(Quinn)
As palavras da minha mãe ecoavam todos os dias na minha cabeça.
"Seu pai disse que não vai pagar a sua faculdade, Quinnie, e nós não temos dinheiro para isso. Sinto muito."
Eu não sabia o que fazer. Minha mãe relutava, mas não teríamos outra solução a não ser colocarmos a casa a venda para diminuir nossas despesas e formar uma poupança para emergências. Procurava fazer a minha parte. Depois que mamãe e eu voltamos de viagem de férias, tratei de trabalhar pela primeira vez na vida. Comecei a ganhar alguns trocados como babá e tentei fazer outros pequenos serviços, como revisão de textos, e qualquer outra coisa que julgasse digna que pudesse render algum dinheiro.
Havia essa moça do bairro vizinho, Claudia, que era uma mãe solteira que trabalhava numa empresa que planeja espaços internos. Ela era jovem e bonita, tinha apenas 24 anos, e também era uma guerreira na arte da sobrevivência. O pai do filho dela a deixou na mão num momento em que ela lutava para terminar a faculdade com um filho de meses de idade para sustentar. Claudia começou a trabalhar animando festas, se vestindo de princesa da Disney e qualquer outro personagem em parceria com uma amiga. Conseguiu terminar a faculdade e meses depois mudou-se para Lima contratada por essa empresa. Ela me viu distribuir meus panfletos oferecendo meus serviços e resolveu me contratar como babá. Claudia foi tão camarada comigo que arrumou uma festinha infantil para eu fotografar. Foi o melhor trocado que ganhei.
Mas eram trocados que serviam para as minhas despesas pessoais: para um vestido, um par de sapatos, e às vezes para ajudar a minha mãe com o supermercado. Estava feliz em me virar dessa maneira, até que minha mãe despejou a bomba de que meu pai recusou pagar a minha faculdade. Como se não tivesse bastado ele ter vendido no meu carro, minhas jóias, e doado todos os meus pertences pessoais para a igreja. Comecei a fazer os cálculos: se o dinheiro que recebia com esses trampos mal pagaria o dormitório mais barato da universidade, o que dirá então da mensalidade em si?
Eu não poderia ser uma fracassada de Lima. Não queria o destino da família da minha mãe, que sempre se conformou com a vidinha na cidade. Eu não queria fazer faculdade comunitária e ser medíocre como o senhor Schuester. A única e mínima chance que teria para conseguir sair daquele inferno com alguma segurança seria por meio de uma bolsa de estudos, e o caminho mais óbvio para conseguir isso seria pelas cheerios. O prestígio da treinadora Sue Sylvester poderia garantir uma em alguma universidade do centro-oeste americano. Poderia ser qualquer uma, desde que eu fosse embora de Lima.
Por isso precisei agir.
Santana era capitã das cheerios por merecimento e competência, mas tinha certo problema com a própria imagem. Ela voltou das férias com o busto maior e passou a se exibir nos corredores. Eu a procurei não apenas por nosso pacto no passado, mas porque achei que havíamos nos tornado amigas por causa do coral e de tudo que vivenciamos. Não foi bem assim. Santana continuava vidrada em Brittany e deixou claro em suas ações que eu poderia até ficar por perto, mas que nós não éramos amigas.
Se Santana não dava valor a nossa amizade, porque eu teria de me subordinar a ela?
Foi por isso que, quando forcei a barra para entrar de novo no time de cheerios, não hesitei em derrubar Santana da posição de capitã. Tudo que precisei fazer foi usar contra ela uma fofoca que a própria espalhou: cirurgia para colocar silicone nos seios. Óbvio que era mentira. Era pouco provável que ela conseguisse autorização dos pais para fazer uma cirurgia desta natureza. Mas foi o suficiente para a treinadora derrubá-la e colocá-la na base da pirâmide. Deu pena, porque Santana foi uma boa aliada e fez um ótimo trabalho à frente das meninas.
Fase do plano número dois: precisava reconquistar a minha popularidade. A melhor forma de acelerar o processo era pegar um namorado bonitinho. O garoto transferido, Sam Evans, foi perfeito. Ironicamente, ainda contei com um empurrão e apoio de Rachel Berry-Lopez e Finn Hudson. Não sabia dizer as razões para ela fazer isso. Não sabia se fazê-lo ficar comigo o manteria também no coral ou se Rachel realmente se importava. Não queria alimentar as minhas esperanças. O fato é que Rachel ainda estava com Finn e eu perdi a guerra.
Ao menos Sam era um cara legal. Um tanto ingênuo e por vezes cheio de si. Ele beijava razoavelmente bem, tinha um pouco de pegada, e era um quarterback que realmente sabia jogar. Ou seja, tudo que Finn Hudson jamais foi capaz. Não era um sacrifício ficar com Sam, mas também não era o que eu queria para mim. Arrumei um namoradinho que tinha a minha simpatia e carinho, mas não o meu amor.
"Oi Quinn." Rachel apareceu na minha frente com um sorriso forçado. O que ela ia querer desta vez? Que eu pulasse do telhado da escola?
"O que quer?"
"Quem disse que quero alguma coisa?"
"Lopez 2, corta o papo. Toda vez que você se aproxima de mim nessas últimas semanas, ou é para me pedir favores ou para tentar me manipular."
"Eu nunca tentaria te manipular." Ela se fez de chocada.
"Até porque não conseguiria." Aproximei-me como uma predadora. "Ainda não entendeu que sou eu quem escolhe ceder ou não aos seus apelos?" Ela arregalou os olhos. Senti receio e um pouco de medo por parte dela. Era bom. Rachel precisava entender que não era a HBIC da escola. Esse era o meu papel e minha adversária chamava-se Santana Berry-Lopez. "O que precisa?" Recuei um passo.
"Santana."
"O que tem ela? Está dando em cima do seu homem? Finn sempre teve um fraco por ela." Provoquei.
"Ela está passando dos limites. Meus pais seguram as grosserias dela em casa. Mas aqui... preciso que alguém a freie um pouco e a única pessoa forte o suficiente para contê-la nesta escola é você! Ela não é a sua grande rival? Faça alguma coisa!"
Comecei a rir. Que ironia, de repente, eu ser a solução dos problemas entre as irmãs Berry-Lopez.
"Qual é a graça?" Rachel franziu a testa e ficou com um adorável olhar de garotinha assustada.
"Não vai dar."
"Como assim?"
"Santana pode estar para baixo neste momento, e sim, nós somos rivais. Por outro lado, ela continua a ser uma das principais peças das cheerios e o time precisa dela em forma, motivada e mais ou menos sã. Também não estou com vontade de ter uma parte roxa e dolorida no meu corpo tão cedo. Sinto muito, Lopez 2, mas vai ter que arrumar outro jeito de lidar com os ataques da sua irmã."
"Por favor, Quinn. Estou desesperada."
"É mais fácil você fazer Brittany e Artie terminarem. Aí seus problemas estarão resolvidos."
"Eu..." Arregalou os olhos. "Como sabe?"
"A pergunta é: quem não sabe?" Empinei o meu rosto. "Isso também não é problema meu."
Rachel olhou para o chão e falou baixinho.
"Kurt foi atacado mais uma vez por Karofsky. Queria te convocar para uma reunião com as garotas para a gente discutir o problema. Precisamos arrumar uma forma de protegê-lo."
"Quando?"
"No intervalo do almoço na nossa sala."
"Estarei lá."
...
(Santana)
Dizem que o inferno astral é o período de 30 dias que antecede o seu aniversário. Não sou uma pessoa supersticiosa, mas se inferno astral existe, então devo ter subvertido as regras e entrado nele desde que meu ano junior na escola começou. Quinn, aquela cobra cascavel, me derrubou das cheerios se beneficiando de um boato que espalhei numa festa quando usei um sutiã com enchimento. Ela sabia que eu dificilmente desmentiria o falatório só para não me passar por mentirosa na escola, e levou o caso para a treinadora Sylvester. Perdi a posição nas cheerios porque fui acusada de ter problemas com a minha imagem, então era sinal de que não tinha confiança e auto-estima o bastante para continuar a ser capitã. Essa era a versão oficial. A versão verdadeira era que Fabray sempre foi a favorita de Sylvester.
Pelo menos Quinn passou o dia com os meus cinco dedos quentes no rosto dela.
Outra indicação de que estava no meu inferno astral: Brittany. De repente o nosso acordo de ter uma relação aberta e secreta foi para os ares. Ela queria exclusividade e estava disposta a parar com as transas casuais com outras pessoas. Eu largaria Puck em um segundo por Brittany. O problema foi que ela queria também nos oficializar publicamente. Eu surtei. Tive um pânico gay. Fiquei com medo de assumir qualquer coisa com ela e virar alvo de homofóbicos como Karofsky. O que Kurt sofria era o exemplo perfeito de que o silêncio era a melhor política em troca da integridade física. Meus pais se envergonhariam de mim caso soubessem da minha covardia. Brittany também se decepcionou comigo mais uma vez.
Artie teve sorte. Duvido que ela o amasse como me amava, mas como ela estava cansada dessa história de experimentar e buscava um relacionamento estável, aquele quatro rodas ganhou a princesa. O que Artie tinha de especial além de ser um nerd com um pouco de inteligência? Ele era aluno destaque assim como Mike Chang e Quinn Fabray. Mas nenhum deles era genial. Nenhum frequentava a turma de super nerds junto comigo. Eu era a grande crânio da matemática de McKinley, de Lima e talvez de todo o Ohio. Uma pena que isso não me adiantava em nada no quesito coragem.
Se fosse um personagem, seria o Leão do Mágico de Oz antes de conhecer Dorothy.
"Oi Santana!" Finn passou sorrindo para mim.
"Oi!" Retornei com falso entusiasmo.
"Como vão as coisas?"
"Incríveis como sempre. Não está a fim de pegar um pouco dessa energia?" Insinuei e o coitado sorriu envaidecido. Idiota.
"Seria ótimo... mas eu estou com Rachel."
"Hum..." O provoquei passando o meu dedo indicador pelo tronco dele. "Quando estiver cansada da diva irritante, me procure. A gente pode transar uma segunda vez!"
Saí sem olhar para trás. Idiota! Nojento! Se eu sugerisse um ménage a trois envolvendo a minha irmã, ele toparia na hora. Aposto que o pintinho dele ejacularia só em me ver beijando minha própria irmã. Ele seria capaz de achar tudo perfeitamente natural. Deus sabe como me arrependo por ter ido para cama com esse saco de batatas suadas. Só não foi a pior transa da minha vida porque Andy Mastrantonio era imbatível. Sinto nojo de mim mesma toda vez que me lembro da minha experiência com ambos. Uma pena que Rachel está tão cega por aquela baleia orca. Para ela, Finn é o grande herói da escola, talvez da pátria, e nada do que eu faça a será suficiente para ela enxergar o poço de hipocrisia que era o namoradinho dela.
Sentia falta de Brittany. Precisava dela. Queria um pouco de afago e de carinho. Um de verdade e não do pênis do Puck, embora um orgasmo não seria mal. Só em pensar na possibilidade de ter uma boa fodida, mudei de idéia. Precisava relaxar e aquele moicano sabia das coisas. O encontrei conversando com o quatro rodas. Os dois ficaram mais amigos depois que Puck saiu da cadeia depois ser pego vendendo maconha e anfetaminas. Idiota, não prestava nem para ser traficante.
"Ei!" Aproximei-me. "Está com tempo?" Disse ignorando Artie completamente.
"Pra você? Quase sempre!"
"Que tal a gente se encontrar naquele canto em cinco minutos?"
"Cê ta falando sério? Santana Berry-Lopez precisando de uma urgente. O dia deve estar tenso."
"Topa ou não?"
"Toparia, mas tenho um assunto com Karofsky para resolver."
"Vamos reunir os caras do time para dar um ultimato para ele deixar Kurt em paz." Artie explicou melhor. "As meninas também estão se movimentando. Brittany foi para uma reunião convocada por Rachel. Acho que vai ser na nossa sala."
"O quê?" O sangue subiu.
"A gente precisa fazer algo, ou Karofsky vai acabar matando Kurt." Artie deu tchau e seguiu com Puck para dentro do colégio.
Rachel está tão em guerra comigo que nem mesmo me incluiria para discutir algo de extrema importância. As coisas estavam mesmo feias entre nós. Fui até a nossa sala, que é aonde o coral ensaiava. Ela ia ver. As coisas não poderiam ficar assim.
...
(Rachel)
Imaginei que depois da nossa derrota nas regionais, a imagem do coral fosse ficar pior. Podia lidar com alguns slushies, xingamentos, ironias e Sue Sylvester. Mas as coisas começaram a sair do controle. Na primeira semana da escola, a rotina entre ensaios, desentendimentos e aulas aumentou consideravelmente. Começo por Santana. Ela quis chamar ainda mais atenção na escola, como se ela já não fosse vista e reconhecida. Para isso, usou um método engenhoso.
Minha irmã começou um boato de que teria colocado silicone nos seios e apareceu na escola com um sutiã com enchimento. Foi o suficiente para criar efeito psicológico em massa. Ela só não contava que Quinn fosse jogar sujo e usar a informação para recuperar o lugar de capitã das cheerios. As duas se atracaram no corredor e eu não consigo entender como não foram suspensas. Alguns alunos gravaram tudo no celular e postaram no YouTube. Virou hit em McKinley. É possível ver a briga por uns três ângulos diferentes. Não fosse pelo professor Schue, Quinn teria levado uma surra. Incrível é que nada disso afetou de forma negativa a popularidade dela.
A maior vulnerabilidade social da minha irmã continuava a ser o coral. Santana não estava brincando quando disse nas competições locais que os ensaios eram a melhor parte do dia. Sentia que o envolvimento pessoal dela era cada vez maior. Participava mais, dedicava-se mais, cantava mais. Noutro dia, eu a flagrei no porão da nossa casa pesquisando a discografia da Tina Turner, o que se concretizou num dueto explosivo com Mercedes no clássico "River Deep Mountain High". Se o professor Schue não fosse tão ingênuo em achar que as duplas concorrentes votariam na "melhor" em vez de si mesmas, e se eu e Finn não tivéssemos competido para perder em favor de Barbie e Ken (Quinn e Sam), Santana e Mercedes teriam levado o prêmio. Elas mereceram.
E Quinn? Acho que ela me tolerava mais. Não é que tivéssemos feito alguma amizade, embora não me importaria se acontecesse. Era algo que desejava, inclusive. Pela interação dela com Mercedes, acredito que seja uma boa companhia. Mas é difícil dizer qualquer coisa a respeito da eterna capitã das cheerios. Depois que Quinn deu a luz a Beth nas regionais, ela ficou mais quieta na escola, mais discreta e até mais isolada. Não era possível adivinhar o que se passava na cabeça ou mesmo de ler as expressões faciais. Era como se Quinn estivesse sempre pensando duas vezes antes de dizer qualquer coisa, até mesmo nas ofensas contra mim: mais sutis e elaboradas. Ela começou a namorar Sam Evans com certo empurrão meu e de Finn. Não demorou muito até eles se tornarem o casal mais diabético da escola – palavras de Santana. Eu só acho que fazia todo o sentido.
As outras pessoas do coral não eram difíceis de ler como Quinn. Sabia exatamente o que esperar de Mercedes, Tina, Artie, Noah, Kurt, Mike. Até mesmo de Sam. Ele tinha personalidade previsível, desmistificada em poucas semanas de convivência. Era um sujeito bem intencionado, mas constantemente em busca de aceitação. Mais ou menos como Finn. Às vezes ficava incomodada por meu namorado ser tão preocupado com popularidade, em ser líder do grupo. Meu pai dizia que o grau de Q.I de Finn reduzia as chances dele em ser aceito em uma boa faculdade. Ou ele entrava por uma bolsa pelo futebol americano, ou esquecia isso e se concentrava no ramo da construção civil. Se meu pai era um admirador de Finn? Não mesmo. Não o destratava, mas também não fazia questão em manter uma conversa com ele. Papai era mais flexível e até considerava meu namorado um bom menino. Estava ciente de que as chances de Finn sair de Lima pelo estudo não era das melhores. Mas o que meu pai e todos os outros que criticam não sabiam era que Finn carregava um coração imenso dentro de si.
Certo dia, Brittany começou a namorar Artie a sério. Quando soube, vi que as coisas iriam desandar. Lembro que Santana me deu as chaves do carro para que eu voltasse para casa sozinha (isso nunca era um bom sinal) e só apareceu no outro dia na escola e com uma tremenda ressaca. Aparentemente, ela tentou curar suas dores na usual companhia de Noah. Apesar de não ter mudado a relação de amizade com Brittany e continuado a agir quase do mesmo modo na escola, Santana descontava a frustração em mim. As ofensas ficaram mais pesadas e a gente mal conseguia conviver dentro de casa. Quando comandei o coral na ausência do professor Schue, achei que ela fosse me matar na frente de todo mundo só porque fui democrática e estava disposta a aceitar sugestões para o meu solo nas competições locais. Ainda me chamou de doida em espanhol.
Eu não sou de ferro, não tenho sangue de barata e já tinha os meus problemas. Minha irmã podia me atacar o quanto quisesse, ótimo, mas eu não iria deixar as agressões impunes. Fiz a minha parte para evitar atritos: procurei não estar à presença dela, até mesmo quando tive a idéia de reunir as meninas para pensássemos em algo de modo a evitar que Kurt fosse agredido e ameaçado por Karofsky. Não deu certo.
"Que história é essa de só convidar as garotas com namorados para defender Kurt?" Santana gritou na minha cara assim que entramos no nosso carro. "Você perdeu a noção do ridículo? Não sabe que Mercedes é a melhor amiga dele? E você a deixou de fora só por causa dessa regra idiota?"
"Eu me recuso a dialogar enquanto você estiver gritando feito uma descontrolada. Loca!"
"¿Loca? Cuando llegamos a casa y me pongo mis manos sobre su cuello, entonces usted sabrá que eres loca." de alguma forma, Santana ficava ainda mais assustadora quando gritava em espanhol.
"¿Sabes qué? Buena suerte con eso." cruzei os braços e olhei para a paisagem da janela ao meu lado.
Fui para casa tremendo de medo. Considerei, inclusive, pular com o carro em movimento quando Santana desacelerou numa faixa de pedestre. Ao chegamos, saí do carro e praticamente corri até Prudence e Clara. Elas sempre me defendiam de Santana. Foi com o que contei, porque minha irmã tinha todo o jeito que cumpriria a promessa. Quando viu que não seria possível me assassinar, roubou uma cerveja na geladeira, subiu as escadas bufando e se trancou no quarto. Nem quis ir experimentar os vestidos que usaríamos no casamento do senhor Hummel com a minha sogra.
Peguei o carro e fui sozinha ao ateliê. Tina e Brittany já tinham passado por lá. Quinn estava ajudando a costureira a resolver um problema no vestido de Mercedes enquanto a minha sogra apenas palpitava. Ela já tinha experimentando a roupa dela.
"Rachel!" minha sogra disse forçando certo entusiasmo. "Pensei que viria mais cedo."
"Tive alguns problemas."
"Problemas com Satan?" Mercedes disse, provocando risadas discretas de Quinn.
"Não é da sua conta."
"Claro! Por que seria? Logo você que acha que reuniões para defender meu melhor amigo não são coisas que me dizem respeito." Mercedes disparou.
"Meninas?" minha sogra parecia confusa.
"Coisas da escola, Carole." Desconversei. "Por que Kurt não veio?"
"Ele disse que precisava ajudar o pai dele e Finn com uma coisa. Não quis dizer o que era." Então minha sogra desconversou e voltou a atenção para a costureira que agora arrumava a barra do vestido de Mercedes.
O meu vestido estava quase perfeito. Precisava apenas de um ajuste na alça, nada que um ponto não resolvesse. Aproveitei e experimentei o de Santana. A gente tinha o mesmo corpo e tamanho de manequim, exceto que ela era um pouco mais alta e tinha naturalmente mais seios. Se ficasse ajustado na minha cintura, então serviria no corpo dela. A costureira fez o seu melhor e saímos juntas do ateliê satisfeitas com o resultado. Aquela era a melhor roupa de dama de honra que tinha visto. Escolha de Kurt e Mercedes. O casamento seria no final da manhã do dia seguinte e eu precisava chegar em casa logo para colocar a minha máscara facial e os pepinos nos olhos. Minha pele teria de estar em perfeitas condições.
"Rachel, hija!" meu pai me abraçou e beijou o topo da minha cabeça. "Onde esteve?"
"Estava experimentando o vestido para o casamento amanhã. Peguei o meu e de Santana."
"O que deu na sua irmã hoje, falando nisso? Ela recusou jantar no Breadstixs e agora está no quarto ouvindo Fiona Apple."
"Dor de cotovelo por causa da Brittany." simplifiquei o caso.
"Ainda?"
"Essa vai demorar a passar."
Pendurei o vestido dela na maçaneta da porta e depois avisei que a roupa estava lá. Não fiquei esperando nenhum movimento amigável e fui logo cuidar dos meus negócios: banho, secar cabelo, cuidar da minha beleza. Mais do que o casamento da minha sogra com o pai do Kurt onde todo o coral estaria presente. Aquele era o primeiro evento social familiar que eu teria oficialmente como namorada de Finn. Não podia negar que estava ansiosa para um dia de alegria. Seria um grande alívio ao stress que passava nas últimas semanas.
