Sr. & Sra. Malfoy
Capítulo 13
Traição
"O amor pode ser um sentimento nobre, mas se você quer conhecer a paixão, tem que se sujar. Mergulhe na lama, saboreie o pecado, ouse o proibido. E também a traição."
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A primeira salsa. Virgínia, então Weasley.
Eu sei, eu sei que eu já passei por essa memória antes e deixei um fio de memória guardado. Mas cada vez que eu penso nesse momento eu lembro de um detalhe a mais, um toque a mais, um motivo a mais que me fez continuar. Seria interessante saber como Draco se lembra dessa noite. Mas como eu não sei se algum dia vou descobrir, cada vez que eu pensar nesse dia e lembrar de algo mais, eu vou atualizar o meu diário.
Depois de algumas doses de tequila a minha mente ficou leve e livre, e tudo o que eu podia prestar atenção era ele. Os olhos prateados me olhando com tanta intesidade, as mãos dele em meu corpo, os lábios dele encontrando meu pescoço e deixando uma trilha de beijos até alcançarem meus lábios.
O que estava acontecendo? Eu me lembrava de Draco em Hogwarts, e em momento algum ele tinha me chamado a atenção. Muito pelo contrário, muitas vezes eu sentia repulsa apenas em ouvir falar o nome Draco Malfoy. E eu tinha certeza que o sentimento era mútuo. Mas agora era como se houvesse uma energia entre nós que nos conectava e nos impelia a sentir uma inegável atração. Não era coisa da minha cabeça, era?
"Seu cheiro..." – Eu senti a respiração dele em meu pescoço e percebi que ele estava tentando absorver o meu cheiro com toda a concentração que ele podia. Não era coisa da minha cabeça.
A chuva começou e o ritmo da salsa ao fundo ficou ainda mais alto e intenso. Eu beijei Draco Malfoy na chuva e provavelmente foi o beijo mais sensual de toda a minha vida.
"Vamos sair daqui." – eu sussurrei, ao mesmo tempo que meu corpo se movia e eu o puxava pela mão fazendo-o se mover também.
Eu puxei Draco de volta para o hotel, pelas escadas, até a porta do meu quarto. Estávamos rindo do nada, felizes. Eu parei, por um segundo apenas, e olhei pra ele. Eu sabia que eu tinha um última chance, um último nanossegundo, para parar com aquilo, falar para ele que não queria nada, entrar no meu quarto, dormir e sumir da vida dele. Isso não causaria nenhum dano e me daria a chance de clarear a minha mente e redefinir minhas prioridades.
Ele me olhou de volta e eu tive certeza que ele pôde ver a minha alma com a intensidade daquele olhar. Eu o beijei, coloquei meus braços ao redor do pescoço dele e pude sentir o corpo inteiro de Draco colado ao meu. Eu nunca quis tanto algo como eu queria Draco Malfoy naquele momento.
A porta do meu quarto se abriu e, aos beijos, entramos. Minhas mãos alcançavam as roupas de Draco, e com os dedos trêmulos eu consegui livrá-lo da gravata e da camisa. Ele fez o mesmo com meu vestido, que foi arremessado em algum canto do quarto. O efeito do toque da pele dele na minha era algo que eu nunca tinha experienciado e eu queria que nunca cessasse.
A primeira vez que nos tocamos estávamos reconhecendo o local. Nossas mentes estavam inebriadas pela quantidade de tequila que tomamos, e eu acredito que isso não só nos fez esquecer de alguns detalhes da noite, mas intensificou o que nos lembrávamos.
Os dedos dele no meu pescoço, descendo por entre os meus seios, deixava rastros em chamas no meu corpo. Minhas mãos espalmadas no peito dele, meus lábios colados aos dele enquanto ele descia as mãos e fazia um gesto para retirar a última peça de roupa do meu corpo.
Àquela altura não havia mais dúvidas ou pensamentos que sequer me fizessem cogitar parar. É interessante como o toque certo, na hora e local certos, deixam nossa mente nebulosa. Eu vou reconstruir essa frase. É interessante como o toque certo, na hora e local completamente errados, deixam a nossa mente com a certeza de que você precisa daquilo. Como fazer a coisa mais errada possível fez com que eu me sentisse melhor do que nunca? Mais viva do que nunca.
As mãos dele estavam em todo o meu corpo agora, passavam do meu pescoço, minhas costas (um ponto particularmente sensível do meu corpo), tocavam meus seios e desciam até pararem estrategicamente entre as minhas pernas. Eu suspirei fundo quando senti os dedos dele me penetrando. Eu soube, imediatamente, que aquelas mãos seriam a minha sentença de morte. Ele seria.
Eu gemi enquanto ele movia os dedos em mim e, trêmula, tentei levar as minhas mãos à calça dele, livrando-o do cinto. Antes que eu pudesse livrá-lo da calça, ele barrou minhas mãos com a mão livre dele. Com um gemido de protesto eu senti as mãos dele se afastarem de mim, e com um gesto rápido, ele me segurou, girou meu corpo e fez com que minhas costas e meu corpo se apoiassem no peito dele.
Foi rápido e intenso, meu corpo estava apoiado ao dele e eu podia sentir a ereção dele por trás, os lábios dele alcançaram meu pescoço e eu o senti novamente respirar profundamente.
"Esse cheiro, Virgínia..." – ele murmurou, ao mesmo tempo em que passava uma das mãos no meu corpo, voltando a se encaixar entre minhas pernas, e a outra me segurando no lugar, para eu não me mexer ou não cair, eu não sei ao certo.
"Draco" – eu sussurrei num gemido, e senti o corpo dele se enrijecer ainda mais ao som do nome dele em meus lábios. Seus dedos estavam mais ágeis em mim e eu cobri a mão dele com a minha, guiando o ritmo. Com a outra mão eu busquei o pescoço dele, virei meu rosto um pouco e o beijei – "Por favor."
O ato em si não era bonito. Era sujo, cru e quase selvagem, instintivo. Intenso e irracional. Eu não sei quando ou como ele retirou a calça. Ele não deixou que eu me virasse para olhá-lo, me manteve presa de costas para ele, segurou minha mão e levou-a até tocá-lo. Eu o guiei entre minhas pernas, na posição em que estávamos, e não consegui abafar o gemido alto que escapou dos meus lábios qua eu o senti. Ao mesmo tempo, Draco afundava o rosto no meu pescoço e dava leves mordiscadas. Eu não sabia o que estava acontecendo com meu corpo, eu nunca tinha sentido algo tão real em minha vida. Nunca ninguém tinha provocado tais reações em mim.
Eu não queria que ele parasse de se mover. Eu não queria que ele retirasse a mão que ainda estava entre as minhas pernas. Eu não queria que ele parasse de me segurar. Eu não queria que ele saísse de dentro de mim. Mas eu precisava que ele parasse. Em um ato que exigiu toda a minha força de vontade, eu fiz com que ele parasse e consegui me virar para olhá-lo. O tempo congelou por um segundo em que eu o encarei e todas as sensações em meu corpo cessaram. Ele me encarou de volta, levemente confuso. Eu o empurrei levemente em direção à cama, fazendo-o cair de costas e fiquei por cima de Draco. Me curvei varagarosamente para beijá-lo, meus cabelos caindo sobre o rosto dele.
Draco levou uma das mãos aos meus cabelos, retirando-os da frente dele. Me puxou para um beijo, ao mesmo tempo em que eu o guiava novamente entre as minhas pernas. Era um ritmo tortuoso e excruciante, para nós dois, mas eu precisava daquilo naquele momento. Eu precisava retardar a sensação de tê-lo por perto, eu precisava retardar o término do que estava fadado ao fracasso. As mãos de Draco pousaram no meu quadril, ditando um ritmo não mais rápido, mas mais forte. Meus gemidos estavam cada vez mais longos e roucos e eu podia sentir meu corpo se contorcer e se arrepiar. Eu tentei retardar por mais um tempo, mas ao sentir as pontas dos dedos de Draco passeando no meu corpo, com o mais sutil dos toques, eu me perdi. Eu fechei os olhos, minha cabeça pendeu para trás e meu corpo se contorceu num espasmo. Eu não sei quão alto eu gemi o nome dele.
"Oh Draco." – e foi o suficiente para eu sentir o corpo dele se contorcer sob o meu.
Meu corpo caiu sob o dele, sem forças para pernecer ereto. Nossas respirações estavam pesadas e descompassadas e não falamos nada por um bom tempo. Eu permaneci sobre ele até que meu corpo se acalmasse e nós dois alcançássemos um ritmo calmo e estável. Eu senti a respiração de Draco no meu pescoço uma última vez, inalando o meu cheiro, antes de adormecer profundamente. Eu dormi como eu não dormia há dias. Um sono pesado e sem sonhos.
Quando eu acordei, eu estava na cama, coberta por um edredom macio e quentinho. Abri os olhos apenas para encontrar um par de olhos prateados me fitando. A expressão do rosto era neutra, mas o olhar de Draco parecia estar fitando diretamente a minha alma. Ele elevou a mão, na tentativa de tirar os fios de cabelo vermelho que caíam sobre o meu rosto. Parou antes que me tocasse. Eu me sentei na cama, fitando-o intensamente.
"Você quer dizer ou quer que eu diga o que a gente já sabe?" – eu perguntei, minha voz saindo mais rouca e grave do que eu esperava. Ainda sem expressão, Draco baixou a mão, sem me tocar. Ele suspirou profundamente.
"Você vai ser a causa da minha morte, Weasley." – não havia um tom de deboche ou fúria ou mesmo arrependimento. Era um tom de conformação, e soava tão poético quanto triste. Ele sabia. E eu sabia. Meu coração falhou uma ou duas batidas com aquela sentença.
"Isso pode ser apenas negócios, Malfoy." – eu sabia. E ele sabia.
A poesia nas entrelinhas estava tão palpável que eu me perguntava desde que momento ele sabia que eu era uma Weasley. Desde o início, quando me viu entrar no saguão do hotel? Desde quando nos apresentamos pela primeira vez na porta do meu quarto? Virgínia. Draco. Eu soube que ele era o Draco Malfoy naquele momento, e eu não fiz nada para parar os momentos seguintes.
Antes que eu pudesse finalizar meu pensamento eu vi Draco se curvar e buscar meus lábios, num beijo sóbrio e intenso, forte e duradouro. Era um beijo triste, de despedida. Eu senti isso quando ele segurou meu rosto entre as mãos e prolongou o beijo o quanto pode. E eram as únicas coisas que se tocavam entre a gente. As mãos dele segurando meu rosto. Os nossos lábios. Ele quebrou o beijo, mas continuou segurando meu rosto, e levou os lábios dele até meu pescoço. Eu fechei os olhos, na tentativa de me segurar à sensação do toque dele. Senti-o inalando meu cheiro, como ele fizera tantas vezes durante a noite anterior. Meu corpo tremeu. Ele sabia e eu sabia. O toque dele cessou por inteiro e quando eu abri os olhos, ele havia desaparatado.
Weasley. Malfoy. Nós dois sabíamos.
Mas eu me pergunto se ele sabia que eu realmente seria a causa da morte dele, assim como eu sabia que ele era apenas um negócio.
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Draco fechou o diário de Ginny e colocou-o de volta na gaveta. Não havia mais nada escrito pelas próximas páginas, mas imediatamente após o término dessa parte, na folha seguinte, ele viu vários fios de lembrança prateado. Na mesma folha, havia a marca de alguns pingos de água. Nela, apenas uma frase estava escrita, com letras meio tortas e trêmulas.
Ele não sabia. Eu sabia.
Ele entedia o que aquilo queria dizer. E, olhando para os vários fios prateados juntos, ele sabia exatamente de que memória eles eram. Ele não julgava Virgínia por ter feito tantos fios de pensamento daquela memória em específico. Ele próprio tinha feito tantos quanto, talvez mais. A razão deles sobre a insanidade era a mesma, no final das contas.
Aquela era a última coisa escrita no diário. Todas as outras folhas estavam em branco. Ele suspirou. Pensou em pegar a penseira e olhar um dos fios, mas o receio o reteve. Ele olhou para o lado e viu Liberty adormecida no berço ao lado dele. Suspirou novamente. Fazia exatamente uma semana que Ginny e ele tinham se encontrado no quarto de hotel e colocado tudo às claras. Desde então Liberty não saía do seu lado em momento nenhum. Desde então ele não tivera um sinal sequer de Ginny.
Ela havia desaparecido sem deixar rastros. De acordo com suas fontes ela não estava n'A Toca, nem em nenhum dos hotéis em que costumava ficar (ou em qualquer outro que ele procurou). Chegou a mandar corujas para Blaise e James, mas nenhum deles sabia do paradeiro dela. E ele duvidava que estivessem mentindo, já que suas fontes, que seguiam as pessoas mais próximas a ela, também não relataram nada que dissesse o contrário.
Ele apanhou duas pastas na gaveta, uma intitulada Virgínia Malfoy e outra Harry Potter. Curiosamente, Harry Potter também estava tão quieto quanto. Não tinha tentado entrar em contato com ele nem feito qualquer movimento suspeito.
Aquilo o estava deixando inquieto, pois Draco sabia que antes de qualquer tempestade há uma calmaria. E aquela calmaria, como o silêncio, o enlouquecia.
Draco abriu a pasta de Harry e recomeçou a ler sobre como Harry tinha sobrevivido a Voldemort da primeira vez, sobre como ele finalmente derrotou Voldemort anos depois. Draco já sabia de toda a história de cor e salteado, mas ele tinha certeza que estava deixando algo passar.
Liberty começou a chorar no berço, assustando Draco por um segundo ao quebrar o silêncio. Ele levantou-se rapidamente, derrubando as pastas no chão. Ele pegou Liberty no colo, tentando fazê-la se acalmar, ao mesmo tempo em que tentava juntar os papéis no chão. Então ele notou dois papéis que tinham caído lado a lado no chão. Um era a ficha de Virgínia, com uma foto dela. Outro era uma foto impressa de Lílian Evans segurando Harry Potter no colo.
Antes que pudesse se dar conta do próprio pensamento que formulou ao ver aquelas fotos, ouviu um barulho na janela do escritório. Olhou e viu Couleuvre, a coruja negra de Virgínia, parada do lado de fora, segurando um pedaço de papel no bico.
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Ginny ajustou a capa de invisibilidade sobre o corpo, tendo a certeza de que nenhuma parte dela estava à mostra. Viu Harry de longe, conversando com duas mulheres. Ela o estava seguindo dia e noite na última semana. Se ele estava atrás de sua filha, ela com certeza estaria atrás dele. Ela apanhou uma das orelhas extensíveis que seus irmãos criaram anos atrás, apenas lançando um feitiço para que elas se camuflassem ao ambiente, e deixou que elas rolassem até mais próximo de Harry Potter e as duas mulheres.
"Onde eles estão?" – Harry perguntou, com a voz exaltada. Andava de um lado a outro, passando as mãos nos cabelos constantemente – "Kika, me fale sobre Virgínia."
"Ninguém sabe o paradeiro de Virgínia Malfoy, Harry." – uma delas começou – "Ela foi vista uma última vez entrando num hotel onde Draco Malfoy estava. Ninguém a viu sair, ninguém a viu desde então." – Harry respirou fundo, tentando conter a raiva. Ginny, do outro lado das orelhas extensíveis, tentava se conter apenas para não atacar os três ali mesmo. Mas ela sabia que mesmo sendo excelente no que fazia, três contra um seria muito mais difícil do que ela pensava.
"Draco e a criança?" – ele perguntou impaciente – "Rute?" – virou-se para a segunda mulher e Ginny percebeu que ele apanhara a varinha, apontando-a sutilmente de uma para a outra.
"Ao que tudo indica, Draco Malfoy e a criança estão na mansão deles, mas..." – Harry estreitou os olhos, apontando a varinha de uma mulher para a outra.
Ginny segurou a respiração. Ela sabia que Draco e Liberty estavam na Mansão Rubro Malfoy. E ela também sabia o que o 'mas' significava. Ela sabia que aquele 'mas' dificultaria não só pra Harry chegar à Mansão, mas ela também.
"Mas?" – Harry repetiu, sua varinha faiscando. Ginny pegou a própria varinha e fez com que um pedaço de papel aparecesse em suas mãos. Com magia, ela escreveu algo rapidamente. Apontou a varinha para trás de seu corpo, a ponta por baixo da capa da invisibilidade, e um sutil e fino raio saiu rumo ao céu.
"Draco retirou os privilégios de aparatação no perímetro da Mansão. É impossível chegar lá de formas mágicas." – Harry bufou.
Um bater de asas foi ouvido por Ginny e ela se virou para perceber Couleuvre parada aos seus pés. Ela sabia que a coruja a encontraria, mesmo sob a capa da invisibilidade.
"Entregue isso a Draco, o mais rápido possível. Não pare por nada." – ela sussurrou, ao que Couleuvre pegou a o papel e sumiu no céu escuro em cerca de segundos.
"Vocês são inúteis." – Harry esbravejou, chamando a atenção de Ginny novamente – "Eu vou ter que fazer tudo sozinho mesmo." – dois raios verdes saíram da varinha de Harry, acertando Kika e Rute, que caíram no chão.
Ginny não sabia se as duas estavam mortas ou não, mas não era sua prioridade saber no momento. Ela olhou para Harry e, por alguns segundos, ela pôde ter certeza que ele virou-se para ela e a encarou. Ela podia ver com clareza os olhos verdes de Harry brilhando estranhamente em cima dela, ao mesmo tempo em que ele dava alguns passos em sua direção. Ele não podia vê-la sob a capa de invisibilidade. Podia? Ele parou antes que chegasse a ela e, com um sorriso fino nos lábios, desaparatou.
Seu coração estava acelarado e sua mente processou todas as informações em questão de segundos. Harry sabia que Draco e Liberty estavam na Mansão Rubro Malfoy. Ela passou um mapa em sua mente, a planta da Mansão. Não poderia aparatar diretamente no perímetro, já que Draco tinha retirado os privilégios de aparatação, mas ela conhecia a propriedade muito bem para saber o ponto mais próximo onde ela poderia aparatar. E assim o fez.
"Accio!" – ela falou, assim que aparatou no setor leste da propriedade da Mansão. Seu coração estava disparado e ela apenas podia desejar que Couleuvre chegasse a tempo em Draco, e que ela chegasse a tempo.
Um carro apareceu por entre as árvores e parou na frente dela, com a porta do motorista aberta. Ela entrou e dirigiu o mais rápido que pôde por entre o caminho que levava à mansão. Como uma das mulheres disse, não havia jeito mágico de entrar na propriedade nesse momento. E um carro seria o mais rápido que ela poderia chegar. Ela esperava que Harry não soubesse disso.
Quando chegou aos limites da propriedade, os portões se abriram pra ela, o que ela agradeceu internamente. Ela imaginava que, mesmo sem poder aparatar na Mansão, Draco colocaria algum tipo de magia que a reconhecesse. Ela desceu do carro e entrou na Mansão.
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"Harry sabe."
Draco leu e sentiu sua respiração falhar. O bilhete não precisava de mais palavras para que ele soubesse exatamente do que Virgínia falava. Ele ouviu uma porta se abrir e, com Liberty nos braços, correu para fora do escritório, parando na porta e vendo Virgínia do outro lado da sala. Encontrou os olhos dela com os seus e pôde ver as sombras escuras ao redor dos olhos dela e uma expressão exausta. Ele a conhecia bem o suficiente para saber que ela estava tendo uma de suas crises de insônia. No entanto, ela sorriu quando encontrou os olhos de Draco e soltou a respiração que não lembrava estar segurando.
"Vocês estão bem?" – ela perguntou, com a voz falhada, dando alguns passos até o meio da sala. Draco deu um passo atrás e empunhou a varinha, segurando Liberty mais próxima ao seu corpo.
Antes que ele pudesse falar algo, a porta de entrada se abriu e Harry entrou, varinha em punho, um sorriso fino nos lábios, o olhar passando de Ginny para Draco e Liberty.
"Eu não queria que isso chegasse a esse ponto." – Harry começou, com um tom que mal parecia o dele.
"Você não quer fazer isso, Harry. Esse não é você." – Ginny olhou de Draco para Harry.
"Esse sou eu, Ginny. Você tem idéia de como é viver com esses pensamentos todos esse anos? Quando uma alma se quebra e se torna escura, você não tem mais controle dos próprios pensamentos." – ele falou, apontando a varinha para a própria têmpora e retirando um fio de pensamento, que caiu esquecido no chão. Ginny sabia que aquele não tinha sido nem de longe o primeiro fio de pensamento que Harry já tinha feito em sua vida – "Você tem idéia de como é se sentir traído pela própria mente, Ginny?" – ele perguntou, retirando mais um fio de pensamento da têmpora – "Malfoy sabe." – ele falou, agora apontando a varinha para Draco e Liberty.
Ginny virou-se para encarar Draco, que mantinha a varinha apontada para Harry. Os olhos dele encontraram os dela e encararam-se como se tentassem ler a mente um do outro.
"Até hoje eu não entendi porque vocês ficaram juntos." – Harry continuou – "Quer dizer, se essa fosse a minha história, você seria minha esposa, Ginny, e teríamos provavelmente três filhos. Eu gostaria de ter uma família grande." – ele divagou – "Mas você escolheu o Malfoy, Ginny. E você tem noção do choque ao descobrir sobre vocês? Aliás, vocês fizeram um excelente trabalho escondendo um relacionamento e uma filha do mundo da magia. Uma Weasley e um Malfoy. Quão errado é isso? Muitos diriam que isso é uma traição sem tamanho." – Harry deu alguns passos em direção a Ginny, que ainda se mantinha entre Harry e Draco e Liberty.
"Draco, tire Liberty daqui." – ela falou, com um tom de urgência, ao que ouviu Harry rir. Ela não desviou o olhar do de Draco, e seu coração falhou uma ou duas batidas quando a varinha dele se contra ela – "Draco..."
Indecisão é quando sabe-se o que realmente quer, mas sua mente te diz que quer outra totalmente diferente. Draco tinha certeza absoluta que queria matar Virgínia Weasley, mas a sua mente dizia que na verdade ele apenas a queria de volta, daquela forma crua, suja e carnal que a sua mente insana o levava a pensar.
Insanidade é quando sabe que vai se machucar se fizer algo, e escolhe fazê-lo mesmo assim. Era talvez a nona ou décima vez que ele tirava um pensamento de sua mente, apenas para tentar desviar a insanidade que estava tomando de conta. Ele sabia que isso podia ser perigoso, e novamente, sabia que se deixasse os pensamentos em sua mente ele enlouqueceria, ao mesmo tempo que se os tirasse, a falta deles tiraria sua sanidade.
Traição é quando viola-se a presunção de confiança, produzindo um conflito moral e psicológico para com uma pessoa que confiava em você.
Traição foi uma indecisão em algum momento, que lutou contra a razão e perdeu para a insanidade.
"Me perdoe, Virgínia." – uma lágrima escorreu do olho de Draco, e ela não se lembrava de quando o tinha visto chorar – "Crucio!"
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Fim do capítulo 13. Mas... MAS?
N/Rbc: Alguns pontos sobre este capítulo. Eu realmente gostei da primeira vez deles, eu queria dar um tom mais carnal e instintivo ao invés de romântico. Então gostei do resultado. Eu sei que eu já escrevi uma ou outra parte da primeira vez deles em algum capítulo anterior, mas eu realmente queria dar uma nova visão, sem estragar ou alterar muito do que já tinha sido escrito.
Há várias traições nesse capítulo, e isso foi proposital. Eu quis que elas estivessem em toda parte. Eu sei, eu corri um pouquinho depois disso, mas como eu disse, eu não queria mais enrolar e queria realmente dar um final para essa fanfic, mesmo sem saber se alguém vai ler ou não (e alguém leu! Obrigada Lud e Rosalind! E obrigada qualquer pessoa que tenha lido!). E eu precisava aproveitar toda a minha criatividade para terminar isso, antes que eu entrasse num bloqueio de doze anos. De novo. E acreditem, o resto dessa fanfic foi escrito inteiramente em uma semana. Cinco capítulos em uma semana. Yay.
E este capítulo também é um código secreto. Para a mesma pessoa. Que talvez nunca vá ler.
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"O amor pode ser um sentimento nobre, mas se você quer conhecer a paixão, tem que se sujar. Mergulhe na lama, saboreie o pecado, ouse o proibido. E também a traição." – Ferzan Ozpetek, escritor turco. Livro: Bir Nefes Gibi (Como um suspiro – tradução livre)
