VINGANÇA E TRAPAÇAS
Na mesma noite em que Kurt declara seu amor pelo jovem Blaine, ao amigo príncipe; em um dos quartos da casa de sr. Leonard Anderson, estão Don Sebastian e sr. Hunter conversando enquanto se preparam para a festa que será oferecida pelo anfitrião e dono de Dalton.
"Que tens, milorde? Por que estás tão triste assim, caro Don Sebastian? Tão fora de hora e de medida tal tristeza" perguntou Hunter ao notar a melancolia no rosto do companheiro. "Sendo fora de medida as causas de minha tristeza, forçoso é que ela seja ilimitada." Respondeu Sebastian duramente ao colega.
"Devíeis escutar a voz da razão, meu caro Príncipe", afirmou Hunter o que recebeu um olhar de desagravo e o questionamento duro de Sebastian: "Depois de escutar a voz da razão, que proveito me virá disso?" e virou as costas ao colega, bufando.
Hunter, ainda na tentativa de entender o colega continua "Se nada efetivamente eficaz, pelo menos a resignação paciente, senhor."
Ouvindo o que Hunter falava, Sebastian apoia as duas mãos na mesa que se encontrava á frente dele e dispara "Admira-me logo você, que sempre se diz dos mais impulsivos, te esforces por aplicar medicina moral num mal incurável. Não sei fingir!" e então Don Sebastian, em um tom mais duro, continua "É natural ficar eu triste, quando tiver causa para tanto, sem que nenhum gracejo consiga fazer-me sorrir. Sou dos homens que me alimento quando tenho fome, durmo quando tenho sono e sorrio quando estiver alegre, sem precisar adular a disposição de ninguém."
"Sei disso, e estás certo; mas não ficará tão bem se expuser todas suas vontades, enquanto não puderes fazê-lo sem contradição. Recentemente vos rebelastes contra vosso irmão, que acaba de vos receber novamente em sua graça. Tens que tomar cuidado e preparar o terreno para lançar suas emoções sem receio de represarias." Aconselhou Hunter, com determinada sabedoria.
Com o rosto emburrado, e a voz com certo veneno, Don Sebastian dispara "Prefiro ser lagarta em uma plantação, a ser uma rosa nas graças do meu irmão. Acomoda-se melhor com meu sangue ser desprezado por todos sinceramente do que conformar os meus atos de modo que roubem a afeição de quem quer que seja. A esse respeito, se não se pode dizer que eu sou um adulador honesto, não me negará o título de vilão sincero." E com um sorriso malicioso e vil, continua a expor seus sentimentos ao colega "Confiam em mim, amordaçando-me, e acreditam deixar-me livre acorrentado; por isso, determinei não cantar em minha gaiola. Se eu estivesse com a boca livre, morderia; se estivesse em liberdade, faria o que bem me parecesse. Mas até lá, deixai-me ser o que sou, sem tentar modificar-me!" termina Don Sebastian com um olhar desafiador.
"Não podeis tirar nenhum proveito de vosso descontentamento, meu caro don Sebastian?" Com um olhar sinistro e a voz baixa, don Sebastian responde "Valho-me dele como posso, pois não faço outra coisa. Mas quem vem vindo aí?" e os dois se viram e percebem Karovsky entrando no quarto.
"Tenho novidades meu caro príncipe!" anuncia Karovsky, "Acabo de sair de um jantar suntuoso. O príncipe, vosso irmão, está sendo regiamente tratado por Leonard, podendo eu comunicar-vos que há um casamento em perspectiva nos assuntos tratados."
Já com as feições trajadas de traços diabólicos, Don Sebastian começa a divagar "Poderá servir-nos de alicerce para sobre ele levantarmos qualquer maldade? Qual é o imbecil que pretende desposar a inquietação?"
Já participando dos ares malignos que se formavam entre os senhores do quarto, Karovsk respondeu "Ora, o braço direito do vosso irmãozinho!" Recebendo com desdém tal resposta, Don Sebastian continua "Quem? O esquisito almofadinha do Kurt?" "Ele mesmo, meu senhor!" respondeu Karovsky, com destilado veneno na voz.
Já interessado nas fofocas e tramando algo, Don Sebastian continua os questionamentos á Karovsky "É um cavaleiro de mão cheia! Com quem? Com quem? Para que lado lançou ele a vista?"
"Para o lado do jovem Blaine, meu senhor. O filho e herdeiro de senhor Leonard." Confirmou o vil rapaz, o que despertou um pequeno engasgo de surpresa dos dois companheiros. "Aquele franguinho desmiolado? Como ficaste sabendo disso?" Don Sebastian quis saber, o que prontamente foi agraciado com todos os detalhes por Karovsky.
"Estava eu a passar o tempo num quarto desocupado, a não ser pelo camareiro que me acompanhava, se é que me entendem." com um raspar da garganta, Karovsky continua, "Ouvi o príncipe e Kurt passando pelo corredor ao lado, conversando seriamente. Esgueirei-me para detrás da porta da sala na qual entraram, e pude ouvir, quando combinavam que o príncipe faria por conta própria a corte ao jovem Blaine e, uma vez obtido o seu consentimento e adoração, o entregaria ao Conde Kurt."
Contorcendo o nariz em desgosto, Dom Sebastian ponderou "Vamos, vamos para lá! Isso poderá dar certo alívio ao meu descontentamento. Esse moço aventureiro se aproveitou para agraciar-se de fama com a minha derrota. Se houver qualquer jeito para eu me atravessar em seu caminho, de todo jeito eu farei." E com um olhar desafiador, encarou os dois companheiros e perguntou diretamente, como um desafio de vida ou morte "Sois de confiança e estão dispostos a me ajudar?"
Os dois companheiros, com sorrisos diabólicos responderam "Até à morte, milorde."
Satisfeito com a resposta de Hunter e Karovsky, e com o rumo que a conversa prometia tomar, Don Sebastian diz em alto e bom som "Vamos para a grande ceia. A alegria deles é tanto maior por me saberem humilhado. Ah! Mal sabem eles que a vingança é um prato que se prepara lentamente. Ahhhh se os cozinheiros pensassem do mesmo modo que eu! Vamos ver o que é possível fazer desta festa!" e com os braços sobre os ombros dos comparsas, Don Sebastian se dirige á festa acompanhado de Hunter e Karovsky.
