Sr. & Sra. Malfoy
Capítulo TRÊS
Lembranças
Olhou para um canto e viu o malão de Harry. Aproximou-se e viu que estava trancado, com um cadeado velho e um pouco gasto. Ela apanhou a varinha e apontou-a para o cadeado.
"Aloho...- ela não teve tempo de terminar, pois uma coruja negra entrou pela janela e pousou em seu ombro, deixando cair uma carta em seu colo."
"Potter e Malfoy na Travessa do Tranco."
Gina assimilou bem a frase, embora esta martelasse repetidamente na sua cabeça. Harry e Draco na Travessa do Tranco. E onde ficaram os negócios a resolver do Harry no Gringotes? Não ficaram. Ela olhou para os lados, vendo se estava tudo no lugar, se ela não tinha bagunçado ainda mais as coisas, e então viu algo que, provavelmente, poderia ajudar: orelhas extensíveis camufláveis.
Sem esperar muito ela desaparatou, assim que apanhou as orelhas extensíveis, na entrada da Travessa do Tranco. James e Blaise estavam esperando por ela.
"O que houve?"
"Aparentemente um encontro não casual entre Harry Potter e Draco Malfoy.- James informou."
"Eu acredito num encontro romântico entre os dois, está rolando até briga.- Blaise deu de ombros."
"Sim, claro, dois bruxos super conhecidos resolvem declarar-se élficos na Travessa do Tranco. Lugar nefasto para um encontro romântico, Blaise. Arranja outra."
Gina riu do comentário de Blaise, depois apanhou as orelhas extensíveis e deixou que elas rolassem pelo chão e se camuflassem no ambiente.
"Onde eles estão?"
"No beco ao lado da Borgin & Burkes."
"Vocês ouviram alguma coisa?"
"Eles chegaram em alguns minutos. Draco chegou primeiro e esperou durante uns cinco minutos, até Harry chegar."
"Carregavam alguma coisa?"
"Nada. Passou por nós sem nem olhar ou desconfiar."
"Você pretende falar, Malfoy?- Gina ouviu a voz enfurecida de Harry."
"Eu já falei, Potter, não imagino onde esteja o objeto, e se soubesse, seria óbvio que eu nunca te falaria. Além do mais, ainda não consegui imaginar em uma utilidade de algo tão perigoso nas suas mãos.- ela tremeu ao ouvir a voz de Draco, tão calma e fria."
"Não é da sua conta o que eu pretendo fazer com ele. Mas eu preciso dele, ok? E eu sei que você sabe onde ele está."
"Eu já dei o meu parecer, Potter. Aceite-o ou caia fora!"
Ouviu-se um baque, de algo batendo com violência contra uma parede. Pelo som, forte e sem oco, Gina teve quase certeza que era um corpo contra uma parede de pedras.
"Você não sabe com quem está mexendo, Potter.- Draco falou, com voz ainda mais fria."
"Nem você, Malfoy. Você não sabe com o quê e quem está mexendo. Você não sabe quão persuasivo eu posso ser, então, mais cedo ou mais tarde vai me falar onde está o que eu procuro, a não ser que queira outro soco."
"Aprendendo a bater, Potter?- Draco falou com um tom que fez Gina ter certeza que ele estava sorrindo."
"Espere, Malfoy, e você vai ficar não só sem o objeto, mas também sem..."
Mais um som de soco, dessa vez mais forte que o anterior. Um dos dois caiu no chão, e era provável que tinha sido Harry.
"Você vai precisar fazer muito mais do que apenas 'saber bater' e saber persuadir para tirar algo de mim, Santo Potter. E pense muito bem antes de tentar tirar algo de mim. Você pode se arrepender muito.- e depois disso, ouviu-se um Puf, indicando que ou Harry ou Draco havia desaparatado."
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Gina olhou para James e Blaise, ambos com caras sérias demais, principalmente para Blaise, que era um 'cara não-sério' por natureza.
"Você viu o Draco ou falou com ele antes de vir aqui, Zabini?- Gina perguntou."
"Eu o vi saindo de uma cabine telefônica."
"A do Ministério?"
"Não, muito longe dali. Ficava num parque, na saída de Londres."
"Harry estava comigo."
"Ele passou no Gringotes antes de seguir para a Travessa, mas eu não sei o que ele fazia no Banco."
"Ele me convidou para ir ao Banco, talvez não seja algo tão importante. Mas eu fico imaginando por que ele me convidou para vir até o Beco Diagonal, se ele ia se encontrar com o Draco."
"Você acha que ele desconfia de algo?- Blaise perguntou- Do tipo, Draco e você?"
"Ele me veio com uma história de marido hoje, mas eu imagino que ele não saiba de nada."
"Precisamos descobrir, então."
Gina deu com as mãos, antes de pegar uma pena e um pergaminho, por dentro do sobretudo, anotar algo e guardar tudo de volta no pergaminho.
"Vamos embora, não adiantará muita coisa ficarmos parados aqui, além do mais, já está ficando tarde. Blaise, procure o Draco novamente e reavive sua amizade com ele. James, aproxime-se de Harry, infiltre-se no grupo de Auror ou qualquer coisa parecida, se for necessário, aja a la James Butler para arrancar informações dele."
"Agora você está falando como Virgínia Malfoy.- Blaise brincou."
"Weasley, Zabini. Virgínia Weasley."
"Você será uma Malfoy enquanto mantiver o sobrenome, então não reclame!- ele deu um sorriso cínico e brincalhão para ela e desaparatou."
"Ele me tira do sério."
"Ele só está falando a verdade.- James disse, ao que recebeu um olhar assassino de Gina, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, desaparatou."
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Quando Harry chegou à Toca, Gina já estava lá há algum tempo. Ela colocara uma cadeira do lado de fora, nos jardins, debaixo de uma das árvores, e apanhara um livro. Ele aproximou-se dela e ficou em silêncio.
"Como foi no Gringotes, Harry? Resolveu tudo?- ela perguntou, sem desviar a atenção do livro."
"Quase tudo. Os duendes não quiseram ter trabalho comigo hoje e me ignoraram."
"Pessoas sempre precisam de mais do que um grande poder de persuasão para tirar algo dos duendes, não é?- ela perguntou, casualmente, e percebeu que uma sombra estranha cruzou o rosto de Harry e ele franziu a testa numa expressão desconfiada- Afinal, duendes sempre serão duendes. As criaturas mais desconfiadas do mundo. Desconfiam até do melhor dos propósitos, você deve saber disso.- ela completou, prudentemente."
"Eu sei.- ela riu com o canto dos lábios e virou uma página do livro, sem ter ao menos lido a primeira linha da página anterior- Não sabia que você usava óculos."
"Apenas para ler. Leio melhor com eles do que sem eles.- ele abanou a cabeça e suspirou, ao que ela olhou para ele- O que houve com seu rosto, Harry?"
O olho de Harry estava um pouco roxo, e a boca tinha um pequeno corte.
"Não foi nada. Quando eu estava saindo do banco, alguém abriu a porta e me acertou, foi um acidente.- ela fez um Ah! Como se tudo fizesse sentido e não insistiu no assunto- Eu vou entrar, você vem? Sua mãe já deve estar servindo o jantar, e creio que ela deve comunicar que Gui, Fleur e o filho deles devem estar chegando para a semana."
"É sério?- ela surpreendeu-se, não sabia disso."
"Suponho que sim. Fleur quis ter o filho na França, mas eles já devem estar voltando.- ela sorriu, imensamente."
"Eu não vou jantar hoje, Harry, estou sem fome. Vou direto para a cama.- informou, ainda sorrindo muito, e correu para dentro d'A Toca."
"(...)"
Gina chegou ao seu quarto e apanhou uma pena e um pergaminho.
"David
De fato tanto Harry quanto Draco parecem suspeitos, muito, aliás. Houve um encontro hoje, já no fim da tarde, e a conversa está sendo enviada em anexo, gravada nas orelhas da orelha extensível, com as devidas observações acrescentadas. No entanto, ainda não podemos tirar conclusão alguma. Draco pode ou não estar com o tal objeto, mas já é fato que Harry está disposto a tudo para tê-lo em suas mãos tão logo quanto possível.
Violin"
Couleuvre a esperava na janela, e ficou feliz ao receber um pacote e um pergaminho para serem entregues com urgência.
Após isso, Gina apenas tomou um banho rápido e deitou-se na cama. Cansada demais para olhar as estrelas e pensar em algo, ela adormeceu quase no mesmo instante em que sua cabeça acomodou-se no travesseiro.
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O homem aproximou-se silenciosamente da bela mulher ruiva, parando a alguns metros. Observou-a durante alguns segundos, admirando a delicadeza com que ela tratava as crianças ao seu redor, e o afinco com que olhava para elas. Era visível nos olhos castanhos muito vivos dela, que ela amava crianças.
"Sra. Malfoy?- ele tocou o ombro dela, ao que ela olhou-o e sorriu- Sra. Malfoy, o Sr. Malfoy mandou-me levá-la para casa."
"Ah, sim, James, eu já estou indo.- ela levantou-se, despediu-se de algumas crianças e prometeu que voltaria."
"A senhora gosta mesmo de crianças, não é? Se permite a observação...- James comentou, abrindo a porta da limusine preta parada perto da calçada."
James Butler era negro e bem alto e forte. Tinha um rosto simpático na maioria das vezes, mas a mulher já tivera a chance de vê-lo com raiva, e não era uma sensação muito boa, ainda mais depois de ele ter levado um tiro. E também havia uma fina e longa cicatriz do lado direito do rosto do homem, conseqüência do mesmo tiro. Mas a verdade era que, para a Sra. Malfoy, James era muito mais do que um motorista. Na maioria das vezes era acompanhante de compras e conversas, ou seja, era um amigo em quem podia confiar. E, dentro daquelas vestes negras e discretas, a mulher achava que ele mais parecia um segurança que um motorista, embora ele exercesse muito bem o papel de segurança pessoal.
"Sim, eu as amo. Particularmente é um sonho meu, encher a casa de crianças...mas por enquanto...bem...- ela deu de ombros, perguntando-se se James entendia o caso dela- Vamos embora, James, por favor."
"Sim, Sra. Malfoy."
O portão negro e imponente apareceu assim que eles entraram nas limitações da propriedade. Bem à frente do portão havia uma discreta placa de metal, onde podia-se ler:
"Mansão Rubro Malfoy I
Sr. & Sra. Malfoy"
Atrás dos muros altos da propriedade havia um belo jardim, especialmente cuidado pela própria Sra. Malfoy. Havia roseiras vermelhas, brancas, flores do campo e diversas outras belas flores que davam um aspecto agradável ao terreno.
A casa principal ficava bem ao meio e, do lado de fora, não parecia ser muito grande. Ela era toda em branco com janelas e portas de vidro, de modo que, quando as cortinas estavam abertas, era possível ver todo o interior da casa.
"Ainda vai sair hoje, Sra. Malfoy?- James perguntou. Virgínia olhou para o motorista e sorriu mais uma vez para ele."
"Tire o resto do dia de folga, James. Vá para casa ver sua mulher e seus filhos, eles precisam mais de você agora do que eu. Se eu for sair eu vou com o meu carro, não se preocupe.- o homem sorriu e acenou educadamente para a patroa."
"Obrigado, senhora, muito obrigado."
Ela entrou em casa e vislumbrou a bela sala de entrada. Era grande e com o espaço muito bem aproveitado. Tinha duas metades distintas. Uma, mais ao fundo, era a da lareira, com sofás negros ao redor dela, um tapete discreto, uma mesinha de centro e luz ambiente formal, discreta e muito casual. Passava uma atmosfera romântica, muitas vezes, ou mesmo bucólica em determinados momentos.
A segunda, onde ficava a enorme mesa de jantar, elegante de mogno bem modelado, com um enorme brasão Rubro Malfoy ao centro no vidro transparente, com elegantes cadeiras, também de mogno, e estofados quase da mesma cor da mesa. Uma discreta mesa de canto, com alguns porta retratos e um enorme quadro na parede de centro, que dividia a sala em duas metades. A luz, dessa vez, era mais clara e receptiva, de modo que agradava a todos que entravam na casa.
Virgínia olhou atentamente para o quadro na parede central, observando o belo homem loiro que estava ao seu lado na pintura e acenava-lhe constantemente, sorrindo para ela. O homem, a quem ela chamava sempre de Sr. Malfoy, ou casualmente de Draco, era, sem dúvidas, o homem mais elegante, charmoso e bonito que algum dia ela já conhecera. Além disso, era incrivelmente romântico, carinhoso e cauteloso com ela, o que ia totalmente contra qualquer impressão que um Malfoy podia passar a qualquer um.
Na foto Draco estava com os cabelos mais longos, quase na metade da orelha e com uma franja que dava-lhe um aspecto ainda mais charmoso do que o normal.
"Adoro quando você usa preto, Sra. Malfoy.- a voz soou atrás dela, ao que Virgínia virou-se e olhou para o belo homem loiro."
"E eu adoro quando você usa branco, Sr. Malfoy.- ela sorriu para ele- Mas não gosto quando você corta o seu cabelo tão curto desse jeito.- e foi a vez dele sorrir."
Draco olhou para a mulher ruiva, admirando os olhos tão vivos e rubros dela, a face tão delicada, o sorriso gentil, os cabelos longos e cacheados, o corpo bem delineado por baixo da roupa preta tipo terninho que ela usava, elegante e discreta.
Ela, por sua vez, admirou o olhar que Draco lhe lançava, tão intenso e carinhoso, os gestos involuntários do seu rosto, tentando não se contorcer em um sorriso mais evidente ou mesmo em uma expressão mais ousada, a mão dele segurando a sua, enquanto a outra passeava delicadamente pelo seu rosto, o charme da camisa de gola alta, a calça social e o sobretudo, todos em branco, extremamente charmoso e sexy.
"Eu precisei cortar, não estava agüentando meu cabelo... longo demais... desculpa..."
"Não se não me der um beijo."
Ele aproximou-se dela e beijou-lhe gentilmente os lábios, ao que ela não se contentou e aprofundou o beijo e o contato entre eles. Draco passou a mão pelas costas dela e pela cintura. Então, delicadamente, ela se afastou e sorriu para ele.
"Vou subir e tomar um banho, vem comigo?- ele sorriu e apanhou a mão dela."
"(...)"
"Hei, mocinha, o que pensa que está fazendo?- Draco perguntou, quando viu Gina começar a tirar sua roupa antes de entrar no chuveiro- Esqueceu da lei do banheiro, Sra. Virgínia Malfoy?- ele ligou a água da banheira, que encheu-se rapidamente e depois parou na frente da mulher- Você não pode tirar a sua roupa."
"Ah, não é? Então quem pode?- Draco sorriu e levou suas mãos aos botões da blusa de Gina."
"Só eu posso.- ela sorriu também e levou as mãos à camisa de gola dele, puxando-a para cima e retirando-a- pelo jeito não esqueceu da nossa regra.- ele jogou a camisa dela para longe no mesmo instante em que ela fazia o mesmo com a dele."
Draco puxou-a pela cintura, colando os corpos e beijando-a de uma forma voraz e possessiva. Ele livrou-a da calça e ajudou-a com a calça dele. Em seguida apanhou-a no colo e entrou com ela na banheira, colocando-a entre suas pernas, apoiada ao seu peito.
"Onde você estava?- ele perguntou, passando os dedos casualmente pelo corpo dela- Com o James?- ela assentiu.
"No mesmo lugar de sempre. Pedi que ele me levasse ao orfanato."
"Você gosta mesmo de crianças, não é?- ela sorriu. Já era a segunda vez que lhe faziam a mesma pergunta."
"Você sabe que sim...você sabe que é o meu sonho ter um filho, Draco.- ela parou um pouco e completou- um filho seu."
"Então por que não fazemos um?- ele perguntou."
"Como?"
"Oras, como, Sra. Malfoy, não é preciso que eu te explique como se faz um bebê. Quero dizer, se é preciso, basta um homem e uma mulher, atração física, momento fértil, muito sexo. Mas devo dizer que se houver amor pode ser muito melhor, digo,- Draco levou sua mão à coxa de Gina, apertando-a com certa força e continuou, sussurrando ao ouvido dela- desse modo o sexo se torna bem mais prazeroso."
Ele subiu as mãos, passando-a levemente pela virilha e sutilmente subindo-a mais, acariciando a barriga com a ponta dos dedos e depois a curva dos seios. Subiu até chegar ao rosto dela e poder vira-lo para si e apanhar a boca dela num beijo, intenso e apaixonado.
Ela virou o corpo para ele, de modo a ficar mais confortável e poder beijá-lo melhor.
"Mas, Draco, eu não posso...não agora...- ele sorriu, junto aos lábios dela."
"Shhh.- beijou-a novamente, apertando-a contra si- Nós não precisamos fazer um bebê agora, Sra. Malfoy, mas eu tenho a necessidade urgente de te amar neste momento..."
Ela sorriu com a graça dele, mas entendeu perfeitamente a colocação de Draco. Não hesitou e deixou-se levar por um momento tão maravilhoso. Um beijo tão quente e ousado que podia levá-la ao êxtase. O toque suave e instigante, que a excitava tanto quanto possível, enlouquecia-a.
Ele abraçou o corpo dela com força, unindo os corpos, e depois beijou-a novamente. Fitou os olhos afogueados da mulher e viu-a sorrir de uma forma bela. A seguir, ambos fecharam os olhos, na intenção de sentir ainda mais o momento...
E foi então que ela ouviu dois tiros seguidos e, depois, viu a água da banheira assumir um tom intenso de vermelho. Em seus braços, Draco tinha duas marcas de bala, uma próxima ao pescoço e outra no ombro, de onde saía muito sangue. Ele estava morto.
Ela virou a cabeça para ver quem atirara e se viu parada na porta do banheiro, apontando a Sig Sauer para Draco e sorrindo de uma forma quase maníaca.
"Executado!"
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Gina saltou da cama, sentindo o suor frio descendo pela sua testa. Seu coração batia acelerado e sua respiração estava descompassada. A imagem de Draco morto em seus braços era bem viva e parecia extremamente real. O sorriso maníaco dela no sonho era assustador, embora estranhamente feliz por mais um 'negócio' resolvido.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar e afastar para longe o pesadelo que tivera. Aquela era uma lembrança feliz, e não precisava de modo algum ser estragada por seu trabalho.
Apanhou o robe e desceu as escadas, rumo à cozinha. Não conseguiria dormir àquela noite, ela sabia, e tudo por causa do maldito pesadelo. Ela foi até um armário onde sabia que seu pai guardava licores, whiskys e outras bebidas fortes e apanhou a primeira garrafa que alcançou.
"Licor de chocolate e canela- ela leu- Álcool puro. Perfeito!"
A seguir apanhou uma taça no armário da cozinha e foi para os jardins. Lá, dirigiu-se para uma árvore, alguns metros afastada da porta de entrada d'A Toca, onde tinha um balanço, que seria muito velho, da idade de seu irmão Gui, se não fossem os rotineiros reparos de seu pai.
Sentou-se ali, com a taça de licor cheia, a garrafa encostada no tronco da árvore, tentando não pensar em nada. Apenas apreciou a brisa fria brincando com seus cabelos e levando suas recentes lembranças tristes para longe.
Àquela noite o céu estava lindo, cheio de estrelas e uma lua esplendorosa. Era gostoso ficar ali...agradável...
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A taça de licor foi tirada sutilmente de sua mão. Alguém sentou-se ao seu lado no balanço, mas ela não precisava se virar para saber que era Draco. O modo sutil e silencioso de agir e o cheiro agradável e peculiar de vassoura nova misturado a flores recém cortadas o denunciavam. Ela reconheceria aquele cheiro à distância, afinal, era o mesmo cheiro genuíno dela.
"É tarde- ela comentou, ainda olhando as estrelas, mas novamente pegando a taça e enchendo-a de licor- não deveria estar dormindo?"
"Vi quando você saiu do quarto- ela riu, tomando o conteúdo da taça de uma só vez- Acho melhor você ir com calma com esse negócio aí."
"Eu não me embebedo fácil, afinal.- ela falou e olhou para o céu, pondo-se a rir em seguida."
"É, mas depois de mais de meio litro você já está alta.- então ela riu mais."
"Um litro e meio.- ela corrigiu- A garrafa já acabou e se encheu de novo.- continuou, terminando com uma gostosa gargalhada."
Por algum motivo tudo se tornara intensamente engraçado. Era como se tudo fosse extremamente colorido e estivesse em constante movimento, e dava-lhe uma sensação de leveza e nenhum pensamento ficava em sua mente por mais de um segundo, de modo que não dava para realmente pensar em alguma coisa.
Era bom rir do céu e das estrelas, e também do vento que batia em seu rosto, e do balançar das folhas das árvores, da grama e da corrente que segurava o balanço. Era bom rir de suas mãos e do líquido marrom dentro da taça, que tinha um movimento formidável de vai e vem. Era bom rir do sorriso dos três Dracos ao seu lado, e do movimento estranho que seus cabelos faziam. Ela nunca tinha percebido como os cabelos de Draco eram rebeldes, mas aquilo definitivamente era engraçado.
"Vamos para dentro, Gina. Está frio aqui e você já está alta demais para o meu gosto. Vamos, eu vou te botar na cama."
"Não.- ela falou, fazendo biquinho e depois rindo- Eu vou ficar aqui, com o meu licor e as minhas estrelas. Não quero dormir. Não quero ter pesadelos.- dessa vez ela bebeu generosos goles da própria garrafa."
Ela viu o sorriso fino de Draco, visivelmente divertido pela situação. O olhar dele era estranho, e ela não se lembrava de alguma vez tê-lo visto tão diferente com aquele olhar e aqueles cabelos rebeldes. Era esquisito e engraçado.
Então ela deixou a garrafa cair no chão, e levantou-se, ficando muito próxima de Draco, tão próxima que era possível sentir o hálito quente e gostoso dele, de menta. Menta? Desde quando Draco tinha hálito de menta? Ela sorriu, gargalhou, jogando a cabeça para trás, sendo segurada por ele para que não caísse. Depois ela fitou os olhos dele, embora não soubesse para qual dos três olhar...
"Quero que façam amor comigo...- ela falou, rindo a seguir- ...os três...- e levantou três dedos no ar."
"Gina, você está bêbada, vamos para casa."
"Não.- ela repetiu- Eu posso estar alta, mas eu quero fazer amor agora..."
E, antes que ele pudesse reagir, ela apanhou os lábios dele num beijo audaz, selvagem, agressivo e ansiado. Ela não queria esperar, não mais. Ela queria fazer amor com ele e faria, ele querendo ou não. Mas por que ele não quereria? Aquilo era, definitivamente, engraçado.
Ele tentou resistir minimamente, nos primeiros dois segundos. Depois, beijou-a da mesma forma que ela o beijava. Ele deixou que as mãos dela passeassem livremente pelo seu corpo, do modo que desejavam, fazendo o que ela queria.
Gina arrancou, com agressividade, os botões do pijama de algodão que ele usava. Algodão? Ao que ela se lembrava quando tinha ido dormir com Draco naquela noite ele usava um pijama de seda. Ele sempre usava seda. Mas não importava.
Os dois caíram engalfinhados na grama, trocando beijos e carícias, toques ousados e, com as mãos, agilmente retiravam as roupas e jogavam-na para longe. Rapidamente estavam nus e unidos, as peles coladas e quentes. Se amando.
Gina lembrava-se perfeitamente dos beijos de Draco. Eram carinhosos e duradouros. Cada ponto estratégico que ele beijava, costumava fazê-lo como se se tratasse de um ritual. Às vezes era agressivo, às vezes ousado e carinhoso. Mas nunca eram rápidos demais. Mas aqueles, dessa vez, eram rápidos. Não eram sutis, e sim corriqueiros. Excitantes, mas não necessariamente envolventes. Mas não importava.
A língua dele passando sutilmente em volta de seus seios e descendo até a barriga, fazendo-a arquear o corpo e gemer. Ela gostava do toque dele, embora, àquela noite, estivesse estranho e rápido. Mas as mãos eram bem ágeis e sabiam exatamente o que fazer. Ora envolviam os seios dela, ora passeavam livremente pelo corpo dela.
O corpo dele se encaixava adequadamente no seu. Por que não perfeitamente? O corpo de Draco sempre era perfeito para o seu. Mas isso também não importava.
A sensação ainda assim era boa, ainda assim era quente e excitante. Ainda assim era instigante. A atmosfera cheirava a licor e sexo, era uma atmosfera boa.
Ela sentiu-se tensa num determinado momento, e sentiu o corpo dele se enrijecer sobre o seu. O corpo dela vibrou e relaxou. Pouco tempo depois o dele também relaxou.
Ele postou-se ao lado dela e virou seu rosto. Ela olhava para o céu e sorria de um modo quase estranho e enigmático. Gina pensava por que Draco saíra tão rápido, e não ficara unido a ela como ela gostava, como ele mesmo gostava da ficar sempre depois de fazerem amor.
"Você é louca, Srta. Weasley.- ele falou."
Ela virou-se para ele e fitou seus olhos. Não era mais tão engraçado.
N/Rbc: bem atualização de emrgência, sem muito a falar. O Fan Fiction tá me dando muito problema, não tá querendo entrar, está comendo letras, não tá atualizando profile...está me dando muita dor de cabeça. Então, aproveitando uma crise de bondade dele, eu estou atualizando. Capítulo grande... gosto do sonho dela... das lembranças em geral.
Obrigada pelas reviews, todos que mandaram, tanto pelo site, como por email ou mesmo por outro site, e claro, pelo fórum também e pelo msn... é isso! Espero que tenham gostado deste capítulo...
Bjinhos...
Rebeca Maria!
