NARUTO pertence à Masashi Kishimoto.

DO I WANNA KNOW pertence à banda Arctic Monkeys.


Do I Wanna Know?

Escrita por N. Owens

Betada por Delirium de uma noite de verão

Do you ever get the fear that you can't shift the type that sticks around like something in your teeth?


Seus olhos ainda estavam fechados, mas Sasuke já estava acordado há um bom tempo. Mergulhado no breu de suas pálpebras e lembranças, ele se lançava em uma busca contínua, incansável e aparentemente interminável de qualquer que fosse a lembrança que tivesse de Hyuuga Hinata.

Correram alguns dias desde que ela havia lhe dado o gato – que na verdade era uma gata, – a qual ele ainda não nomeara, e que, por sinal, estava completamente acordada brincando com uma ponta do lençol que cobria seu dono e protetor. Fazia alguns dias que não a via. Quase nunca ouvira falar dela e não saberia dizer qual foi a última vez, já que ele não saía muito. Seus clones, porém, mantinham seus ouvidos atentos sobre o paradeiro da herdeira Hyuuga.

Naquela noite escura de sábado, tal qual a música fúnebre que estava a escutar desde cedo, o moreno se sentia pronto para deixar seu corpo seguir leve. Porém, a busca por memórias mais antigas era completamente inútil. Tudo que ele se lembrava eram dos cabelos curtos e da baixa estatura na então menina. Contentou-se com as memórias mais recentes que vinham em um caminhar manso e macio, quase carinhoso.

"Ele não fazia ideia de que dia da semana era, mas, quando voltará para Konoha, sabia que tinha tomado chá verde na noite anterior. Às vezes era assim que ele mantinha suas memórias: não por datas, mas por cheiros, cores ou sons.

Após sua chegada, previamente anunciada à Godaime, e assim aceita por seus serviços prestados a favor da nação ninja, Sasuke viu a moça Hyuuga encontrar-se com Uzumaki Naruto e entregá-lo algo. Naruto gesticulou e falou uma coisa incompreensível para si, o que fez a moça sorrir e sair de cena usando de uma nuvem de fumaça; isso tudo antes do loiro vê-lo e assim fazer uma de suas cenas comoventes – com inclusão de luta, lágrimas e algumas palavras de amor, de irmão para irmão, claro – e desajeitadas.

Sasuke percebeu que Naruto esqueceu-se daquilo que a morena lhe dera, ou talvez estivesse apenas guardado para depois, apesar dele ainda crer mais na primeira opção...Principalmente quando em seguida viram Sakura, que se agarrou ao seu pescoço e sussurrou algumas palavras incompreensíveis para si. Mais lágrimas gordas, pesadas e fetidamente salgadas eram destinadas a roupa anteriormente branca e limpa do moreno."

Ela usava o conjunto ninja habitual, mas suas mangas estavam mais dobradas do que costumavam ser, ela usava sempre roupas claras na parte superior. Parecia bem mais descontraída do que a vira anos atrás; e atualmente poderia dizer que, na verdade, ela era apenas muito reservada. Apertou um pouco mais os olhos, quando a unha da felina fincou-se em um de seus dedos.

"Lembrava-se de ter visto muitas pessoas. Os olhares raivosos, feios, gananciosos e ainda assim temerosos, às vezes se mesclavam aos que as moças faziam ao vê-lo passar; normalmente acompanhavam algumas palavras feias em ambos os sentidos. As moças dessa época eram muito abusadas, Sasuke pensou.

Nos dias seguintes concentrou-se em buscar arrumar seu clã, e, consequentemente, seu lar, e por isso saiu em busca de alguns utensílios domésticos. Enquanto transitava por Konoha, viu-se atraído por uma grande loja de variedades no centro, e logo após ele não sabia como estava discutindo com um atendente a necessidade, ou falta, de levar um ralador de legumes, pois o Uchiha achava desnecessário o uso e o maldito atendente sentia-se no dever de obrigar muito sutilmente Sasuke a levá-lo, apesar do mesmo crer que era mais fácil usar kusanagi para isso.

Para a felicidade do moreno, ele vira Hyuuga Hinata dar uma puxadinha suave no braço do atendente e pedi-lo para buscar algo que Sasuke não entendeu o que era, mas esse oferecera seu melhor sorriso galanteador para a Hyuuga e saira sem dar nenhuma satisfação a Sasuke, que resmungou enquanto revirava os olhos. Hinata o encarou por alguns segundos, e enfiou a mão na cestinha que carregava, tirando um pequeno acessório.

Uchiha-san... – Ela chamou. Sasuke apenas fez sinal de que estava ouvindo. – Esse ralador é o ideal. Usando do lado inverso é possível fatiar. Eu recomendo que use com cenouras e tomates, se gostar. O valor é bem mais em conta que o que ele te ofereceu.

"Obrigado", ele pensou, mas não disse.

B-bem-vindo de volta. – A morena sorriu timidamente, caminhando ao encontro do atendente que também sorria.

Sasuke pensou em devolver o utensílio a prateleira.

Olhou o topo da cabeça de Hinata e seus cabelos eram muito longos. Será que ela nunca cortava? O que mais ela não se atrevia a fatiar? O coração de alguém? Ela certamente era gentil, poderia crer com intensa convicção de que a resposta seria negativa. Mesmo que ela o fizesse, Sasuke sentia, ao olhar para ela em suas vestes de cores pastéis, que poderia perdoá-la.

Não que dentro de si houvesse um.

Lembrou-se que buscou afastar-se de tais pensamentos. Kusanagi já havia fatiado tanta carne humana que seria nojento se ela fatiasse seus tomates frescos.

Obrigado. – Ele sussurrou, mas a Hyuuga já não era capaz de ouvir.

Sasuke enfiou o pequeno ralador plástico em sua cestinha de compras e se dirigiu ao balcão de pagamento."

Agora ela estava lambendo seu pé com sua pequenina língua áspera, num gesto de solidariedade e, certamente, em um pedido de desculpas meio mudo, de que sentia muito por ter-lhe machucado, e que na verdade só desejava brincar com sua coberta. A sensação lhe fazia cócegas. E ele deixou-se ter um leve sorriso de diversão.

"Aquela terça era muito quente, quase sufocante. Sasuke não entendia como a alguns dias estivera chovendo tão pesadamente. A porta de sua casa estava aberta, enquanto ele empenhava-se em restaurar um banco semi corroído que ficava próximo a sua casa.

Ele poderia facilmente pagar a um marceneiro qualquer para que fizesse o serviço, mas, em sua mente, o jovem desejava fazê-lo por suas próprias mãos, além de que por uns tempos ficaria sem receber missões, até que ele pudesse encontrar um time que o acolhesse – não que o time sete não o fizesse, mas, no momento, Naruto se concentrava em seu novo treinamento e Sakura estava sempre de plantão no Hospital da Folha; devido ao número de acidentes remanescentes da guerra, a rósea tomava aquilo como uma ótima experiência de aprendizado. Naruto poderia seguir em missão, caso a Godaime necessitasse, mas a jovem era realmente mais requisitada na área hospitalar – ou que seu time acolhesse alguém para preencher, ao menos, o vazio de Haruno Sakura. Ele poderia sair em missão sozinho, mas preferia não sugerir aquela opção.

A gatinha estava deitava como uma bola preta em cima do tapete felpudo, sentindo uma leve brisa alisar seus pêlos muito fofos, embaixo da sombra. Ouviu seu dono resmungar alguma coisa enquanto trabalhava na restauração e ergueu sua cabeça para certificar-se de que tudo estava bem com ele, que chupava o dedão com afinco.

O calor só parecia aumentar e o Uchiha não conseguiu mais suportar o uso da camisa escura, e a tirou, aproveitando-se para tomar alguns goles d'água e refrescar-se.Mantinha seus olhos fixos no balançar das árvores e só percebeu que alguém se aproximava quando já era tarde demais. Hinata trazia uma mochila nas costas; suas roupas frescas e simples davam a entender que ela tinha o dia de folga, assim como ele.

Bo...bom dia, Uchi-ha-san... – ela fez uma breve reverência, enquanto passou os olhos pela bagunça que Sasuke fizera. – Hm... o ... que você está construindo? – depois limitou-se apenas a pensar que estava sendo inconveniente.

Hyuuga. – ele devolveu o cumprimento. – Um banco. – ele esticou uma das pernas e manteve a outra dobrada. Hinata abaixou-se a certa distância dele.

Ela abriu a mochila e de dentro dela tirou a toalha que Sasuke antes a havia emprestado.

Aqui está. – ela estendeu a toalha e o jovem a pegou. – Eu... trouxe um lanche como... agradecimento. – tirou uma trouxinha da mochila azul. – O...onde eu posso deixar?

Entre. – Sasuke levantou-se e seguiu para dentro de sua mansão mal acabada, sendo acompanhado a uma certa distância pela herdeira Hyuuga.

Com li... licença – a jovem disse a porta, onde tirou suas sandálias e fez um breve carinho na gata.

Sasuke já estava na cozinha fazendo chá, dispensou pedidos para que a Hyuuga se sentisse à vontade e sumiu para guardar a toalha. Um pouco relutante, ele encostou-a próximo às narinas e sentiu um leve cheiro de menta ou eucalipto. Ele se sentia estranho por cheirar a toalha, estupido, na verdade. De todo modo, sabia que a sensação era melhor que comer geleia de morango. Talvez estupido fosse o novo feliz.

Naruto veio a sua mente e tudo fez mais sentido. Idiotas são mais felizes.

Quando voltou, ela havia arrumado a mesa com alguns sanduíches leves e biscoitinhos.Parecia orgulhosa, como uma criança que mostra suas habilidades ao pai.

Não precisava. – soou mais indiferente do que desejava.

Não é nada. – ela remexeu-se para se ajeitar melhor. Sasuke sentou-se e serviu chá. – Não pude deixar de notar… – ela começou. – você está cortando a madeira, mas não vi onde você desenhou. Está fazendo isso sem planejamento? – internamente achou graça que ela falasse dessa forma.

Estou. – e deu de ombros. Meus antepassados faziam assim. – e pegou uma fatia de sanduíche.

Seus parentes não usavam régua? – ela apareceu incrédula. E internamente sentiu-se satisfeita que ele não se sentisse mal em falar dos parentes em frente a ela.

Não. – deu uma risadinha abafada. – Eles usavam o sharingan para copiar determinadas habilidades previamente e por isso não precisavam tirar muitas medidas. – Sentiu-se bem em ter deixado sua suave risada ter vindo em boa hora; ele não gostava de falar de seu doujutsu com ninguém, e aquilo amenizaria o clima.

Incrível. – ela mordeu um biscoito doce. – Só pelos detalhes lá fora dá pra perceber que eles não usavam um molde. É tudo único.

Eu não sabia que se interessava por marcenaria. – Sasuke bebericou o chá de jasmim.

nãorealmente. – outra mordida.

Então? – Ele questionou.

A- arte. – ela viu-se olhando os nós no cabelo dele. Eu gosto de arte.

E onde o conhecimento por marcenaria vem?

Hun… É tão… interessante. – ela arfou e mordeu. – Um dia... foram fazer uma obra no dojô do clã. pausa Uma coisa levou a outra. – e bebericou mais de seu chá. – Ficou muito bom.

Ahn?

O – ela fez outra pausa, dessa vez por sentir a garganta seca. – chá.

Obrigado. – e pousou seus olhos no topo da cabeleira da Hyuuga. Eram fios muito bonitos. – Que cor é essa?

Hm? – seus olhos se abriram com curiosidade.

Do seu cabelo. – O rosto de Hinata se iluminou.

Índigo, Uchiha-san. Respondeu com firmeza, o que Sasuke não pode deixar de notar. Quase nunca a via sendo assertiva ou firme em suas respostas. Seria essa uma nova faceta?

Sasuke. – ele mordeu um biscoito doce e mergulhou-o no chá que acabara de surrupiar da xícara, fazia o doce se dispersar. – Muito bom.

O...obrigada, S-sa-sasuke. Hinata corou, assim como no dia em que o moreno adotará a companheira felina, que percebeu estar entrando na cozinha e logo indo de encontro a Sasuke, deixando claro que gostaria sentar-se em seu colo.

Sasuke fez uma careta.

Você estava bem lá no tapete. – resmungou.

Acho que ela não quer dividir você – disse, usando de seu clássico sorriso, sem perceber o sentido mais profundo do que dissera. O moreno percebeu ambos. Sentido e que ela não percebeu o que havia dito. Era bonito.

Ela só é uma preguiçosa mimada. – bufou, passando a mão na extensão do pelo da gata. Até que era divertido.

Já tem um nome?

Ainda não. – levantou o olhar. – Alguma ideia?

Hm... não. N-nada que combine com ela.

Os Hyuuga não gostam de nomes luminosos? – Sasuke questionou.

É...c-como uma tradição, apesar de haverem exceções – suspirou, levemente cansada.

E qual é a sua tradição? – foi a vez de Sasuke sentir-se bem por ela estar falando de possíveis tabus com ele.

M-minha?! – foi retórica. – "Cara de quê." – viu Sasuke dar um sorriso torto, já que abaixara a cabeça pra olhar a gata no colo. – E-e a sua, Sasuke-san?

Eu nunca nomeei nada. – ele esquivou-se. As coisas que já nomeara normalmente não seriam discutidas com as visitas. Muito menos se ela for uma garota bonita, que quase cheira a algodão doce nos dias de domingo ensolarado.

Me... – buscou as palavras. – Me conte. – pausou. – Quando nomear a gata. – a jovem sorriu.

A conversa se estendeu por mais algum tempo até que a Hyuuga dissesse que precisava ir, agradecendo a Sasuke pela hospitalidade.

Sim. – ele a segurava nos braços, como uma concha, se sentia um pouco idiota, mas era isso que ele havia observado as outras pessoas fazerem, quando seus visitantes se vão. – Volte para ver o banco, Hyuuga. largou-a e a viu rubra como nunca, o moreno ponderou se ela estava simplesmente se sentindo muito quente pelo dia ensolarado ou se algo estava errado.

H- hinata. – ela terminou de calçar a sandália ninja, enquanto deixava seu longo cabelo esconder a vermelhidão de seu rosto. – Vou sair em missão amanhã, mas passo aqui quando voltar.

Boa sorte, Hyuuga Hinata. – Sasuke lançou seu melhor olhar a ela. – Sim. – O moreno gostava de dar respostas curtas.

Só H-Hinata – acenou e saiu andando. – Eu também.

Sasuke ficou olhando-a se afastar até que a herdeira Hyuuga não pudesse mais ser vista, sem nunca olhar para trás. Ele não sabia, mas ela só não olhou por medo que ele visse sua cara de criança tola que acabara de levantar para ver animes. Seus preferidos. Ela só estava contente, seria ali a construção de um novo laço?"

Sasuke remexeu-se. Aquele dia havia sido espetacular. A companhia da moça era completamente bem vinda e ele sentia-se confortável com a sensação de que não estava só e, mais ainda, de que ela nunca deixava de olhá-lo nos olhos isso quando ela tinha coragem de o fazê-lo, a timidez da garota era bobo, mas adorável ao contrário das "Taradas da Folha", que não o deixariam em paz se pudessem desfrutar do mesmo que havia tido com a primogênita. Porém, com seus comentários tímidos, ele descobriu que Hinata – como ele podia chamá-la agora – além de inteligente, era perspicaz. Uma observadora nata.

Tinha certeza que ela deveria ser uma das melhores, senão a melhor, rastreadora da Folha com seu byakugan. O herdeiro Uchiha percebera certa hesitação dela em alguns pontos, mas nada que não pudesse ser lapidado. Só não poderia ser ele a fazê-lo. Ele não.

Ocorreu-lhe uma ideia.

Abriu os olhos e o breu não havia ido embora. Existia um buraco negro em sua face? Levou a mão ao rosto e sentiu o pelo macio. A gata estava dormindo em seu rosto.

Já passava da hora de se levantar.

Sentiu um gosto amargo na boca. Era engraçado. Parecia que havia algo em seus dentes, sentiu-se enjoado como se estivesse em maré alta.

Sasuke nunca gostou de barcos.


Gostaria imensamente de agradecer aos reviews deixados aqui. São encantadores.