(Quinn)

Estava nua abaixo da cintura. Puck estava sobre mim fazendo movimentos ritmados com os quadris de vai e vem, vai e vem. Não sabia se gostava ou não daquilo. Minha mente estava confusa por causa do álcool. Precisava reorganizar minhas idéias. Ponto um: estava na cama com Puck. Ponto dois: estávamos fazendo sexo. Ponto três: era a minha primeira vez. Ponto quatro: bebi wine coolers demais. Ponto cinco: minha estima estava uma porcaria.

Como cheguei àquele ponto?

Tudo começou com os eventos intensos que marcaram a semana anterior. Soube que o coral estava sob nova direção do professor William Schuester depois que um aluno denunciou o velho careca traficante por assédio sexual. A escola inteira sabia quem era o fornecedor interno, menos o diretor, aparentemente. De qualquer forma, o aluno cuja identidade era mantida em sigilo tirou o velho careca da sala de aula. Senhor Schuester assumiu a posição e montou um novo coral com as presenças de Rachel Berry-Lopez, o garoto da cadeira de rodas, Kurt Hummel, Mercedes Jones e a menina freshman asiática gótica. Era só mais uma combinação de perdedores naquela escola. Até fiquei com pena de Rachel: ela nunca participava de uma iniciativa vencedora. Não achava que se envolver com aquele grupo de nada pudesse ajudá-la.

Precisava manter a minha torcida só para mim. Por fora, tinha de mostrar estar feliz por mais um retumbante fracasso da diva loser número 1 de McKinley High. Mas as coisas começaram a mudar quando saí para um dos intervalos e vi Santana às gargalhadas com Brittany. As duas estavam conversando em uma das mesas do pátio externo.

"Ei!" Me aproximei da dupla. "Boas novidades?"

"Talvez!" Santana limpou as lágrimas que corriam de tanto ela rir.

"Ficaram sabendo da confusão no novo coral? Dizem que Mercedes Jones quase saiu nos tapas com a sua irmã."

Santana disparou a rir mais uma vez. Brittany, àquela altura, estava cuidando para que a amante secreta dela não engasgasse ou coisa parecida. Fiquei sem entender. Logo ela que já havia me dado um soco no olho para defender Rachel. Achei que ela fosse ficar nervosa com a notícia.

"O coral..." Santana tentou respirar para falar. "Aquele bando de fracassados..." E Santana disparava a rir. Eu não entendia a graça.

"O que aconteceu?" Perguntei diretamente à Brittany porque Santana estava incapacitada de estabelecer um diálogo normal.

"Não soube?" Brittany sorriu enquanto amparava Santana.

"Não soube o quê?"

"Seu namorado entrou para o coral."

"Eu sabia que ele era gay!" Santana disparou a rir mais uma vez.

Meu mundo parou. Nem em um milhão de anos eu poderia esperar por aquilo. Santana apontava para mim e não conseguia se conter. Entendi a razão por ela estar se divertindo tanto. O abalo que a notícia provocou me deixou incapaz de pensar rápido em uma resposta ou talvez numa ameaça. Saí dali furiosa. Não me importava se Finn fizesse parte de mil corais e se apresentasse transvestido de drag queen. O que me interessava era de que ele e Rachel Berry-Lopez estariam juntos, cantando duas vezes por semana durante sabe-se lá quanto tempo.

"Diz que não é verdade! Diz que você não entrou para o grupo de perdedores do coral!" fechei a porta do armário de Finn na cara dele. Ele saltou para trás e me puxou gentilmente para uma sala vazia, como se falássemos do assunto mais delicado do mundo. Naquele momento, era mesmo.

"Eu não tive escolha, ok? Eu fui obrigado..."

"Por quem?"

"Olha Quinn. Não é nada demais. Só são alguns ensaios por semana. Nada demais. Nem vai atrapalhar nos meus treinos de futebol. Eu até que gosto de cantar."

"Finn Hudson, você tem meia hora para ir até esse professor e pedir para sair."

"Quinn... não vai dar."

Finn tocou no meu braço como se quisesse me fazer entender, mas eu saí da sala e só não bati a porta no processo por causa do sistema de amortecedores que impedia. Andei pisando duro pelos corredores. Sentia raiva, medo, paranóia, ciúmes. Precisava de um plano de emergência. Foi quando vi Puck conversando com alguns amigos. Situações extremas requerem medidas drásticas.

"Olá Puckerman." Forcei um sorriso. "Será que a gente poderia conversar em particular?"

"Claro." Colocou no rosto o sorriso cínico e nós fomos para um canto mais discreto. "O que deseja, princesa?"

"Finn entrou para o coral."

"Ouvi dizer. E daí se ele quer ser um perdedor?"

"O problema é que ele não pode. Quero que faça a vida dele um inferno a ponto de ele desistir."

"E o que eu ganho em troca?"

"Eu!"

Não acreditei no que estava fazendo. Não era meu estado racional. Tinha acabado de me oferecer a Noah Puckerman, o galinha da escola que dormiu até com a minha irmã. O sujeito que posava de namorado de Santana Berry-Lopez, o meu braço direito nas cheerios. Tudo porque vi o meu plano ruir em manter Finn e Rachel longe um do outro. Podia sentir essa ameaça no meu estômago: se descuidasse, eles ficariam juntos e eu teria de passar pela tortura diária de presenciar os beijos deles, as trocas de olhares. Com o coral envolvido, ainda teria de vê-los cantar um para o outro. Minha moral na escola ficaria abalada, minha popularidade, assim como a minha sanidade. Eu, Quinn Fabray, estaria perdendo terreno para a diva loser Rachel Berry-Lopez.

Fiquei quase doente no fim de semana quando soube que Finn, meu namorado, estava de encontro marcado com Rachel e o resto dos perdedores para assistir a uma apresentação do coral de Carmel. Por que Rachel Berry-Lopez não foi para aquela escola infeliz como desejava? Por que ela tinha de parar em McKinley só para me atormentar, para confundir meus pensamentos, meus desejos e meus sentimentos? Se não tivesse de cruzar com ela todos os dias na escola, não me questionaria tanto minha sexualidade, e ficaria mais feliz ao lado de Finn. Rezava para que Puck fizesse o serviço dele. Que ele atacasse meu namorado e humilhasse o suficiente a ponto de fazê-lo desistir.

Quase aconteceu. No breve período em que Finn disse estar fora do coral, fui uma das pessoas mais felizes do mundo. Estava até disposta a premiar meu namorado. Talvez permitiria que ele tocasse nos meus seios enquanto eu o fazia feliz com a minha mão debaixo das roupas dele. Poderia fazer aquilo. Não seria grande coisa tocá-lo até deixá-lo duro, certo? Finn não durava nem três minutos! Então o vi conversando com Rachel nos corredores da escola. Tentei mostrar a ela quem é que mandava naquele terreno. Santana, inclusive, me acompanhava. Mesmo assim Finn mudou de idéia.

No dia seguinte, estava andando com Santana pelos corredores depois das classes. Estávamos descansando um pouco antes do treino quando vimos movimentação dos alunos que faziam parte do clube de jazz carregando instrumentos para o auditório. Até aí nada de interessante. Foi quando Kurt Hummel, Mercedes Jones e a menina asiática passaram por nós ajudando a carregar equipamentos. Estavam usando camisetas vermelhas, como se fosse um uniforme. E riam.

"Parece que o coral vai aprontar alguma." Santana comentou, mas ela não se importava. Era indiferente a tudo.

Foi quando pensei em alertar a treinadora, que não estava contente com a possibilidade de alguns parcos recursos da escola fossem desviados para um coral estúpido. Ela decidiu ver o que se passava. Santana e eu acompanhamos.

Entramos pelos camarotes do auditório e pegamos o acesso para as áreas técnicas, onde estava escuro e não seríamos vistas. Dali, da sacada, a música começou.

Meu coração disparou em conflito. Era a segunda vez que presenciava Rachel cantar ao vivo. A primeira foi na horrível adaptação de O Mágico de Oz feita pelo teatro comunitário. A segunda foi ali, cantando com alegria "Don't Stop Believin", um rock antigo dos anos 1980 de uma banda que não gostava. A voz poderosa de Rachel invadiu meus ouvidos de forma prazerosa. Ela tinha melhorado muito desde o Mágico de Oz: algo que não conseguia perceber bem no áudio sofrível das músicas que ela postava no MySpace. Também estava linda em roupas normais e com o cabelo solto, sem ser escovado, que mostrava o corte bonito e o ondulado maravilhoso. Não acreditava que tudo aquilo ficava escondido pelos inúmeros arcos que usava e nas formas que prendia o cabelo.

Rachel cantava solta ao lado do meu namorado, que também era um bom cantor. Quer dizer, ele não comprometia. Um dos meus pesadelos se concretizava ali. Ele parecia mais feliz dançando e cantando com aquela diva egocêntrica do que todas as vezes que dei a ele alguma alegria em forma de ejaculação.

Sabia que aquele era o meu fim. O talento dela, cedo ou tarde, iria superar meu rostinho de beleza clássica. Eu perderia o coração de Finn, se é que algum dia eu o tive, e seria ridicularizada talvez pela escola inteira. A treinadora também sentiu que eles seriam problema, ou não teria nos deixado para trás sem fazer comentários.

"Nem foram tão bem assim." Tentei minimizar o que tinha acabado de testemunhar junto com Santana. "Eles jamais irão longe cantando rock brega antigo? Me poupe!"

Meu disfarce e pose bitch quase ruíram com a resposta da minha segunda no comando.

"Sei que terei de torcer contra porque eles são os perdedores da escola e nós os combatemos. Faz parte do jogo. Mas a minha irmã estava incrível e eles são bons. Outra coisa: não é música brega, Fabray. Aquilo é um clássico."

Santana me deixou sozinha assim que viu Brittany passar no fim do corredor e correu até ela. Fiquei ali plantada, parada. Sem chão.

Andei devagar, quase arrastando os pés, até o vestiário para colocar minha roupa de treino. Lá ouvi um grupo de cheerios reclamar do clube de castidade. Não notaram a minha presença.

"Precisamos arrumar um jeito de tirar o poder daquela gorda. Odeio fingir gostar dela, ainda mais depois daquele maldito clube." Disse uma. Sabia que estavam falando de mim.

"Concordo com a droga do clube. Mas se não é ela, quem seria nossa capitã? Você?" Questionou a outra. "Não acho que seja elegível."

"E se a gente começar a apoiar Lopez?" Disse uma terceira.

"Lopez é capacho da Fabray, não vai rolar..."

"Engano seu. Lopez puxaria o tapete daquela gorda na primeira oportunidade."

A conversa me enjoou. Eu? Gorda? Aquela foi a cereja do bolo.

O treino foi o mais bagunçado e caótico desde o dia em que assumi a frente do time. A treinadora não compareceu e eu não estava com cabeça concentrada suficiente nos treinos. Santana e Brittany tomaram a frente do comando e conseguiram segurar até o final. Foi um alívio quando finalmente cheguei até a segurança do meu carro e pude ir para casa. Assim que abri a porta, encontrei a minha mãe maquiada, se arrumando às pressas.

"Seu pai e eu vamos a uma festa. Ele me avisou de última hora!" Disse aflita.

"Festa de quem?"

"De Marshall Greene. Oh, você sabe o quanto eles são refinados. O que acha deste vestido?" Mostrou um preto com brilho discreto.

"Está elegante, mamãe."

"Ótimo!"

Suspirei e fui para o meu quarto. Estava me sentindo para baixo, triste, confusa. Queria fazer algo extremo para anular aquela confusão de sentimentos. Talvez ficar bêbada e andar na linha do trem. Pensei melhor sobre andar na linha do trem, mas aproveitar a adega dos meus pais não seria má ideia. Minha mãe comprava caixas de vinho e meu pai tinha predileção pelo conhaque e pelo whisky. Optei pelos vinhos de minha mãe, uma vez que o meu pai era um sujeito mais observador com o nível do líquido nas garrafas. Abri uma garrafa e me servi. O vinho era péssimo justamente por ser delicioso: tomei duas taças. Isso não acalmou a minha raiva, mas me deu coragem de fazer algo muito pior do que ficar bêbada: liguei para Puck.

Foram 15 minutos entre a minha ligação e o toque na campainha. Tempo e que tudo que fiz foi tomar mais uma taça cheia de vinho e colocar um disco. Puck chegou sorridente com quatro garrafinhas de wine cooler em mãos.

"Olá." Disse sedutor e me deu um beijo nos lábios sem a menor cerimônia. Aceitei a carícia. "Sabia que você me convidaria cedo ou tarde."

"Entre e, por favor, fale pouco."

Puck sabia ficar confortável na casa alheia. Ele pegou uma garrafa e ofereceu para mim. Eu, que já estava alterada, não recusei. Abri a tampa e tomei um bom gole. Sentei no sofá ainda a certa distância dele.

"Eu fracassei em fazer o seu namorado deixar o coral. Queria saber o que te fez me chamar mesmo assim?"

"Talvez eu goste de você."

"Mesmo?" Ele sorriu. Mesmo meio bêbada, eu sabia que ele não tinha comprado o meu papo.

"Talvez eu só queira me sentir bem por hoje." Tomei mais algumas goladas.

"Dia duro?"

"Duríssimo." Terminei a primeira garrafa e peguei a segunda. Aquilo parecia suco perto do que já havia tomado.

"Não está indo muito rápido?" Ele se referia a garrafa.

"Rápido é bom." Encarei Puck. Olhar para ele não era tão desagradável do que para Finn. Gostava da pele mais morena e do moicano. Puck também tinha um corpo bonito e forte para um adolescente de 17 anos. Havia boatos que ele tomava esteróides para ficar musculoso daquele jeito.

Ele encurtou a distância no sofá e me beijou. Até nisso era melhor do que Finn. Ele sabia o que estava fazendo. Tinha pegada. Estava me sentindo bem e só parava as carícias para beber mais um pouco. Não me importei quando ele tocou em meus seios. Precisava sentir desejada de alguma forma. Senti um arrepio bom quando ele deitou sobre mim e começou a passar a mão em minhas pernas. Pronto. Estava com o pedaço de carne da noite garantido.

"Que tal irmos ao seu quarto?" Ele sugeriu ao pé do meu ouvido enquanto devorava meu pescoço. Apenas concordei.

Descartei a segunda garrafa e subi as escadas virando a terceira. Meus pensamentos começaram a ficar embaçados e isso era bom. Puck esperou eu terminar a garrafa antes de me deitar na cama e ficar sobre mim no processo. Ele se mexia como se quisesse me devorar.

"Diz que eu não sou gorda!"

"Você está em ótima forma, babe." Ele focou o corpo para ficar entre as minhas pernas.

Mexia a pélvis experiente dele contra o meu sexo e comecei a ficar molhada, como nunca aconteceu com Finn.

"E proteção?" Perguntei assim que ele levou as mãos para tirar a saia do meu uniforme.

"Deixa comigo."

Puck puxou a minha saia e calcinha de uma vez só. Jogou as roupas no chão e voltou a deitar-se sobre mim, beijando a minha boca e devorando o meu pescoço. Quando quis tirar a minha blusa, recusei.

"Deixa ela aí." Determinei.

"Quero te mostrar como é bom ser beijada aí."

"Não... só faça o que tem de fazer."

Ele tirou a camisa e se ajoelhou por um instante para desabotoar a calça jeans e descê-la o suficiente para liberar o pênis ereto.

"Quer tocá-lo?"

"Não."

"Aposto que nunca viu um como este."

"Não mesmo. Eu sou virgem."

Isso não o afetou. Ele não se deitou sobre mim imediatamente. Primeiro passou a mão no meu sexo e o massageou. Aquilo era bom. Era gostoso. Então senti um dedo me penetrar. A sensação foi de incômodo e de insegurança. Era a primeira vez que era penetrada por outra coisa que não fosse os meus próprios dedos.

"Você está molhada." Sorriu.

Então deitou-se sobre mim mais uma vez e voltou a mexer a pélvis, mas agora sem tecido de roupas entre nossas genitálias. Começou a me beijar com mais calma. Eu estava me perdendo na sensação. Senti a cabeça do pênis dele em minha entrada. Ele penetrou de uma vez e eu serrei os dentes para não gritar. Nada tão grande esteve dentro de mim antes. A dor e o álcool me confundiram por um instante.

"Relaxa!" Ordenou. "Senão vai doer mais."

Puck me deu um ou dois minutos antes de começar a se mexer. Eu sabia que estava nua da cintura para baixo. Ele estava sobre mim e dentro de mim. Fazia movimentos de vai e vem, vai e vem. Era o sexo que tanto temia e ansiava ao mesmo tempo. A dor foi abrandando aos poucos, mas o prazer prometido e ansiado não vinha. Não era ruim, no entanto. Era estranho, sem dúvidas, sentir alguém se mexendo dentro de você. Alguém não, um pênis relativamente grosso e grande. Puck mudou de posição, segurou uma das minhas pernas e começou a se movimentar com mais rapidez e força. Quando achava que meu corpo havia começado a reagir, acabou. Puck chegou ao orgasmo e começou a desacelerar até parar. Ele me beijou antes de se retirar.

"Foi incrível!" Sorriu e rolou o corpo de lado.

"É... foi incrível!" Disse por dizer.

"Você está bem?"

"Sim, acho que só um pouco tonta..."

"Isso acontece às vezes, ainda mais na primeira vez."

"Experiente com virgens?"

"As coisas não são bem assim."

"Você precisa ir..." Disse quase sussurrando. Estava tonta e não me sentia melhor. "Meus pais..."

"Eles não foram a uma festa?"

"Festa de adulto termina cedo."

"Ok!" Puck levantou-se. Vestiu a camisa descartada e subiu a calça. "Te vejo amanhã na escola, princesa?"

"Impossível a gente não se cruzar".

"Quinn." Puck disse antes de sair do meu quarto. "Eu realmente gosto de você, e isso teve um significado especial para mim." Eu o encarei. Minha mente ainda estava embaçada pelo álcool, mas conseguia sentir alguma sinceridade.

"Obrigada!"

"Vai me levar até à porta?"

"Estou nua."

"Metade nua."

"A metade que te interessa." Puck sorriu. O meu amargor foi entendido como piada.

Sentei na minha cama e passei a mão pelos meus cabelos. Procurei minha calcinha, mas desistir de vesti-la. Fiz algo que jamais pensei na vida: andar nua pela casa. E assim desci as escadas acompanhada do meu amante. Esse era o status de Puck.

Abri a porta e me senti estranha quando brisa fria da noite atingiu minha genitália sensível através do tecido úmido. Foi um refresco, um prazer interessante.

"Você tem um corpo incrível, Quinn, e lindas pernas grossas. Se alguém disser o contrário, entenda como pura inveja. Não é verdade. Você é linda por inteiro."

"Obrigada." Estava sensível e comecei a chorar. Irônico. Tudo que precisava era de algumas palavras para levantar minha alto-estima. Puck beijou a minha testa e me abraçou.

"Tem certeza que não quer que fique mais um pouco? Poderia te fazer companhia. O que disse é verdade: gosto de você e me importo."

"Meus pais devem mesmo estar logo aqui e eu não quero problemas."

"Tem certeza?" Apenas acenei.

Nos beijamos pela última vez e Puck foi embora. Fechei a porta, subi as escadas e fui direto ao banheiro. Estava estranha e diferente. Talvez as meninas se sentissem assim depois da primeira relação. Deixei a água cair sobre o meu corpo. Vi que tinha um pouco de sangue no chão sendo diluído. Ouvi dizer que uma virgem poderia sangrar ou não na primeira vez, que variava de mulher para mulher. Eu sangrei e senti um pouco de dor. Pacote completo para mim. Enxuguei meu corpo, fechei a porta do meu quarto. Peguei a minha manta e deitei ali mesmo, nua. Dormi. Nem vi meus pais chegarem.

...

16 de setembro de 2010

A presença de Finn no coral parece que encheu Rachel de confiança. Ela passou a semana inteira me desafiando. O primeiro confronto foi nos armários, quando ela escutou uma conversa entre eu e meu namorado quando estava tentando fazer a cabeça dele para desistir do coral. Disse na minha cara que ela e Finn tinham uma conexão, mas por ser uma mulher honrada, não precisaria roubar o meu homem. Nunca ri de um slushie atirado na cara dela. Mas o duplo que ela recebeu em seguida de Puck e de um colega lavaram a minha alma.

Virou rotina espiar Rachel e Finn caminhando lado a lado pelos corredores. Eles conversavam com naturalidade e eu sabia que meu relacionamento estava em perigo. Em grave e real perigo. Rachel me desafiou pela segunda vez ao ir a uma sessão do clube da castidade e dizer na minha cara que meninas também querem sexo. Fiquei com ódio dela e excitada como nunca.

Mas o golpe de misericórdia veio na primeira apresentação do coral diante da escola. Rachel e o bando com quem passou a andar, inclusive meu namorado, ensaiaram uma coreografia sexual para a música "Push It", do Salt-N-Pepa. Ela de saia, joelheiras, suspensório e camiseta azul insinuava posições sexuais com Finn na frente de toda escola. Na minha cara. Percebi que se não atacasse logo, perderia o controle de vez. Declarei guerra a Rachel Berry-Lopez e havia uma estratégia boa suficiente para tal.

"Vamos o quê?" Santana deu um pulo de dois metros quando disse qual era o meu plano.

"Nós vamos fazer uma audição para entrar no coral." Repeti com calma.

"Olha, eu tenho sido uma leal escudeira e sempre cumpri com o nosso acordo apesar dos seus últimos abusos. Mas existe o meu mundo e existe um grupo de perdedores personificado naquele coral do qual a minha irmã faz parte. Essas coisas não devem ser misturadas."

"Só que a sua irmãzinha está de olho no meu namorado, e eu preciso defender o que é meu."

"Então faça isso sozinha. Peça uma audição para o professor Schuester e cante 'Fly To The Moon'. Defenda o seu território! Só não me envolva."

"Eu posso convencer Brittany a vir comigo mesmo sem você. Eu sei que ela adora cantar e dançar. Já imaginou a Britt no coral de perdedores sem você para defendê-la?"

"Eu te odeio, Fabray. Eu legitimamente te odeio!"

"Não preciso que goste de mim, Lopez. Só que cumpra o seu papel e fique ao meu lado."

Passamos um pedaço da tarde ensaiando "Say a Little Prayer For You". Percebi que a boa voz devia ser coisa de família: Santana cantava muito bem. Brittany nem tanto. Mas era eu quem deveria ficar à frente. Eu iria fazer parte daquele coral custe o que custasse. Rachel Berry-Lopez e Finn Hudson não poderiam ficar juntos.