NO VÉU DA NOITE AS MENTIRAS SE ENTREGAM

As ruas próximas á casa de Senhor Leonard estavam movimentadas com a notícia do matrimônio dos jovens, Blaine e Kurt. A notícia já havia animado a vizinhança, ao mesmo tempo despertado a tristeza de alguns jovens que, ainda tinham esperança numa paixão com o jovem filho da família Anderson.

Com a proximidade da cerimônia e depois, as festividades; o número de pessoas que iam e vinham na região, mostrou a necessidade de um segurança mais acertada.

As chefes da guarda, Santana e Brittany, reuniram-se na praça próxima á casa da Família Anderson, para definir o plano de ação para os próximos dias.

Com sua voz de comando, Santana dirige-se aos guardas que estavam em prontidão. "Caros senhores, peço-vos que guardem a casa do senhor Leonard com especial atenção nos próximos dias, porque sendo o casamento amanhã, hoje deve ser noite de barulho e movimentação." Recebendo o aceno de compreensão das ordens por seus subordinados.

Completando os avisos, Britanny diz "Sejam discretos e atentos. Não precisamos de alarde que possa causar distúrbios desnecessários ás festividades.", aviso que recebeu um sinal de aprovação e um sorriso por parte de Santana, que tocou o ombro de Brittany convidando-a a se retirar, deixando os guardas ao seus afazeres.

Os guardas mantem seus postos fazendo a vigília dos arredores da casa dos Anderson, noite á dentro, porém, em uma das trocas de postos na madrugada, o silêncio e a calma são interrompidos pelas vozes de duas pessoas, aparentemente embriagadas.

" De onde vem essa gritaria?" pergunta um dos guardas aos colegas, procurando a fonte do distúrbio noturno. "Vem do pátio interno dos Anderson... provavelmente são convidados animados pelos comes e bebes da festa... e ..." ia respondendo outro guarda que é interrompido abruptamente por outro grito

" Olá, Karooooooovsky!ohhhhhh Daaaavid Karovskyyyyy!" gritava Hunter totalmente despreocupado com possíveis ouvintes que não seu amigo. "Ei Karovsky! Estou chamando, homem!"

Ao lado de Hunter, Karovsky ria sem parar, do amigo bêbado, que parecia não se lembrar de onde e com quem estava. " Aqui, homem! Junto do teu cotovelo." Respondeu ao embriagado, que tropeçava em seus próprios pés pela enésima vez.

Com a voz arrastada pelo álcool, Hunter se explica "Por Deus, estava mesmo sentindo, de fato, cócegas no cotovelo, mas pensei que fosse a falta de banho depois desses dias todos", resposta que recebeu uma gargalhada de Karovski.

Do outro lado do muro, o grupo de guardas fica atento á conversa, e o líder comanda aos demais " Silêncio! Fiquem quietos!."

Assim que os guardas ficam em silêncio, pode-se ouvir Karovisky perguntar ao amigo o motivo de tal animação "Vai Hunter. Pare de enrolação e me conte a história toda!" pedia Karovsky, incentivando Hunter em sua embriagues.

Hunter, apoiando-se no amigo pra tentar manter-se em pé apropriadamente, começa a falar, num tom conspiratório "Então... chega-te mais perto, pretendo revelar-te tudo nos mínimos detalhes"... e depois de um soluço de embriaguez, ele continua " tudo ... tudo que eu e o príncipe tramamos" SHHHHHH...

Ao ouvirem tal afirmação, os olhos dos guardas arregalaram comicamente, e o líder afirmou num sussurro, mas firme "Alguma traição está se desenrolando, senhores. Fiquemos quietos e atentos, pois me parece que teremos muito trabalho pela frente."

Do outro lado do muro, a história se desenrola entre os dois amigos. Hunter continua sua história, arrastando o discurso por culpa do álcool ingerido, mas deixando bem claro sua satisfação na trama; " Pois fique você sabendo que eu recebi uma boa gratificação, não só em dinheiro, mas em amizade, de Dom Sebastian."

" Será possível que um vilão custe tenha tanto valor assim, meu caro?" perguntou Karovsky, com um olhar surpreso, já imaginando para onde iria essa história. Pergunta, que Hunter prontamente respondeu com uma risada " Deverias perguntar se é possível que um vilão seja tão rico, porque quando os vilões ricos têm necessidade dos pobres, a gente impõe o preço que bem entende." Fazendo seu ponto de vista claro, com uma piscada maliciosa.

Hunter continua sua história, mal disfarçando sua satisfação "Mas como eu ia dizendo... humm..." com a mão no queiro, o homem tenta colocar seus pensamentos em ordem para melhor contar a história "bem, Fique você sabendo, que esta noite eu fiz a corte ao jovem Wes, tutor e amigo do jovem Blaine, fingindo confundir-me ao chama-lo de Blaine algumas vezes. Debruçado na janela do quarto de seu senhor e amigo, ela se deixou levar pela paixão mil vezes numa boa-noite..." com um tapa na própria cabeça, Hunter tenta organizar sua oratória "Oh! Sou um péssimo narrador! Deveria ter contado primeiro como o príncipe Don David, o jovem Kurt e meu mestre Sebastian, muito bem manipulados, colocados e dominados pelo meu mestre Dom Sebastian, viram de longe, do jardim, esse encontro carinhoso." Finalizando com uma gargalhada.

Karovsky, entendendo as implicações do que lhe foi narrado, procura confirmação "... E ficaram certos de que o jovem Wes fosse Blaine?" o que, prontamente Hunter confirmou com a continuação do discurso "O príncipe e Kurt, com certeza acreditaram ser Blaine naquele momento, mas o demônio do meu mestre já sabia perfeitamente que se tratava de Wes..." Hunter se endireita, e olha diretamente nos olhos de Karovsky e continua, "Em parte, por causa dos juramentos apaixonados do jovem rapaz na janela, deixando, tanto o príncipe quanto Kurt, transtornados por presenciarem tal ato, em parte, pela escuridão da noite, que contribuiu para iludi-los...",com um ar de orgulho, Hunter dá uma cutucada no peito de Karovsky para fortalecer seu ponto de vista no seu discurso a seguir "...Mas principalmente, por minha vilania, que serviu para reforçar as calúnias de Dom Sebastian. O certo é que o jovem Kurt se retirou totalmente transtornado, jurando encontrar-se com seu noivo na igreja, conforme estava determinado, para ali, diante dos convidados, cobri-lo de vergonha com o relato do que ele havia presenciado nesta noite e mandá-lo de volta para a casa dos Andersons, sob enorme vexame e desonra.

Os guardas do outro lado do muro, ouviam toda a história horrorizados com tal vilania, e assim que Hunter finalizou a história, o líder da guarda deu sinal e todos prontamente entraram no pátio e deram voz de prisão aos dois conspiradores " Nós vos detemos em nome do príncipe Don David." Falou firmemente o líder da guarda, e dirigindo-se ao segundo guarda "Ide chamar a chefe Santana. Acabamos de descobrir duas peças cruéis e disfarçadas em nossas terras. Precisamos levar ao conhecimento da família Anderson".

Hunter, vendo que sua vontade de se vangloriar ao amigo Karovsky, havia os colocado em posição delicada com a guarda, tenta ponderar com o líder da guarda "Senhores... senhores... sejamos razoáveis... "mas é cortado abrupta e seriamente pelo líder da guarda, ao mesmo tempo que Karovsky sussurra ao amigo "Quieto Hunter, estamos à mercê da justiça agora, cala-te que é melhor!"

Num tom autoritário, o líder da guarda se direciona aos dois, agora seguros pelos demais guardas "Basta de conversa! Fiquem sabendo que nós os levaremos conosco ao encontro dos comandantes Santana e Britany"

Karovisky, percebendo que ele e o amigo não possuíam nenhuma chance de escapar das consequências da mal sucedida conversa, abaixa a cabeça e diz "Pelo jeito, sob o amparo das varas destes senhores, vamos ser alvos da justiça, é o que vos digo. Vamos; estamos às suas ordens." E assim, Karovsky e Hunter são escoltados em direção ao quartel e a presença das Comandantes.