N/Rbc: Uhm... certo, nota inicial é um pouco mais importante do que nota final... só para avisar que este capítulo em especial foi inteiramente baseado no livro 'Sr. & Sra. Smith', apenas foi adaptado à história. Portanto... não levem isso como um plágio... foi apenas uma forma de... uhm...eu não sei forma de quê, mas enfim... acho que é isso...
Sr. & Sra. Malfoy
Capítulo CINCO
Os Diários
"Certo, eu admito, desde que começou toda essa história maluca eu tenho feito terapia. Não é algo tão ruim afinal, é? Quero dizer, só porque eu tenho que sair por aí matando as pessoas que precisam ser mortas eu não posso ser considerada maluca e, efetivamente, freqüentar não um terapeuta, mas um psiquiatra. Não, não é de todo mal. Além do mais, ele também faz parte do CIM, embora não execute pessoas, definitivamente não. Ele executa os problemas que as pessoas do CIM encontram, 'seus problemas mais íntimos', de acordo com ele.
Então, eu fui até ele e ele me mandou fazer uma tarefa de casa. Há quanto tempo eu não faço uma tarefa de casa?"
x.x.x
"Sei que é uma grande surpresa para você, Srta. Weasley, participar de uma instituição como essa." – aquele era o Dr. J. Johnson, o meu terapeuta.
"Surpresa? É um choque, não uma surpresa. Num minuto eu sou uma Auror recém formada, no outro eu sou 'presa' e resolvem por mim que eu serei uma assassina do governo, mas sem que, efetivamente, o governo saiba disso. É como se eles tivessem decidido minha vida por mim. Que nome você dá a isso?"
"Centro de Inteligência da Magia."
Eu me remexi um instante na poltrona, visivelmente incomodada. Claro, aquilo fazia o tipo do CIM, e mesmo eu o conhecendo, efetivamente, há apenas alguns dias, (já que eu só tinha conseguido minha primeira execução dois anos após ser 'presa' pelo CIM, durante os quais eu passei sendo treinada para ser uma assassina) eu já sabia que ele acabava por manipular a vida das pessoas. Não era como se alguém tivesse opção, claro que não. Ou você fazia parte do CIM ou você fazia parte da próxima lista de executados. Simples, como fazer uma lista de supermercado e escolher entre chocolate com castanhas ou chocolate com avelãs. Apenas para ficar claro, eu escolheria chocolate com castanhas.
Fez-se silêncio por alguns instantes. O Dr. J. Johnson deixou uma pena de lado e apanhou outra, maior e mais nova, trocou o tinteiro e também o pergaminho. Remexeu-se na cadeira, ofereceu-me chá ou água. Tenho certeza que ele estava tentando me deixar relaxada, provavelmente para poder fazer mais perguntas. As perguntas iniciais tinham enchido um pergaminho de uns 30 cm, e na maioria soavam supérfluas, apenas para rondar o território e descobrir o novo terreno que precisava estudar. Coisa como nome, idade, aniversário, namorado, família, escola. Não muito importantes, de qualquer jeito.
"Você já foi designada a alguma execução?" – ele perguntou, logo depois que eu recusei o chá e a água e perguntei se ele tinha licor de chocolate.
O licor apareceu na minha frente segundos depois, uma dose dupla, que eu tomei de uma vez só. O líquido desceu rasgando na minha garganta, e imediatamente me deixou relaxada e à vontade naquela sala. Senti que poderia responder à qualquer pergunta que ele me fizesse, mesmo que fosse de cunho sexual. Ele estaria autorizado a me fazer este tipo de pergunta? Por exemplo, com que freqüência eu faço sexo? Eu abanei a cabeça e decidi relembrar a pergunta que ele tinha me feito instantes antes. Execução, sim, claro.
"Quatro, no momento."
"Está com medo?"
"De matar?"
"Sim."
"Não exatamente medo. Eu diria que talvez eu não esteja totalmente preparada para matar alguém a sangue frio. Há algum nome específico para isso?"
"Medo."
Percebi logo que aquele terapeuta sabia das coisas. Ele parecia me entender. Bem, apenas parecia, mas talvez todos que entrassem naquela sala tivessem os mesmos problemas no início, então, logicamente, ele estava preparado para mim.
"Você já matou alguém?" – eu perguntei, visivelmente curiosa.
"Minha esposa." – ele respondeu, sem pestanejar, e eu tentei conter a minha surpresa, mas acho que não consegui.
"Por quê?"
"Ela estava na lista de execução, e decidiram que eu, por conhecê-la tão bem, deveria matá-la. Ela havia se juntado aos comensais um mês depois de nos casarmos, e eu fiquei na inocência durante vários anos."
"Eu sinto muito." – ele deu de ombros.
"Voltando a você, Srta. Weasley, vou lhe passar um pequeno dever de casa. Não será nada complicado, eu garanto. Quero que você escreva sobre o seu dia a dia. Sentimentos, fatos, pessoas, essas coisas."
"Bem, Dr. Johnson, não sou lá uma boa escritora. E agora, o trabalho... vai me tomar muito tempo..."
"Não será necessário muita disciplina, Srta. Weasley. Nada de caprichar na gramática nem mesmo precisa terminar frases. Apenas exponha o que você sente e o que você vive. Além disso, só você verá o resultado. Não precisa mostrar a ninguém."
"Nem a você?"
"Nem a mim. Claro, pode mostrar a mim se quiser. O principal objetivo desse exercício é fazer com que você se conheça melhor e busque os motivos pelo qual você está aqui, e aceite melhor o fato."
"Eu já estou conformada."
"Não é uma questão de conformidade, Srta. Weasley, e sim, uma questão de aceitação."
"E se eu disser que eu já aceitei?"
"Sabe que nome eu daria a isso?"
"Mentira?" – eu tentei, com um meio sorriso no canto dos lábios.
x.x.x
Ele é bom. Dr. Johnson consegue pegar as coisas no ar. E é definitivamente divertido. Por conta disso, eu decidi fazer o que ele me mandou. Meus primeiros 'negócios': Marcos Flint, Dino Thomas, Severo Snape e Draco Malfoy."
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Draco fechou o diário em suas mãos e, sem perceber, ficou passando a ponta dos dedos nos dois nomes em alto relevo que havia na capa. Srta. Weasley, este que tinha um risco bem no meio, e Sra. Malfoy, com uma letra caprichada e grande.
Ele mantinha um meio sorriso no rosto, não sabia ao certo se era de contentamento ou repulsa. Mas algum havia de ser.
A seguir ele trancou o diário com um cadeado e um feitiço e colocou-o de volta na gaveta de escrivaninha, sobre um pergaminho que dizia:
"No começo você foi um 'negócio'. Apenas mais um, ou apenas o primeiro, que depois de tantos era suposto tornar-se mais um no meio de tantos, e que não faria diferença alguma, seria tão pouco importante como qualquer outro.
Mas se você considera assim, um 'negócio', você foi o meu negócio mais importante, sem saber que você deixara de ser apenas uma questão de trabalho, uma execução, no primeiro instante em que eu olhei pra você e tive a certeza de que aquele calor que eu senti, aquela sensação de borboletas, aquele estremecimento, não poderiam significar qualquer coisa pouco importante.
No dia em que eu olhei pra você e percebi que você era o homem mais lindo, charmoso e sexy que já tinha visto. Com um sorriso de derreter qualquer mulher, que me encantou, você deixou de ser um 'negócio'.
O diário é seu.
Sra. Mal---
Virgínia Weasley"
Fechou a gaveta e trancou-a com uma chave, a mesma chave que abria o cadeado do diário. Colocou-a numa correntinha discreta, e botou-a no pescoço, de onde quase nunca saía.
Draco sentou-se na poltrona junto à escrivaninha e analisou alguns papéis. Ouviu o ranger da porta da biblioteca, mas não fez questão de erguer a cabeça para ver quem era.
"Você demorou." – ele falou, seriamente.
"As coisas nem sempre acontecem como queremos, Draco." – era a voz de uma mulher, e soava segura e com um certo tom de sensualidade.
"Estão as duas aí?"
"Como você queria, Draco, como você pediu." – dessa vez era outra mulher, usando um tom um tanto mais sério que a primeira, mas igualmente sensual.
"Vou explicar a situação para vocês, e quero que saia tudo como planejado."
Draco finalmente olhou para as duas mulheres, observando-as e analisando-as, num silêncio que durou alguns minutos. Tempo suficiente para ele perceber que elas ficavam mais bonitas vestidas de uma maneira séria do que com aqueles vestidos de festa, como haviam se mostrado no dia do Baile de Verão, ao lado dele.
Uma delas era loira, com os cabelos muito longos e lisos e os olhos incrivelmente azuis. A outra tinha os cabelos num tom castanho avermelhado, e os olhos eram muito verdes. Ambas muito bonitas, e com sorrisos verdadeiramente irresistíveis para um homem.
As duas ouviram atentamente cada palavra de Draco, e mantiveram-se durante toda a conversa agindo profissionalmente, com posturas rígidas e igualmente elegantes. Não se podia negar, aquelas mulheres eram as famosas chamadas femme fatale.
"Espero que tenha entendido a sua parte, Rute.- ele falou, seriamente."
A mulher loira meramente balançou os cabelos, jogando-os para trás, como se aquele ato dissesse "Eu posso deixar um homem se arrastando aos meus pés com esse ato.", e certamente isso era capaz de acontecer.
"Carina? Você entendeu?"
"Kika.- ela consertou."
Draco olhou para a morena e enfrentou o olhar desafiador dela, e o sorriso entre dentes. Definitivamente não era possível alguém enfrentar olhos como aqueles, era? Um homem talvez caísse ao encanto daquelas duas mulheres, e definhasse por sofrer nas mãos delas. E Draco não estava afim de defrontar com nenhuma das duas.
Ele odiava apelidos. E certamente 'Kika' era mais um deles. Por que pessoas gostavam de reduzir outras pessoas a apelidos sem sentido? Era como chamar a outra mulher, Rute, de 'Rutinha' ou quem sabe 'Ru-ru' ou talvez 'Titinha'. E a morena renderia alguns apelidos como 'Ca', 'Cacá', 'Carininha' e 'Kika'. Mas o pior de todos, na concepção de Draco, era reduzir um nome tão lindo e forte e ousado como 'Virgínia' para 'Gina'. Que sentido aquilo fazia? Nenhum, absolutamente. Mas no caso de Carina ele não queria procurar sentido algum, de todo modo, então forçou-se a chamá-la pelo apelido.
"Que seja, Kika!- ele forçou o apelido, a acabou por arrancar risadinhas vitoriosas de ambas as mulheres- Você quer forçar algum apelido, Rute?"
"Se você quiser que eu dê um apelido para você também, Draco, você poderá me chamar por algum apelido. Quem sabe 'Estrelinha'. 'Draco' é o nome de uma estrela, não é?"
"É sim, mas eu odeio apelidos. Você seria uma mulher morta caso se dirigisse a mim por um apelido esdrúxulo e estúpido como esse. Ninguém se dirige a um Malfoy por um apelido."
"Eu vou considerar isso, Draco.- Rute falou."
"Nós vamos.- Kika completou- Pelo menos até o momento em que você continuar nas rédeas."
Draco franziu o cenho e estreitou os olhos. Por um segundo, um segundo apenas, ele teve a nítida sensação que a femme fatale número 2, a que inconvenientemente atendia pelo apelido de Kika, o havia chamado de cavalo. Não diretamente falando, mas talvez metaforicamente. No entanto, quando ergueu o olhar para tirar suas conclusões, as duas mulheres já tinham evaporado, ou desaparatado para bem longe.
"O nome da cidade é pouco importante. Era uma cidade não tão pequena, e talvez fosse muito organizada se todos não estivessem com medo por causa das mortes seriadas que ocorriam no local.
O nome dos assassinos? Bem, eu tinha certeza de pelo menos três deles, que são justamente ¾ da minha lista de execução.
Aparentemente Severo Snape comandava tudo. Eu não vejo um motivo ao certo, mas quem sabe para espalhar medo, para tentar se sobrepor às pessoas que viviam na pacata cidade e, quem sabe, se auto proclamar 'Voldemort Júnior' e ser chamado carinhosamente por 'Você-sabe-quem Júnior'. Isso não faz muito sentido, faz? Mas não importa. Era fato que Snape, Flint e Dino estavam envolvidos. E o mais incrível que pudesse parecer, os três eram bem influentes na cidade, como políticos, mas sem serem políticos..
Eu também não tinha muita certeza sobre o motivo de Dino ter se envolvido com comensais esquecidos. Não há muita lógica nisso. Mas talvez houvesse um sentimento de vingança, ou algo do tipo.
Eu tinha tudo muito bem planejado. Uma idéia que não poderia dar errado, porque aquela seria a minha única chance de ter os três homens tão perto de mim.
E era óbvio que eu estava com medo de executar alguém. Eu nunca tinha executado ninguém. Os meus dois primeiros anos no CIM foram de treinos e mais treinos, que fizeram de mim uma das melhores agentes de campo e batalha.
Por algum motivo eu tinha escolhido executar primeiro Severo Snape, seguido de Marcos Flint e depois Dino Thomas. Por último eu procuraria Draco Malfoy e passaria a estudá-lo.
E eu digo, procurar por Draco Malfoy não parecia ser uma tarefa muito fácil, visto eu não ter foto nenhuma dele, visto ninguém ter foto dele, a não ser as do tempo de Hogwarts, ainda com 16 anos, que certamente não serviriam para nada, já que na época ele era criança, e agora estaria com 23 anos... teria mudado tanto?
x.x.x
Severo Snape era frio, tão frio que foi capaz de matar Dumbledore olhando nos olhos dele, sem dó, sem receio. Apenas matou e saiu, como se nada tivesse acontecido. Eu seria capaz de matar assim?
x.x.x
Bem, cheguei à conclusão de que matar friamente eu não seria capaz. Pelo menos não usando roupas provocantes de couro, agindo como uma mulher depravada, que diga-se de passagem eu não sou.
A idéia era a seguinte: trocar de lugar com a mulher que tinha sido contratada para ir até Severo e fazer-lhe as vontades, seduzi-lo (uhm...essa foi a parte nojenta da história) e matá-lo. E isso, definitivamente, não era matar com frieza.
Persuadir a mulher e ceder seu lugar pra mim foi fácil. Ela se contentou com os mil galeões que eu ofereci e depois desapareceu.
x.x.x
O lugar era uma espelunca. Nojento e depressivo. Cheirava mal. E eu não acreditava que estava ali, embora tivesse consciência de que a causa era nobre e livraria o mundo de um louco, um assassino. E pensar que Severo Snape tinha dinheiro e sua verdadeira casa era enorme e linda...
Eu entrei sem maiores problemas pela porta que levava ao quarto de Snape, depois de ser confundida com uma prostituta pelos dois brutamontes que guardavam o local. Eu me senti ultrajada com aquilo tudo, fiquei com calafrios e fiquei ainda mais nervosa. O local era frio, como uma masmorra, sujo como um esgoto, escuro como...as trevas...
Assim que eu entrei Severo virou-se para mim. Não posso negar que o antigo professor de Poções sempre se vestiu com elegância. Talvez aqueles trajes pretos e sempre bem alinhados pudessem lhe tirar um pouco o ar agressivo, arrogante e a aparência desgastada de seu rosto. Naquele dia ele não estava diferente, pelo menos não as roupas.
Mas o rosto dele estava assustador. Velho e cheio de cicatrizes. O sorriso era amarelo e maldoso. Mais uma vez, nojento e depressivo. Naquele momento em que ele sorriu para mim com tanta malícia, eu tive certeza de que a mulher que subornei deveria estar rindo da minha cara. Mas naquele momento eu também admiti que eu já tinha levado aquela execução para o lado pessoal.
Por todos os anos de humilhação. Por cada resposta malcriada e cada detenção. Por cada injustiça e, principalmente, pela morte de Dumbledore. Sim, aquilo era uma vingança pessoal.
Ele se aproximou de mim e eu tive ânsia em tirar a Sig Sauer de dentro da bota e atirar nele, assim eu poderia acabar com aquilo de uma vez. Eu poderia garantir um tiro certeiro no meio da testa dele, de olhos fechados. Seria rápido e ele não sentiria nada. Seria perfeito e silencioso. Mas não. Ao invés de uma arma branca, eu puxei de uma das botas um chicote de couro, e estendi-o rumo ao peito de Snape, fazendo-o parar antes de chegar muito perto de mim.
Mais uma vez ele sorriu. Um sorriso mais largo, mais malicioso e malvado. Os olhos dele passaram pelo decote entre meu busto e pela saia minúscula de couro. Era horrível. Eu me senti violada.
Mas mesmo assim eu sorri, como uma mulher que não tem um pingo de orgulho de si mesma, que não carrega consigo nenhuma privação, nenhuma virtude. E eu me senti suja.
Pior ainda quando eu apontei o chicote para ele, forçando-o a ajoelhar-se diante de mim, como um cachorrinho ordenado, que fazia tudo abanando o rabinho. Os olhos dele brilhavam em fascínio, o sorriso dele se alargava à medida que eu batia nele com o chicote. "Velho pervertido", pensei.
"O que você faz?- ele perguntou."
Óbvio que aquela não era uma pergunta que exigia respostas do tipo 'Sou jornalista do Profeta Diário' ou 'Sou agente especial de uma organização secreta de assassinos'.
"Tudo o que você quiser.- me peguei respondendo, com uma voz baixa e sensual, seguido de mais uma chicotada, dessa vez mais forte- Alguma sugestão?"
"Bata mais forte."
Céus. Além de pervertido ele era masoquista. O lado sombrio de Severo Snape, o impassível professor de poções, estava se revelando. Mas, sem pestanejar, eu bati. E depois tirei duas cordas de algum lugar e amarrei, o mais fortemente que pude, os pulsos dele.
"E você, Severo, o que você faz?"
Ele ficou calado por alguns segundos depois de uma chicotada realmente dolorida. Tentou falar algo depois, mas eu o impedi.
"Você anda por aí pagando a muitas mulheres...- eu parei, respirei fundo, e prossegui- ...como eu?"
Ele sorriu, dando sua resposta para a minha pergunta. Era óbvio que ele tinha seus próprios meios de...
Mais uma chicotada e dessa vez ele gritou, ou gemeu, eu não pude distinguir. Ele estava gostando.
"Gosta de jogar, Severo? Strip Pôquer com seus amiguinhos?"
Ele sorriu mais uma vez. É claro que gostava.
"Ou você gosta de sair por aí matando pessoas inocentes depois de conseguir o que quer delas?- ele arregalou os olhos e foi a vez de eu sorrir."
Eu me abaixei diante dele e fitei seus olhos. Naquele momento eu vi medo estampado nos olhos de Severo Snape. Pela primeira vez ele pareceu frágil. E realmente estava. Não tinha como se defender, estava sem varinha e com os pulsos amarrados. E a posição, de joelhos, não ajudava nem um pouco.
Mas eu também senti algo quando olhei nos olhos dele. Senti coragem. E só então eu pude formular uma hipótese que respondia tão bem à minha pergunta "Como Snape foi capaz de matar Dumbledore olhando nos olhos dele?". Era simples.
O medo de uma pessoa que não gostamos nos faz sentir coragem. E quando temos que matar essa pessoa, é como se nós tivéssemos todos os motivos para matá-lo revelados no brilho daquele olhar de medo e desespero.
Eu vi culpa no olhar dele. Tanta culpa que ofuscava. Medo. E mais desespero do que qualquer outra coisa. Aquilo era angustiante, mas a resposta dos olhos dele foi suficiente para me fazer tirar a Sig Sauer da bota e apontar para ele.
Eu pensei por um segundo antes de apertar o gatilho duas vezes seguidas. E durante esse segundo eu vi todas as coisas que me faziam querer matar Severo Snape.
Humilhação. Medo. Dumbledore. Pessoas inocentes.
Os dois raios de feitiço acertaram-no no pescoço. Um tiro em baixo do outro. Certeiros e letais. Não seria uma morte rápida, seria lenta e dolorosa. E por mais que ele tentasse gritar, não conseguiria. Seria silencioso.
Havia sangue jorrando dos dois tiros, e Snape estava caído no chão, se contorcendo, abrindo e fechando a boca na tentativa frustrada de pedir socorro.
Eu apenas fiquei olhando para ele. A expressão impassível no rosto, fria. O olhar duro. Meu coração estava apertado, mas eu não senti culpa. Era suposto eu sentir culpa por ter livrado o mundo de alguém que só fizera mal desde o dia que nascera? Eu acredito que não.
Por um segundo eu senti os meus lábios crispados, num sorriso vitorioso. Meus olhos poderiam estar brilhando ao ver a vulnerabilidade de Snape naquele momento. Mas eu não poderia saber, nunca poderia.
Então, num ato quase que mecânico, eu apenas soprei o cano da Sig Sauer, do mesmo modo como fazem todos os pistoleiros de bang bang naqueles filmes trouxas. E por pouco eu não falei "Asta la vista, baby" para a figura extenuada de Snape no chão, antes de desaparatar num beco perto de um bar chinfrim da cidade."
Draco baixou o diário e levou as mãos ao rosto. O relógio no escritório indicava quase quatro da manhã, e seus olhos já demonstravam sinais de cansaço.
Ignorando tudo isso, ele ergueu novamente o diário até a altura dos olhos, recostou-se melhor na poltrona, descansou as pernas sobre a escrivaninha e continuou lendo.
"Meu coração estava acelerado. Eu tinha acabado de matar um homem, e apenas o que eu podia sentir era meu coração apertado e, no segundo seguinte, aliviado, como se eu tivesse acabado de fazer a coisa mais certa do mundo.
Eu transfigurei minhas roupas em algo um pouco mais...menos sensual, mas que ainda chamasse atenção. Entrei no bar a passos largos, claramente demonstrando que eu queria que todos soubessem que eu tinha entrado. E obviamente, todos olharam para mim e seguiram meus passos com os olhos.
No entanto, eu olhei para uma pessoa que me atraía em meio a todas as outras. Não me atraía no sentido literal da palavra, mas que eu precisava atrair e precisava que se aproximasse.
Marcos Flint. Ele sorriu para mim. Eu sorri de volta e, lançando charme, pisquei-lhe um olho.
Lembro-me de Flint ser um adolescente feio em Hogwarts, com os dentes tortos e muito burro. Agressivo e muito competitivo. Mas aquele Marcos Flint que me olhava era bonito, embora o sorriso não fosse charmoso e os olhos fossem bem sombrios.
Eu me desviei da atenção dele ao me virar para o balcão e pedir duas bebidas fortes. Discretamente eu dissolvi uma droga numa das bebidas, veneno óbvio. Por estarmos em local público, eu precisava de algo bem discreto, mas funcional.
Aproximei-me dele e ofereci-lhe o copo com veneno. Nada mais sutil. Sem desconfianças. Sem rastros. Causas naturais, diriam. Um homem com menos de 30 anos morrera de causas naturais e provavelmente todos acreditariam. Absurdo.
Marcos Flint aceitou prontamente o drink que eu ofereci, e tomou-o num gole só. O efeito do veneno só poderia ser sentido dali uma hora, mas seria tarde demais para qualquer antídoto. Aliás, não havia antídoto.
Depois disso eu não entendi muito bem o que aconteceu, mas afinal, meu trabalho com Flint já estava feito e em breve ele estaria morto, sem sentir nada.
Uma mulher se aproximou de nós, puxou minha mão, falou algo muito rápido e incompreensível e sentou-se no colo de Flint. Eu apenas sorri. Era a minha deixa.
"Fique com ele o tempo que puder, queridinha."
Falei, o mais cínica possível, e saí do bar, desaparatando assim que alcancei o beco."
Draco crispou os lábios e piscou várias vezes, na tentativa de espantar o sono. Estava difícil. O sol, do lado de fora, já despontava no horizonte. No entanto, por mais que ele quisesse dormir, por mais que ele quisesse largar aquele diário, a curiosidade o impelia a continuar lendo.
Virgínia era sempre bem sutil no que escrevia. Aliás, ela era naturalmente sutil em qualquer coisa que fazia, e talvez aquilo garantisse o seu sucesso.
"Com sutileza, Sr. Malfoy, nós podemos conseguir todas as respostas para as nossas perguntas.- ela sussurrou ao seu ouvido, num momento de fragilidade dele, visto ele já estar seduzido pelo olhar dela e pelos toques dela. Toques sutis."
"A sutileza será sua destruição, Sra. Malfoy.- ela estreitou os olhos."
"A sua sutileza sim, meu amor, mas a de mais ninguém.- ela disse, antes de deitar-se por cima dele e beijá-lo, com mais sutileza do que nunca."
Se havia uma coisa que Draco gostava em Gina era sua maneira sutil de agir. Aquela maneira arredia e discreta, esgueirando-se pelo cantos e procurando brechas em cada informação, lançando indiretas sempre, em busca das respostas diretas de quem caía em sua armadilha. Tudo era feito com sutileza, sua marca registrada de agir. Ela agia como um felino, sempre atento, sempre perspicaz.
Era inútil admitir para si mesmo que amava Gina como não amava ninguém. Era inútil porque ele já sabia disso, claro. Draco Malfoy sempre sabe das coisas que lhe interessam, e amar Virgínia Weasley, ou melhor, Virgínia Malfoy, era um de seus maiores interesses.
"Eu não vou comentar a morte de Dino Thomas. Eu não sei como ele morreu. Não fui eu quem o matou.
Minha intenção era encontrá-lo no quarto de hotel onde ele estava hospedado, provavelmente tentar seduzi-lo, arrancar algumas informações dele e matá-lo. Seria algo como eu fiz com Severo Snape, mas menos superficial e bem mais difícil, visto eu não ter, exatamente, motivos para matar Dino Thomas e, até certa idade, até admirá-lo e chegar a namorá-lo em Hogwarts.
Alguém já tinha passado por ali e matado Dino com uma chave de pescoço. Rápido, fácil, fatal. Coisa de profissional. Sem marcas, sem digitais e, consequentemente, sem suspeitos.
Não havia nada que eu pudesse fazer ali. Então, eu desaparatei para o hotel onde eu estava hospedada. Não era nenhum Palace, nem era realmente organizado, mas era o melhor que a cidade oferecia. Meu quarto era bem confortável, e para meu alívio, não tinha baratas.
Eu geralmente costumava aparatar direto no meu quarto, mas naquele dia em especial, ou melhor, naquela madrugada, eu resolvi aparatar num local escuro próximo ao hotel e entrar pelo salão de entrada, como se eu fosse um dos vários trouxas dali, como se eu fosse apenas mais uma trouxa por assim dizer.
O lobby do hotel tinha uma luz ambiente quase que fascinante, não era clara demais, nem clara de menos. Era perfeita. Uma boa entrada. E eu só a tinha usado uma vez quando eu dei entrada na minha conta.
Olhava ao redor, como de costume, sempre atenta nas mais diversas conversas das pessoas. Um dos ouvidos numa conversa entre duas mulheres, a respeito do último assassinato na cidade, o outro numa conversa entre um casal, que ria sobre um negócio selado entre eles e Dino Thomas e que receberiam sua encomenda no outro dia. Estranho. Suspeito. Mas sem chance alguma de acontecer, já que Dino estava morto.
Parei no meio do lobby, depois de uma agitação na recepção, sobre uma mulher que reclamava por não ter mais quartos vagos. Depois levei meus olhos em direção a um homem sentado num dos sofás próximo à recepção.
Cabelos claros, pele alva. Magro, porém forte. Barba por fazer, aspecto rebele. Simplesmente lindo. Elegante, com terno e camisa pretos e impecáveis e uma gravata lisa vermelha.
Na hora pensei que talvez fosse turista, visto estar segurando um guia prático de turismo. Talvez trouxa.
Ele atentava-se a uma conversa de dois homens no sofá à frente dele, e até parecia participar da conversa.
Naquele momento, olhando para aquele homem, eu simplesmente parei, e pensei que jamais seria capaz de olhar para outra direção. Os traços do rosto dele eram fortes, a expressão era um misto de gentileza e severidade.
Eu não sei quanto tempo eu fiquei olhando para ele, mas certamente ele percebeu o peso do meu olhar e olhou para mim.
E nessa hora eu perdi o fôlego. Ele tinha olhos impossivelmente prateados. Olhos nos quais uma mulher poderia facilmente se perder.
Apenas em olhar para ele eu já me sentia extasiada. E aparentemente os olhos dele me puxavam, me incitavam e ir até ele. Dei um passo em direção a ele e, como se todo o meu devaneio se quebrasse, como se a miragem se desfizesse, um homem alto e forte parou na minha frente, e eu não pude mais ver o homem loiro com olhos prateados.
"É você, eu tenho certeza.- o homem falou e eu franzi o cenho."
"Eu o quê?"
"Você esteve no prédio do Sr. Snape hoje."
Nessa hora eu parei. Meu coração falhou algumas batidas e eu pensei onde eu poderia ter errado. Como eu pude deixar que me reconhecessem?
Segundos depois eu gelei, e meu coração disparou.
"Este homem está te aborrecendo, querida?"
A voz dele era forte e imponente. Era do tipo enlouquecedor. Meu corpo estremeceu quando ouviu aquela voz tão perto. Era a voz dele, do homem loiro que eu admirara há alguns segundos, e se dirigia a mim. E eu imaginei que se a voz dele já tinha esse efeito sobre mim, quando dita a uma certa distância, imagine se ela fosse dita no meu ouvido. Quem sabe um 'eu te amo' ou algo mais...menos...algo inapropriado para ser escrito num diário.
Eu demorei dois segundos para perceber e absorver a situação ao meu redor. O homem armário ainda estava na minha frente, e o homem loiro estava do meu lado, olhando friamente para o homem armário. O homem armário olhava de mim para o homem loiro, e parecia vacilar um pouco quando fitava aqueles olhos prateados.
Então houve uma troca rápida de olhares, que bastou para que eu o chamasse de 'amor' e fizesse dele meu aparentemente marido.
"Ele é doido, amor, me abordou de uma maneira estranha, não entendi direito."
Ele me apertou pela cintura como se tivesse esperado por mim o dia todo, e em partes, a noite também. Dei-lhe um abraço carinhoso, só então percebendo que além de lindo, elegante, com olhos e voz formidáveis, ele tinha um cheiro inigualável e inebriante, e ele me puxou pela mão, subindo as escadas.
Em momento algum enquanto subíamos as escadas eu larguei da mão dele ou fiz alguma objeção quanto ao ato. No segundo lance de escadas eu passei a guiá-lo, rumo ao meu quarto, sem entender, e mesmo sem me perguntar, porque eu estava fazendo aquilo com um estranho. Na verdade, um estranho loiro, elegante, com olhos prateados, voz de enlouquecer e cheiro inebriante.
Nós entramos no quarto e nos encostamos à porta, arfando, cansados pela subida. Estávamos lado a lado e não nos olhamos ou falamos nada durante algum tempo.
"Obrigada...- eu falei, olhei para o lado e estendi a mão- Virgínia."
Ele olhou para mim, um tanto sério, mas com os olhos prateados brilhando intensamente. Ele apanhou minha mão e, num gesto elegante, beijou as costas da minha mão.
Depois olhou para mim de novo e sorriu. O sorriso mais lindo que eu já tinha visto, um sorriso de derreter qualquer mulher.
"Draco."
Céus. Então aquele era Draco Malfoy? O homem mais lindo que eu já tinha visto, com o olhar mais formidável do mundo e o sorriso mais envolvente...o homem mais elegante e cheiroso... Aquele era mesmo o homem que estava na minha lista de execução?"
Draco riu. Gostara muito da descrição de Gina a seu respeito. Em partes, as palavras dela aliviavam seu coração.
Ele apanhou uma pena e um livro preto de couro e começou a escrever.
"Ela estava linda no baile. Talvez eu nunca a tivesse visto tão sexy. Mentira. Eu não poderia nunca dizer em que momento Virgínia esteve mais sexy, porque para mim ela está sempre perfeita.
Nossa dança foi espetacular, e por alguns momentos eu senti que ela não quisesse mesmo me matar, embora eu saiba que ela está trabalhando para me matar, de algum modo. Eu sei disso. Ela me procura para saber o que eu quero ou o que eu tenho a dar.
Mas naquele salão, mesmo com toda aquela conversa, e mesmo depois de descobrir que ela matara meu pai (não, eu não sabia que tinha sido ela, mas de qualquer modo, não guardo raiva. Como poderia, se eu sei que a amo?), eu podia sentir nos olhos dela que ela queria sair correndo dali em busca de um quarto ou algum lugar mais reservado. Sair correndo comigo, talvez como quando corremos do lobby daquele hotel há sete anos.
Confesso que fiquei com raiva de vê-la com o Potter. O olhar dele era de ambição, de desejo. Um olhar sujo, possessivo. Não gostei. Tive vontade de ir até ele e socá-lo, talvez matá-lo, por cobiçar a minha mulher, minha Virgínia.
Então eu me pergunto: desde quando as coisas se inverteram? Desde quando é Harry Potter quem quer o que é meu? Não era suposto eu cobiçar tudo o que ele tinha? Fama, poder, glória?
Depois eu a vi sozinha do lado de fora do iate, encantada com os fogos de artifício.
"Nós nos odiamos, Virgínia?"
Um sorriso pode ser considerado uma resposta? Um gesto vale mais do que palavras? Eu acho que naquele caso eu gostaria de ter ouvido palavras da boca dela. Se não palavras, talvez um beijo.
Eu ainda terei a minha resposta."
Draco folheou algumas páginas do livro, até parar numa das primeiras. Sorriu. Na época sua letra não era tão caprichada quanto agora, e sua organização não chegava aos pés da organização atual.
"Escrever. Me mandaram expor meus sentimentos. Até agora eu não consegui entender porque eu preciso escrever para aceitar. Afinal, o que eu tenho que aceitar? Que eu sou doido para mandar meu pai pra cadeia e ficar com o dinheiro dele? Que eu sou doido para fazer meu pai pagar por ter matado a minha mãe? É, talvez eu devesse me abster desse sentimento de...bem, eu não sei que sentimento é esse.
Vou logo ao que interessa. Algo que aconteceu há alguns dias, que mudou muito a minha vida. Bem, não mudou muito, mas aparentemente deu algum sentido válido a ela.
Eu estava numa cidade não tão pequena, em algum canto da Inglaterra, pouco organizada, talvez por causa das mortes seriadas que vinham ocorrendo ali.
Estava a trabalho. Trabalho rápido e fácil, que eu cumpri logo, para me ver livre e tentar curtir as amenidades da cidade.
De madrugada, depois de terminar qualquer coisa pendente, eu resolvi visitar o lobby do hotel onde eu estava hospedado. Era grande, arrumado, com uma luz amena e agradável.
Sentei-me no sofá e peguei um guia de turismo, afinal, o disfarce era tudo. Mas meus ouvidos estavam bem atentos à conversa dos dois homens no sofá da frente.
"Você acha que o tal do Severo Snops vai mesmo apoiar a re-candidatura?- o homem número um prontificou-se."
"Eu não gosto dele.- disse o homem número dois."
"É Snape.- eu consertei, ao que os dois homens olharam para mim."
"Como?"
"É Severo Snape, não Snops."
Os homens não disseram nada a respeito. Eu também não insisti na conversa deles. Havia outra coisa que imediatamente me chamou mais a atenção do que uma conversa sobre o meu ex professor de poções.
Um mulher tinha acabado de entrar no salão. Cabelos intensamente vermelhos, olhos de fogo capazes de derreter até o mais frio coração. Tinha acabado de derreter o meu. Belas curvas, que pareciam ao mesmo tempo macias e rijas. Vestido branco, até os joelhos, num tecido bem leve que, além de acompanharem seus movimentos, delineavam sutilmente a forma esguia de seu corpo.
Não queria nem imaginar um motivo qualquer que tinha feito aquela mulher aparecer numa cidade que sofria tanto, no momento, com a crise e a rivalidade política, mostrando-se violenta e sem atrativo algum.
Mas afinal, eu não podia reclamar. Ela estava ali. De todos os lugares que ela podia estar, em todas as portas que ela podia bater, ela bateu justamente na minha.
Ela olhava para mim também, com um meio sorriso nos lábios. Encantador. Deu um passo em minha direção e foi quando...um brutamontes idiota me tirou o privilégio de uma visão única e perfeita. Porra!
Então, eu simplesmente me levantei, por impulso, não aceitando que um homem me impedisse de olhar para aquela mulher. Arrumei meu terno e balancei os cabelos, e andei até o homem, parando ao lado da mulher e olhando-o friamente.
"Este homem está te aborrecendo, querida?"
Eu perguntei com a maior naturalidade do mundo, como se aquela fosse a minha mulher que eu amava, a mulher da minha vida. Bem, talvez ela fosse mesmo a mulher da minha vida. Eu só precisava de uma oportunidade para descobrir, e tal oportunidade eu estava buscando, arriscando meu pescoço caso aquele homem gigante fosse o marido ou namorado dela.
Ela me olhou rapidamente. Algo bem significativo e intenso, que me deixou extasiado.
"Ele é doido, amor, me abordou de uma maneira estranha, não entendi direito."
Ah, a voz dela. A voz dela era doce, calma, e o fato de ter me chamado de 'amor' me fez sentir algo quente e inédito no estômago, como borboletas. E parecia fazer sentido ela me chamar de 'amor' sem nem saber meu nome, como fazia sentido eu chamá-la de 'querida', já que não sabia o nome dela.
Então eu a puxei pela cintura, como se aquilo fosse algo que eu esperasse fazer há muito tempo. Depois disso ela me deu um abraço, carinhoso, mas que eu não pude deixar de pensar que tinha sido bem sensual, o ato mais sensual que uma estranha já tinha feito para mim.
Aproveitei a chance para sentir o cheiro dos cabelos dela. Cheiro de flores, algo que eu nunca tinha sentido numa forma tão intensa.
Olhos expressivos, belas curvas (como eu imaginava, macias e rijas), sorriso encantador. Ela seria capaz de enlouquecer um homem com um único olhar ou um único sorriso.
Então eu a puxei rumo às escadas, aproveitando a deixa da cara abobada do homem que a estava incomodando. Ela não se opôs em momento algum em me seguir, pelo menos não até chegarmos ao segundo andar, onde ela me guiou até o quarto dela.
Quando entramos, nos encostamos à porta fechada, cansados da subida. Estávamos sem fôlego e, por isso, ficamos calados por algum tempo, lado a lado.
"Obrigada...- ela falou, estendendo a mão. Eu senti o peso do olhar dela sobre mim- Virgínia."
Virgínia era um ótimo nome. Forte e ousado, fazia jus à imagem dela. Fora que eu gostava do nome, então ele era perfeito.
Eu olhei pra ela. Estava um pouco sério, talvez porque ainda estivesse tentando recobrar o ar que me faltava. Mas eu tinha certeza que meus olhos brilhavam pra ela. Apanhei a mão de Virgínia e beijei, num ato de cavalheirismo. Depois eu olhei de novo pra ela e sorri.
"Draco."
Depois de alguns segundos, ambos começamos a rir. Rir do que acabara de acontecer? Rir de dois estranhos que se fizeram de casal depois de uma troca furtiva de olhares?
Não importava. Apenas rimos, diante de uma provável ameaça que aquele homem pudesse significar. Rimos do perigo.
Aquele era meu tipo de mulher.
x.x.x
Esperamos alguns minutos no quarto, basicamente calados. Esperamos que as coisas do lado de fora se acalmassem, bem, pelo menos esperamos o suficiente para que aquele homem fosse embora.
Depois disso, nos esgueiramos para fora do hotel e ganhamos as ruas. Àquela altura da madrugada já estava chovendo muito, e várias pessoas que ainda estavam nas ruas tentavam se salvar da água cobrindo as cabeças com jornais. Decerto que não adiantava muito. Virgínia e eu não nos preocupamos muito com isso, e mesmo nem nos molhamos demais, visto estarmos indo por caminhos cobertos.
Eu a estava levando a um local que eu conhecia, um pub, escondido num dos becos da cidade, num porão, algo bem popular entre os locais. Não era algo realmente luxuoso, nem mesmo bastante organizado, mas o local era limpo e divertido.
"Então, o que uma mulher como você faz aqui, nesse fim de mundo bagunçado?- eu perguntei, após arranjarmos uma mesa para nós."
"Trabalho.- ela não disse mais nada a respeito- E você?"
"Diversão.- falei com um belo sorriso maroto no rosto, e pareceu que ela gostou da resposta."
Na pista de dança, várias pessoas tentavam esquecer o mundo bagunçado do lado de fora. A salsa era frenética, os corpos se esfregavam com volúpia e absurda sensualidade. Não que eu arriscasse tomar parte daquilo, mas eu gostava de olhar.
Estalei os dedos e uma garrafa de tequila surgiu do nada na nossa frente, bem como os demais apetrechos. Isto era o melhor do lugar: o serviço.
Servi duas doses de tequila e levantei meu copo para fazer um brinde.
"O que você propõe?- eu perguntei."
"Ao estranho casal que não se conhecia até esta noite.- ela disse, e eu achei perfeito."
Ri e bati e meu copo levemente no dela.
"Ao estranho casal que não se conhecia até esta noite.- repeti."
Meus olhos não se despregavam dela enquanto lambíamos o sal em nossas mãos, tragávamos um gole de tequila e chupávamos as suculentas fatias de limão.
Esse foi, de longe, o drinque mais sensual de toda a minha vida.
Duas doses mais tarde, Virgínia arrastou-me até a efervescente pista de dança, puxando-me pela gravata como se fosse uma coleira e puxasse um cachorrinho alegre e obediente. Gritei que não sabia dançar. Bem, é claro que eu sabia dançar, mas não aquele tipo específico de dança. Mas quando ela se virou para mim..."
Ele fechou o livro, lendo rapidamente a gravação prateada e gasta na capa: "Draco Malfoy", e uma mais recente, "Sr. Malfoy".
"Está na hora de você ficar com ele, Virgínia."
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N/Rbc: participação especial de Rute (a Riddle) e Kika (a Felton)... hehe... porque esta fanfic é delas, não? Enfim... espero que tenham gostado...
Ok, algo importante. Eu não sei se essa será a última atualização do ano de SSM... ou se ela ficará sem ser atualizada até final de Janeiro... vou sair de férias... viagem... então, não sei exatamente quando poderei atualizá-la de novo. Mas desde já... fica um ótimo NATAL pra todos vocês e um feliz ANO NOVO também, como eu disse numa fic antes, cheio de paz, amor e fanfics Draco e Gina das mais perfeitas possíveis...!
Uhm...dessa vez os agradecimentos vão aqui mesmo, porque eu estou com preguiça de ir no botão do profile...
Refinha M. Potter: moça, sua review me assustou... no melhor dos sentidos claro, e me deixou...estonteante! Realmente amei! Valeu por essa Rafinha! E este capítulo está cheio de lembranças, não? Espero que tenha gostado... E quanto ao tango...bem... eu não sei como eu consigo descrever...e não entendo como consigo agradar tantas pessoas com as descrições... porque não gosto de todos... - por exemplo o último que fiz para a Kika...bah! não gosto, enfim - mas fico feliz que você goste! E quanto a eu ser amiga da Kika e da Rute, sim, eu sou amiga delas... mas... somos separadas por um oceano...hehe... só por net mesmo... elas são portuguesas, eu brasileira... enfim...that's it! Bjinhos moça!
Bella W. Malfoy: uhm...a dança...eu gosto dessa dança em especial...fico feliz que tenha gostado e espero que você tenha gostado deste capítulo também. Bjinhos...
Franinha Malfoy: é...e eu estou pensando nesse momento o que eu farei com o capítulo inacabado que eu tenho dessa fic...rs rs...mas espero que essse tenha te agradado... eu gosto dele...apesar de ser uma "ligeira" - na menor das palavras que descreveria esse capítulo - cópia do livro Sr. & Sra. Smith... mas mesmo assim... Bjinhos...
Kika: ó grandes Tom e Orlando! Sublimes! Hehe... Potter barrado é ótimo... enfim...não tenho lá muita coisa a escrever aqui... você já sabe 3 capítulos a mais - ou seriam 4? - da fic, tem aparição especial como uma das femme fatale... uhm... é uma das divinas...divas... sublimes...sei lá... e... claro... temos lá nossas...uhm... céus, que estou dizendo? Enfim...'parvoices', nom jeito bem português de portugal - você pode me ouvir dizendo isso? - de dizer... bah... vamos 'tocar' a escrever... Bjinhos linda!
Fioccos: quanto tempooo mocinha! E eu não lembro se foi nessa ou em outra fic...enfim... que bom que você gostou do tango... eu gosto especialmente deste tango... e me desculpe pela demora... sabe o que a preguiça é capaz de fazer? É...e sabe o que o fan fiction é capaz de aprontar? É... Draco sensual? Uhm... gostei dessa... é bom descrever Dracos sensuais...ai ai... Bjinhos!
Rute: ou diria eu... 'Moranguinho'? ó Rutinha, temos que ter uma conversa decente por esses dias... sinto saudades de passar horas... conversando besteiras e rindo...e claro, conferências, e também, temos que por em prática nossa MSN Fiction... a nossa - minha e sua - e a nossa - minha, sua e da Kika - ou pensa que você vai se safar dessa? Nanão! Está intimada! E claro...ter um diálogo rotulado de 'o melhor' pela Sublime Rute Riddle...ó céus...estou no céu! Hehe... barras no Potter...mortes do Potter...eu vou me lembrar disso... Bjinhos moça!
Anita Joyce Belice: então...não é que eu tenha dificuldade em escrever NC...depende muito dos momentos... eu tenho que estar inspirada para escrever NC, ou eu não sou capaz de escrever algo aceitável... hehe... e o tango... uhm... fico feliz que tenha gostado...eu gosto muito dele... e espero que goste desse capítulo também... Bjinhos...
Carolilina Malfoy: assim... você já deve ter percebido que a fic segue um rumo um pouquinho diferente daquele do filme né? Apesar desse capítulo ser bastante baseado no livro, mas enfim... eu só peguei a base e alguns trechos e adaptei a uma nova história... e fico feliz que você goste da fic...realmente feliz...e que tenha comentado, claro...e ok, desejo anotado! Pedido de Natal? Uhm...talvez ele chegue um pouquinho atrasado...mas talvez ele seja extraviado...hehe...anyway... Bjinhos...
Bjinhos...
Rebeca Maria!
Nova fic: "Don't Give Up On Me" - Leiam!
"---Trio Sublime! Breve! Aguardem!---"
