Sr. & Sra. Malfoy
Capítulo DOIS
Conversas e Convites
"E então? O que o David queria comigo?- Blaise apareceu ao pé da porta da sala de Gina. James estava sentado numa cadeira à frente da mesa dela."
James olhou para Blaise, mas Gina fez que não percebeu a presença dele, e continuou analisando os relatórios da pasta azul que David lhe dera. Não é que não gostasse de Blaise Zabini. Ele era bonito com aqueles cabelos castanhos e olhos verdes, e era legal de vez em quando, mas gostava de implicar com ele, gostava de elevar seu ego quando embatia com ele.
"Nós vamos matar Harry Potter e Draco Malfoy.- James informou, ao que Blaise gargalhou."
"Matar o herói do mundo mágico e o melhor dos aurores que nunca existiu?- ele perguntou, ainda rindo- Nós não seremos presos por causa disso depois, seremos?"
"Aqui diz:- Gina começou."
"Aparentemente Draco Malfoy e Harry Potter vêm lutando há muitos anos pela posse de um objeto. Não se sabe o que é o objeto ou o que ele pode fazer, mas depois de investigações, descobriu-se que é algo que pode afetar a harmonia dos dois mundos."
"Ah, não brinca...!- Blaise pareceu indignado- Estamos atrás de um objeto que não sabemos o que faz, ou o que é, e apenas especula-se que ele fará mal? Por favor, o CIM não pensa que Harry Potter é santinho demais para essas coisas, não?"
"Ele não é tão santinho como se pensa.- Gina comentou- Esses relatórios dizem muito sobre ele, sobre como talvez ele não tenha exercido muito bem seu papel de Auror depois que destruiu Voldemort."
"Certo, que seja. Eu não acredito muito nisso, mas enfim. O que eu tenho que fazer?"
"Observar e anotar.- James falou- Seguir os passos de Draco enquanto Gina não puder. Eu seguirei os passos de Harry. Quando for para agir, Gina terá que fazer o trabalho."
"Não seria mais fácil ao contrário? Afinal, James, você foi o guarda pessoal dele durante anos."
"É, e você foi o melhor amigo dele, ou que nome seja dado, por anos. Então, estamos numa encruzilhada."
"Faremos como James falou.- Gina disse- Agora peguem isso e avisem ao David que eu estou indo embora. Tenho alguns galeões para ganhar nas próximas 12 horas.- Gina entregou duas cópias da pasta azul para eles e saiu da sala e do CIM."
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Um dos dois estava escondendo algo. Gina não podia imaginar o que poderia ser, e alguns minutos atrás, nem era capaz de imaginar que Harry Potter, o santo-Potter, o herói-Potter, pudesse ameaçar, de alguma forma, a sociedade. Nem mesmo Draco Malfoy, nem quanto a ele Gina podia imaginar alguma coisa, não quando sabia que ele era o melhor Auror que nunca existiu.
Mesmo assim, conhecia Harry desde que tinha 11 anos de idade. Convivera com ele. E sabia que ele sempre fora bom, com boas índoles e bons princípios. Está certo que ele a largara durante o sexto ano para partir numa missão suicida, mas aquilo não eram, efetivamente, provas de que ele era uma má pessoa. E, além do mais, ao que todos sabiam, Harry Potter salvara o mundo de uma Era de Trevas. E isso contava muito para que ele nunca fosse suspeito de algum ato ilícito, não contava? Bem, provavelmente para o CIM, ser o salvador do mundo não significava muita coisa.
E, do outro lado, tinha Draco Malfoy. Inicialmente ele seria um suspeito de peso quanto a praticar atos ilegais. Afinal, fora ele que, aos dezesseis anos, tornou-se responsável por uma das maiores invasões de comensais a Hogwarts e, indiretamente, pela morte de Dumbledore. Está certo que ele sumira durante a guerra. Ninguém sabia onde ele estava e muito menos o que fazia. Havia especulações de que ele estaria morto ou trabalhava arduamente a serviço de Voldemort. Nenhuma dessas suposições, entretanto, foi confirmada. Cerca de dois anos depois da queda de seu suposto lorde ele voltou, e continuou trabalhando em serviços que poucos, ou ninguém, sabiam. Gina demorou seis anos para descobrir o que era.
O fato é que não fazia muito sentido, para nenhum dos dois, eles estarem metidos em algo tão grande que mexesse com um mandato de execução do CIM. Até onde se sabia, se o CIM mandava que executassem alguém, este alguém seria executado de um modo ou de outro, mais cedo ou mais tarde. À exceção para os que provassem sua inocência. Mas o CIM não costumava errar, e até onde se constava, em toda a sua história centenária, o Centro de Inteligência da Magia só errara uma única vez.
"Está aqui há muito tempo?- ela foi desviada de seus pensamentos e olhou para o lado."
"Estava te esperando, James.- ela sorriu- Você demorou."
"Foi meio difícil despistar o Blaise. E depois chegou um notificado sobre o nascimento do filho da Forrest, Joseph, ou Joey, como ela o chamou. Mandou convites para que fôssemos visitá-lo em dois dias, na casa dela. Você pretende ir?"
"Claro. Em dois dias eu acho que não tenho nada.- James remexeu no bolso de seu terno e retirou de lá um belo convite, negro com uma fita prateada e um belo brasão Malfoy em alto relevo.
"Na verdade você tem."
"O que é isso?"
Havia o nome completo dela num dos lados do convite. Ela abriu-o com cuidado, temendo que ele fosse frágil e belo demais. Dentro havia um cartão semi transparente, com dizeres escritos em letras negras e bem torneadas.
"Exma. Sra. Malfoy- ela parou e olhou de soslaio para James- Desde quando eu sou excelentíssima?"
"Prossiga, apenas prossiga."
"Exma. Sra. Malfoy, aguardamos sua presença no Gran Baile de Verão do ano corrente, ao quinto dia do mês de agosto às oito horas da noite, no litoral da Inglaterra, no Liberty Iate.- ela olhou mais uma vez para James- Isso só pode ser brincadeira. Por que o Draco me convidaria para o baile anual depois do modo como nos separamos? Digo, depois de tantas mentiras ele deve me odiar."
"É porque ele não te convidou."
"Não?"
"Não. Eu te convidei. Ou eu forjei um convite para você."
"Está me dizendo que este é um convite falso, para uma das maiores festas anuais que ocorre na Inglaterra?"
"Exato."
"E como você espera que eu entre na festa com um convite forjado?"
"Do mesmo modo como você entrou em tantas outras com convites igualmente forjados. Eu posso falsificar qualquer coisa, Gina, desde convites, até documentos pessoais, e até mesmo pedidos de execução do CIM, e nunca ninguém vai saber se é falso ou não."
"Isso não quer dizer que você já falsificou uma execução, não é?"
"Isso foi hipotético. Ou talvez nem tanto. Para algumas execuções extra CIM eu tive que forjar um documento oficial, ou poderiam desconfiar de algo. Mas documentos pessoais, com certeza. Inclusive os que você usa sempre. Mas o assunto não é esse. Você já tem o convite. Arranje um vestido e comece com a sua investigação. Depois decidiremos o resto. Nessa mesma noite Blaise e eu estaremos na cola de Harry."
"Ótimo. E agora, o que fazemos?"
"Eu imaginei que você já soubesse..."
"Ah...aquilo..."
"Se 'aquilo' você chama matar alguém, é, é aquilo que temos que fazer.- James olhou esquisito para Gina, esperando alguma reação da parte dela. No entanto, a que ela teve foi a menos esperada."
"Eu não quero ir."
"Como assim, 'não quer ir'? Não quer ir agora ou não quer ir nunca.- ela riu."
"Não quero ir agora, e talvez nunca. Não estou afim de matar ninguém, sabe?"
"Mas você está afim de se matar, não está? Quero dizer, não antes de você me dizer o que fez com Virgínia Malfoy, a assassina implacável do CIM, a melhor de todas entre todos...a única, muito conhecida dentro do CIM como Violin... você pode me dizer isto antes de se matar.- ela riu mais ainda."
"Não é nada disso, James. É só que hoje eu não estou afim de fazer nada. Por mim eu vou até a minha casa e fico por lá o dia todo, fazendo nada com a minha família."
"E quanto à história de 'tenho que ganhar alguns galeões nas próximas 12 horas'? Eu achei que fossem os galeões da execução que eu te falei..."
"E eram, mas agora eu não estou tão empolgada assim. Além do mais, você pode fazer isso, certo? E não teremos que dividir..."
"Quando foi a última vez que dividimos o pagamento, Gina? Nem eu me lembro mais. Houve um dia que você olhou pra mim e falou que a diversão no seu trabalho não estava em receber o pagamento, e sim em executar o cretino safado, e então você ou sempre me dá tudo ou doa para alguma entidade...- ela pensou um pouco."
"É verdade, James, mas...me desculpe por agora, ok? Eu não quero fazer isso agora...- ela deu de ombros e desaparatou."
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"Harry Potter foi considerado o melhor homem do ano, alguns meses depois de derrota aquele-que-não-deve-ser-nomeado. Ganhou uma bolsa completa para estudar na Academia de Aurores, onde foi preparado durante anos para ser, talvez, o melhor Auror entre todos.
No entanto, o herói Potter guarda segredos que nunca ninguém foi capaz de descobrir. Depois de formar-se em Auror e atuar muito bem durante dois anos, suas expectativas caíram muito e ele passou a agir de uma forma diferente da esperada.
Suas missões passaram a importar pouco ou nada para ele, e acabaram ficando inacabadas. Houve casos em que ele atacou um outro Auror, ao invés de atacar quem realmente deveria ser atacado. Durante um ano ele desapareceu em uma jornada, ninguém sabe por onde, ninguém sabe por quê.
Há três anos ele foi indiciado por ser um dos maiores suspeitos no assassinato da Cho Chang Potter, sua até então mulher há um ano e meio. Entretanto, ele foi absolvido de todas as acusações diante da falta de provas que o pudessem incriminar. O caso ainda está em aberto. Ninguém foi preso.
Há cerca de um ano, diante de um testemunho anônimo, que se auto intitula como R.A.B., descobriu-se que Harry Potter estava atrás de um objeto 'que podia destruir dois mundos'. Não foi dito nada mais além disso.
Harry Potter passou, então, a ser um alvo em potencial do CIM, mantido sob investigações durante quase um ano."
Gina fechou a pasta. Nada daquilo fazia muito sentido, afinal. Ou talvez ela não tivesse entendido muito bem. A única coisa que ela entendera, e que tinha certeza, era que Harry não tinha matado a Chang. Virgínia Weasley tinha. Não Harry Potter. Mas aquela não era a questão.
A parte em que dizia que Harry atacara um Auror parecia loucura, digna de hospício. Mas a parte final, sobre um objeto qualquer era...
"Déja vu- ela falou- mas... R.A.B...eu conheço isso de algum lugar...- e por mais que ela forçasse sua memória para se lembrar de algo, era inútil."
Ela abriu mais uma vez a pasta.
"Draco Malfoy foi um dos grandes culpados pela invasão de Hogwarts por comensais há alguns anos, e foi indiretamente culpado pela morte de Dumbledore. Durante a guerra manteve-se desaparecido, por conveniência ou não, ninguém sabe ao certo.
Dois anos depois da morte de você-sabe-quem, Draco retornou à sociedade, mas seu atos ainda eram segredo.
O CIM colocou um agente especial para investigar Draco Malfoy de perto, afim de descobrir o que ele fazia, como e por que. Se era algo legal ou se era diretamente relacionado às Artes das Trevas e aos Comensais Esquecidos.
Não se sabe de muito a respeito dos atos de Draco, e apenas há alguns meses descobriu-se que ele é o melhor Auror do Ministério, e por isso ele é um Auror Secreto desde quando retornou à sociedade.
Há quase um ano, diante do mesmo testemunho que denunciou Harry Potter, R.A.B. falou 'e Draco Malfoy pode saber do que se trata o objeto e querê-lo também.'
O primeiro pedido de execução para Draco Malfoy foi anulado, diante de sua inocência a respeito do primeiro caso. Foi o único erro do CIM em toda a sua história.
Outro pedido de execução foi imediatamente posto em prática e, novamente, um agente especial está investigando não apenas Draco, mas também Harry.
A ordem é executá-los assim que descobrir o que é, o que faz, e onde está o objeto em questão."
Gina fechou a pasta, desta vez, com muito mais violência, e jogou-a contra a sua mala, ao lado da cama.
"A ordem é executá-los assim que descobrir o que é, o que faz, e onde está o objeto em questão.- ela repetiu a frase, sentindo-a martelar em sua cabeça."
Ela não entendia porque aquilo podia mexer tanto com ela. Bem, certa vez ela jurou que mataria sem hesitar qualquer um que pudesse ameaçar o bem estar da sociedade ou que pudesse fazer mal a alguém de algum modo, mas ela não podia imaginar que teria que matar Harry Potter e, depois de conhecer e amar Draco, não imaginou que depois de ter provado a inocência dele, teria que matá-lo também. E ela reprimia-se por sofrer mais por ter que matar Draco do que ter que matar Harry. Aquilo não poderia ser certo.
Ela abraçou-se aos joelhos e tentou não chorar, mas seu coração batia rápida demais e estava apertado, doía. Pela primeira vez ela achou que não fosse capaz de levar adiante uma execução do CIM. Pela primeira vez, em nove anos, ela teve medo.
A porta do seu quarto se abriu e ela não se importou em ver quem entrava. Era Harry, e ele sentou-se na cama dela e ficou observando a cabeça baixa e o rosto escondido entre os braços, e os cabelos caindo em uma cascata vermelha sobre o corpo.
"Você está chorando?- ele perguntou, num tom suave. Ela não respondeu nada- O que foi, Gina? O namorado te fez algo?"
"Eu não tenho namorado!- ela falou, e a voz dela foi abafada por causa da cabeça baixa."
"Então o marido?- aquilo fez com que ela levantasse a cabeça e olhasse curiosa para Harry, depois de limpar as poucas lágrimas em seu rosto."
"Que marido?- ela perguntou."
"Eu não sei, você tem um?"
"N-não, claro que não, Harry, que idéia estúpida. De onde você tirou isso?"
Ele apontou para o dedo esquerdo dela, onde havia um anel em ouro branco e uma pedra vermelha na forma de um M (ou um W, dependendo de como o anel era colocado). Ela olhou para o anel. Em seis meses de separação ainda não o tinha tirado do dedo. Em cinco anos que o ganhara nunca o tinha conseguido tirar do dedo.
"Parece um anel de casamento, ou noivado ou algo parecido.- ele comentou- Então eu achei..."
"Não é nada disso.- ela disse apressada- Eu o ganhei de um amigo, há muito tempo...não é nada..."
"Então é bom que você não tenha um namorado, um marido ou qualquer coisa do tipo. Você não tem qualquer coisa do tipo, não é?"
"Não, Harry, eu não tenho.- ela riu- Nem quero ter durante algum tempo."
"Nem um affair?- ela riu."
"Você já é um affair, Harry, você já é um, não se preocupe.- Harry apenas riu."
"Eu vou sair agora, ao Beco Diagonal, quer ir comigo?"
"Vai fazer o que lá?"
"Tenho uns assuntos a resolver no Gringotes. Quer ir?"
"Ah, não, obrigada. Deixa pra próxima.- então, Harry desaparatou."
Gina olhou mais uma vez para a pasta azul, sobre a sua mala. O que ele poderia estar escondendo? O que o grande Harry Potter queria com Draco Malfoy a ponto de ambos se tornarem pedidos de execução do CIM? Aquela era uma ótima hora para se saber!
Ela apanhou um par de luvas negras dentro da mala e calçou-as. Sem esperar muito, apenas constatou que a casa estava silenciosa e subiu dois andares, rumo ao quarto de Rony, onde Harry estava dormindo, e onde, provavelmente, estavam todas as coisas dele.
Entrou sorrateiramente no quarto e percebeu que aquilo não mudara nada, mesmo com o passar dos anos. Continuava uma bagunça, mesmo Rony não morando exatamente com os pais, já que tinha um apartamento alugado em algum lugar que ela não sabia onde, e ele apenas passava algumas temporada n'A Toca, quando a família estava toda reunida, como naquela ocasião.
Havia roupas sobre as duas camas e penduradas na cadeira e sobre uma mesinha, além de sapatos jogados e vários papéis. Gina olhou-os rapidamente, nenhum deles passava de guilhotinas e jogo da bruxa, não eram ameaçadores, de todo modo.
Olhou para um canto e viu o malão de Harry. Aproximou-se e viu que estava trancado, com um cadeado velho e um pouco gasto. Ela apanhou a varinha e apontou-a para o cadeado.
"Aloho...- ela não teve tempo de terminar, pois uma coruja negra entrou pela janela e pousou em seu ombro, deixando cair uma carta em seu colo."
"Potter e Malfoy na Travessa do Tranco."
N/Rbc: ok, mais um capítulo... um breve trecho H/G...sutil, que não deve ocorrer muitas vezes, mas enfim... respostas às reviews, no profile... tá, outra coisa... pra quel lê a fanfic traduzida TROCO, desculpa a demora de atualização, mas é que eu realmente estou com certa preguiça (eu admito) para traduzir as revies, então, quem quiser me ajudar (é, eu estou pedindo ajuda...rs), uma alma caridosa que seja...é isso...
Bjinhos...
Rebeca Maria!
Trecho SSM - 3
"Aprendendo a bater, Potter?- Draco falou com um tom que fez Gina ter certeza que ele estava sorrindo."
"Espere, Malfoy, e você vai ficar não só sem o objeto, mas também sem..."
Mais um som de soco, dessa vez mais forte que o anterior. Um dos dois caiu no chão, e era provável que tinha sido Harry.
"Você vai precisar fazer muito mais do que apenas 'saber bater' e saber persuadir para tirar algo de mim, Santo Potter. E pense muito bem antes de tentar tirar algo de mim. Você pode se arrepender muito.- e depois disso, ouviu-se um Puf, indicando que ou Harry ou Draco havia desaparatado."
