27 de outubro de 2015
(Quinn)
"Foi assustador!" Disse ao telefone. "Santiago estava lá comigo, e as pessoas pareciam muito simpáticas, só que minhas pernas tremiam."
"Não deve ter sido tão ruim."
"Eu me atrapalhei por completo. Parecia que tinha esquecido tudo. Fiquei quinze minutos olhando para a tela do computador tentando me lembrar como tratava uma foto. Era algo simples para web que eles precisavam 'para ontem'. Quase entrei em pânico."
"O que você fez para se acalmar?"
"Primeiro eu terminei a foto sob olhar desconfiado do meu coordenador, depois pedi para uma colega me explicar onde ficava a máquina de café."
"Oh, Quinn..." Ouvi a risada gostosa. "Você não pode tomar café. Fica hiperativa se tomar demais, e café te dá insônia após as cinco da tarde."
"Depois das cinco? Mesmo?" Gargalhei. Era bom ouvir os detalhes das observações de Rachel. "Não eram cinco da tarde, então acho que não terei insônia nesta noite. Mas tomei um copo cheio. e só então consegui retomar o controle. Voltei outra e tratei as outras fotos. Ninguém ficou impressionado. Pelo menos fiz o que tinha de ser feito."
"O que você fez mais?"
"Ainda estou me familiarizando com o ambiente, e o coordenador não quis me atolar de coisas no primeiro dia, em especial depois do meu início inseguro. Então, basicamente, aprendi como funciona a organização burocrática dentro do departamento de fotografia. Coisas da agenda, divisão de tarefas, escalações. O maior volume é o da publicidade, por isso a equipe fixa se dedica mais a ela. Foi quando comecei a entender certas queixas de Santiago."
"E quanto aos filmes? E aos seriados?"
"Aí é que está. A Bad Things trabalha com contratos temporários para os filmes e seriados. Pelo que entendi, estão construindo um pavilhão de estúdio em New Rochelle para seriados e ocasionalmente filmes, porque isso poupa orçamento no futuro do que usar e alugar locações como é feito hoje. Se isso acontecer, há uma boa chance da equipe fixa aumentar e ser deslocada para New Rochelle. Mas, por hora, acho que vou ficar na publicidade. É onde os estagiários atuam mais."
"Isso é uma pena."
"Envolve filmagem de qualquer forma. Há muitas histórias lá dentro de pessoas que cresceram na empresa, e hoje só se dedicam aos filmes. Então vou me manter otimista. É uma oportunidade."
"É bom te ver assim..."
"Assim como?"
"Esperançosa, animada. Fazia algum tempo, Quinn. É bom ver você se preocupar mais em fazer o que te dar prazer e menos com o dinheiro."
"Para ser sincera, ainda me preocupo com dinheiro. As coisas aqui estão apertadas."
"Mas você não deixa de viver."
"Verdade!" Tinha leve impressão aonde Rachel queria chegar. Às vezes ela reclamava por eu trabalhar demais e me esforçar demais entre faculdade, emprego e freelas. Mas eu fazia de tudo para, no mínimo, não ser um peso na vida dela. Para que ela jamais tivesse que fazer nada por mim, financeiramente falando, por necessidade. E também fazia por mim, por meu orgulho. "Lembra muito aquele nosso início na cidade, menos as incertezas. Quer dizer, elas sempre vão existir, mas são diferentes. Hoje estão menos traumáticas."
"Elas foram traumáticas algum dia?"
"A gente não sabia se iria comer na semana seguinte."
"Eu não via as coisas por esse ângulo. Era uma luta gostosa até, e romântica."
"Você é romântica. Uma romântica cheia de si." Provoquei.
"Você é que precisa exercitar o seu otimismo."
"Mesmo?"
"Mesmo." Rachel me deu uma idéia brilhante.
"Talvez possa começar agora. Vai ter uma festa de Halloween neste sábado. Vai ser no apartamento de um colega meu..."
"Sábado?"
"Sim..."
"Não vai dar. Eu tenho um compromisso no sábado, coincidentemente também uma festa de Halloween, só que beneficente junto à comunidade artística."
"Festa com ou sem fantasia?"
"Com vestidos de estilistas, fotógrafos, pose em frete a um painel com logos das entidades assistencialistas."
"Oh!" Senti até uma ponta de humilhação. "Você... terá companhia?" Procurei ser casual.
"Só de Nina. Não é que a minha irmã vá abrir mão da festa da Columbia para me acompanhar. Dizem que será tão boa que os convites estão esgotados. Santana comprou um para mim e outro extra, acho que pensando em Johnny. Mas esses dois estão estranhos."
"Estranhos como?"
"Os dois se beijaram durante a premiere de Slings and Arrows. Mas alguma coisa aconteceu em seguida. Ela não me diz o quê. Ele não me diz o quê."
"Hum..." Não estava interessada no drama daqueles dois. "Você vai à festa da Columbia?"
"Talvez eu vá. Eles vão fazer a festa numa casa noturna legal, vai ter um DJ decente e eu conheço algumas pessoas que irão."
"Ok." Me sentia um pouco humilhada com o meu pobre convite. Talvez poderia contornar isso com um pouco de humor. "Rachel, poso te perguntar uma coisa?"
"Claro."
"Qual a cor da calcinha você está usando?"
"Quinn!" Ela protestou e eu comecei a rir. A indignação dela era adorável. "Isso não tem graça!"
"Não se finja chocada, Rach. Você sabe que eu estaria em suas calças num estalar de dedos, e não tenho a menor vergonha de esconder isso."
"Está cada vez mais abusada, Quinn Fabray. Nossos telefonemas supostamente deveriam ser para conversar civilizadamente sobre coisas cotidianas. Não para descrever roupas debaixo e usar isso como um artifício libidinoso. Se você não entende isso, então..."
"Desculpe." A interrompi antes que ela completasse a ameaça.
Não entendia porque Rachel ficava tão ofendida com essas coisas. Ninguém melhor do que eu sabia que ela não era inocente, e costumava estar aberta a tentar novas coisas na cama como posições e brinquedos, desde que não fossem sadomasorquistas ou que ela considerasse degradantes. Entedia qual era a nossa relação atual. Entendia que teria de batalhar para voltarmos a namorar. Mas por que tanta birra com uma insinuação boba? Amigos também fazem leves insinuações sexuais um para o outro.
"Você deve estar cansada pelo dia e tudo mais."
"Talvez eu esteja. Boa noite, Quinn."
"Boa noite, Rach."
Ela desligou o telefone. Levantei da minha cama, calcei um chinelo e arrastei os pés até a cozinha. Santiago desenhava enquanto a televisão passava qualquer coisa. Era uma mania dele. Fazia storyboards, coisas sobre os filmes que imaginava um dia gravar. Mas quando perguntava a respeito, ele recolhia os desenhos e dizia que só mostraria quando tudo estivesse pronto. Mais ou menos como fez com o curta-metragem que me propôs, e não conseguimos realizar até agora por falta de tempo e de dinheiro. Deixei-o quieto com a imaginação dele, e me servi com um copo de água. Não tinha fome. Estava com vontade era de ter um encontro com a minha mão ou com meu velho vibrador.
"Boa noite, Tiago."
"Durma bem, Fabray."
Entrei no meu quarto e fechei a porta, coloquei uma música baixinha, como sempre fazia. Sem cerimônia, tirei minhas calças do pijama junto com a calcinha. Fui até a minha gaveta e peguei meu vibrador que também já esteve em Rachel em algumas ocasiões. Deitei e tentei imaginar a cor da calcinha que a Rachel usava.
...
31 de outubro de 2015
(Rachel)
Maquiagem, cabelo, unhas. O vestido que comprei na linha exclusiva só por causa do evento e muita, mas muita paciência para lidar e sorrir para pessoas que faziam designer com maquiagens e cabelos, em vez de simplesmente pintar e escovar. E a minha "equipe" nem era famosa. Mas estava ali na sala da minha casa enquanto a minha irmã passava para lá e para cá com celular colado no rosto. Parecia animada com a festa. Pelo que consegui entender, a turma mais próxima (inclusive Andrew) se encontraria por lá.
A única pessoa próxima que teria companhia no meu evento, além de Nina, seria de Grace Hemon: não era a minha pessoa favorita no mundo. Haveria conhecidos. Vários deles: pessoas que só encontrava em eventos sociais. Verdade que admirava muitas delas pelo trabalho realizado e que era sempre interessante me aproximar e conversar um pouco para aproveitar a oportunidade. Mas costumava ser apenas isso. Estava era com inveja de Santana, isso sim. E, de certa forma, até mesmo de Quinn, que iria aproveitar uma festa caseira na casa de amigos. Se não me engano, era uma festa do diretor com quem ela trabalhou no documentário.
"Por que festas de celebridade começam tão cedo?" Santana sentou no sofá e me observou enquanto meu cabelo era escovado. "Ainda são cinco da tarde."
"Antigamente os tapetes vermelhos aconteciam cedo, uma por causa da longa duração das cerimônias." Giles explicou enquanto arrumava meu cabelo. "Era preciso dar alguma coisa aos jornais que fechavam as edições até determinada hora da noite. Os mecanismos da imprensa mudaram, mas certas tradições continuam. No caso dos eventos de caridade, é elegante fazer um evento cedo e liberar os convidados que tenham outros planos, a não ser, claro, nas noites de gala."
"Interessante." Minha irmã descascou uma banana. "Isso significa que você vai para a festa da Columbia, certo?"
"É festa a fantasia." Respondi. "Não estarei fantasiada."
"Vai sim: a roupa que você vai vestir é uma fantasia sob um determinado ponto de vista. É elegante para os seus padrões. Portanto: fantasia."
"Isso é rude!" Giles ficou chocado.
"O que há de rude nisso?" Minha irmã reclamou. "É até filosófico!"
"Giles, você viu nada." Procurei ignorar e amenizar. "Ela fala coisas piores, não ligue."
"De qualquer forma, o convite ficará contigo caso resolva juntar-se aos bons."
"O problema é que se eu não for, você vai querer me enforcar depois por ter gasto dinheiro à toa."
"Faça como quiser, hermana." O celular dela tocou. Era uma mensagem de texto que ela tratou de responder depressa. Foi até a cozinha e jogou a casca de banana fora. Depois colocou os chinelos, a bolsa dentro do armário e pegou as chaves do carro. "Volto já."
"Ela é sempre assim delicada?"
"Santana é uma grandiosa bitch quando quer." Respondi sem meias-palavras. "Mas acredite quando digo que essa não foi uma das piores respostas."
Assim que terminei de me arrumar, contatei Nina e estava tudo pronto para irmos ao evento. Tapetes vermelhos eram cansativos, mas naquele meu primeiro após a premiere de Slings and Arrows, reparei certas mudanças: as repórteres que me abordaram me perguntavam muito mais sobre o relacionamento da minha personagem com Luis do que da minha presença no evento.
"Pode nos dar alguma pista sobre o destino de Kimon?"
"Como?"
"Kimon é a fusão de Kath com Simon."
"Isso seria spoilers, certo?" De certa forma aquilo era divertido. "A série ainda está no início e vocês ainda vão poder ver o envolvimento desses dois de forma orgânica. O que posso dizer é que Simon consegue quebrar alguns dos preconceitos que existem em Kath."
"O que você acha da repercussão da série?"
"Melhor que esperava. Surpreendente de verdade." O que mais falaria na correria de um tapete vermelho? Entrevistas do tipo eram sempre superficiais, mas repercutiam bem. Por isso era importante ter cuidado com as palavras.
"Os fãs mais adolescentes descobriram a série muito rapidamente, e já fazem toda uma movimentação nas redes sociais. O que acha disso?
"É parte do reconhecimento de um trabalho bem feito. Acredito que Slings seja uma série equilibrada, pois tem um núcleo mais experiente e outro mais jovem. Isso é atraente para todo tipo de público, sobretudo pela trama bem elaborada. O resultado é esse. É tudo muito gostoso." Resposta padrão, automática. Era o tipo da pessoa que evitava redes sociais. Alimentava meu Twitter, meu Facebook, mas não interagia muito não. Tudo graças a Quinn e os comentários que ela deixava no meu velho MySpace. Fiquei traumatizada.
Depois das fotos, fui liberada para o evento. Estava ali a convite da organização, e fiquei feliz por ser algo em decorrência ao crescimento da minha carreira, e não pelas negociações do meu agente. Além disso, a organização financiava grupos de médicos que atuavam em comunidades pobres pelos Estados Unidos que ninguém imagina existir, mas há. O fato de eu ser filha de um cirurgião me dava certa moral.
A entidade iria homenagear alguns atores como Jane Fonda, e outros ativistas enquanto assistíamos tudo em mesas com nossos nomes marcados. Nina e eu fomos colocadas em uma com Grace Hemon, Jonas Troffer, Liz Berton, Natalie Portman e o marido dela. Fiquei feliz por dividir a mesa com Portman. Era uma pessoa que eu costumava "esbarrar" em Nova York, e sempre tínhamos uma conversa cordial.
Após os discursos, os convidados eram liberados a circular e foi colocada uma música suave para tal. Eu aproveitei e bebi espumante, comi alguns petiscos. Depois de circular e posar para algumas fotos com outros atores, olhei para o convite que parecia queimar em minha bolsa. O meu vestido não era de gala. Era um curto social em que poderia circular muito bem em qualquer festa elegante de Manhattan. Talvez estivesse um pouco demais para uma boate. Mas Santana tinha um ponto: era Halloween e, de certa forma, o meu vestido era uma fantasia. Um smoking iria servir de fantasia num dia como esse. Conversei com Nina. Agradeci a presença dela e nos despedimos ali mesmo. Talvez ela aproveitasse mais um pouco da festa, não sei. Critério dela.
Peguei um táxi em direção a Upper West Side, nas proximidades da Columbia, onde havia a única casa noturna decente daquele velho reduto judeu da cidade. Mostrei o meu convite e ainda me cobraram a carteira de identidade. Menores de 18 anos eram proibidos e aquela gente era inteligente o suficiente para não se deixar levar por documentos falsos. Assim que fui adentrando o ambiente o som antes abafado foi subindo, e o que vi foi uma festa grandiosa e muito bem produzida. Não era por menos que os ingressos foram disputados e até caros.
Estava lá, no reduto de Columbia. A questão era como poderia achar a minha irmã e os amigos dela no meio daquela gente. Caminhei circulando a multidão. As pessoas estavam animadas e fantasiadas. Algumas eram criativas, outras simplesmente extravagantes. Havia as meninas que aproveitaram para colocar o lado vadia para fora sem ser criticadas, como um grupo vestido de sadomasorquista. E tinha várias com micro tudo. Santana e os amigos combinaram irem fantasiados de Thundercats. Minha irmã fez roupa da Willy Kit. Eu não a vi experimentando a fantasia, mas não era difícil imaginá-la toda sexy com o vestidinho de uma alça só.
Procurei prestar atenção na multidão, até que vi um "Thundercat" no bar pegando uma bebida qualquer. Era Andrew. Corri até ele.
"Ei!" Ele gritou e me deu um abraço. Todo mundo gritaria por causa do volume da música.
"Viu Santana?" Disse alto no ouvido dele.
"Lá no meio!" Respondeu falando o mais alto que podia sem gritar. "Está com os outros."
Esperei Andrew pegar a bebida. Ele pegou minha mão e me conduziu até o meio da pista de dança onde estavam os demais "Thundercats" e "Willy Kit". Santana me deu um beijo no rosto.
"Bom que cê veio!" Gritou no meu ouvido.
O grupo, claro, não se resumia só aos gatos de Thundera. Havia outras fantasias. Tinha um Rambo, um clássico dr. Spock, um Luke Skywalker e até um leão. Senti pena do coitado com a roupa que parecia horrivelmente quente naquele forno de festa. Pelo menos a máscara de malha parecia fresca. Reconhecia alguns poucos amigos de Santana, além de Andrew. Sei que Lion-O era um cara chamado Carl, Andrew estava de Tygra, e Cheetara era Lucy, uma garota que sempre achei estranha. Não tinha ideia de quem eram os outros, muito menos o podre do leão.
Santana estava em modo pesado de festa, e paquerava acintosamente uma mulher maravilha slut. Depois de terminar com Andrew e do fiasco com Johnny, acho que ela estava em modo de caça, e a presa da vez era óbvia. Não poderia lamentar pela mulher maravilha porque, francamente, minha irmã era uma jovem mulher linda e naturalmente sexy. O leão se aproximou de mim e começou a dançar próximo. Não dava para saber quem era por trás da máscara. Mas seja quem for, não estava tímido em se aproximar de mim. Sei que o leão dançava relativamente bem, e mantinha uma distância segura de mim: deixou claro que estava interessado sem necessariamente invadir o meu espaço pessoal de forma desrespeitosa. Gostei e me deixei levar pela dança até a sede me vencer. Fui até ao bar comprar uma garrafa de água e o leão me seguiu.
"O leão bebe alguma coisa?" Perguntei alto e próximo do ouvido dele por causa da música.
"O leão bebe o que você beber." Ele disse com a voz abafada pela música e pela máscara. Franzi a teta, porque apesar de todo ruído poderia reconhecer aquela voz em qualquer lugar. Sem cerimônia, puxei a máscara de malha e debaixo dela revelou-se uma muito suada Quinn Fabray.
O barman me entregou a garrafa de água e eu dei a gorjeta antes de voltar a minha atenção para a minha ex-namorada. Havia conflito em mim. Não sabia se ficava feliz ou não com a presença dela na festa. É que a casualidade que poderia existir foi para o espaço. Apontei para um espaço aparentemente mais quieto do clube e a puxei para lá. Era um segundo ambiente cheio de casais e de outras pessoas que só procuravam um pouco de descanso.
"Você disse que tinha outra festa para ir!" Cruzei os braços.
"Ué, que eu me lembre bem, você não deu certeza que viria para cá também. Então porque está me atacando como se eu estivesse te perseguindo?"
"Como conseguiu entrar?"
"Com um convite, assim com todo mundo."
"Como?"
"Santana me deu o convite extra."
"Santana?"
"Isso é tão difícil de acreditar?"
"Por que a minha irmã entregaria o convite extra dela logo pra você?"
"Porque eu pedi, estava até disposta a pagar com a minha cota na Rock'n'Pano, e ela não viu nada demais. Aliás, qual a razão do drama se a gente estava tendo um bom momento lá na pista até você tirar a minha máscara? Por que não foi planejado por você? Qual é o problema Rachel, se você concordou que eu poderia me reaproximar?"
"Em conversas por telefone! Não disse que você poderia se reaproxima fisicamente de mim!"
"Não. Você disse que voltaria a falar comigo. Não especificou como, e nem pediu ordem de restrição de aproximação contra mim."
Quinn tinha um ponto. Acho que me deixei levar pelo impacto da surpresa e reagi mal. Ela nunca escondeu que gostaria da reaproximação, eu de fato concordei em tentar manter as coisas devagar e seguras, e eu nunca confirmei nem mesmo para a minha irmã a presença na festa da Columbia. Além do mais, estava no clube e me diverti com o leãozinho porque a energia era natural e respeitosa. Tomei um gole da minha água e ofereci para Quinn, que aceitou. Ela parecia sedenta.
"Aonde você arrumou essa fantasia ridícula?"
Ela olhou para si mesma e começou a rir sozinha, passando as mãos pelos cabelos umedecidos de suor.
"O coordenador do departamento de arte da Bad Things mandou se livrar de alguns modelos do estoque. Coisa que eles fazem esporadicamente, porque não têm espaço para armazenar tanta coisa. Bom, eu sou estagiária de outro departamento e ainda sou nova na firma. Imagine que sou uma das últimas da fila. Tinha mais nada que se aproveitasse na caixa de doações, mas achei esse traje que servia para passar o Halloween."
"A impressão que eu tenho é que você vai fazer panfletagem para o zoológico." Comecei a rir com a idéia.
"Não sei... estou começando a me afeiçoar por esta fantasia. Ela até que é bem costurada, e se não fosse pelo rabo poderia até se passar por um pijama de inverno. Menos a máscara, que nem faz parte do conjunto original. Eu a arrumei à parte porque seria terrível vir aqui com cabeça de leão."
"Esqueça essa máscara ridícula, por favor."
"Será um prazer." Ela sorriu e bebeu o resto da água. "Isso quer dizer que estamos bem? Quer dizer... que não serei expulsa daqui por aparecer e depois por dançar contigo?"
"Não posso negar que estava me divertindo, e você se manteve respeitosa. A isso, agradeço."
"De nada!"
"Não force a barra, Quinn Fabray." Adverti para que ela não enchesse o peito com a autoconfiança habitual. "Vamos voltar a dançar?"
"Seria um prazer."
Voltamos à pista, mas os Thundercats estavam mais dispersos. Eu não via mais sinal de Santana. Nem mesmo da mulher maravilha slut. Andrew ainda estava próximo e outra colega. Ficamos próximos a eles e voltamos a dançar. O DJ já não colocava as músicas frenéticas de dança àquela altura, e era gostoso ouvir alguma melodia. Nossos movimentos foram ficando também cadenciados, o que era bom para mim uma vez que estava de salto alto e Quinn, bom, ela usava tênis: algo que colocava quase que exclusivamente para se exercitar.
Eu não sei o que aconteceu. Talvez fosse o ambiente, a dança, a data comemorativa e o fato de haver um monte de gente procurando alguma companhia. Ou talvez estivesse me sentindo solitária. Também estava diante de uma pessoa que ainda amava muito. O que sei é que quando dei por mim, os lábios de Quinn estavam nos meus e o mundo parou.
