Sr. & Sra. Malfoy
Capítulo 16
Honestidade
"Honestidade é a forma mais pura e primitiva de intimidade e libertação."
Ginny encarou o teto do quarto e sentiu uma lágrima escorrer em seu rosto. Seu corpo começava a sentir os efeitos de privação de sono, e se ela estivesse sendo completamente honesta, ela diria que não conseguia dormir há quase uma semana. E se ela fosse completamente honesta, ela também diria que ela não conseguia dormir porque tudo o que a sua mente -e o seu corpo- conseguiam pensar era no toque de Draco Malfoy.
Mas Ginny não era completamente honesta. E ela nunca admitiria que ela daria tudo para ter Draco Malfoy em sua cama novamente. Em seu corpo. Em todos os lugares.
Ela virou para o lado na cama, apontou a varinha para a têmpora e retirou um fio de pensamento. Sua mente clareou um pouco e, depois de alguns minutos, ela adormeceu.
Quando Ginny avistou Draco novamente, pela primeira vez após a primeira noite deles, ela estava em uma missão em Amsterdã para executar Gregory Goyle. Bem conveniente que Draco estivesse lá também.
A essa altura, o CIM tinha colocado a execução de Draco em espera para maiores investigações, visto que a primeira investigação não tinha sido conclusiva em colocá-lo como culpado de algo.
Ela passou dias observando-o de longe. Viu quando Draco encontrou-se com Gregory Goyle casualmente, viu quando ele também encontrou outros bruxos, alguns envolvidos com o ministério. Observou-o entrando na Donker vuur Steegje, a versão mais sombria e tenebrosa da Travessa do Tranco em Amsterdã. Draco encontrou-se com Gregory Goyle e mais dois comensais esquecidos naquela noite. E quando ele saiu da travessa, ela o seguiu.
A rua estava escura e não havia ninguém à vista. Ela propositalmente retirou o feitiço que a mantinha invisível e, alguns passos à frente, Draco imediatamente parou. Ela viu-o inclinar a cabeça para cima e para o lado, em forma de reconhecimento. Um segundo depois ela viu-o desaparatar e, com um pop, ouviu-o aparatar imediatamente atrás dela.
Ginny sentiu-o o rosto de Draco próximo ao pescoço dela, e a respiração dele em sua pele fez o corpo inteiro dela se arrepiar.
"Há algum motivo para você estar me seguindo, Weasley?" – ele falou, próximo ao ouvido dela, com a voz baixa e rouca.
Se Ginny fosse completamente honesta, ela diria que o estava seguindo porque queria o corpo dele no dela novamente. Queria sentir as mãos dele nela, os lábios, ele. Ela virou-se e encarou-o. E o máximo de honestidade que conseguiu encontrar, ao encarar os olhos prateados dele e sentir o cheiro de Draco penetrando suas narinas, foi colar a boca na dele, deixando que seus lábios se partissem e sua língua tocasse os lábios de Draco, atiçando-o. Imediatamente partiu os próprios lábios, retribuindo o beijo. Draco levou as mãos ao rosto dela, segurando-o de forma que ele desacelerou o ritmo de Ginny. Ela queria algo rápido, voraz e intenso. Ele determinou que a beijaria lentamente, de forma tortuosa e igualmente intensa. Ela deixou um gemido escapar e só então soube o quanto tinha sentido falta daquele toque. Um toque que ela só tinha sentido uma vez, mas que aparentemente deixara marcas profundas nela.
Eles deram alguns passos juntos e Ginny sentiu suas costas baterem em uma parede. Draco colou o corpo ao dela, e foi a vez dele de soltar um gemido entre os lábios dela. As mãos dela encontraram os botões da calça dele, e as mãos dele encontraram o caminho entre as pernas dela, por dentro da calça. Como da primeira vez, não era algo bonito. Era carnal, cru e sem controle. Completamente instintivo.
Ela sentiu dois dedos de Draco dentro dela e a reação de seu corpo foi abrir mais as pernas, dando mais espaço a ele, de forma que ele pudesse colocar uma das pernas entre as dela, pressionando-a contra a mão dele nela. Ela gemeu e mordeu os lábios de Draco.
"Segure-se em mim, Weasley." – ele sussurrou, quebrando o beijo por uma fração de segundo, em que Ginny se segurou a Draco e viu seu mundo rodopiar.
Com um pop, ela sentiu seus pés baterem no chão, e com outro, Draco apareceu bem à frente dela. Ela não deixou que ele explicasse, sabia que tinham aparatado e era o suficiente para ela estarem num quarto, com uma cama. Sendo bem honesta, da forma que ela estava, uma rua vazia, o corpo de Draco pressionado no dela contra uma parede, teria sido o suficiente.
Ginny puxou Draco novamente para os lábios dela, ao mesmo tempo em que suas mãos trabalhavam em retirar as próprias roupas. Ela sentiu as mãos dele na pele dela, ateando fogo por onde tocavam. Ele empurrou-a para a cama, fazendo-a cair de costas no colchão.
Encarou-a, nua em sua cama, e sentiu os olhos dela queimarem de volta para ele. Draco perdeu o fôlego apenas em olhá-la, e soube imediatamente que ele estava perdido. E louco. Por uma Weasley. Ela ergueu o corpo, na tentativa de avançar para ele novamente, e ele apenas fez um movimento negativo de cabeça e ergueu a mão, com um gesto pedindo apenas mais alguns instantes para admirá-la. Ela parou e deixou que um sorriso fino se formasse em seus lábios. Ela soube, com aquele olhar de Draco, que o efeito que ele tinha nela, era o mesmo que ela tinha nele.
Se Ginny Weasley fosse completamente honesta com ela mesma, ela admitiria que quando sentiu Draco nu, sobre o corpo dela, suas mãos brincando com ela, seu mundo parou e ela sentiu que tudo, toda a sua vida estava no lugar. Como algo tão errado a fazia se sentir tão bem?
Draco passou suas mãos em todo o corpo de Ginny, tateando, sentindo, tentando decorar cada pedacinho da pele dela. Ele queria que ela implorasse por ele, antes de qualquer coisa. Ao mesmo tempo que ele queria aproveitar cada momento, o máximo possível, pois não sabia quando ou se a teria novamente. Ele deslizou para dentro dela lentamente, observando cada expressão do rosto dela. E em cada movimento ele ouviu atentamente os gemidos dela. Quando ele sentiu-a se tensionar, ele afundou o rosto no pescoço dela e inalou profundamente seu cheiro.
Se Draco fosse completamente honesto, ele diria que quis Ginny Weasley desde o primeiro momento em que a viu no hotel e que iria querê-la todos os dias, em todos os lugares. E que sentira falta dela todos os dias desde então, como nunca sentira falta de nada em sua vida.
Mas Draco não era totalmente honesto. Nem Ginny era totalmente honesta. E apenas o que eles podiam fazer naquele momento era concordar em se perderem um no outro como se fosse a última vez que fossem sentir um ao outro. Sem saber que, naquele momento, seus corpos e suas mentes estavam sendo completamente honestos.
Eles deitaram-se de frente um para o outro e olharam-se por alguns minutos. Então Ginny levantou-se, vestiu-se, olhou mais uma vez para Draco, e desaparatou. Naquela noite, Ginny Weasley levou Draco Malfoy para a cama pela segunda vez, executou Gregory Goyle, e dormiu tão bem como não dormia há dias.
A terceira vez que Draco viu Ginny foi cerca de dois meses depois. A sensação pegou-o de surpresa quando a avistou de longe, conversando com um barman no restaurante do hotel. Ele aproximou-se o suficiente apenas para ter uma visão mais clara dela.
Draco não pôde deixar de notar que ela tinha uma postura cansada e, até onde ele podia observá-la de perfil, uma expressão exausta também. Mas sendo honesto, ela ainda estava linda. Ele deu alguns passos e parou ao lado dela, sem realmente encará-la, mas voltando-se ao barman.
Quase que imediatamente ela virou-se para ele, encarando-o ao mesmo tempo surpresa e intrigada. Ele virou o rosto e encarou-a de volta, encontrando o olhar dela nele. Ela segurava um copo de whisky na mão e estreitou os olhos para cima dele, erguendo um dedo e apontando para Draco.
"Você..." – ela começou, com um tom lento de reconhecimento. Ela estava bêbada, e de perto ele podia ver como a expressão dela estava verdadeiramente exausta.
"Como você está se sentindo, Weasley?" – ela abanou a mão no ar, como se desconsiderasse a pergunta dele.
"Eu tomo drinks sobre sentimentos, Malfoy." – e tomou um generoso gole do whisky, batendo com o copo no balcão quando terminou – "Aceita? Eu acho que você precisa também." – ela balançou a cabeça, dando tapinhas de afirmação no ombro de Draco. E antes que ele pudesse responder, virou-se para o barman – "Leo, traga mais duas doses. Uma para mim e uma para o meu..." – ela parou, considerando o que diria a seguir – "...Sr. Malfoy aqui."
Sr. Malfoy. E se ele fosse honesto com sua própria mente, ele admitiria que tinha ouvido 'meu Sr. Malfoy'. Ele não soube porque sentiu arrepios no corpo inteiro quando ela falou aquilo.
Ginny bateu o próprio copo de whisky no de Draco e tomou sem esperar por ele. Draco não tinha ideia de quantas doses ela já tinha tomado, mas a julgar pelo comportamento, ele diria que nem ela própria sabia. Sem falar qualquer coisa, e quase agindo por impulso, Draco colocou as mãos nos ombros de Ginny, fazendo-a levantar-se. Ela perdeu o equilíbrio por um segundo e apoiou-se no peito dele para não cair. Seus rostos estavam próximos um do outro e tudo o que ele pôde distinguir do cheiro dela foi álcool. Ela elevou os dedos e passou delicadamente no rosto dele, delineando a estrutura da face, terminando com uma batidinha da ponta do indicador na ponta do nariz dele.
"Você é bonito." – ela falou, de novo com o tom de reconhecimento, olhando-o terna e levemente bêbada, com um sorriso bobo nos lábios.
"E nós estamos de saída." – ele determinou, deixando um dinheiro trouxa no balcão e virando-a para andar até a saída. Ginny alcançou o bolso do casaco e retirou uma chave, erguendo-a na frente dos olhos de Draco.
"Vamos no meu carro. Eu dirijo."
"Ninguém vai dirigir nada, Weasley. Especialmente você." - como um reflexo, ele tirou a chave da mão dela, ouvindo-a retrucar.
Draco guiou-a para fora do restaurante do hotel até um elevador. Subiram e as portas se abriram diretamente num quarto. Ele virou-a para ele assim que entraram, encarando os olhos dela. Divertidamente, ele percebeu que ela tentava focar os dele. Draco levou as mãos ao casaco dela e desabotoou, fazendo-o cair no chão. Os dedos dele levemente roçando a pele dela durante o ato. Ginny sentiu o corpo se arrepiar e inclinou a cabeça na tentativa de sentir a mão de Draco, em seu ombro, tocar também o rosto dela.
"Cama, Weasley." – ele demandou, apontando para a cama e guiando-a.
Ela caiu sentada na beirada. Ginny levou as mãos ao casaco de Draco, tentando puxá-lo. Ele sentou-se ao lado dela e elevou os dedos, retirando alguns fios de cabelo ruivo que caíam em sua face.
"Deite-se." – a voz dele demandou novamente.
Ginny deitou-se na cama. Viu-o deitar-se ao lado dela no segundo seguinte. Com um movimento rápido, Draco fez com que o corpo de Ginny virasse de bruços. Então, ele botou a mão no pescoço dela, levemente, e deixou que passeasse pela nuca, ombros e costas dela, em um movimento contínuo. Ela piscou várias vezes, sem entender, sentindo sua mente e seu corpo relaxarem. O que ele estava fazendo? Com um movimento que ela achou que fosse rápido o suficiente, ergueu a mão e tentou tocar o rosto de Draco, ao mesmo tempo em que tentava erguer o corpo e inclinar-se para beijá-lo. A mão de Draco barrou-a, impedindo que ela o tocasse ou se curvasse para ele.
"Não hoje, Weasley."- ele disse, em um tom final.
"O que você está fazendo?" – ela repetiu num sussurrou, sentindo sua mente esvanecer. Piscou várias vezes novamente, na tentava inútil de manter Draco em foco.
"Botando você para dormir."
Quando Draco acordou no dia seguinte, Ginny Weasley já tinha ido embora. Com um movimento frustrado, ele rolou na cama, afundando o rosto no travesseiro em que ela dormira. Se ele fosse honesto com ele mesmo, ele admitiria quão patético aquilo era. Inalar no travesseiro para sentir qualquer vestígio do cheiro dela. Mas a única coisa que ele admitiria era que ele não devia ter dormido. Ele suspirou, em derrota, e levantou-se. Então viu um pequeno bilhete em cima do criado mudo. Nele, havia apenas uma data, hora e local.
Era o suficiente para Draco. Por agora. Muito embora ele não estivesse sendo honesto.
Pelos meses seguintes, sempre havia um bilhete de um dos dois -quem quer que fugisse da cena primeiro- com um horário, data e local para se encontrarem.
Foi assim que Draco e Ginny desenvolveram uma co-dependência para a qual nenhum dos dois estava preparado. Eles não falavam a respeito, não discutiam sentimentos, não paravam para debater o que aquilo significava na mente deles. Eles sabiam que a única coisa honesta entre eles era a reação que o corpo de um causava no outro.
O gesto de Draco de inclinar a cabeça e afundar o rosto no pescoço de Ginny e inalar o cheiro dela, como se sua vida dependesse daquilo, fazia com que o coração dela pulasse algumas batidas em antecipação. O jeito como ela tocava o rosto dele e passava as mãos em seu cabelo provocava um arrepio que começava em sua nuca e viajava por todo o seu corpo. A forma como as mãos de Draco tocavam seu corpo, com tanta maestria, e a forma como elas sempre encontravam o caminho entre as pernas dela, fazia com que ela esquecesse toda a sua realidade. A sutileza como as peles se tocavam e ateavam fogo na mente deles, quando estavam juntos, era provavelmente a coisa mais honesta e verdadeira que eles podiam pensar.
Draco falava às vezes, geralmente coisas que não exigiam resposta ou que ela falasse de volta. Ele odiava o silêncio dela. Mas ele odiava mais ainda pensar que se ele a fizesse falar, ele não gostaria do que ela tinha a dizer. Medo, era o nome daquela sensação. Medo de perdê-la? Draco odiava sentir medo. Mais ainda do que odiava o silêncio. Então, por hora, o silêncio dela não era intolerável.
Ginny gemia, sempre. Ela não tinha tempo, nem queria falar nada. Tudo o que ela queria era absorver todas as sensações de tocar e ser tocada por Draco Malfoy. Por esse motivo, assim que o via, no local e hora marcados, ela o beijava, deixando que suas mãos se encarregassem em tirar a roupa dele até que pudesse tocá-lo. O corpo dele instintivamente reagia e quase copiava suas próprias reações.
Eles desenvolveram um ritmo de dependência que, por mais que não atendesse todas as necessidades deles, funcionava. Não havia um relacionamento, por assim dizer, mas a dependência era quase palpável. Ele tinha acesso ao corpo dela, com as mãos, com a boca, com o corpo inteiro. O cheiro dela ainda o inebriava de um modo que ele não entendia. Ela tinha acesso a ele, por inteiro. Ela sempre conseguia dormir depois de encontrá-lo, o que a permitia executar seu trabalho com excelência. Funcionava.
Às vezes, Ginny não deixava que Draco a tocasse. Ela queria despi-lo e tocá-lo com urgência, com suas mãos e sua boca. Várias vezes ela o teve sem que ele pusesse as mãos nela. Quando isso acontecia, ela deixava bem claro para ele. Não me toque, Malfoy. E era a única coisa que ela falava. Ela o beijava, tocava seu rosto e seus cabelos, descia com a boca pelo corpo dele. Ela ficava por cima. E para deleite de Draco, nessas ocasiões, ela se tocava. Quando ela terminava, ela apenas se levantava, vestia-se e desaparatava, deixando um bilhete no lugar de onde sumira. Draco percebia que durante essas vezes Ginny emanava uma raiva quase palpável. Ele sentia o corpo dela gritar, mesmo sem tocá-la, e mesmo Ginny estando em completo silêncio. Ele odiava aquele silêncio.
Outras vezes, Ginny queria que Draco estivesse nela, em todos os lugares. Ele a tocava com as mãos e com o corpo, pressionando-o inteiramente contra ela, contra uma parede, em seu colo, na cama, em sua boca, de frente ou de costas para ele. Ela só queria que ele estivesse em todos os lugares. Quando isso acontecia, geralmente eles dormiam juntos e, quando Ginny acordava, havia um bilhete em cima do travesseiro de Draco.
Eles tinham perdido a conta de quantas vezes haviam se encontrado dessa forma no período de um ano. E durante esse mesmo período, eles poderiam contar nos dedos quantas vezes eles tinham tido uma conversa. Honestidade realmente não era o forte de nenhum dos dois.
Tinha passado pouco mais de um ano desde a primeira vez que eles tinham se encontrado. Naquela ocasião, Ginny escolhera um local público. Draco sabia que aquilo significava algo mais rápido e provavelmente perigoso. Ao longo dos meses, sem que falassem nada, eles desenvolveram códigos. O bilhete dizia o exato local, hora e dia do encontro. Se fosse um quarto, durante a noite, eles tinham mais tempo. Se fosse durante o dia, ainda poderiam aproveitar, mas sem possibilidades de dormirem juntos. Se fosse um local público e calmo durante o dia, o máximo que aconteceria eram toques ousados por baixo da mesa onde dividiriam, em silêncio, uma refeição. Se fosse um local badalado durante a noite, qualquer coisa era possível, inclusive sexo em público. Durante esse ano, Draco conheceu mais lugares trouxas do que ele imaginara conhecer em sua vida. Mas se ele pudesse ser honesto em algo, seria que não importava o lugar, contanto que ela estivesse lá.
Foi com esse pensamento que Draco entrou na casa de festas no centro do Londres naquela noite. A música estava alta e o local estava cheio. Ele olhou ao redor, procurando pelos cabelos ruivos de Ginny. Era a forma mais fácil de encontrá-la em meio a tantos trouxas. Foi então que ele a viu, sua respiração falhou e seu coração pulou algumas batidas.
Ginny estava conversando com um homem perto do bar. Ela ria descontraída, a mão dela estava apoiada no ombro dele, ele inclinava-se levemente para sussurrar algo no ouvido dela. Ela riu novamente, aproximou-se do homem e sussurrou algo de volta. Pelos movimentos dos lábios dela, Ginny não parava de falar e rir e tocar o ombro do trouxa.
Draco não reconheceu o que sentia no momento. Seu corpo estava em chamas, seus punhos estavam fechados, suas unhas cravadas na palma das mãos, seu olhar estreito para os dois. Ódio? Raiva? Era como se seus pés tomassem conta dele e o levassem até Ginny e o homem. Ele parou atrás dele e fez-se perceber quando ele inclinou a cabeça e afundou o rosto nos cabelos dela. O corpo dela reagiu como instinto e ela fechou os olhos. Típico de Draco. Mas acompanhado desse movimento, Ginny sentiu a mão de Draco em sua cintura, com certa força trazendo-a para perto dele, fazendo-a apoiar as costas em seu corpo. Ela imediatamente sentiu o corpo tenso de Draco contra o seu, a respiração pesada, o coração acelerado e a ereção evidente dele contra ela.
"Desculpe o atraso..." – ele falou e encarou o homem à sua frente – "...Sra. Malfoy." – continuou, com um sorriso fino no rosto.
Ela respirou fundo, entendendo o que estava acontecendo. Imediatamente ela retirou a mão de Draco de sua cintura e se afastou dele, ficando entre os dois homens. Olhou de um para o outro. Ela conseguia sentir a raiva dele no ar e a confusão do trouxa olhando para ele.
"Você pode nos dar um minuto?" – ela falou para o trouxa, ao mesmo tempo pegando a mão de Draco e levando-o para a saída de trás do local.
Assim que saíram, Draco percebeu que estavam num dos becos e não havia ninguém a vista. Sem aviso, ele puxou Ginny contra ele, apanhando seus lábios num beijo agressivo. Seu corpo pressionou contra o dela, apoiado em uma parede, e ela sentiu a ereção dele entre suas pernas. As mãos de Draco levantaram a saia do vestido de Ginny e, para seu próprio deleite, ela poupou-o de rasgar a calcinha dela, já que ela não usava uma no momento. Imediatamente a mão dele se posicionou entre as pernas dela, um dedo atiçando-a por alguns segundos.
Ginny gemeu ao sentir o dedo de Draco fazendo movimentos circulares, atiçando-a. Mas também sem aviso, ela mordeu o lábio dele, passou os braços ao redor do pescoço dele e, com um pop, desaparataram juntos.
Ginny sabia que aparatar com outra pessoa sem aviso prévio era arriscado, mas com sua perícia o máximo que poderia acontecer era uma aterrissagem ruim. Ela ouviu um baque no chão e viu Draco caído na frente dela, as duas varinhas caídas ao lado dele. Ela ajeitou a saia de seu vestido no instante em que seus pés tocaram o chão do quarto com elegância.
"Mas o que raios..." – ele vociferou, pondo-se em pé e avançando para ela novamente.
"Não me toque, Malfoy." – ela disse num rosnado, mas era tarde demais, ele já estava com as mãos nela e apoiou-a na parede mais próxima, novamente. Ginny sentia-o pulsar contra o corpo dela. Ela nunca o tinha visto com tanta raiva – "Eu nunca te imaginei como o tipo ciumento." – ela constatou. Ciúmes? Então era isso o que ele estava sentindo? – "Sra. Malfoy? Sério?"
Draco encarou-a profundamente. Era a vez dele ficar em silêncio, e mesmo assim ele odiava. Ele levou as mãos novamente ao corpo dela, levantando a barra da saia. Apanhou os lábios dela num beijo feroz. Sua raiva transpirava em seu comportamento, na forma como ele a beijava e tocava. O rosto dele afundou no pescoço de Ginny e ele inalou o cheiro dela. Ginny levou as mãos ao peito dele, tentando afastá-lo, tentando tirar as mãos dele de seu corpo. Draco segurou as mãos e braços dela no alto da cabeça de Ginny, apoiadas na parede.
"Não lute contra, Virgínia." - Ela relutou mais, tentando empurrar o corpo dele com o dela e com as pernas. Por sua vez, ele apenas pressionou mais contra ela. Draco era muito mais alto e forte que Ginny e prendeu-a entre o corpo dele e a parede com certa facilidade. Ainda houve certa luta dela, e quanto mais ela lutava, mais ele pressionava o corpo contra o dela e afundava o rosto em seu pescoço. Quando ela parou de lutar, estava arfando, sem fôlego, ela desistiu e deixou que seu rosto afundasse no pescoço dele também. Ele relaxou as mãos prendendo as dela e Ginny apoiou-as no peito de Draco.
Ficaram daquela forma, abraçados por um bom tempo. Prestaram atenção na respiração um do outro. Ginny sentiu-o relaxar em seus braços, e ela própria relaxou nos dele. Sentiu-o passar as pontas dos dedos nas costas dela e ouviu-o murmurar algo em seu pescoço, mas não conseguiu entender as palavras abafadas.
"O que foi isso, Draco?" – ela perguntou, num sussurro, afastando-o levemente e fazendo-o encará-la.
Draco inclinou a cabeça e inalou o cheiro dela o máximo que pôde, tentando memorizar cada nuance. Então a encarou e suspirou. Se ele fosse completamente honesto, ele diria que vê-la com outro homem o tinha deixado louco. Ele não conseguia explicar, não era por ela estar com outro homem, mas pela forma como ela estava conversando com ele quando Draco os viu. Ela parecia livre. Se Draco fosse completamente honesto, ele diria que queria mais, que queria que ela fosse livre com ele.
"Eu disse" – ele começou, com a voz rouca – "que isso não é o suficiente, Virgínia." – os dedos dele tocaram a face dela com delicadeza, delineando os lábios de Ginny e descendo para o pescoço. Os olhos dela estreitaram – "Não mais."
O corpo dele se afastou de uma vez, e Ginny perdeu um pouco do equilíbrio ao constatar que seu corpo estava praticamente apoiado apenas ao dele. Ele afastou-se e apoiou a cabeça e o corpo na parede, escondendo o rosto e suspirando profundamente.
Ginny não sabia o que aquilo significava. Ou não queria admitir o que aquilo significava. Ela respirou profundamente, ergueu a mão e quase tocou as costas de Draco. Então ela apanhou a varinha e, em total silêncio, desaparatou.
Draco gritou, quebrando o silêncio, quando ouviu-a desaparatar. Ele olhou ao redor e apanhou o primeiro vaso que encontrou e atirou-o na parede, fazendo-o se estilhaçar. Olhando ao redor, avistou sua varinha no chão. Exceto que não era a sua varinha, mas a de Ginny Weasley. Ele gritou novamente.
Honestidade era uma grande merda.
A varinha girava entre seus dedos, de uma mão a outra, em um movimento contínuo e ensaiado. Às vezes faiscava, se ela pensasse em algum feitiço enquanto a movimentava. Parou a varinha e segurou-a na frente dos olhos.
Vinte e cinco centímetros. Flexível.
Era uma varinha elegante, com uma pequena variação de cor entre o punho e a ponta. E dois detalhes simples ao redor.
Pilriteiro. Núcleo de pêlo de unicórnio.
A árvore do coração. Ela pensou. A ironia fê-la sorrir, frustrada. Ela apontou a varinha para a estante de livros.
"Accio." – um dos livros fez mênção de se movimentar, mas não saiu do lugar. Ela forçou-se a se concentrar – "Accio." – repetiu. O mesmo livro se mexeu, flutuando em direção a ela e caindo no chão alguns passos antes de chegar até Ginny – "Merda, Draco!" – estava frustrada, deixou as mãos esconderem seu rosto e suspirou.
Fazia uma semana desde o último encontro com Draco, que tinha acabado com ele praticamente se declarando para ela, pedindo por mais dela -deles-, e ela fugindo. Como sempre. Pior, fugindo com a varinha dele. Agora pensando, depois que percebeu ter apanhado a varinha errada, não conseguiu descobrir como conseguiu aparatar com perfeição pois, logo que percebeu, nenhum de seus feitiços deu realmente certo.
O livro caído a meio caminho era prova disso. E sua última execução, terrivelmente mal executada, terminando com Millicent Bullstrode em milhares de pedacinhos depois de um Bombarda maxima não verbal que saíra de controle, era a maior prova que a varinha de Draco não estava nem perto de se aliar a ela.
"Bombarda maxima, Malfoy!" – foi o que Ginny pensou, amaldiçoando a varinha inútil e seu dono, quando seu quinto feitiço em direção a Millicent falhou. A última coisa que ela viu foi o sorriso doentio dela antes dela explodir em uma névoa rosada de sangue e músculo em pedacinhos. Não foi bonito. E ela teve que chamar Blaise e James para lidarem com a bagunça causada, já que ela não conseguia proferir um feitiço que desse realmente certo.
Depois disso ela aderiu, provisoriamente, ao modo trouxa de viver. Nada mais de aparatar, fazer feitiços, retirar fios de pensamento -o que se provou a parte mais difícil- ou mesmo ser bruxa, até que conseguisse sua varinha de volta. Durante esse tempo ela se perguntou várias vezes como trouxas toleravam viver como trouxas.
Mas a pergunta que martelava em sua mente era como ela conseguiria sua varinha de volta se ela não estava disposta a encarar Draco Malfoy tão cedo?
"Eu disse que isso não é o suficiente, Virgínia. Não mais."
Ela pensou, sentindo um arrepio percorrer sua espinha e a varinha de Draco tremer e faiscar, dando um choque nos dedos dela, fazendo-a soltá-la.
"Merda de varinha." – ela apanhou-a novamente. Varinhas eram, realmente, como seres vivos. E a conexão com seus donos se provava mais real a cada instante em que ela tinha a varinha de Draco em sua posse – "Okay. Precisamos acabar com isso então." – ela falou para a varinha, esperando alguma reação – "Mas eu preciso localizar a minha varinha para acabar com isso." – ela bateu um dedo na varinha, como se a cutucusse – "Você vai me ajudar?"
Ginny estreitou os olhos, ergueu a varinha de Draco e apontou para a porta. Pensou em sua própria varinha, contorceu o rosto e proferiu um feitiço localizador, imediatamente virando o rosto e fechando os olhos, como se esperasse uma explosão. Nada aconteceu. Ela suspirou, frustrada. Repetiu o gesto mais duas vezes. A varinha não reagiu de forma nenhuma. Nenhum tremor. Nenhuma faísca.
"MERDA!" – ela gritou – "Você pode pelo menos me ajudar a localizar seu dono? Avenseguim Draco Malfoy." – ela falou com raiva, e honestamente não esperando que algo funcionasse. Para sua surpresa, tão logo ela terminou de proferir o feitiço, uma faísca forte saiu da ponta da varinha, se transformando em um pequeno ponto de luz flutuante na sua frente – "Ótimo." – ela levantou-se, falando com o ponto de luz – "Me mostre o caminho."
Ginny seguiu até seu carro, a luzinha balançando do seu lado. Se ela tivesse que seguir reto, a luzinha ficaria parada no meio. Se precisasse virar à direita ou à esquerda, a luzinha se moveria em uma das direções. Simples o suficiente. Quanto mais próxima de onde Draco estava, mais a luzinha brilhava e saltitava. E mais o coração dela acelerava.
"Isso é patético, sabia?" – ela falou, olhando para a luzinha hiperativa – "É como se você estivesse feliz com a expectativa de vê-lo." – suspirou, percebendo que não sabia se ela estava falando realmente com a luzinha ou com ela própria. Quando percebeu, Ginny estava parada nos portões de uma enorme mansão – "Okay, e agora?" – como se respondesse à sua pergunta, a varinha vibrou em seu colo e apontou para o lado de fora do carro. Ela olhou e viu um identificador ao lado do portão. Um identificador de varinhas, que funcionava como um controle para os portões – "Esperta. Isso deve servir."
Ela saiu do carro e levou a varinha de Draco ao identificador. A luzinha seguindo e pulando de perto. Os portões imediatamente se abriram e ela entrou. O mesmo aconteceu com a porta de entrada, que já estava aberta quando ela a alcançou. A luzinha guiou-a por dentro da mansão até que chegaram ao que parecia uma biblioteca. Ginny parou na porta ao avistar Draco de costas. Imediatamente Draco inclinou a cabeça para o lado, em forma de percepção e reconhecimento. Ela achou que o tinha visto farejar o ar, mas não se ateve muito ao gesto. Ele virou-se e a encarou, ao mesmo tempo em que a luzinha seguia em frente e penetrava o peito dele, sumindo.
O olhar dele era indecifrável, havia uma sombra que ela não reconhecia. A expressão dele estava cansada e havia dois círculos escuros ao redor de seus olhos. Os cabelos dele estavam bagunçados e as roupas amarrotadas. Pela primeira vez Ginny viu Draco Malfoy de outra forma que não impecavelmente arrumado.
"Eu estava me perguntando quando você apareceria." – ele começou, sem se mover, apontando a varinha para ela. Sua própria varinha, apontada em sua direção.
"O que você pretende fazer? Me estuporar com minha própria varinha para descarregar sua raiva?" – ela perguntou, desafiando-o – "Não vai funcionar. Acredite, eu tentei." – ele riu, abertamente, de uma forma felina.
"Eu nunca te machucaria, Virgínia." – ele disse, dessa vez apontando a varinha dela para a estante de livros – "Accio." – um livro imediatamente voou para a mão de Draco, de forma certeira – "Wingardium Leviosa" – ele fez o livro flutuar até ela, sem problemas.
Conexão das Varinhas. Ginny leu, olhando para ele ao mesmo tempo curiosa e chocada por ele conseguir usar a varinha dela com tanta maestria, quando ela não conseguia mais do que faíscas e choques da dele.
"Avifors." – ele proferiu, apontando para o livro, que se transformou em vários passarinhos coloridos que voavam ao redor da cabeça de Ginny – "Qualquer feitiço que você quiser." – o tom dele parecia amargurado e irritado – "Curiosamente" – ele segurou a varinha de Ginny na frente dos olhos, como se a analisasse – "Alguns feitiços saem mais bem executados quando eu uso a sua varinha do que jamais saíram com a minha própria." – ele fez uma pausa, ainda olhando para a varinha – "23 centímetros. Inflexível. Madeira de teixo. Núcleo de pêlo de unicórnio. Curioso, você não acha?" – ele olhou para ela, o sorriso delineou seu rosto e Ginny viu a expressão de Draco relaxar – "Expecto Patronum."
Ginny viu a ponta de sua varinha, na mão de Draco, criar uma luz brilhante. Em instantes a luz se transformou num lindo cavalo que trotou ao redor da sala e ao redor dela e parou em sua frente. Ginny ergueu a mão e o seu patrono tocou-a levemente com o focinho. Então, algo clareou em sua mente. Ela olhou para Draco, os olhos arregalados, expressão em choque. Seu coração pulou uma batida antes de acelerar. Não era o seu patrono, mas sim o patrono de Draco.
"Curioso, você não acha?" – ele repetiu – "Eu nunca consegui criar um patrono com a minha própria varinha. Sempre foi um feitiço que nunca fez parte de mim, talvez porque eu nunca tenha sido feliz o suficiente para ser capaz de conjurar um patrono." – a voz dele soava nostálgica e cortada – "Mas por algum motivo eu consigo com a sua. Gostaria de tentar?" – ele parecia frustrado e irritado com o fato.
"Draco..." – ela sussurrou, e ele apenas fez um movimento com a varinha, incentivando-a. Seu patrono cutucou Ginny com o focinho, como se imitando o movimento da varinha.
Ginny pensou por um instante. Sendo bem honesta, ela não conjurava um patrono com perfeição desde que começara a trabalhar para o CIM. As vezes que tentou não criara mais do que uma névoa sem formato que se dissipava em segundos. Não seria o suficiente para afastar um dementador sequer, caso fosse necessário. Bastante patético.
Ela suspirou, erguendo a varinha de Draco. Fechou os olhos e deixou que memórias felizes invadissem sua mente.
Eu puxei Draco de volta para o hotel, pelas escadas, até a porta do meu quarto. Estávamos rindo do nada, felizes. Eu parei, por um segundo apenas, e olhei pra ele. Eu sabia que eu tinha um última chance, um último nanossegundo, para parar com aquilo, falar para ele que não queria nada, entrar no meu quarto, dormir e sumir da vida dele. Isso não causaria nenhum dano e me daria a chance de clarear a minha mente e redefinir minhas prioridades.
Ele me olhou de volta e eu tive certeza que ele pôde ver a minha alma com a intensidade daquele olhar. Eu o beijei, coloquei meus braços ao redor do pescoço dele e pude sentir o corpo inteiro de Draco colado ao meu. Eu nunca quis tanto algo como eu queria Draco Malfoy naquele momento.
"Expecto Patronum." – a varinha de Draco tremeu antes de liberar um feixe de luz. Em questão de segundos um novo cavalo, maior que o primeiro, trotou pela sala, parando ao lado do primeiro patrono, que na verdade era uma égua. Os dois fizeram uma breve dança ao redor um do outro e então cruzaram os pescoços, como se estivessem abraçados – "O que isso significa, Draco?" – ela perguntou, sem ter idéia de como aquilo estava acontecendo.
"Eu demorei um pouco pra entender também." – ele começou e só então andou até ela, parando na frente de Ginny. Ele inclinou a cabeça, apenas o suficiente para aproximar o rosto do dela e poder sentir seu cheiro, mas sem tocá-la – "Varinhas são conectadas aos donos e dificilmente funcionam bem com outros bruxos. A não ser que esses bruxos tenham uma conexão emocional e/ou mental com o dono original, ou que a pessoa consiga a aliança da varinha, o que é realmente difícil." – ele falou encarando profundamente os olhos de Ginny – "Sua varinha funcionou muito bem comigo porque você está na minha mente o tempo inteiro. O tempo inteiro, Virgínia." – ele repetiu, pontuando as palavras com certa entonação – "Sabe o único que não funcionou?" – Draco apontou a varinha para a têmpora – "Pensare!" – proferiu, com certa raiva. Nada aconteceu. – "Pensare!" – aboslutamente nada – "Eu não consigo te tirar da minha mente, Virgínia. E é claro que sua própria varinha não vai me ajudar a fazer isso, por isso não funciona."
Ginny absorveu todas as palavras de Draco. E tudo fazia sentido de repente. Quando ela desaparatou com a varinha de Draco, ele estava em sua mente. Quando ela explodiu Millicent Bullstrode, ela direcionou o Bombarda Maxima para Draco, e agora pensando, imaginou que só realmente funcionou porque o alvo não era ele de verdade, mas Draco estava em sua mente. O feitiço de rastreio levou-a até Draco. Seu patrono era complementar ao de Draco. E as vezes que sua magia não funcionou com a varinha dele, ela estava simplesmente se negando a pensar nele.
"Você entende agora, Virgínia? Você não precisa lutar contra."
Draco inclinou-se e deixou que seus lábios tocassem os de Ginny, suavemente. Ela fechou os olhos quando sentiu o beijo quase inocente dele. Ele partiu os lábios e deixou que sua língua tocasse os dele, pedindo permissão para aprofundar o beijo.
Ela cedeu, colocando as mãos no peito de Draco e abrindo a boca, aceitando o beijo dele. Sentiu as mãos dele envolverem sua cintura, trazendo-a para mais perto do corpo dele. E eles apenas se beijaram. Nenhum dos dois soube por quanto tempo, mas não havia toques ousados, urgência ou malícia. Era como se eles estivessem se saboreando pela primeira vez.
Ginny tentou se afastar alguma vezes, não para sair de perto dele ou fugir. Ela queria apenas olhá-lo. Mas os braços dele ao redor dela a impediam de mover os lábios para longe dos dele. Ela não lutou contra, ela não queria mais lutar contra o que sentia por Draco Malfoy.
Negar o que sentia por meses a fio tinha apenas afetado sua sanidade e seu desempenho no trabalho. Sem falar no seu ciclo de sono, que tinha se tornado tão dependente de Draco que ela apenas conseguia dormir noites inteiras se estivesse com ele ou, no máximo, se tivesse acabado de estar com ele.
"Draco..." – ela sussurrou entre os lábios dele. Ele congelou por um segundo, afastando-se e encarando-a.
"Não diga que você não pode, Virgínia, que a gente não pode..." – ele começou e o tom parecia desesperado, como se ele estivesse quase esperando que ela quebrasse o coração dele. Ela suspirou. Ele fechou os olhos, absorto no silêncio incômodo que recaiu entre eles. Seus braços ao redor dela afrouxaram a caíram para o lado, deixando-a livre.
Foram alguns segundos que, na cabeça de Draco, pareceram horas. Ele tinha achado que ela já tinha desaparatado e fugido quando ele sentiu todo o corpo dela contra o seu, empurrando-o para a parede mais próxima.
Os lábios dela encontraram os dele num beijo profundo e necessitado. Era como se ela quisesse possuí-lo apenas com o beijo. Ele apoiou as costas contra a parede e puxou-a contra si, dando mais suporte para que ela continuasse o beijo. Suas línguas engalfinhavam-se e ambos arfaram.
As mãos dela começaram a passear com pressa pelo corpo dele, tentando tirar sua camisa e desatar o cinto da calça, sem saber o que fazer primeiro. Draco imediatamente apanhou os braços dela e segurou-a, fazendo-a então desacelerar o ritmo um pouco. Ele beijou-a lentamente, forçando-a a acompanhá-lo.
"Você não quer apressar isso, Virgínia." – ele sussurrou entre os lábios – "Segure-se em mim."
Ela passou os braços ao redor do pescoço dele e sentiu-se ser puxada e então cair em cima de Draco em uma cama. Antes que ela processasse onde estavam, ele apanhou os lábios dela novamente. Não souberam por quanto tempo ficaram apenas se beijando. Poderiam ser horas, e nenhum dos dois reclamaria.
Então Draco parou de beijá-la e deixou-se cair de costas na cama. Ela estava por cima e tentou se inclinar sobre ele para reiniciar o beijo, mas ele barrou-a. O olhar dele sobre ela era de pura contemplação e deleite.
"Eu quero conversar." – ele começou, casualmente, ao que ela olhou-o incrédula.
"Agora?"
"Sempre. Eu odeio o silêncio, o seu silêncio me deixa insano." – os lábios dela se curvaram num meio sorriso sem graça.
"Draco" – ela começou com o tom rouco, olhando-o profundamente. Ela mexeu-se lentamente sobre ele, ajustando o próprio corpo ao de Draco, de forma que ela se alinhasse a ele e pudesse sentir a ereção dele entre suas pernas. Ele mordeu os lábios e ela suspirou – "Eu não acho que eu consiga conversar nesse momento" – ela curvou-se sobre ele, roçando ainda mais sobre ele – "Mas eu prometo não ficar em silêncio."
Então beijou-o novamente, sentindo as mãos de Draco alcançarem seu corpo e retirar sua blusa. Draco parou por alguns instantes e observou-a sentada sobre ele. Ele perdeu o fôlego com a intensidade do olhar dela nele. Ela inclinou-se para beijá-lo novamente, deixando que todo o seu corpo caísse sobre o dele.
Era um beijo lento, o mais lento que eles já tinham trocado até então. Ele fez questão de sentir cada pedacinho da boca dela com sua língua. Beijaram-se por tanto tempo que não sabiam, até que perdessem o fôlego e tivessem que se separar.
Eles tiraram as roupas em um movimento quase ritmado. E Draco beijou cada pedaço de pele descoberta. Ela não tinha mentido sobre não ficar em silêncio. Ginny gemeu quando sentiu Draco dar atenção aos seus seios e descer com sua boca pelo seu corpo. Era um gemido longo, necessário.
"Draco, por favor..." – ela pediu, várias vezes, enquanto sentia as mãos e a boca dele entre suas pernas, o que apenas o fez beijá-la e tocá-la mais lentamente, aumentando o volume e a necessidade de seus gemidos.
Quando Ginny sentiu seu corpo vibrar pela primeira vez, sob a boca de Draco, ela gemeu tão alto quanto pôde, e sentiu sua mente explodir em luz quando ele não parou o movimento de sua boa e seus dedos nela, o que a fez gritar por ele, gemer e se contorcer. Ela teve que afastá-lo com as mãos para que ele parasse, ou o corpo dela simplesmente não aguentaria a intensidade. Sua mente ficou enevoada por alguns instantes enquanto o corpo dela continuava vibrando. Ela gemeu novamente, contra a boca de Draco, quando sentiu o beijo dele, pela primeira e única vez naquele dia, apressado, fazendo com que o corpo dela reagisse com quase um novo orgasmo, de tão sensível que estava ao toque dele.
"Eu não tenho intenção nenhuma de parar, Virgínia. Não importa o quanto você me peça." – ele falou com uma voz rouca, passando a língua pelos lábios, olhando-a de forma quase predatória. Antes que ela retrucasse novamente, ele estava com a boca na de Ginny e as mãos em seu corpo.
Toques novamente lentos, sutis, subindo e descendo pela lateral do corpo dela, pelas costas, delineando os seios. Propositalmente, ele evitou o espaço entre as pernas dela por um tempo, até que o corpo dela começasse a responder novamente com arrepios e sua boca com mais gemidos.
Ela tentou tocá-lo, várias vezes. Ela tentou beijá-lo como ele a beijava. Mas Draco era persistente e impediu que ela prosseguisse. Parecia que tudo o que ele queria era absorvê-la, com as mãos, com os lábios, com os olhos. E fez com ela, naquele momento, tudo o que queria ter feito ao longo de pouco mais de um ano. Draco foi, pela primeira vez, o mais honesto possível com o que ele queria e, por extensão, com o que Ginny queria.
"Eu poderia fazer isso para sempre." – ele sussurrou no ouvido dela – "Decorar seu corpo com minhas mãos e minha boca."
Draco apanhou a boca dela antes que ela pudesse responder algo. Alinhou-se ao corpo dela e parou de beijá-la por um instante, apenas para observar a expressão no rosto de Ginny quando ele juntou-se a ela. Ela gemeu e ele próprio não conteve o gemido rouco que escapou de sua boca.
Ele moveu-se lentamente, observando cada expressão e cada gemido de Ginny. Prestando atenção que tipo de movimentos desencadeavam uma reação mais intensa dela, gemidos mais altos, espasmos involuntários do corpo. O que a fazia enrolar as pernas na cintura dele e prendê-lo contra ela, o que a fazia arranhar suas costas de forma mais felina.
Ela chamou por ele várias e várias vezes, e ele nunca gostou tanto do nome dele como quando ela o falava entre gemidos roucos e loucos. "Oh, Draco!". De novo, de novo e de novo.
Draco aumentou seu ritmo, seus próprios gemidos escapando de sua boca. Ele levou o rosto ao pescoço dela, inalando profundamente o cheiro de Virgínia, absorvendo-o em sua própria pele, decorando-o em sua memória.
Os dois sentiram seus corpos vibrarem e tremerem um contra o outro. Draco apertou-a contra si, Ginny puxou-o para ainda mais perto com as pernas ao redor da cintura dele.
"Eu acho que eu te amo, Weasley." – Draco sussurrou no ouvido dela, não se contendo. Deixou que todo o seu corpo pesasse contra o de Ginny, ainda inebriando-se com o cheiro dela, sem se deixar sair de dentro dela. Ele sentiu-a enrijecer-se sob ele – "Eu não vou deixar você ir a lugar algum, Virgínia. Lide com isso." – ele sentiu um leve beijo em seu pescoço, e os lábios dela alcançaram o ouvido de Draco.
"Eu acho que eu te amo também, Malfoy." – ela sussurrou.
Honestidade era, definitivamente, a forma mais pura e primitiva de intimidade e libertação.
Quando Draco e Ginny assumiram o relacionamento para eles mesmos, as conversas começaram, a urgência ficou menos urgente, o ritmo entre eles mais equilibrado. Quando se encontravam, ao invés de se apressarem para o sexo, eles se saboreavam. Fosse com longas conversas, fosse com longas preliminares. Honestamente, para que a pressa?
Draco descobriu que Ginny tinha crises de insônia. Ela apenas dizia que era culpa do trabalho, mas não especificava mais do que isso. Draco não insistia em saber mais do que isso, a não ser que ela quisesse contar. Nas noites em que ela tinha insônia, geralmente Ginny aparecia na mansão dele no meio da noite, acordava-o com beijos e carícias até que as mãos dele estivessem nela. Eles dormiam juntos nessas noites. Ela encaixava-se nos braços dele e não se movia até que seu corpo recuperasse o sono perdido.
Ginny descobriu que Draco odiava o silêncio, ao contrário dela. E sempre que ela estava em silêncio e ele começava a falar, caso ela não quisesse iniciar uma conversa, daria um jeito de levá-lo para a cama. Ou para o chão, sofá, sala, cozinha... Draco nunca se opunha. Mas várias vezes ela dava a ele o que ele queria, e começava a falar. Ou melhor, começava a monologar, para o deleite de Draco. Ela falava sobre sua infância, sobre Hogwarts, sobre coisas que queria fazer e aprender na vida, sobre como gostaria que de transar com ele, sobre como gostaria de colocar sua boca nele. Com esse tipo de conversa, Draco apenas dava a ela o que ela queria.
Por algum motivo que Draco ainda não tinha descoberto, Ginny não falava muito sobre a vida adulta dela. Ele não reclamava, afinal, ele também não era super aberto sobre a vida adulta dele. No momento, funcionava para ambos.
Draco contou para ela como fora sua infância com Lucius e Narcissa Malfoy como pais, o que explicou muito do comportamento de Draco desde a época de Hogwarts. Em uma das noites em que dormiram juntos, após longas horas em que ambos se perderam no corpo um do outro, Draco confidenciou sobre como Voldemort o designou para assassinar Dumbledore durante o sexto ano, e sobre como ele não conseguiu fazê-lo. Ele também mencionou como esse evento, em particular, definiu sua vida após isso.
A essa altura, Ginny já desconfiava que Draco trabalhava para o Ministério da Magia, mas não tinha certeza com o que. A essa altura, o CIM já tinha liberado Draco Malfoy de sua primeira execução, por falta de provas contra ele.
Eles não dormiam juntos todos os dias, por mais que Draco insistisse na maior parte das vezes. Mas Draco notou que, com o passar do tempo, ela aparecia mais e mais vezes na casa dele, no meio da noite. Geralmente ela o chamava e o beijava e os dois engalfinhavam-se a noite inteira. Outras vezes ela apenas adentrava os cobertores e aninhava-se em seus braços. Várias vezes ele notou que ela voltava com um corte ou machucado em algum lugar do corpo. Nenhuma das vezes ele conseguiu fazê-la falar onde tinha conseguido as contusões, e todas as suas tentativas de oclumência tinham sido fracassadas.
"Está tudo bem com você, Virgínia?" – ele perguntou, todas as vezes.
"Agora está." – era sempre a resposta dela, antes que ela adormecesse em seus braços.
Anos se passaram, e Draco e Ginny seguiam com um relacionamento leve e feliz. Para os amigos mais próximos, que conheciam ambos, era difícil acreditar que um casal como eles daria certo. E era mais difícil ainda acreditar que dificilmente os dois brigavam ou discutiam.
Blaise, James, Luna e Forrest eram os únicos amigos que sabiam de Draco, Ginny e Liberty. Toda a equipe do CIM sabia sobre o relacionamento deles, mas ninguém mais sabia sobra a existência da pequena Weasley Malfoy. Todos assinaram acordos de não divulgação, e os quatro realizaram o Feitiço Fidelius, de forma que ninguém seria capaz de anunciar para a comunidade mágica que Draco Malfoy e Virgínia Weasley estavam casados e tinham uma filha.
E mesmo depois que tudo aconteceu com Harry -que todos pensavam que estava numa missão secreta para o Ministério da Magia-, mesmo depois de dois anos que estiveram separados, mesmo quando voltaram a ficar juntos, nunca ninguém quebrou o voto. A comunidade mágica ainda estava completamente às cegas com o relacionamento dos dois, ou mesmo da existência de Liberty Weasley Malfoy.
"Às vezes eu acho que nossa separação nunca aconteceu." – ela murmurou, tocando o rosto dele.
Estavam deitados na cama, um de frente para o outro. Liberty, agora com quatro anos, dormia calmamente enrolada no peito de Draco.
"É como se minhas memórias fossem uma névoa e várias vezes eu me pergunto se realmente aconteceu ou não."
Draco ajustou Liberty em contato com seu peito, de forma que ele pudesse erguer a mão para tocar Ginny, sem tirar o apoio da filha e sem acordá-la.
"Fios de pensamento fazem isso com as nossas memórias. Eu fiz o mesmo e às vezes é difícil lembrar porque você não é mais a Sra. Malfoy." – ela fechou os olhos quando sentiu as pontas dos dedos dele roçaram levemente seu pescoço e seu rosto.
"Mas eu sou." – ela inclinou a cabeça, apoiando o rosto na mão de Draco – "Eu acho que nunca deixei de ser a Sra. Malfoy. Nem você deixou de ser o Sr. Malfoy."
Draco moveu-se levemente, tentando não acordar a filha, e alcançou a mesinha de cabeceira do lado da cama. Retirou de lá um pequeno anel vermelho, com um M ou W, dependendo da posição em que se olhava. Deslizou levemente no dedo de Ginny e ela sorriu para ele.
"Eu achava que o tinha perdido." – ela sussurrou.
"Eu enfeiticei o anel para que ele voltasse para mim caso você o tirasse por mais de duas horas ou o perdesse." – ela sorriu de volta – "O que provavelmente foi algo muito inteligente de se fazer, visto que ele voltou pra mim no dia em que nos separamos, e não importou o quanto eu o jogasse fora novamente, ele sempre voltava. Então eu o guardei." – Draco segurou a mão de Ginny e olhou atentamente entre ela e o anel – "Ele te cai bem, Virgínia."
"Eu te amo, Sr. Malfoy."
Ela apenas inclinou-se para Draco e beijou-o. Então aninhou-se com Liberty e ele e adormeceu, antes que ouvisse Draco sussurrar de volta.
"Eu também te amo, Sra. Malfoy."
A BMW preta surgiu vagarosamente nos arredores de Ottery St. Catchpole, e fez uma curva delicada para pegar a estreita estrada de terra que levava àquela precária estrutura torta conhecida como A Toca.
Quem estivesse vendo aquela cena de longe, do carro seguindo tão devagar em direção à Toca, pensaria que quem quer que estivesse dirigindo estava perdido e tinha pegado a estrada por engano. Mas mudaria de opinião um segundo depois quando visse a o carro estacionando perfeitamente ao lado do outro automóvel na propriedade, um velho Ford Anglia amarelo.
A porta da BMW se abriu silenciosamente e Draco Malfoy saiu do carro. Estava vestido como se fosse participar de um evento social de primeira classe, o que claramente destoava do local em que se encontrava. Os cabelos loiros minuciosamente arrumados, o que completava o visual com o terno e camisas pretos, uma aparência aristocrata e uma expressão séria no rosto. Ele inclinou-se para dentro do carro e pegou o que parecia uma mochila de criança, colocando-a sobre o ombro. Então, deu a volta e abriu a porta do passageiro. Inclinou-se novamente e pegou uma menina, com os cabelos tão loiros quanto os dele. Em seguida, Virgínia Malfoy saiu do carro. Era visivelmente bela e com a mesma elegância do homem. Os cabelos ruivos, àquela hora do dia, pareciam ainda mais vermelhos, e os olhos cor de chocolate brilhavam como fogo. Ela deu um beijo rápido no homem e arrumou os cabelos da filha, entregando-lhe um ursinho de pelúcia em seguida.
"Você está preparada, Sra. Malfoy?" – ele perguntou, mostrando a mão para que ela segurasse.
"Eu estou, se você estiver." – ela segurou a mão dele e apertou com força.
"Se eu estou preparado para enfrentar uma família de Weasleys que me querem" – ele apenas moveu os lábios para terminar a frase, sem emitir qualquer som – "morto?"
"Exato." – ela riu para ele. – "Mas o que você usou para me convencer a falar sobre vocês para a minha família?
"Honestidade é a forma mais pura e primitiva de intimidade e libertação." – ele sussurrou inclinando-se para beijar os lábios dela – "E eu estou preparado para isso há oito anos."
"Então eu estou preparada, Sr. Malfoy. Preparada para ser o mais honesta possível com minha família."
Seguiram juntos para a entrada da casa e, antes que a alcançassem, a porta se abriu. Ginny encarou a mãe e o pai que saíram da casa e um silêncio estranho pairou sobre eles por alguns minutos. Não fazia dois anos que Ginny encontrava os pais. O problema não era aquele. A causa do choque era ela aparecer em casa com um homem e uma criança a tira colo.
Aparentemente o tempo parou, e a única pessoa que ainda movia algum músculo ou apresentava alguma expressão no rosto diferente de 'surpresa', 'choque' ou 'tensão' era Liberty, que olhava dos pais para os avós esperando que algo acontecesse. Durante esse tempo, Fred e Jorge saíram da casa para averiguar, Rony e Hermione juntaram-se à família logo em seguida, segurando os gêmeos de um ano no colo, Rose e Hugo.
Liberty sorriu para todos que a encaravam. Moveu-se no colo do pai, pedindo para descer, e foi até Molly Weasley. Parou na frente dela e estendeu a mão para ela.
"Meu nome é Liberty Weasley Malfoy" – ela começou, quando Molly apertou a mão dela e abaixou-se ao nível da criança – "Eu sei que você é a vovó Molly. Mamãe me disse tudo sobre vocês. Vocês conhecem minha mãe, Virgínia Malfoy." – Liberty apontou com a cabeça para a mãe – "Ela era uma Weasley, mas aí ela casou com o meu pai." – ela respirou fundo e levantou dois dedos no ar – "Duas vezes." – falou, pontuando um fato que, para ela, era necessário ser declarado – "E esse é o meu pai, Draco Malfoy. Mas vocês podem chamar eles de Sr. e Sra. Malfoy."
FIM
N/Rbc: é gente, chegamos ao final de Sr. E Sra. Malfoy. Depois de quase 16 anos que essa fanfic foi publicada. Originalmente em 2005, rendeu até 2008 com cerca de 12 capítulos, teve um hiatus de 12 anos e então ganhou mais 5 capítulos que foram escritos em uma semana e postados ao longo de 5 semanas. E esse último capítulo eu acho que eu revisei umas mil vezes, procurando o que mais eu podia adicionar para fechar o ciclo da história, sem deixar muitos gaps. Eu acho que, num geral, eu consegui. Mas me digam o que acharam.
Eu, honestamente, achava que não teria nenhuma review, já que a fanfic é antiga e o fandom não é mais tão ativo quanto era antes. Mas fiquei imensamente feliz por receber reviews de vocês e espero que vocês tenham gostado. Aqui vai meu recadinho para cada uma de vocês que gastou um tempinho lendo Sr. E Sra. Malfoy:
Rosalind67: moça, eu vi seu recado no final do ano passado, assim que eu resolvi reler a fanfic. Então eu pensei, putain merde, eu realmente parei numa parte... hahaha então você é meio que parcialmente responsável por eu ter finalizado essa fanfic. Obrigada por aquela review, e pelas outras que vieram depois.
Kait Weasley: nossa, é muito legal ver alguém daquela época ainda por aqui. Desculpe ter demorado tanto tempo. Hoje eu acho que eu não tinha maturidade suficiente para terminar a fanfic naquela época. Mas fico feliz que você ainda esteja por aqui e espero que tenha gostado.
Lika Slytherin: suas reviews em série me pegaram de surpresa. Eu amei hahaha eu li quando eu estava no trabalho e fiquei –eu preciso trabalhar também hahaha. Eu também precisei reler inteira pra entender o que estava acontecendo e continuar. Obrigada!
Lud: eu espero que 2021 prometa mesmo. Bem mais e mais feliz do que 2020 foi. Espero que tenha gostado. Obrigada!
E para quem eu dediquei os últimos capítulos, eu espero que você leia um dia. E eu espero que você esteja feliz e segura.
Sobre as minhas futuras fanfics: são um mistério. Eu não acho que eu vá continuar escrevendo em português e eu não acho que eu vá continuar escrevendo Draco e Ginny, ou pelo menos eu não tenho nenhuma ideia para Draco e Ginny no momento.
Recentemente eu li uma fanfic chamada MANACLED, por Sen Lin Yu, em inglês, e foi basicamente A fanfic que quebrou todos os meus 20 anos de fanfics. Eu descobri que eu estava esperando por essa fanfic a minha vida inteira e só agora eu achei. Ela é Draco e Hermione, tem 67 capítulos e está finalizada. É extremamente pesada e sombria, não é para todo tipo de leitor, mas se você acha que aguenta, VALE CADA LÁGRIMA. Depois que eu li Manacled eu não consigo mais ver Draco e Ginny com os mesmos olhos, e ainda bem que eu já tinha SSM escrita quando eu li Manacled, ou eu teria problemas. Enfim, caso eu continue escrevendo, será provavelmente em inglês e muito capaz Draco e Hermione. Mas, de qualquer forma, caso eu escreva qualquer coisa relacionada a HP, será postada aqui.
Um abraço para todas vocês e obrigada por terem me acompanhado! Usem máscara, passem álcool em gel, fiquem seguras e sãs!
Um beijão,
Rebeca Maria
