(Santana)

Rachel conseguiu a primeira indicação ao Tony como atriz coadjuvante, quando ninguém esperava qualquer reconhecimento por ATU. Aquela tampinha irritante que fala com toda a força dos pulmões conseguiu apesar de tudo. Demos uma pausa nos nossos dramas pessoais para comemorar madrugada à dentro, num bar junto com todos os nossos amigos. Nem nos incomodamos ao com os insistentes toques no celular de Rachel de pessoas do mundo do teatro e de alguns jornalistas. Era o trabalho dela. O meu era beber. Entrei de cara na vodca, e voltei para casa desacordada. Bom, acredito que o meu coma alcoólico foi benéfico para o casalzinho da casa poder comemorar pelo resto da noite, sem se preocupar com os gritos e gemidos. Sinceramente, não dava mais à mínima. No início eu até me preocupava com Rachel toda pura e inocente sendo molestada regularmente pela namorada. Isso terminou no dia em que vi o strap-on roxo em cima da cama de Rachel e Quinn. Deixei pra lá.

Ligava mesmo era para a dor de cabeça descomunal em que tinha acordado. Assim que abri os olhos, meu estômago revirou e precisei correr entre tropeços até o banheiro. Ainda bem que ele ficava de frente para o meu quarto, e não precisava me preocupar com os obstáculos da sala. Por deus, eu devia ter me lembrado de tomar água para evitar a ressaca. Mas é que minha cabeça estava tão cheia... Uma mão pousou em minhas costas enquanto estava ainda debruçada no sanitário, me sentindo como um lixo.

"Tome um banho." Era a voz de Quinn, o que me deixou surpresa. Ela nunca me dava assistência nesse tipo de situação. "Eu trago suas roupas e um copo com aspirinas".

"Que horas são?"

"São quase seis da manhã. Nós vamos sair às sete".

"Hum?"

"Estamos indo para Lima, não lembra?"

Ah sim, o aniversário de papi. Eu não iria para Lima de imediato. Minha primeira parada seria em Cleveland. Tinha de ter uma conversa muito séria com bubbee. Lentamente, tirei a minha roupa e tomei um banho de morno para frio. Enquanto isso, Quinn trouxe o que havia prometido.

"Rachel está arrumando sua mochila." Oh não. "Precisa de alguma coisa em específico?"

"Meu computador... droga!" Minha cabeça estava um fiasco. "Não consigo pensar muito bem agora".

Calça de moletom? Camiseta da Columbia? Parecia que eu ia viajar de pijama. Nem queria ver o que a minha irmã colocou na minha mochila. Vesti a roupa, tomei água com as aspirinas. Olhei no espelho. Eu me sentia um lixo. Escovei os dentes, e encontrei as duas com as mochilas prontas na sala para o nosso fim de semana. Enfrentaríamos sete horas de estrada até Cleveland. Rachel e Quinn pegariam mais uma perna de uma hora e meia de asfalto até Lima. Bom, o que eu sei é que eu não tinha a menor condição de dirigir... então não era problema meu. Só ia deitar no banco de trás e dormir.

A viajem foi tranqüila. Rachel havia preparado chá para que eu fosse bebendo ao longo da estrada. Ela também colocou no nosso pequeno cooler alguns sanduíches leves, frutas, águia mineral e suco de caixinha. A gente só parou na estrada duas vezes até Cleveland: uma para usar o banheiro e comer alguma coisa. A outra parada, mais no início, foi porque eu fiquei enjoada, vomitei de novo e precisei tomar um dramin. Quinn tinha uma direção segura e prudente até demais para o meu gosto. Coube a Rachel providenciar a trilha sonora repleta de clássicos da Broadway. Desejei que ela não tivesse feito isso. Minha irmã não se controlava e danava a cantar alto, acompanhando o rádio como se fizesse um dueto.

Quando chegamos em Cleveland, zaide e bubbee nos receberam com todo amor, mas ficaram um pouco desapontados por Rachel só ter descido para dizer "oi" e usar o banheiro. Bubbee me ofereceu um lanche caprichado. Apesar de não estar com fome (tinha comido um dos sanduíches de Rachel em nossa parada, e meu estômago estava ruim), aceitei o filé de peixe com um pouco de salada, e depois o pedaço de torta de maçã. A cozinheira mexicana que ela tinha arrumado era a melhor.

"Você conseguiu recuperar aquela nota em Planejamento Estratégico?" Zaide parecia ansioso.

"Joel!" Bubbee chamou a atenção. "Deixe Santana respirar um pouco, pelo menos. Seu avô anda muito nervoso nesses dias. O médico disse que ele deveria tirar uns dias de descanso do trabalho, mas ele é uma mula velha".

"Eu só não vejo qual é o ponto em ficar em casa de braços cruzados".

"Acho que o ponto é não fazer nada, zaide." Sorri. "Se eu morasse por aqui, faria jardinagem para espantar o estresse, que nem o papai. Isso não é muito fácil morando em Nova York".

"Hiram tinha mãos de agricultor. Eu tenho mãos de operário. Operários só mexem na terra para construir, não para cultivar".

"Achei que você tinha dito que tinha plantas no seu apartamento". Bubbee comentou.

"Tem um cacto no meu quarto. Rachel é um desastre com plantas. Sempre foi. Esse gosto por mexer na terra foi algo que papai deixou só para mim".

Passamos à tarde conversando até que zaide saiu a um encontro com velhos amigos. Bubbee se queixou, dizendo que os amigos dele passavam parte da noite fumando charuto e jogando pôquer. Zaide era mesmo um tradicionalista. Mas o momento foi perfeito para o que eu realmente queria. Bubbee foi ao piano na enorme biblioteca, e dedilhou algumas melodias. Lembro que papai fazia o mesmo lá na casa da piscina, principalmente quando precisava pensar em problemas no trabalho ou até mesmo nas discussões um pouco mais enérgicas que tinha com papi. Era raro ver papai com raiva de alguma coisa, mas mesmo quando ele ficava, ia ao piano dedilhar uma melodia qualquer. Quando eu e Rachel nos aproximávamos nessas horas, ele nunca dizia que deveríamos sair ou parava de tocar. Ao contrário, Rachel gostava de sentar-se ao lado para acompanhar uma melodia simples (ela toca piano para o gasto, mas eu nunca tive habilidade nem paciência para aprender). Às vezes me pegava com essas crises de saudades de papai, principalmente quando estava mais melancólica.

"Eu tive uma grande discussão com o senhor Weiz nesta semana." Bubbee parou de tocar por um instante, e depois continuou com uma melodia ainda mais suave.

"Espero que tudo esteja resolvido."

"Longe disso. Weiz me revelou coisas sobre o passado. Sobre coisas que acontecerem entre vocês dois." Ela parou de tocar, mas não ousou olhar para mim. "Por favor, bubbee, diz que é mentira. Diz que papai não é filho dele."

"Não é." Ela foi categórica e olhou para mim com o dedo erguido. "Meu Hiram sempre foi e sempre será filho de Joel. Foi o seu avô quem o criou, quem deu suporte, princípios, amor."

"Mas não foi ele quem gerou papai, não é verdade?"

"Isso não importa. Você deveria saber melhor que ninguém que isso não importa em nossa família."

"Bubbee, o senhor Weiz deixou clara as intenções dele. Ele quer um herdeiro, uma continuidade. Ele me quer, e vai usar qualquer coisa para me atingir. Por isso preciso da verdade, até porque é a arma certa para lutar contra Weiz."

"Eu preciso me sentar." Deu meia volta e sentou-se no sofá da biblioteca. Eu a acompanhei. "Me traz um copo d'água?"

Corri até a cozinha e peguei água no maior copo que encontrei. Bubbee esfregava as mãos com ansiedade. Estava tremendo. Então me sentei, e esperei ela começar a falar.

"O que ele disse a você?"

"Que ele namorou contigo quando você tinha uns 15 anos. E depois, quando você já era uma mulher casada com zaide, que ele te pagava para ter sexo. Foi aí que engravidou dele."

"Você não precisava saber dessa história!"

"Não, bubbee, eu preciso saber de toda a verdade! Weiz contou o lado dele. Agora eu preciso entender o seu lado!"

"Eu não sei que tom Caleb usou, Santana, mas na primeira vez em que ficamos juntos, eu estava encantada. Tinha apenas 15 anos, era pobre, e carregava meu pai bêbado noite após noite. De repente, diante de mim, apareceu um jovem bonito, rico, que queria ficar comigo. Eu me apaixonei. Foi um dos verões mais bonitos que tive na vida. Caleb era bem-nascido, educado e me levava a lugares que normalmente eu só entraria pela porta dos fundos. Dá para imaginar o que seja isso para uma adolescente que já trabalhava na noite para pagar o aluguel? Era início dos anos 60, o mundo começava a ficar de cabeça para baixo e eu só pensava em sair daquela vida. Achei que Caleb fosse o meu príncipe encantado!"

"Príncipe encantado? Weiz está mais para príncipe das trevas! É o diabo que tenta comprar a nossa alma!" Resmunguei, apesar de entender o ponto de vista de bubbee.

"Ele parecia um príncipe encantado para mim, Santana. Muito mais do que os homens que conhecia até então. Você precisa entender que eu estava na noite desde os 13 anos, larguei a escola aos 14 anos, e tudo que conhecia era o jazz e o piano. Eu vi coisas que uma criança não deveria. Minha mãe morreu quando eu tinha seis anos, fui criada por um alcoólatra. Um músico genial que me ensinou tudo que sei sobre o piano, porém um alcóolatra. Ele não podia me proteger... em vez disso, era eu quem cuidava dele." Ela sorriu com amargura. "Eu sempre pegava parte do dinheiro que ele ganhava para pagar o quarto que alugávamos no Bronx e para colocar alguma coisa em nossos estômagos, porque senão ele gastaria tudo em bebida. Então o meu pai chorava, fazia promessas, ia trabalhar e voltava bêbado no dia seguinte. Os companheiros do meu pai sentiam pena e tentavam ajudar, mas nem mesmo isso impediu que eu fosse abusada aos 12 anos por um deles."

"Bubbee..." Aquilo esmagou o meu coração. Por deus! Aos 12 anos? Minha primeira vez foi muito ruim, mesmo assim, eu não conseguiria imaginar o terror de uma criança ser violentada aos 12 anos.

"Então, me diga, Santana, como um jovem rico e que me tratava como uma princesa não poderia parecer um príncipe encantado? Mas Weiz voltou para a faculdade e não mandou mais notícias. Achei que nunca mais o veria. Conheci Joel alguns anos depois, enquanto tocava na noite com os companheiros do meu pai. Mesmo sendo um sujeito pobre e até um pouco rude, ele foi um cavalheiro comigo. Ele me cortejou do jeito certo, foi respeitoso desde o início, e eu aceitei me casar. Confesso que eu não era apaixonada pelo seu avô naquele tempo, Mas ele foi a minha chance de ter uma vida normal. Nos casamos numa cerimônia simples, com a presença da minha sogra e de Toby Rhimes, que tocava bateria na banda e era o melhor amigo do meu pai. Em muitas ocasiões, Toby foi muito mais um pai para mim, do que o meu próprio."

"Seu pai não foi ao casamento?"

"Meu pai morreu dois meses antes."

"Eu sinto muito, bubbee. Não sabia..."

"Joel não admitia que eu tocasse mais na noite depois que nos casamos, então comecei a dar aulas particulares de piano. Ele trabalhava duro na gráfica do jornal New York Times e conseguiu ser gerente de setor até ser demitido. Eram tempos difíceis, Santana, e seu avô não admitia ficar em casa, enquanto eu ganhava dinheiro com as aulas particulares. Ele procurava emprego todos os dias e até trabalhou como faxineiro de um mercado. Mas Joel não tinha nascido para ser submisso. Minha sogra sugeriu que ele procurasse Jacob Weiz. Seu avô relutou, porque achava humilhante ter de voltar às fábricas depois de ter se demitido achando que faria melhor no jornal. Jacob o recebeu de braços abertos, mas deu a ele um posto de operário.

"Dias depois, Jacob ofereceu um almoço a Joel. Queria conversar com o seu avô, dar conselhos. Joel cresceu naquela mansão como o filho da empregada e ganhou a estima de Jacob. Fiquei nervosa naquele dia porque sabia que reencontraria Caleb. Eu era uma mulher casada, mas ainda nutria um coração juvenil, Santana. Caleb estava ainda mais bonito do que me lembrava. Quando ele propôs ter aulas de piano, aceitei. Joel não sabia do nosso passado e não se opôs. Nas primeiras aulas, estava determinada a dar lições de piano, puro e simplesmente. Caleb não tinha a mesma idéia e me seduzia. Chegou um ponto que não resisti mais. Eu ia ao encontro semanal, a gente se deitava, e no final ele dava o dinheiro pela aula.

"No início eu me deitava porque ainda estava apaixonada por Caleb e tinha ilusões. Mas depois não. Comecei a me sentir usada e desprezada. Caleb fazia... o que quisesse, já não era mais gentil, e no fim deixava o dinheiro em cima da escrivaninha para que eu pegasse quando fosse embora. Como se eu fosse uma prostituta. Tentei terminar com aquilo, sentia nojo de mim mesma por me deitar com ele e ser paga no final. Caleb não deixou. Disse que contaria a Joel caso eu terminasse, que o meu casamento estava nas mãos dele. Era ele quem determinaria quando parar. Alguns meses depois, descobri que estava grávida e tinha certeza que era dele.

"No dia que contei, ele teve um acesso de raiva, me bateu, me xingou dos nomes mais horríveis, puxou meus cabelos e deu um murro no meu estômago. Eu fui para casa arrasada, e quando Joel correu para saber porque estava tão machucada, disse que tinha sido um assalto. Naquela noite, eu passei mal e Joel ficou sabendo da gravidez por intermédio da enfermeira." Bubbee suspirou e enxugou as lágrimas. "A gente ainda lutava por dia melhores, Santana, e não tínhamos condições de dar todo o conforto que uma criança merecia. Mesmo assim, quando Joel soube que eu estava grávida, ele chorou de alegria. Disse que eu era a mulher mais linda do mundo e beijou a minha barriga. Prometeu que tudo ficaria bem, e que ele dedicaria cada gota do suor dele para dar uma boa vida ao nosso filho. Eu chorei de emoção e de vergonha. Quando Hiram nasceu, Joel era simplesmente o homem mais feliz do mundo. Ele correu pelas ruas do Bronx berrando que era pai de um grande garoto."

Ela limpou as lágrimas e, naquela altura, eu estava chorando de emoção. A admiração que tinha por zaide ficou ainda maior. Bubbee passou a mão nas minhas costas

"Tem certeza que papai não era filho biológico de zaide?"

"Sim. Quando nos mudamos para Cleveland, Joel queria ter outro filho. Deixei de tomar a pílula, mas não engravidava. Naquela época estava surgindo todas as pesquisas sobre reprodução e eu convenci o seu avô a fazer exames para saber se estava tudo bem. O médico descobriu que Joel jamais poderia ter filhos pelo método natural. Seu avô nunca soube. Eu disse que aconteceu um problema comigo no parto de Hiram, por isso eu não engravidava. Ele chorou tanto que pensei que ele fosse querer me largar e tentar fazer filhos por aí. Mas seu avô sempre foi um homem honrado."

"Mas a senhora contou isso ao senhor Weiz."

"Sim, eu contei porque era uma questão de honra. Contei por orgulho. Hoje, me arrependo. No fundo, Caleb sabia que o filho era dele. Ele já acompanhava Hiram à distância. Fazia perguntas... queria saber se Hiram tinha saúde, e se eu precisava de alguma coisa."

"Papai soube disso?"

"Sim. Contei a Hiram quando ele já era um adulto. Joel e ele estavam com relações rompidas depois que Hiram revelou ser homossexual. Joel cortou toda ajuda a ele e, sendo assim, Hiram não poderia mais fazer a faculdade. Eu procurei Caleb, e ele concordou bancar a faculdade do seu pai com a condição de que Hiram soubesse a verdade. Fizemos até um teste de DNA nessa época."

"Como papai reagiu?"

"Indignado, a princípio. Depois, Caleb e ele conversaram. Sei que Hiram reafirmou que Joel era o pai dele, apesar de tudo, e que as coisas deveriam ser vistas dessa forma. Caleb pagou o restante da faculdade de Hiram. Para Joel, eu usei as minhas economias, e é assim que essa história deve ser contada."

"Quer dizer que, apesar de tudo, a senhora nunca parou de ter contato com Weiz. Vocês dois..."

"Se você pensa que eu me deitei com ele depois de tudo que passei, a resposta é não. Eu nunca mais estive com ele ou com homem algum além de Joel. É assim que pretendo terminar os meus dias: ao lado do seu avô. Mas Caleb nunca deixou de estar por perto. Joel trabalhou na fábrica dos Weiz até o dia em que decidiu ter algo próprio. Jacob Weiz fez o empréstimo, e mandou que Caleb desse assistência na instalação da fábrica em Cleveland. Nos reaproximamos nessa época. Caleb já estava casado, tinha um filho bebê."

"A senhora estava ciente dos planos que ele tinha para mim?"

"Sim."

"Como a senhora pôde?" Estava tonta com as informações e até entendia o lado de bubbee. Mas ainda sentia certa raiva por terem feito planos para mim nas minhas costas.

"Porque você sempre mostrou ter talento desde criança. Sempre teve essa facilidade com números, conversava sobre negócios com seu avô. Você já era uma natural, Santana, diferente da sua irmã, que sempre teve a cabecinha avoada. Joel sempre quis que você desse continuidade ao que ele construiu, e Caleb desejava o mesmo."

"Imagino que foi a senhora ajudou zaide a me pressionar para estudar em Nova York."

"Assim o seu avô estaria feliz, e Caleb teria a oportunidade de se aproximar."

"A senhora é maquiavélica! Eu jamais imaginaria..."

"Eu só gostaria que você tomasse posse tudo que deveria pertencer a Hiram."

"Mas eu não possuo coisa alguma, bubbee."

"Ainda não."

"Desculpe, mas eu não sei se consigo. Eu tenho nojo de olhar para Weiz, e não quero nada que seja dele. Rachel também pensa o mesmo."

"Rachel sabe?"

"A vodca que eu bebi no dia não ajudou a guardar o segredo".

"Não gosto dessas histórias de bebida, Santana. Sua irmã anda relatando casos envolvendo a senhorita e um copo com cada vez mais freqüência".

"Acho que a senhora não tem muito direito de gostar ou não das coisas que faço ultimamente, considerando que fui uma marionete por todos esses anos. Sinceramente, bubbee, a senhora não merece zaide, e eu só não conto tudo porque sei que isso o destruiria. Seu segredo está seguro." Levantei-me do sofá.

"Santana! Por favor, não sinta raiva..."

"Sabe o que é pior?" Virei-me em direção a bubbee. "É que eu não consigo sentir raiva da senhora. Eu te amo, bubbee, mas neste exato momento eu não consigo nem olhar para a senhora. Agora, se me dá licença, eu preciso ir para o meu quarto."

Não vi a hora que zaide voltou para casa. Foi melhor assim porque eu chorei de frustração boa parte da noite, e zaide iria querer saber o que estava errado.

No dia seguinte, lavei o meu rosto, desci para tomar café da manhã com meus avós – apesar de ter feito o possível para ignorar bubbee – e nós três pegamos a estrada para Lima.

...

07 de fevereiro de 2015

(Quinn)

Se era para ter um assessor, pensei em entrevistar o próximo para a gente não cair nas mãos de um idiota vigarista escolhido pelo próprio Josh, que já era uma serpente. Não era Blaine que fazia curso de relações públicas? Mas ele ainda cursava faculdade em UCLA. Rachel não parava de atender telefone... justo com a festa do almoço de aniversário do pai dela em pleno andamento. Nem mesmo a presença da minha mãe aliviava. Sim, Shelby permitiu que a minha mãe pudesse comparecer, e foi a primeira vez que ela pôde ver e conversar com a neta dela, desde que mantivesse a postura. Ela não poderia chegar para Beth e dizer: "Dá um beijo na vovó". Não que Beth ligasse, ela nem mesmo entenderia, mas essa não era uma decisão que caberia a nós.

Minha filha começou a perguntar algumas coisas. Quando chegamos no dia anterior à festa, Beth viu Rachel e eu nos beijando na cozinha. Mais tarde, ela veio me perguntar se eu era namorada da Rachel que nem o papai era da mamãe. Eu ri de nervoso, mas depois procurei explicar com todo cuidado que, às vezes, acontecia de uma menina namorar outra menina, e que não havia nada de errado nisso. Beth ainda não estava contaminada com o preconceito. Ela só balançou os ombros, disse "tudo bem", e foi brincar de videogame na sala de TV.

"Beth é a coisa mais linda, Quinnie. Ela é a sua cara." Minha mãe me deu um abraço rápido. "Estou tão feliz por conhecê-la. Uma pena que levou tanto tempo".

"Levou o tempo justo, mãe. Como poderia fazer um pedido desses a Shelby se nem mesmo a senhora aceitava o meu relacionamento com Rachel, que é a filha dela?"

"Eu já te pedi desculpas e abençoei a sua união".

"Sim... depois de anos de muita insistência!"

"Não precisa falar com essa irritação toda comigo".

"Desculpe mãe." Passei a mão na cabeça. "É que essa indicação de Rachel ao Tony deixou as coisas meio agitadas lá em casa. Ela não sai do celular!"

"Você está num relacionamento estável com uma atriz em ascensão. O que esperava?"

"Está insinuando que estou sendo egoísta?" Minha mãe acenou positivo.

Shelby convocou os convidados presentes a se servirem. Ela organizou um ambiente informal, mandou servir uma mesa com muitos petiscos para se pegar à vontade e contratou três pessoas para servirem as bebidas e ajudar depois com o almoço. Os convidados eram basicamente os colegas de Juan do hospital e a família Lopez. Miranda Lopez estava só sorrisos com o filho médico, e pelo reconhecimento de Rachel. A indicação de Rachel ao Tony foi muito comentado durante a festa. Beth brincava de fazer discursos de aceitação. Antes do almoço, a surpresa. Juan pediu para todos se reunissem.

"Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a presença de todos aqui. Das minhas filhas, da minha família e dos meus amigos queridos. Como todos sabem, Shelby e eu estamos juntos há algum tempo. Ela foi a minha maior rocha em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Shelby ficou ao meu lado sem me julgar. No passado, ela foi uma pessoa muito importante quando cedeu o corpo para que eu pudesse ter duas filhas lindas junto com Hiram. Shelby continua a ser uma das pessoas mais importantes da minha vida. Dessa vez, ela trouxe a pequena Beth, que em muito breve será legalmente a minha filha."

Aplausos de todos. Confesso que isso me pegou de surpresa e pela cara de Rachel, a ela também. Beth chamava Juan de pai, mas não imaginei que ele fosse realmente assumi-la legalmente.

"Shelby é o meu grande amor e meu grande forte. Eu não quero deixá-la escapar nunca mais. É por isso meus amigos, que eu usei a desculpa do meu aniversário para reunir todos e anunciar que eu estarei em alguns meses desposando esta escultural e talentosa mulher aqui ao meu lado."

As pessoas começaram a aplaudir enquanto Shelby mostrava orgulhosa o anel de noivado. Olhei para Rachel e ela estava chocada. Santana estava mais afastada, ao lado de Miranda. Parecia preocupada, mas foi a primeira das gêmeas a ir até os pais para abraçá-los. Rachel ainda hesitou antes de parabenizar aos pais. Depois do drama em Barcelona, quando Shelby e Juan romperam, não as culpo por estarem temerosas e desconfiadas. O almoço foi liberado e todos puderam aproveitar carne assada, salada verde, maionese e molhos especiais. Deixei a minha mãe em casa após a festa. Ela estava feliz por ter passado um sábado diferente sem as pessoas habituais. Ainda enrolei um pouco na minha velha casa para fazer companhia e conversar antes de voltar à casa dos Berry-Lopez. Ou seria Corcoran-Lopez agora? Encontrei Rachel, Santana e as fsxineiras jogando os descartáveis no saco de lixo. Beth também "ajudava".

"O que foi?" Rachel estava pensativa

"Foi uma semana e tanto!" Ela me encarou. "De coisas boas e ruins."

"Conversou com Santana?"

"Ainda não. Mas pela cara que ela chegou aqui, acho que a conversa com bubbee não teve reviravoltas."

"É uma pena."

"Também acho e fico preocupada." Rachel balançou a cabeça. "Mas prefiro me concentrar nas coisas boas neste exato momento."

"É melhor mesmo!" Trocamos um selinho antes de começar a ajudar na limpeza da casa.

...

(Rachel)

"Meninas?" Shelby chamou eu e Santana quando estávamos terminando de arrumar a casa para a festa depois de um dia cheio de emoções.

Há algumas semanas, eu estava tremendo com a possibilidade de não ter mais uma carreira. Pensava até mesmo em ligar para Johnny para ver que empregos os amigos dele tinham a oferecer. Hoje, a minha expectativa era outra: eu sei que tudo vai dar certo. Até comecei a planejar uma equipe auxiliar para trabalhar comigo. Eu tinha audições e propostas. Seguindo as instruções de Josh, alimentei as minhas redes sociais com declarações de que estava honrada com a minha primeira indicação. Isso não bastou para que os pedidos de entrevistas e por declarações exclusivas chegassem. Isso me tomou tempo.

Mas havia outras coisas que me preocupavam. Uma era que Quinn ainda não tinha o emprego fixo que tanto necessitava, apesar de achar que ela estava indo muito bem com o trabalho freelancer. Quinn ganhava muito mais tirando fotos, do que trabalhando na R&J. Não sei por que ela não largava essa ideia de emprego fixo de uma vez e passava a se dedicar mais aos estudos e aos freelas. Ela adora o curso de cinema, e vai se especializar em cinematografia. Então para que chorar com uma produtora especializada em peças teatrais?

Havia Santana e toda a história envolvendo bubbee e o senhor Weiz. Minha irmã não disse ainda uma palavra sobre a conversa que teve com bubbee, mas estou ansiosa para saber pelo menos as linhas gerais.

Mas tudo isso poderia esperar um pouco, porque a coisa mais imediata a fazer era atender Shelby. O noivado foi uma surpresa, porque eles estavam vivendo muito bem, e não pensava que meu pai retomaria essa ideia. De qualquer forma, fico feliz por eles e por Beth, agora que a minha irmãzinha será legalmente adotada por meu pai. Ela merece!

Santana e eu acompanhamos Shelby até a nossa biblioteca, enquanto Quinn ficou com Beth e o cachorro. Meu pai estava falando ao telefone. Ficamos ouvindo um pouco da conversa, e parecia uma das muitas orientações médicas que ele dava aos residentes quando estava em casa.

"Meninas, queiram se sentar?" Meu pai indicou o sofá assim que ele desligou o telefone.

Shelby sentou ao lado de Santana, como sempre, e sorriu nervosa para nós.

"Bom, meninas, gostaria de saber a opinião de vocês sobre eu adotar Beth?" Meu pai parecia bem nervoso.

"Acho ótimo!" Respondi. "Mesmo que se vocês não fossem se casar de papel passado, ainda assim apoiaria a adoção dela pelo senhor."

"E você Santana?" Shelby perguntou.

"Já não era sem tempo!" Curta e grossa. Santana não estava muito bem. Podia sentir isso só pela linguagem corporal dela. "Só que não foi para isso que vocês dois nos chamaram. Até porque seria bem idiota fazer essa reunião particular para pedir aprovação de algo que já está anunciado e praticamente consumado."

"Tem razão filha." Shelby esfregou as mãos num claro sinal de nervosismo. "Não chamamos as duas para uma conversa particular sobre a adoção de Beth. Nós queremos discutir a adoção de vocês duas."

"O quê?" Santana fechou o cenho, e eu também fiquei confusa.

"Como vocês sabem..." Meu pai começou a explicar. "Mesmo que vocês sejam minhas filhas biológicas e de Hiram, a lei mandava a gente entrar em processo formal de adoção que excluía o nome de Shelby de suas certidões de nascimento. O que queremos saber é se vocês apoiariam um novo processo de adoção para incluir o nome de Shelby no registro de vocês? Consultamos o advogado, e ele nos orientou que a única forma de isso acontecer é Shelby adotar legalmente as duas. Como vocês já tem mais de 18 anos, vocês teriam de assinar alguns papeis." Meu pai explicou, e agora sim entendi a razão para essa discursão ser feita em privado. "Se vocês aceitarem, as duas receberão um novo documento de certidão de nascimento com o meu nome, de Hiram e de Shelby como seus pais."

"Três pais?" Questionei, não é porque não concordava. Queria era entender o processo.

"Não há uma lei sobre isso, mas há jurisdição." Meu pai continuou a explicar. "Casais gays estão conseguindo colocar nas certidões dos filhos os respectivos nomes, mais o do pai ou da mãe biológica."

"Isso implica em outra coisa, mas é algo que Juan resolveria num piscar de olhos, que é o exame de DNA. Nós precisamos fazê-lo para anexar o resultado junto ao processo." Shelby explicou.

"Será que não é trabalho demais?" Santana questionou. "Isso que um pedaço de papel realmente vai fazer a diferença?"

"Talvez isso não faça diferença para vocês, mas faz para mim. É como se eu recuperasse um direito pleno de ser a mãe das duas." Shelby explicou enquanto segurou a mão da minha irmã. "É um teste de DNA materno, Santana. Não vamos querer remoer outras águas."

"Eu não me oponho." Respondi. "Santy?"

"Isso quer dizer que vamos ter de mudar nossos sobrenomes ou coisa assim?" Minha irmã ainda parecia meio fora de sintonia. "Porque Santana Liza Corcoran-Berry-Lopez não ficaria bem na minha carteira de motorista."

"Vocês não vão precisar mudar seus nomes. O que mudaria é que o meu nome passaria a existir nos documentos oficiais das duas. Isso pode parecer algo pequeno e burocrático, mas... eu não sei explicar com as exatas palavras, só que eu realmente gostaria de ter meu nome na certidão de nascimento das duas."

"Será que eu posso levar o caso adiante? É um trabalho burocrático que só vai fazer sentido se vocês realmente embarcarem nessa causa." Meu pai completou.

"Santy..." Cutuquei minha irmã.

"Tudo bem, estou nessa! O senhor pode recolher o meu material biológico. Depois, mande os papéis pelo correio, que eu assino."

Santana deu um beijo rápido no rosto de Shelby, e se levantou sem dar considerações. Nós três ficamos pasmos e confusos com a atitude dela, mas eu sabia que deveria ter uma razão muito forte em decorrência ao dia que ela passou com nossos avós, e com essa história do senhor Weiz ser o nosso avô biológico.

Ainda naquela tarde, um funcionário do laboratório do hospital passou lá em casa para recolher nossas amostras para o teste de DNA. Eu não estava preocupada com isso, pois era só uma questão de formalidade para provar algo que já sabíamos: que Shelby era a nossa mãe biológica. Santana subiu para o quarto dela, assim que teve o cotonete esfregado no interior da bochecha. Sabia que algo estava muito errado. Fui atrás dela, e bati a porta do quarto da minha irmã.

"Vá embora, Ray!" Ela gritou lá de dentro.

"Mas eu preciso conversar contigo."

"Por tudo que é sagrado, eu não estou com espírito agora."

"Santy... eu também tenho o direito de saber."

Demorou um minuto até eu ouvir passos em direção à porta. Santana abriu e me deixou entrar. Ela se atirou na cama, de barriga para baixo, evitando olhar para mim. Eu deitei ao lado dela, ajustei o travesseiro e fiquei de barriga para cima, olhando para o teto.

"Eu não sei porque as pessoas se importam tanto com DNA." Santana resmungou, ainda sem olhar para mim. "Não é isso que faz uma família."

"Concordo."

"Mas parece que é só isso que importa para um bando de idiotas."

"Concordo também."

"Você é minha irmã, Ray... por inteiro. Não importa o que um teste idiota de DNA possa vir a dizer." Santana finalmente virou o rosto para o meu lado.

"Eu nunca pensei menos que isso, Santy."

Ficamos em silêncio por alguns minutos, até que Santana desabafou.

"Papai sabia... sobre Weiz. Descobriu quando já era um adulto... acho que quando tinha a nossa idade."

"Baseado na nossa história, acho que sabemos bem qual foi a decisão dele." Suspirei.

"Não sabemos de nada, Ray. Weiz pagou a faculdade de papai. Não foram as economias de bubbee, como pensávamos antes. Isso me faz levantar a questão de que tipo de relacionamento em segredo papai podia ter com Weiz."

"Isso importa agora?"

"Importa se Weiz usar isso contra nós. Importa se um teste de DNA estúpido for usado como arma."

"Será que nosso pai sabe dessa história?" Ponderei. "Precisamos contar para ele, Santy. Descobrir o que ele sabe."

"Não estou com cabeça para fazer isso. Eu não quero machucar a nossa família agora que as coisas parecem finalmente ajustadas na vida de papi. Promete que você não vai remexer mais nesse vespeiro por enquanto?"

"Prometo."

...

09 de fevereiro de 2015

Após um fim de semana estranho para mim e para a minha família, saímos de Lima no final da madrugada. Shelby deixou nosso lanche pronto no cooler, para que a gente otimizasse o tempo na estrada, e não precisasse fazer paradas prolongadas para comer. Eu tinha compromisso marcado para o final da tarde, e estava a oito horas e meia de Nova York de carro. Quinn tinha razão em ficar incomodada com o excesso de telefonemas, mas eu não tinha assessores particulares que pudessem fazer essa filtragem, e ainda estava muito confusa com tudo que aconteceu.

Passei boa parte do caminho em silêncio, perdida em meus pensamentos e em tudo que me foi dito. Por um lado, tinha o drama da família Berry, que eu não poderia resolver. Por outro, tinha as questões referentes à minha carreira, estas sim, que dependiam das minhas decisões. Escolhi concentrar a minha energia naquilo que cabia a mim.

Perguntei a Josh sobre o tapete vermelho. Como entrar em contato com os estilistas? Como essas coisas funcionavam? Ele disse que entrar no tapete vermelho com Quinn estava fora de cogitação nesse momento da minha carreira. Minha namorada certamente teria um convite, e um lugar próximo a mim, mas se fosse entrar com alguém, a melhor opção era Santana ou os meus pais. Quando mencionei isso para Quinn, ela ficou muito brava e o ciúme pipocou. Minha namorada às vezes se esquecia o significado da palavra "família", especialmente para a mídia. Toda vez que eu tentava a elucidar durante uma crise de ciúmes, ela me lembrava do episódio do beijo. Juro que às vezes o sangue subia a ponto de me dar vontade de repetir a dose só de raiva. Eu seria capaz de enfiar a minha língua na garganta de Santana, só para dar um motivo real para Quinn reclamar.

Assim que coloquei os pés em Nova York, me arrumei rapidamente, passei uma maquiagem leve no rosto. Dei quatro entrevistas a jornalistas, sendo que três foram por telefone, porque eles queriam apenas declarações rápidas sobre minha indicação. Mas precisei me encontrar com um jornalista de um site influente do mundo do teatro, que queria fazer uma entrevista dessas de perfil.

A gente se encontrou em um café que ficava estrategicamente perto do Flea, onde minha carreira em Nova York começou. Dei informações gerais da minha vida: que dividia um apartamento com a minha irmã e com minha "melhor amiga", que nasci em Cleveland e cresci em Lima, que estudei na NYU, mas tranquei o curso para me dedicar inteiramente ao teatro e etc, etc, etc. Por alguma razão, a relação entre irmãs dividindo o mesmo teto quando já adultas sempre despertava curiosidade de entrevistadores. Não revelei nenhuma intimidade entre eu e Santana ao repórter. Foi um exercício para não dar nenhuma informação mais pessoal que de alguma forma pudesse afetar minha vida pessoal. As historinhas de pequenas brigas cotidianas sempre faziam sucesso. O repórter sequer ficou interessado na minha "melhor amiga", o que para mim foi ótimo. Não queria expor Quinn.

Ainda tinha a minha audição para fazer em alguns dias. O pior é que mal consegui estudar meu papel sugerido. Como último compromisso, tive de entrevistar um assessor. Combinamos de nos encontrarmos na minha própria casa.

Logan Stun era um homem calvo, magro e alto. Quinn ficou o tempo todo de mãos dadas comigo. Santana também permaneceu conosco como boa "empresária". A verdade é que ela estava com a cabeça em outro lugar, mas eu não confiaria em outra pessoa para lidar com meus acordos financeiros.

"Senhorita Berry-Lopez, eu ofereço media trainning aos meus clientes, acompanho nos eventos mais importantes, como premiações e programas de televisão, e faço todo o controle de entrevistas, além de traçar a melhor estratégia publicitária. Quanto a demais orientações, há uma pessoa dentro da minha empresa que pode cuidar disso. Os valores, claro, serão discutidos." Ele disse depois de muito blá, blá, blá.

Olhei para Quinn. Ela não parecia impressionada, e fez um sinal para não responder de imediato. Então me levantei, agradeci pela presença do senhor Stun, e disse que responderia em breve. Quando ele partiu, eu pude finalmente respirar, Quinn disparou.

"Eu não confio nessa gente indicada pelo Josh. Me desculpe Rachel, mas eu acho o seu agente uma cascavel das mais venenosas. Não acho legal colocar gente com o mesmo veneno próximo a nós duas... e Santana".

"Quinn, não temos muito tempo para esperar".

"Você está considerando esse escamoso?" Minha namorada estava realmente irritada.

"Não é que..." Respirei fundo, resignada. "Faz o seguinte. Eu realmente preciso estudar esse papel para a audição. Então eu te dou carta branca para procurar alguém interessante até o fim da semana. O que acha?"

"Acho razoável".

"Ótimo!" Fui ao nosso quarto. Eu só queria dormir um pouco em paz. Nunca pensei que um fim de semana pudesse me esgotar tanto.