11 de setembro de 2012

(Rachel)

"Quantos empregos você já teve nesta cidade?" A minha pergunta a Johnny era genuína. Não entendia como alguém pode falar em tantos ex-patrões. Ele me olhou espantado? Minha curiosidade era tão intrusiva assim? Ou será que minha pergunta era demasiadamente trivial?

Johnny era a pessoa que mais nos ajudava desde que chegamos a Nova York. Dava dicas de que restaurante bom e barato comer, como se divertir com pouco ou nenhum dinheiro. Ele parecia conhecer todos os buracos da ilha de Manhattan e alguma coisa do Bronx e do Brooklin. Arrumou um trampo para Mike e agora tentava fazer o mesmo por mim. Precisava colocar dinheiro em casa de alguma maneira enquanto dezembro não chegava. Não podia depender de audições e deixar as coisas nas costas de Santana.

"Um monte." Ele respondeu com naturalidade e nenhum acanhamento. "Fui até zelador." Ele consultou mais uma vez a lista de oportunidades para jovens que eu havia feito e outra de contatos dele. "Garçonete está descartado, correto?"

"Eu não teria essa capacidade." Johnny olhou engraçado para mim, como se perguntasse em silêncio que tipo de habilidade especial teria de se ter para ser garçonete. "Não é que eu queira descartar oportunidades logo de cara, mas eu só gostaria de considerar servir mesas, ser caixa de supermercado e limpar o chão quando acabarem as opções que considero melhores, ou atividades mais atraentes. A única coisa que descartaria logo de cara é andar com cachorro. Eu não foi boa com animais... quer dizer, poderia ter um gato, pois é mais independente. Já um cachorro é fora de questão."

"Tem certeza que eu sou o cara mais indicado para te ajudar a encontrar um trampo que você possa considerar atraente?" Ele passou o olho mais uma vez na lista. "Quinn deve ser mais indicada a te ajudar nessas coisas, porque eu só conseguiria te arrumar trampos mais simples."

"Eu só quero um emprego de meio período por alguns meses, ok? Algum que não fosse longe da escola ou da minha casa."

"Já que você não gosta de cachorros, já vou tirar a pet shop aqui da lista."

"Mas se é para balconista, não seria problema."

"Nesse caso... talvez a gente tenha alguma sorte no pet."

"Já trabalhou lá?"

"Não, tenho uma conhecida que processou a loja."

"Por quê?"

"Eles pintaram o labrador dela de rosa."

"Você está de gozação?"

"Pior que não." Deu uma gargalhada gostosa, como se lembrasse do episódio. Precisou de alguns minutos para se recompor. Quem diria que um homem daqueles podia conhecer alguém com um labrador rosa, mesmo que por acidente? "A gente tem que traçar uma rota de trampos que você quer ver da sua lista e da minha. Assim você perde menos tempo procurando, ainda volta para casa em tempo hábil para fazer o dever de casa, e Santana não te mata."

Sim, Johnny sabia que Santana era a minha "tutora" na cidade. Eles achou a situação meio ridícula (e não foi o único), mas eram coisas da vida. Nós fizemos um reajuste de listas e traçamos uma ordem de prioridades. Mas isso nem sempre correspondeu com a distribuição geográfica. O jeito era gastar a sola do sapato.

Logo descobri que Nova York não é a cidade das oportunidades. Pelo menos não quando se tem 17 anos, está ainda na high school, que só pode trabalhar meio período e tudo que tem no currículo é peças de teatro. A minha lista foi um fracasso. Sempre havia pessoas mais qualificadas que eu, ou mais velhas, ou com mais tempo. A moça do pet shop disse que a vaga estava errada: não era para ser balconista, mas sim para lavar cachorro e gato. Eu hesitei por um segundo e a dona mandou eu catar coquinho. No salão de beleza, a vaga era das quatro às dez e deveria atender telefone, varrer o chão, colocar as toalhas para lavar. O horário era terrível, e pouco sobraria para estudar. Além disso, o salário não daria para pagar nem a passagem do metrô.

O escritório de contabilidade tinha acabado de contratar e cheguei vinte minutos atrasada para o processo de seleção da cafeteria. Havia as opções do Johnny para balconista, caixa de mercado, entregadora e ajudante de cozinha. Deixei o meu currículo nesses locais, mas torcendo contra porque não era trabalhos que eu gostaria de fazer se ainda tivesse algumas opções. O último lugar que ele me levou foi numa gibiteca. A loja era muito interessante, típica dessas freqüentadas por tudo que é tipo de nerd deste mundo, com revistas em quadrinhos distribuídas como se fossem discos de vinil, posters, brinquedos desses colecionáveis, camisetas e alguns DVDs.

"Carl está aí?" Johnny perguntou a um cara magricelo que parecia ser o vendedor.

"No depósito!"

"Pode chamá-lo?"

"Claro..." O vendedor foi até o interior da loja.

"Carl é o dono deste lugar." Sussurrou no meu ouvido. "É um dos poucos amigos que restaram dos meus tempos de NYU. Não se preocupe que ele é gente boa."

Carl apareceu. Era um sujeito que se vestia como um motociclista em ação. Tinha barba grande, braços cobertos em tatuagens, usava jaqueta de couro sem mangas. Cumprimentou Johnny com entusiasmo. Quem não estava entusiasmada era eu. Quer dizer, o local era bem arrumado, mas a aparência do dono não era tão amistosa. Ele parecia um ogro.

"Pois então, Carl, estou aqui com a minha grande amiga, Rachel Berry-Lopez. Ela precisa de um apoio, sabe? Um trampo temporário para fazer depois da escola."

Carl olhou para mim de cima para baixo e de baixo para cima, com um olhar predatório que provou arrepios em minha espinha.

"Podemos pensar em algo... diga-me Rachel, você está familiarizada com os produtos que trabalhamos?"

"Quem não conhece Star Wars?" Apontei para uma réplica da Estrela da Morte que estava próximo ao balcão e eu não tinha certeza se era para vender ou só para enfeitar. "Conheço os filmes de super-heróis..." Com o adendo de que eu não era fã do gênero. Santana era uma nerd no armário: ela adora ficção científica, mas é o tipo da coisa que não conversa com ninguém a respeito. Ser boa em matemática e ainda fã dos gêneros de ficção científica e de fantasia não fariam bem a popularidade dela em McKinley. Mas eu sei que a minha irmã pegava livros do gênero na biblioteca pública de Lima, além de assistir as séries. "Eu não sou fã de gibis de heróis, mas ao menos eu conheço os principais personagens."

Carl continuou me olhando de cima embaixo, o que me deixou um pouco incomodada.

"Sabe trabalhar com caixa registradora? Empacotar? Sabe fazer controle de estoque?"

"Eu aprendo muito rápido."

"Ok!" Ele franziu a testa. "A gente pode fazer um teste amanhã, pode ser?"

"Claro." Cumprimentei o dono da loja, certa de que poderia conseguir o trampo.

Foi quando Carl chamou Johnny para pegar algo, o que queria dizer que gostaria de ter uma pequena conversa particular. Eu não tenho ideia do que foi dito. O que sei é que Johnny voltou sério.

"Você não vai pisar os pés nessa loja amanhã!" Johnny disse assim que saímos.

"O que aconteceu? O que seu amigo te disse?" Estava confusa.

"Isso não importa, só confie em mim: esse lugar não será bom para você."

"Mas era bom quando entramos..."

"Não será mais, Rachel. Confie em mim!"

Aprendi a confiar em Johnny para certas coisas. O problema é que as opções prioritárias acabaram, restando apenas servir mesas ou ser caixa de mercado. Fiquei frustrada. Estava cansada, com fome e sede, e já a ponto de considerar usar um uniforme para limpar chão. Isso não ajudava em nada a minha estima. Johnny me levou até uma lanchonete dessas baratas e me pagou um suco. Era noite e eu não tinha perspectivas.

"Eu sou um fracasso." Desabafei quando Johnny e eu sentamos num banco, próximo a estação do metrô.

"Hoje só foi o primeiro dia, Rach. Espalhamos currículos, conversamos com algumas pessoas... nem todo mundo tem a sorte da Quinn em arrumar um emprego no primeiro dia na cidade."

"Um emprego que ninguém queria, por ser mesmo um trabalho escravo."

"Ainda assim..."

"Se eu tivesse feito aquela identidade falsa, pelo menos poderia trabalhar num desses bares dos seus amigos."

"São apenas conhecidos meus. E não acho que trabalhar num bar seja legal pra você. Os horários são terríveis, e nem todos são 'família', sabe?"

"Existe bar família?" Franzi a testa.

"Existe sim. A maioria desses bares tem clientes assíduos. Mas aí depende de que tipo de cliente estamos falando. Cada um tem um perfil. Bares de estudantes universitários, por exemplo, são lotados e volta e meia dão problemas. Bares de alto-executivos costumam ser minas para prostitutas caras e traficantes ambiciosos. Bares de policiais e de advogados dão boas gorjetas, mas você tem o problema do horário."

"Oh... ainda não estou tanto tempo assim na cidade para conhecer esse lado e nem o elenco da peça é tão amigo assim para desejar saídas em grupo em bares de atores... se é que existem."

"Pode crer que existem!" Johnny gargalhou. "As gorjetas são as piores nesses locais."

"Você já trabalhou em bares?"

"Trabalhei em duas ocasiões. Não foram experiências que gostaria de repetir... Bom Rach, acho que eu tenho uma sugestão pra você, se estiver disposta."

"Mais um lugar alternativo com donos tatuados que pertencem a um moto clube?"

"Não dessa vez. Olha, eu não cogitei esse emprego antes porque, sinceramente, Rach, seu currículo é um lixo!"

"Nossa Johnny... obrigada pela parte que me toca!"

"Você tem 17, é atriz amadora, e os locais que te aceitaria sem experiência profissional são os que você mais rejeita!" Ele tinha vários pontos válidos. "Vou te apresentar a um amigo do meu pai, sabe? Um cara que ajudou num momento crítico. Ele tem um escritório de advocacia que foge um pouco da rota da região que você estabeleceu, mas se estiver disposta, a gente pode marcar para amanhã uma entrevista com ele."

"Pode ser!"

Johnny fez uma ligação rápida e falou por alguns minutos ao telefone. Por fim ele fez um 'legal' com o dedo e disse para nos apressarmos. Pegamos o metrô em direção ao Queens. O amigo do pai dele se chamava Thomas Bressan e era um dos sócios de uma firma com 12 funcionários. Acho que ele teve pena de mim, porque me arrumou um trabalho.

Só sei que voltei tarde para casa, mas estava feliz da vida.

"Você conseguiu um emprego?" Santana perguntou assim que cheguei em casa.

"Vou trabalhar das duas às seis para ganhar 600 dólares, mais ajuda de transporte." Eu disse com orgulho. Ninguém tinha ajuda de transporte ali.

"Fazendo o quê, exatamente?" Foi a vez de Mike me questionar, Quinn estava ao meu lado prestando atenção na conversa. Abri um sorriso.

"Operadora de fotocopiadora e ajudante de arquivista." Aplaudi para mim mesma.

"Você vai ganhar 600 contos para tirar Xerox e ajudar alguém a colocar documentos numa pasta com números?" Santana cruzou os braços, não acreditando no que ouviu. "Mais ajuda de transporte?"

"Algum problema?"

"Eu ganho a mesma coisa num estágio estressante." Resmungou. "Não acredito mesmo na justiça."

A sombra era para poucos. Infelizmente ainda estávamos todos sob o sol.

...

14 de outubro de 2012

(Quinn)

Existe um fenômeno interessante sobre fêmeas que moram juntas. Por alguma razão estranha, elas tendem a menstruar na mesma época, com um ou dois dias de diferença. Isso tornava as coisas interessantes, como TPM coletiva. Eu tinha pena de Mike no dia que acordava com espírito homicida. Significava que as outras duas fêmeas da casa não estariam melhores. Por outro lado, era ótimo para o meu namoro com Rachel. A gente tinha três semanas livres para fazer amor. Isso se a gente tivesse liberdade para tal. Santana era um poste, uma trave, um cockblock, ou melhor, uma pussyblock de primeira grandeza. Por causa dela, eu estava há um mês sem tocar na minha namorada. Claro que os nossos empregos e estudos atrapalhavam também. Mesmo assim, a gente tentava arrumar uma brecha, qualquer uma, até mesmo na escola. Mas sempre aparecia alguém para atrapalhar. Uma vez foi o monitor, noutra foi uma colega gangsta de Rachel.

Essa seca estava me matando. Pior ainda porque atravessava a época do mês em que sentia mais tesão por causa dos hormônios. Estava quase que literalmente subindo pelas paredes. De tal maneira que se o meu super poder fosse despir alguém só com o olhar, Rachel andaria pelada o tempo inteiro.

"Santana!" Andava de um lado ao outro pelo quarto enquanto Mike, na cama dele, não sabia se me acompanhava ou se lia a revista. "Ela é um diabo que veio para este mundo arruinar a minha vida!"

"Eu sou testemunha que ela não facilita, mas daí..." Mike estava de um jeito que parecia que se segurava para não rir.

"E daí? E daí!" Fiz uma pausa dramática. "Você não ouviu o que ela disse agora no jantar?"

Achava que teria o domingo só para mim e Rachel depois que Mike conseguiu tirar Santana de casa para nosso benefício. Mas quando estava começando a comemorar, eis que a gente recebe uma bizarra visita do zelador que gastou quase três horas com a manutenção do sistema de gás e das escadas e emergência. Eu mencionei a visita a trabalho foi num dia de descanso? Tudo que Santana fez foi sorrir e depois ainda jogou na minha cara eu deveria agradecer por ela não me denunciar, porque o meu namoro com a irmã dela envolvia uma pessoa maior de idade seduzindo outra que tinha menos de 18 anos. Eu era apenas cinco meses mais velha do que as duas. Como isso é possível? Pela lógica de Santana, a gente deveria enfrentar dois meses de abstinência até a relação se tornar legal. Santana era uma bitch vingativa, isso sim: só porque ela estava passando por um período de abstinência, parecia que todo mundo tinha de ficar na seca também.

"Eu nunca tive tanta vontade de matar alguém quanto agora." Joguei os braços para o alto num gesto, ao mesmo tempo, de raiva e desabafo.

"Não agora! Ainda precisamos dela para pagar o aluguel." Mike soltou uma gargalhada.

"Sabe o que eu acho?" Ignorei as risadas dele. "Que ela tem um radar de Rachel. Ou câmeras escondidas nesse apartamento. Vai ver que ela acessa as imagens daquela droga de iPhone. Porque toda vez... mesmo quando ela não está presente, eu posso sentir que é armação dela."

"Ou você poderia ser mais racional aqui..."

"O que quer dizer?"

"Você não é exatamente discreta quando anuncia os seus dias de folga e se esquece que Santana tem inteligência e intenções de um Lex Luthor. A diferença é que em vez derrotar o Super-Homem, ela só quer arruinar a sua vida sexual... com a irmã dela."

"Você não parece que está me apoiando aqui..."

"Eu tenho três irmãos mais jovens. Jen tem 14 e a ideia de que ela possa começar uma vida sexual a qualquer momento me embrulha o estômago. É coisa de ela ser a única menina no meio de três homens, ou sei lá. O que quero dizer é que não é a única que sente ciúmes de Rachel. Irmãos sentem muito ciúmes um do outro, em especial se forem próximos, como elas são. Acrescente o fato de Santana não gostar tanto assim de você, como ela não faz a menor questão em esconder."

"Achei que estivesse do meu lado!"

"Só estou colocando um pouco de realidade e perspectiva. Olha Quinn, uma dica preciosa: você quer ter um momento íntimo com Rachel?" Baixou a voz para ter certeza de que as palavras dele não fossem ouvidas pelas outras duas ocupantes do apartamento. "Comece não comentando os dias de suas folgas durante as nossas refeições."

Franzi a minha testa. Mike tinha acabado de dizer o óbvio ululante e que não tinha enxergado antes. Eu mesma fornecia informações para Santana agir, o que me fez se sentir a pessoa mais estúpida do mundo. Não me agüentei e comecei a gargalhar em descrença. Nós dois rimos juntos. Respirei fundo e sai do quarto tentando ao máximo manter a pose. Santana estava no computador fazendo trabalhos de Stuyvesant, e Rachel assistia um episódio de Grey's Anatomy. Encarei Santana, que deu uma piscadela carregada de sarcasmo, antes de me juntar a Rachel no sofá. Fiz questão de passar o braço pelo ombro da minha namorada para que ela se reclinasse e ficássemos abraçadinhas.

...

15 de outubro de 2012

Era ainda a primeira classe do dia em Irving High e eu não conseguia me concentrar. Não conseguia parar de pensar em Rachel e em todas as coisas pouco elegantes que queria fazer com ela. Eu não conseguia parar de pensar em sexo desde a nossa primeira vez, e isso me deixava maluca: claramente era conseqüência da minha abstinência forçada. Precisava fazer alguma coisa. No intervalo, andei de nariz empinado, tal como costumava fazer em McKinley. Não era mais líder de torcida e nem mesmo a abelha rainha, mas os anos de sendo a maior bitch da escola foram úteis para que pudesse me impor também em Irving High. O meu nariz estava ainda mais empinado pela motivação extra: estava determinada a curar o meu incômodo entre minhas pernas e Rachel Berry-Lopez não escaparia dessa vez.

"Oi!" Me aproximei da minha namorada. Ela arregalou os olhos do jeito que sempre fazia quando se sentia encurralada por mim.

"Q, Quinn?" Rachel estava surpresa com minha agressividade. Não podia evitar. Ela olhou para Gabriela, que também parecia impressionada. E a colega latina gangsta era uma badass que não se impressionava com pouca coisa. Palmas para mim.

"Nós vamos sair daqui agora!" Escorei meu braço nos armários e deixei Rachel imprensada entre meu corpo e as portas de metal. Fingi que Gabriela nem estava ali ao lado.

"Mas e as aulas? Eu não posso... eu preciso trabalhar depois..."

"Eu disse..." Inclinei minha cabeça e falei no ouvido da minha namorada. "Nós vamos sair daqui agora!" Peguei na mão de Rachel e praticamente a arrastei para fora da escola. Um dia de aula perdido não faria diferença para duas excelentes alunas.

"Para onde você está me levando?"

"Para casa! A não ser que você não se importe de a gente fazer em público!" Andamos de mãos dadas até o metrô. "De hoje não passa!"

"E Mike?"

"Está trabalhando no trampo dele, esqueceu?"

"Mas..."

"Rachel, você não quer?"

"Eu quero. Mas não acha que está um pouco..." Parecia querer encontrar as palavras certas. "Agressiva demais?"

"Você não tem idéia do quanto a minha calcinha está molhada!" Todos os argumentos possíveis posteriores foram invalidados.

Foi uma dificuldade subir as escadas do prédio. A gente se beijou e se agarrou o tempo inteiro desde a saída da estação no Brooklin. Pouco me importava se estivesse chamando a atenção (com certeza estava), das pessoas nas ruas, dos vizinhos, do zelador ou de quem mais fosse. Tentava andar e, ao mesmo tempo, puxar Rachel para junto do meu corpo. Nossos lábios mal desgrudavam e nossas mãos estavam em todos os lugares. Agradecia aos deuses pelo hábito da minha namorada em usar saias porque era mais fácil de colocar a minha mão por debaixo e de arrancar aquelas roupas depois. E mal podia esperar para ver Rachel nua mais uma vez. Abri a porta do apartamento apressada. Mal fechamos a porta e já fui tentando possuir Rachel ali mesmo. Minha mão estava por debaixo da saia, no sexo dela, massageando, procurando pressionar o clitóris dela da maneira mais prazerosa possível. Não dava para dizer que Rachel não me queria: estava deliciosamente molhada.

"Quinn..." Rachel sussurrou quando eu a penetrei com dois dedos e comecei a fodê-la com gosto. Rachel também queria... estava na seca... não durou cinco minutos.

Estava orgulhosa, ao mesmo tempo que estava louca pela retribuição. Também queria ver Rachel pelada, com minha cabeça entre as pernas dela. Não bastava só penetrar: eu queria comer aquela deliciosa boceta da minha namorada.

"Quarto..." Rachel sussurrou. "Nada de chão duro e frio."

Precisávamos apenas de alguns passos para entrar no primeiro quarto e arrancar as roupas dela. Meu deus, eu queria devorar a minha namorada. Queria deitá-la na cama e fazer um 69 gostoso. Conduzi Rachel até o quarto dela, só porque era o mais próximo. A porta estava encostada. Quando abrimos, tivemos uma inesperada e desagradável surpresa. Santana estava deitada na cama de Rachel só de sutiã. Por cima dela, um rapaz ruivo igualmente pelado, mandando ver. Ver Santana fazer sexo com um cara? pode chamar isso de visão dos infernos.

"Santana?" Rachel gritou.

"Santana!" Eu gritei internamente.

"Rachel?"

O rapaz levou um susto e no pulo bateu a cabeça na parte de cima do beliche. Estava desequilibrado e se esborrachou no chão quando Santana o empurrou para o lado. Ela rapidamente pegou uma blusa qualquer para cobrir os seios e se levantou. O cara pegou qualquer coisa para colocar por cima da ereção. Logo, nós quatro estávamos de pé, atônitos.

"O que você está fazendo em casa com esse cara?" Rachel apontou para o sujeito.

"O que parece, Rachel?" Santana disse irritada. "E o que vocês estão fazendo em casa quando deveriam estar na escola?" Tentou revidar.

"Eu te faço a mesma pergunta!" Rebati e cruzei os braços. Estava aí um belo banho de água fria no meu comichão.

"Esse é Paul..." Santana apontou para o parceiro e continuou sem-jeito. "... meu namorado." Santana nunca havia dito essa palavra na vida nem com Puck e nem com Brittany, apesar do longo relacionamento com os dois. Estava genuinamente surpresa. "Paul, esta é Rachel, a minha irmã, e... Quinn..." Disse meu nome com certo desprezo.

"Prazer!" Paul esticou a mão para nos cumprimentar. Tinha nada contra ele, então correspondi, mas Rachel cruzou os braços e olhou em advertência para o rapaz. Ele recolheu a mão, sem-jeito.

"Com todo respeito ao integrante da família Weasley, mas você nunca disse que estava namorando." Rachel falou duro. Aquilo era engraçado. Rachel agia como se fosse uma mãe que pegou o filho no flagra. Segurei para não rir. Era hilário.

"Talvez por que não seja da sua conta?" Santana respondeu com o habitual tom mal-criado.

"Não é da minha conta?" Rachel levantou a voz. "Por que seria da minha conta? Exceto por você ser a minha irmã e eu te flagrei transando com um homem na minha cama, no nosso quarto, e em pleno horário de escola? Claro que isso não é da minha conta!"

"Você não pode me cobrar nada, Rachel. Não quando claramente está em casa para transar com a Quinn!"

"Paul, que tal você vestir a sua roupa e conversar comigo na sala?" Oferecei uma saída enquanto as gêmeas davam a impressão de que iriam se estapearem em questão de segundos.

O rapaz aceitou a oferta. Pegou a camiseta e correu para o banheiro. Eu fui até a cozinha para tomar o copo de água gelada, para tentar literalmente acalmar minha frustração. Se teve uma coisa que aprendi nesses meses morando com as Berry-Lopez era procurar não se meter em assuntos familiares. Acreditava que o problema em questão se enquadrava. A melhor forma de se comportar diante de uma discussão gritada entre as Berry-Lopez era deixar que elas resolvessem entre si, apesar da minha vontade de ficar e bater em Santana. Fechei a porta e as frases gritadas as duas começaram. Paul entrou em nossa miúda sala. Estava mortificado.

"Então aquela é a Rachel?" Paul falou baixinho. "As descrições de Santana não foram precisas... a não ser pelo volume da voz."

"Deixe-me adivinhar! Ela falou da irmã como se fosse uma anã raquítica deslumbrada?"

"Quase isso." Ele sorriu sem-jeito.

"Desculpe, mas Santana não falou ao seu respeito, o que eu não encararia como uma ofensa se fosse você..." Procurei puxar conversa. "Há quanto tempo estão juntos?"

"Duas semanas."

"Duas semanas?" Estava surpresa de verdade. "Duas semanas agindo como namorados do tipo andando de mãos dadas pelos corredores da escola, trocando beijos e tudo mais?"

"É isso aí."

"Inacreditável!" Gargalhei enquanto a gritaria continuava no quarto.

"Você não acha que..." Paul estava preocupado.

"Vai por mim. É melhor você se poupar. Mas me diga... duas semanas?"

"É..." Paul olhou mais uma vez em direção ao quarto. "Foi o usual: eu pedi Santana em namoro e ela aceitou."

"E por que vocês estão fora da escola?" Paul ficou vermelho mais uma vez. "A Santana que conheço sempre arrumou uma forma de transar na escola quando tinha vontade."

"Nós temos um professor carrasco, o senhor Collen, que pega no pé da Santana desde o primeiro dia de aula. Bom, hoje esse professor entregou o primeiro trabalho do semestre e Santana tirou um A. O senhor Collen teve de engolir a seco porque tinha dito abertamente para a turma que ia considerar um sucesso caso ela tirasse um C. Ela ficou ainda feliz porque só ganhou um dia de detenção por jogar na cara do senhor Collen que ele deveria cortar a língua grande... bom, daí falou que nós deveríamos celebrar até dar a hora de ela ter de voltar para a escola para cumprir a detenção..."

"Já entendi!" Ao menos tudo não passou de uma horrível coincidência e não mais uma armação baixa, fria e suja de Santana para estragar a minha vida amorosa. "Agora me diga uma coisa, Paul. Uma resposta sincera é de fundamental importância apesar da pergunta ser estranha, mas... essa foi a primeira vez dos dois?"

Paul corou violentamente e acenou positivo. Era a glória. Após tanto tempo suportando os boicotes de Santana, foi indescritível o prazer que tive de cortar o prazer dela, mesmo que sem planejar. O gostinho da vingança era doce.

A porta do quarto se abriu. Rachel saiu primeiro com cara de poucos amigos. Ela foi até Paul e estendeu a mão.

"Prazer em te conhecer, Paul. Espero que esse fato lamentável não tenha impacto negativo na sua relação com a minha irmã ou mesmo da sua impressão a respeito da minha família."

"De forma alguma, Rachel." Ele se levantou para cumprimentar enquanto isso, vi Santana caminhar até o banheiro com um lençol embolado em mãos. Minha Rachel colocou para quebrar. Estava orgulhosa da minha pequena.

"Que tal nós quatro sairmos para almoçar?" Rachel sugeriu aliviando as feições. "Tem um restaurante aqui perto que serve comida boa e barata. A gente poderia ir lá saber mais a respeito um do outro, uma vez que a minha irmã fez a falta de educação em não comunicar que tinha um namorado."

"Vai ser um prazer, de verdade!" Paul sorriu com sinceridade.

Tivemos um momento surpreendentemente bom. Rachel achou que Paul fosse um pouco arrogante no sentido de se julgar intelectualmente superior a meia Nova York. Não que ele tivesse dito isso explicitamente, mas Rachel era boa em captar mensagens nas entrelinhas. Fora isso, ele não deu nenhuma razão para se criar antipatias. Minha namorada até gostou de saber que Paul se interessava por teatro, embora preferisse as peças dramáticas aos musicais. Na minha opinião, Paul era só um almofadinha esforçado. Santana manteve o tom de voz baixo o tempo todo e evitou dizer as ironias corriqueiras. Era uma evidência clara de que havia perdido a briga para a irmã 29 minutos mais nova.

O problema é que o meu comichão não foi resolvido e, à noite, resmunguei quando fui ao banheiro de casa assim que cheguei do trabalho e vi que a minha menstruação tinha descido e eu não teria ânimo para tentar de novo pelos próximos três dias. Depois do banho, mal toquei no jantar. Preferi ir direto para o meu quarto fazer as tarefas de casa com um cobertor enrolado nas pernas.

"Quinn..." Mike entrou no nosso quarto.

"O quê?"

Foi até a mochila e me entregou um cartão e uma nota de 100 dólares.

"Esse é um hotel bacana, limpo. Angela costumava me levar até lá para comemorações especiais, então posso garantir que não é vulgar. A diária de um quarto simples de casal é de 50 dólares e tem um restaurante italiano muito gostoso no subsolo."

"Mike... esse dinheiro..."

"Considere um presente de natal adiantado ou o de aniversário que eu não te dei. Vai nesse hotel no fim de semana e passe uma noite com a sua garota. A não ser que um milagre aconteça, você sabe que Santana não vai aliviar. Então aproveite."

"Obrigada!" Abracei o meu amigo

"Reserve um quarto assim que puder."

"Farei isso." Aceitei o presente e dei um beijo no rosto de Mike antes de voltar aos estudos.

Depois que passasse meu período, minha seca teria fim.