Sr. & Sra. Malfoy

Capítulo QUATRO

O Primeiro Baile

Gina abriu os olhos quando ainda estava amanhecendo. Metade do céu ainda estava escuro, e o sol apenas despontava atrás das colinas. Suas costas doíam como não doíam há muito tempo, e ela só foi perceber a razão da dor quando percebeu onde tinha dormido.

Estava deitada nos jardins d'A Toca, debaixo da árvore, perto do balanço, ao lado de um Harry adormecido e nu. Sua cabeça doeu intensamente, anunciando a enxaqueca da ressaca. Ela olhou para o pé da árvore e viu a garrafa de licor caída ali perto.

Levantou-se, apanhando o robe e vestindo-o e depois apanhando a garrafa, e com muita raiva, jogou-a no tronco da árvore, fazendo-a espatifar-se.

"Da última vez foi bom, sabia?- ela disse, como se falasse com os milhares de cacos da garrafa- Da última vez eu não acordei ao lado do Harry! Da última vez eu não acordei com uma enxaqueca horrível e ao lado do Harry!"

"Você acordou ao lado de quem, Gina?- ele perguntou e ela se virou."

Gina olhou-o com extrema raiva, fuzilando-o com o olhar. Seus olhos estavam tão vermelhos quanto fogo, e seus lábios tão crispados e trêmulos como só acontecia quando ela estava com muita raiva ou quando ela estava prestes a executar alguém.

"Haverá algum problema se eu executá-lo agora?- ela se perguntou- Com as minhas próprias mãos? Haverá mais sangue...e o meu sorriso com certeza será mais bonito do que se fosse com a varinha."

"Você vai responder?"

"NÃO É DA SUA CONTA, POTTER! Você... você não podia ter feito isso..."

"Eu não fiz, Gina. Você fez."

"Ah, Potter! Por Merlin! Eu estava bêbada e você se aproveitou de mim, você se aproveitou do meu estado e seguiu em frente, sabendo que eu não conseguiria fazer nada para evitar."

"Você não fez nada para evitar, Gina. Você fez, sim, para acontecer algo!"

"Algo que você deveria ter evitado, Potter! Você foi inconseqüente, irresponsável e um canalha. Não lhe ocorreu em momento algum que eu poderia estar pensando que era outra pessoa que não você?"

"Em outra pessoa?- ele perguntou, apanhando a blusa de seu pijama- Quem sabe no seu marido?"

"Eu NÃO tenho marido, merda! Quantas vezes eu vou ter que te dizer isso?"

"Então você estava pensando em outro enquanto fazia amor comigo?"

"Sim, Potter, eu estava pensando em outro enquanto estava fazendo sexo com você. Só se faz amor com quem se ama, e eu poderia te dizer que sinto por não te amar, mas seria uma grande mentira. Então, eu espero isso machuque muito o seu ego, e conhecendo-o como conheço, eu sei que vai machucar. Não é fácil saber que a mulher que você ama está pensando em outro enquanto faz sexo com você... mas você deve conviver com isso."

Harry fechou a cara. Não falou nada. Seu ego, definitivamente, sofrera um grande baque depois das palavras de Gina. Afinal, era verdade. Era tudo verdade. Ele andou silencioso até A Toca, deixando uma Gina satisfeita para trás, embora um pouco preocupada sobre como as coisas fluiriam depois dessa briga.

"(...)"

Gina, depois de um tempo, resolveu rumar para A Toca. Assim que entrou, deu de cara com seus pais, Rony e Hermione, e várias malas num canto.

"Alguém vai viajar?- ela perguntou."

"Harry vai embora.- Rony falou- Acordou hoje e disse que não poderia mais ficar aqui."

"Você imagina o que seja, Gina?- Hermione se prontificou."

"Não faço a menor idéia. Vocês acordaram há muito tempo?"

"Não.- Rony respondeu- Eu acordei com o Harry arrumando as coisas, depois eu fui chamar a Mione, o pai e a mãe. E você não estava no quarto."

"Acordei cedo hoje, já não tinha sono, e fui para o jardim."

Gina subiu as escadas e deu de cara com Harry descendo, trazendo mais algumas malas.

"Você pode ficar se quiser.- ela disse- Eu saio."

"Não se preocupe. Não foi culpa sua.- ele disse, sem olhar pra ela, e continuou descendo, enquanto Gina subia até o seu quarto."

"(...)"

Ela simplesmente falara. Falara o que viera à sua cabeça. Estava com tanta raiva do que acontecera durante a noite, com tanta raiva de si mesma, que não medira as conseqüências de suas palavras. Ela nem mesmo sabia que tais palavras iriam afetar tanto o Harry. Não pensara nisso na hora. Estava apenas com raiva do que não devia ter acontecido.

Mas agora já estava feito. As palavras já tinham sido ditas, e agora Gina tinha certeza que Harry a amava. Talvez nunca a tivesse deixado de amar, e só tivesse se casado com a Chang porque ela estava longe, ninguém sabia onde, apenas tinha-se poucas notícias dela. Ou talvez tivesse voltado a amá-la quando ela retornara.

"Blaise,

Se for possível, se não for prejudicar muito, eu gostaria que você ajudasse o James a conseguir alguma informação com o Harry. Posso cuidar do Draco por enquanto.

Aconteceu algo que não deveria ter acontecido entre mim e o Harry, acabamos brigando e ele saiu d'A Toca, vai ficar mais difícil pra mim agora que ele está, provavelmente, muito ferido, mas talvez fique mais fácil para vocês.

Gina"

Gina assobiou alto, ao que, minutos depois, Couleuvre despontou no céu e pousou no seu ombro. A mulher amarrou a carta na pata da coruja e mandou que ela entregasse para Blaise.

Foi surpresa quando, uns dez minutos depois, a coruja retornou com uma resposta.

"Gina Malfoy

Muito ferido significa que ele está sangrando tanto quanto você me fez sangrar há alguns anos? Digo, tanto quanto sangraria quando você usa a ponta da sua unha do indicador, que é tão cortante quanto uma faca afiada? Ou tanto quanto sangraria como quando você quebra o nariz de alguém? O que significa, exatamente, muito ferido?

Blaise"

Ela não pôde deixar de rir. Blaise Zabini, apesar de inconveniente de vez em quando, e excessivamente brincalhão, de modo a se tornar irritante, poderia ser uma pessoa legal, e mesmo Gina era capaz de se acostumar com o jeito dele.

"Blaise

Eu me abstenho de falar a respeito do sobrenome. Você já sabe o que pode te acontecer se continuar com isso. Então, é melhor parar ou poderá sangrar tanto quanto uma doninha sangraria se eu a esmagasse com as mãos. E entenda isso como quiser.

E Harry está sangrando tanto quanto sua namorada sangraria se ela soubesse que, enquanto 'faz amor' com ela, na verdade está pensando na Luna. Isso é muito ferido na sua concepção? Ou dói mais ao saber que a Luna não se importa nem um pouco com você?

Gina"

Dura demais? Gina sacudiu a cabeça e respirou fundo. Nunca era dura demais com quem lhe afrontava.

"Gina Weasley

Você é tão má quanto uma pessoa que provavelmente esmagaria uma doninha com as mãos. Você é, definitivamente, má.

Mas ok. Eu já entendi o que você quer dizer. Eu sou um fracassado que manda flores anonimamente para a Luna e espera que ela adivinhe quem as está mandando. Eu sou um estúpido idiota. E sim, isto dói muito.

Mas é verdade que ela não se importa nem um pouco comigo?

Blaise"

Definitivamente não tinha sido tão dura quanto pensava.

"Blaise

Eu vou te dar o benefício da dúvida.

Gina

PS: Weasley é bem melhor. Fiquemos assim, então."

Dessa vez Couleuvre não voltou com nenhuma resposta.

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Aquele tinha sido um dia inútil. Totalmente inútil. Primeiro a briga com Harry, depois várias horas sem nada para fazer, sem ter nada o que fazer. Nem mesmo James e Blaise tinham conseguido mais informações. E apenas no fim da noite é que chegou uma carta para Gina.

"Gina,

esperamos você para o almoço amanhã, na casa da Forrest. Blaise pediu que você comprasse um presente pro Joey, para que ele pudesse dar para o garoto e que depois ele te pagaria. A verdade é que ele não sabe o que comprar. E mais verdade ainda é que ele quer que você compre algo para ele dar pra Luna também, mas ele não precisa saber que eu te contei isso.

James"

Ela jogou a carta para dentro da mala e deitou-se, adormecendo instantes depois.

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"Se você fosse um pássaro, Virgínia, qual seria?- Draco perguntou, casualmente."

"Um gavião, ou uma águia.- ela respondeu, apoiando sua cabeça ao peito dele enquanto ambos observavam o céu cheio de nuvens multiformes- Por que, Draco?"

"Eu seria um canário pigmeu.- ela riu."

"Canário pigmeu? Por que justo um canário pigmeu?"

"Eles são pequenos e velozes, e não têm tantos predadores naturais. Águias e falcões não suportam o gosto de canários pigmeus."

"Ah é? E desde quando águias e falcões comem pássaros?"

"E não comem?- ela deu de ombros- Então, vai saber. Mas eles comem cobras, certo?"

Ela não respondeu. Aquela era mais uma das conversas sem lógica e divertidas dele, que a faziam rir e relaxar.

"Já te ocorreu que poderíamos ficar assim para sempre, Draco?"

A pergunta dela ficou sem resposta. Em questão de segundos ela viu Harry Potter aparecer e erguer Draco pela gola da camisa e esbravejar para cima dele.

"Você pretende falar, Malfoy?"

"Eu já falei, Potter, não imagino onde esteja o objeto, e se soubesse, seria óbvio que eu nunca te falaria. Além do mais, ainda não consegui imaginar uma utilidade de algo tão perigoso nas suas mãos."

"Espere, Malfoy, e você vai ficar não só sem o objeto, mas também sem..."

Draco ergueu o punho e acertou o olho de Harry em cheio, fazendo-o cair no chão.

"Você vai precisar fazer muito mais do que apenas 'saber bater' e saber persuadir para tirar algo de mim, Santo Potter. E pense muito bem antes de tentar tirar algo de mim. Você pode se arrepender muito."

Gina olhou assustada de Draco para Harry, e então viu Harry apanhar sua varinha e apontá-la para o peito de Draco.

"Avada Kedavra!- o feitiço atingiu Draco em cheio e ele, instantaneamente, caiu morto no chão."

Gina paralisou. Olhou para Harry e viu-o sorrindo como nunca o vira sorrindo antes. Parecia ser outra pessoa que sorria no lugar dele, tamanha malícia e malevolência em seu rosto, tamanho ódio em sua expressão. Os olhos dele brilharam e uma sombra cruzou o seu rosto.

"Perdedor!- ele disse, áspero e frio, e sumiu, deixando uma Gina chocada para trás."

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Gina abriu os olhos e sentou-se na cama rapidamente. Seu corpo suava e tremia um pouco, seu coração estava acelerado e sua mente muito alerta, ainda repassando as imagens do seu sonho, ou melhor, pesadelo.

Mais um. Primeiro ela matava Draco, depois Harry matava Draco. Da próxima vez quem seria? Quem mataria Draco? Ou talvez decidissem mudar de alvo. Ela poderia muito bem matar Harry num desses sonho, ao menos assim iria satisfazer seu próprio ego, visto ele ainda estar um tanto ferido por ter-se deixado levar pelo momento e pelo licor de uma dessas noites.

Olhou para o relógio ao lado da cama e viu nove horas. Há quanto tempo não dormia até tão tarde? Ela percebeu Hermione se mexer ao lado de sua cama e resmungar algo, e Gina perguntou-se a que horas a mulher tinha se juntado a ela no quarto.

Levantou-se e foi até o banheiro, onde tomou uma ducha rápida, entretanto relaxante. Vestiu-se com uma roupa leve e confortável, apenas para mudar um pouco o estilo sério com roupas mais pesadas e escuras.

Escreveu um bilhete qualquer, dizendo que só voltaria de madrugada, e deixou ao lado do travesseiro de Hermione. Depois disso desaparatou.

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Ela parou à frente da enorme porta branca, bem trabalhada e bonita, e levou a mão à campainha.

Uma mulher veio atender e levou Gina até a sala, onde já havia várias pessoas em volta de um bebê nos braços da mãe.

"Sra. Forrest."

Uma mulher bonita e jovem, com os cabelos castanhos claros e os olhos num tom meio azulado, meio esverdeado. Ela sorriu para Gina e levantou-se, indo em direção a ela com o bebê no colo.

Gina apanhou o bebê com cuidado e olhou admirada para ele. Era lindo. Parecia-se muito com o pai, Brian, tinhas os cabelos muito pretos, mas os olhos eram da mãe, e olhavam para Gina com certo divertimento, como se perguntassem "Quem é você?", enquanto sua mãozinha procurava, insistentemente, o dedo de Gina para que pudesse agarrá-lo.

"Ele é...lindo, Forrest." – Gina comentou, visivelmente emocionada.

Joey quase que instantaneamente, assim que conseguiu agarrar o dedo de Gina, adormeceu. Ela sentou-se no sofá e continuou olhando para ele, enquanto todos ao redor ainda a observavam.

"Você tem tanto jeito com crianças, Gina." – Forrest comentou – "Ele nunca dormiu tão rápido assim, com ninguém."

"Querida, você fala como se ele tivesse nascido há meses." – Brian comentou – "Nunca pensou em ter filhos com o Draco, Gina?"

Gina olhou curiosa para Brian. É claro que ele sabia que Draco e ela tinham se separado há alguns meses, mas aquela pergunta não era esperada, apesar de soar bem interessante.

Ela percebeu uma troca estranha de olhares entre os outros amigos que estavam ali, e logo sorriu para Brian.

"Gina" – Blaise interrompeu, no momento em que Gina se preparava para dizer algo – "Você trouxe o que eu te pedi?"

Forrest olhou curiosa para Blaise e depois para Gina. Aliás, todos estavam curiosos. James abafava risadinhas logo atrás de Luna, e apontava diretamente para ela, fazendo gestos que imitavam beijinhos e abraços entre ela e Blaise. Gina riu, visivelmente divertida. E logo Forrest e Brian se juntaram às risadas.

Gina se aproximou de Blaise e levou-o para um canto onde ninguém pudesse vê-los direito ou ouvi-los.

"Eu vou aliviar as coisas pra você, Zabini, mas não se acostume com isso, ok?- Blaise olhou-a sem entender muita coisa."

Ela retirou da bolsa um pequeno embrulho, visivelmente alguma roupa para bebê, e depois tornou um pequeno jarro de flores ao tamanho normal.

"Flores artificiais?- ele perguntou- Artificiais?"

"Ah, sim, Zabini. Luna não gosta de ganhar flores."

"Que mulher não gosta de ganhar flores?"

"As do tipo que choram quando elas morrem e fazem um funeral pra elas."

"A Luna não faz isso."

"Ah faz. Sabe os lírios que você deu pra ela a última vez? Estão enterrados debaixo da janela dela, com uma pequena lápide inscrita 'Aqui jazem lírios muito bonitos e cheirosos, que me fizeram rir durante pouco tempo" seguidos do dia que ela os ganhou, como nascimento, e do dias que eles morreram.- Blaise revirou os olhos."

"Estou apaixonado por uma maluca."

"Perdidamente apaixonado pela maluca mais legal e amável que eu conheço.- Gina completou."

"E por que você está me ajudando, Gina, já que não gosta de mim?"

"Eu nunca disse que não gostava de você, Zabini.- Gina sorriu com o canto dos lábios e piscou um olho para ele antes de se afastar."

Blaise permaneceu parado alguns segundos, olhando para os amigos que não mais olhavam para ele, mas sim dava toda sua atenção para Joey. A não ser uma das atenções, e talvez essa fosse ser justamente a atenção que ele não queria que estivesse voltada para ele.

No entanto, mesmo tendo Luna olhando fixamente para si, e mesmo sentindo sua face queimar e seu coração acelerar, ele foi até ela e estendeu-lhe o jarro de rosas artificiais.

"Gostaria de conversar com você, depois, Luna.- ele sussurrou, passando por ela, deixando-a extasiada com as flores que nunca morreriam, e dirigiu-se a Joey, nos braços de Forrest- E isto é para o Joey, Forrest, presente de toda a turma."

Era um lindo macacão azul, com inscrições do tipo 'tio Blaise', 'tio James', 'tia Luna' e 'tia Gina' por todo o tecido, em letras coloridas, e uma blusa vermelha com o nome 'Joey'.

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A tarde passou bem rápida, e Gina não soube dizer se aquilo era bom ou ruim. Por um lado ela gostaria que aquele tempo ao lado dos amigos e ao lado de Joey não terminasse nunca. Por outro ela gostaria logo de ir para o Baile e ver Draco, e talvez conversar com ele e saber como ele estava.

"Você precisa se arrumar.- James comentou para ela."

"Vai a algum lugar, Gina?- Forrest perguntou."

"Ao Baile de Verão."

"Mas, Gina..."

"Sim, o anfitrião é o Draco, eu sei disso e é justamente por isso que eu vou.- Forrest acenou, indicando que tinha entendido."

"Blaise e eu resolvemos, por livre e espontânea vontade, escolher um vestido pra você."

"Vocês escolheram um vestido?- ela perguntou, descrente."

"Oh sim, e por acaso- James estendeu-lhe uma caixinha- está nessa caixa. Agora todos nós queremos que você suba até o quarto de hóspedes e vista-se."

Gina pegou a caixinha e dirigiu-se ao quarto de hóspedes. Estava obviamente divertida com a situação. James e Blaise tinham escolhido um vestido para ela. Ela nunca tinha imaginado que eles seriam capazes de escolher um vestido para ela.

E ela também nunca imaginou que o vestido seria tão bonito e que fosse se ajustar tão bem ao seu corpo.

O tecido era bem leve e gostoso, num tom azul marinho muito bonito. O decote da frente era reto, com alças finas, e atrás também não havia decote algum. A beleza, graça e sensualidade do vestido estava numa das pernas, onde se estendia uma gloriosa fenda, até quase a altura de seu quadril.

Ela olhou-se no espelho. Caía-lhe como uma luva. Depois arrumou o cabelo, num meio coque, deixando alguns fios intensamente vermelhos caírem pelo seu rosto, como se se tratasse de um charme natural.

Depois disso ela desceu as escadas, parando antes de chegar à base.

"Eu realmente gostaria de saber como vocês sabia o meu número.- ela comentou, fazendo com que todos olhassem para ela, admirados."

"Achamos que você vestia 6.- James começou."

"Mas tínhamos certeza que o 4 lhe cairia divinamente bem.- Blaise continuou- Você está linda.- ela sorriu."

"Bem, não era um vestido desses que eu tinha em mente, mas está perfeito."

Ela não esperou que nenhum dos amigos dissesse mais nada. Sorriu para eles, acenou e desaparatou.

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Desaparatar longas distâncias não era uma coisa muito boa. Era difícil e até mesmo cansativo. Pelo menos para os outros. Gina tinha uma grande habilidade em desaparatar, e ir de Londres ao litoral da Inglaterra, em questão de segundos, não era muito difícil.

Ela olhou em frente. Bem na hora. Ancorado junto ao cais estava o tão conhecido Liberty Iate, maravilhosamente decorado para receber convidados ricos e elegantes, que desfrutariam de uma noite de esplendor e fartura, festa e boêmia, numa viagem à bordo de um dos mais bonitos Iates do mundo bruxo. Ao raiar do sol eles estariam de volta à Marina de Liverpool.

A recepção aos convidados era feita por marinheiros, muito bem vestidos e muito bonitos, Gina pôde notar, assim que um dele ofereceu-lhe o braço e levou-a a bordo.

O salão principal estava decorado com luzes douradas e brancas, transmitindo a sensação de luxúria.

Muito rapidamente ela foi levada a uma mesa vazia, num lugar estrategicamente posicionado, de modo que ela poderia ver tudo o que acontecesse no salão. E mais rapidamente ainda ela foi servida de champanhe, vinho ou martini. Decidiu-se pelo martini, afinal, champanhe era para comemorações e vinho para brindes elegantes e pedidos de fartura.

Não demorou muito tempo para que ela visse Draco entrar pelo salão. Lindo, como sempre. Com um sorriso encantador de derreter qualquer mulher. Com um charme irresistível.

Ao lado dele, elegantemente de braços dados, estavam duas mulheres, altas e bonitas, com sorrisos joviais e quase idênticos. Uma morena e uma loira.

E Gina ficou perguntando-se quem eram elas, o que faziam, o que queriam com Draco. Buscou cada pergunta que pudesse preencher um relatório completo sobre elas. E depois Gina percebeu que sua mente estava preenchendo um relatório de execução. E que já tinham as fotos de cada uma delas anexada ao relatório. Objetivo: matar. Valor: ter Draco de volta. E achou-se insana por causa disso.

Ela viu as duas mulheres saírem uma para cada lado e confundirem-se com as outras mulheres do salão. Draco, por sua vez, foi parado diversas vezes por várias pessoas, principalmente homens, que vinham lhe cumprimentar educadamente. Uma aperto de mão para os homens, um beijo na mão para as mulheres. Nada mais sutil. Nada mais elegante. Queria ela estar no lugar de cada uma das mulheres que receberam um beijo de Draco, mesmo que na mãe, um beijo era sempre um beijo.

Minutos depois Draco aparentemente percebeu que havia um par de olhos vermelhos fixados nele desde que ele entrara no salão. E ele procurou os olhos de Gina e fitou-os com aqueles olhos cinzas que brilhavam tão intensamente sob aquela luz dourada e prateada do salão. Ele lhe lançou um de seus mais charmosos sorrisos. O sorriso de derreter qualquer mulher.

Por alguns instantes Gina perdeu-se naquele olhar penetrante e naquele sorriso. E desejou perder-se naqueles lábios mais uma vez. Até o momento em que sua mente, a parte racional da sua mente, a parte que ainda conseguia taxar Draco Malfoy como uma execução, resolveu trazê-la de volta à realidade, a ponto de ver Draco aproximando-se de sua mesa.

Draco apanhou uma cadeira e colocou-a próxima à cadeira de Gina, na mesa onde ela estava sentada. Casualmente bebericou do martini da taça dela.

"Oh, Draco, querido, você tem bastante ousadia de vir falar comigo.- ela falou, com um tom que misturava o cômico e o irônico."

"Você nem sabe quanta ousadia eu tenho, Virgínia. Além do mais, eu sou o anfitrião da festa este ano, não podia fazer feio."

"Ah, sei da sua ousadia, querido, afinal, ao que me lembro, passamos seis anos casados. E obrigada por não me convidar para a festa."

"Claro, Sra. Malfoy. De nada, e de todo modo, você conseguiu entrar, afinal.- ele sussurrou ao ouvido dela, fazendo-a tremer involuntariamente- Por acaso, descobri que, mesmo depois de separados você não retirou o Malfoy do seu nome."

"E por que eu tiraria? Como eu poderia te extorquir se voltasse a ser uma Weasley sem Malfoy?- ele riu com vontade."

"Para que me extorquir, Virgínia? Ao que me lembro você é uma assassina de alto escalão e ganha muito dinheiro com isso. Não precisa me extorquir."

"Draco, Draco, Draco, eu não sabia que você ainda não tinha superado a morte do seu pai. Sabe, eu tive mesmo que matá-lo. Me ofereceram 100 milhões por ele, o que você queria?- Draco abriu e fechou a boca algumas vezes, aparentando que não sabia daquela informação- Ah, você não sabia que tinha sido eu?- ele fez-se de desentendida."

"Vamos dançar!"

Draco puxou Gina pela mão até o meio da pista de dança. Segurou a mão dela e a sua outra mão encaixou-se à cintura dela, trazendo-a para mais perto, colando os corpos.

Ao enlaçar Gina na pista de dança, não seria a alegria que o moveria, nem a ele, nem a ela.

Os passos felinos e o apuro duvidoso do par anunciaram aos presentes um acontecimento quase que metafísico: um tango! Ela, bela, com os cabelos presos, rodopiaria numa saia justíssima, onde abria-se uma generosa fenda. O ritmo sincopado e malevolente que escutavam ao fundo era de um bandoléon soluçante, de um violino e de um piano. Executavam então, os dois, o mais lascivo dos balés que se conhecia.

A mão dele escorregou pela perna dela, sob a abertura do vestido, e retirou duas facas presas com uma fita. Arremessou-as para o final do salão, vendo que não acertaria ninguém, a não ser um quadro na parede.

"Esperta. Quem você tem que matar agora? Eu outra vez?- ele perguntou."

"A pergunta não seria...- ela começou, a seguir passou casualmente a língua sobre os lábios e sussurrou ao pé do ouvido dele- ...por que eu matei seu pai? Não mude de assunto, Draquinho, vamos lá, ponha toda a sua raiva para fora."

Ele conduziu-a em passos largos para trás, muito bem ensaiados. Ela ficou no controle durante alguns segundos e o fez ir para o lado, sem perder o ritmo. Mas ele conseguiu levá-la novamente para trás, fazendo com que ela batesse com as costas numa pilastra, com certa violência, deixando o espelho que estava ali em milhares de pedacinhos.

"Adoro quando você está violento. Me excita.- ela falou, com um tom que o fez tremer involuntariamente- Mas voltando ao assunto..."

Gina levou Draco para trás e, seguindo o ritmo da música, e acompanhando as batidas, ela parou e ergueu uma das pernas com elegância e rapidez, propositalmente entre as pernas dele. Ele mordeu os lábios e fechou os olhos, mas não perdeu a compostura. Respirou fundo e viu-a sorrir com satisfação.

Aquele movimento, no entanto, não pareceu deselegante e muito menos fora dos passos. Gina imediatamente cruzou a perna que tinha acabado de levantar no meio das pernas de Draco, estendeu a outra e desceu o seu corpo, passando as mãos pelo corpo de Draco com certa sensualidade, até achar duas armas por baixo da calça dele, que ela fez deslizarem pelo chão, fazendo-as parar, convenientemente, debaixo de uma mesa, cada uma de um lado do salão.

Ela subiu novamente o corpo, ainda passando as mãos pelo corpo de Draco, mas dessa vez com mais ousadia e roçou seus lábios nos lábios dele. Então, achando uma faca próxima ao cinto, devidamente camuflada.

"Não é um local muito perigoso para se guardar uma faca?- ele perguntou, retirando a faca e, ao mesmo tempo, cortando o cinto e o smoking que ele usava, que caíram esquecidos no chão, deixando-o apenas com a camisa social, meio aberta, sem os três primeiros botões, que ela certificou-se terem voado longe, e a calça.

A seguir voltaram a dançar, quase que civilizadamente, se não fossem os arranhões de ambos.

"...por que se importa tanto com seu pai? Não foi ele quem matou os próprios pais e não foi você quem o colocou na cadeia há seis anos e roubou os... doze bilhões de galeões dele?"

"Nove dos quais você roubou de mim.- ele observou, ao que ela riu e lançou-lhe um olhar ferino."

"Meros detalhes, querido, meros detalhes...afinal, o que você faria com doze bilhões que não faria com os três que eu te deixei?"

"E o que você faria com nove bilhões que não pudesse fazer com os dois do acordo de separação?"

"Eu não me contentaria, afinal, sempre achei que Lúcio Malfoy valesse bem mais que 100 milhões.- ela suspirou- Mas não se preocupe, querido, as últimas palavras de seu pai foram 'Mate meu filho por mim.'"

"E creio que você..."

Draco, sugestivamente, levou sua mão para o colo de Gina e depois desceu rumo ao decote, entre os seios, e apanhou, com os dedos, o aparentemente delicado, porém fatal, punhal prateado. Passou a fina lâmina pela alça do vestido dela e pela lateral, fazendo um fino e contínuo rasgo, e depois jogou-o para cima, fazendo-o fincar no teto.

"...deva estar tentando realizar o último pedido do meu amado pai."

Ele olhou para a alça caída do vestido de Gina e a abertura lateral, que terminou pouco antes de começar a abertura da perna, ou o vestido teria, certamente, se aberto por inteiro.

"Desculpe-me pelo vestido, eu terei o maior prazer em recompensá-la com outro, usando uma parte dos meus 3 bilhões de galeões.- ele disse com certa ironia."

"Não se preocupe com coisas supérfluas, querido. Eu posso comprar um melhor que esse com...bem, você sabe..."

Gina se afastou de Draco, depois que ele a empurrou, fazendo-a rodopiar para além de alguns metros dele, ela parou numa pose sensual e apanhou, com a boca, uma das rosas num jarro ao lado dela.

Draco caminhou elegantemente para ela e mordeu a rosa junto com ela. Os dois rodopiaram pelo salão, em passos muito bem planejados, entrelaçando uma perna na outra, de modo tão rápido e calculado, que era impossível para as pessoas perceberem como as pernas já não estavam engalfinhadas e trançadas.

Ela soltou a rosa e deixou que ele a apanhasse e a colocasse no decote do seu vestido, entre os seios.

"Não lhe cai tão bem como o punhal, mas você fica quente do mesmo jeito.- ele comentou."

"Mudando de assunto, querido,- ela sorriu para ele, no mesmo instante em que apertava com gosto seu traseiro- nossa separação ainda não saiu, legalmente ainda somos casados.- ele ia falar algo, mas ela continuou- A propósito, seu traseiro continua gostoso..."

"E você continua com belas curvas, querida.- ele passeou com a mão pela lateral do corpo dela e, depois, deixou que ela deslizasse por entre os dois corpos, num ponto abaixo do ventre dela, de um modo discreto, mas ousado- E...ó céus, você está me traindo com o Potter.- ele pareceu, por um instante, ironicamente inconsolável."

"Tecnicamente não é só com ele, querido, mas você também está me traindo."

"Ó céus, somos dois cornos.- ele deu especial ênfase a essa frase, de modo que ela parecesse mais importante do que todo o resto da conversa- Isso não é comovente.- ele terminou, de um modo fraco."

"Que palavreado é esse, querido?- ela perguntou- Aprendeu com o submundo?"

"Corner, Michael Corner, lembra-se dele? 1 milhão."

"Por acaso eu me lembro daquele mau perdedor. Oh, como eu queria pegá-lo. Mas 1 milhão? Não valia à pena. Me surgiu na mesma época aquele seu amiguinho, Gregory Goyle, por 10. Não era muito, mas eu estava entediada em casa."

"Por isso você não atendia os meus telefonemas? Porque não estava em casa enquanto eu estava fora?"

"Não chore, Draco, naquela época eram só negócios. Afinal, você também não estava numa conferência sobre brocas mágicas super resistentes? Ah, não, estava no submundo sujo matando meu ex. namorado. Ciumento você, não? Eu estava apenas me divertindo."

"Você é tão cruel.- ele sussurrou, colando os corpos tão perto quanto nunca antes durante aquela dança- Mi china fue malvada!"

Ela ergueu uma perna e enlaçou a cintura dele, enquanto Draco deslizava com ela pelo salão, em rodopios contínuos.

E então, depois de vários rodopios, ele parou. Ela curvou o corpo para trás e ele curvou-se sobre ela. As mãos dele passaram de uma forma pesada, quase agressiva, selvagem, ousada e excitante, pelo corpo dela, parando em sua perna, erguendo-a e ficando numa pose ainda mais sensual. A seguir terminando com um maravilhoso, ousado, intenso e lascivo beijo entre os dois.

"Você sabe o quanto, querido."

E depois eles se recompuseram. Palmas ecoaram pelo salão e eles fizeram uma reverência elegante, antes de cada um seguir para um lado.

Gina apanhou discretamente a varinha camuflada sobre o seu vestido, enquanto, do outro lado, Draco pegava a sua.

"Accio!- eles disseram, fazendo armas voarem de um lado a outro do salão, de volta a seus respectivos donos."

Ninguém no salão percebeu a existência das armas, ou achou que elas fizessem parte do show. Estavam extasiados demais com o espetáculo que tinham acabado de ver.

""""""""""""""""""""'

Gina saiu rápido do salão de festas do iate, e foi parar na proa dele, sob um céu limpo de verão, extremamente estrelado.

"Não foi tão difícil.- ela pensou- Afinal, o que foi que eu fiz lá dentro?- ela, inconscientemente passava os dedos sobre os lábios que Draco tinha acabado de beijar tão fervorosamente- Ele parece tão..."

"Eu gostaria de entender o que aconteceu no salão, Gina.- a voz tão conhecida desviou qualquer pensamento da cabeça dela, fazendo-a sobressaltar-se."

"Harry...? O que você faz aqui?"

"Eu sempre sou convidado para o Baile Anual, mas nunca me deu vontade de comparecer. Este ano eu resolvi mudar de idéia. Agora é a sua vez de responder à minha pergunta."

"Você fala da dança?"

"Especificamente do beijo."

"Ciúmes?"

"Eu deveria ter?"

"Eu não sei. Deveria?- ele riu."

"Você não vai me responder, vai?"

"Depende do que você quer que eu responda."

"Algo que eu acredite."

"Certo. No ápice do momento, movidos pela intensidade de um tango bem bailado, movidos pela lascívia da própria dança, movidos pela inquietude dos nossos corpos numa posição tão ousada, nós nos beijamos.- ela falou num tom assustadoramente normal."

"Parece-me um bom argumento.- ele disse, para surpresa de Gina- Eu também beijaria minha parceira se ela dançasse tão bem quanto você."

Gina sorriu e virou-se para olhar o mar. Harry fez o mesmo e, nem bem trinta segundos se passaram, uma série de fogos de artifício começou a estourar no céu. Eram fogos vermelhos, azuis, amarelos, verdes, laranjas, em tantas formas quanto possíveis. Havia apenas chuvas de pontinhos brilhantes no céu, ou um enorme pássaro flamejante, ou um anjo, ou um dragão, ou um unicórnio.

Harry olhou para ela e admirou-se com o fascínio com que ela olhava para os fogos. Depois ele tocou a cintura dela, fazendo-a virar-se o fitá-lo. Ele inclinou a cabeça e aproximou seus lábios dos dela. No entanto, não houve toque algum, a não ser o das pontas dos dedos de Gina com os lábios de Harry, fazendo-o afastar-se.

"Você vai insistir nisso, Harry?- ela perguntou, seriamente."

Alguns metros distante, Draco estava parado observando a cena. Ele não sabia se estava com raiva demais de Harry por aproximar-se tanto de Gina ou se estava feliz demais por ela tê-lo repelido.

Gina virou o rosto quando Harry tentou aproximar-se novamente. E ela ainda pôde ver, de relance, o sorriso de Draco antes que ele desaparecesse. Era um sorriso vitorioso.

"Até o fim, Gina.- Harry respondeu- Até o fim!- dizendo isso, Harry afastou-se."

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Talvez fizesse horas que Gina estivesse ali, parada na proa do iate, olhando o céu intensamente estrelado e com uma lua simplesmente divina e enorme. Pensando em nada. Ou em tudo, mas estrategicamente, nenhum pensamento fixava em sua mente por muito tempo.

Uma chuva de fogos de artifício começou a estourar no céu, cobrindo-o com pontilhados coloridos, com formas abstratas, deixando-a com um sorriso singelo nos lábios e os olhos brilhando.

Havia um olhar intenso fixo nela. Um olhar único, que ela conhecia muito bem. O cheiro era de vassoura nova, e talvez flores. Um cheiro inconfundível. Um olhar como nenhum outro.

"Você sabe qual a invenção trouxa que eu mais gosto?- ela perguntou, quase num sussurro, sem se virar."

Mãos firmes pousaram sobre o seu ombro e lábios quentes e macios deram um breve beijo na curva de seu pescoço, fazendo todo o seu corpo reagir com arrepios.

"Fogos de artifício.- ele sussurrou, ao pé do seu ouvido- Bruxos manipulam formas com seus feitiços, trouxas as criam, ou deixam que a mente de cada um crie desenhos sob uma chuva de pontilhados coloridos num céu de estrelas prateadas."

Ela virou-se e fitou os olhos de Draco. Ele não sorria, mas a maneira séria como seu rosto se comportava naquele momento, deixava-o incrivelmente irresistível e lindo.

"Nós nos odiamos, Virgínia?"

Ela sorriu, da maneira mais verdadeira que pôde, da maneira mais pura e singela, e deixou que seus olhos fossem refletidos nos olhos de Draco. Talvez aquela fosse uma boa resposta para a pergunta dele.

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N/Rbc: Capítulo grande, bem grande, como acontece com mais alguns à frente antes de eu começar com meu terrível bloqueio... um dos meus preferidos... primeira aparição real de Draco - e que aparição - espero que todo mundo tenha gostado.

A dança deles foi baseada na dança do filme "Sr. & Sra. Smith", bem como outras cenas mais para frente. Quanto à fala de Draco: "Mi china fue malvada!" - eu acredito que queira dizer, no mais amplo dos sentidos,"Minha rapariga foi malvada", com o perdão da palavra aos portugueses, que usam constantemente a palavra rapariga, mas no Brasil isso é algo degradante. Agradecimentos no profile. É isso.

Bjinhos...

Rebeca Maria!