Insanidade

N/Rbc: Eu tenho uma história interessante pra contar. 12 anos atrás eu fechei o meu perfil e não devo ter escrito mais do que uma página de fanfic de Harry Potter por todo esse tempo. Provavelmente 10 anos que não escrevo página qualquer de fanfic alguma. Minha escrita mudou para artigos científicos e artigos acadêmicos e as minhas amadas fanfics ficaram de lado. Muito tempo se passou, e eu tenho certeza que a maior parte das pessoas que eu encontrei e amei nesse mundo de fanfics não está mais aqui, mas um dia eu acordei com saudades, mais do que eu podia aguentar, e dei uma volta no tempo, revirando várias fanfics e autoras que eu lembro ter amado um dia.

Em meio ao caos e insanidade em que vivemos nesse ano de 2020, eu estou procurando tudo o que me mantém sã e se fanfic é uma das coisas, eu vou me segurar nesse mundo novamente. Eu espero que todos vocês estejam seguros nesse momento, e que as pessoas que vocês amam também estejam.

Sobre as minhas fanfics, eu resolvi reler Sr. & Sra Malfoy e é interessante como eu não me lembrava de absolutamente nada da história que eu mesma escrevi. Mas mais interessante ainda foi eu terminar de ler o último capítulo postado e, imediatamente, a minha mente me presentear com um plot pra finalizar essa história. Pode até ser que seja um plot meio insano, mas alguma razão há de ter, e talvez até lógica. Ou será que não? A mente humana é uma coisa fantástica e pouco sabemos sobre como ela realmente funciona. Às vezes você perde as palavras e precisa de 12 anos para encontrar o enredo certo, a forma certa de terminar de contar a sua história. Às vezes você não teve experiências suficientes para que você pudesse contar antes. A mente humana é uma loucura e uma insanidade, e temos que lutar diariamente para vencer.

Sobre Sr. & Sra. Malfoy:

Existe um gap de 12 anos entre o último capítulo e o seguinte. Não na história. A história ainda é linear e continua exatamente de onde parou. Mas na autora. Meu estilo de escrita mudou um pouco, como eu disse, e talvez tenham algumas inconsistências aqui e ali, porque eu perdi alguns detalhes na minha mente. Mas eu prometo, se eu estou postando isso, se qualquer pessoa está lendo esta nota, é porque eu tenho toda a história finalizada e já escrita. Isso mesmo, não por escrever, mas escrita e será postada rapidamente. E se vocês lerem, podem deixar uma reviewzinha pra mim? Hahaha

A fanfic vai continuar tendo spoilers até Half Blood Prince, ignorando os acontecimentos de Deathly Hollows e, obviamente, Cursed Child (tudo deveria ignorar Cursed Child, incluindo Cursed Child!). Eu sei que descobrimos que o nome da Ginny é Ginevra, mas continuarei usando Virgínia porque a fanfic começou assim.

Outra coisa, os próximos 4 capítulos são centrados em Draco, Ginny e Harry. Eu deixei de lado os outros personagens simplesmente porque eu precisava dar um final para essa fanfic e para isso eu precisava focar no plot central e finalizar a história. Eu tentei ser o mais consistente possível e tentei ligar a história de forma plausível, mas eu também centrei muito no sentimento deles. Espero que eu tenha conseguido explicar o que deixei em aberto anos atrás.

Esse próximo capítulo, Insanidade, é um código secreto. Ele é dedicado a uma das pessoas mais especiais e incríveis que eu encontrei nesse mundo de fanfics (e provavelmente nesse mundo insano) e que, por insanidade minha, eu perdi. Talvez essa pessoa nunca leia isso, e nunca realmente tenha pensado em mim nesses últimos 10 anos, mas caso leia, eu quero que ela saiba que eu estou finalizando essa história para ela. Ela vai saber. De uma forma ou de outra, eu espero que ela esteja bem, segura e feliz. E que ela esteja sã. E caso ela leia (caso você leia), de tempos em tempos eu penso em você e pensei inúmeras vezes em mandar uma mensagem, mas sempre achei que não fosse mais algo que eu pudesse decidir. Talvez eu mande, talvez eu continue achando que não é mais meu espaço. E talvez essa seja a minha mensagem pra você, da forma que eu mais sei fazer, com palavras. De qualquer forma, eu espero que você tenha encontrado a sua felicidade e sanidade. Sei o quanto você precisava dela. Um abraço. Aqui vai, para você, um pouquinho da minha (in)sanidade. Não havia título melhor para esse capítulo do que Insanidade, e para os próximos que se seguem. E não só este capítulo, mas o resto da fanfic é todo para você. Você lendo, ou não.

Sr. & Sra. Malfoy

Capítulo 12

Insanidade

"Afinal, o amor também é um crime perfeito: ora te mata, ora te fortalece, mas em todo caso representa o álibi ideal para toda a tua loucura."

A separação. Draco Malfoy.

A insanidade não é a perda abstrata da razão: "A insanidade é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente." A insanidade deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. A insanidade é pertinente e necessária à dimensão humana, e só se é humano quem tem a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela.

Draco tinha total consciência do que acontecia em sua mente, e estava lutando para vencer todos os pensamentos obscuros que a povoavam, e que invariavelmente tirariam sua sanidade. Todos os dias ele lutava contra os seus pensamentos e desejos, tentando evitar duas tragédias contraditórias: satisfazer seus desejos mais profundos e ter certeza que enlouqueceria, ou não satisfazer os seus desejos mais profundos, e perder a sua sanidade no processo. O destino parecia ser o mesmo em qualquer caminho que escolhesse.

Sua mente gritava para que fosse atrás dela e a trouxesse de volta para casa, para seus braços, para a sua cama. Ele queria e desejava o corpo dela da forma mais crua e intensa. Não era belo, era sujo e tristemente poético. E ele se martirizava por não fazê-lo, dando espaço para a raiva tomar conta de seus pensamentos no momento em que avistava a pasta de execução em sua mesa. Como ele tinha sido tão estúpido por tantos anos? Como ele nunca suspeitou que sua esposa fosse uma pessoa tão perigosa? Uma assassina que o tinha como alvo desde o início.

As noites de insônia, os pesadelos, os machucados. O silêncio. Ele deveria ter insistido em saber sobre aquela parte dela, que estava sempre atrás de uma sombra e um muro que ele nunca conseguiu derrubar. O silêncio, especialmente, que ele sempre odiou, e sempre foi parte dela.

Ele apanhou a pasta de execução sobre a mesa e abriu-a pela milésima vez. A data era de quase 8 anos atrás, a foto mostrava uma versão dele bem mais jovem, e detalhes da vida dele que, na época, eram sigilosos, ou pelo menos ele achava que eram.

Auror. Espião. Agente duplo. A ficha listava uma série de qualidades de Draco: inconstante, imprevisível, perigoso, manipulador, assassino, traidor, alvo. Virgínia Weasley tinha sido selecionada para se aproximar do alvo e executar.

Ele gritou, o mais alto que pôde, e jogou a pasta contra a parede. Os papéis voaram e se espalharam pela sala. Ele caiu ajoelhado no chão e segurou a cabeça entre as mãos, gritando novamente.

Indecisão era quando as pessoas sabiam exatamente o que queriam, mas a mente dizia que elas deveriam querer outra totalmente diferente. Draco tinha certeza absoluta que queria matar Virgínia Weasley, mas a sua mente dizia que na verdade ele apenas a queria de volta, daquela forma crua, suja e carnal que a sua mente insana o levava a pensar. Ele gritou novamente, e a cada segundo ele percebia a insanidade de toda a situação.

Estar tão ciente de todos os seus sentimentos e pensamentos era algo enlouquecedor. Se aquilo não o matasse, e se Virgínia não o matasse, certamente o faria mais forte.

Draco se reergueu e, com um aceno da varinha, juntou os papéis espalhados novamente na pasta. Ele suspirou profundamente, lembrando de como ele tinha gritado com ela quando encontrou a pasta, e como ela tinha gritado de volta. Nunca, em quase oito anos, eles tinham brigado daquela forma.

Geralmente as brigas entre Draco e Virgínia Malfoy eram frias, bem calculadas e estratégicas. Quase como um jogo de xadrez afiado e ainda assim agressivo. Mas dessa vez tinha sido como se ambos tivessem jogado o tabuleiro pra o alto, fazendo as peças voarem, enquanto gritavam um com o outro.

Draco pegou a própria varinha e apontou para a têmpora. Um feitiço não verbal depois e sentiu um fio prateado de memória abandonar sua mente. Ele suspirou profundamente, enfim não ouvindo mais Virgínia gritar tão alto. Era talvez a nona ou décima vez que ele tirava um pensamento de sua mente, apenas para tentar desviar a insanidade que estava tomando de conta. Ele sabia que isso podia ser perigoso, e novamente, sabia que se deixasse os pensamentos em sua mente ele enlouqueceria, ao mesmo tempo que se os tirasse, a falta deles tiraria sua sanidade. O destino era o mesmo.

Criar fios de pensamento, ou fios de memória, era um feitiço extremamente poderoso e, se não executado da forma correta, poderia levar a consequências catastróficas. Quando um fio de pensamento é retirado da mente, uma lembrança se torna mais fraca na memória. Quanto mais fios são retirados da mesma lembrança, menos a memória se recorda dela. Uma vez que a própria mente não se recorda, é como se não tivesse acontecido. Memórias fortes o suficiente, teoricamente, podem ser retiradas várias vezes antes que desapareçam completamente. Mas se uma memória é forte o suficiente, não quer dizer que ela também é importante o suficiente? Uma vez que se perde uma memória importante, por mais que revista, é como se ela não fizesse mais parte da sua vida, e talvez tivesse acontecido com outra pessoa. Toda magia tem um preço. E Draco pagaria o preço que fosse para não ter mais aquela memória em sua mente, mesmo sabendo que o custo seria a sua própria sanidade.

A separação. Virgínia Malfoy.

Ela nunca tinha ouvido Draco gritar antes, e ela não soube que tipo de sensação isso trouxe ao seu corpo e sua mente. Recuo. Pesar. Raiva. A mente dela ouvia-o gritar "É isso que sou pra você? Uma execução?", apontando para a pasta intitulada Draco Malfoy. Além de palavras de baixo calão que ela nunca imaginou ouvir da boca de Draco. Além de blasfêmias e maldições voltadas para ela. Palavras que ela, algum tempo depois, fez questão de tirar várias vezes de sua mente, até que ficassem tão desfocadas em sua memória que pareciam não ter acontecido.

Draco se aproximou dela a passos largos e agressivos, fazendo-a recuar até que batesse com as costas na parede. Ele parou tão próximo a ela, que Virgínia podia sentir a respiração dele em seu rosto. Ele curvou o rosto e, como tantas vezes, inalou o cheiro dela como se sua vida dependesse daquilo.

"A partir de hoje você não é mais a minha esposa." – ele disse na voz mais calma e fria e sem emoção que ele pôde encontrar. O corpo de Ginny tremeu e ela teve certeza que uma lágrima escorreu no canto de seu olho. Ela jamais tinha ouvido aquele tom de Draco. Não direcionado a ela.

Alguns segundos se passaram, em que Ginny pôde apenas manter os olhos fechados, sentindo a respiração de Draco tão próxima. Em brigas e circunstâncias normais, Draco a teria beijado e segurado seu corpo contra o dele, provavelmente levantando a saia de seu vestido e retirado sua calcinha sem cerimônias. Teria tocado-a de forma íntima e até selvagem, sem pedir permissão verbal, pois sabia que a mente e o corpo dela lhe dariam permissão. E ele faria isso apenas para terminar com a briga. Ele teria usado seus dedos e mãos para, literalmente, desarmar Ginny e deixá-la à sua mercê. Mas aquela não era uma circunstância ou uma briga normal.

Ele inalou uma última vez, e Ginny conseguia sentir a raiva dele tão palpável que a assustou. E antes que ela pudesse abrir os olhos, ela ouviu Draco se afastar e gritar. Ela conseguia sentir a dor dele, pois era a mesma dor dela. A dor do término sem que qualquer um dos dois pudesse prever que o fim estivera tão próximo.

"Faça o que você quiser, Virgínia." – ele praguejou – "Me excute se quiser. Não é isso que você tem que fazer desde o começo?"

Ginny ouviu-o gritar algo que ela não entendeu, e teve certeza que era ele amaldiçoando em alguma língua que ele conhecia e ela não. E quando ele a olhou novamente, tudo o que ela pôde ver foram os olhos cinzas e frios de Draco direcionados para ela. Nesse momento, ela quebrou. E então ela gritou de volta para ele, coisas que ela nem mesmo acreditava, coisas que não eram verdade, mas que apenas naquele momento ela queria que fossem. Pelo menos para que não doesse tanto como doía.

"Sempre, Draco. É isso que você sempre foi pra mim, uma execução. Idiota achar que foi algo mais." – ela gritou para ele, sabendo que isso machucaria seu ego.

Ginny ouviu Draco esbravejar de volta. E ela fez o mesmo. Não souberam por quanto tempo, e em determinado momento da briga também não sabiam mais porque continuavam. Havia uma força que os impelia a amaldiçoarem um ao outro, da mesma forma que uma vez os impeliu a ficarem juntos. Ele estava machucado por descobrir que ele era uma execução. Ela estava machucada por não ter dito pra ele a verdade.

Não souberam por quanto tempo gritaram um com o outro. Por algum tempo estavam apenas esbravejando coisas que vinham à mente, sem realmente prestar atenção ao que diziam. O intuito era machucar, quanto mais melhor. Depois de muito tempo, o silêncio se instalou entre os dois e apenas olharam-se. Draco odiava o silêncio, era incômodo e, na maior parte das vezes, cruel.

Ele andou até ela, parando ao lado. Ergueu a mão para tocar a face dela mas não o fez. Apenas virou o rosto e sentiu o cheiro dela uma última vez. O corpo dela se recolheu com a respiração de Draco. E então ele desaparatou.

Ginny deixou-se cair ajoelhada no chão e sentiu as lágrimas correrem em seu rosto. Não pôde controlar o grito e o choro audíveis que escaparam de seus lábios. Ela abraçou-se ao próprio corpo, sentindo-o tremer. Sua mente gritava e explodia e sua reação foi apontar a varinha para a têmpora e retirar vários fios de pensamentos, na tentativa de aliviar a dor que sentia.

Insanidade é quando a pessoa sabe que se fizer algo perigoso pode se machucar, e ela escolhe fazê-lo mesmo assim. Como quando ela escolheu entrar naquele quarto de hotel com Draco, anos atrás. Como quando ela escolheu amá-lo. Como quando ela soube que teria que executá-lo mais cedo ou mais tarde. Sua própria razão era o que estava tirando sua sanidade, fazendo-a sentir uma dor tão grande, como se tivessem retirado seu coração de seu corpo e esmagado. Era uma dor virtual, que parecia tão real quanto a dor que ela inflingia em todas as suas execuções. Era cruel, frio e insano.

O corpo dela caiu no chão e ela ficou ali, não soube por quanto tempo. Seu choro se tornou menos audível, até que seus olhos pararam de lacrimejar. Sua respiração ainda estava descompassada e dificultosa. Sua mente ainda gritava. Às vezes, era preciso tirar mais do que alguns fios de pensamento para que aquietassem sua mente. Ela sabia o dano que aquilo podia causar, e escolheu fazê-lo mesmo assim.

Foi naquele momento que ela soube do que falavam as pessoas quando mencionavam um coração partido. Seu coração continuava em seu peito, mas a cada respiração era como se ele fosse esmagado e uma onda de dor percorresse todo o seu corpo. Depois de muito tempo ela levantou-se e foi para o quarto. O mesmo quarto que dividira com Draco por tanto tempo. Apanhou a camiseta preferida dele, algumas de suas roupas e desaparatou.

Os dias seguintes eram como névoas na mente de Ginny. Dormir não era uma opção. Ela não conseguiria nem se quisesse. Insônia era algo que fazia parte dela, assim como o desespero que vinha em seguida. Durante incontáveis noites ela chorou. Durante incontáveis dias ela sentiu-se enjoada. Sua mente não cooperava com sua razão, e ela sabia que estava perdendo a batalha contra a insanidade. Ao longo dos dias sua mente mostrava-lhe sintomas físicos para um problema psicólogico. E ela tinha certeza que era isso que chamavam de loucura. Não era fácil explicar como estava se sentindo, e o mais próximo que poderia seria equiparar a sua situação à situação de dependentes químicos em processo de desintoxicação.

Era cruel, intenso e insano. E era solitário.

Manhã de 21 de Junho

Ginny abraçou-se à filha até que ela se acalmasse e adormecesse em seus braços. Draco apenas observou as duas, como não observa há tempos. Pela primeira vez em meses ele teve a sensação de ter sua família de volta. Pela primeira vez em meses sua mente estava quieta e ela não sentia sua razão se perder em meio a toda a insanidade que povoava sua mente. Ginny fitou o olhar dele e, como não acontecia há tempos, ele soube que a sensação era a mesma para ela.

Até a realidade recair sobre eles e Ginny desviar o olhar, afundando o rosto no corpinho pequeno de Liberty, aconchegado a ela.

"O que tudo isso quer dizer, Draco?" – ela perguntou, mesmo sabendo a resposta.

"Pense, Virgínia." – Ele sabia. E ela também sabia o que isso significava.

Era uma lógica assustadoramente simples. Tudo o que uma pessoa faz na vida é gravado em sua alma. Harry Potter viveu grande parte de sua vida com um peso enorme nas costas: salvar o mundo de Voldemort. Em algum momento no processo, seja antes, durante ou depois, sua alma estava tão machucada que se quebrou. Quando você luta contra o mal, invariavelmente você o absorve um pouco. Qualquer ação provoca uma reação de igual intensidade, sentidos opostos e atingem corpos diferente. O ato de destruir Voldermort provocou uma reação igualmente forte, que destruiu a alma de Harry Potter.

Talvez Harry não quisesse trazer Voldemort de volta, talvez ele quisesse reparar sua alma. O maior problema nisso era que só havia um jeito de se reparar uma alma quebrada: usando uma alma pura que nunca fora quebrada.

"Mas... Liberty?" – ela perguntou, ainda sem entender completamente onde sua filha se encaixava nessa história. E esse era um pensamento egoísta da parte dela, porque não outra criança?

"Você teve uma conexão com Voldemort, Virgínia." – ela estreitou os olhos, sabendo onde exatamente Draco queria chegar – "Tom Riddle quebrou a sua alma um dia, mesmo que um pouquinho. Liberty é o mais próximo de pureza que Harry pode chegar, ao mesmo tempo que indiretamente ela está conectada com Voldemort, por sua causa. Da mesma forma que Harry um dia foi a criança que derrotou Voldemort, Liberty é a criança destinada a derrotar Harry Potter." – Ginny respirou fundo várias vezes, tentando absorver todas as informações que acabara de receber.

"Há quanto tempo você sabe?" – ela perguntou, e Draco viu os olhos de Ginny queimarem sobre ele. Era um olhar perigoso. – "Há quanto tempo Harry sabe?"

"Pouco tempo" – ele falou antes que a reação dela escalasse – "Alguns dias atrás eu consegui as últimas informações e consegui fechar a lógica de tudo isso. Acredite, Virgínia, você é a primeira pessoa para quem conto tudo isso. E Liberty nunca esteve nem nunca vai estar em perigo, no que depender de mim. Ela é minha também. Eu não sei há quanto tempo Harry sabe sobre Liberty, ou sobre nós. Talvez desde o começo. E Harry Potter nunca vai tocar nela, eu garanto isso." – o olhar dela ficou mais gentil, ela sabia quando Draco estava mentindo. E ela sabia que ele nunca mentiria sobre manter a filha deles em segurança.

Ginny entregou Liberty para Draco, levantou-se e vestiu-se em silêncio. Draco apenas a observou, sem falar nada. Ele odiava o silêncio, principalmente o dela, mas sabia que ela precisava daquele momento de silêncio para botar os pensamentos em ordem. E os dois sabiam como era importante botar os pensamentos em ordem em um momento como aquele.

"O que você vai fazer, Virgínia?" – ele finalmente perguntou.

Ela andou até ele e se curvou, buscando os lábios de Draco, num beijo alerta, intenso, forte e duradouro. Ele reconhecia aquele beijo. Era um beijo triste, de despedida. Ele sentiu isso quando ela segurou o rosto dele entre as mãos e prolongou o toque enquanto pôde. As únicas coisas que se tocavam entre eles eram o rosto dele entre as mãos dela, os lábios pressionados um ao outro. Ginny quebrou o beijo, mas continuou segurando o rosto de Draco. Num segundo, ela levou seu rosto até a nuca dele e inalou profundamente, como ele sempre fazia com ela. Ela pôde sentir o cheiro dele inebriá-la, ao mesmo tempo que o cheiro de sua filha, colada ao corpo de Draco, liberava uma sensação ainda mais intensa em seu corpo. Ele deu um beijo no alto da cabeça de Liberty e olhou Draco mais uma vez.

"Eu vou lutar contra essa insanidade."

O toque dela cessou por inteiro e, antes que Draco piscasse, ela havia desaparatado.

Fim do Capítulo 12. Mas será o fim da insanidade?

N/Rbc: O próximo capítulo será postado em no máximo uma semana. E como eu disse, esta fanfic já está toda escrita e finalizada. Sem mais enrolações.

"Afinal, o amor também é um crime perfeito: ora te mata, ora te fortalece, mas em todo caso representa o álibi ideal para toda a tua loucura." – Ferzan Ozpetek, escritor turco. Livro: Bir Nefes Gibi (Como um suspiro – tradução livre)

A insanidade não é a perda abstrata da razão: "A insanidade é um simples desarranjo, uma simples contradição no interior da razão, que continua presente". A insanidade deixou de ser o oposto à razão ou sua ausência, tornando possível pensá-la como "dentro do sujeito", a loucura de cada um, possuidora de uma lógica própria. A insanidade é pertinente e necessária à dimensão humana, e só se é humano quem tem a virtualidade da loucura, pois a razão humana só se realizaria através dela. – Georg Wilhelm Friedrich Hagel, filósofo germânico.