DÚVIDAS ROMÂNTICAS E PENSAMENTOS CONFLITANTES
Don David retorna ao pátio á procura dos dois amigos que ficaram para trás após as apresentações iniciais com a família anfitriã. "Que segredo os deteve aqui, que não nos seguiram á casa de ?" perguntou o príncipe.
"Desejara que Vossa Graça me obrigasse a revelar-lo". Respondeu Jeff cheio de mistério, ao que Don David disse com seriedade "Intimo-vos a fazê-lo, pela obediência que me deveis."
Jeff, de volta ao falante energético de sempre "Estais ouvindo, Conde Kurt? Eu posso ser tão discreto quanto um mudo; podeis ficar certo disso. Mas a obediência,... repare bem, é a obediência ao nosso digníssimo príncipe, que me obriga a quebrar meu silêncio. " e baixando o tom de voz, quase que para provar estar dando conta de um segredo, Jeff continua "Ele está apaixonado... Por quem?... É o que Sua Graça perguntará...Pois prepare-se e prestai, agora, atenção na simplicidade da resposta... aqui vai... por BLAINE! ... o jovem filho de Leonard."
Próximo dos amigos que conversavam, estava o jovem Kurt, de cabeça baixa. Eis que ouvindo Jeff declarar o nome de seu afeto, Kurt desabafa "Se assim fosse, já estaria declarado abertamente, meu senhor. Se minha paixão não se modificar em pouco tempo, não permita Deus que seja por outro medo.
"Amém, meu jovem amigo. Se lhe tendes amor, porque ele é merecedora disso." Respondeu Don David com cautela. "Diz isso para sondar-me, milorde?" pergunta Kurt ao príncipe, enquanto um surpreso Jeff divide sua atenção entre o jovem apaixonado e o príncipe.
Com toda seriedade que o momento pedia, Don David se dirige ao jovem rapaz, coloca sua mão em seu ombro e olhando diretamente em seus olhos afirma "Por minha fé, estou dizendo o que penso." Kurt por sua vez, coloca sua mão sobre a do príncipe dia "O mesmo se dá comigo, milorde. Por minha fé e minha vida... sinto que estou apaixonado por Blaine". Com um leve sorriso, Don David afirma "Sei que ele é digno de sua admiração e sentimento!".
Já exasperado, Jeff anda de um lado para o outro falando sozinho, "Enquanto a mim, nem sinto como ele possa ser amado, nem sei como possa ser digno disso; o próprio fogo não me tiraria do corpo semelhante convicção; morrerei na fogueira convencido disso."
"Sempre foste um herege quanto á fé no real amor" diz Don David balançando a cabeça em reprovação ao amigo que continuava andando de um lado para o outro. "Sem muita força de vontade ele não se poderia ter conservado nessa posição." Completou o jovem Kurt.
Jeff, totalmente entregue ao seu falatório desesperado, começa "O ter sido eu concebido por uma mulher me deixa extremamente agradecido!... O fato de ter um homem digno me criado, me deixa igualmente grato!... mas ... vir eu a ter um incessante zunido irritante nos meus ouvidos, ou uma bola de ferro presa aos meus pés, é o que todos me perdoarão. Por não querer fazer-lhes a injustiça de desconfiar de alguns inocentes, reservo-me o direito de não confiar cegamente em ninguém." E com a cabeça erguida, como desafiando ser contradito pelos amigos, encerra seu discurso. "A conclusão ... digo com todo respeito meu senhor... que só redundará em proveito para mim, é que desejo continuar solteiro.
Com um sorriso maroto na voz, Don David retruca o amigo falador "Antes de morrer ainda hei de te ver pálido de amor", o que causou surpresa á Jeff que respondeu ainda mais nervoso "De cólera, de doença ou de fome, milorde poderia ser; não de amor. Nunca de amor! Se em qualquer tempo, provardes que eu perdi mais sangue com o amor do que possa recuperar com o vinho, arrancai-me os olhos e pendurai-me às portas da cidade como emblema de aviso dos perigos das flechas do cego Cupido."
"Que seja, meu caro Jeff, se em algum tempo te mostrares infiel ao princípio da solteirice convicta, fornecerás ótimo assunto para as sátiras." Disse Don David ironicamente, arrancando um suspiro exasperado do rapaz. "Se eu o fizer, pode me colocar como alvo de pontaria e premiar a pessoa que me acertar, dando-lhe o título de campeão dos campeões!"
Dom David, tentando dar fim ao embate, afirma com graça na voz "Está bem meu amigo; o tempo o provará. Há de chegar o tempo em que, o mar quebre o rochedo." O que causa uma gargalhada nervosa em Jeff "Ah... há... há... O rochedo pode ser tornado em areia, mas se em algum momento, o sensato Jeff se dobrar á força das águas da paixão, afoga-me nessas águas e coloque placas com letras bem grandes nessa praia, com os dizeres aqui jáz uma forte muralha e em baixo escreva, ´Aqui está Jeff, um homem casado!"
Kurt sorrindo com o desespero do amigo fala "Se isso chegasse a acontecer, serias um louco Deus dos mares!" e don David finaliza "Está bem! Está bem! Se o cupido ouviu nosso embate, dentro de pouco tempo hás de tremer, para castigo de tua rebeldia."
Rindo em desafio, Jeff responde ao amigo príncipe "Sim, tremerei se houver na hora algum terremoto em terras próximas!". Dom David, já cansado do vai e vem dessa conversa, se dirige com finalidade á Jeff "Bem, meu amigo. Saberás se acomodar às circunstâncias. Mas por hora, senhor Jeff, vá até à casa de Leonard, apresentai-lhe meus cumprimentos e dizei-lhe que não faltarei ao jantar, pois é certeza ter ele feito grandes preparativos."
Fazendo uma espécie de continência oficial, Jeff se despede e se dirige ao interior da casa, deixando Don David e o jovem Kurt no pátio, á mercê das estrelas e dos pensamentos marotos que invadiam suas mentes.
"Poderá Vossa Alteza ajudar-me?" perguntou Kurt á Don David, que prontamente respondeu com sinceridade na voz "Ao teu dispor o meu amor fraterno se encontra!"
Kurt então continua, "Leonard tem mais filhos, caro príncipe?" Percebendo o olhar esperançoso do rapaz, don David fala com suavidade, "Além de Blaine, nenhum vivo! O rapaz é seu único herdeiro. Estás gostando dele, Kurt?"
"Oh, milorde! Ao partirdes para a guerra que ora se acha concluída, apenas olhos de soldado lhe pus, aos quais seu todo parecia agradável, sem que a rude tarefa com que então me defrontava dar o nome de amor me consentisse a essa impressão primeira. Mas agora, já de retorno, quando os pensamentos guerreiros abandonam seus lugares, desejos delicados e indescritíveis tomam lugar, suplicando comigo sobre o encanto irresistível do belo e jovem Blaine e proclamando-me que antes de ir para a guerra eu já o adorava."
Tomando a figura do jovem sonhador, Dom David declara "És tão apaixonado que declaras que não consegues disfarçar, pois então, se amas o jovem Blaine, não desistas. Junto dele e do pai, hei de empenhar-me para que teu, ao fim, ele se torne. Não foi para esse fim que te puseste a me desenrolar tão linda história?"
"Perdoe-me senhor meu príncipe. O medo de julgares minha paixão algo prematura e súbita, me levou a utilizar dos artifícios de uma longa explanação! Respondeu Kurt, abaixando a cabeça como em derrota ou vergonha por ter sido pego fazendo algo que não devia.
Dom David, com um tom carinhoso para com o jovem amigo, porém decidido expos seus pensamentos "Por que fazeres mais comprida a ponte do que a largura máxima do rio? Não necessitas rodeios comigo, meu amigo! Que amas, é certo, já consegui perceber. De mim terás ajuda com certeza. À noite, ouvi dizer, vai haver uma festa para comemorar nossa vitória. Nessa ocasião, por ser um baile de máscaras, viremos de igual disfarce... farei o teu papel, apresentando-me como Kurt ao belo Blaine, para cortejá-lo e descobrir se está tal e qual enamorado quanto você. Depois, ao pai direi tudo o que se passa e pedirei a benção em seu nome. A conclusão é que ele será teu..."
"Ponhamos logo em prática esse plano."
E com um grande abraço, Don David e Kurt fecham o acordo promissor de uma grande e linda história de amor.
"Agora vamos ao jantar, pois não há enamorado que consiga se manter em pé de estômago vazio." Diz Dom David arrastando o amigo para dentro da casa dos Andersons.
