Esclarecimento: Só reiterando que esta história não me pertence, ela é uma adaptação do livro de mesmo nome, de Mary Lyons, que foi publicado na série de romances "Julia", da editora Nova Cultural.


Capítulo 2

Sakura contemplava a vista pela janela conforme a limusine saía da rodovia principal e começava a subir pelas encostas da cordilheira de Jebel el Ansariye, que separava o deserto sírio da exuberante costa do Mediterrâneo.

Era uma alteração muito bem-vinda após horas de viagem por uma região plana e árida, e ela não via a hora de parar para uma deliciosa refeição ao ar livre, como prometera o ministro. Ela sorriu para si mesma ao imaginar Hasan Fayed num piquenique, embora ele estivesse em sua melhor forma, principalmente no que dizia respeito às mulheres. Na verdade, ele parecia embevecido pela nova intérprete.

Não havia dúvida de que Ranya Kashif era uma mulher bonita. Aliás, esse termo era completamente inadequado. Os cabelos negros, longos e ondulados emolduravam um rosto translúcido de fazer inveja a qualquer estrela do cinema. Os olhos grandes e escuros sombreados pelos cílios mais longos que Sakura já vira, o nariz perfeito e os lábios carnudos e vermelhos faziam de Ranya não apenas uma mulher bonita, mas estonteante.

E isso não era tudo, considerou Sakura. O corpo magnífico da jovem árabe, a cintura fina, o busto perfeito, sobressaíam ainda mais devido ao vestido de linho vermelho, muito bem talhado. E, aparentemente não satisfeita com a beleza da moça, a fada madrinha de Ranya lhe concedera um dom ainda maior, uma inteligência brilhante !

Era demais, pensou Sakura envergonhada. Que Hasan ficasse caído por ela, tudo bem ! Mas Shaoran Li ? Era patética a forma como ele a fitava. Parecia que nunca tinha visto uma mulher tão bonita em toda a sua vida, o que não era de todo surpreendente. Para ser honesta, nem ela !

Infelizmente, o interior do veículo fora construído de tal forma que ela e Ranya, uma ao lado da outra, ficassem de frente para os outros ocupantes. Era impossível deixar de notar o comportamento de Shaoran e de Hasan diante dos encantos da outra.

Talvez ela não se sentisse tão deprimida se não tivesse cometido um erro ao arrumar a mala. Sakura pensara que as estampas pálidas dos tecidos de algodão, tão charmosas para um verão inglês, seriam igualmente adequadas para aquele país. Logo descobrira, porém, que sob o Sol forte e brilhante da Síria, suas roupas pareciam desbotadas e sem vida. Dizer que os males da vaidade feminina não a atingiam provara ser uma mentira.

Não havia nada de errado com sua blusa e com sua saia, ambas no mesmo tom, se fossem vistas contra um quadro de Laura Ashley, com suas flores azul-pálidas. Era uma roupa até prática para um clima quente e poeirento, mas, ao lado de Ranya Kashif, até mesmo um santo notaria a diferença. Era a mesma coisa que se comparar um pardal cinzento a um pássaro tropical colorido !

Ela suspirou e se relaxou no encosto. Só estava viajando naquele carro por ser a maneira mais rápida e fácil de voltar a Damasco. Não devia se sentir deprimida pelo contraste entre ambas. Assim pensando, ela fechou os olhos e tentou ignorar o som das conversas e risadas do grupo.

O que lhe importava se Shaoran estava se comportando como um tolo ? O problema era dele, não dela ! O americano podia ser um importante banqueiro internacional, mas ela não estava impressionada. Não como Chiharu, que ficara de queixo caído, quando há duas semanas deparara-se com Shaoran no hall do hotel em Damasco.

Os lábios de Sakura se apertaram ao recordar a primeira vez em que encontrara o homem que se tornara sua sombra durante a estada na Síria...

- Ele não é fantástico ? - Chiharu sussurrara, dando-lhe um cutucão na cintura.

- Quem ? - Sakura respondera, sem prestar muita atenção à jovem americana, ocupada em preencher a ficha de registro do hotel. A viagem fora longa e, após ouvir Chiharu falando por mais de quatro horas e meia sem parar, ela sentia-se não apenas física, mas também mentalmente exausta.

- Eu amo Takashi, é claro, mas não posso deixar de me sentir atraída por um tipão como aquele. E você, querida ?

Ela suspirou ao receber mais um cutucão e largou a caneta para examinar o motivo pelo qual Chiharu estava tão excitada.

- Aquele ali ! - a garota indicou disfarçadamente a figura alta de um homem, acompanhado por vários outros, que se aproximava do balcão.

- Por favor, a chave da minha suíte - o homem ordenou, com um típico sotaque americano.

Fora um dia longo e cansativo, e Sakura não estava disposta a compartilhar do entusiasmo da outra.

- É a minha vez de ser atendida - Sakura afirmou - Eu ficaria muito agradecida se o senhor esperasse a sua vez.

O estranho não lhe deu atenção e continuou a exigir a chave com impaciência.

Ao relembrar a cena, ela sentiu-se incapaz de explicar a si mesma o que acontecera a seguir. Fosse devido ao cansaço ou aos maus modos do americano, o fato é que perdera totalmente o controle...

- Ei, você ! - ela gritara, batendo no ombro do homem com o jornal que tinha na mão.

Houve uma súbita movimentação no hall de mármore do hotel e todas as pessoas ficaram estupefatas ao contemplar a cena.

- Está falando comigo ? - o homem se virou para ela, a voz fria, os olhos cor de âmbar duros como aço.

- É claro que estou ! - ela insistiu, a fúria e o ressentimento aumentando diante do pouco caso com que ele a fitava.

Talvez seu conjunto de linho cinzento estivesse um tanto amarrotado após a longa viagem, talvez sua aparência fosse melhor se tivesse retocado a maquilagem e penteado os cabelos, que teimavam em escapar do coque sobre a nuca, mas isso não era desculpa para ele tratá-la daquele jeito !

- E o que exatamente a senhorita queria me dizer ? - ele indagou, arrogante.

- Queria lhe dizer que não está se comportando como um cavalheiro ! - ela protestou, notando com satisfação que ele ficara sem jeito diante do murmúrio de aprovação das pessoas ao redor - É óbvio, até mesmo para um cego, que é a minha vez de ser atendida pelo recepcionista - ela apontou para o jovem árabe, nervoso e apreensivo - Certamente não iria permitir ser passada para trás por um...

- Eu não fiz isso ! - ele protestou, zangado.

- ... imbecil sem educação !

- Por um... o quê ?

Com o berro do homem, que quase lhe estourou os tímpanos, Sakura começou a suspeitar que tinha ido longe demais. Um olhar ao redor, aos rostos chocados de outros hóspedes, serviu apenas para confirmar seus piores temores.

Quando ela tentava imaginar a melhor forma de escapar daquela situação desagradável, sentiu que dedos fortes lhe apertavam o braço como garras e, antes que soubesse o que estava acontecendo, percebeu que estava sendo arrastada para uma sala, localizada atrás do balcão da recepção.

- Fora ! - o estranho ordenou aos ocupantes da pequena sala, que prontamente o obedeceram. Assim que saíram, ele bateu a porta com força.

Fez-se um longo silêncio enquanto os dois adversários se fitavam. Por fim, o homem deixou escapar um suspiro de irritação e passou as mãos pelos cabelos castanhos. Andava de um lado para o outro como uma fera enjaulada.

- Escute, não sei quem diabos você é, mas eu tive um dia longo e árduo no Ministério das Finanças, e não...

- Uma grande coincidência ! - ela o interrompeu, furiosa - Eu também tive um dia longo e cansativo, voando de Paris para cá, e não vou admitir que ninguém me desrespeite em público !

- Posso garantir-lhe que não tenho o hábito de perder o controle, especialmente em público !

Sakura riu, ironicamente.

- Você queria me fazer de boba !

- Também não tenho o hábito de ficar escutando uma garota presunçosa como você - ele acrescentou entredentes.

- É mesmo ? - Sakura o desafiou, ao mesmo tempo que calculava a distância entre ela e a porta. Não tinha muitas chances de fuga.

- Sim, é isso mesmo ! - ele repetiu com desprezo.

- Bem... isso não me interessa. Não sei quem você é, e, para ser sincera, nem quero saber. Não me faria a mínima diferença se você de repente se transformasse no presidente dos Estados Unidos. Só existe um ponto em discussão, que foi sua absoluta falta de educação diante do recepcionista - ela indicou a porta - , e pela qual eu ainda estou esperando ouvir um pedido de desculpas.

Por um momento fugaz, ela pensou que o homem fosse ter uma síncope. Seu corpo alto e esguio começou a tremer visivelmente enquanto o rosto bronzeado tornava-se escarlate. Sakura podia até mesmo jurar que ouvira o ranger de seus dentes.

- Vamos... acalme-se ! Também não precisa ficar tão nervoso - ela gaguejou. Ele parecia sufocado. Sons estranhos saíam de sua garganta e suas mãos se torciam como se estivesse estrangulando alguém... possivelmente ela ! - Estou certa de que você tinha um motivo para se comportar daquele jeito - ela continuou, recuando apressadamente conforme ele avançava em sua direção.

- Se não tinha, tenho agora ! - ele acrescentou, ameaçador - O que é você ? Alguma louca foragida ? - e a sacudiu como a uma boneca.

- Sou a dra. Sakura Kinomoto, e solte-me... imediatamente, seu... seu bruto ! - ela gemeu de dor - Se não me soltar, chamarei a polícia .e... ai !

O homem, muito mais alto e pesado do que ela, tentava impedir que ela se debatesse, quando ambos tropeçaram num cesto de lixo. Por um instante ela sentiu que iria cair, mas em seguida os braços do estranho a rodearam num forte abraço.

Houve um longo silêncio enquanto ambos se olhavam, surpresos. Uma veia pulsava violentamente na têmpora do homem, os olhos frios e cruéis.

- Não ! - ela protestou, quando percebeu que ele baixava a cabeça.

Foi um beijo dominador e selvagem. Seus lábios tornaram-se um instrumento de tortura que a devassou. Não podia imaginar que a briga terminaria assim. Certamente a culpa não era dela. Com os punhos cerrados, golpeava-lhe o peito para que ele afrouxasse aquele abraço de ferro, mas de repente sentiu que o beijo assumia um caráter de persuasão. Era impossível resistir aos lábios que se moviam tão eroticamente sobre os seus.

Sakura teria preferido morrer a admitir a terrível verdade, mas seu corpo traiçoeiro correspondeu voluntariamente às carícias daquele homem sensual, como se uma força magnética os unisse. O fogo da excitação corria em suas veias conforme os beijos se sucediam e as mãos do homem se moviam lentamente pelas suas costas...

Só Deus sabe aonde tudo isso os levaria ! Por sorte, fora salva de um destino pior que a morte... por um alto pigarro. Mesmo assim, ambos demoraram a perceber que não estavam mais sozinhos...

Sakura foi subitamente libertada, enquanto ele recuava e praguejava. Trêmula e cambaleante, ela tentou focalizar as pessoas que os fitavam, surpresas, através da porta aberta.

Só de lembrar o infeliz episódio, ela sentia frio e calor ao mesmo tempo. Naquela hora teria dado tudo para que um imenso abismo se abrisse aos seus pés. Simplesmente não conseguia entender como conseguira sair da sala. Suas únicas lembranças eram do sorriso malicioso do recepcionista, da atitude bajuladora do gerente diante daquele homem odioso que a subjugara, e de Chiharu, boquiaberta de espanto, que ainda por cima insistira no assunto.

- Nem dizia nada, hein ? - e ela caçoara após bater na porta do seu quarto, para verificar se Sakura estava pronta para o jantar: - Já o conhecia muito bem, não é ?

- Não, eu não o conhecia e... francamente, não me importa saber quem é ! - Sakura gaguejou - Decidi jantar em meu quarto esta noite. Estou muito cansada - ela acrescentou, estremecendo ao pensamento de ter de encarar os hóspedes e funcionários do hotel, a maioria dos quais testemunhara a cena embaraçosa.

- Bem, querida, aquele era Shaoran Li ! - a tagarela da Chiharu insistiu - Acontece que ele é um dos homens mais ricos da América, um figurão da cidade de Boston, se é que você entende o que quero dizer.

- Não sei do que você está falando - ela confessara enquanto retirava furiosamente algumas roupas da mala - Mas, mesmo que fosse Deus em pessoa, continuaria sendo um nojento e mal-educado porco chauvinista para mim !

Chiharu a fitou, perplexa.

- Mas eu pensei...

- Pensou o quê ? - Sakura indagou, agressiva.

- É que vocês dois pareciam tão... quero dizer, é perfeitamente compreensível que... - ela fez uma pausa, esperando que Sakura desabafasse, mas quando ouviu apenas uma exclamação de raiva, rapidamente mudou de tática, ansiosa por revelar à nova amiga o que descobrira.

- Você não parece estar entendendo. O cara não é apenas rico e importante, é membro do Fundo Monetário Internacional e ainda por cima pertence a uma família tradicional. Sua esposa também descende de uma das famílias mais antigas...

- Deveria ter imaginado que ele era casado - Sakura comentou com desprezo - E isso torna seu comportamento ainda mais ultrajante !

- Não, não - a jovem americana sacudiu a cabeça - Ele era casado, mas a esposa o abandonou há anos com... oh, como era mesmo o nome ? Você deve saber... é aquele famoso jogador argentino de pólo ! - e ela estalou os dedos com impaciência, na tentativa de se lembrar.

- Sorte dela ! Eu mesma não ficaria cinco minutos ao lado daquele homem...

Chiharu riu do comentário.

- Não é o que milhares de mulheres fariam ! O nome de Shaoran Li está em primeiro lugar na lista de cada garota americana. Minha família vive em Boston, por isso eu sei muito bem do que estou falando. Ele descende dos primeiros colonizadores da América, aqueles que aportaram com o Mayflower...

- E quem se importa com essa bobagem ? - Sakura deu de ombros - Aliás, eu agradeceria se você parasse de falar nele, principalmente porque eu nunca mais pretendo vê-lo.

Que engano ! Sakura sentiu o rosto queimar, ao se lembrar dos encontros subseqüentes, todos horrivelmente embaraçosos.

- Srta. Kinomoto... está se sentindo bem ?

A voz de Hasan Fayed interrompeu seus pensamentos confusos e Sakura abriu os olhos, notando que ambos os homens a encaravam.

- A senhorita está muito corada - o ministro a olhava com preocupação.

- Estou bem, eu... - a voz de Sakura sumiu ao captar o brilho divertido nos olhos cor de âmbar de Shaoran Li. Seria possível que ele conseguira ler seus pensamentos ? É claro que não, ela se convenceu após alguns instantes. Detestava aquele homem e quase se deixou arrebatar pelo impulso infantil de chutar-lhe as pernas.

Oh, Deus ! Ele a estava tirando do sério ! Por toda a sua vida orgulhara-se de ser uma pessoa calma e controlada, e agora, no breve espaço de duas semanas, estava na iminência de se tornar uma mulher intratável e mal-humorada.

Sakura ainda estava refletindo sobre as vantagens de permanecer serena apesar das provocações de Shaoran, quando o veículo quase derrapou diante de um aviso na estrada antes de virar abruptamente para a esquerda e seguir por um atalho estreito.

O ministro soltou uma exclamação de contrariedade e pressionou um botão, que fez baixar o vidro que separava o motorista dos ocupantes. Houve uma breve troca de palavras, em árabe, antes que Hasan novamente erguesse o vidro.

- O motorista disse que o trajeto precisou ser alterado devido aos reparos que estão sendo realizados na via principal. Sem dúvida retomaremos nossa rota original em pouco tempo. Contudo, srta. Kinomoto, talvez fosse melhor que parássemos alguns momentos para que a senhorita tomasse um pouco de ar, o que acha ?

- Oh, estou certa de que não há necessidade para medidas tão drásticas, ministro ! - Ranya intercedeu rapidamente, sem dar tempo para que Sakura respondesse - Não acha que bastaria abrirmos uma janela ? - ela se dirigiu a Shaoran com um sorriso.

"Também não há necessidade de exagerar sua dose de charme, doçura !", Sakura pensou com despeito ao ser tão visivelmente ignorada pela outra. Seus pensamentos, entretanto, foram interrompidos pela sugestão de Hasan, de que talvez já fosse hora de pararem para o piquenique.

- Bem... na verdade... - Sakura se deteve, sem querer parecer ansiosa demais para comer, embora estivesse faminta. Mas antes que pudesse falar qualquer coisa, Ranya novamente a interrompeu.

- Mas, meu caro ministro, a paisagem daqui é tão linda ! - a intérprete hesitou, com um sorriso encantador - Estou certa de que a senhorita inglesa prefere continuar apreciando a vista em vez de almoçar.

"Não, não prefiro !", Sakura pensou, lançando um olhar de esguelha para Ranya. O sorriso cínico de Shaoran aumentou ainda mais a sua ira. Era óbvio que ele percebera que ela estava morta de fome e se divertia com a situação.

Mas por que não confessava que realmente estava faminta ?, ela se perguntou. E estava prestes a dizer isso ao ministro, quando foi novamente frustrada em sua intenção. Ranya apontou, de repente, para a janela.

- O que representa aquela extraordinária estrutura ? - ela indagou, entusiasmada.

- Ah, sim. Eu não a tinha visto antes, mas creio que seja uma de nossas mais recentes descobertas. É um antigo castelo do tempo das Cruzadas. Há muitos nesta região, como o Krak des Chevaliers, próximo a Homs - ele explicou a Shaoran.

Sakura se virou em seu assento, a fome esquecida, para contemplar a imensa estrutura em pedra encravada num penhasco como o ninho de uma águia.

Ela havia destinado a visita ao castelo medieval conhecido como Krak des Chevaliers para os últimos dias de sua estada na Síria. Afora o desejo de visitar o túmulo de seu pai, aquela era umas das razões de sua viagem.

Desde o ano anterior, a maior parte de seu tempo disponível fora empregada em escrever o que ela esperava ser o livro mais completo sobre as guerras medievais. Agora que o projeto estava quase concluído, ela sentia ser essencial que explorasse o sítio pessoalmente. Era como se tivesse voltado no tempo, para os séculos XI e XII, quando os cruzados europeus construíram seus castelos para se defenderem dos sarracenos.

- Oh, sim, é uma vista verdadeiramente magnífica ! - Hasan exclamou, enquanto o veículo circundava o pico da montanha - Mas até poucos anos atrás tudo isso estava escondido pelas árvores e matas.

- Como foi possível que homens a cavalo subissem até aqui naquele tempo ? - Shaoran indagou, estarrecido diante dos elevados muros de pedra do castelo.

Sakura, que estava prestes a fazer a mesma pergunta, lançou-lhe um olhar de aprovação.

- Tem razão... foi difícil - Hasan concordou - Mesmo após a descoberta do castelo, era praticamente impossível atravessar o fosso em frente à entrada. Foi preciso que colocassem uma ponte metálica.

- Não vejo ponte alguma - Shaoran murmurou.

Hasan continuou com suas explicações.

- É porque o castelo fica protegido pelas encostas íngremes da montanha. Fui informado de que existe uma trilha, fora da estrada, que dá acesso a uma outra entrada no lado oposto.

- Deve ter dado muito trabalho para ser construído - Shaoran comentou, admirado - E está bastante conservado, eu diria.

Hasan assentiu com um movimento de cabeça.

- Nos últimos dois anos foram realizadas obras de restauração, inclusive com planos para um pequeno museu. Entretanto, a obra está abandonada no momento, pois o investimento não provou ser satisfatório. O local fica muito distante dos centros turísticos e...

- Veja, sr. ministro, parece um lugar perfeito para o nosso piquenique ! - Ranya exclamou, apontando para uma espécie de clareira do outro lado da pista, aos pés do castelo.

Hasan imediatamente deu ordens para que o motorista estacionasse a limusine.

- Tem razão. Creio que não encontraríamos um lugar mais bonito para o nosso piquenique - o ministro se dirigiu a Ranya, abrindo-lhe a porta - Também é uma ótima oportunidade para nos... aliviarmos - ele corou, embaraçado - Sugiro que nos separemos por alguns instantes. Daqui a cinco minutos nos reuniremos aqui, está bem ? - ele acrescentou rapidamente, antes de dar a volta no carro para falar alguma coisa ao motorista.

- Pode sair - Shaoran abriu a porta para Sakura, que não conseguia soltar o cinto de segurança.

- Parece que encrencou - ela olhou para Shaoran, que já dava mostras de sua irritação. Sem conseguir manejar o fecho, ela se abaixou e puxou com força uma alavanca sob o assento. No minuto seguinte, a alavanca estava em suas mãos e ela, entre os braços de Shaoran.


P. S.: Nos vemos no Capítulo 3.