- Podemos falar?

- Claro filho. – responde Lily surpreendida.

- Eu tenho fé em ti. – sussurra Donna antes de Harvey se afastar.

- Então filho porquê que querias falar comigo? – pergunta Lily quando chegam à mesa onde Harvey estava anteriormente.

- Porque alguém me convenceu a fazê-lo…

- Donna…

- Sim. Ela acha… eu acho que está na hora de resolver todos os nossos problemas.

- Esperei tantos anos para que me dissesses isso…

- Eu quero um futuro com ela, uma família com ela, mas ela tem razão não vou conseguir isso se não resolver os problemas com a minha.

- Eu sinto muito Harvey o que eu sempre quis foi que tu fosses feliz…

- Então porquê? Porquê que fizeste? – pergunta com lágrimas nos olhos

- Eu não queria que passasses o que passaste. Não devia ter-te pedido para manteres segredo, eu não devia…

- Tu não devias ter feito muitas coisas a começar por trair o pai e pedir que escondesse!

- Calma Harvey por favor. Eu não devia ter feito nada do que fiz e se pudesse voltar atrás fazia diferente.

- Eu posso tentar, mas eu acho que nunca vou esquecer o que fizeste…

- E se eu pedisse para seguires em frente em vez de esqueceres. Começamos tudo de novo eu aprendo tudo sobre ti e tu aprendes tudo sobre mim…

- Eu não sei se consigo…

- Eu sei que consegues porque estás aqui a falar comigo… eu quero que sejas feliz e pela forma como tu olhas para ela e como tu a tratas eu sei que é com ela que vais ser feliz. E ela vai fazer-te feliz porque olha para ti da mesma maneira. Não a deixes fugir…

- Eu não vou.

- Eu amo-te filho sempre te amei e sempre te irei amar…

- Eu também te amo mãe… desculpa por tudo.

- Sou eu que tenho de pedir desculpa, mas agora eu queria conhecer melhor a minha futura nora. Podes ir lá chamá-la e conversamos os três?

Harvey não precisa de se levantar para comunicar com Donna. Com uma simples troca de olhares ela percebe o que ele quer e começa a aproximar-se deles deixando Lily um pouco surpreendida com a capacidade de o casal comunicar assim.

- O quê que precisas? – pergunta suavemente quando chega perto de Harvey.

- A tua companhia… - diz suavemente e bate no banco algumas vezes como gesto para ela se sentar à frente dele.

Ela obedece e senta-se à frente dele com as costas quase encostadas no peito dele. Harvey aproveita a proximidade e puxa-a para mais perto de si. Donna tenta afastar-se, mas ele não deixa e ela acaba por desistir.

- Eu chamei-te porque quero apresentar-te devidamente à minha mãe… Donna esta é Lily a minha mãe. Mãe esta é a Donna a minha namorada.

- É um prazer finalmente conhecê-la. – diz Donna em jeito de brincadeira.

- O prazer é todo meu! Mas agora o que eu quero é conhecer-te melhor e como é que conquistaste o coração aí do meu filho.

- Isso não foi difícil! O difícil foi ele conquistar-me!

- Isso foi fácil tu é que disfarçavas. – afirma Harvey e dá-lhe um beijo carinhoso no pescoço.

- O que te faça dormir de noite! – brinca Donna e depois continua – Mas agora eu quero saber todas as histórias embaraçosas do pequeno Harvey!

- Não! – exclama e dá uma leve mordida no ombro da namorada.

- Oh tu pensavas que eu não me ia vingar da tua brincadeira com a minha mãe?

- Só depois de tu teres falado com o meu pai!

- Bem parece que agora vais ser tu a falar com o meu!

- Argh…

- Tu e o pai da Donna não se dão bem? – pergunta Lily depois da reação do filho.

- Não é bem isso. Sabe o primeiro encontro do seu filho com o meu pai foi em versão advogado, ou seja, o Harvey arrogante, convencido e que pensa que é o mais inteligente da sala, mas eles já falaram e resolveram os problemas.

- E o Harvey advogado é completamente diferente do Harvey em casa? – pergunta curiosa aproveitando o momento para conhecer o filho melhor.

- Ah não continua a ser o mesmo arrogante, convencido e que pensa que é o mais inteligente da sala.

- Isso não é verdade! – responde ofendido e quando Donna lhe levanta uma sobrancelha ele corrige – não inteiramente verdade!

- Tem os seus momentos. Como pode ver quando quer também é amoroso e definitivamente um cuddler. – declara divertida enquanto Harvey continua a beijar carinhosamente o pescoço e ombros dela e passa lentamente as suas mãos pela barriga dela por baixo da blusa. – Mas agora eu quero uma história dele em pequeno!

- Com todo o prazer! O Gordon contou quando ele quis ser independente?

- Não…

- Bom parece que estás prestes a descobrir. Quando ele tinha 8 ou 9 anos durante um almoço insistiu que queria comer gelado, mas nem eu nem o pai autorizamos então ele disse que não iria viver mais connosco e iria ser independente. Pegou em algumas das suas coisas e numa tenda e foi viver para o jardim. Depois de algumas horas lá conseguiu montar a tenda sozinho.

- Sempre teimoso! – interrompe Donna.

- Desde pequeno, mas esqueceu-se de um pormenor ele precisava de comer na mesma. Então na hora de jantar ele voltou para dentro como eu e o Gordon esperávamos, mas o que nos surpreendeu foi que ele não pediu para jantar, mas sim para lhe ensinarmos a cozinhar pois precisava de comer.

- Orgulhoso demais para desistir facilmente…

- Então eu fui com ele para a cozinha e ajudei-o a fazer um pouco de massa. Quando estava pronta pegou no seu prato e foi para a sua nova casa comer. Passou lá a noite, mas na manhã seguinte deu-se por vencido e voltou para casa. No entanto, pediu para que lhe ensinássemos a cozinhar…

- Então foi a tua mãe que te ensinou a cozinhar! – exclama Donna.

- Ele ainda cozinha? – pergunta Lily surpreendida.

- E muito bem. Porquê que acha que eu o mantenho perto de mim? – pergunta divertida.

- Pelo ótimo sexo! – sussurra Harvey no ouvido dela e ela dá-lhe uma cotovelada – Autch!

- És um idiota!

- O jogo do mano está quase a começar! Vamos rápido – exclama Haley quando chega perto deles e puxa pelo braço da avó.

-Autch! Para quê que foi isso? – pergunta Harvey depois de Donna lhe ter batido no ombro algumas vezes quando Haley e Lily se afastaram.

- Por te aproveitares do facto da tua mãe estar aqui para me beijares e me tocares…

- Tu estavas a gostar tanto quanto eu!

- És um idiota convencido! – exclama e afasta-se dele.

- Que está completamente apaixonado por ti e a morrer de saudades. – declara e aproxima-se novamente dela.

- Harvey não!

- Vá lá. Só um beijo…

- Não! Eu continuo zangada contigo e nós precisamos de falar antes.

- Tu queres tanto quanto eu. Eu amo-te e não vou desistir de ti – diz muito suavemente e aproxima a sua boca da dela, mas deixando-a decidir se quer beijá-lo ou não.

Depois de alguns momentos sem que nenhum dos dois se mova a sobrinha de Harvey volta a chamá-los pois o jogo está prestes a começar. Harvey suspira e afasta-se um pouco para beijar a testa de Donna.

- Quando chegarmos a casa precisamos de falar – diz Donna muito suavemente.

- Falamos tudo o que temos a falar e resolvemos os nossos problemas porque eu não consigo estar ao teu lado sem falar contigo, sem te tocar, sem te beijar… - admite Harvey e beija-a com paixão.

- TIO HARVEY! TIA DONNA! VAMOS! – grita Haley novamente interrompendo o momento do casal

- Vamos antes que ele nos mate! – brinca Donna.