# quais os remédios para tais dores paternas
No dia seguinte da fatídica não-cerimônia, estavam em frente á casa dos Anderson, sr Leonard e seu irmão Antony ainda muito nervosos, conversando sobre os acontecimentos do dia anterior.
"Se continuares desse modo, meu irmão, acabará se matando de tanto nervoso. Sensato não
É, se deixar levar pelo nervoso e tristeza." Dizia Antony Anderson, preocupado com o irmão que andava de um lado para o outro agoniado.
Sem parar de andar, Leonard Anderson, olha diretamente ao irmão e com um abanar de cabeça e a voz nervosa, responde "Basta de conselhos, por favor! No momento eles simplesmente passam imperceptíveis á minha mente e ao meu coração. Não me dês mais conselhos, no momento só necessito de um ombro amigo, meu irmão!" e com um suspiro derrotado e abaixando os olhos para as próprias mãos, sr. Leonard continuou seu desabafo:
"Mostra-me um pai que o filho idolatrasse como eu idolatro o meu, que, como eu, tivesse desfeita a grã-ventura de possuí-lo, e manda que me fale de paciência. Em largura e extensão mede a tristeza dele e a minha, deixando que as desgraças de ambos se correspondam de tal forma que a minha e a dele acabem confundidas no aspecto e forma e em todas as minúcias... Se ele sorrir e disser "Olá!" em vez de lastimar-se, mandar que a dor prossiga seu caminho, remendar o infortúnio com provérbios: traze-me esse homem, para que a paciência me venha ele a ensinar." Leonard levanta a cabeça, e olhando firmemente nos olhos do irmão, continua seu discurso " Mas desse jeito não existe ninguém. Não, meu irmão...Os homens só ministram conselhos, só procuram consolar, quando as dores são dos outros. Mas se acaso a senti-las eles vêm, em paixão se transformam seus conselhos que, pouco antes, à cólera indicavam medicina eficaz e se propunham amarrar a loucura irresistível com um tênue fio, com palavras ocas, acalmar a agonia e a dor com o vento. Não, não! Sempre foi hábito dos homens falar de paciência aos que estão sob o fardo das dores."
Antony Anderson, segurou o irmão pelos ombros e já ia falar algo para tentar acalmá-lo, quando foi rispidamente interrompido por Leonard "Por favor! Deixa-me em paz! Eu sou de carne e osso. Nunca existiu filósofo que chegue a suportar nenhuma dor de dente, ainda que tenha escrito obras divinas." E com um movimento repentino, retirou as mãos do irmão de seus ombros.
Aceitando que o irmão não iria se acalmar tão cedo, Antony Anderson tentou aconselhar mais uma vez, com calma em sua voz "Não carregueis, ao menos, todo o fardo; que os vossos ofensores também sofram."
Leonard, ponderando as palavras do irmão, respira fundo "Tens razão nesse ponto, meu irmão!... É aconselhável fazer como o sugeres. Meu coração de pai, diz-me que Blaine foi caluniado, e isso há de o jovem Kurt vir a saber." E com uma nova convicção em sua voz, continua " ... E o príncipe e todas as pessoas que para o desonrar se juntaram".
Percebendo a chegada do príncipe Don David e do jovem Kurt, Antony tocou o braço do irmão e falou num tom mais baixo alertando da presença dos dois. Eis que vêm chegando, apressados, Cláudio e o príncipe."
Ignorando a situação desconfortável, don David se aproxima dos irmãos Anderson e os cumprimenta, como o faria em qualquer outro dia normal "Bom dia senhores!" e é acompanhado pelo cumprimento cordial do jovem amigo Kurt "Senhores!" que juntamente com o bom dia, fez uma respeitosa cortesia aos senhores. " Bom dia para todos".
Tentando manter-se o mais calmo possível, sr. Leonard diz aos dois recém chegados " Escutai-me, senhores." Mas é interrompido por don David que, secamente se diz apressado e ocupado. "Perdoe-me, sr. Leonard, mas estamos com muita pressa".
Indignado com tal atitude do príncipe, o pai agoniado, responde prontamente "Agora é assim, milorde? Pressa? Bom dia e passai bem?" E com um abanar negativo da cabeça e as mãos acenando nervosamente, Leonard continua " ...Agora tens tanta pressa que nem tens um minuto para gastar com um velho?"
Não querendo entrar em mais uma discussão, dom David responde o mais calmo possível "Não seja isso motivo, meu bom velho, de nos quererdes mal."
Sentindo o desconforto do príncipe e o nervoso do próprio irmão, Antony Anderson diz "Se meu irmão pudesse obter satisfações de seus ofensores, as coisas poderiam tomar um rumo mais satisfatório."
Visivelmente preocupado com os dois irmãos, o jovem Kurt pergunta, sério " Quem o ofendeu?", sendo surpreendido com a dura e direta resposta de sr. Leonard "Quem me ofendeu? Tu, impostor! Tu mesmo." E avançando em direção ao jovem que se viu congelado no lugar que estava, Leonard continuou duramente " Não, não saques da espada; não me assustas."
Kurt, tomado pela ação do senhor Leonard, surpreso levanta as mãos em sinal de rendição e diz "Maldita seja minha mão, se acaso viesse a assustar tão nobres senhores. De modo algum tive a intenção de assustá-lo ou ameaça-lo, meu senhor. Tenho respeitos aos mais velhos"
Não satisfeito com a reação do jovem, sr. Leonard continua a proferir seu discurso nervoso "Não zombes da minha idade, rapaz. Não falei como louco ou velho tonto que recorresse agora aos privilégios da velhice, tão-só para gabar-se de seus feitos de moço ou do que viera ainda a fazer, se velho já não fosse."... e apontando o dedo diretamente na cara de Kurt, Leonard continua seu discurso, com a voz grave e solene "Não! Por tua cabeça Kurt, fica sabendo que a tal ponto me ofendeste e ao meu pobre filho, que eu de lado ponho todo o respeito e a reverência, para, apesar da minha idade e do pesado fardo da dor, desafio você como homem..." e olhando fria e diretamente nos olhos de Kurt, sr Leonard continua " Digo, pois, que caluniaste meu filho inocente. Tua difamação destruiu o puro e ingênuo coração de meu filho." E virando-se de costas para o rapaz, jogando os braços ao ar diz com voz grave "Ora ... agora ele está com seus antepassados,... ah! num sepulcro onde jamais dormira calúnia alguma a não ser esta. ... Infame! que a tua vilania inventou".
Surpreso com o rompante do senhor, Kurt engole seco e pergunta confuso " A minha vilania?", o que é respondida, por senhor Leonard, com raiva nas palavras " A tua, Kurt! Foi exatamente o que eu disse: a tua."
Sentindo o nervoso dos irmãos Anderson, e o desconforto de seu jovem amigo Kurt, Dom David intervem " Meu bom velho, não estás a falar a sério.", e antes que conseguisse falar qualquer outra coisa, o príncipe é interrompido por don Leonard.
"Sim, milorde. No corpo dele hei de deixar a prova, se ele tiver coragem, não me incomodo com o seu saber na esgrima, os exercícios diários, a sua juventude e todo o seu vigor e florescência... Hei de vingar a honra de meu filho!"
Cada vez mais surpreso com a situação, Kurt levanta as mãos, como em rendição, " Para trás! Nada tenho a ver convosco. Jamais entraria em duelo com o senhor!"
É então que, sentindo-se derrotado, senhor Leonard se deixa apoiar no próprio irmão, e com a voz ainda mais solene afirma ao jovem rapaz "É assim que será então?" e com a voz embargada pela emoção, sr. Leonard continua " Tu mataste meu filho! Mataste meu único e amado filho"
Kurt dá um passo para atrás tomado pela força do sentimento que tais palavras causaram. Olhos arregalados e a respiração presa num engasgo, mas que não fez com que o velho senhor parasse de falar "Se acaso me matares, menino, ao menos matarás um homem." Terminou Leonard, quase sem forças sendo amparado pelo irmão, Antony Anderson, que completou "Vai matar dois, dois homens. Pouco importa. Mate a mim primeiro."
Antony, tentando acalmar o próprio irmão, abraçou Leonard, e olhando diretamente nos olhos de Kurt, cuspiu com veneno nas palavras "Ajuste contas comigo, falso nobre. Pela honra dos Andersons. Vamos jovem rapaz, mostre-me sua valentia."
Tentando tomar a frente da discussão mais uma vez, Leonard chama pelo irmão, mas é interrompido por Antony mais uma vez "Mano! Acredite! Só Deus sabe quanto amor eu dedicava a vosso filho, meu lindo sobrinho. Agora está sem vida, caluniado. Levado à morte por uns biltres que não têm coragem de enfrentar um homem, mas são cheios de coragem para proferir mentiras contra um jovem inocente"
" Mano Antônio..." falou mais uma vez Leonard, mal levantando a voz e os olhos ao jovem Kurt e ao príncipe que ouviam tudo com surpresa em suas faces.
Com a mão sobre o peito do irmão, Antony olha diretamente para Kurt, mas fala para o irmão "Não te metas mais nisso, meu irmão...Sozinho eu darei conta deles todos, pela vida de meu sobrinho amado!"
Decidido a colocar fim na situação que se desenrolava a sua frente, Don David colocou a mão no ombro de Kurt como um sinal de apoio ao rapaz, e, dirigindo-se aos dois irmãos falou sem demonstrar nenhuma hesitação em sua voz "Não queremos, senhores, despertar-vos o descontentamento. É-nos penoso saber que vosso filho já não vive. Mas, por minha honra, tudo quanto dele foi dito está provado: é verdadeiro."
Não aceitando o que o príncipe falava, sr. Leonard tenta questionar "Mas milorde...", e é abruptamente interrompido pelo príncipe " Não quero ouvir-vos."
Indignado por ter sido interrompido, sr. Leonard respira fundo, tomado de certa revolta pela ação de Don David, e com uma dureza na voz, ele dispara "Não quer ouvir? Vamos meu irmão! Vamos embora. Hão de me ouvir, de um jeito ou de outro!". E virando as costas para os dois jovens, Leonard sai seguido pelo irmão que diz, como forma de despedida "Vamos, meu irmão. Você será ouvido, Leonard, ou algum de nós irá sofrer por isso"!"
Enquanto os dois irmãos se afastavam em direção à casa, Don David e Kurt, os acompanham com o olhar, totalmente calados e surpresos com a reação dos dois senhores. Os dois jovens estavam tão distraídos com seus pensamentos, que mal perceberam Jeff se aproximando.
