratou com consideração e fez o trabalho dele direito a ponto de me fazer desejar que as circunstâncias fossem diferentes, de que eu pudesse tê-lo encontrado em vez de Andy Mastrantonio, embora ainda preferisse que Brittany tivesse sido minha primeira. Era ela quem eu amava, afinal.
"Foi uma baita festa." Comentei mais uma vez. Não tinha muito assunto com ele.
"Não quero nem ver o estado da casa." Ele passou a mão pelo rosto. "Dá preguiça só em pensar que tenho de arrumar tudo antes que minha mãe e minha irmã cheguem hoje à noite."
"Bom... eu não vou oferecer a minha ajuda..."
"Está tudo bem. Já estou acostumado! Se bem que você poderia fazer um favor?"
"Já disse que não vai rolar."
"O que foi? Se me lembro bem, você gostou do puckssauro ontem."
"Ontem! Hoje é outra história"
"Santana Lopez, a cheerio durona, adorou o meu puckssauro, hum?" Puck começou a andar com um sorriso no rosto em minha direção até passar a mão pela minha cintura. O pênis ereto dele roçava na minha saia.
"Berry-Lopez... e pode parar de se gabar. Você foi bom, mas eu já vi melhor!"
"Quem? Com certeza não foi Andy Mastrantonio." Ele me beijou forçosamente e só suavizou quando eu correspondi. Mas depois o empurrei.
"Esse assunto não te interessa e eu quero ir embora."
"Fica mais um pouco." Puck ainda não havia me libertado por completo. "Essa ajuda matinal é muito importante para me dar energia. Tenho a limpeza de uma casa pela frente!"
"Bom..." Eu me afastei. Puck estava em ponto de bala. "Você vai ter que resolver isso sozinho. Não estou afim."
"Eu só preciso de uma mão... ou de uma boca." Ele sorriu de novo, tentando me convencer.
"Não hoje."
Puck podia ser um moleque hormonal, mas ele sabia e respeitava quando ouvia um "não", para o meu alívio.
"Então me dê cinco minutos, a não ser que você queria assistir." E começou a se masturbar na minha frente sem a menor cerimônia. Idiota e vulgar.
Virei as costas e caminhei até a sala. Não sei precisar quantos minutos, mas não demorou muito até Puck aparecer com uma bermuda no corpo, camiseta e chaves do carro em mãos.
"Vamos?"
Acenei. Quanto menos tempo naquela casa, melhor. A primeira coisa que fiz ao entrar no Ford velho de Puck foi ligar o som. Os carros desses moleques poderiam cair aos pedaços, mas o sistema de som era sempre de primeira. Coloquei numa rádio qualquer. Não estava tão interessada na música. Só não queria conversar. Puck sabia onde eu morava, e era coisa boa não precisar sequer indicar o caminho. A gente se conhecia desde crianças por causa da comunidade judaica de Lima. Puck pertencia ao time de futebol da molecada que se encontrava no parque. Além disso, ele limpou a piscina lá em casa algumas vezes.
"Pronto." Parou o carro em frente a minha casa.
"Obrigada." Ele se inclinou para me beijar e eu não vi mal algum em corresponder. "Te vejo amanhã".
"Pode apostar!" Piscou para mim e eu saí do carro.
O relógio do celular me dizia que era quase meio dia. Disse aos meus pais que iria dormir na casa de Brittany, e eu imaginava que isso fosse acontecer. Mas fui pega de surpresa.
Fomos juntas para a festa, mas Brittany estava diferente comigo. Agia distante desde o dia em que disse a ela que não éramos namoradas. Ela logo tratou de se distanciar e dançar com outras pessoas: com os atletas do time de futebol na maioria. Fiquei triste, me sentindo rejeitada. Mas não ia dar o gostinho de mostrar que estava ferida.
Num certo momento, entrei na cozinha e flagrei um grupo de cheerios e outras meninas bonitinhas conversando enquanto bebiam. Brittany estava entre elas. Falavam de sexo e dos garotos populares, mais especificamente, dos atletas do time de futebol. Disseram quem tinha ejaculação precoce, pênis pequeno e outras coisas de diminuíam a moral. Esses, inclusive, costumavam ameaçar as meninas caso comentassem. Alguns outros tinham o hábito de fazer sexo oral na escola, especialmente no intervalo dos jogos. Uma das cheerios disse que gostava de chupar, outra odiava, mas que fazia mesmo assim. Todas ali, menos eu e Britt, já tinham transado com Puck, e a ele foi reservado elogios. Então começaram a falar de outros. E Brittany opinou. Disse que Brandon Smith não foi muito bom. Mas que ela tinha feito depois com Max Robbins e gostou.
Fiquei sem chão. Brittany não era de falar mentiras ou contar vantagens. Ela estava ali afirmando que havia feito sexo com duas pessoas, dois caras, no espaço de uma semana. Quis gritar e chamá-la de vagabunda na frente de todas. Em vez disso, corri para fora da casa e chorei. Puck estava fora da casa bebendo uma cerveja e fumando maconha quando veio até mim.
"Um membro da realeza judaica de Lima chorando?" Primeiro desdenhou, mas depois mudou de idéia e passou a mão pelos meus ombros num gesto amigo. "Ei! Seja lá o que for não deve ser tão ruim assim!"
"Por que você não dá o fora e me deixa em paz?" Quis gritar, mas nem isso conseguia. Não tinha forças.
"Aqui está frio demais para chorar. Se quiser, posso oferecer o meu quarto... é mais quente!" Disse num misto de intenções. Acreditava que Puck quisesse ajudar sim, mas também não desperdiçaria a oportunidade. Atravessamos a sala transformada em pista de dança e entramos no quarto. Puck expulsou um casal de namorados que estavam fazendo uma rapidinha. Emburrados, eles saíram. Não iam brigar com o anfitrião. Sentei na cama com raiva e incerta. Então tomei uma decisão: se Brittany podia dormir com um homem e gostar, por que não eu? Quem sabe não seria a oportunidade de colocar uma pedra de uma vez por todas no trauma que tivera mais no início do ano. Fiquei confiante, então olhei para Puck.
"Você tem camisinha?"
"Não. Você não toma pílula?"
"Camisinha protege de muita coisa, não só de gravidez, sabia?"
"Mas eu não tenho. Você pode tomar aquelas pílulas do dia seguinte."
"Não, só transo contigo se você colocar camisinha."
Puck saiu do quarto com a promessa de que arrumaria uma em cinco minutos. Bastaram dois. Ele trancou a porta e nem se importou mais se havia um monte de gente estranha destruindo a casa. Começamos a nos beijar e Puck tomou a postura de dominador. Primeiro tirou a camisa dele. Depois concentrou-se em mim. Ao mesmo tempo em que me beijava e devorava meu pescoço, tirou minha blusa e sutiã. Só isso já o tornava melhor do que Andy. Procurou me estimular, sugando meus seios. A boca dele não era tão macia e cuidadosa quanto a de Brittany, mas era quente suficiente para me excitar. Tirou a minha saia e minha calcinha num só movimento. Abriu as minhas pernas e eu fiquei nervosa. Travei.
"Relaxa." Puck sorriu. "Você vai gostar do trabalho."
Senti a língua dele no meu sexo. Dava para dizer que ele tinha mesmo experiência no que estava fazendo. Não era o toque de Brittany, não era a língua dela me acariciando, mas funcionava. Senti um dedo me penetrar e fazer o movimento de vai e vem enquanto a boca e a língua ainda trabalhavam no meu clitóris. Foram movimentos insistentes até que cheguei ao orgasmo. Puck me beijou na boca em seguida e retirou a calça.
"Agora é a sua vez de retribuir."
Fiquei com receio de colocar a minha boca ali porque a minha experiência com sexo oral em um homem foi horrível. E, sinceramente, a anatomia masculina era agressiva.
"Você nunca?"
"Eu já, mas..."
"Aquele idiota..." Puck balançou a cabeça. "Posso te ensinar a fazer de um jeito que fique bom pra você e para mim. Está interessada?"
"Por que não me fode logo?"
"Massageie minhas bolas. Não é difícil..."
Olhei para Puck, para o pênis ereto, e para as bolas. Decidi "aprender", afinal, ele tinha feito um bom trabalho me comendo. Segurei seus testículos e Puck foi me instruindo para massagear devagar.
"Coloque sua mão na base." Segurou a minha mão e me mostrou como gostava de ser tocado. "Agora a boca. Chupe devagar." Provavelmente estava fazendo o trabalho certo a julgar pelos gemidos. "Pare um pouco..." Olhei para ele intrigada. "Quero gozar dentro!"
Colocou a camisinha e voltou a me deitar na cama. Posicionou o corpo entre as minhas pernas. Puck era pesado, mas sabia se encaixar. Nos beijamos e ele ficou com uma mão entre nós passando o pênis em meu sexo como se quisesse lubrificar o preservativo. Então senti a cabeça na minha entrada. Ao contrário de Andy, ele o fez aos poucos, me dando tempo para me acostumar com o volume dentro de mim. Fechei os olhos com a sensação. Não foi tão desconfortável assim. Sexo com homens podia ser bom, afinal. Talvez tão bom quanto estar com Brittany. Puck começou a se movimentar, primeiro num ritmo devagar, mas firme.
"Você é tão gostosa, tão apertada. Devia dar sempre para mim." Ele dizia enquanto me estocava. Era do tipo que falava sacanagens durante o ato. Eu não. Preferia o silêncio. "Vou declarar essa bocetinha como oficialmente minha." Começava a aumentar o ritmo e a força. "Ela vai ficar viciada em meu puckssauro. Vai querer sempre que eu volte a ficar dentro. Depois, quem sabe, será a vez do seu traseiro. Aposto que também é todo apertadinho que nem vai dar para me mexer direito."
Odiava a conversa, mas o meu corpo reagia bem. Sim, eu estava sentindo prazer com o que Puck fazia dentro de mim. Uma onda percorreu o meu corpo quando as estocadas ficaram mais fortes e gozei pela segunda vez naquela noite. Puck ainda precisaria de mais algumas poucas estocadas até que também ele teve o pagamento pelo esforço. Ele se retirou e virou de lado. Depois descartou a camisinha.
"Não tem mais camisinha... posso fazer por trás?"
"Não!" Fui enérgica.
"Noutro dia então."
"Vai voltar para a festa?" Perguntei.
"A festa que se dane!" Ele puxou um lençol e me beijou antes de dormir abraçado comigo.
Não iria mesmo para casa de Brittany depois do que ela disse. Que ela fosse me busca de outros paus para se satisfazer. Quem sabe eles se tornariam os novos melhores amigos dela? Fiquei por ali, nos braços de Puck, naquele quarto estranho enquanto uma festa acontecia do outro lado da porta.
Por isso, lá estava eu saindo do carro de Puck e não do senhor Pierce com Brittany ao meu lado, como era de costume.
Quando entrei em casa, papi estava me esperando na sala com o rosto vermelho de nervoso. Sabia que estava muito encrencada. Ele deve ter visto eu beijando Puck quando eu deveria estar com minha melhor amiga. Ou aconteceu o mais provável: ele ligou para Brittany, e ela não mentiu por mim.
"No se iba a dormir en la casa de Brittany?" Papi perguntou tentando esconder o desgosto. Encarei o meu pai. Estava cansada demais para inventar desculpas.
"Lo haría, pero acabé durmiendo con Puck." Não disse com o intuito de provocar, mas saiu. Simplesmente disse e sabia que tinha mexido com vespeiro.
"Que salir de mi cara, perra!" Papi gritou, e chamou a atenção de papai e Rachel no processo. Os dois correram para saber o que estava acontecendo na frente da sala de casa. "Ahora!"
Papi estava tão nervoso, que por um momento temi apanhar e ser expulsa de casa. Não quis testar a minha sorte e corri para subir as escadas. Fechei a porta assim que cheguei à segurança do meu quarto. Deitei na cama, me encolhi e comecei a chorar. Meu pai nunca tinha me xingado de "puta", "perra" ou coisas correlacionadas. Isso me feriu profundamente.
Ninguém bateu à minha porta. Nem mesmo Rachel.
Estava escurecendo quando comecei a me mexer novamente. Estava com muita fome e com vontade de usar o banheiro. Peguei roupas velhas no meu guarda-roupas: um moletom desbotado e uma camiseta rasgada que merecia lixo há algum tempo, e finalmente fui ao banheiro fazer minha higiene e tirar aquele cheiro de sexo. Não me importei pelo banho demorado e muito menos Rachel reclamou. Aliás, começava a sentir falta das intromissões da minha irmã. Querendo ou não, ela sempre me dava algum conforto.
"Santana!" Finalmente bateram à minha porta. Era papai. "Quero você na biblioteca em cinco minutos e não tem discussão."
Não teria escolha mesmo. Se eu não fosse conversar com papai, então teria de lidar com papi. Aí seria muito pior. Praticamente me arrastei para fora da cama e do quarto. Encontrei com Rachel nas escadas, e ela me lançou olhar estranho. Não é que ela desconhecesse que eu não era mais virgem, uma vez que toda McKinley sabia que Andy tirou o meu V Card. Aquilo era preocupação e acusação ao mesmo tempo. Acho que nem ela conseguia definir o que sentia por mim naquele momento. Entramos na biblioteca e nos acomodamos no sofá. Papai pegou uma das cadeiras da mesa para ficar sentado à nossa frente.
"Juan deveria estar aqui, mas vocês sabem o pai que têm." Acenamos. "Por ele, vocês parariam de crescer aos 10 anos de idade e morreriam virgens." Sorriu nervoso. "Essa idéia me agrada também, só que sou um pouco mais realista." começou a estalar os dedos, como fazia sempre que ficava nervoso. "Eu já tive um particular com o pai de vocês hoje, e percebi que cometemos um erro em não ter essa conversa mais cedo".
"Papai..." Tentei falar, mas papai levantou a mão para que ela ficasse em silêncio por enquanto.
"Vocês adolescentes parecem que não sabem, mas nós pais também já fomos jovens e hormonais. Deus sabe o que aprontei na faculdade quando conheci o que era liberdade... o pai de vocês foi quem me deu um 'sossega', se é que me entendem."
"Oh, papai!" Rachel reclamou enjoada. "Eu não preciso saber detalhes disso!"
"Aí é que você se engana. Você não precisa saber de detalhes, mas acho importante que aprenda com as minhas experiências e de Juan para não cometer os mesmos erros. Ou pelo menos que tentem os evitar." Nos encarou com seriedade. "Eu sei o que é ter desejos na adolescência. Eu também era muito curioso, e na minha época não existia internet para acessar pornografia, entende?"
"Papai!" Rachel reclamou e aquilo estava me cansando.
"É verdade, Rachel, e não há vergonha nisso. A minha realidade não era tão distante assim com a do seu pai, e nem era tão diferente quanto à de vocês agora, com esta idade. Juan tinha coleção de revistas Playboys quando era adolescente e passou muito tempo se masturbando trancado no banheiro olhando para algumas vaginas. Ele gostava das morenas. Quanto a mim? Revistas de mulher pelada não me atraiam, mas a minha imaginação era muito boa"
"Papai!" Agora eu reforcei a reclamação.
"Verdade! Eu tive de aprender tudo na prática porque o meu pai era homofóbico e eu tinha vergonha de procurar outros meios de me informar sobre o que era estar numa relação gay." Respirou fundo. "O que quero dizer é que hoje vocês têm muitos recursos para se informarem. Tantos que parecem que nem precisam dos seus velhos para perguntar coisas ou pedir orientações. Podem ler tudo na internet, ter o visual da coisa, e depois de umas masturbadas debaixo dos cobertores aqui e acolá, acham que estão prontos, que podem ir para cama com alguém."
"Pai... por favor..." Achei que a cabeça da minha irmã fosse explodir depois dessa.
"O que eu quero dizer é que tudo isso é importante. Acho fundamental se auto-conhecer, buscar informações. É preciso ter experiências. Só que muito mais importante que isso tudo é ter a consciência de não se verem como objetos e aos outros, o que é muito fácil acontecer. Sexo é muito mais do que pênis, dedos, vaginas e trocas de fluídos. Amar é essencial, entendem? É melhor fazer essa troca com alguém que se goste muito, que signifique algo. Porque, sem isso, um ato que deveria ser uma demonstração de amor e carinho, vira banalidade. O seu corpo não é máquina de construir orgasmos e muito menos uma boa relação têm esse fim. Há muitas coisas bem mais importantes envolvidas neste processo. Infelizmente, eu passei por um período achando que sexo era apenas sexo. Olha, minhas filhas, precisei levar alguns tombos para entender que com sentimento é muito melhor."
Papai respirou fundo mais uma vez e passou a mão pelos cabelos
"Minhas filhas, eu nunca coloquei cinto de castidade em nenhuma das duas. E agora que as coisas começaram a acontecer de fato, não serei eu quem vai julgar. Vocês sabem que não sou esse cara, e nem Juan é, apesar da ciumeira. Mas o que peço é que vocês se gostem o suficiente na hora de fazer suas escolhas. Sei que o corpo pede, que o desejo é forte, mas vale bem mais à pena ficar sem ou fazer sozinho do que simplesmente dar o seu corpo para quem não merece. Não banalizem isso."
Papai suspirou fundo. Não deveria mesmo ser fácil para ele falar de todas essas coisas para nós duas. Ele me encarou. Eu era a razão para aquela conversa acontecer.
"Santana... Puckerman foi o primeiro?" Balancei a cabeça em sinal negativo e não tive coragem de olhar para papai. Não queria ver a expressão de decepção dele. "Ok! Você estava segura nas relações que já teve?" Ficou aliviado com meu aceno positivo. "Isso é importante. Camisinha não é só para evitar gravidez. Existem dezenas de DSTs que podem ser evitadas com o preservativo. Por favor, nunca aceite transar sem proteção. Especialmente com parceiros ocasionais, que eu sei que vão aparecer."
"Ok, papai" Disse baixinho com vergonha.
"Eu vou conversar com Juan sobre fornecer preservativos as duas".
"Mas papai! Eu não..." Rachel começou a protestar. "Não penso em fazer isso até os 25!"
"Nunca se sabe, Rachel. Hoje você pode estar firme com o seu plano de ter sua primeira relação aos 25, o que eu não me oporia, mas amanhã você pode conhecer o amor da sua vida e mudar de idéia." Rachel, resignada, acenou positivo para papai. "Outra coisa, as duas vão começar a ter consultas no ginecologista!"
"Isso é tão embaraçoso!" Rachel levou às mãos a cabeça.
"Não é fácil para vocês e muito menos é para mim, mas é preciso. Eu sou o seu pai e tenho a obrigação de zelar pela saúde de vocês. Além do mais, o ginecologista pode tirar todas as suas dúvidas. Juan mencionou uma colega que diz ser muito competente. E por ser mulher, talvez vocês fiquem mais à vontade. Ok?" Mais acenos positivos. "Vocês querem comentar alguma coisa? Tirar alguma dúvida? Algo não tão gráfico que eu possa responder?" Acenos negativos e ele silenciou por um tempo para ver se a gente mudaria de idéia. Não mudamos. "Ok... quem se candidata a me ajudar no jantar?"
"Eu me prontifico a encomendar uma pizza." Sorri timidamente.
"Perfeito, eu quero aquela pizza vegetariana que tem alcaparras." Papai sorriu de volta.
"Então é melhor eu pedir porque é possível que Santana sabote" Rachel provocou e virou em minha direção. "Pizza de peito de peru com tomate e cogumelos?"
Confirmei a preferência. Ela provavelmente ia ligar para a Borg, que era uma pizzaria que fazia discos pequenos, individuais. Era como se você comece umas quatro fatias de uma pizza grande comum. Rachel se levantou e foi até a cozinha ligar na extensão do telefone fixo da casa. Papai ainda me segurou na biblioteca.
"Santana, quero que entenda a reação do seu pai. Não o julgue mal, ok?"
"Não julgo, papai. Mas doeu ser chamada de perra."
"Ele estava nervoso e vai se desculpar. Você vai ver. Mas entenda que não é fácil para nós dois saber que você agora é sexualmente ativa. Você é a nossa menininha peralta. É difícil admitir que cresceu. E seu pai... ele é um machão. Você sabe disso. Só tenha paciência."
"Obrigada." Não agüentei e comecei a chorar de novo.
Papai me abraçou. Foi um dos carinhos mais consoladores que tive na vida.
