Parte 2 - ...e a Calmaria


Ouvia-se o som irritante do despertador tomando o interior do quarto. Embora um pouco contra a vontade de desejar continuar na cama, Usagi precisou levantar.

Olhando ao redor, por um instante se surpreendeu por não estar em seu quarto, mas uma voz vinda da cozinha a fez cair na real.

"Usagi. Já levantou? Venha tomar o café."

Depois de se arrumar e cuidar das necessidades da manhã, a jovem foi à cozinha, atraída pelo cheiro do café da manhã preparado por Haruka.

"Bom dia, Usagi."

"Bom dia, Michiru e Haruka. Hmmm. Está com uma cara boa."

"Valeu. Pode servir-se."

Usagi degustou com gosto a refeição preparada pela garota tomboy. Não lhe era surpresa alguma Michiru ser tão apaixonada por ela.

"Está ótimo. Se eu conhecesse alguém que se saísse tão bem na cozinha, me casava na hora."

"Ora, gentileza sua, Usagi. Espero que tenho dormido bem."

"Dormi sim, Michiru. Obrigada à vocês duas. Tenho que agradecer as professoras Haruna e Higure e Motoki, e naturalmente a vocês, por terem feito de ontem uma noite tão maravilhosa."

"Que bom que está mais disposta e feliz. Não importa o que venha a acontecer, nós sempre estaremos contigo. Prometemos."

"Obrigada, Haruka." Usagi lhe apertou a mão delicadamente. Nessa hora, o celular de Usagi tocou. Vendo ser sua mãe, ela ficou relutante em atender. Michiru atendou e falou por alguns minutos até desligar.

"Usagi. Seus pais estão preocupados. Querem falar com você."

"Não sei se quero falar com eles ou com...elas. Vão vir com a mesma ladainha de sempre."

"Usagi. Entendo como está sentida, mas não pode continuar com esse rancor. Se quiser, Haruka e eu vamos com você pra apoiar."

"E se virmos que não vão dar ouvidos ao que você deseja, eu uso a persuasão e o bom juízo. Eis a persuasão," Haruka ergueu o punho esquerdo. "e aqui, o bom juízo." Ela levantou o direito.

"Haruka." Chamou a violinista bem invocada. "Nem tudo precisa recorrer aos punhos. Vamos conversar civilizadamente e caso não dê certo...estudaremos outras soluções, talvez próximas à sua." Ela completou sorridente.

"Garotas, obrigada pela força. Fico feliz de haver pessoas que me enxerguem mais do que querem que eu seja."

"Somos suas amigas, independente de ser uma princesa ou não. Sua amizade é o que mais nos vale." Concluiu a moleca.

Dito isso, as três terminaram a refeição e se aprontaram pra sair.


"Vamos, Usagi. Não tenha medo. Estamos com você até o fim."

"Sim, eu sei, Michiru, mas ainda estou nervosa."

"Não se preocupe. Conte conosco, só precisa confiar."

Recebendo bem as palavras das companheiras, Usagi respirou fundo e abriu a porta de casa, onde estava tudo escuro. Assim que as três entraram, a porta se fechou e as luzes acenderam.

"SURPRESA. FELIZ ANIVERSÁRIO, USAGI."

Qua não foi a reação do susto que as três levaram com o grito. Lá dentro, os Tsukino e as demais Sailors frente à elas com um bolo decorado.

"Ei, mas o quê...?" Antes que Usagi pudesse falar, viu-se abraçada pela mãe.

"Feliz aniversário, meu anjinho. Nos perdoe por ter esquecido um dia tão importante."

"Mas não foi intencional. Seu irmão fez nossas cabeças com toda aquela pose de bom aluno que nos tirou o foco da nossa coisa mais preciosa." Respondeu o pai.

"Foi, é? E cadê aquele metido que chamo de irmão caçula?"

"Está onde merece: internato Shinotome. Lá ele vai aprender a ter bom senso e respeito, se bem que isso não nos deixa com menos culpa. Só ligávamos pra você ter notas tão perfeitas quantos a do seu irmão que nem dávamos qualquer atenção aos seus esforços, que por sinal eram ótimos ou seu trabalho como Sailor Moon em proteger as pessoas e a cidade todos os dias. Você completou 16 anos e é um momento muito especial pra qualquer garota e ainda assim, ignoramos. Nos desculpe por ter te magoado com nosso egoísmo."

"Eu digo o mesmo, queridinha. As coisas serão diferentes de hoje em diante. Todas as coisas boas que fizer, por pequenas que possam parecer, serão motivos de nos orgulharmos de você. Sem exceção."

"Mãe...pai..."

"Também temos que nos desculpar." Falou Luna tomando à frente. "É verdade que precisamos lutar por um futuro de paz, mas não é desculpa pra perdermos o foco no presente e te forçar a ser o que pensávamos ser nossa única esperança. E está certa, você só tem 16 anos e ninguém conquista tudo de uma vez nessa idade, muito menos se tornar uma princesa e regente de um reino inteiro. Lamentamos tentar te moldar ao que queríamos que fosse e não respeitar suas decisões."

"Luna tem razão. Posso ser a guardiã do tempo, mas não quer dizer que os eventos precisam seguir só um caminho. O futuro envolve diversos rumos, alguns fáceis, outros difíceis; uns bons e outros, maus; vários iluminados e outros envoltos em escuridão. Queremos que tenha um bom futuro, Usagi. Entretanto, o que conta é que você deve fazer suas escolhas, as quais acataremos. Continuaremos te seguindo, amiga, e estaremos aqui pra apoiá-la e guiá-la no que for necessário, mas seu caminho é sua decisão."

"Obrigada, Setsuna. Agradeço que me compreenda." Usagi cumprimentou a mulher mais velha e se dirigiu a Ami. "Ouça, Ami. Aquilo que te disse ontem...bem, eu não..."

"Não precisa se desculpar, Usagi." A garota inteligente segurou a mão da loira. "Entendo que estivesse zangada naquela hora e com razão. Negligenciamos o que você queria e nem ligamos que fosse seu aniversário. Eu mesma não fui uma boa amiga e devia ter dado apoio. Posso ser inteligente, mas admito que fui insensata e idiota. Não desejo perder sua amizade, pois foi a primeira amiga real que tive e se não tiver sua amizade, prefiro ficar sozinha. Posso continuar sua...amiga?"

"Claro que sim, Ami. Não desejo perder ninguém, exceto aquele maldito Mam...Chiba. Ele não quero nunca mais ver, nem pela necessidade da Tokyo de Cristal."

"Olha, vamos esquecer isso de Tokyo de Cristal." Minako se pôs ao lado dela. "Acharemos outro rumo pra trazer um futuro próspero e se não formos nós, sei que outro conseguirá. Agora deixemos pra lá esse assunto chato e vamos tratar do seu aniversário."

"E isto é só a entrada." Exclamou Makoto, apresentando a mesa com o bolo e vários presentes. "Já fizemos os arranjos com seus pais e iremos de noite num grande salão de festa pra comemorar seus 16 anos. Afinal..."

"16 anos é uma ocasião de suma importância na vida de uma mulher. Já sabemos disso." Citou Haruka meio sonolenta de tanto que ouviu aquela frase.

"Obrigada, gente, e estou feliz por nos reconciliarmos, porém tem alguém que eu queria que estivesse presente. Quem dera ela voltasse de viagem e pudesse..."

"Bem, alguns desejos podem se realizar, minha odango." Usagi mal acreditava na voz que ouvira. Olhando mais pro fundo da casa, reconheceu a moça de cabelo negro lhe dando um sorriso amoroso enquanto corria pra abraça-la.

"Rei...Rei-chan?" "Sim, minha Usa-chan. Não pensou que eu ia ficar de fora de algo tão importante, especialmente se tratando do aniversário de quem mais gosto?"

"Oh, Rei. Fico radiante que tenha voltado. Quando chegou?"

"Ontem de noite. Quis te ligar, mas seu telefone não atendia. Me disseram tudo que se deu e lamento o que houve com você e...ele."

"Obrigada por voltar, querida. Tomara que possa ir a festa hoje de noite."

"Não perderia por nada, mas saiba que sua festa não é a única razão do meu retorno tão ligeiro. Tenho que contar algo que está preso no meu peito há tempos, mas não sei como te dizer."

"Não se acanhe, Rei. Pode dizer que ouvirei tudinho."

"Ok então. Usa-chan, a verdade é que...é que..." Rei exibia um grande rubor em seu rosto e mal conseguia olhar pra Usagi, mas a loira lhe segurou o rosto e passou um doce olhar. Rei, recuperando a coragem, avançou pra Usagi e a beijou diante de todos.

Nenhum dos presentes tinha palavras pra descrever a cena que viam, permanecendo um grande silêncio, exceto no som dos lábios das duas moças se beijando. Usagi, no lugar de entrar em pânico ou sentir-se enojada, apreciava aquela sensação doce e suave que ia da boca ao seu coração. Uns instantes depois, as duas se distanciaram.

"Rei? Está dizendo...?" "Sim, Usa-chan. Eu te amo. Sou apaixonada por você desde que te conheci, mas tinha medo de contar." Pausa pra refletir. "Me desculpe. Estou aqui te beijando diante de todos e logo após que seu coração foi partido..." Imediatamente, a morena viu-se de novo nos braços da aniversariante, que sorria carinhosamente.

"Usagi? O que foi isso? Está dizendo que...?"

"Snif. Sim, minha Rei. Eu também te amo. Acho que no fundo, sempre senti essa atração por você e com isso, percebia que Chiba e eu...não nascemos pra ficar juntos. Se você me ama como diz, eu quero seu amor. Hoje e sempre."

"Oh, minha odango. Prometo ficar sempre contigo e nunca te magoar ou abandonar. Você é meu mundo e minha estrela de vida." Nisso que Rei se virou pros pais de Usagi.

"Err. Bem, sr. e sra. Tsukino. Desculpem pela minha ação. Não foi com má intenção que quis fazer isso com sua filha, mas...mas..."

"Tenha calma. Apenas nos diga, Rei. Você de fato ama Usagi?" "Sim, sra. Tsukino. Eu juro que a amo e nunca a machucaria."

"E você, Usagi? Sente isso por ela mesmo?" "A verdade, papai? Digo que sim. Acho que era o verdadeiro destino ficarmos juntas. Eu a amo de todo coração."

"Bem. Sendo desse jeito, só temos uma coisa pra falar. Rei, se achar que deseja levar sua relação com nossa filhinha mais além..." A mãe de Usagi parou pra respirar e voltou com um leve sorriso. "ficaremos honrados de um dia você fazer parte da família."

"E de boa vontade, ficarei contente em escoltá-las até o altar." Respondeu o pai.

As duas recém-namoradas quase choraram emocionadas pelo que tinham ouvido, abraçando o casal mais velho com muito amor. As demais se uniram no gesto, como se seus corpos fossem um só aglomerado. Logo todos seguiram pra vários cantos.

"Certo, tudo bem, pessoal. Vamos partir o bolo e depois nos preparar pra festa desta noite. Aposto que será inacreditável."

"Não duvido nada, Usagi, principalmente se seus pais, depois da festa, te deixarem passar a noite na minha casa," Exclamou Rei quase sussurrando. "pois lá farei uma festinha bem especial, só pra nós duas."

"Rei, sua safadinha, mas sei que vão aceitar. Hora do bolo e o primeiro pedaço é seu..." Usagi mostrou o pratinho com o pedaço pra Rei, estendendo-o em sua direção, só para puxa-lo de volta. "se vier pegá-lo de mim."

"Ah, então quer brincar? Tá certo, vou pegar esse pedaço de volta. Para aí, é meu."

"Tenta pegar, minha gata. Blééééé." Usagi mostrou a língua de gozação pra Rei, que corria determinada a pegá-la, embora sua expressão facial exibisse um semblante divertido. Todos na casa só olhavam com gotas de suor na cabeça perante a situação.

"Caramba. Dá pra ver que as duas foram feitas uma pra outra." Comentou Artemis.

"Sim, de fato. Vivem arrumando confusão, mas não ficam longe nem um momentinho." Observou Michiru. "Por isso que se amam tanto e fazem um bonito casal."

"E imaginem como se dará quando nos derem netos. Claro que não sei como farão, mas sei que terão, e serão uma família magnífica." Concluiu a senhora Tsukino, que sentia-se feliz por tudo no fim ter dado certo e ansiosa pelo que se dará no resto do dia...e à noite.

FIM.


Vendo os filmes de Shrek, uma das minhas piadas favoritas e aquela onde Shrek explica como convenceria Arthur a aceitar ser o rei. Claro, não seria algo tão divertido se usado na vida real.

Esqueci de citar no cap. 1 que a frase dita pelo senhor às Sailor depois do ocorrido com Usagi é uma citação feita pelo Mestre Splinter(TMNT) numa hq. Na realidade, o homem que a disse seria a versão humana de Splinter.

Usagi e Rei. Um dos meus casais femininos favoritos dos animes. Deviam ter levado esse conceito no mangá e anime como se deu com Haruka e Michiru. As duas brigam, discutem e disputam por muita coisa, mas não deixam de se gostar, o que me pareceu apropriado fazer pro fim do capítulo referente ao caso do bolo.